A  GAROTA  DA  MOTO

 

PARTE  13

 

 O dia surgiu radioso, com sol e uma brisa fresca soprando.Era o outono que se aproximava, amenizando o calor t�pico do Texas.

 

         Diane levantou cedo. Tomou um banho de ducha, vestiu-se, se perfumou e penteou os negros cabelos, prendendo-os no alto da cabe�a. Olhou-se criticamente no espelho. Sorriu para sua imagem. Estava �tima, nem parecia que havia sa�do de um hospital h� vinte dias.

 

         Pensou em Shane e seu sorriso morreu. Estava muito magoada com ela. Shane havia sido um triste engano em sua vida. E reconheceu que a culpa n�o era de Shane, ela quem havia iniciado tudo. Shane a havia avisado que n�o estava pronta para outra rela��o s�ria. Mas ela deixara sua libido decidir sua vida amorosa, encantada com a beleza de Shane, com o jeito dela fazer sexo. Havia sido uma idiota! Por que n�o havia apenas tido uma noite de prazer e ter se retirado sem convid�-la para ir para sua casa? N�o estaria agora sofrendo uma decep��o. Mas ia recuperar-se disso.

 

         O belo rosto de Sean surgiu em sua mente. Lembrou do beijo que trocaram, quando ela a confundiu com Shane. Sean tinha uns l�bios deliciosos, e ela havia retribu�do o beijo, sentira a l�ngua dela acariciando a sua, o corpo estremecendo. Depois havia recuado, com certeza por medo.

 

         Diane sorriu. Sean havia gostado do beijo. E depois, no jantar, havia notado os olhares dela. E a declara��o que estava triste porque ela ia embora. Ela a desejava, tinha quase certeza. E ela tamb�m sentia-se atra�da por Sean, talvez por sua semelhan�a com Shane. Mas se conseguisse conquist�-la, faria tudo para n�o a comparar com a irm�, porque Sean merecia ser amada.

 

         Desceu para o primeiro piso e viu Sean de p� junto � janela, fitando a paisagem com olhar pensativo. Ela estava com culotes de montaria e botas de cano longo e Diane admirou o corpo esguio, sentindo um arrepio de desejo.

 

         Sean ouviu seus passos e voltou-se. Ao v�-la, enrubesceu e sorriu timidamente.

 

         -J� de p�? Pensei que ia acordar um pouco mais tarde.

 

         Diane sorriu e aproximou-se com um sorriso malicioso.

 

         -Bom dia, Sean. J� descansei o suficiente. E pensei que podia acompanh�-la na sua cavalgada di�ria que faz pela manh�, que voc� contou-me.

 

         -Oh, claro... � Sorriu Sean, observando a roupa de Diane � A cal�a jeans e a blusa de algod�o est�o adequadas para cavalgar, s� falta um chap�u para proteger sua cabe�a do sol.

 

         -N�o tenho chap�u � Disse Diane, decepcionada.

 

         -Isso n�o � problema, eu possuo v�rios. Posso dar um para voc�, espero que tenha a cabe�a do tamanho da minha. Vamos tomar o desjejum, depois veremos isso.

 

         Foram tomar o desjejum na varanda, um h�bito de Sean. Diane olhou a mesa, impressionada. Havia ovos mexidos, panquecas, bacon, torradas, suco de laranja, caf� e frutas diversas.

 

         -Uau, voc�s se alimentam com isso tudo no caf� da manh�?

 

         Sean riu, servindo-se de caf�.

 

         -A vida no campo d� apetite. E � claro que gastamos muita energia com trabalhos f�sicos. Eu tenho vinte empregados na fazenda para manejar o gado, mas gosto de ajud�-los a la�ar e marcar gado, a cuidar  das crias, coisas assim.

 

         Diane a fitou com mal�cia proposital.

 

         -Pelo corpo que tem, prova que sabe se cuidar, Sean.

 

         Sean enrubesceu e baixou os olhos com uma timidez encantadora. Comeram em sil�ncio e Diane aproveitou para ficar admirando-a disfar�adamente. Sean era linda! Os cabelos negros estavam presos em um rabo-de-cavalo, mostrando o pesco�o dourado. Ela parecia t�o tranq�ila. Como seria esse rosto com uma express�o de desejo?

 

         Depois do desjejum Sean foi ao seu quarto e voltou com um chap�u branco, que coube exato em Diane.Elas foram ao est�bulo, onde haviam cinco cavalos puro-sangue. O tratador  Billy selou o garanh�o negro Ralf e a �gua Courtney, marron. Minutos depois elas estavam cavalgando pela pradaria.

 

         Diane seguiu Sean, que cavalgava na frente. Mas ela parou, esperando-a com um sorriso excitado.

 

         -Vamos dar uma corrida at� aquela �rvore? � Perguntou, apontando uma �rvore distante, numa pequena colina.

 

         -Bem, eu h� muito tempo n�o cavalgo e estou fora de forma, mas vamos l�! � Gritou Diane, esporeando o cavalo, que saiu em disparada.

 

         -Trapaceiraaaa!!! � Gritou Sean, esporeando seu cavalo, seguindo-a.

 

         Para espanto de Diane, ela a ultrapassou em pouco tempo e se distanciou velozmente. Diane n�o p�de deixar de olhar a perfeita coordena��o entre cavaleira e cavalo, eles pareciam um s�, na fluidez dos movimentos. Era uma vis�o t�o linda, que Diane retardou sua montaria, seguindo em galope moderado.

 

         Quando chegou na �rvore, Sean j� havia desmontado e estava sentada sob a sombra da �rvore com os bra�os rodeando seus joelhos. O garanh�o pastava tranq�ilamente. Sean sorriu, vendo-a desmontar.

 

         -Demorou a chegar, amazona! � Disse � Est� mesmo fora de forma!

 

         Diane sentou ao lado dela, retribuindo o sorriso.

 

         -Eu me retrasei para ver voc� cavalgar.

 

         -Por que? Duvidou que eu montava bem?

 

         -N�o, � que achei a cena linda, voc� cavalgando com os cabelos ao vento.

 

         Sean ficou vermelha e desviou o olhar do seu.

 

         -Sempre que estou com a cabe�a cheia de problemas, venho para a fazenda e cavalgo at� aqui para pensar.

 

         -Voc� tem levado uma vida dura, n�o?

 

         -Realmente. Desde cedo  eu tive que tomar � frente dos neg�cios. Eu tinha apenas vinte e um anos. Shane nunca quis saber dos neg�cios da fazenda. Mas acostumei-me com isso. Temos mais duas fazendas um pouco menores que essa, al�m de pr�dios de escrit�rios em Dallas. � cansativo administrar tudo isso, mas j� acostumei-me. Agora com a morte de meu pai, os bens herdados ser�o divididos entre eu e Shane e ela ter� que administrar sua parte. Ela n�o pode continuar levando uma vida sem responsabilidades.

 

         -Concordo com voc�. Ela tem muito tempo livre e voc�, nenhum. N�o sente falta de ter algu�m para amar?

 

         Sean a encarou.

 

         -Amor? Nunca tive tempo para isso. Eu dediquei meu tempo para os neg�cios e cuidar de meu pai. Ele tinha uma enfermeira, mas eu supervisionava tudo.

 

         -Mas agora voc� vai ter mais tempo para voc�. Sean, voc� � uma mulher linda e atraente, � imperdo�vel uma mulher como voc� n�o ter algu�m para amar � Disse, fitando-a ardentemente.

 

         Sean sentiu seu cora��o acelerar. Lembrou o beijo entre elas e tentou soar sua voz normal:

 

         -Amor � algo estranho para mim. N�o sei se um dia vou experimentar esse sentimento.

 

         -� s� perder o medo que tem de amar, Sean. Sei da trag�dia que aconteceu com seus pais, mas isso n�o quer dizer que o mesmo vai acontecer com voc�. Abra seu cora��o. Sean, ontem quando a beijei, voc� correspondeu por uns momentos. Eu acho que voc� est� atra�da por mim, e eu estou muito atra�da por voc�. Por que n�o nos damos uma chance?

 

         Sean ergueu-se vermelha como um tomate.

 

         -N�o, Diane. Voc� n�o me beijou. Voc� beijou-me pensando que eu era Shane. O beijo n�o foi para mim.

 

         -Pode ser, mas depois vi que era voc� e eu amei aquele beijo.E s� penso em ter a chance de beij�-la novamente � Confessou Diane, erguendo-se tamb�m e parando diante de Sean, fitando-a com desejo.

 

         Sean a encarou medrosamente, tremendo de nervosismo.

 

         -Voc� quer usar-me para se vingar de Shane. Ou ent�o, deseja-me porque sou muito parecida com ela.

 

         -N�o, Sean! Eu a desejo porque seu beijo despertou-me a certeza que voc� � a mulher certa para mim. Voc� � bem diferente de Shane em sua personalidade. Adoro sua timidez, sua meiguice, sua inexperi�ncia sobre o amor. Eu desejo ensinar voc� a amar, a ter prazer com uma mulher, a ser feliz.

 

         Enquanto falava, a voz de Diane baixou sedutoramente, seus olhos adquiriram um brilho de desejo, semi-cerrados. Ela estendeu as m�os e tomou o rosto de Sean entre elas, acariciando-o com os polegares. Seu corpo se aproximou sinuosamente e se encostou no de Sean, transmitindo sua maciez e fazendo Sean sentir seu delicioso perfume.

 

         Sean era uma mulher sem experi�ncia amorosa. E sentindo e vendo aquela mulher linda tentando seduz�-la, era demais para ela. Sean sucumbiu � atra��o que sentia e fechou os olhos, entregando-se pela primeira vez � emo��o do amor e desejo.

 

         Diane percebeu na atitude de Sean a sua entrega e desceu os l�bios ansiosos em busca dos l�bios vermelhos de Sean.

 

         Foi um beijo profundo, intenso, apaixonado, quente. Suas bocas se sugando mutuamente, os corpos se espremendo, os bra�os apertando, em um frenesi de emo��o.

 

         Quando se separaram para respirar, Sean a fitou desejo, a respira��o desigual, o rosto vermelho, o corpo tremendo.

 

         -Diane... eu quero que me ensine a amar... a ter prazer com voc� e tamb�m dar prazer... eu quero tudo que voc� possa dar, porque eu tamb�m a desejo muito... � Declarou, com voz tr�mula.

 

         Diane acariciou seu rosto ternamente, fitando-a nos olhos.

 

         -Sean, tenha certeza que nunca a magoarei. Voc� merece ser amada e vou tentar tudo para faz�-la feliz. Sei que nos conhecemos apenas ontem, mas o amor e a paix�o n�o medem tempo quando voc� conhece algu�m que � a pessoa de seus sonhos.E voc� � a pessoa dos meus sonhos, Sean. Linda, meiga, sensata, encantadora, uma mulher admir�vel. Eu a quero para mim e n�o vou perd�-la . Seja minha agora, Sean.

 

         Sean a encarou, tremendo.

 

         -Diane, tamb�m sei que nos conhecemos h� bem pouco tempo, que voc� est� saindo de uma rela��o com minha irm�... n�o acha melhor esperarmos um pouco para dar esse passo em nossa rela��o?

 

         -Sean, n�o sou uma mulher de meios termos. Para mim, � tudo ou nada. Por isso n�o quero insistir em minha rela��o com Shane. E eu preciso de sua ajuda para esquec�-la, Sean... n�o confia em mim? Eu n�o vou engan�-la. Confie em mim. Ajude-me, Sean � Implorou Diane, fitando-a desesperada.

 

         Sean n�o resistiu ao ver o desespero naqueles belos olhos. Agora acreditava em amor � primeira vista, porque descobriu-se escrava daquela mulher. Ela estava perdidamente apaixonada por Diane, e n�o podia negar nada � ela. Contra seus princ�pios e medos, ela se entregou ao mais poderoso sentimento e beijou Diane numa entrega total.

 

         Diane sentiu naquele beijo a entrega de Sean. E a despiu entre beijos, cada um recebido com gemidos de prazer. Ela admirou os seios pequenos e eretos, de aur�olas rosadas, as coxas longas e firmes, os quadris arredondados, o est�mago de m�sculos definidos, tudo de uma tonalidade dourada, mostrando que Sean tomava banhos de sol nua.

 

         Sean sorriu sob sua contempla��o, timidamente. E quando Diane se despiu tamb�m, ela contemplou o corpo escultural boquiaberta, sentindo um louco desejo domin�-la.. O seu olhar percorreu Diane com a curiosidade de uma virgem, medrosos, mas cheios de desejo. E quando Diane a tomou nos bra�os, Sean sentiu uma emo��o t�o intensa que seus joelhos se tornaram fracos, fazendo-a se encostar totalmente no corpo de Diane. Ela a sustentou pela cintura e foram baixando para as roupas que forravam o ch�o, suas bocas grudadas em um beijo apaixonado.

 

         E Sean conheceu a del�cia de entregar-se � paix�o. Conheceu a del�cia de se dar e ter um corpo de mulher nos bra�os. A suavidade dos beijos, das car�cias, do toque das peles, do cheiro, do movimento dos corpos. O prazer de ter um orgasmo e ver Diane ter outro provocado por ela.

 

         Quando estavam ambas deitadas uma ao lado da outra, recuperando a calma dos corpos, Sean falou baixinho, pegando a m�o de Diane e a beijando reverentemente:

 

         -Eu estou apaixonada por voc�, Diane.

 

         Diane voltou o rosto para ela, sorrindo docemente.

 

         -Eu tamb�m, Sean. E quero que nosso amor seja para sempre.

 

XXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 

         Morgan havia acordado, tomado um banho, se vestido e descido � procura de Sean. Maria informou que ela havia sa�do com Diane para cavalgar e que ela podia tomar o desjejum na varanda.

 

         Morgan foi para a varanda com um sorriso sarc�stico. Diane estava j� investindo em sua nova conquista! Gostaria de ser como ela, t�o racional. Mas n�o era assim. S� queria Shane, mesmo sabendo dos defeitos dela. Afinal, amar era aceitar a pessoa amada com todos seus defeitos.

 

         Estava terminando seu desjejum quando o distante ru�do de uma moto alertou seus sentidos. Ela se p�s de p� agitada, mas logo tornou a sentar, tentando disfar�ar sua emo��o. N�o queria demonstrar � Shane que estava nervosa com a chegada dela.

 

         A moto de Shane logo surgiu na estrada. Morgan ficou olhando-a parar diante da casa, saltar e dirigir-se para a varanda, com o cora��o aos saltos. O seu olhar fitou a inesquec�vel e querida figura, com saudade.

 

         Shane subiu os degraus correndo e ia entrar na casa sem v�-la. Morgan a chamou:

 

         -Shane!

 

         Shane parou instant�neamente ao som daquela voz. N�o a esqueceria nunca! Voltou-se lentamente, com o cora��o aos saltos.

 

         Morgan a fitava, sentada � mesa da varanda, com um copo de suco de laranja na m�o. Ela estava mais linda que nunca. Havia emagrecido um pouco, os cabelos estavam mais curtos, em um corte moderno. Mas o que mais chamou sua aten��o foi o olhar. Aquele olhar n�o era o daquela garota que conhecera, era um olhar de adulto, amadurecido pelo sofrimento.

 

         -Morgan... � Disse, finalmente, se aproximando lentamente � Pensei que j� tivesse ido embora...

 

         Tarde demais percebeu o que havia deixado escapar de sua boca. Aquilo n�o era a melhor frase para dizer � ela, depois de tanto tempo. Mas n�o havia dormido e estava exausta, sem pensar direito.

 

         -Oh, pensou que eu tivesse me desiludido com a not�cia de sua rela��o com Diane e tivesse voltado para casa chorando sua trai��o, n�o �? Pois enganou-se! - Jogou Morgan, com frieza.

 

         Shane ergueu uma sobrancelha, surpresa e aborrecida.

 

         -Minha trai��o? Eu n�o a tra�, porque n�o tenho mais nada com voc�!

 

         Morgan a encarou com desgosto.

 

         -� isso que pensa, n�o? E eu pensei que voc� me amava de verdade! Abandonei tudo por sua causa, estou sozinha! Mas voc� se grudou na primeira mulher que estava por perto! Substituiu-me logo por Diane, mal eu virei as costas!

 

         -Voc� me deixou, caindo na chantagem de seu av�! O que queria que eu fizesse, sabendo que seu marido estava esperando-a? Ficasse chorando o abandono? Diane deu-me a m�o na hora que eu mais precisei!

 

         -Voc� n�o pensa no que eu passei, s� pensa em si mesma! Eu joguei meu casamento para o alto, briguei com meus av�s, afastei meus amigos, fiquei completamente sozinha, sofrendo sua aus�ncia e falta de not�cias! E voc� nesse tempo estava com Diane! Voc� n�o sabe amar, Shane!

 

         Shane ficou vermelha de raiva com a acusa��o.

 

         -Pare de bancar a v�tima! Voc� n�o amava Jonnathan, seu casamento nunca iria dar certo, mesmo se eu n�o tivesse aparecido em seu caminho!Do que se queixa? Est� agora livre e rica!

 

         Morgan a fitou com os olhos cheios de l�grimas, se erguendo.

 

         -Sim, rica, sozinha e infeliz! Eu vim aqui na esperan�a de tentar ter voc� de volta para mim, mas agora vejo que estava enganada! Voc� nunca me amou, porque s� ama voc� mesma! Mas voc� est� certa. S� os idiotas se apaixonam, eu agora vou ser como voc�. Vou conquistar, usar e largar! Hoje mesmo vou voltar para Dallas e ir para aquela danceteria conquistar uma mulher! Voc� vai conhecer uma nova Morgan!

 

         -Morgan! N�o fa�a isso! � Gritou Shane, empalidecendo.

 

         N�o adiantou Shane pedir, amea�ar. Morgan correu para seu quarto, recolheu seus pertences,  apanhou sua mala e saiu, entrando no BMW  alugado e partindo, deixando Shane arrependida de suas palavras, pensando o que fazer. E a verdade veio, arrasando-a: ainda amava Morgan com loucura, quando a havia visto tivera que conter a vontade de correr e abra��-la. E havia estragado tudo, por causa de seu medo de entregar-se ao que sentia. Tentara ser dura e c�nica, com medo de ser rejeitada. E agora havia perdido Morgan para sempre!

 

 

XXXXXXXXXXXXXXX

 

         Quando Diane e Sean voltaram para a casa, viram a moto de Shane estacionada no gramado. Sean olhou para Diane, sentindo um ci�me doloroso. Era horr�vel ter sua irm� como rival. Mesmo Diane tendo assegurado � ela que Shane n�o a amava, Sean tinha receio da rea��o de Shane.

 

         -Shane j� chegou! Que vai fazer, Diane?

 

         Diane a fitou apaixonadamente.

 

         -Vou fazer o que j� falei � voc�. Vou ter uma conversa com Shane e terminar tudo oficialmente.

 

         -Diane, tenho medo que minha irm� me odeie!

 

         Diane apertou sua m�o, procurando tranq�iliz�-la.

 

         -N�o se preocupe, ela n�o me ama. Vai at� ficar aliviada.

 

         Entraram na resid�ncia e encontraram Shane no living, com um copo de u�sque na m�o, com ar deprimido.

 

         -Shane, o que houve? � Perguntou Sean, tensa.

 

         Shane a fitou sem express�o.

 

         -Morgan foi embora.

 

         Sean e Diane a fitaram surpresas.

 

         -Morgan foi embora?! � Repetiram, ao mesmo tempo.

 

         Shane as fitou desafiante.

 

         -Sim, por que tanta surpresa? Ela s� estava esperando-me para insultar-me, culpando-me pela sua infelicidade! Fez isso e se foi, dizendo que vai ser como eu, conquistando e largando!

 

         Sua voz soou queixosa. Diane voltou-se para Sean.

 

         -Deixe-nos � s�s.

 

         Sean a fitou com receio.

 

         -Diane, acha o momento adequado? Ela est� abatida...

 

         Diane revirou os olhos.

 

         -Sim, Sean, ela est� abatida e precisa de um choque para reagir! V�!

 

         Sean saiu e Diane aproximou-se de Shane e tomou o copo da m�o dela. Shane rosnou em rea��o:

 

         -Hei! D�-me o copo! Voc� n�o manda em mim!

 

         Diane sentou diante dela, fitando-a nos olhos com calma.

 

         -Eu sei disso, Shane. E nem pretendo mandar. O caso entre n�s acabou. Eu percebi que voc� ainda ama Morgan e n�o quero continuar com uma mulher que gosta de outra. Eu mere�o ter uma pessoa que me ame tamb�m.

 

         Shane a fitou surpresa.

 

         -Diane, tem certeza que quer tomar essa decis�o?

 

         -J� tomei a decis�o, Shane. S� estou comunicando.

 

         -Mas... pensei que me amasse... como tomou essa decis�o t�o r�pido?

 

         -Eu tamb�m pensei, Shane. Mas eu estava era enfeiti�ada por sua beleza. Mas eu felizmente agora sei que tudo n�o passou de uma paix�o, que morreu quando eu percebi que voc� n�o queria assumir nossa rela��o diante de Morgan.

 

         Shane a fitou com um olhar perdido.

 

         -Eu queria tanto amar voc�, Diane... � uma mulher maravilhosa, que pode fazer qualquer pessoa feliz. Mas infelizmente, voc� chegou tarde na minha vida. Meu cora��o j� pertencia � Morgan. Ela � temperamental, infantil, ciumenta, louca, mas �   ela quem eu amo.

 

         -Shane, fico aliviada em ouvir isso, porque eu estou apaixonada por uma mulher maravilhosa, a quem certamente amarei com o tempo.

 

         Shane a fitou perplexa.

 

         -Est� me dizendo que se apaixonou por algu�m?! Aqui na fazenda? Quem?

 

         -Sean � Expeliu Diane.

 

         Shane a fitou boquiaberta.

 

         -Sean?!... N�o � poss�vel... desde quando?

 

         -Desde ontem, quando voc� saiu. Descobrimos que est�vamos atra�das uma pela outra.

 

         Shane come�ou a rir. Jogou-se no sof� com a cabe�a para tr�s, dando altas gargalhadas. Diane a fitou com cara amarrada.

 

         -Qual � a gra�a, posso saber? � Perguntou, agressivamente.

 

         Shane a fitou ainda rindo.

 

         -A fria Sean, a assexuada, de casinho com voc�? � muito engra�ado! Como eu desconhecia minha irm�!

 

         -N�o acho gra�a nenhuma! � Disse Diane, irritada � Sean � uma mulher maravilhosa e precisa tamb�m de amor e carinho! E vou dar isso � ela, que merece muito mais que voc�!

 

         Shane a fitou com mal�cia.

 

         -� claro que foi voc� quem a seduziu! Sean jamais teria tomado uma iniciativa! Meus parab�ns, Diane! Conseguiu conquistar a �ltima das virgens dessa cidade! As MacPherson s�o a sua prefer�ncia! E ela parece muito comigo, lembra o que eu disse? Na minha falta, Sean podia substituir-me !

 

         Diane ficou vermelha de embara�o com as palavras de Shane. Baixou os olhos, sem ter o que dizer.

 

         Shane parou de rir e se ergueu do sof�. Fitou Diane nos olhos, s�ria.

 

         -Diga � Sean que est� tudo bem. Mas cuidado, Diane! Se fizer a minha irm� sofrer, vai se ver comigo. Ela n�o tem uma coura�a que a proteja de desenganos, como n�s.

 

         Diane sorriu para ela.

 

         -Tem minha palavra que vou fazer tudo para ela ser feliz comigo, Shane.

 

         Shane a fitou com mal�cia, se dirigindo para a porta.

 

         -Diga � ela que n�o tenho nada contra a uni�o de voc�s. Eu sei que voc� a escolheu porque se parece comigo... � uma forma de continuar amando-me.

 

         -Pretenciosa! � Protestou Diane, envergonhada.

 

         Shane piscou um olho.

 

         -Agora vou atr�s do que � meu. At� outro dia, estou indo para Dallas.

 

XXXXXXXXXXXXXXXX

 

         Shane foi para Dallas de avi�o, levando sua moto no compartimento de carga. Desembarcou �s tr�s da tarde e depois dos tr�mites legais, sua moto foi liberada e ela saiu do aeroporto direto para a danceteria.

 

         Quando chegou foi saudada pela suas amigas, que n�o a viam h� muito tempo. Shane trocou cumprimentos com elas, mas sentou em um tamborete no balc�o, sozinha. Morgan poderia chegar a qualquer momento e queria estar s�bria, por isso pediu uma coca-cola. O barman a fitou como se estivesse louca.

 

         -Shane, tomando coca-cola? Milagres ainda existem! � Disse ele.

 

         Shane encolheu os ombros, bebendo o refrigerante gelado. N�o era t�o mal assim.

 

         V�rias mulheres se aproximaram dela, chamando-a para dan�ar. Quando viram que Shane n�o queria companhia, a deixaram em paz.

 

         Eram mais de cinco horas quando Morgan entrou. Estonteante em um top e cal�a de couro pretos, um cintur�o de metal prateado e botas de salto alto.

 

         As mulheres que a viram entrar a comiam com os olhos e Shane sentiu o ci�me domin�-la. Ia aproximar-se de Morgan, mas ela lan�ou um olhar gelado que a fez desistir, por hora. Morgan foi direto para a pista dan�ar.

 

         A m�sica de Alanis Morrissete foi substitu�da por Britney Speals e Morgan a dan�ou fazendo gestos com as m�os, mexendo os quadris sensualmente. Uma morena dan�ando � sua frente sorriu para ela.

 

         Morgan olhou para Shane, disfar�adamente. Ela a fitava recostada no balc�o, im�vel, com olhar visivelmente ciumento. Morgan sentiu uma grande satisfa��o com isso. Ela precisava provar o que fazia com as outras mulheres. E ia mostrar � ela que tamb�m podia conquistar uma mulher com facilidade.

 

         Voltou-se para a morena e retribuiu o sorriso. Ela era bem feminina, de cabelos profusamente cacheados e longos.Tinha um belo sorriso e um corpo invej�vel, real�ado na saia curta e blusa colante. Ela sorriu, inclinando-se e dizendo em seu ouvido:

 

         -Voc� dan�a muito bem!

 

         -E voc� � linda... � Disse Morgan, sedutoramente.

 

         -Quer sentar em minha mesa? Estou sozinha.

 

         -� um convite irrecus�vel � Disse Morgan.

 

         A morena a pegou pela m�o e a conduziu at� uma mesa perto da pista. Morgan sentou e se apresentou:

 

         -Meu nome � Morgan, e o seu?

 

         -Carla. Seu nome � lindo, Morgan, como a dona.

 

         Morgan riu do elogio sem originalidade. Carla pousou a m�o sobre a sua.

 

         -De onde surgiu, Morgan? Voc� possui uma classe nos modos e roupa, que se v� logo que n�o � desse meio.

 

         -Oh, obrigada... mas n�o sou mais que ningu�m aqui � Mentiu.

 

         -Igual � voc� aqui, s� Shane.

 

         -Quem � Shane? � Perguntou Morgan, cinicamente.

 

         -Aquela morena recostada no balc�o, de blus�o de couro � Respondeu Carla, indicando Shane com o queixo.

 

 

         -Oh, j� vi... voc� a conhece bem?

 

         O rosto de Carla se encheu de rancor.

 

         -Eu a conhe�o bem demais! Ela me cantou uma noite, me levou para a cama, e no dia seguinte apareceu com uma outra mulher e nem me olhou! Eu a detesto agora!

 

         Morgan olhou para a mo�a com novo interesse. Uma ex-conquista de Shane! Mas que coincid�ncia! Sua vingan�a teria novo sabor!

 

         -Quando voc�s tiveram um romance?

 

         -Uns cinco meses atr�s.

 

         -Oh, que mulher insens�vel! Deixar uma mo�a bonita como voc� sem nenhum motivo! � Disse Morgan, com reprova��o.

 

         Carla a fitou deslumbrada.

 

         -Tudo bem, estou com uma mulher mais linda que ela! � Disse ela, inclinando-se para Morgan � Vamos para minha casa? Prometo � voc� que n�o vai se arrepender.

 

         Morgan a fitou com um sorriso malicioso.

 

         -Primeiro precisamos nos conhecer melhor, Carla...

 

         Carla sorriu, debru�ando-se para ela, fitando sua boca.

 

         -Pois vamos nos conhecer melhor agora, tes�o!

 

         A boca de Carla se esmagou contra a de Morgan, que conservou os olhos abertos, surpresa. Olhou para Shane.

 

         Shane as fitava com os olhos faiscando de ira, o rosto com uma express�o de ci�me que Morgan nunca tinha visto. Ela come�ou a se aproximar rapidamente e Morgan tentou interromper o beijo, mas Carla a agarrou pelos ombros, sugando sua boca como uma ventosa.

 

         Shane chegou diante da mesa e puxou Carla pelos ombros brutalmente, afastando-a de Morgan. O ci�me a mordia dolorosamente, era insuport�vel ver Morgan ser beijada por outra mulher. Estava furiosa com Morgan por ter permitido o beijo e a insultou entredentes:

 

         -Sua vagabunda!Qualquer mulher aqui tem mais classe que voc�!

 

         Morgan a fitou com raiva, pelo insulto. Rebateu no mesmo n�vel:

 

         -N�o me chamo Shane, a vadia mais baixa que conhe�o!

 

         Shane a pegou pelo bra�o brutalmente, puxando-a .

 

         -Levante-se! Saia dessa mesa! 

 

         Morgan deu um safan�o, libertando o bra�o.

 

         -Tire essa m�o nojenta de mim, sua vadia! � Rosnou Morgan, entredentes.

 

         Carla ergueu-se  furiosa, fitando Shane.

 

         -Sua cadela, voc� precisa de uma li��o! � Gritou, avan�ando sobre Shane com tapas e unhadas. Shane recuou surpresa, trope�ou numa cadeira e caiu no ch�o. Carla aproveitou e montou sobre ela, continuando a agred�-la. Shane tentava escapar, mas estava numa posi��o inferior, com ela montada no seu peito, e n�o podia evitar muito os golpes.

 

         Ao ver Shane ca�da no ch�o apanhando, toda a raiva de Morgan se esvaiu. Ela gritou, pegando Carla pelos cabelos, puxando-a para tr�s.

 

         -Largue-a! Covarde! N�o v� que ela n�o pode defender-se, com voc� montada nela?

 

         Carla caiu para tr�s e olhou para Morgan sem entender. Ela estava defendendo sua agressora?

 

         Morgan ajoelhou-se e ajudou Shane a levantar-se, com uma express�o preocupada e carinhosa.

 

         -Levante-se, meu amor...eu ajudo voc�...

 

         -Deixe-me! � Disse Shane, erguendo-se � N�o preciso de sua ajuda!

 

         Morgan olhou um corte sobre a sobrancelha de Shane, que sangrava. Pegou gardanapos na mesa e apertou contra o corte.

 

         -Vamos sair daqui.Esse lugar n�o serve para voc� � Disse Morgan, pegando-a pelo bra�o.

 

         Shane tirou um len�o do bolso do blus�o e o apertou contra o corte.Morgan passou o bra�o pela sua cintura e Shane apoiou o bra�o nos ombros dela, saindo da danceteria. Os frequentadores riram de Carla, percebendo que tudo havia sido uma briga de ci�mes, gozando ela que ficara sobrando.

 

         L� fora, Morgan olhou para Shane, sentindo uma grande ternura em v�-la toda arranhada, sangrando.

 

         -Vamos embora no meu carro. Voc� n�o pode dirigir a moto sangrando no rosto. Deixe-a guardada em algum lugar a�.

 

         Shane sorriu para ela.

 

         -Vou pedir ao porteiro para guard�-la. Ele me conhece e me far� esse favor.

 

         Shane deu uma boa gorgeta ao porteiro da danceteria, que guardou sua moto e foi embora no Porshe negro de Morgan.

 

         Elas foram para a nova resid�ncia de Morgan, um duplex luxuoso na rua mais sofisticada de Dallas. Morgan encheu a banheira e tomaram um banho acompanhado de champanhe, entre beijos, car�cias e declara��es de amor. A reconcilia��o se estendeu por toda noite, com elas se amando com uma renovada paix�o. Finalmente esgotadas, adormeceram abra�adas, felizes por saberem que se pertenciam e se amavam contra qualquer obst�culo.

 

 

Ep�logo

 

         Faz um ano que Shane e Morgan vivem juntas. A paix�o entre elas continua intensa e o amor mais forte que nunca, mesmo entre uma briga e outra. Morgan � temperamental, ciumenta, mas o amor resiste �s tempestades.

 

         Diane e Sean sempre atuam como agentes da paz entre elas, quando brigam. Ouvem suas queixas e d�o id�ias para se reconciliarem. Na verdade, as duas brigonas n�o sabem ficar muito tempo separadas. Basta se olharem, e uma corre para os bra�os da outra, pedindo mil desculpas.

 

         Diane largou o FBI e ajuda sua querida Sean a administrar a fazenda.Diane est� feliz em voltar �s suas origens no campo e adora acompanhar Sean pela pradaria, montada em Rain, um garanh�o negro, presente de Sean.Os pe�es a respeitam pela sua coragem e pontaria, desde que enfrentou um enorme lince que estava matando bezerros e o capturou com um tiro certeiro de tranquilizante, colocando-o para dormir e ser transportado para um zool�gico.Diane ensinou aos pe�es que s� se matava um animal selvagem se realmente n�o havia nenhuma op��o. 

 

A heran�a foi dividida e Shane montou uma gravadora de m�sica country e um bar onde toca seu sax. O restante de seus bens, ela deixa para sua irm� administrar.Sua carreira de cantora est� progredindo a largos passos. Seu cd �Shane e voc� estourou na m�dia e ela est� sendo procurada por empres�rios �vidos para contrat�-la. Mas Shane n�o quer ser uma estrela.Ela quer apenas tocar e cantar suas m�sicas sem muita pretens�o, para o p�blico restrito de seu bar. Ela foi apresentada �   cantora Shania Twain em um show e foi convencida  pela famosa cantora a tocar como convidada em sua pr�xima apresenta��o. Morgan est� orgulhosa dela, e isso que a incentivou a aceitar o convite.

 

         Morgan dedica-se � sua Funda��o de Artes e Of�cios para a juventude  e  � um albergue para animais, com veterin�rios e tratadores, que recolhe animais abandonados ou feridos .

 

         Cada uma respeita a atividade da outra e passado o tempo, os dois casais s�o bastante amigos. Morgan e a  Garota da Moto finalmente encontraram o seu lugar, o seu porto de paz e amor.

 

 

FIM

  

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