A GAROTA DA MOTO
PARTE 13
Diane levantou cedo. Tomou um banho de ducha, vestiu-se,
se perfumou e penteou os negros cabelos, prendendo-os no alto da cabe�a.
Olhou-se criticamente no espelho. Sorriu para sua imagem. Estava �tima,
nem parecia que havia sa�do de um hospital h� vinte dias.
Pensou em Shane e seu sorriso morreu. Estava muito magoada
com ela. Shane havia sido um triste engano em sua vida. E reconheceu que a culpa
n�o era de Shane, ela quem havia iniciado tudo. Shane a havia avisado
que n�o estava pronta para outra rela��o s�ria.
Mas ela deixara sua libido decidir sua vida amorosa, encantada com a beleza
de Shane, com o jeito dela fazer sexo. Havia sido uma idiota! Por que n�o
havia apenas tido uma noite de prazer e ter se retirado sem convid�-la
para ir para sua casa? N�o estaria agora sofrendo uma decep��o.
Mas ia recuperar-se disso.
O belo rosto de Sean surgiu em sua mente. Lembrou do
beijo que trocaram, quando ela a confundiu com Shane. Sean tinha uns l�bios
deliciosos, e ela havia retribu�do o beijo, sentira a l�ngua dela
acariciando a sua, o corpo estremecendo. Depois havia recuado, com certeza por
medo.
Diane sorriu. Sean havia gostado do beijo. E depois,
no jantar, havia notado os olhares dela. E a declara��o que estava
triste porque ela ia embora. Ela a desejava, tinha quase certeza. E ela tamb�m
sentia-se atra�da por Sean, talvez por sua semelhan�a com Shane.
Mas se conseguisse conquist�-la, faria tudo para n�o a comparar
com a irm�, porque Sean merecia ser amada.
Desceu para o primeiro piso e viu Sean de p� junto
� janela, fitando a paisagem com olhar pensativo. Ela estava com culotes
de montaria e botas de cano longo e Diane admirou o corpo esguio, sentindo um
arrepio de desejo.
Sean ouviu seus passos e voltou-se. Ao v�-la, enrubesceu
e sorriu timidamente.
-J� de p�? Pensei que ia acordar um pouco
mais tarde.
Diane sorriu e aproximou-se com um sorriso malicioso.
-Bom dia, Sean. J� descansei o suficiente. E pensei
que podia acompanh�-la na sua cavalgada di�ria que faz pela manh�,
que voc� contou-me.
-Oh, claro... � Sorriu Sean, observando a roupa de Diane
� A cal�a jeans e a blusa de algod�o est�o adequadas para
cavalgar, s� falta um chap�u para proteger sua cabe�a do
sol.
-N�o tenho chap�u � Disse Diane, decepcionada.
-Isso n�o � problema, eu possuo v�rios.
Posso dar um para voc�, espero que tenha a cabe�a do tamanho da
minha. Vamos tomar o desjejum, depois veremos isso.
Foram tomar o desjejum na varanda, um h�bito de
Sean. Diane olhou a mesa, impressionada. Havia ovos mexidos, panquecas, bacon,
torradas, suco de laranja, caf� e frutas diversas.
-Uau, voc�s se alimentam com isso tudo no caf�
da manh�?
Sean riu, servindo-se de caf�.
-A vida no campo d� apetite. E � claro
que gastamos muita energia com trabalhos f�sicos. Eu tenho vinte empregados
na fazenda para manejar o gado, mas gosto de ajud�-los a la�ar
e marcar gado, a cuidar das crias, coisas
assim.
Diane a fitou com mal�cia proposital.
-Pelo corpo que tem, prova que sabe se cuidar, Sean.
Sean enrubesceu e baixou os olhos com uma timidez encantadora.
Comeram em sil�ncio e Diane aproveitou para ficar admirando-a disfar�adamente.
Sean era linda! Os cabelos negros estavam presos em um rabo-de-cavalo,
mostrando o pesco�o dourado. Ela parecia t�o tranq�ila. Como
seria esse rosto com uma express�o de desejo?
Depois do desjejum Sean foi ao seu quarto e voltou com
um chap�u branco, que coube exato em Diane.Elas foram ao est�bulo,
onde haviam cinco cavalos puro-sangue. O tratador Billy
selou o garanh�o negro Ralf e a �gua Courtney, marron. Minutos
depois elas estavam cavalgando pela pradaria.
Diane seguiu Sean, que cavalgava na frente. Mas ela parou,
esperando-a com um sorriso excitado.
-Vamos dar uma corrida at� aquela �rvore?
� Perguntou, apontando uma �rvore distante, numa pequena colina.
-Bem, eu h� muito tempo n�o cavalgo e estou
fora de forma, mas vamos l�! � Gritou Diane, esporeando o cavalo, que
saiu em disparada.
-Trapaceiraaaa!!! � Gritou Sean, esporeando seu cavalo,
seguindo-a.
Para espanto de Diane, ela a ultrapassou em pouco tempo
e se distanciou velozmente. Diane n�o p�de deixar de olhar a perfeita
coordena��o entre cavaleira e cavalo, eles pareciam um s�,
na fluidez dos movimentos. Era uma vis�o t�o linda, que Diane
retardou sua montaria, seguindo em galope moderado.
Quando chegou na �rvore, Sean j� havia
desmontado e estava sentada sob a sombra da �rvore com os bra�os
rodeando seus joelhos. O garanh�o pastava tranq�ilamente. Sean sorriu,
vendo-a desmontar.
-Demorou a chegar, amazona! � Disse � Est� mesmo
fora de forma!
Diane sentou ao lado dela, retribuindo o sorriso.
-Eu me retrasei para ver voc� cavalgar.
-Por que? Duvidou que eu montava bem?
-N�o, � que achei a cena linda, voc�
cavalgando com os cabelos ao vento.
Sean ficou vermelha e desviou o olhar do seu.
-Sempre que estou com a cabe�a cheia de problemas,
venho para a fazenda e cavalgo at� aqui para pensar.
-Voc� tem levado uma vida dura, n�o?
-Realmente. Desde cedo eu tive
que tomar � frente dos neg�cios. Eu tinha apenas vinte e um anos.
Shane nunca quis saber dos neg�cios da fazenda. Mas acostumei-me com
isso. Temos mais duas fazendas um pouco menores que essa, al�m de pr�dios
de escrit�rios em Dallas. � cansativo administrar tudo isso, mas
j� acostumei-me. Agora com a morte de meu pai, os bens herdados ser�o
divididos entre eu e Shane e ela ter� que administrar sua parte. Ela
n�o pode continuar levando uma vida sem responsabilidades.
-Concordo com voc�. Ela tem muito tempo livre e
voc�, nenhum. N�o sente falta de ter algu�m para amar?
Sean a encarou.
-Amor? Nunca tive tempo para isso. Eu dediquei meu tempo
para os neg�cios e cuidar de meu pai. Ele tinha uma enfermeira, mas eu
supervisionava tudo.
-Mas agora voc� vai ter mais tempo para voc�.
Sean, voc� � uma mulher linda e atraente, � imperdo�vel
uma mulher como voc� n�o ter algu�m para amar � Disse, fitando-a
ardentemente.
Sean sentiu seu cora��o acelerar. Lembrou
o beijo entre elas e tentou soar sua voz normal:
-Amor � algo estranho para mim. N�o sei
se um dia vou experimentar esse sentimento.
-� s� perder o medo que tem de amar, Sean.
Sei da trag�dia que aconteceu com seus pais, mas isso n�o quer
dizer que o mesmo vai acontecer com voc�. Abra seu cora��o.
Sean, ontem quando a beijei, voc� correspondeu por uns momentos. Eu acho
que voc� est� atra�da por mim, e eu estou muito atra�da
por voc�. Por que n�o nos damos uma chance?
Sean ergueu-se vermelha como um tomate.
-N�o, Diane. Voc� n�o me beijou.
Voc� beijou-me pensando que eu era Shane. O beijo n�o foi para
mim.
-Pode ser, mas depois vi que era voc� e eu amei
aquele beijo.E s� penso em ter a chance de beij�-la novamente
� Confessou Diane, erguendo-se tamb�m e parando diante de Sean, fitando-a
com desejo.
Sean a encarou medrosamente, tremendo de nervosismo.
-Voc� quer usar-me para se vingar de Shane. Ou
ent�o, deseja-me porque sou muito parecida com ela.
-N�o, Sean! Eu a desejo porque seu beijo despertou-me
a certeza que voc� � a mulher certa para mim. Voc� �
bem diferente de Shane em sua personalidade. Adoro sua timidez, sua meiguice,
sua inexperi�ncia sobre o amor. Eu desejo ensinar voc� a amar, a
ter prazer com uma mulher, a ser feliz.
Enquanto falava, a voz de Diane baixou sedutoramente,
seus olhos adquiriram um brilho de desejo, semi-cerrados. Ela estendeu as m�os
e tomou o rosto de Sean entre elas, acariciando-o com os polegares. Seu corpo
se aproximou sinuosamente e se encostou no de Sean, transmitindo sua maciez
e fazendo Sean sentir seu delicioso perfume.
Sean era uma mulher sem experi�ncia amorosa. E
sentindo e vendo aquela mulher linda tentando seduz�-la, era demais para
ela. Sean sucumbiu � atra��o que sentia e fechou os olhos,
entregando-se pela primeira vez � emo��o do amor e desejo.
Diane percebeu na atitude de Sean a sua entrega e desceu
os l�bios ansiosos em busca dos l�bios vermelhos de Sean.
Foi um beijo profundo, intenso, apaixonado, quente. Suas
bocas se sugando mutuamente, os corpos se espremendo, os bra�os apertando,
em um frenesi de emo��o.
Quando se separaram para respirar, Sean a fitou desejo,
a respira��o desigual, o rosto vermelho, o corpo tremendo.
-Diane... eu quero que me ensine a amar... a ter prazer
com voc� e tamb�m dar prazer... eu quero tudo que voc� possa
dar, porque eu tamb�m a desejo muito... � Declarou, com voz tr�mula.
Diane acariciou seu rosto ternamente, fitando-a nos olhos.
-Sean, tenha certeza que nunca a magoarei. Voc�
merece ser amada e vou tentar tudo para faz�-la feliz. Sei que nos conhecemos
apenas ontem, mas o amor e a paix�o n�o medem tempo quando voc�
conhece algu�m que � a pessoa de seus sonhos.E voc� �
a pessoa dos meus sonhos, Sean. Linda, meiga, sensata, encantadora, uma mulher
admir�vel. Eu a quero para mim e n�o vou perd�-la . Seja
minha agora, Sean.
Sean a encarou, tremendo.
-Diane, tamb�m sei que nos conhecemos h�
bem pouco tempo, que voc� est� saindo de uma rela��o
com minha irm�... n�o acha melhor esperarmos um pouco para dar
esse passo em nossa rela��o?
-Sean, n�o sou uma mulher de meios termos. Para
mim, � tudo ou nada. Por isso n�o quero insistir em minha rela��o
com Shane. E eu preciso de sua ajuda para esquec�-la, Sean... n�o
confia em mim? Eu n�o vou engan�-la. Confie em mim. Ajude-me,
Sean � Implorou Diane, fitando-a desesperada.
Sean n�o resistiu ao ver o desespero naqueles
belos olhos. Agora acreditava em amor � primeira vista, porque descobriu-se
escrava daquela mulher. Ela estava perdidamente apaixonada por Diane, e n�o
podia negar nada � ela. Contra seus princ�pios e medos, ela se
entregou ao mais poderoso sentimento e beijou Diane numa entrega total.
Diane sentiu naquele beijo a entrega de Sean. E a despiu
entre beijos, cada um recebido com gemidos de prazer. Ela admirou os seios pequenos
e eretos, de aur�olas rosadas, as coxas longas e firmes, os quadris arredondados,
o est�mago de m�sculos definidos, tudo de uma tonalidade dourada,
mostrando que Sean tomava banhos de sol nua.
Sean sorriu sob sua contempla��o, timidamente.
E quando Diane se despiu tamb�m, ela contemplou o corpo escultural boquiaberta,
sentindo um louco desejo domin�-la.. O seu olhar percorreu Diane com
a curiosidade de uma virgem, medrosos, mas cheios de desejo. E quando Diane
a tomou nos bra�os, Sean sentiu uma emo��o t�o intensa
que seus joelhos se tornaram fracos, fazendo-a se encostar totalmente no corpo
de Diane. Ela a sustentou pela cintura e foram baixando para as roupas que forravam
o ch�o, suas bocas grudadas em um beijo apaixonado.
E Sean conheceu a del�cia de entregar-se �
paix�o. Conheceu a del�cia de se dar e ter um corpo de mulher
nos bra�os. A suavidade dos beijos, das car�cias, do toque das
peles, do cheiro, do movimento dos corpos. O prazer de ter um orgasmo e ver
Diane ter outro provocado por ela.
Quando estavam ambas deitadas uma ao lado da outra, recuperando
a calma dos corpos, Sean falou baixinho, pegando a m�o de Diane e a beijando
reverentemente:
-Eu estou apaixonada por voc�, Diane.
Diane voltou o rosto para ela, sorrindo docemente.
-Eu tamb�m, Sean. E quero que nosso amor seja
para sempre.
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Morgan havia acordado, tomado um banho, se vestido e
descido � procura de Sean. Maria informou que ela havia sa�do
com Diane para cavalgar e que ela podia tomar o desjejum na varanda.
Morgan foi para a varanda com um sorriso sarc�stico.
Diane estava j� investindo em sua nova conquista! Gostaria de ser como
ela, t�o racional. Mas n�o era assim. S� queria Shane,
mesmo sabendo dos defeitos dela. Afinal, amar era aceitar a pessoa amada com
todos seus defeitos.
Estava terminando seu desjejum quando o distante ru�do
de uma moto alertou seus sentidos. Ela se p�s de p� agitada, mas
logo tornou a sentar, tentando disfar�ar sua emo��o. N�o
queria demonstrar � Shane que estava nervosa com a chegada dela.
A moto de Shane logo surgiu na estrada. Morgan ficou
olhando-a parar diante da casa, saltar e dirigir-se para a varanda, com o cora��o
aos saltos. O seu olhar fitou a inesquec�vel e querida figura, com saudade.
Shane subiu os degraus correndo e ia entrar na casa sem
v�-la. Morgan a chamou:
-Shane!
Shane parou instant�neamente ao som daquela voz.
N�o a esqueceria nunca! Voltou-se lentamente, com o cora��o
aos saltos.
Morgan a fitava, sentada � mesa da varanda, com
um copo de suco de laranja na m�o. Ela estava mais linda que nunca. Havia
emagrecido um pouco, os cabelos estavam mais curtos, em um corte moderno. Mas
o que mais chamou sua aten��o foi o olhar. Aquele olhar n�o
era o daquela garota que conhecera, era um olhar de adulto, amadurecido pelo
sofrimento.
-Morgan... � Disse, finalmente, se aproximando lentamente
� Pensei que j� tivesse ido embora...
Tarde demais percebeu o que havia deixado escapar de
sua boca. Aquilo n�o era a melhor frase para dizer � ela, depois
de tanto tempo. Mas n�o havia dormido e estava exausta, sem pensar direito.
-Oh, pensou que eu tivesse me desiludido com a not�cia
de sua rela��o com Diane e tivesse voltado para casa chorando
sua trai��o, n�o �? Pois enganou-se! - Jogou Morgan,
com frieza.
Shane ergueu uma sobrancelha, surpresa e aborrecida.
-Minha trai��o? Eu n�o a tra�,
porque n�o tenho mais nada com voc�!
Morgan a encarou com desgosto.
-� isso que pensa, n�o? E eu pensei que
voc� me amava de verdade! Abandonei tudo por sua causa, estou sozinha!
Mas voc� se grudou na primeira mulher que estava por perto! Substituiu-me
logo por Diane, mal eu virei as costas!
-Voc� me deixou, caindo na chantagem de seu av�!
O que queria que eu fizesse, sabendo que seu marido estava esperando-a? Ficasse
chorando o abandono? Diane deu-me a m�o na hora que eu mais precisei!
-Voc� n�o pensa no que eu passei, s�
pensa em si mesma! Eu joguei meu casamento para o alto, briguei com meus av�s,
afastei meus amigos, fiquei completamente sozinha, sofrendo sua aus�ncia
e falta de not�cias! E voc� nesse tempo estava com Diane! Voc�
n�o sabe amar, Shane!
Shane ficou vermelha de raiva com a acusa��o.
-Pare de bancar a v�tima! Voc� n�o
amava Jonnathan, seu casamento nunca iria dar certo, mesmo se eu n�o
tivesse aparecido em seu caminho!Do que se queixa? Est� agora livre e
rica!
Morgan a fitou com os olhos cheios de l�grimas,
se erguendo.
-Sim, rica, sozinha e infeliz! Eu vim aqui na esperan�a
de tentar ter voc� de volta para mim, mas agora vejo que estava enganada!
Voc� nunca me amou, porque s� ama voc� mesma! Mas voc�
est� certa. S� os idiotas se apaixonam, eu agora vou ser como
voc�. Vou conquistar, usar e largar! Hoje mesmo vou voltar para Dallas
e ir para aquela danceteria conquistar uma mulher! Voc� vai conhecer uma
nova Morgan!
-Morgan! N�o fa�a isso! � Gritou Shane,
empalidecendo.
N�o adiantou Shane pedir, amea�ar. Morgan
correu para seu quarto, recolheu seus pertences, apanhou
sua mala e saiu, entrando no BMW alugado
e partindo, deixando Shane arrependida de suas palavras, pensando o que fazer.
E a verdade veio, arrasando-a: ainda amava Morgan com loucura, quando a havia
visto tivera que conter a vontade de correr e abra��-la. E havia
estragado tudo, por causa de seu medo de entregar-se ao que sentia. Tentara
ser dura e c�nica, com medo de ser rejeitada. E agora havia perdido Morgan
para sempre!
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Quando Diane e Sean voltaram para a casa, viram a moto
de Shane estacionada no gramado. Sean olhou para Diane, sentindo um ci�me
doloroso. Era horr�vel ter sua irm� como rival. Mesmo Diane tendo
assegurado � ela que Shane n�o a amava, Sean tinha receio da rea��o
de Shane.
-Shane j� chegou! Que vai fazer, Diane?
Diane a fitou apaixonadamente.
-Vou fazer o que j� falei � voc�.
Vou ter uma conversa com Shane e terminar tudo oficialmente.
-Diane, tenho medo que minha irm� me odeie!
Diane apertou sua m�o, procurando tranq�iliz�-la.
-N�o se preocupe, ela n�o me ama. Vai at�
ficar aliviada.
Entraram na resid�ncia e encontraram Shane no living,
com um copo de u�sque na m�o, com ar deprimido.
-Shane, o que houve? � Perguntou Sean, tensa.
Shane a fitou sem express�o.
-Morgan foi embora.
Sean e Diane a fitaram surpresas.
-Morgan foi embora?! � Repetiram, ao mesmo tempo.
Shane as fitou desafiante.
-Sim, por que tanta surpresa? Ela s� estava esperando-me
para insultar-me, culpando-me pela sua infelicidade! Fez isso e se foi, dizendo
que vai ser como eu, conquistando e largando!
Sua voz soou queixosa. Diane voltou-se para Sean.
-Deixe-nos � s�s.
Sean a fitou com receio.
-Diane, acha o momento adequado? Ela est� abatida...
Diane revirou os olhos.
-Sim, Sean, ela est� abatida e precisa de um choque
para reagir! V�!
Sean saiu e Diane aproximou-se de Shane e tomou o copo
da m�o dela. Shane rosnou em rea��o:
-Hei! D�-me o copo! Voc� n�o manda
em mim!
Diane sentou diante dela, fitando-a nos olhos com calma.
-Eu sei disso, Shane. E nem pretendo mandar. O caso entre
n�s acabou. Eu percebi que voc� ainda ama Morgan e n�o quero
continuar com uma mulher que gosta de outra. Eu mere�o ter uma pessoa
que me ame tamb�m.
Shane a fitou surpresa.
-Diane, tem certeza que quer tomar essa decis�o?
-J� tomei a decis�o, Shane. S� estou
comunicando.
-Mas... pensei que me amasse... como tomou essa decis�o
t�o r�pido?
-Eu tamb�m pensei, Shane. Mas eu estava era enfeiti�ada
por sua beleza. Mas eu felizmente agora sei que tudo n�o passou de uma
paix�o, que morreu quando eu percebi que voc� n�o queria
assumir nossa rela��o diante de Morgan.
Shane a fitou com um olhar perdido.
-Eu queria tanto amar voc�, Diane... � uma
mulher maravilhosa, que pode fazer qualquer pessoa feliz. Mas infelizmente,
voc� chegou tarde na minha vida. Meu cora��o j� pertencia
� Morgan. Ela � temperamental, infantil, ciumenta, louca, mas
�
ela quem eu amo.
-Shane, fico aliviada em ouvir isso, porque eu estou
apaixonada por uma mulher maravilhosa, a quem certamente amarei com o tempo.
Shane a fitou perplexa.
-Est� me dizendo que se apaixonou por algu�m?!
Aqui na fazenda? Quem?
-Sean � Expeliu Diane.
Shane a fitou boquiaberta.
-Sean?!... N�o � poss�vel... desde
quando?
-Desde ontem, quando voc� saiu. Descobrimos que
est�vamos atra�das uma pela outra.
Shane come�ou a rir. Jogou-se no sof� com
a cabe�a para tr�s, dando altas gargalhadas. Diane a fitou com
cara amarrada.
-Qual � a gra�a, posso saber? � Perguntou,
agressivamente.
Shane a fitou ainda rindo.
-A fria Sean, a assexuada, de casinho com voc�?
� muito engra�ado! Como eu desconhecia minha irm�!
-N�o acho gra�a nenhuma! � Disse Diane,
irritada � Sean � uma mulher maravilhosa e precisa tamb�m de amor
e carinho! E vou dar isso � ela, que merece muito mais que voc�!
Shane a fitou com mal�cia.
-� claro que foi voc� quem a seduziu! Sean
jamais teria tomado uma iniciativa! Meus parab�ns, Diane! Conseguiu conquistar
a �ltima das virgens dessa cidade! As MacPherson s�o a sua prefer�ncia!
E ela parece muito comigo, lembra o que eu disse? Na minha falta, Sean podia
substituir-me !
Diane ficou vermelha de embara�o com as palavras
de Shane. Baixou os olhos, sem ter o que dizer.
Shane parou de rir e se ergueu do sof�. Fitou
Diane nos olhos, s�ria.
-Diga � Sean que est� tudo bem. Mas cuidado,
Diane! Se fizer a minha irm� sofrer, vai se ver comigo. Ela n�o
tem uma coura�a que a proteja de desenganos, como n�s.
Diane sorriu para ela.
-Tem minha palavra que vou fazer tudo para ela ser feliz
comigo, Shane.
Shane a fitou com mal�cia, se dirigindo para a
porta.
-Diga � ela que n�o tenho nada contra a
uni�o de voc�s. Eu sei que voc� a escolheu porque se parece
comigo... � uma forma de continuar amando-me.
-Pretenciosa! � Protestou Diane, envergonhada.
Shane piscou um olho.
-Agora vou atr�s do que � meu. At�
outro dia, estou indo para Dallas.
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Shane foi para Dallas de avi�o, levando sua moto
no compartimento de carga. Desembarcou �s tr�s da tarde e depois
dos tr�mites legais, sua moto foi liberada e ela saiu do aeroporto direto
para a danceteria.
Quando chegou foi saudada pela suas amigas, que n�o
a viam h� muito tempo. Shane trocou cumprimentos com elas, mas sentou
em um tamborete no balc�o, sozinha. Morgan poderia chegar a qualquer
momento e queria estar s�bria, por isso pediu uma coca-cola. O barman
a fitou como se estivesse louca.
-Shane, tomando coca-cola? Milagres ainda existem! �
Disse ele.
Shane encolheu os ombros, bebendo o refrigerante gelado.
N�o era t�o mal assim.
V�rias mulheres se aproximaram dela, chamando-a
para dan�ar. Quando viram que Shane n�o queria companhia, a deixaram
em paz.
Eram mais de cinco horas quando Morgan entrou. Estonteante
em um top e cal�a de couro pretos, um cintur�o de metal prateado
e botas de salto alto.
As mulheres que a viram entrar a comiam com os olhos
e Shane sentiu o ci�me domin�-la. Ia aproximar-se de Morgan, mas
ela lan�ou um olhar gelado que a fez desistir, por hora. Morgan foi direto
para a pista dan�ar.
A m�sica de Alanis Morrissete foi substitu�da
por Britney Speals e Morgan a dan�ou fazendo gestos com as m�os,
mexendo os quadris sensualmente. Uma morena dan�ando � sua frente
sorriu para ela.
Morgan olhou para Shane, disfar�adamente. Ela
a fitava recostada no balc�o, im�vel, com olhar visivelmente ciumento.
Morgan sentiu uma grande satisfa��o com isso. Ela precisava provar
o que fazia com as outras mulheres. E ia mostrar � ela que tamb�m
podia conquistar uma mulher com facilidade.
Voltou-se para a morena e retribuiu o sorriso. Ela era
bem feminina, de cabelos profusamente cacheados e longos.Tinha um belo sorriso
e um corpo invej�vel, real�ado na saia curta e blusa colante.
Ela sorriu, inclinando-se e dizendo em seu ouvido:
-Voc� dan�a muito bem!
-E voc� � linda... � Disse Morgan, sedutoramente.
-Quer sentar em minha mesa? Estou sozinha.
-� um convite irrecus�vel � Disse Morgan.
A morena a pegou pela m�o e a conduziu at�
uma mesa perto da pista. Morgan sentou e se apresentou:
-Meu nome � Morgan, e o seu?
-Carla. Seu nome � lindo, Morgan, como a dona.
Morgan riu do elogio sem originalidade. Carla pousou
a m�o sobre a sua.
-De onde surgiu, Morgan? Voc� possui uma classe
nos modos e roupa, que se v� logo que n�o � desse meio.
-Oh, obrigada... mas n�o sou mais que ningu�m
aqui � Mentiu.
-Igual � voc� aqui, s� Shane.
-Quem � Shane? � Perguntou Morgan, cinicamente.
-Aquela morena recostada no balc�o, de blus�o
de couro � Respondeu Carla, indicando Shane com o queixo.
-Oh, j� vi... voc� a conhece bem?
O rosto de Carla se encheu de rancor.
-Eu a conhe�o bem demais! Ela me cantou uma noite,
me levou para a cama, e no dia seguinte apareceu com uma outra mulher e nem
me olhou! Eu a detesto agora!
Morgan olhou para a mo�a com novo interesse. Uma
ex-conquista de Shane! Mas que coincid�ncia! Sua vingan�a teria
novo sabor!
-Quando voc�s tiveram um romance?
-Uns cinco meses atr�s.
-Oh, que mulher insens�vel! Deixar uma mo�a
bonita como voc� sem nenhum motivo! � Disse Morgan, com reprova��o.
Carla a fitou deslumbrada.
-Tudo bem, estou com uma mulher mais linda que ela! �
Disse ela, inclinando-se para Morgan � Vamos para minha casa? Prometo �
voc� que n�o vai se arrepender.
Morgan a fitou com um sorriso malicioso.
-Primeiro precisamos nos conhecer melhor, Carla...
Carla sorriu, debru�ando-se para ela, fitando
sua boca.
-Pois vamos nos conhecer melhor agora, tes�o!
A boca de Carla se esmagou contra a de Morgan, que conservou
os olhos abertos, surpresa. Olhou para Shane.
Shane as fitava com os olhos faiscando de ira, o rosto
com uma express�o de ci�me que Morgan nunca tinha visto. Ela come�ou
a se aproximar rapidamente e Morgan tentou interromper o beijo, mas Carla a
agarrou pelos ombros, sugando sua boca como uma ventosa.
Shane chegou diante da mesa e puxou Carla pelos ombros
brutalmente, afastando-a de Morgan. O ci�me a mordia dolorosamente, era
insuport�vel ver Morgan ser beijada por outra mulher. Estava furiosa
com Morgan por ter permitido o beijo e a insultou entredentes:
-Sua vagabunda!Qualquer mulher aqui tem mais classe que
voc�!
Morgan a fitou com raiva, pelo insulto. Rebateu no mesmo
n�vel:
-N�o me chamo Shane, a vadia mais baixa que conhe�o!
Shane a pegou pelo bra�o brutalmente, puxando-a
.
-Levante-se! Saia dessa mesa!
Morgan deu um safan�o, libertando o bra�o.
-Tire essa m�o nojenta de mim, sua vadia! � Rosnou
Morgan, entredentes.
Carla ergueu-se furiosa,
fitando Shane.
-Sua cadela, voc� precisa de uma li��o!
� Gritou, avan�ando sobre Shane com tapas e unhadas. Shane recuou surpresa,
trope�ou numa cadeira e caiu no ch�o. Carla aproveitou e montou
sobre ela, continuando a agred�-la. Shane tentava escapar, mas estava
numa posi��o inferior, com ela montada no seu peito, e n�o
podia evitar muito os golpes.
Ao ver Shane ca�da no ch�o apanhando, toda
a raiva de Morgan se esvaiu. Ela gritou, pegando Carla pelos cabelos, puxando-a
para tr�s.
-Largue-a! Covarde! N�o v� que ela n�o
pode defender-se, com voc� montada nela?
Carla caiu para tr�s e olhou para Morgan sem entender.
Ela estava defendendo sua agressora?
Morgan ajoelhou-se e ajudou Shane a levantar-se, com
uma express�o preocupada e carinhosa.
-Levante-se, meu amor...eu ajudo voc�...
-Deixe-me! � Disse Shane, erguendo-se � N�o preciso
de sua ajuda!
Morgan olhou um corte sobre a sobrancelha de Shane, que
sangrava. Pegou gardanapos na mesa e apertou contra o corte.
-Vamos sair daqui.Esse lugar n�o serve para voc�
� Disse Morgan, pegando-a pelo bra�o.
Shane tirou um len�o do bolso do blus�o
e o apertou contra o corte.Morgan passou o bra�o pela sua cintura e Shane
apoiou o bra�o nos ombros dela, saindo da danceteria. Os frequentadores
riram de Carla, percebendo que tudo havia sido uma briga de ci�mes, gozando
ela que ficara sobrando.
L� fora, Morgan olhou para Shane, sentindo uma
grande ternura em v�-la toda arranhada, sangrando.
-Vamos embora no meu carro. Voc� n�o pode
dirigir a moto sangrando no rosto. Deixe-a guardada em algum lugar a�.
Shane sorriu para ela.
-Vou pedir ao porteiro para guard�-la. Ele me
conhece e me far� esse favor.
Shane deu uma boa gorgeta ao porteiro da danceteria,
que guardou sua moto e foi embora no Porshe negro de Morgan.
Elas foram para a nova resid�ncia de Morgan, um
duplex luxuoso na rua mais sofisticada de Dallas. Morgan encheu a banheira e
tomaram um banho acompanhado de champanhe, entre beijos, car�cias e declara��es
de amor. A reconcilia��o se estendeu por toda noite, com elas
se amando com uma renovada paix�o. Finalmente esgotadas, adormeceram
abra�adas, felizes por saberem que se pertenciam e se amavam contra qualquer
obst�culo.
Ep�logo
Faz um ano que Shane e Morgan vivem juntas. A paix�o
entre elas continua intensa e o amor mais forte que nunca, mesmo entre uma briga
e outra. Morgan � temperamental, ciumenta, mas o amor resiste �s
tempestades.
Diane e Sean sempre atuam como agentes da paz entre elas,
quando brigam. Ouvem suas queixas e d�o id�ias para se reconciliarem.
Na verdade, as duas brigonas n�o sabem ficar muito tempo separadas. Basta
se olharem, e uma corre para os bra�os da outra, pedindo mil desculpas.
Diane largou o FBI e ajuda sua querida Sean a administrar
a fazenda.Diane est� feliz em voltar �s suas origens no campo
e adora acompanhar Sean pela pradaria, montada em Rain, um garanh�o negro,
presente de Sean.Os pe�es a respeitam pela sua coragem e pontaria, desde
que enfrentou um enorme lince que estava matando bezerros e o capturou com um
tiro certeiro de tranquilizante, colocando-o para dormir e ser transportado
para um zool�gico.Diane ensinou aos pe�es que s� se matava
um animal selvagem se realmente n�o havia nenhuma op��o.
A heran�a foi dividida e Shane montou uma gravadora
de m�sica country e um bar onde toca seu sax. O restante de seus bens,
ela deixa para sua irm� administrar.Sua carreira de cantora est�
progredindo a largos passos. Seu cd �Shane e voc� estourou na m�dia
e ela est� sendo procurada por empres�rios �vidos para
contrat�-la. Mas Shane n�o quer ser uma estrela.Ela quer apenas
tocar e cantar suas m�sicas sem muita pretens�o, para o p�blico
restrito de seu bar. Ela foi apresentada � cantora
Shania Twain em um show e foi convencida pela
famosa cantora a tocar como convidada em sua pr�xima apresenta��o.
Morgan est� orgulhosa dela, e isso que a incentivou a aceitar o convite.
Morgan dedica-se � sua Funda��o
de Artes e Of�cios para a juventude e � um albergue para animais, com veterin�rios
e tratadores, que recolhe animais abandonados ou feridos .
Cada uma respeita a atividade da outra e passado o tempo,
os dois casais s�o bastante amigos. Morgan e a Garota
da Moto finalmente encontraram o seu lugar, o seu porto de paz e amor.
FIM
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