A GAROTA DA MOTO
PARTE 7
Os acordes do �rg�o come�aram a
tocar a marcha nupcial com a chegada da noiva, de bra�o dado com o av�,
que assomou na porta da igreja. Os convidados esticaram os pesco�os,
curiosos para ver a noiva entrar. E n�o se decepcionaram.
Morgan estava bel�ssima, com os cabelos presos
por uma tiara de p�rolas e diamante, destacando a beleza de seu rosto.
A perfeita maquiagem, o vestido de seda com mangas bufantes, bordado com p�rolas,
ajustado em sua cintura fina, tudo contribu�a para que se assemelhasse
� uma princesa de contos de fadas. Mas, ao contr�rio delas, Morgan
caminhava para o altar como se fosse para a f�rca.
Seu cora��o estava oprimido, sentia medo
e tristeza pelo passo que estava prestes a dar. O seu desejo de ferir Shane
a fizera tomar uma decis�o grave, al�m de ser uma tentativa de
expuls�-la definitivamente de sua mente. Mas estava sofrendo e ali, caminhando
para o altar, teve consci�ncia que n�o queria aquilo, que amava
Shane mesmo depois de tudo que havia acontecido entre elas.
Mas, onde estava ela? Shane n�o a havia procurado,
n�o havia siquer telefonado naqueles dias todos, tentando uma reconcilia��o.
Havia enviado para ela seu convite de casamento, na esperan�a de provocar
uma rea��o em Shane, mas nada havia acontecido. Ela n�o
a amava, sen�o teria feito algo para aquela tortura terminar.
Seus olhos correram pelos convidados, numa �ltima
esperan�a de v�-la. Que esperan�a tola! Ela devia estar
dormindo, depois de uma noite de farra com alguma mulher.
Jonnathan veio ao seu encontro, elegant�ssimo
de fraque, e pegou-a pela m�o. Morgan recebeu um beijo no rosto de seu
av� e acompanhou o noivo para o altar. Teve vontade de chorar. Sua vida
ia se tornar um pesadelo.
O padre come�ou a cerim�nia, com sua voz
grave. Mas Morgan n�o o ouvia, com os pensamentos tumultuando sua mente.
E se sa�sse dali correndo? E se dissesse n�o � pergunta
que iria responder? N�o, n�o podia fazer isso! Seu av� nunca
a perdoaria e Jonnathan n�o merecia passar por esse esc�ndalo!
Jonnathan cutucou-a . Ela ent�o notou que o padre havia feito uma pergunta
� ela e esperava sua resposta. Ela o fitou confusa e ele repetiu a pergunta:
-Morgan Marie Lafayette, aceita Jonnathan Spencer Lorrigan
como seu leg�timo esposo, at� que a morte os separe?
Ela o fitou como um animal acuado e respondeu quase inaudivelmente:
-Sim...
Uma simples palavra mudando sua vida. A�reamente,
sentiu Jonnathan colocar a alian�a em seu dedo e o pagem apresentar a
alian�a numa almofada para ela colocar no dedo do agora marido. Ela colocou
o anel no dedo dele e Jonnathan a tomou pela m�o, beijando-a suavemente.
Casada. Agora, ela era Morgan Lafayette Lorrigan. Parecia
o nome de outra pessoa.
Os flashes dos fot�grafos a cegavam. Caminhou
guiada pela m�o de Jonnathan sob a luz forte dos refletores e das c�meras
para a sa�da da igreja. Na porta parou, com os convidados rodeando-a
e os fot�grafos gritando que beijasse o marido, para uma foto.
O ru�do inconfund�vel de uma moto a despertou
daquele torpor. Olhou para a rua, com o cora��o aos saltos.
Shane surgiu, toda de negro, pilotando a moto. Ela estava
usando o capacete, mas Morgan a reconheceu pelo seu corpo de curvas alucinantes.
Ela parou perto da limousine que iria transportar os noivos e tirou o capacete
lentamente. Mesmo distante, Morgan percebeu o olhar cheio de tristeza dela.
Jonnathan a puxou pela m�o, conduzindo-a para
a limousine, que o motorista j� conservava com a porta aberta. Morgan
avan�ou, sem deixar de olhar para Shane. Seus olhares se cruzaram, o
de Morgan com l�grimas de tristeza, Agora perto, Morgan podia ver a palidez
de Shane, a express�o de dor. Sentiu uma vontade louca de fugir dali
com ela, mas conteve-se. Aquilo n�o era um filme, que a noiva podia fazer
esse ato maluco. Aquilo era a realidade de uma decis�o que havia tomado.
Jonnathan sentou ao seu lado e o motorista fechou a porta.
Os fot�grafos e cinegrafistas rodearam o carro, tirando Shane de sua
�rea de vis�o.
-Como est� se sentindo como a senhora Lorrigan,
querida? � Perguntou Jonnathan, sorridente.
Ela o fitou com um sorriso for�ado.
-� uma sensa��o nova, Jonnathan.
-Ei, voc� est� chorando! Que l�grimas
s�o essas, querida?
-L�grimas de felicidade, Jonnathan � Respondeu,
mentindo com remorso.
Ele sorriu, passando o bra�o pelos seus ombros.
-Oh, mas n�o est� mais feliz que eu. Casei
com a mo�a mais bonita do Texas � Disse ele, beijando seu rosto.
O carro arrancou. E o ru�do da moto recome�ou.
Jonnathan olhou para tr�s e comentou:
-Uma mulher est� nos seguindo de moto. N�o
a conhe�o. Ser� uma jornalista?
Morgan olhou pelo vidro. Shane os seguia na moto, bem
pr�xima, sem o capacete. Seus longos cabelos voando ao vento.
-Eu a conhe�o. Seu nome � Shane MacPherson
e � uma amiga. N�o � jornalista.
Ele a fitou surpreso.
-Shane MacPherson? Filha de Arthur MacPherson?
-Sim.
-Eu j� ouvi falar muito no pai dela! Os MacPhersons
s�o uma das fam�lias mais tradicionais do Texas. Minha m�e
era amiga da m�e dela, ficou muito triste com a trag�dia que se
abateu sobre eles.S�o muito ricos e arredios. Como a conheceu?
-Em... um sal�o de beleza � Mentiu � Ela gosta
de andar de moto, com essas roupas ex�ticas, mas � uma pessoa
legal. Acho que ela n�o chegou � tempo para o casamento e quer
se desculpar.
-Voc� a convidou?
-Sim.
Nesse momento, Shane emparelhou com o carro. Jonnathan
a fitou atento.
-Ela � uma mulher muito linda, Morgan. E se �
sua amiga, � minha tamb�m.
O sinal de tr�nsito fechou. A limousine parou e
Shane parou a moto ao lado, olhando para o interior. Jonnathan debru�ou
a cabe�a para fora e sorriu para ela..
-Ol�!
Shane o fitou uns tr�s segundos, antes de responder,
reservada:
-Ol�.
-Morgan disse-me que voc�s s�o amigas. N�o
vai � recep��o de nosso casamento?
Ela olhou para Morgan e depois novamente para Jonnathan.
-N�o estou com roupas adequadas, s� vim
cumprimentar voc�s.
-Ora, sei que � uma MacPherson e isso a coloca
acima do bem e do mal! Venha conosco, a recep��o ser� no
Country Club! Sei que Morgan ficar� muito feliz com sua presen�a!
Os olhos azuis correram para Morgan, avaliadores.
-Ficar� mesmo feliz, Morgan?
Morgan respondeu com voz tr�mula de emo��o:
-Claro que ficarei, Shane! Siga-nos!
O sinal abriu. Shane pisou no acelerador e saiu na frente.
Jonnathan a fitou com admira��o.
-Sua amiga � bel�ssima, Morgan. Que corpo,
que rosto!
Ela o fitou com ironia. Ah, se ele soubesse que ela j�
tivera aquele corpo em seus bra�os!
-Realmente, ela � linda. Est� interessado?
Ele riu, beijando-a no rosto.
-N�o fique com ci�mes, querida. Sabe que
sou louco por voc�. Mas n�o sou cego. Sua amiga tem uma beleza
incomum, mas � a voc� que eu amo.
Morgan sorriu com sarcasmo. Pobre idiota! Ela estava
com ci�mes � de Shane! Se at� o idiota do Jonnathan notava
a beleza dela, imaginava os outros! Ela devia ouvir as mais diversas propostas
e elogios.
Em minutos chegaram ao clube. A limousine estacionou
na entrada, onde Shane esperava, impedida de entrar, devido �s suas roupas
e falta do convite. Jonnathan acenou para um dos seguran�as, que veio
at� a limousine.
-Deixe a mo�a entrar. Ela � nossa convidada,
uma amiga de minha mulher.
O seguran�a come�ou a desculpar-se:
-Sinto muito, n�s pensamos que ela ...
-Deixe-a entrar, avise seus amigos que ela � uma convidada especial
� Acrescentou Morgan, interrompendo-o .
-Tudo bem, voc�s mandam.
A limousine ultrapassou os port�es do clube e
estacionou diante da entrada principal do pr�dio. Morgan desceu do carro,
vendo Shane entrar e estacionar em um canto. Ela saltou da moto e veio ao encontro
de Morgan e Jonnathan, com um olhar incerto. Jonnathan estendeu a m�o
para ela, sorrindo cordialmente.
-Muito prazer, Shane. Sou Jonnathan Lorrigan. E se �
amiga de Morgan, ser� minha tamb�m.
Ela apertou a m�o dele, com um leve sorriso.
-Obrigada, Jonnathan. � muito gentil.
Ela voltou-se para Morgan e estendeu as duas m�os.
Morgan as tomou, tremendo, fitando aqueles olhos magn�ficos que a fitaram
com receio.
-Meus parab�ns, Morgan � Disse ela, com voz baixa
� O que mais desejo � que voc� seja feliz.
Morgan enrubesceu e a fitou com calor.
-Obrigada, Shane.
Ela voltou-se para Jonnathan e disse com naturalidade:
-Querido, espere-me no hall de entrada do sal�o
de recep��o. Vou retocar a maquiagem, para receber os convidados.
Shane, venha comigo, vou precisar de sua ajuda.
Jonnathan a olhou contrariado.
-Sua maquiagem est� perfeita, princesa! Os convidados
n�o v�o demorar! � melhor ficar comigo para receb�-los!
-N�o vou demorar, Jonnathan. Espere-me onde falei
� Disse Morgan, puxando Shane pela m�o � Venha, Shane...
Shane olhou para Jonnathan com um sorriso de desculpas,
mas seguiu Morgan. Atravessaram um corredor, um sal�o com v�rias
mesas com toalhas de linho branco e arranjos de flores, um imenso bufet e um bel�ssimo bolo de noiva numa
mesa central. No palco uma orquestra j� ensaiava suas can��es.
Um bando de gar�ons de smooking aguardavam os convidados, j� �
postos.
Shane observou tudo isso, sentindo seu cora��o
se contrair de ci�me. Apertou a m�o de Morgan e a seguiu at�
o banheiro. Elas entraram e Morgan trancou a porta com o trinco, voltando-se
ent�o para Shane com olhar angustiado, mas cheio de esperan�a.
-Por que veio ao meu casamento, Shane?
Shane a encarou com tristeza.
-Eu vim logo que soube do acontecimento. Eu n�o
havia notado seu convite na minha escrivaninha, at� que liguei para sua
casa e uma mulher disse-me que voc� n�o podia atender porque estava
se casando. Eu vim correndo, logo que descobri o convite. Mas vejo que n�o
cheguei � tempo.
-� tempo para qu�, Shane?
Os olhos de Shane mergulharam nos seus.
-Vim para tentar convenc�-la a n�o se casar,
a voltar para mim, Morgan.
-Convencer-me como, Shane? Voc�
ignorou-me todos esses dias, al�m de ter ido para o hotel com aquela
vadia! Voc� n�o demonstrou estar se importando com nosso rompimento,
substituiu-me muito depressa!
Shane pousou as m�os em seus ombros. Morgan sentiu
um arrepio correr pelo seu corpo, � aquele toque.
-Morgan, eu errei.Errei por orgulho, errei por ter sido
intolerante com seu erro, mas n�o posso negar que a quero demais, que
n�o consigo viver sem voc�. Eu sei que essas palavras s�o
um clich�, mas que posso fazer, se elas representam o que sinto por voc�?
Eu tentei esquec�-la com outras mulheres, mas n�o adiantou. Eu
estou sofrendo com a nossa separa��o, querida. Por isso, pe�o
que me perdoe, que volte para mim. Mesmo voc� estando casada, aceito qualquer
condi��o para ficar com voc�.
Morgan ficou olhando para Shane muda de emo��o.
Sabia o quanto estava custando a Shane aquela confiss�o. Uma mulher como
ela, que nunca havia se submetido � uma conquista, que n�o acreditava
no amor de algu�m, que sempre trancara seu cora��o para
n�o ser ferida, aquela confiss�o significava uma mudan�a
radical em suas cren�as e em sua personalidade. E para isso ter acontecido,
um sentimento muito poderoso havia sacudido Shane em suas estruturas.
-Diga alguma coisa, Morgan! N�o me deixe nessa
incerteza! Voc� ainda me quer? � Perguntou Shane, com voz angustiada.
Morgan n�o ag�entou mais. Ela jogou-se nos
bra�os de Shane, passando os bra�os pelo pesco�o dela,
puxando sua cabe�a para o encontro de sua boca faminta.
Depois da surpresa inicial, Shane rodeou seu corpo com
os bra�os e esmagou sua boca nos l�bios que esperavam entreabertos.
Foi um beijo impetuoso, apaixonado, quase rude, em sua
ansiedade. Suas l�nguas se tocaram, se acariciaram, se sorveram como
se fossem duas n�ufragas sedentas.
O sabor de Shane, seu cheiro, seu toque, tudo envolveu
Morgan numa onda de paix�o. Somente a necessidade de respirar as separou,
para ainda ficarem abra�adas de rostos colados, tremendo de emo��o.
-Oh, Shane! Eu tamb�m tenho sofrido com nossa
separa��o, eu a amo muito! � Confessou Morgan, com voz tr�mula.
-Morgan... minha Morgan... � Sussurrou Shane, apertando-a
contra seu corpo.
Beijaram-se outra vez, um beijo s�frego, cheio
de paix�o e amor. Shane afastou-se em seguida e a fitou com paix�o
e ci�mes.
-Que estou dizendo? Voc� n�o � minha,
voc� agora � de Jonnathan!
Morgan a fitou com desespero.
-Shane, eu n�o quero ser dele! Mas eu casei-me!
Como poderemos ficar juntas, com ele entre n�s?
-Por que fez isso, Morgan? Para torturar-me? � Perguntou
Shane, com olhar magoado.
-Eu queria fer�-la, chamar sua aten��o.
Pensei que sabendo o que eu ia fazer, voc� me procuraria para impedir-me,
se me amasse de verdade.
-Oh, meu amor, era justamente o que eu pretendia fazer,
se n�o tivesse chegado tarde! Agora, n�o vou suportar saber que
voc� estar� com ele essa noite, sendo possu�da por ele!
Fuja comigo, Morgan!
Morgan a fitou assustada. Era uma decis�o muito
grave.
-Fugir?!Agora?
Shane a segurou pelos ombros, fitando-a com incerteza
nos belos olhos azuis.
-Sim! Se me ama como diz, chegou a hora de provar isso,
Morgan! Vamos fugir para outra cidade e seu marido n�o a encontrar�.
Morgan a fitou pensativamente.
Tinham pouco tempo para decidir. No final da recep��o ela e Jonnathan
iriam viajar para Cancun e ent�o seria tarde demais. Pensou nos av�s,
no esc�ndalo. Mas de uma coisa ela estava certa: amava Shane e n�o
suportaria perd�-la.
-Shane, n�o posso fazer isso agora. Os convidados
j� devem estar chegando e o esc�ndalo seria muito grande. Ou�a,
espere-me em sua casa em Port Worth. No meio da recep��o, eu saio
dizendo a todos que vou aprontar-me para a viagem com Jonnathan, mas irei para
sua casa.
Shane a fitou cheia de d�vidas.
-Voc� n�o ir�. E eu ficarei esperando
com o cora��o nas m�os. Voc� vai viajar com Jonnathan!
� Ela acusou, com voz desesperada.
Morgan respirou fundo.
-Est� bem, vamos ent�o fazer assim: dentro
de duas horas, eu vou trocar de roupa em um vesti�rio do clube, onde
j� est� � minha espera uma maleta com minha roupa para
a viagem. Eu trocarei a roupa, mas n�o avisarei Jonnathan , como combinei
com ele. Dali, irei ao carro dele e pegarei minha mala de viagem e sairei do
clube. Voc� estar� esperando-me
diante do clube em um carro. Ali�s, voc�
tem um carro?
Shane sorriu. Seu olhar se abrandou.
-Minha querida, n�o acho bom voc� pegar
sua mala do carro de Jonnathan. Esse ato despertar� suspeitas. E voc�
sair do clube com uma mala na m�o... � no m�nimo estranho.
Depois de discutirem, chegaram a um acordo. Morgan trocaria
a roupa e sairia para o estacionamento do clube, onde Shane a esperaria em um
Cherokee azul, de propriedade de sua irm�.
Se despediram com um beijo apressado. Shane teria que
ir em sua casa pegar roupas, dinheiro e o carro.
Shane se foi e Morgan foi ao encontro de Jonnathan com
um pouco de remorso, mas o que ia fazer se tratava de sua felicidade. E nem
seus av�s ou Jonnathan a impediriam de ser feliz.
****************
Sentada dentro do Cherokee, Shane aguardava a chegada
de Morgan, com os nervos � flor da pele. Ela cumpriria a promessa? Iria
mesmo jogar para o alto o casamento com um homem rico, de fam�lia tradicional
e bonito como Jonnathan por causa dela? A d�vida a torturava.
Olhou para seu rel�gio de pulso. Os ponteiros
luminosos indicavam que j� passava das sete da noite. Por que ela estava
demorando tanto?
Quase gritou de al�vio quando a viu sair por uma
porta lateral e se aproximar com passos apressados. Shane acionou o motor e
Morgan correu, entrando no carro e batendo a porta.
-Vamos sair daqui logo! �Ela sussurrou, nervosamente.
Shane arrancou com o carro, que j� estava posicionado
para uma r�pida sa�da. N�o tiveram problema na sa�da.
Os seguran�as prestavam aten��o maior em quem chegava.
Finalmente na rua, fora do clube, Shane acelerou e se
afastou do local com rapidez. Apenas duas quadras distante dali, ela parou em
um sinal de tr�nsito fechado e olhou para Morgan. Ela a fitava com tanto
amor que a comoveu.
Morgan estava linda, ainda com os cabelos presos, mas
sem a tiara. Vestia um conjunto de saia e blazer de linho branco e blusa de
seda azul.
-Essa � a roupa para a viagem de lua-de-mel? �
Perguntou, com ironia nascida do ci�me que sentiu.
Morgan respirou fundo e respondeu, fitando-a nos olhos:
-Por favor, Shane. N�o me fa�a mais nervosa
que estou.
Shane tomou a m�o dela na sua, levando aos seus
l�bios beijando-a.
-Desculpe-me. Como foi tudo?
-Tudo correu bem. Ningu�m desconfiou de nada.
Minha amiga Pat chegou a ajudar-me a trocar a roupa. Eu disse que ia esperar
Jonnathan no carro e sa� � Disse Morgan, com certo remorso, baixando
o rosto.
Shane a pegou pelo queixo delicadamente, for�ando
Morgan a fit�-la.
-Hei... sei como se sente... � disse, suavemente � Tamb�m
sinto-me mal com essa situa��o, Jonnathan parece ser um bom rapaz,
seus av�s v�o ficar profundamente decepcionados com voc�,
mas n�s nos amamos. N�o havia outra solu��o. Confesso
que n�o esperava que voc� viesse. As horas que passei esperando
foram torturantes.
Morgan sorriu, erguendo a m�o e acariciando o
rosto de Shane.
-Duvidou de mim mais uma vez, n�o �? Quando
vai acreditar que a amo com loucura?
Shane deu partida no carro, quando o sinal abriu. Mas
foi para o acostamento e parou cem metros depois. Voltou-se para Morgan e tomou
o rosto dela entre as m�os.
-Agora eu acredito em seu amor, Morgan. Essa foi uma
prova definitiva que voc� me deu. E estou muito feliz, pretendo nunca
fazer voc� arrepender-se da decis�o que tomou.
Beijou os l�bios de Morgan com imenso carinho.
Morgan afastou-se depois e a fitou fascinada.
-Eu a amo tanto, Shane! Nem pode imaginar o quanto! Mas
confesso que estou com medo. O que vamos fazer agora?
-Eu trouxe dois mil d�lares, meu sax e algumas
roupas. Dormiremos em minha casa em Port Worth e amanh� iremos para New
Orleans
. Eu j� conhe�o a cidade
e tenho amigas l�.
-N�o, Shane. Amanh� meu av� j�
ter� comunicado � pol�cia o meu desaparecimento e seremos
detidas no aeroporto. Temos que viajar hoje!
Shane a fitou incr�dula.
-Seu av� faria isso? N�o acredito, ele n�o
tem esse direito! Voc� tem idade para ser independente, legalmente!
-Conhe�o meu av�, Shane! Ele n�o
ficar� inerte, esperando eu aparecer. E ele pode pedir sigilo �
pol�cia para procurar-me, ele tem muito prest�gio e poder para
isso. Eu deixei um bilhete na minha maleta dizendo que eu estava indo embora,
que meu casamento foi um erro. Mas ele vai fazer tudo para que eu volte para
Jonnathan.
Shane a fitou pensativamente.
-Sendo assim, n�o acho prudente viajar de avi�o,
a primeira provid�ncia dele ser� mandar vigiar o aeroporto. Iremos
para New Orleans de carro.
Morgan sorriu, com ar divertido.
-Fugindo como Thelma e Louise, pelas estradas do Texas,
n�o?
Shane riu e a fitou nos olhos.
-Com tr�s grandes diferen�as, Morgan! N�o
matamos ningu�m, n�o estamos fora da lei e o motivo de nossa fuga
� o amor que nos une.
-Voc� � definitivamente uma mulher otimista,
Shane MacPherson! Mas gosto do seu estilo! Vamos! Acelere, quanto mais longe
daqui, melhor!
-New Orleans, aqui vamos n�s! � Gritou Shane,
acelerando e saindo do acostamento, pegando novamente a estrada.
*************************
Em Sheyeport, no entroncamento das rodovias 20 com a
49, Shane parou em um modesto motel � beira da estrada federal. Deram
nomes fict�cios e alugaram um quarto.
Shane abriu a porta e entraram. Se fitaram e ca�ram
nos bra�os uma da outra, se abra�ando apertadamente, suas bocas
se procurando. Morgan sentiu o desejo dominar seu corpo, junto com uma profunda
alegria de estar nos bra�os da mulher que amava.
Seus corpos se espremeram cheios de desejo e Morgan gemeu
quando sentiu a coxa de Shane se insinuar entre as suas e apertar contra o centro
de suas pernas que pulsava . Seus quadris se moveram sensualmente, sentindo
o delicioso contato fazer seu desejo crescer.
Shane afastou-se lentamente, fitando-a com os olhos semi-cerrados.
-Humm... n�o acha bom tomarmos um banho? Estamos
suadas e tensas, um banho morno nos revigorar�.
Morgan sorriu maliciosamente, alisando o rosto de Shane.
-Concordo se voc� tom�-lo comigo.
Shane sorriu, entendendo a motiva��o dessa
proposta.
-Trato feito! Voc� esfregar� minhas costas?
� Perguntou, com voz sedutora.
-Claro, amor... isso e outras coisas mais...
Shane riu, pegando-a pela m�o e a levando para
o banheiro. N�o era grande coisa, somente com uma ducha, lavat�rio
e vaso, mas para elas era o melhor lugar do mundo no momento, porque depois
de muitos dias de separa��o, estavam finalmente sozinhas.
Elas se fitaram nos olhos e come�aram a se despir
lentamente, cada uma se encantando com a vis�o do corpo da outra que
surgia. As roupas foram caindo ao ch�o e quando estavam totalmente nuas,
elas caminharam para o encontro ansioso dos corpos. Estremeceram quando seus
corpos se tocaram e se espremeram em um beijo faminto. Shane sentiu o centro
quente e molhado de Morgan em sua coxa, mostrando o quanto ela estava excitada,
e soltou um gemido gutural. Suas m�os foram para os seios firmes, de
mamilos rosados, burilando-os com habilidade com as pontas dos dedos.
-Oh, Deus, Shane! � Exclamou Morgan, arqueando o torso
e jogando a cabe�a para tr�s, apertando Shane convulsivamente.
Shane a puxou para baixo da ducha e abriu as torneiras
com uma m�o, enquanto com a outra conservava Morgan junto ao seu corpo.
A �gua caiu sobre elas e Shane desceu os l�bios pelo l�bulo
da orelha de Morgan, pelo rosto e pelo pesco�o macio, lambendo, beijando
e mordiscando.
-Oh, Shane... mais... � gemeu Morgan, cruzando os bra�os
nas costas de Shane.
Shane pousou as m�os nas n�degas de Morgan,
puxando-a ainda mais contra seu corpo forte. Morgan ergueu as pernas e as cruzou
na cintura de Shane, louca para aumentar o contato de seus corpos e satisfazer
o seu desejo que aumentava � cada car�cia. Shane a conservou nessa
posi��o, procurando sua boca em um beijo profundo e sensual.
Morgan afastou o rosto, olhando para Shane com ar suplicante.
-Quero ser sua, Shane... logo... agora!
Shane a pousou no ch�o, sorrindo sedutoramente,
seus olhos brilhando com desejo.
-Ainda n�o, amor... quero muito mais de voc�...
quero que fique louca...
-Eu j� estou, Shane... por favor...
-N�o... � ronroneou Shane, passando as m�os
pelo corpo de Morgan cariciosamente � espere... paci�ncia, amor... deixe-me
lavar suas costas...
Morgan suspirou, conformada. Sabia que Shane estava fazendo
um jogo, seduzindo-a at� o seu limite, pretendendo t�-la quando
n�o pudesse negar nada, quando perdesse todo seu controle. E deixou Shane
lavar suas costas com m�os cariciosas, seus cabelos, o seu sexo. Ela
retribuiu o ato, lavando os cabelos de Shane, suas costas, olhando fascinada
o corpo perfeito diante dela se arrepiar com seu toque.
Shane fechou as torneiras e pegou Morgan pela m�o,
saindo do box. Apanhou uma toalha e come�ou a secar o corpo de Morgan,
com um olhar de desejo que excitou Morgan ainda mais. Seus olhares se encontraram
e Shane respirou fundo, deixando a toalha cair no ch�o.
-Por Deus, Morgan... voc� � t�o linda...
oh, n�o posso mais... �Sussurrou ela, dando um passo e tomando Morgan
nos bra�os, apertando-a contra o corpo. Morgan descansou sua cabe�a
no ombro de Shane, inalando o cheiro do corpo dela, sentindo uma forte emo��o
tom�-la.
Shane afastou-se um pouco, para fit�-la com olhar
apaixonado.
-Eu queria demorar, fazer um jogo, mas n�o posso.
Eu a desejo muito, Morgan... � Sussurrou.
Morgan a fitou nos olhos.
-Ent�o, n�o me deixe esperar mais, Shane.
Shane a beijou apaixonadamente. Seus corpos de uniram
em abra�o, procurando desesperadamente se fundirem, se tornarem um s�
em um mesmo desejo.
Shane colocou as m�os sob os joelhos e costas
de Morgan, erguendo-a do ch�o e a levando para a cama, sem parar o beijo.
Pousou-a na cama e deitou sobre ela, acomodando-se entre as coxas que se abriram
convidativamente. Segurando Morgan pelos quadris, ela girou o corpo e colocou
Morgan no topo, sentada em seu abdomem com as pernas abertas.
Sua m�o foi para o sexo quente de Morgan, tocando-o
cariciosamente, olhando o rosto da loura.
-Voc� est� t�o molhada, Morgan...
diga... o que voc� quer que eu fa�a?
Morgan moveu as cadeiras provocadoramente, contra a m�o
de Shane. Ela debru�ou-se e desceu a boca �vida para os seios
perfeitos que a tentavam. Shane gemeu alto, os dedos acariciando o sexo em fogo
de Morgan.
E elas se entregaram ao desejo sem restri��es,
cada uma tentando arrancar da outra o m�ximo prazer, suplantar qualquer
emo��o que a outra j� havia experimentado. Suas bocas se
sorviam, depois desciam pelos corpos famintas, n�o deixando de provar
nada dos corpos tr�mulos de desejo. Somente quando o dia nascia, elas
adormeceram esgotadas, seus corpos abra�ados em um �ltimo beijo.
**********************
No escrit�rio do senador Lafayette, ele falava
ao telefone com o rosto contra�do em uma express�o de fria f�ria.
Seu rosto parecia feito de pedra, se n�o fossem seus olhos emitindo um
brilho perigoso.
-� isso mesmo que desejo, Malcon. Sim, eu sei
que � ilegal. Mas voc� vai dar um jeito de fazer o que quero, n�o?
Afinal, voc� ocupa esse cargo por indica��o pessoal minha. Espero resultados dentro de tr�s dias, no m�ximo.
Ele desligou o telefone, impedindo que o seu interlocutor
protestasse mais. Ele alisou seu bigode bem aparado, em um gesto peculiar quando
planejava algo.
-Bem, Morgan... Voc� errou. Agora, assuma as consequ�ncias
de seu ato � Disse baixinho.
Continua na parte 8
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