A  GAROTA  DA  MOTO

 

PARTE  5

 

  Quando chegaram na casa, Shane abriu a porta e entraram sem dizer nada. N�o era preciso. A viagem que fizeram com seus corpos grudados j� havia feito o desejo despertar e elevar-se quase insuport�vel. Morgan sentia o meio de suas pernas pulsar e sabia que apenas Shane poderia aliviar aquela necessidade.

 

        Ca�ram nos bra�os uma da outra, em um beijo ardente. Morgan puxou-a contra seu corpo, deitando no sof� da sala, gemendo contra os l�bios macios e quentes de Shane, que devoravam os seus em um beijo ardente. Abriu as pernas para acomodar a coxa firme de Shane, movendo o corpo sensualmente. Shane apertou-se contra ela em movimentos lentos, estremecendo com as car�cias das m�os de Morgan em seu corpo. Elas n�o conseguiam se separar um segundo, para tirar a roupa, numa paix�o sem limites.

 

        E apenas assim, em um beijo longo e fren�tico, atingiram o �xtase juntas, os corpos estremecendo numa mesma emo��o. Ficaram abra�adas sentindo suas respira��es voltar ao normal. Depois de alguns minutos, Shane ergueu o rosto dos cabelos de Morgan e a fitou com surpresa.

 

        -Morgan... isso nunca me aconteceu antes!

 

        Morgan sorriu docemente, alisando seu rosto.

 

        -Nem comigo, amor... � a primeira vez que tenho um orgasmo somente com um beijo. Foi... fant�stico!

 

        Shane se desvencilhou, sentando no sof�, fitando-a com admira��o.

 

        -Sabe o que isso significa? � Perguntou, baixinho � � que estamos muito apaixonadas. Basta nossos corpos se tocarem, para a qu�mica do desejo nascer. Eu fico louca somente com o contato de seu corpo. �... impressionante!

 

        -O mesmo acontece comigo, Shane. � t�o maravilhoso estar com voc�, sent�-la... somente agora eu sei o que � amar algu�m.

 

        Shane a fitou com ar acusador e magoado.

        -Mas voc� n�o quis ficar comigo ontem.  Enganou-me, dizendo que ia encontrar com seu noivo. N�s perdemos uma noite que poderia ter sido inesquec�vel.

 

        Morgan sentou e a abra�ou rodeando seu pesco�o, dizendo entre beijos  no canto da boca, na ponta do nariz, no queixo, fazendo Shane rir:

 

        -Eu a amo, querida... e vim para dormir com voc�... quero ficar em seus bra�os... e acordar com voc� ao meu lado...

 

        Shane segurou seu rosto entre suas m�os, fitando-a embevecida.

 

        -Eu a amo tamb�m, Morgan... tanto que me assusta.

 

        Beijaram-se outra vez. Suas bocas se sugaram famintas e Morgan gemeu de prazer quando Shane alisou seu seio com a m�o. Shane afastou-se e levantou, puxando-a pela m�o.

 

        -Venha... vamos para a cama...

 

        A voz rouca e sensual de Shane fez um arrepio percorrer o corpo de Morgan. Seguiu-a at� o quarto e quando chegaram, Shane parou e come�ou a desp�-la, fitando-a com desejo nos olhos azuis. Morgan tamb�m come�ou a tirar a roupa de Shane e engoliu em s�co, vendo o corpo magn�fico surgir aos seus olhos encantados.

 

        Ambas nuas, se agarraram em um beijo profundo, suas l�nguas se encontrando e se acariciando, as m�os correndo pelos corpos, alisando, apertando.

 

        Shane virou Morgan de costas para ela e colou-se ao seu corpo, mordiscando a nuca, lambendo o l�bulo da orelha, descendo os l�bios pelas costas em beijos e lambidas provocadoras. Morgan gemia baixinho, sentindo arrepios de prazer em cada lugar que a boca de Shane tocava. Seu sexo pulsava de desejo.

 

        Shane deu mordidas suaves em suas n�degas macias, passou a l�ngua e a virou lentamente de frente, segurando-a pelas coxas. Ordenou com voz rouca, beijando suas coxas:

 

        -Abra as pernas... quero possu�-la assim, de p�.

 

        Morgan apoiou as m�os no recosto de  uma poltrona  que estava perto delas e abriu as pernas, expondo-se sem constrangimento aos olhos de Shane. Era engra�ado, com Shane sentia-se t�o � vontade, sem falsos pudores, ao contr�rio de quando estava com Jonnathan. Com Shane, senti-se t�o integrada que n�o havia espa�o para receio ou vergonha.

 

Shane fitou os p�los alourados cobrindo o sexo delicado e aproximou a boca, ansiosa para sentir o sabor de Morgan. Sentiu o aroma suave, musky, o cheiro que era Morgan, e avan�ou, tomando o pontinho rosado nos l�bios, sugando. Morgan j� estava molhada de excita��o e seu dedo m�dio   penetrou na abertura estreita, com cuidado.

 

Morgan moveu os quadris sensualmente, fechando os olhos e inclinando a cabe�a para tr�s, com uma express�o de intenso prazer.

 

-Shane... que del�cia... � Sussurrou � Oh, com mais for�a... assim... oh, Deus!

 

Shane prosseguiu, agora apertando a boca, sugando-a e movendo o dedo ritmicamente, colocando mais um. Morgan mexia-se freneticamente, ao encontro daquela boca deliciosa que a sugava toda, levando-a a um prazer t�o intenso que a fazia perder a no��o de tudo o mais que n�o a boca e dedos em seu sexo. Gemia alto, dizendo frases ardentes, at� que um intenso orgasmo a fez empurrar-se na boca de Shane, gritando:

 

-Shane! Amor! Ahhhhhh...

 

Shane ergueu-se e a arrastou para a cama, segurando-a pela cintura. Deitou-a de bru�os transversalmente e montou sobre ela, esfregando-se contra as n�degas macias de Morgan, em movimentos fren�ticos, a boca entreaberta soltando suspiros no ouvido de Morgan. Logo ela sacudiu-se espasmodicamente, atingindo o orgasmo, trincando os dentes para n�o gritar, mas deixando escapar palavras que atestavam seu prazer:

 

-Morgan, Morgan... Ohhhhh, sim!

 

Ela caiu para o lado, respirando pesadamente. Morgan voltou-se e montou sobre as coxas dela, movendo-se enlouquecida, excitada ao extremo por ter sentido o sexo molhado de Shane em seu corpo.

 

Shane abriu os olhos, fitando Morgan com desejo. Ela tinha uma express�o de desejo selvagem no rosto, que a excitou. Segurou-a pela cintura, ajudando-a em seus movimentos, observando o sexo de Morgan esfregar em sua coxa, os seios firmes com os bicos endurecidos. Estendeu uma m�o e tocou em um dos biquinhos, apertando-o entre os dedos.

 

Morgan gemeu alto e seus movimentos se intensificaram. Ela gritou quando o orgasmo a atingiu como uma onda, apertando-se contra Shane, fora de si. Shane a abra�ou apertadamente, quando caiu nos bra�os dela, e a beijou na testa suada carinhosamente.

 

-� t�o bom fazer amor com voc�, amor... � Sussurrou Shane em seu ouvido.

 

Morgan apertou-se contra ela, suspirando de contentamento.

 

-Voc� deixa-me completamente louca � Respondeu, baixinho � Quero cada vez mais, nunca senti uma atra��o t�o intensa assim. Basta encostar em voc� e sou tomada por um desejo intenso de ser sua,  de possu�-la...

 

Shane sorriu, afastando-se um pouco para fit�-la no rosto.

 

-Tamb�m sinto a mesma coisa, Morgan. Mas pra termos for�as para amar, que tal comer alguma coisa? Ainda n�o comi nada hoje, e estou faminta!

 

Morgan riu, acariciando seu rosto.

 

-Oh, isso � muito s�rio! N�o quero que voc� desmaiada de fome, vamos providenciar algo para voc� recuperar as for�as!

 

Shane ergueu-se da cama e a puxou pela m�o, sorrindo com mal�cia.

 

-Primeiro vamos tomar um banho, estamos precisando, voc� n�o acha?

 

-Humm... uma proposta irrecus�vel, se voc� vai tom�-lo comigo.

 

Shane riu, levando-a para o banheiro anexo.

 

-Pode ser, mas s� para tomar banho, estou com fome de comida, entendeu?

 

Morgan a fitou, fazendo uma careta que Shane achou ador�vel.

 

-Tudo bem! N�o quero ser acusada de deix�-la morrer de fome! Prometo ficar quieta.

 

A promessa foi quebrada ap�s ela ensaboar o corpo de Shane sob a ducha. Somente meia hora depois se enxugaram e vestiram roup�es de banho, dirigindo-se para a moderna cozinha.

 

Shane olhou para Morgan com um sorriso de desculpa, abrindo o freezer.

 

-N�o sei cozinhar, mas o freezer tem v�rios alimentos prontos congelados, � s� colocar no microondas. Sirva-se � vontade.

 

Morgan escolheu um sufl� de legumes e Shane carne assada com pur� de batata. Morgan, orientada por Shane, pegou pratos e talheres arrumando a mesa de refei��es, enquanto Shane abria uma garrafa de u�sque e servia-se de uma generosa dose. Morgan a fitou com desaprova��o.

 

-Vai beber u�sque antes da refei��o, Shane?

 

Shane a fitou subitamente s�ria.

 

-Vou, por qu�? Quer uma dose tamb�m?

 

-N�o, n�o gosto de bebidas fortes. Prefiro um refrigerante.

 

Shane sorriu, descontraindo.

 

-Ainda bem, pensei que quisesse tomar u�sque. Eu n�o deixaria, voc� n�o tem resist�ncia para esse tipo de bebida, baby Johnson.

 

Morgan a fitou com um ar amuado.

 

-N�o sou nenhum beb�!  Acho que j� provei bastante para voc� isso!

 

Shane riu, fitando-a com mal�cia.

 

-Eu sei que � uma mulher, Morgan... e que mulher! S� estou brincando com voc�. Na verdade, voc� � muito mais madura que sua idade. Eu, na sua idade, n�o queria nada s�rio com ningu�m.

 

-Voc� se formou em que universidade, Shane?

 

Shane enrubesceu, parecendo envergonhada. Falou sem fit�-la, olhando para o copo que tinha nas m�os.

 

-N�o me formei. Larguei a universidade no terceiro ano. Tive um caso com uma professora e quando n�o quis prosseguir, ela ficou me seguindo e amea�ando que ia suicidar-se depois de matar-me. Larguei a universidade e fui para New York, onde passei um ano.

-Oh... e o que ela fez? Suicidou-se?

 

Shane a fitou com um sorriso de desd�m.

 

-Suicidou? N�o. Pelo contr�rio. Soube por colegas que ela havia conquistado outra professora e foi um esc�ndalo quando as surpreenderam trepando na sala, ap�s as aulas!

 

-Oh! Que piranha c�nica, Shane!

 

-� isso, baby... por isso e outras coisas, n�o acredito quando uma mulher diz que me ama.

 

Morgan a fitou ofendida.

 

-Shane, n�o acredita em mim? Est� comparando-me com essa piranha mentirosa?

 

Shane tomou um longo gole de u�sque e a fitou pensativamente.

 

-N�o, Morgan. N�o estou comparando-a com ningu�m. Tem momentos, como os que tivemos h� poucos minutos, que acredito em voc�. Mas tem momentos que fico em d�vida.

 

-Voc� n�o pode amar-me, desconfiando de mim � Disse Morgan, tristemente.

 

-Eu estou aprendendo a confiar em seu amor. Apenas d�-me tempo � Respondeu Shane, olhando para o microondas, que apitou anunciando que a comida estava pronta.

 

Morgan foi at� o aparelho e com luvas de amianto tirou os dois recipientes fumegantes, levando para a mesa. Shane sentou diante do seu prato, fitando-a sorrindo .

 

-Eu estava sentindo falta de uma m�o feminina aqui. N�o sei fazer essas coisas.

 

Morgan riu, servindo o prato de Shane.

 

-Shane, voc� � uma mulher! Que est�ria � essa de faltar m�o feminina aqui?

 

Shane fez uma careta.

 

-N�o me sinto mulher. Pelo menos, desse jeito.

Morgan a encarou s�ria, colocando o prato diante de Shane.

 

-V� se acostumando com a id�ia que � igual � mim. Porque gosto de voc� pela sua feminilidade tamb�m. Se fosse uma mulher masculinizada, n�o a apreciaria tanto.

 

Shane sorriu maliciosamente, fitando-a .

 

-Bem, nem todas as mulheres gostam que sua parceira seja feminina. Muitas adoram um �butch�  ( sapat�o, em ingl�s). Muitas mulheres que tive gostavam que eu atuasse como um bombeiro, policial, esses tipos mach�es. Somente com voc� sou completamente mulher, Morgan. E gosto disso, acho que nos damos muito bem na cama.

 

Morgan serviu-se do sufl� e come�ou a comer com apetite. Estava delicioso. Shane cortou um peda�o de carne, enquanto perguntava:

 

-Morgan, o que pretende fazer, quando seu noivo chegar?

 

Morgan a fitou com ar decidido.

 

-Vou falar com ele e terminar meu noivado.

 

-Acha que ser� t�o simples assim?  Seus av�s n�o v�o deix�-la fazer isso.

 

Morgan a encarou.

 

-Eles n�o podem obrigar-me a casar com Jonnathan.

 

-E o que vai alegar, para terminar?

 

-Simples. Que n�o gosto mais dele.

 

-S� isso? Acha que seus av�s v�o engolir essa desculpa, depois de voc� ser noiva desse cara h� mais de dois anos? Voc� n�o vai conseguir se rebelar contra o dom�nio deles assim t�o f�cil, Morgan!

 

Morgan parou de comer, fitando-a com o cenho franzido.

 

-Est� insinuando que sou um fantoche, nas m�os deles?

 

Shane sorriu, estendendo a m�o e apertando a sua em um gesto tranquilizador.

 

-N�o, Morgan. S� estou dizendo que talvez voc� n�o consiga livrar-se desse noivado t�o f�cil como pensa.

 

Morgan a encarou, com o garfo suspenso e im�vel.

 

-Muito bem, o que sugere ent�o? Que eu me case com Jonnathan e seja sua amante?

 

Shane riu, achando a id�ia divertida. Resolveu brincar:

 

-A id�ia n�o � m�... voc� teria mais liberdade e independ�ncia, poderia sair para encontrar-se comigo quando seu marido estivesse trabalhando e n�s tr�s ser�amos felizes para sempre!

 

Morgan a fitou com os olhos brilhando de c�lera, erguendo-se.

 

-N�s tr�s felizes para sempre? Oh, que cinismo! Voc� acaso pensou como seria, para mim? Eu ter que aturar ele na cama todas as noites, enquanto voc� estaria naquela danceteria odiosa, conquistando mulheres ! Eu trepando com um homem que n�o amo e voc� livre como um p�ssaro! Seria muito c�modo para voc�, n�o? Uma amante casada, que n�o poderia exigir muito de voc�! Oh, voc� n�o me ama, s� deseja usar-me! � Gritou Morgan, com l�grimas nos olhos.

 

Shane a fitou surpresa com aquela rea��o violenta de Morgan � sua brincadeira. Ergueu-se tamb�m e se aproximou dela, tentando abra��-la. Morgan a empurrou, furiosamente. A desconfian�a que Shane n�o a amava e s� a queria para sexo a havia deixado fora de si. Seu ci�me j� a fazia imaginar cenas de Shane com outras mulheres, rindo de sua ingenuidade.

 

-Morgan, eu estava brincando! � Disse Shane, sentindo seu temperamento esquentar com a rea��o exagerada de Morgan � uma simples brincadeira.

 

-Voc� n�o me ama! � Acusou Morgan, fitando-a acusadoramente � S� quer usar-me, para satisfazer seus desejos!

 

-Morgan, pare com isso! Sabe que n�o � verdade! Maldi��o, pare de dizer bobagens, garota mimada! � Gritou, encolerizada.

 

Morgan a fitou com profunda m�goa. Teve desejo de ferir Shane, como ela a ferira com aquelas palavras.

-N�o grite comigo! Est� confundindo-me com aquelas vagabundas! Agora sei que n�o significo nada para voc�, al�m de uma boa trepada! Mas n�o vou mais acreditar em voc�, volte para aquelas vagabundas, � daquele tipo de mulher que voc� gosta!

 

Shane perdeu o controle. Ergueu a m�o e esbofeteou Morgan. O rosto dela virou com o golpe e ela cambaleou, fitando-a com profunda m�goa, passando a m�o na face.

 

-Voc�... voc� bateu em mim!

 

Shane a fitou com arrependimento.

 

-Desculpe-me, Morgan. Voc� irritou-me al�m da conta, com suas palavras. Eu n�o queria fazer isso, mas voc� provocou-me.

 

-Voc� bateu em mim! � Repetiu Morgan, em choque � Nunca algu�m fez isso, nem meus av�s!

 

Shane tentou aproximar-se dela para abra��-la. Morgan recuou vivamente.

 

-N�o toque em mim! V� bater em suas conquistas baratas, elas devem gostar disso! Oh, como fui gostar de voc�? Voc� n�o pode amar algu�m, tendo sua m�e como modelo!

 

Morgan percebeu o que havia dito tarde demais. Shane a fitou � princ�pio chocada, depois seu olhar se congelou. As palavras de Morgan a haviam ferido profundamente.

 

Morgan arrependeu-se e a fitou amedrontada por aquele olhar frio como gelo.

 

-Shane... eu n�o quis realmente dizer isso...

 

A voz de Shane soou fria e sem emo��o.

 

-V� embora, Morgan. Agora.

 

-N�o! N�o vou! Voc� tem que perdoar-me, Shane!

 

Morgan se aproximou de Shane e tentou abra��-la. Shane a empurrou com for�a, fazendo-a cambalear e cair no ch�o. Shane a fitou com um olhar cortante.

 

-V� embora, Morgan! Voc� ofendeu a mem�ria de minha m�e, sem nenhum motivo! E isso � imperdo�vel!

Morgan come�ou a solu�ar, fitando-a entre l�grimas.

 

-Perdoe-me, Shane! Pode xingar-me, bater�me, se isso a fizer sentir-se vingada!

 

 

Shane a fitou com frieza.

-Pela �ltima vez, v� embora! Voc� � uma garota imatura, mimada, ego�sta e insens�vel! Voc� disse que eu a usei, mas quem usou-me foi voc�, para matar seu fogo! Se me amasse realmente, n�o pensaria t�o mal de mim! E sua falta de humanidade � nojenta! Como ousou falar mal de minha m�e!

 

Morgan ergueu-se e a fitou derrotada e magoada.

 

-� isso que acha de mim? Que sou um monstro de insensibilidade, uma ninfoman�aca? Pois bem, eu vou embora! Voc� n�o quer perdoar-me porque n�o me ama!  Pois v� para o inferno, Shane! Fique a� com seus sentimentos feridos!

 

Ela correu para o quarto e vestiu suas roupas, entre solu�os. Quando desceu, Shane estava na sala e a fitou com indiferen�a.

 

-Telefonei chamando um t�xi � Declarou Morgan � Chegar� em pouco tempo.

 

Shane n�o disse nada. Saiu da sala e Morgan ficou ali, olhando pela janela at� o t�xi chegar, sentindo-se arrasada. Quando o carro chegou, saiu e foi embora, sem olhar para tr�s. Foi chorando at� chegar na casa de sua amiga Patr�cia.

 

 

****************************** 

 

Pela primeira vez na vida, Shane sentia a dor de amar e se desiludir com a pessoa amada. E n�o estava gostando nem um pouco da experi�ncia.

 

-�Imbecil !�- Xingava � ela pr�pria, chutando os m�veis � �Idiota, idiota� !!

 

Como havia ca�do nessa maldita armadilha do amor, como cometera a idiotice de apaixonar-se, ainda mais por uma mulher noiva, temperamental, insens�vel, que n�o acreditava nela? Como pudera ser t�o burra? Agora estava ali desesperada de dor, por pensar que n�o veria mais Morgan! Mesmo achando que ela n�o merecia ser perdoada, por ter ofendido a mem�ria de sua m�e!

 

Ah, mas iria reagir contra isso! Iria voltar para sua vida de sempre, era mais seguro. Sem nenhum aborrecimento e dor! Tinha que esquecer de Morgan, e a melhor forma era arranjar outra!

 

Saiu e pegou sua moto, rumando para a danceteria.

 

 

*********************************** 

 

Morgan desabafou com a amiga a sua decep��o. Contou como tudo parecia estar maravilhoso, como estavam no maior amor, at� a discuss�o come�ar. As palavras rudes que trocaram, a agress�o de Shane, suas palavras contra a m�e dela, a rea��o de Shane. E como agora se sentia miseravelmente perdida, magoada, com �dio de Shane.

 

Patricia era mais velha que ela dois anos. Morgan sempre confiara no julgamento dela. Ent�o, no final da narra��o, olhou para a amiga com os olhos cheios de l�grimas.

 

-Voc� acha que ela ainda pode me querer? Que a raiva dela vai passar e ela vai procurar-me?

 

Patricia a fitou com preocupa��o e consterna��o.

 

-Por Deus, Morgan! Voc� ainda quer continuar algum relacionamento com essa mulher?

 

-Por que diz isso?

 

-Morgan, est� claro como �gua! Voc� tem um noivo lindo, rico, que a ama de verdade, que vai casar com voc�! Quantas garotas gostariam de estar em seu lugar! E voc� est� a� chorando por uma mulher que tem fama na cidade de conquistadora, que gosta de usar as pessoas! Uma mulher que vem de uma fam�lia desestruturada, pela trai��o e morte da m�e! Ela deve ter problema de relacionamento, al�m de ser agressiva, a prova disso � a agress�o que voc� sofreu! Morgan, esque�a essa mulher, continue sua vida com Jonnathan, ele quem vai faz�-la feliz! Shane � uma neur�tica!

 

Morgan fitou a amiga com decep��o, erguendo-se da cama em que estava.

 

-Pat, como pode dizer isso para mim? Voc� sabe que n�o amo Jonnathan! O que adianta ele ser tudo isso que disse, se n�o o amo? E Shane n�o � uma neur�tica! Ela apenas reagiu � um insulto que fiz � m�e dela, acho que eu faria o mesmo, no lugar dela!

 

Pat a fitou com desafio.

 

-Acha que estou errada? Voc� � muito ing�nua, Morgan! Quer que eu prove que estou certa? Que enquanto voc� est� a� chorando, Shane est� nos bra�os de outra mulher?

 

-Como... como vai fazer isso? � Perguntou Morgan, com voz tr�mula.

 

-Simples. Voc� vai ver pessoalmente. N�s iremos � esse clube que voc� disse que foi com ela e aposto o que quiser que iremos encontrar ela aos beijos com outra mulher.

 

-Voc�... faria isso? � uma danceteria de l�sbicas, Pat! E em um lugar horr�vel da cidade!

 

Pat sorriu desafiante.

 

-Adoro desafios. O que h�? Est� com medo de ver que estou certa?

 

Morgan a encarou, aceitando o desafio. N�o era poss�vel que Shane estivesse com outra mulher. Shane havia confessado que estava apaixonada por ela. Provavelmente estava na danceteria para distrair sua mente, mas n�o com outra mulher.Pois iria provar � Pat que ela estava julgando Shane errado.

 

Olhou para o rel�gio de pulso. Nove horas da noite. Esra uma boa hora para achar Shane na danceteria.

 

-Vamos, ent�o � Concordou.

 

 

******************************

 

       

Shane olhou em volta, como um predador procurando e avaliando a sua presa. Havia chegado � danceteria h� mais de duas horas e agora estava em sua s�tima dose de u�sque. Suas amigas de bar j� haviam tentado conversar com ela, mas depois de terem sido recebidas com alguns rosnados como resposta, haviam s�biamente se afastado.

 

Shane estava deprimida, com raiva do mundo, e principalmente, dela mesma. Como havia permitido Morgan penetrar em sua coura�a protetora emocional, como pudera se permitido tornar-se vulner�vel, para ser atingida pelo sofrimento de perda? Havia sido t�o idiota! Havia esquecido que Morgan era apenas uma mulher, como todas. E como mulher, pronta para magoar, espezinhar cora��es.

 

Tinha que reagir contra isso. N�o adiantava ficar ali bebendo e remoendo sua perda. Ela tinha que ser esperta novamente, usar e fugir, para n�o ser magoada.

 

Seu olhar caiu sobre a lourinha de cabelos cacheados. Algo no sorriso dela lembrou-a de Morgan. Bem, ela n�o possu�a o charme, a classe de Morgan, nem a metade da beleza dela. Mas era tamb�m loura de olhos verdes. Podia ser uma substitui��o razo�vel, por algumas horas. Sorriu para ela, erguendo o copo num brinde.

 

A lourinha parecia esperar apenas um gesto dela. Ergueu-se e se aproximou, inclinando-se apoiando as m�os no encosto da cadeira.

 

-Posso sentar em sua mesa? � A mo�a perguntou.

 

Shane a fitou avaliadoramente. De perto, perdia ainda mais para Morgan. O olhar dela era de uma mulher vivida, sem a ingenuidade de Morgan. O decote da blusa comprovava essa experi�ncia de vida noturna. S� faltava mostrar os bicos dos seios. �timo. Pelo menos, ela mostrava o que era, sem enganar.

 

-Sente-se � Permitiu, fitando-a com um sorriso malicioso � Quer uma bebida?

 

-Oh, aceito um gim-t�nica.

 

Shane ergueu a m�o e logo uma gar�onete veio correndo. Shane tinha tratamento especial porque era conhecida por suas generosas gorgetas.Uma vez chegara a dar cem d�lares � gar�onete apenas porque ela havia trazido sua bebida em tempo recorde. Isso, claro, depois de estar embriagada.

 

-Sim, Shane? O que deseja? � Perguntou a gar�onete.

 

-Um gim-t�nica para a loura e outro u�sque para mim.

 

-Perfeitamente, volto em seguida! � Disse a gar�onete, se afastando.

 

A lourinha a fitou sorrindo, sentando ao seu lado. Abra�ou seu bra�o esquerdo, encostando o seio nele.

 

-Voc�  � um tes�o, sabe? � Disse a lourinha � Eu a estava olhando desde que chegou. E fiquei apaixonada pela sua beleza. Se voc� � t�o gostosa como aparenta, deve deixar uma mulher louca!

Shane a encarou, bebendo o resto do u�sque e depositando o copo na mesa.

 

-Hummm... vou dar � voc� uma amostra do que fa�o � Disse, puxando-a pela cintura. Desceu o rosto e a beijou impetuosamente, apertando-a nos bra�os.

 

A lourinha gemeu de prazer e grudou-se � Shane, sentando na coxa dela com as pernas abertas. Sua saia subiu e a m�o de Shane encontrou as coxas macias e quentes ao seu alcance, alisando-as. Sentiu o tremor da mo�a e deslisou a m�o para a calcinha dela, alisando seu sexo atrav�s da renda.

 

A lourinha apertou-a com seus bra�os rodeando seu pesco�o, afastando a boca para lamber seu pesco�o, gemendo:

 

-Oh, Deus, como voc� sabe tocar uma mulher! Bem fundo, do�ura. Quero que me toque bem fundo...

 

A lourinha tornou a beij�-la ardentemente na boca, pegando sua m�o e a dirigindo para dentro de sua calcinha. Shane sentiu-a completamente molhada de excita��o e penetrou-a com for�a, sem nenhuma hesita��o.

 

Foi desse jeito que Morgan a viu.

 

Morgan havia acabado de entrar na danceteria com Pat e seu olhar havia se dirigido para a mesa  cativa de Shane. E a cena que viu fez seu cora��o congelar. Shane, com uma mulher montada em suas coxas, beijando-a com furor, a m�o de Shane dentro da calcinha da mulher.

 

Pat seguiu seu olhar e viu a cena. Ela olhou, fascinada.

 

-Aquela morena vestida de couro � Shane? � Perguntou.

 

Morgan sentiu o sangue subindo em sua cabe�a. Um furor cego a dominou.

 

-Miser�vel! � Gritou, mas seu grito sendo abafado pela m�sica estridente que tocava. Ela tentou aproximar-se de Shane para agred�-la, mas Pat percebeu sua inten��o e a segurou pelos bra�os com for�a, gritando em seu ouvido:

 

-Fique quieta! Vamos embora agora!

 

Morgan contorceu o corpo, fazendo for�a para libertar-se.

 

-Largue-me! Quero quebrar a cara dessa traidora! � Gritou, furiosa.

-Ela n�o vale isso, Morgan! Vamos embora!

 

-N�o! Eu vou vingar-me! Piranha, cadela!

 

-Pare com isso!

 

Pat era mais forte que Morgan e saiu arrastando-a para fora da danceteria. Na cal�ada em frente ao estabelecimento, o t�xis as esperava, como Pat havia pedido. Ela empurrou Morgan para dentro e fechou a porta, gritando para o motorista:

 

-Vamos embora, r�pido!

 

O motorista viu Morgan chorando e arrancou em alta velocidade. Pat olhou para a amiga com pena dela. Morgan estava desesperada de dor.

 

-Sinto muito o que acabou de ver, Morgan. Mas eu estava certa.

 

Morgan a encarou entre l�grimas de raiva e sofrimento.

 

-Ela j� colocou outra em meu lugar, Pat! Em menos de dez horas! Ela n�o me ama, apenas usou-me, como usa todas as outras!

 

-Esque�a essa mulher, Morgan! Voc� tem um noivo que a ama!

 

Os olhos de Morgan se estreitaram.

 

-Eu a odeio! Eu quero que ela sofra como estou sofrendo! Eu vou vingar-me, Pat! Ainda n�o sei como, mas vou vingar-me!

 

-Morgan, eu entendo seu sofrimento. Ela � uma mulher muito bonita e atraente, ela a enfeiti�ou. Mas o melhor que tem a fazer � esquecer que Shane Mac Pherson existe!

 

Morgan calou-se, mas seu olhar brilhou com determina��o.

    

Continua na parte 6

 

setembro/2002

 

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