Seis Meses Para Amar

Ravena

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2008

 

Cap�tulo 2

- Temos que ir. Daqui a pouco o cara vem nos expulsar, disse Ludmila, j� se levantando. Vamos!

- T�, mas antes eu vou ao banheiro, se quiser pode ir embora, j� estou melhor. Obrigada, e pelo len�o tamb�m.

- N�o foi nada, mas tamb�m preciso ir ao banheiro. E seguiram para l�.

- Jackeline apenas lavou o rosto enquanto Ludmila usava o banheiro.

- N�o vai? Perguntou ao sair.

-N�o. Desculpa nem perguntei o seu nome. Nisso entrou 3 mulheres e ficou olhando para ela. Uma delas n�o resistiu e perguntou?

- Voc� � a Jackeline do v�lei de praia.   Nossa, eu nunca perdi um jogo seu todos os que passaram na tv, eu assiti, quando ganhou a primeira medalha nas olimp�adas, eu chorei. Que jogo foi aquele, voc�s estavam perdendo e a rea��o foi incr�vel. Jack ouvia a mulher falando, mas seu desejo era sair dali, esbo�ava um sorriso, para as mo�as que estavam t�o felizes por estarem em sua frente. Sabia que no fim iriam pedir para tirar uma foto, essa era de celulares com c�mera, era seu pesadelo. Porque nunca ficavam felizes com apenas uma foto.

Ludmila encostou-se � parede e ficou olhando as mo�as ao redor dela, ou melhor, Jackeline, como n�o a reconheci, bom se eu assistisse mais esporte saberia quem ela �. E alguns pensamentos, come�aram a surgir em sua cabe�a, essa tristeza dela deve ser por causa de amor.

- Hoje � nosso dia de sorte, falou a mais falante das mo�as, duas famosas no mesmo dia, e num banheiro, se eu tivesse sozinha, voc�s n�o iriam acreditar, disse para as amigas.

Jack tinha se livrado delas depois das fotos. E viu as mo�as indo para o lado da mo�a do len�o.

- Ludmila Gomes adoramos seu �ltimo livro, eu tenho alguns, seus romances s�o t�o envolventes, d� at� para acreditar que amor de almas existe mesmo.

- Jack n�o era muito de ler, e menos ainda romances, ent�o nunca saberia, que essa gentil mulher era uma escritora, e pelo que parece famosa. Pensou o que faz uma mulher dessa sozinha em um cinema.

- As mo�as seguiram o mesmo ritual e finalizaram com as benditas fotos.

- E ao ver a porta se abrindo novamente, Jack, se adiantou e disse vamos Ludmila estamos atrasadas; N�o estava a fim de mais uma sess�o de fotos, e pegou a m�o de Lud e sa�ram imediatamente dali.

- N�o consigo mais ser simp�tica com as pessoas, disse Jack. Ent�o � uma escritora famosa?....

- Eu n�o me acho, as pessoas que acham. Ent�o voc� � uma jogadora vitoriosa?...

- �, eu ganhei algumas medalhas. E acabei conhecida.

As duas seguiram de m�os dadas pelo shoping. At� que Jack se tocou, que n�o tinha largado da m�o da mo�a.

Desculpa, esqueci de largar a sua m�o.

 Ludmila n�o se importou, era estranho o que estava sentindo, um tipo de carinho por aquela mulher que n�o conhecia, e que ao mesmo tempo, a sensa��o era que a conhecia h� anos.

- Tudo bem, eu nem notei que ainda segurava a minha m�o. Chegaram na rua e  estava chegando � hora de se despedirem.

-  Eu vou ficar com o seu len�o, de recorda��o. Ou voc� vai querer de volta?

- N�o, pode ficar. Mas eu vou querer algo de recorda��o tamb�m.

- Voc� n�o vai esquecer de mim, agora n�o tenho nada para te dar. Se me der seu endere�o, posso mandar algo para voc�.

- Olha que eu vou cobrar. Pegou um de seus cart�es, que tinha seu endere�o, telefone, e-mail. E deu a Jack. Vou esperar. Sabe que vou embora feliz, porque voc� parou de chorar. E at� posso ver um sorriso aparecendo pra mim.

Jack acabou achando gra�a e acabou sorrindo mesmo. Foi um prazer te conhecer, Ludmila.

- O prazer foi meu. E seja o que te fez ficar t�o triste, pode ter certeza que vai passar.

- Eu espero, mas a morte est� chegando e n�o posso fazer nada, pensou.

Despediram-se com um aperto de m�os e foram em dire��o oposta.

A primeira coisa que Lud fez, ao chegar em casa foi ligar para suas amigas, e contar quem conheceu no cinema.  Mas n�o contou sobre a tristeza, que a jogadora estava, porque iriam querer saber o motivo. Se fosse elas iriam querer saber, eu n�o sou t�o curiosa assim, rss. Mas n�o consegui perguntar nada. E com certeza nunca mais a verei.

 

Jack chegou em casa, encontrou sua m�e, seu irm�o mais velho, os dois vieram ao seu encontro desesperados, isso s� podia ser coisa da Alessandra, abriu o bico, sendo m�dica n�o poderia ter feito isto, mas antes disso, ela � minha melhor amiga, ent�o vou relevar sua indiscri��o m�dica.

- Minha filha porque voc� n�o me contou, disse a m�e em prantos. A Alessandra me ligou desesperada porque voc� n�o quer continuar com o tratamento. Ent�o perguntei que tratamento, e ela me contou tudo. Como pode esconder um problema t�o s�rio desse de sua fam�lia.

- M�e eu n�o falei antes, porque eu achei que iria melhorar. E tamb�m para que eu ia te contar, se faz mais de 1 ano, que voc� n�o pega o telefone para me ligar, saber se eu estava viva, seu chequinho chegando todos os meses, para que a senhora iria se preocupar. Espero que  tenham guardado um pouco da grana que tenho mandado para voc�s, porque n�o vou deixar nada pra voc�s.

- Mana, voc� n�o vai deixar  n�s na pior, esqueceu de seus sobrinhos, ainda s�o pequenos.

- N�o esqueci, a educa��o deles estar� garantida at� se formarem na faculdade. Quanto a voc�s, enquanto eu respirar v�o continuar recebendo suas mesadas, meu conselho, � que guardem, porque depois maninho voc� vai ter que sustentar nossa velha m�e.

- Eu n�o te liguei mais porque cansei de ser tratada mal.. Voc� n�o consegue perdoar as falhas dos outros, se algu�m faz uma pequena coisa para ti, voc� espera at� poder jogar na cara da pessoa, e porque ajuda, para cobrar depois. Voc� espera muito das pessoas, e se n�o s�o como quer. J� n�o prestam, como a sua fam�lia. Voc� acha, que viemos aqui s� por interesse, eu n�o nego, nunca fui uma boa m�e, mas voc� tamb�m nunca foi f�cil, sempre querendo que eu fosse uma m�e perfeita, eu sempre te amei, do meu jeito.

 S� que, voc� nunca quis me conhecer, s� meus defeitos. Fica com sua bela casa, seu dinheiro, e sozinha. Vou rezar por voc�, filha. E quando precisar de sua m�e, eu estarei de bra�os abertos te esperando. Desculpa ter vindo te incomodar, quer�amos apenas te dar nosso carinho nesse momento, seu irm�o chorou muito, quando contei. Se cuida, e n�o desista de sua vida, voc� nunca foi de desistir de nada.  E essa doen�a � como uma bola, que qualquer pessoa daria por perdida, mas voc� nunca desistiu de nenhuma, por isto se tornou uma campe�. Vamos embora, F�bio.

- Desculpa mana, a m�e j� disse tudo, isso � s� um 1� set ruim, que voc� vai  reverter no final. Tchau.

- Mas eu sempre tenho uma parceira para me ajudar, ela pensou. Enquanto via eles  indo embora. Come�ou a pensar nas palavras de sua m�e.  Ainda n�o estava pronta para dar raz�o a sua m�e.

Ludmila estava diante de seu notebook, tentando come�ar seu livro. Um bloqueio criativo,  a acompanhava a  meses.  Sempre foi t�o f�cil escrever, as palavras flu�am com tanta facilidade, e agora  parece que nunca fiz isto antes. Quando ia desligar o computador,  viu que chegou um e-mail para ela, n�o conhecia o endere�o, mesmo assim abriu.

E-mail

Oi,  Ludmila

Estava aqui, pensando o que eu poderia te dar, para que nunca esque�a de mim, mas ainda n�o sei, parece que n�o tenho nada para dar em agradecimento.. A �nica coisa que valeu a pena, neste dia ruim foi conhec�-la. 

Beijo,

Jackeline

 

- Eu n�o estou acreditando que ela ainda est� pensando no que me dar, se eu pudesse olhar novamente para seus  lindos olhos azuis, eu com certeza nunca mais esqueceria de voc�. N�o posso dizer isso a ela.

Oi, Jackeline

Sei que voc� vai saber como me agradecer, me surpreenda, sei que � capaz disso. (eu nem a conhe�o, como posso achar isso, pensou). Fico feliz, por ter sido algo bom, nesse dia ruim.  Adorei te conhecer!

Beijos e fique bem!

Ludmila

 

E assim acabou o dia. Ludmila foi dormir pensando em Jackeline,  tirando o fato de estar estranhamente atra�da por ela, talvez por causa de sua tristeza. O que ser� que a deixou t�o triste, era uma tristeza profunda, seus olhos perdidos no vazio, foi o que mais lhe chamou aten��o. N�o vou pensar mais nisto, porque vou acabar perdendo o sono. Jack ainda n�o estava dormindo, ouvia Isabella Taviani no seu mp3, pensando que daqui a 6 meses n�o estaria mais aqui.

Continua....

 

   Parte3  

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