Seis Meses Para Amar

Ravena

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2008

 

Capitulo 1

 

- Meus editores, querem que eu escreva um romance mais realista, me chamo Ludmila Gomes, sou uma romancista, de 33 anos, loira, 1,64 de altura e olhos verdes e nunca escreveu um romance para ser contado, at� agora escrevi para agradar as pessoas, est� na hora de mudar isto.

- N�o vai ter outro jeito vou ter que me apaixonar, isso � f�cil, eu me apaixonar e n�o ser correspondida, como das outras vezes, at� parece que tive muitos amores, talvez pelo meu jeito, n�o tenha conseguido fazer ningu�m ficar ao meu lado por muito tempo,  cada vez mais, penso que eu nasci para ser sozinha, talvez a solid�o me caia bem, quando as almas g�meas foram divididas, eu estou desconfiada que a minha correu de mim, sem olhar para tr�s... At� hoje, ela n�o me encontrou.

- Quem sabe hoje? E se eu rezar, um pouquinho, para que santo? Vou tentar o Santo Ant�nio, dizem que � o Santo Casamenteiro, vou me ajoelhar para ficar mais convincente, que sala suja, nem sei quando dei uma boa limpada nesta casa, nunca, para isso eu pago aquela faxineira, to vendo que ela n�o faz um bom trabalho, ou ser� que sou muito porca? Quem sabe, ah! N�o importa agora, tenho que falar com o santinho.

- Faz tanto tempo que n�o rezo, n�o gosto de ficar enchendo o pessoal l� de cima. Hoje eu estou precisando pedir uma ajudinha, como est�o notando eu falo sozinha, j� que o H�rcules n�o fala comigo, � meu cachorro, agora ele est� dormindo t�o bonitinho, bom ele � um SRD, vulgarmente chamado de vira-lata.

-Vamos l�, Santo Ant�nio eu to aqui de joelho, pedindo que o senhor fa�a uma pessoa se apaixonar loucamente por mim, rsss Caramba, n�o � assim que deve ser o pedido. Acho que o H�rcules faria melhor que isso.

- vou tentar outra vez. J� concentrada, que merda de campainha! N�o vou atender. Voltou a se concentrar e de novo a campainha tocou, que saco! Bem que, voc� podia atender, fica a�, feito um bobo balan�ando o rabo e latindo feito louco. Nunca vi um louco latindo, porque da compara��o, acho que eu que estou enlouquecendo.

- Sai da�, H�rcules, me deixa  abrir a porta. � claro que ele n�o vai sair, n�o faz nada que eu mando, sou uma dona sem autoridade.

- Ludmila abre logo esta maldita porta! Ouviu a voz de sua amiga do outro lado...

- para de falar sozinha,  estamos nos molhando.

- Entrem amigas, eu estava tentando rezar. Eu n�o notei que estava chovendo.

-Est� e muito, disse as amigas tentando se secarem. H�rcules fazia a festa com elas.

- Meninas, algu�m tem que se apaixonar por mim em 6 meses � o tempo que me deram para escrever meu novo romance e esse tem que ser bem v�vido. Vamos meninas, n�o me olhem assim n�o fiquei louca de vez, � que o pessoal da editora, est� come�ando a me pressionar, tenho que escrever alguma coisa, que valha a pena, voc�s tem que concordar comigo, eu ainda n�o escrevi � o livro �, aquele que ficar� na mem�ria das pessoas para sempre.

- � amiga voc�, s� escreveu porcaria, que lhe renderam muito dinheiro, � reconhecida, ent�o n�o me venha dizer que voc� nunca escreveu nada importante. Voc� n�o se valoriza, eu acho voc� muito boa, disse sua amiga Let�cia era a mais velha das duas estava com 37 anos, atualmente estava morena, seus cabelos  esta na altura dos ombros, � t�o liso que n�o para, nem  grampo, mede 1,74 de altura, era a maior delas tamb�m...  Foi casada 3 vezes, e atualmente estava a procura do 4 marido. Ela gostava de estar casada, mas quando o marido come�a a ench�-la manda eles embora, Let�cia � uma mulher independente, tem seu pr�prio neg�cio, sua tristeza maior foi de nunca ter gerado um filho, era est�ril. Para compensar isto cuidava muito  dos filhos da Karina que acabou tendo 4 filhos e o 5 estava na barriga. E ao contr�rio de Let�cia ela n�o nasceu para ser m�e. N�o que ela n�o cuidasse das crian�as, mas n�o dava o amor que elas precisavam, ela se casou cedo, e acabou se tornando apenas dona de casa. Seu marido era um alto executivo de uma empresa multinacional, viviam muito bem. No fundo ela queria ter tido uma carreira como suas amigas, e  de certa forma culpava as crian�as, por n�o ter feito o que queria, Kak�, como elas a chamavam, estava com 35 anos, tamb�m era morena, media 1,60  de altura, e seus olhos eram castanho escuro, a gravidez a deixava muito bonita. Dizia suas amigas e comadres tamb�m.

- Lud, a Let tem raz�o, voc� � muito boa. Voc� tem livros publicados em outros pa�ses. Todas as vezes que tem que parar para escrever um livro, voc� come�a com isto, e no fim acaba sendo melhor que o anterior.

- Meninas, agora � diferente. Eu sou competente no que fa�o, mesmo n�o tendo vivido meus romances, apenas criado de minha incr�vel imagina��o, rss. N�o sou idiota, todos os meus livros me deram sim, reconhecimento e dinheiro. E acho que isso me d� o direito de escrever o meu livro pessoal e n�o para agradar a todos, j� fiz muito disso, para vender livros.

 

Jackeline olhava para todos os objetos daquele consult�rio, j� sabia onde ficava cada coisa. H� quatro meses estava se tratando com a Dra. Alessandra, foi diagnosticado que ela tinha um c�ncer rar�ssimo, e desde ent�o vem fazendo todos os tratamentos poss�veis, Alessandra era sua amiga desde crian�a, e isto estava sendo dif�cil para ambas.

- Fala Ale! Vai querer que eu morra antes do tempo, rss. Estava com medo, porque sua amiga, n�o conseguia olhar para ela.

- Jack, eu sinto muito, eu n�o consegui, as l�grimas de sua m�dica e melhor amiga come�ou a descer pelo seu rosto. Eu n�o posso aceitar isso, n�o � justo.

- Quanto tempo eu tenho?

- Seis meses. Vamos continuar com as sess�es de quimio diariamente, vamos conseguir, nesses seis meses eu vou te curar.

- Ale, n�o quero mais, a quimio esta acabando ainda mais comigo, e sabemos que n�o tem mais jeito para mim, eu vou morrer. Quero viver o que me resta de vida, sem ter que me sentir mal. Essa � a minha decis�o. N�o fique triste voc� fez  o que pode, mas meu corpo n�o reagiu a nenhum dos tratamentos, ou seja, est� chegando h� minha hora.

A m�dica n�o parava de chorar, e ela, por�m n�o derrubou uma l�grima. Amiga, eu j� vou, preciso ficar sozinha. Ela era uma morena de quase um 1,80 de altura,  estava muito magra,  seus cabelos longos e pretos n�o tinham ca�do, seus olhos azuis apesar de tudo pelo qual estava passando, n�o perdia o brilho misterioso, que encantava as pessoas.

Jack saiu do hospital e come�ou a andar sem um rumo certo, apenas queria andar, sua vida come�ou a passar em sua mente como um trem em alta velocidade.

Lembran�as de sua inf�ncia, de sua av�, eram as que mais passava naquele momento, suas conquistas como esportista. Ela tinha sido umas das melhores jogadoras do mundo, junto com algumas parceiras, sempre foi muito exigente, queria sempre mais da dupla, algumas n�o ag�entavam o ritmo que ela queria e acabavam desfazendo a dupla, junto com Ta�ssa ganhou a maioria dos circuitos mundiais e ganhou por duas vezes a sonhada medalha de ouro ol�mpica, sua forma f�sica, sempre foi de fazer inveja a todas as outras jogadoras.

Ganhou muito dinheiro, n�o s� com o v�lei de praia, mas tamb�m com a publicidade, saiu na capa das mais famosas revistas e jornais, fez diversos comerciais, recebeu uma oferta milion�ria para posar para playboy, que obviamente recusou, ela n�o tinha problema algum em tirar a roupa, era uma esportista, e tinha uma legi�o de f�s mirins, e n�o queria manchar a imagem que tinha com as crian�as e com os adultos, era respeitada e admirada por todos e n�o precisava desse tipo de publicidade.

Sempre deu prioridade para seu trabalho e pouco se sabe de sua vida particular, sempre preservou esse lado, a verdade que viveu sempre sozinha, era de sua casa para os treinos, academia, seus compromissos publicit�rios e viagens para jogar.

Poucas pessoas sabiam de sua doen�a, n�o queria que a imprensa soubesse porque iriam a atormentar tanto, que ficaria mais doente, apenas sabiam que ela estava se recuperando de uma cirurgia no joelho, que realmente aconteceu, ao fazer os enxames para operar acabou descobrindo que estava muito doente.

Ainda caminhando, as l�grimas come�aram a escorrer por seu rosto, as pessoas olhavam para ela, mas n�o a paravam para conversar, ou pedir um aut�grafo,era uma mulher intimidante, muitas vezes se passava por arrogante, e metida, at� gostava disso, assim n�o enchiam muito a sua paci�ncia.

- Uma das coisas que Lud gostava era de ir ao cinema, gostava de ir sozinha e no meio da semana, que n�o tinha muita gente. De certa forma os filmes de amor a inspirava, a escrever, os personagens dos filmes, eram sempre par�metro para construir os personagens de seus livros. Logo depois que suas amigas foram embora, ela decidiu ir para o cinema, chegando l�,  ele estava com ela gostava quase vazio, tinha alguns casais de adolescentes, descobrindo os prazeres do amor, o filme mesmo n�o iriam ver, tinha algumas pessoas que dormiam. Sentou-se nas poltronas do meio, onde podia ver o filme tranq�ilamente, hoje iria assistir P.S. Eu te amo.

No meio do filme chegou uma mulher e sentou-se a 4 poltronas antes da dela. N�o pode deixar de notar, que a mulher n�o tinha olhado para a tela, nenhuma vez. Achou estranho, n�o tinha jeito de ser cega, n�o tinha bengala e nem cachorro guia, ent�o descartou essa possibilidade.

 Seu corpo estava ali, e seus pensamentos bem longe, a mulher estava t�o triste, qualquer um podia ver, sentiu vontade de falar com ela. Mas engoliu ao notar  uma l�grima escorrendo pelo seu rosto dela. O que ser� que aconteceu com essa mo�a? Perguntava-se a todo o momento, que at� esqueceu do filme, a mulher nem reparava que ela a olhava, Lud n�o se interessava por esporte, ent�o n�o sabia quem aquela mulher era.

N�o ag�entou ver tanta tristeza, e resolveu se aproximar.

- Desculpa te incomodar, mas eu estava olhando para voc�.

- Olha!  Desculpe-me, mas n�o to a fim de dar aut�grafo agora.

- N�o, n�o quero o seu aut�grafo, para ser sincera n�o sei porque pediria um aut�grafo para voc�, se eu n�o te conhe�o. Eu queria te dar isso, est� limpinho, Lud deu o  seu len�o � ela, � para secar suas l�grimas.

- 0brigada.

- Ela n�o fez como todo mundo que  assoa o nariz, e deixa a dona do len�o com nojo, apenas passou o len�o delicadamente pelos seus olhos e nariz. Era uma mulher elegante, e educada. Agora um certo desconforto come�ou a aparecer em si mesma, n�o sabia se continuava ali sentada ao lado da mulher extremamente triste, ou se voltava para sua poltrona, porque a morena continuava perdida em seus pensamentos. Se voltasse pro lugar, com certeza ela n�o notaria.

Sem dizer que n�o estava a fim de conversar. Eu j� tinha perdido uma boa parte do filme, teria que voltar para ver novamente, n�o gostava de perder nada, e ainda mais quando o filme � bom. Depois de pensar um pouco, achou melhor voltar para o seu lugar, n�o desejava perturb�-la ainda mais,  que nem sequer a olhou, apenas pegou o len�o e limpou-se e o segurou bem forte em sua m�o, esquerda. Notou que n�o havia nenhuma alian�a em sua m�o, apenas um anel no ded�o. Ela  tinha umas m�os lindas, grandes e delicadas ao mesmo tempo.

J� se levantando, sentiu a m�o dela em seu bra�o. Sentiu seu corpo todo arrepiar, em seus 33 anos nunca tinha sentido algo parecido. E enquanto olhava para seu bra�o, a mulher olhava para ela, e num ritmo de c�mera-lenta, ela foi descendo o olhar  at� que encontrou aquele par de olhos azuis muito triste, mesmo assim n�o tirava a beleza deles, j� tinha viajado o mundo, visto e falado com tantas pessoas em sua vida, mas nunca tinha visto olhos t�o lindos, que tentava esconder a fragilidade de sua dona, intimidando outros olhos. E foi o que aconteceu com os seus ficaram t�midos de tal maneira, que quis fugir daquele olhar e encontrou o filme novamente, mas teve que voltar a encar�-la, porque pela primeira vez ouviu a voz da morena.

-Fica, por favor!

- Ela pediu com tanta sinceridade, que acreditou. Queria mesmo que ela ficasse ao seu lado. Ent�o ficou ali at� o final do filme.

Continua...

 

 Parte2  

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