Amor Pecador

Anastacia

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Cap�tulo 5

Est� declarada a guerra.

No jardim, escondida da alameda por um farto arbusto de hort�nsias, Rosa deixava-se levar no carrossel da ins�nia, famoso por tanto afligir os apaixonados. Sentada numa pequena murada ao centro, que servia de canteiro �s brom�lias e cris�ntemos, a mo�a respirava o ar frio da noite, que sentia cair como fina neblina. A toda hora, a verdade do pecado visitava-lhe a mente, e a consci�ncia do nada poder fazer ateava a culpa, h� muito, dona de sua paz e de seu sono.As lembran�as ainda vivas, n�tidas tal qual divisadas por um toque repetiam-se no doce rememorar daqueles instantes de paix�o mas tamb�m de medo.Por conta disso, nesta manh�_ assim pensava ela_ fora � Igreja da Santa Virgem, depois de muito insistir ao pai, que a deixou ir acompanhada por dois capangas seus. E uma vez ouvida a missa, ajoelhada ante a janela de min�sculas brechas, pediu aos dois algozes para que se afastassem e, benzendo-se com o sinal da cruz, iniciou sua confiss�o. Foi com alguma alegria que ouvira a voz severa e grave de padre Ant�nio vinda do outro lado do confession�rio:

_ In nominu P�tris, et F�lli et Sp�ritus Sancti..._ A luz do dia a entrar pelas portas e a animar os santos dos vitrais, tamb�m dava brilho aos olhares das imagens, que mais pareciam a Rosa divinos inquisidores.Era como se todo o C�u a espiasse da igreja e assim, v�tima daquela coa��o superior, delatava-se por seus pensamentos.Na mente, lhe sobreveio como num estalo tudo o que ocorrera no dia de ontem, no encontro, e, tomada por um remorso_ �s vezes fiel �s vezes fingido_ entregou-se ao santo julgamento.

Naquela hora fatal, h�s duas da tarde, o convers�vel negro estacionou � sombra da amoreira e dele saiu o motorista, que abriu uma das portas para que Rosa entrasse. De feitio delicado e formal, o velho senhor fitou-a por toda a viagem, quase que com os olhos entristecidos, e por duas vezes iniciou di�logo sem que Rosa o respondesse devidamente. Isso porque, retorcendo nervosa, a al�a de sua bolsa, ela passou o tempo todo a divagar, com os olhos na paisagem fugaz das ruas. Quando chegaram � esplanada do "La Hacienda de Los Morales", um dos restaurantes mais requisitados_ sen�o o melhor_ de toda Cidade do M�xico, foi preciso o motorista tom�-la pelas m�os, que estavam frias, ou Rosa n�o deixaria o carro. Ainda na recep��o, o mesmo senhor respondeu pela reserva de sua patroa, para, logo em seguida, despedir-se da passageira no arco de entrada, de onde um gar�om a conduziria at� sua mesa.

Sobressaltada, Rosa inicia o di�logo de remiss�o:

_Perd�o..., padre , pois pequei ... mais nestes dois dias �ltimos... que em toda minha vida._sua voz vacilava em pequenas pausas, como se temesse mais que a penit�ncia que receberia._Faltei com o Pai gravemente!_ Mas j� era tarde. Tarde demais e sabia disso.

_Ao Senhor, nosso Deus, a miseric�rdia e o perd�o pertencem, pois nos rebelamos contra Ele. _ o padre citou essa passagem do livro de Daniel com alguma veem�ncia._N�o receies, minha filha._Rosa suspirou sem esperan�a, e as lembran�as a tomaram outra vez.

Atravessando um p�tio interno e depois um vasto sal�o, ela finalmente chegara ao espa�o principal de refei��es.Dividido em dois ambientes, o gosto colonial ali era marcante, com v�rios quadros de afrescos, lustres dourados a pender do teto de madeira_ que mais parecia com as v�rtebras de um imenso peixe_ al�m de um reduzido n�mero de mesas a denunciar exclusivismo. Almo�avam ali fam�lias, casais, al�m de executivos em seus ternos e pol�ticos servidos de comida e de assessores.O gar�om puxou a cadeira para que Rosa se sentasse e foi erguendo-se da sua que Diana recebeu aquela v�tima t�o adiada:

_Boa tarde, querida._cumprimentou-a com leve sorriso.E tomando-lhe a m�o direita, a qual apertara n�o mais que por alguns segundos, completou_ Voc� est� linda!

Rosa apenas sorriu nervosamente e julgando-se meio zonza assentou-se. O toque de Diana, a firmeza com que apanhara sua m�o, aquele calor que se acercara da gelidez de seus dedos fizeram com que a mo�a sentisse uma vertigem a percorrer por todo seu corpo.Vestida em um conjunto de tailleur e saia l�pis de l� vermelha, Diana observava a freirinha do irm�o notando-lhe divertida o menor gesto de fraqueza, pr�pria da timidez. E ciente da t�tica que empregaria naquele seu mais novo caso, tratou de criar uma atmosfera mais tranq�ila, ao mesmo tempo em que refor�aria la�os de intimidade. Assim principiou comentando sobre o restaurante, depois sobre o card�pio que escolhera e, por fim, fez um r�pido resumo sobre a compet�ncia do chef da casa, Heredia Resendiz. Rosa ouvia a tudo receosa de quando seria a sua vez de dizer alguma coisa. Diana, vendo isso, resvala uma das m�os na nuca sutilmente, fingindo um falso inc�modo, e Rosa, sem perceber, desprende-se de sua mudez por educa��o:

_O Hacienda � mesmo muito elegante._e j� consciente do seu impulso, pelo cintilo vivo nos olhos de Diana, continuou meio acanhada._Obrigada pelo convite e...pelos presentes._ Rosa teve as faces coradas de um pejo pudico; a sensa��o era a de que enquanto falava, aquele olhar hipn�tico a apalpasse toda_ A��....� a primeira vez que venho a um lugar assim..., obrigada.

_Deixe disso, querida._ Diana respondeu sorrindo maliciosa._Outras mais eu lhe darei de presente._Antes que Rosa pudesse sentir a falta de ar que essa insinua��o certamente lhe causaria, chegaram os gar�ons com as entradas e o maitre, para degusta��o do vinho.

Rosa, tornando a realidade, suspirou sentindo o peito estreitar-se.O olhar perdeu-se no c�u quase sem estrelas: mal enxergava a lua sumida entre nuvens, nem saberia dizer_ tamanha a sua desaten��o_ para que canto do c�u de fato mirava. Queria mais era encontrar aquele mesmo tom de azul que parecia n�o haver em nenhum outro lugar...Ent�o soprou uma rajada de vento mais forte,o mesmo seu conhecido daquela noite tr�gica, a lhe p�r em desalinho os cabelos no rosto e a querer tamb�m lhe inflar a camisola branca.Dessa vez, por�m, Rosa n�o teve a cortesia de sorrir; apenas passou as sobras da roupa para debaixo das pernas e, escutando apenas o sil�ncio da noite, retornou �s recorda��es da manh�:

_� mais forte do que eu, padre._l�grimas escorriam por seu rosto e a voz tr�mula pela emo��o saia-lhe a golfadas._N�o sei se suporto por mais tempo..._o sacerdote ouvindo isso, quase abre a portinhola da janela, mas acabou por co�ar o alto calvo da cabe�a. Ele olhou em v�o para as m�os, esfregando-as, e ainda arrumou uma quina da batina que usara na missa. Durante a celebra��o, ali�s, vira quando a menina permaneceu em seu assento e n�o fora comungar.

_A vida do crist�o � a imita��o do que fez Cristo entre n�s._padre Ant�nio tentava ser o mais terno poss�vel, mas n�o p�de diminuir a dureza de suas palavras._ Nada estar� acima de tua f� ou, aos olhos do Alt�ssimo, n�o ser�s merecedora de seu Reino._e aparando o suor da testa com um len�o, pois o seu pequeno ventilador estava quebrado, terminou o serm�o._ Lembra-te da tenta��o a que sofreu Jesus no deserto, filha. Lembra-te do medo que Ele sentiu pr�ximo a hora da morte. Ele venceu a toda prova��o mesmo sendo feito de carne como todo homem._ Mas o maior de meus pecados n�o fora dito ainda, pensava a mo�a sufocada em sua culpa, e assim voltou ao espa�o da mem�ria.

O almo�o transcorreu sem mais interrup��es, para o desespero dela, que por v�rias vezes ficou sem saber o que fazer com os olhos ou com as m�os. Diana, entretanto, saboreava cada garfada, cada gole de vinho, como se assim, de alguma maneira, tamb�m devorasse e sorvesse a menina. J� ap�s o prato principal, houve um momento em que, por h�bito apenas, Rosa erguera a vista do prato e assistira aos l�bios de Diana_ que tanto pareciam ser macios_ deslizarem pelo garfo como a acarici�-lo. Rosa assim tivera a impress�o e, nesse curto passar de tempo, imaginou aquela boca sobre si, tal qual como quando o pai possu�ra Regina.O pudor, por�m, sobreveio-lhe de imediato na mente, e ela, receosa de que talvez Diana suspeitasse dessa sua falta, tomou de dois tragos toda o vinho de sua ta�a. Mas � l�gico que isso tamb�m n�o passaria despercebido pela cunhada, que de prop�sito demorara-se de um mil�simo a mais naquele deleite.

Ali�s, se n�o existissem outros neg�cios a tratar naquela tarde, Diana teria conseguido com que passassem mais tempo juntas. Sentiu-se at� tentada em cancelar o resto dos compromissos do dia, mas n�o o fez por uma raz�o que lhe pareceu �bvia: se quisesse que a cunhadinha perdesse a "inf�ncia" ,como assim dissera Edmund, teria de deix�-la participar tamb�m do jogo. Era preciso incutir, naquela presa, instintos de fera para que aprendesse os ardis da sedu��o e ent�o, aliado isso ao seu esp�rito meigo e submisso, a tornaria enfim na esposa perfeita ao desejo do irm�o.N�o investiria diretamente sobre Rosa: lhe daria tempo, ateando a chama da vol�pia em seu cora��o at� deix�-la cega pela febre do desejo, como a sucuri que aguarda a ing�nua cutia matar a sede no leito do rio.

As duas, assim, passadas as apresenta��es, conversaram at� que animadamente, salvo as diversas vezes em que Rosa_ sempre ela_ fingia uma tosse infinita ou uma concentra��o inviol�vel na azeitona que comesse.Vindo a sobremesa e ap�s Diana dizer que, por tr�s vezes na semana, Juan Diego se ausentaria em viagens_ por tanto, oportunidades n�o lhes faltariam para que sa�ssem juntas_ o rumo da conversa passou a car�ter mais espec�fico: o que Rosa teria vontade de fazer nesses momentos de, digamos, lazer. Apesar do tema t�o sugestivo, Diana, que era quem puxava assunto, encontrava sempre um meio disfar�ado de sondar as informa��es da mo�a, sem deixar de tamb�m falar um pouco sobre si e, assim, refor�ar uma primeira intimidade. Rosa j� agia quase que naturalmente, uma vez ou outra se pegando em tagarelices, quando, talvez pelo doce agrad�vel dos "huevos reales" e dos "hilados" a�ucarados, indagou:

_Quando o senhor meu noivo vir�?_Diana n�o compreendeu bem o que se passou dentro de si_ uma surpresa _ nessa hora t�o �mpar. Enquanto falava de mais uma experi�ncia sua, desta vez, em Cuba; Rosa a interpelara com a lembran�a do irm�o.Como p�de pensar nesse... comigo aqui? A verdade foi que lhe pareceu ser substitu�da, posta em escala menor diante do amante oficial, mas a isso n�o dedicou o menor cr�dito. Convencida de que apenas estranhara essa indelicada interrup��o, apaziguou-se respondendo com um sorriso.

_Em breve._ e chamando o gar�om para pagar a conta, prosseguiu meio contrariada._Mas antes prefere que nos conhe�amos melhor._Diana sabia muito bem quando o irm�o viria e a hora estava cada vez mais pr�xima. Bastava concluir aquela sua distra��o e tamb�m alguns de seus interesses comerciais no pa�s, para Edmund vir tomar a mulher, e ela voltar � chefia da m�fia em Chicago.

Sa�ram do restaurante lado a lado.Rosa notou os olhares curiosos que alguns pousaram nelas e imaginou que estariam reparando em Diana, o que a inflamou por dentro como se lhe cutucassem uma ferida. Pegou-se de ci�mes da cunhada, sem sentir vergonha desse novo sentimento, pelo menos, at� que chegassem � entrada, quando Diana atendera ao celular. Rosa notou-se rid�cula perto dessa mulher exuberante, t�o moderna e ocupada em compromissos, t�o orgulhosa e fina quanto se podia ser algu�m de sua classe. Desejou parecer ao menos um pouco com ela, para que talvez tamb�m lhe reparassem ou quem sabe_ crente em j� pedir demais _que a pr�pria Diana a visse mais do que como noiva do irm�o.Logo, por�m, desabara em culpa por tal pensamento.Seu pai jamais permitiria uma coisa dessas e, al�m do qu�, como seria isso sendo elas duas mulheres?Se o amor s� nasce entre um homem e uma mulher? Talvez fosse apenas uma confus�o, por t�o pouco conhecer do mundo e, tentando confiar-se nisso, Rosa entrou no convers�vel negro.

Diana conversava ao telefone sem que se pudesse saber do teor real de seus assuntos ou, ao menos, com quem tratava, pois usava de c�digos o tempo todo. Rosa, sentada quase a colar-se na porta do carro_ se n�o fosse por suas costas_ parecia querer ocupar o m�nimo de espa�o poss�vel, e assim deixava um vazio consider�vel entre ela e Diana. Por boa parte do percurso, lutou contra uma d�vida que, ao mesmo tempo em que alimentava punha � ru�na: estaria Diana interessada nela ou tudo n�o passava de mera confus�o sua? Queria que fosse verdade, que aquela mulher t�o poderosa e t�o linda estivesse a cobi��-la, mas t�o logo pensava assim, lembrava-se de quem era e do que n�o havia como existir entre as duas. Contudo, como desejava algo que n�o existia? Se n�o era poss�vel que tal afei��o se realizasse, como isso encontrou larga morada em seu cora��o e logo nela que por tanto tempo vivera apartada do pecado?

Reproduzindo esses questionamentos, Rosa esperava n�o mais olhar nas faces do padre, tamanho j� era seu embara�o:

_N�o te esque�a, filha, que a maior raiva do Mal � saber que para Deus est�o os melhores servos._ padre Ant�nio assim dizia, lembrando-se da imagem da menina com seus treze anos, t�o ruidosa e feliz entre as freiras no convento.N�o permitiria que uma mo�a t�o boa se perdesse dessa maneira._Afasta-te dessa ovelha enegrecida e apega-te em Cristo, filha! A tua d�vida � arte infernal, que s� te lan�ar� ao v�cio pernicioso e te far� imunda aos olhos do Pai, que a tudo v�._e ouvindo um pranto meio contido a vir da janela, continuou com a voz mais branda._Pois assim est� escrito,que a mulher foi feita da costela do homem para que o pudesse acompanhar.Se acaso tal pervers�o fosse poss�vel, um casal de iguais, Deus teria deixado os homens entre os homens, sem necessidade de criar a mulher._ao inv�s de confortar-se com o que dizia o padre, Rosa apenas confirmou a abomina��o daquela sua paix�o profana.

Devia ser quase quatro da tarde, pois os ventos arrancavam algumas folhas da copa das �rvores e o sol j� se mostrava morno entre as sombras.O motorista parou outra vez em frente ao port�o e desceu do carro a fim de abrir a porta para que Rosa sa�sse.Ela mal se ag�entava na �nsia de correr dali e refugiar-se em seu quarto onde passaria, se preciso fosse, at� a hora do jantar rezando. Nesse curto intervalo, por�m, houve tempo de Diana concluir sua liga��o e, pondo o celular na bolsa de verniz, concentrar-se inteiramente em Rosa. Notou quando a menina seguiu o vulto do chofer a contornar o carro e de como ela nem sequer lhe dedicaria um adeus com os olhos, quando partisse. Rosa tinha o cora��o a saltar pela boca, uma c�imbra a enfraquecer seus joelhos e j� ganhava impulso com a porta a se abrir, quando Diana a chamou dizendo:

_Rosa, espere!_ e chegando-se at� ela num movimento r�pido, quase a colar seus corpos um no outro_ At� s�bado._ Diana curvou-se para beij�-la bem pr�ximo � boca, voltando-lhe o rosto com apenas um leve toque em seu queixo.

Rosa estremeceu ao sentir o corpo de Diana junto ao seu.Viu quando aquelas pernas cingiram nas suas e sentiu-se inebriada por aquele perfume feiticeiro a tomar-lhe por dentro.A ponta dos dedos t�o firmes, t�o seguros de Diana, a conduzirem sua cabe�a sem o menor esfor�o, sem que pudesse oferecer a menor resist�ncia.E ainda aquele h�lito ardente, a amornar-lhe as faces, como um bafejo de desejo que a fez contrair metade do corpo em �xtase. Mas t�o brusco fora esse seu reflexo, que Rosa, sentindo uma aguda dor nas costas, obedeceu ao instinto de mover de um lado a cabe�a. Quis o destino que por conta de tal a��o, seus l�bios se encontrassem com os de Diana em um beijo r�pido, quase de susto. Rosa sentiu um calafrio a revirar-lhe o est�mago, um bols�o de ar a retesar-se no meio do peito e s� o que p�de foi admirar Diana, com os c�lios baixos, a tamb�m lhe mirar a boca.E antes que Rosa falasse qualquer coisa, antes que se lembrasse de Deus ou de algum santo, Diana segurou-lhe a cabe�a, com a m�o em sua nuca, e a beijou de fato, respondendo � gula que a atormentava h� tempos.

Foi um beijo intenso, apesar de fugaz, pois t�o logo o motorista abrira a porta, Rosa escapou deixando Diana visivelmente insatisfeita. Ela ainda levou uma das m�os at� a fugitiva, mas tudo o que conseguira foi aparar o nada e, vendo-a correr pela alameda, sorriu com o seu gosto ainda na boca.O chofer n�o p�de deixar de reparar naquele olhar melanc�lico, na decep��o com que a patroa fitava Rosa distanciar-se cada vez mais.Era estranha aquela sua atitude. Nunca vira Diana importar-se tanto assim com ningu�m, ainda mais com uma amante_ pelo menos, n�o nesses quase nove anos que servia aos Lancaster.Quis provar a si mesmo que n�o se enganava_ tentou fechar a porta do carro_ e para a sua surpresa, ela o impedira pondo uma m�o para fora: s� sa�ram dali depois que Rosa entrou em casa.

Como poderia esquecer da sensa��o que fora os l�bios de Diana nos seus, da l�ngua quente a invadir-lhe a boca, de seu l�bio inferior mordiscado em despedida? Como evitar outra vez aquele gozo gigantesco a abater-se nela a ponto de p�-la em p�nico?Rosa contraiu o rosto num sorriso e, fechando os olhos doloridos de ins�nia, passou os dedos na boca, como se assim reproduzisse aquele instante t�o prazeroso.Mas ent�o os olhos reprovadores de padre Ant�nio lhe vieram desvanecer esse encanto e, depois de ouvir a voz dele a ditar sua penit�ncia, agitou nervosamente a cabe�a e se p�s de p�.Sabia que n�o poderia permanecer nessa indecis�o, que era preciso escolher um lado e este j� o fora hoje mesmo.Lutaria usando de toda sua f� para que n�o se afastasse de Deus Nosso Senhor e, rememorando as ora��es que rezara por todo aquele dia, pensou em voz alta:

_Flagelo meu cora��o..., mas salvo minha alma!_mas quando terminava de dizer-se isso, um ru�do de passos cortou o sil�ncio da noite. Rosa exaltou-se sentindo as pernas lhe faltarem, pois o barulho aumentava cada vez mais.Ah, meu Deus, algu�m vem vindo e � na minha dire��o! N�o podia ser vista no jardim �quela hora, fugida de seu quarto, ou sabe l� qual castigo lhe seria dado, caso o pai soubesse.

Atormentada por tal amea�a, Rosa ainda pensou em fugir, mas usando de uma �ltima a��o, agachou-se por tr�s da frondosa cerca de hort�nsias. Foi o que pudera fazer, pois t�o logo se escondera ali, o medo dominou-lhe o corpo, numa paralisia a gelar-lhe os ossos. De repente, uma voz sussurrante, entremeada de um riso sard�nico, assomou do alto daquele arbusto onde se abrigara:

_Onde voc� est�, h�?_Juan Diego arrastava a voz quase como uma serpente e bem � frente de Rosa. Bastava que ele desse a volta no arbusto, para encontrar a filha em pleno delito._Vamos, apare�a! N�o me fa�a ir a� te arrastar pelos cabelos!_Rosa implorava a Deus para que o pai n�o a descobrisse, para que fosse embora, mas ele, por mais que ela rezasse, permanecia no mesmo lugar.O que fazer? Aquilo mais parecia um castigo por todas as suas faltas_ remoia a mo�a, amargurada e nervosa ao mesmo tempo.

Sem obter resposta, Juan Diego decidiu atravessar para o outro lado, a passos largos, bufando cego de c�lera. Rosa p�de ouvir ainda_ para seu terror_ quando o pai desafivelou o cinto e o arrancara de um s� pux�o do c�s da cal�a:

_Se � assim que quer, ent�o � assim que vai ser!

 

Recado pra quem chegou at� aqui:

Reconhe�o que nessa altura do campeonato voc� queira ir at� o final...

� aquela velha hist�ria: j� botaram no fogo, agora deixa queimar!

Mas eu te avisei, bem umas 10 vezes, que ler isso era a maior furada. Ent�o, me tira dessa, certo?

 

    Parte6 

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