Amor Pecador

Anastacia M.P.

 

Eu sou Anastacia M.P. e digo oi, mas....

Vou logo avisando que esta � uma hist�ria que envolve a guerra entre dois assuntos que s�o antag�nicos, diga-se de passagem, beirando a inimigos: a conservadora f� cat�lica e o celebrado amor entre duas mulheres _que ir�o lembrar Xena e Gabrielle de alguma maneira, ou esta hist�ria n�o estaria aqui.

Ent�o l� vai:

Se voc� passa mal s� de lembrar G�neses, se voc� n�o suporta esse tipo de coisa por feder a preconceito, ou, se voc� prefere ignorar religi�o na tua vida, volte e escolha outra hist�ria. � isso a�! N�o saberei dessa sua descortesia, e, por tanto, nem se sinta culpado por fazer o que te rogo. Garanto que l� tem outra que te agradar�, seja at� melhor que esta, e que n�o fale sobre esse tema t�o delicadamente inc�modo para sua pessoa.Ent�o, volte!

Agora para os religiosos: em nenhum momento, apesar do tema, estou dizendo qual f� � a certa ou ainda, espetando o que est� na B�blia ou o que o Sant�ssimo Padre afirma em suas Bulas. A quest�o � que eu achei que o catolicismo tem mais lenha pra queimar, simples assim. Isto � apenas um romance, sem valor hist�rico e , espero eu, sem leitores.Se estiver injuriado, volte!

E eu j� estava me esquecendo:

Se voc� � menor de 18 anos, n�o leia! Se teus pais te encrencam te pegando lendo isso, n�o leia!Se voc� ainda pensa que isso n�o � do teu agrado e...., n�o leia!V� ver desenho ou, se j� for tarde, v� dormir! Pois eu e, possivelmente, a pessoa que mant�m este site, n�o nos responsabilizamos se voc�, de repente, ler e ficar traumatizado ou ser pego lendo e perder sua mesada. Veja se n�o sofrer� nada lendo isso, certo?At� porque n�o vai valer a pena...vai por mim, que conselho bom � o de gra�a.

Vale ainda lembrar que, em momento algum, pretendo descumprir regras de copy right internacionais em rela��o �s personagens citadas acima, conhecid�ssimas em uma s�rie de TV. Essas personagens pertencem a USA Studios/Renaissance Pictures. J� as personagens que aparecem no texto t�m v�rias semelhan�as com elas, ficando apenas nisso, pois s�o cria��o minha, a autora, que as det�m sob regras de direitos autorais.

 

 

Para voc� que ainda l� isto, devo avisar que esta � a minha primeira fic, e, ningu�m, nunca me disse que sou boa com letras. Pra ser franca, se eu ler isso de novo, j� vai ser milagre!

Mas se voc� realmente n�o tem mais nada pra fazer, ent�o n�o me resta muito:

Vamos ao que interessa...

 

Cap�tulo 1

O triste destino.

 

Rosa Maria Garcia Bratcho, nasceu no M�xico e, na data desta hist�ria, tem dezoito anos e alguns meses.Seu pai, o rico Juan Diego Bratcho, � dono de uma famosa f�brica de vidrarias, jogos de copo e prato, e afins. Rosa ainda era um beb� de duas semanas, quando a m�e n�o resistiu a uma infec��o p�s-parto, e faleceu, deixando a menina � merc� de um homem violento e frio como sempre fora Juan Diego.Desse modo, n�o era de se esperar que Rosa Maria tenha sido uma crian�a calada, quieta e carregada de uma tristeza profunda.Criada pelas empregadas desde sempre, o pai fazia de tudo para nem sequer olh�-la.A culpava pela morte da m�e, que, para ele, virou santa. Foi por essa raz�o que contou os dias que teria ainda de aturar a presen�a da menina. Foi Rosa mal soprar as treze velas, para de um salto livrar-se dela, internando-a num convento de freiras, onde de l�, se ele tivesse sorte, ela s� sairia fria e tesa num caix�o.

Rosa sofrera muito com a rejei��o do pai, mas, mais ainda, pela solid�o que foi toda sua inf�ncia. N�o sabia, mas n�o era s� de vidro que o pai vivia. Ele s� faltou usar arame farpado para que ningu�m se aproximasse dela seja no col�gio ou em qualquer outro lugar. Rosa, �s vezes, indagava-se o porqu� daquele zelo todo.Iludia-se imaginando ser essa atitude cruel do pai uma manifesta��o de ci�me, mas, na maioria das vezes, chorava por n�o ter nenhum amigo com quem conversar.Al�m do que, Rosa n�o sa�a para canto nenhum, fora o col�gio, se n�o fosse com o pai do lado, e, como j� foi dito que ele n�o a suportava, Rosa quase nunca passeara.Da� n�o se assustem quando eu digo que a interna��o dela num convento soou-lhe como uma t�bua de salva��o, mesmo ela sendo uma garotinha de treze anos.

L�, ela fizera amiga, encontrou o conforto que n�o tivera dos pais e p�de, por gra�a, resgatar a sua ess�ncia de uma menina sorridente, tagarela e sonhadora. Rosa,praticamente,esqueceu o que havia deixado do lado de fora do Convento de Santa Maria, passando a ser esse lugar o seu para�so.Descobriu-se uma aut�ntica poetiza e contadora de hist�rias, al�m de uma devoradora de livros de viagens como poucas.Sem que se desse conta, a vontade de por os p�s na estrada, de descobrir coisas novas, de visitar mil lugares diferentes foi ganhando espa�o no seu cora��o, ao mesmo tempo que chegava a hora em que decidiria passar de novi�a � freira.O que antes parecia uma tolice transformou-se em preocupa��o constante. Do�a-lhe deixar aquelas paredes, sua cela, seu lugar marcado na biblioteca, o jardim do p�tio e, principalmente, a irm� Guadalupe, a qual elegera como a m�e que nunca conhecera. Pensava tamb�m que, talvez, toda aquela sua curiosidade n�o passasse de uma fase e , que depois, descobrisse que o mundo l� fora era bem diferente do que estava nos livros e se arrependesse.Mas, por outro lado, pegava-se sonhando acordada com a ida a uma praia novamente, ou ao cinema ou mesmo caminhar solta numa cal�ada.

Uma ordem direta do tem�vel Juan Diego era a de que sua filha jamais deveria saber nada relacionado a sexo, a beijo, a garotos e tudo isso nessa linha de sucess�o. Resumindo, que sua garotinha de dezoito anos fosse o mais ing�nua e pura poss�vel.O motivo para isso vir� daqui a pouco, mas vale logo dizer que o pai tirano n�o obteve tanto sucesso assim.Apesar de Rosa desconhecer alguns sinais de seu corpo, por, simplesmente, n�o olh�-lo, isso n�o impedia que ela reparasse no corpo das amigas na hora do banho, por exemplo.N�o havia mal�cia, nem a consci�ncia de que o que fazia era pecado, pois, como n�o podia ser diferente, Rosa Maria sabia que o amor s� acontecia entre um homem e uma mulher.Sendo assim, se achava o corpo da Lupita bonito, n�o queria dizer nada a n�o ser que n�o era invejosa, pois sabia reconhecer quando algu�m era bonito ou n�o.Era o que ela sempre dizia quando se confessava, arrancando risadinhas do padre Ant�nio, que ainda dizia � menina que essa tamb�m era uma prova da sua humildade.

Mas, como acontece com todo algu�m de carne e osso, chega o momento que os horm�nios afloram e, de um jeito ou de outro, a pessoa � obrigada a deixar o pueril para tr�s. N�o sei se por for�a da mente ou por alguma magia secreta, Juan Diego s� tomou conhecimento da menarca de sua filha quando esta j� estava com dezessete anos.Ela estava distra�da, escrevendo suas poesias de p�ssaros, borboletas e flores, quando gritou apavorada ao ver que havia sujado de sangue a sua cadeira na biblioteca.Foi um ritual danado para que a irm� Guadalupe desse a volta em Rosa e dissesse que aquilo iria acontecer todo m�s, mas que ela rezasse e tivesse f� que um dia parava.Ou seja, uma doen�a que necessitava de uma f� ferrenha at� mais ou menos os cinq�enta anos, quando Deus se compadeceria dela e lhe confortaria com uma velhice saud�vel.Eu n�o preciso dizer, mas digo logo que a pobre Rosa passou aquele dia fat�dico da sua vida chorando como um pop star aid�tico, ainda mais,porque ela sentia c�licas terr�veis e, na sua cabecinha, julgava ser aquilo um castigo.

No convento, n�o havia espelhos, pois isso seria uma tenta��o para o pecado da vaidade. Por conta disso, Rosa n�o percebeu,com mais espanto que tivera,as constantes e r�pidas transforma��es que seu corpo passara naquele curto per�odo dos seus dezessete anos.Acordou �s quatro da manh�,para rezar como todos os dias fazia, quando, ao ro�ar o bra�o no corpo para se levantar da cama, notara o par de seios finalmente.Foi com estranheza e certo medo que ela baixou a cabe�a e apalpou de leve aquelas duas p�ras inconvenientes.Era uma quarta-feira, dia de confiss�o, e ao contar ao padre essa experi�ncia,ele ralhou com ela severamente.N�o era certo que uma mo�a direita se tocasse daquela maneira, pois poderia dar espa�o ao Satan�s de invadir-lhe o corpo, que era, acima de tudo, " recept�culo sagrado do esp�rito".Essa express�o ficou na mente de Rosa como que gravada, e ela receou ter ca�do numa armadilha do Mal.Fez a sua penit�ncia, que s� n�o recebeu medalha por ter dispensado o a�oite.Depois dos seios, vieram os quadris, as coxas que de uma hora para outra se tornearam e, o mais espantoso, os p�los novos que lhe cobriam o corpo.Tendo todas essas mudan�as, Rosa Maria passou a usar h�bito como as freiras mais velhas.

Havia se tornado uma mulher muito bonita, apesar da pouca idade, do jeito de crian�a e da quase escassa vaidade que possu�a. Mas, talvez, tenha sido justo esses ditos defeitos que a acentuaram ainda mais aos olhos do pai, quando a fora visitar, pela primeira vez, ap�s cinco bons longos anos sem lembrar-se da filha.Cabelos loiros e lisos que desciam como um v�u casto at� um pouco mais que os ombros, a pele muito branca e limpa de marcas, os l�bios rosados, o rosto bem desenhado devido ao temido pecado da gula e, para surpresa do pai, um par de olhos verdes, que mais pareciam duas esmeraldas p�lidas carregadas de incr�veis do�ura e obedi�ncia.Esse �ltimo detalhe era o presente generoso que a m�e deixara para a filha.Juan Diego pensou que eram os mesmos olhos e, por um curto momento, sentiu as m�os tremerem.N�o era poss�vel que tivesse se esquecido de um detalhe t�o importante na sua pr�pria filha, mas ele n�o sentiu o menor remorso.Tratou-a formalmente, chegando at� a ser gentil com ela, quando pediu para que lhe tomasse a ben��o de joelhos.Depois desse encontro, ele foi direto ter uma conversa demorada com a madre, que n�o era a irm� Guadalupe, mas sim, a irm� Maria Tereza.

Rosa ficou sem a��o ao perceber a perplexidade do pai ao v�-la. Imaginou logo que ele n�o havia gostado nada da mulher que se tornara.Depois, chegou a conclus�o que n�o deveria ficar se martirizando por conta disso.Ele era seu pai, devia obedi�ncia a ele e o amaria para sempre, mas tinha Jesus Cristo e a Santa M�e que a amavam,e isso era mais que o suficiente.Na verdade, Juan Diego n�o s� ficou surpreso, como tamb�m aliviado com a mercadoria que vira.Rosa fora vendida certa vez que um antigo s�cio seu o visitara e avistara a menina entretida com panelinhas no jardim.O pre�o foi at� injusto, constatava Juan Diego lembrando-se da imagem da filha.Foi uma vultosa quantia, apesar disso,e foi o que deu ao tirano poder para bombar seus neg�cios que, entre outros, eram casas de show, cassinos, al�m de contrabando mar�timo e tr�fico de armas.Ele ingressou como s�cio honor�rio de uma extensa rede de mafiosos com sede principal em Chicago.Era de l� que partiam as ordens irrevog�veis, como todos da m�fia costumavam dizer.Era l� onde reinava "IronHand", uma das mulheres mais poderosas no ramo.Contudo, ainda n�o � o momento de falar dessa dama de poderosos olhos azuis e frios.

Irm� Guadalupe ao receber a not�cia que Juan Diego, finalmente, resolvera fazer sua primeira visita � filha, preocupou-se com o fr�gil cora��o da sua menina e correu a procur�-la por todo o convento. Quando a encontrou, estava a mo�a de joelhos, na capela, em frente � imagem do Cristo crucificado.Ela havia ascendido uma vela e rezava, absorta em sua f�, com as duas m�os entrela�adas.No entanto, mesmo com toda a firmeza que ela aplicava �s m�os, n�o conseguia controlar os tremores que denunciavam o seu nervosismo.A freira, quando viu assim a sua novi�a predileta, sentiu uma forte como��o e quase orgulhou-se, se isso n�o fosse um pecado vergonhoso para a sua congrega��o carmelita.A religiosa ainda hesitou perturbar a mo�a, que parecia t�o concentrada, mas sua afli��o fora mais urgente.Irm� Guadalupe tocou seu ombro com ternura s� vista em m�es muito devotas de seus filhos.Rosa levantou a cabe�a para aquela amiga e mostrou-lhe a face rajada de l�grimas.Ela tentou falar alguma coisa, tentou explicar-se, mas logo veio uma golfada em pranto e ela abra�ou-se � freira como se temesse afogar-se naquele choro:

_ Calma, minha filha, vai ficar tudo bem. _tentava confortar mais a si mesma do que � menina._Tenha f� que para tudo Nosso Senhor d� um jeito!

A irm� beijou o alto dos cabelos loiros e macios de Rosa, que n�o fazia mais nada sen�o chorar. N�o precisava dizer o que a afligia tanto.Aquela chegada do pai significava que ele voltou para busc�-la.A levaria para casa, para que cumprisse com o seu destino.Assim que recebera a menina, h� cinco anos, irm� Guadalupe teve uma conversa com a madre em sua sala.A menina Rosa Maria deveria ficar sob os cuidados atentos dela, para que n�o vacilasse em sua pureza e castidade, pois chegava �quela casa de Deus j� comprometida em noivado.De in�cio, a irm� ficou feliz por aquela garotinha ser t�o afortunada, por j� ter um marido e lar certos, onde poderia ensinar aos filhos os dogmas da Santa Madre Igreja e ser feliz.Mas com o passar dos anos, � medida que foi se apegando aquela filha que nunca pode ter, soube que o dia da t�o esperada despedida seria por demais dolorosa e, especialmente, para ela, que ficaria sem sua melhor aluna.Abra�ou o corpinho pequeno da jovem, que n�o devia ter mais que 1,62 de altura e ficou daquele modo enla�ada a ela, at� que a madre assomou na entrada da capela com seu olhar s�rio, por�m de remorso.Afinal, foi id�ia dela esconder esse destino cruel da menina at� o dia em que ela saberia de tudo e tamb�m iria embora do convento:

_O senhor seu pai j� p�s suas coisas no carro e te aguarda, minha querida. Despe�a-se da irm� Guadalupe e me siga._a voz sa�ra mais dura do que esperava.

Rosa desvencilhou-se carinhosa da freira e sem olh�-la mais nos olhos, que estavam inutilizados pelas l�grimas, caminhou a passos largos para fora da capela, passando pela madre com respeito. Irm� Guadalupe, ao ver Rosa Maria distanciar-se levou uma das m�os � boca, para silenciar seu pranto. Foi com pesar que a madre fitou a jovem antes de segui-la at� o sagu�o de entrada do Convento de Santa Maria, onde Rosa havia estado uma �nica vez, quando entrou h� cinco anos naquele que seria ,para sempre, o seu para�so na Terra.Ainda houve tempo dela despedir-se de uma professora sua, de teologia, que a encontrou por acaso, mas o contato foi breve.Rosa desceu devagar cada um dos doze degraus que a separavam daquele lugar de paz para o qual jamais voltaria.Voltou mais uma vez o olhar triste e pesado para a fachada do pr�dio antigo e foi com um terror apertando seu cora��o que entrou no carro e viu a porta fechar-se diante de si.O chofer entrou e deu a partida.Ao seu lado, seu pai demorou-se ainda mais um pouco admirando aquela formosura toda contida e escondida naquelas roupas de freira.Ele soltou um sorriso malicioso e ascendeu um de seus charutos Havana para ent�o esquecer-se em pap�is que analisava de sua pasta.

De repente, o pai lembrara-se que nem ao menos havia dito o nome do noivo � filha e foi mecanicamente que tirou o charuto da boca e disse:

_A prop�sito, casar� com Edmund Lancaster, um irm�o de uma mulher muito rica e poderosa de Chicago.

Rosa tentou sentir al�vio por n�o ter de passar uma longa temporada na casa do pai, mas arrependeu-se desse seu pensamento ego�sta e, principalmente, porque n�o desejava casar-se com algu�m que nem sequer conhecia. Sabia falar al�m do espanhol, o franc�s e o ingl�s, al�m de l�nguas mortas como o latim e o grego, sentiu, um dia, muita vontade de conhecer os Estados Unidos, mas agora nada lhe sugeria mais aversivo.Por que n�o poderia ter continuado no convento e se tornado freira?Por que ele, que nunca dera aten��o a ela, havia lhe arranjado um casamento for�ado?Soltou um suspiro que saiu como o da pr�pria alma quando chegou � entrada de sua antiga casa. As paredes ainda s�o verdes, pensou.Ao descer do carro, olhou para o jardim e lembrou-se do que ajudava a cuidar junto com a irm� Ros�rio, cujo nome n�o poderia ter sido mais apropriado.Costumavam brincar as duas pela coincid�ncia de seus nomes, mas isso agora era s� mais uma das lembran�as felizes que guardaria dentro de seu cora��o.A governanta, que n�o era mais a mesma de seu tempo, veio receb�-los na porta, junto com outros empregados para uma breve apresenta��o.Rosa sorriu para cada um deles.Todos eram novos e isso a animou por cativar a amizade deles.

Juan Diego foi claro, antes de partir para buscar sua filha, que n�o queria empregado nenhum de conversa com Rosa Maria e ainda advertiu ao porteiro e � governanta para que se certificassem de que ningu�m estranho tivesse qualquer contato com ela. Se recebessem visitas, que orientassem a mo�a para que ficasse em seu quarto, s� descendo para a sala, se assim o seu pai quisesse.Todo esse cuidado opressor aumentou ainda mais a tristeza de Rosa, que, mesmo contrariada e cheia de d�vidas, n�o reclamou ou exigiu explica��es alguma.Seu pai temia que ela fosse desleal com seu compromisso de casar-se?N�o havia por que temer, pois se a palavra de seu pai estava empenhada, ent�o n�o seria ela que a poria � ru�na. Honraria seu pai, como mandava a Santa Lei de Deus e aceitaria aqueles votos de casamento como algo sagrado e inviol�vel.Pensando nisso e no que o padre Antonio sempre lhe dizia_ o recept�culo sagrado do esp�rito._Rosa ficou assim por um m�s, enfurnada no seu quarto, passando at� dias sem ver seu pai uma �nica vez.Ficava ali a maior parte do tempo orando ou escrevendo, pois n�o tinha trazido livros consigo para ler, al�m da B�blia.Tudo parecia tranq�ilo at� que Rosa estava na sala,numa manh� de quarta-feira, lendo um livro que seu pai lhe dera a contragosto dele, quando o telefone tocou.

Rosa olhou para os dois lados e ficou esperando que algum criado surgisse detr�s de alguma coluna ou porta para vir atender. No entanto, j� era a quinta chamada barulhenta e ningu�m aparecia.Resolveu ent�o sair de onde estava, marcando a p�gina onde havia parado de ler com o dedo indicador e sentou-se no assento do m�vel do aparelho.Tomou o telefone e levou-o ao ouvido, mais interessada em voltar � sua leitura do que curiosa, pois era a primeira vez que atendia assim um telefone.Fez da mesma forma que viu Germana, a governanta da casa, anunciar-se naquele aparelho:

_Resid�ncia dos Bratcho, no que posso ser �til?

Uma voz feminina e forte, por�m melodiosa, assolou o seu ouvido esquerdo. Havia um qu� de rouco naquele seu sotaque carregado, algo que seria definido como sensual, se Rosa soubesse usar essa palavra.Mas seu corpo sentiu um arrepio e seu cora��o agitou-se, para espanto e admira��o da mo�a ao ouvir aquela voz envolvente:

_Desejo falar com o senhor Juan Diego, ele est�?

Rosa demorou-se um pouco para responder, n�o mais que o suficiente para que a voz do outro lado da linha pudesse se enfurecer. Ela n�o sabia explicar o que estava acontecendo consigo, o porqu� de estar t�o exaltada. Ela correu seus olhos, aflita, por toda a sala, mas nem Germana nem nenhum outro aparecera para socorr�-la:

_ Infelizmente, n�o, senhora. Mas meu pai n�o demorar� muito...com quem falo, por favor?

A voz de Rosa saiu um tanto tr�mula, o que foi percebido com alguma satisfa��o pelo outro lado da linha que pareceu ter rido levemente. Estava claro que aquela voz de menina era de algu�m inocente, mas a mulher preferiu a palavra inexperiente e foi por isso que riu.

_Voc� deve ser a jovem Rosa Maria, n�o?_a mulher fez uma leve pausa ouvindo a confirma��o monossil�bica do telefone. _� Diana Lancaster quem est� falando com voc�.

Naquele momento, Rosa sentiu-se sufocada, e como se estivesse em p�nico, teve a vontade de largar aquele telefone e correr para o seu quarto, onde se sentiria segura. Mas por que temia aquela voz, aquela mulher?Sua voz engasgou-se e ela n�o disse o que sua boca abriu para dizer. Na verdade, nem sabia bem o que iria falar e preferiu continuar muda, com a respira��o denunciando que ainda estava viva.S� depois desses pensamentos quase irracionais, ligou o nome da mulher ao que ouvira ser do seu futuro marido.Aquela mulher..., Diana Lancaster, era ent�o a mesma rica e poderosa a qual seu pai se referira h� um m�s?Rosa temeu, se assim fosse, que a futura cunhada irritasse-se com sua falta de educa��o por demorar tanto a retomar di�logo, no entanto, mal sabia a pobre menina, que Diana divertia-se com aquela influ�ncia que causava nela.Foi com satisfa��o que Diana ficou ouvindo a respira��o exaltada de Rosa do outro lado e esperou, como se fosse um jogo, que a menina dissesse alguma coisa.Por fim, ouviu-se um n�tido suspirar ,e Rosa, aparentando estar mais calma, falou:

_Aaannnnh....E como vai a senhora?Est� bem?_Rosa n�o sabia o que dizer, mas depois de ouvir-se dizendo isso, preferiu ter ficado calada. Diana sorriu do outro lado e o chofer, olhando-a pelo retrovisor do carro, ficou admirado.Era a primeira vez que ele via sua patroa soltando um sorriso t�o espont�neo e lindo.No entanto, mal ele se espantava com essa maravilha ,e Diana fisga o seu olhar, recaindo sobre o coitado como se tivesse um par de facas no lugar dos olhos.O chofer engoliu seco e voltou a prestar aten��o no tr�nsito.Imediatamente, aquela express�o dura da face de Diana desaparecera.

_Como voc� � ador�vel, querida, querendo saber se estou bem... _na sua mente, podia formar a imagem de duas faces coradas e era exatamente assim que Rosa Maria estava._Eu estou �tima._o �tima foi dito maliciosamente, terminado saindo dos l�bios bem desenhados de Diana com um leve gemido.

A confus�o na cabe�a de Rosa a deixara um pouco tonta. Mil coisas vinham a sua mente e, no final, n�o sabia bem ao certo o que pensava.Aquela voz, simplesmente, a desnorteava.Foi ent�o que viu os olhos espantados de Germana, que s� agora aparecia para salv�-la daquele desconforto.Somente depois que viu a governanta, percebeu que havia amassado toda a p�gina de seu livro com o nervosismo.Pensou em entregar de uma vez o telefone para Germana, mas estava paralisada , e n�o conseguia sequer mover o bra�o que sustentava o telefone em seu ouvido.Foi ent�o que ouviu a governanta sussurrar pr�ximo a ela:

_Jesus, Maria, Jos�! Rosa, seu pai n�o quer que atenda ao telefone!_dizia a mulher com receio de que o patr�o descobrisse aquela sua falta, e isso custasse seu emprego t�o valioso. Mas isso serviu para Rosa lembrar-se do in�cio da conversa e por fim dizer algo.

_Que bom... _disse num engasgo, enquanto Diana, do outro lado da linha, passava a l�ngua pela l�mina dos dentes num meio sorriso._ Mas meu pai n�o est� , ent�o..._ Diana a interrompeu, deliciada com a timidez da menina.N�o queria que aquele jogo acabasse t�o logo.

_N�o me deixe assim t�o insatisfeita, querida. _Rosa percebeu que , quando ela a chamava assim, o calafrio que sentia parecia levit�-la do assento._Quero saber: algo te aflige?

Germana que olhava apavorada para o rosto p�lido de sua patroa, n�o sabia se pedia um copo d��gua com a��car ou se corria para segur�-la nos bra�os. A impress�o que dava era a de que Rosa fosse desfalecer a qualquer instante.No outro lado da linha, Diana co�ou um pouco a nuca, para depois se reclinar confort�vel no banco do carro.Ela aproveitou o sil�ncio da linha, p�s uma das m�os sobre o alto-falante do celular e se dirigiu ao chofer:

_It stops in front of that building. This that has the tree in the entrance.

Rosa temeu que sua futura cunhada, a poderosa Diana Lancaster, tivesse interpretado mal o seu nervosismo, apesar dela parecer t�o simp�tica e sol�cita para com ela. Pensou r�pido na desculpa que poderia dar e ent�o resolveu dizer a verdade.A raz�o para Germana estar plantada ali, aos seus p�s, era porque n�o tinha autoriza��o para falar com ningu�m sem que estivesse na presen�a dele.Diria isso, mas ent�o pensou que pudesse soar como algo grosseiro, principalmente, para algu�m como ela.Estava para desistir e tentava buscar outra desculpa na mente embaralhada, quando Germana d� um pulo e corre para a porta.Ela espia pelo vidro das laterais e volta sem cor para Rosa, gesticulando para que terminasse de vez com aquela conversa.Era o seu pai que chegava.Ent�o, Rosa, sem pensar muito, disse o que lhe veio na cabe�a:

_Sim, meu pai n�o permite que eu fale com ningu�m pelo telefone. _parece que finalmente a l�ngua de Rosa se desprega e ela consegue falar desenfreado, como quando costumava fazer em momentos mais felizes.Mas por que aquele n�o podia ser um momento agrad�vel?Finalmente, se veria livre daquela voz que lhe roubava o ar. _Eu preciso desligar.

Diana franziu um pouco a testa ao ouvir estar inclu�da no rol do ningu�m por algu�m como Juan Diego, verdadeiramente, um nada na frente dela, mas, era ineg�vel que ela se decepcionara com a atitude brusca da menina, que lhe roubou toda a gra�a do jogo. Ou pelo menos assim pareceu.Seu carro estava estacionado em frente a uma mans�o de fachada verde, com um lindo jardim de entrada.Um sorriso malicioso brotou de seus l�bios , enquanto que seus olhos vasculharam portas e janelas � procura de algu�m que ela ainda nem conhecia:

_Fa�a como seu pai quer e n�o converse mais comigo pelo telefone. Venha at� mim.Estou aqui fora, esperando voc�._ dizendo isso, Diana desliga o seu celular com os olhos atentos na porta da casa.Em seguida, desprende os cabelos negros e lisos, que estavam atados num coque e eles caem por seus ombros.Alguns vizinhos que se detinham a olhar entediados para a rua ficaram pasmos com a vis�o daquela deusa, saindo do convers�vel negro, vestida num tubinho elegante, azul-petr�leo, que cobria suas pernas at� o joelho desnudo.Possu�a uma alta estatura, real�ada pelos escarpins, que pareciam ter algum enfeite brilhante.Para aqueles que estavam num �ngulo privilegiado, era ainda poss�vel ver, ao redor daquele pesco�o tentador, um colar de p�rolas e, numa das m�os dos bra�os cruzados, uma pequena carteira preta.Era uma mulher magn�fica, com um par de olhos azuis penetrantes, imponentes, que fariam qualquer um abaixar a cabe�a diante deles, ao mesmo tempo, que, se assim desejassem, mantinham a v�tima desse olhar presa, imobilizada pelo seu deslumbramento.

 

E ent�o?Gostou do primeiro cap�tulo?Eu n�o disse que n�o valia a pena?

Se tiver com saco, meu endere�o eletr�nico �: [email protected]

 

 PARTE2 

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