Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo
7
-
Meninas acordem! O sol já está brilhando no horizonte e
vocês duas ficam aí dormindo.
-
Pelo amor de Deus, Matheus me deixe dormir! Mari odiava ser acordada. Ela cobriu
a cabeça e ficou resmungando palavras que ele fingiu não entender.
Isabel
abriu os olhos e viu Matheus com duas bandejas com café da manhã
para elas. Olhou de novo para ele e viu aquele velho sorriso de felicidade,
que sempre tinha quando estava perto dela.
-
Bom dia, meu anjinho. A dona Fátima me ajudou a preparar isto para vocês.
-
Bom dia, Matheus. Sorriu para ele. Estou surpresa, nunca fizeram isto para mim...
Respondeu Isa olhando para a farta bandeja com frutas, suco e pães.
-
Que bom que gostou. Mas a sua amiga aí vai ficar sem! Não terá
próxima vez para ela, nunca mais faço nada para essa resmungona.
Mari
resolveu descobrir a cabeça e ver o que estava acontecendo, já
que estavam falando dela. Olhou, viu as duas bandejas e gritou...
-
Eu não acredito que você fez isto para mim, nenhum homem me trouxe
café da manhã na cama, meu amigo, desculpe meu humor! Deu um pulo
da cama, tascou um beijo no rosto de Matheus e correu para o banheiro. Antes
de entrar no banheiro parou e disse que adorou a surpresa.
Matheus
colocou as bandejas em cima de uma mesinha que tinha no quarto de Mari. Isa
ficava com ela quando ele estava lá, e Matheus no quarto dela.
-
Meu anjinho, a Mari ficou mais contente do que você. Eu queria te agradar,
mas seu rosto mostrou decepção. Matheus ficou um pouco triste.
-
Matheus desculpe, você me conhece, não sou de demonstrar muito
os meus sentimentos, você e a Mari são mais expressivos do que
eu. Mas adorei, pode ter certeza.
-
Vou te perdoar porque sei que você é assim. Levanta para comer,
sei que você sempre acorda cheia de fome.
-
Tem razão, mas vou ao banheiro antes.
Mari
voltou e ficou falando e comendo. Logo
Julia
acordou às 10 da manhã. Ligou o rádio e estava tocando
Dig do Incubus, ouviu até acabar. Então se levantou, deu uma espiada
pela janela. O dia estava lindo, o mar calmo e a praia quase lotada. Deu uma
boa olhada para um grupo de mulheres, que estavam jogando vôlei de praia,
eram boas. Acho que vou descer para ver esse jogo, Julia falou consigo mesma.
Que jogo, confessa que você quer ver aqueles corpos bronzeados e perfeitos
daquelas minas... Julia acabou rindo de seu próprio pensamento.
Julia
já tinha tomado banho e se vestido. Resolveu não descer para ver
o jogo, preferiu ir logo para a casa de Vanessa, pois tinha tanto o que falar
com a amiga. Antes de sair resolveu ouvir seus recados.
O
primeiro recado dizia: - Juli venha almoçar aqui em casa, prometo não
chegar perto da cozinha. O Carlos reencontrou um amigo, e o convidou para vir
aqui em casa, parece que vem a namorada do amigo e mais uma amiga deles, quem
sabe você tem sorte com essa amiga... rsss. Juli você sabe que fico
tímida com gente que não conheço, preciso de você
aqui.
-
Não sei porque ela me convida, se faz anos que todos os domingos eu almoço
lá... Será que minha amiga ainda não notou isto... Falou
para si mesma.
O
segundo recado, a fez sorrir: - Julia qualquer dia terei que te amarrar na cama
para não fugir no meio da noite. Ju você estava demais! Desse jeito
eu acabo me apaixonando por você.
Quando
ia ouvir mais um recado a campainha tocou. Não olhou antes de abrir pensando
ser Vanessa vindo buscá-la. Julia abriu a porta e ficou paralisada.
-
Oi, baby!
-
O que você está fazendo aqui?
-
Baby, você já foi mais educada! E entrou sem pedir licença.
-
Eu só sou educada com quem merece. Hérica o que você quer
aqui?
-
Eu quero você. Eu estava com saudade. Comecei a sentir falta da minha
casa e da minha mulher. Espero que você não tenha colocado nenhuma
vagaba na minha cama.
Julia
apesar de tudo nunca levou mulher nenhuma para seu ap depois que Hérica
foi embora.
-
Sabe quanto tempo você sumiu sem me dar explicação?!? 2
anos. Tem noção de quanto eu te procurei, o quanto sofri? Você
me deixou no meio da noite como uma qualquer. Não! Você não
sabe. Quando me dei conta que você não ia voltar mais, te odiei
tanto... eu te dei o meu coração, dei tudo o que você queria,
e foi embora depois de termos feito amor, depois de você ter feito vários
planos para nós, coisas que eu acreditei, sonhos seus, que eu comecei
a sonhar junto. Estávamos juntas a 3 anos e meio e eu não merecia
ser largada sem ao menos saber o porque. E agora você chega aqui, dizendo
que está voltando para mim? A minha vontade é de te matar... e
foi para cima de Hérica, agarrou em seu pescoço e começou
a apertar.
Hérica
é quase do seu tamanho, uma mulher muito bonita, cabelos compridos e
loiros, olhos castanhos claros, pele queimada do sol, estava do mesmo jeito
que quando Julia a viu pela última vez, essa mulher provocava sentimentos
indescritíveis nela.
Hérica
estava ficando sem ar, tentava falar, mas a voz não saia, estava ficando
cianótica, quando Julia a soltou e esta foi escorregando pela parede
até chegar no chão.
Julia
ficou de pé com a cabeça encostada na parede e, chorando começou
a falar: Eu quase te matei, quase estraguei minha vida, por sua causa, sua vagabunda,
desgraçada, que me transformou numa vadia igual a você!
Hérica
foi se arrastando até chegar em Julia, que chorava copiosamente.
Ao
sentir o toque de Hérica em sua perna, foi amolecendo e acabou sentando
no chão. Hérica começou a secar suas lágrimas com
seus dedos longos e finos. Foi se aproximando do rosto de Julia e começou
a beijá-lo. Quando ia beijar a sua boca, sentindo-a em suas mãos
de novo, o telefone tocou, salvando Julia das garras de Hérica.
-
Que droga, disse Hérica! Baby, não atende. Vamos conversar...
Deve ser aquela chata da Vanessa, pensou.
Julia
deu um pulo e saiu procurando o telefone.
-
Alô... disse Julia. Sua voz revelava que estava chorando.
-
Julia que voz é essa? Está chorando? O que foi? Perguntou a amiga.
-
Estou chorando de raiva, já estou indo para sua casa, se eu ficar aqui
não vou agüentar...
-
Venha com calma. Beijo.
-
Beijo.
Julia
ficou procurando a chave do carro e os documentos para sair.
-
Eu vou sair. Falou Julia, bem irritada.
-
Eu vou com você!
-
Que parte você não entendeu? Não te quero na minha vida,
você não vai comigo a lugar nenhum. Fique bem longe de mim, porque
sou capaz de te machucar.
-
Baby, quando você voltar estarei aqui. Estou muito cansada para ficar
discutindo com você. Disse Hérica, se achando a dona da casa.
-
Se você estiver aqui quando eu voltar, chamo a polícia para te arrancar daqui a força.
-
Esqueceu baby, que compramos juntas este apartamento, nossos nomes estão
na escritura, ou seja metade dele é meu. Vai logo amorzinho, contar que
eu voltei para a sua amiguinha. Não sei como você agüenta
aquela chata da Vanessa. Vou dar uma relaxada, mais tarde vou te buscar. Disse
e foi em direção ao quarto de Julia.
Julia
saiu dali bufando de ódio, não sabia o que fazer.
Na
casa de Vanessa
-
O que aconteceu com a Julia? Perguntou o marido de Vanessa.
-
Eu não sei, Carlos. Ela estava chorando. Faz muito tempo que não
vejo a Juli chorar. A última vez foi quando aquela ordinária da
Hérica a deixou. Aquela mulher é um castigo na vida de qualquer
um e a Julia ficava outra pessoa perto dela.
A
campainha tocou...
-
Carlos deve ser o seu amigo.
-
Acho que é! E foi abrir a porta todo feliz.
Vanessa
foi atrás dele para conhecer as pessoas.
-
Oi, Pedro, pensei que vocês não viriam.
-
É que nos perdemos. Deixa eu te apresentar, essa é a Mariana minha
namorada, Isabel e Matheus nossos amigos.
-
Deixa eu apresentar minha família, essa é minha esposa Vanessa,
meu amor, cadê o nosso filhote?
-
Deve estar brincando lá fora.
Todos
se cumprimentaram e se sentaram um pouco na sala para conversar enquanto Carlos
servia umas bebidas para o pessoal.
-
Meninas vamos para a cozinha, deixa-os colocarem o papo em dia.
-
Vanessa sua casa é muito bonita, falou Mari.
-
Obrigada, a minha amiga me ajudou a decorar. Ela tem bom gosto. Se deixasse
para mim, nem sei como seria a minha casa... rss.
Julio
entrou correndo e parou quando viu a sua professora, coçou os olhinhos
azuis, pensando estar imaginando coisas. O espanto foi para Isabel também.
-
Meninas esse é o meu filhinho, Julio.
Julio
ao ver que Isabel era de verdade e estava ali, falou: oi
tia Isabel e saiu correndo...
-
Eu não acredito no que está acontecendo, falou. Aquela mulher
não era a mãe do Julio, porque ficou me deixando pensar que era,
é uma cretina mesmo, pensou.
As
duas olharam para Isa sem entender.
-
Eu sou a nova professora do Julio.
Agora
foi a vez das duas se sentarem.
-
Então você é a Isabel que...
-
Que discutiu com sua amiga. Então, o Julio é seu filho e não
dela.
-
Isabel nem sei o que dizer disto tudo. Como de repente, vocês entraram
uma na vida da outra do nada?
-
Nem eu sei o que pensar disso tudo. Respondeu Isa.
-
Eu estou boba. Disse Mari.
-
Eu também. E o mais estranho é que nos encontramos por intermédio
de outras pessoas, começou com o Julio, depois com o Matheus.
-
E hoje vai ser aqui em casa, porque a Julia está vindo para cá.
Isa
deu uma olhada para Mariana, que já sabia o que aquele olhar significava,
e pensou, hoje vai ser um longo dia.
O
telefone tocou.
-
Alô...
-
Vanessa a Julia já chegou em sua casa?
-
Eu não acredito que você voltou para atormentar a vida da Julia.
É por sua causa que ela estava chorando.
-
Dá para você me responder o que eu perguntei, não me interessa
o que pensa de mim.
-
Você continua a mesma cretina de sempre. Não vou responder nada
para você. E desligou o telefone na cara da Hérica.
Neste
instante Carlos entra na cozinha para pegar a carne, porque ia ter churrasco
para o almoço.
-
Carlos você sabe quem voltou?
-
Eu nem imagino.
-
A Hérica
-
Você está brincando?!
-
Eu não ia brincar com isto, aquela coisa voltou para acabar com a Juli.
Acabou de ligar perguntando dela.
-
E agora?
-
Não sei. Respondeu Vanessa, preocupada.
Mariana
e Isabel pediram licença e foram encontrar seus namorados. E no caminho
Julio a parou.
-
Tia Isabel, a minha madrinha mandou te entregar isto na escola, mas como você
está aqui em casa, acho que é a mesma coisa... então ele
entregou o pequeno envelope.
Isabel
abriu o envelope já esperando algum absurdo.
“Isabel
eu não sou de pedir desculpa, mas estou. Desculpa.
Eu abusei do horário, se soubesse que era o seu primeiro dia, não
teria feito. E não se preocupe não direi nada a Adriana. E o Julio
não é meu filho é meu afilhado.”
Espero
que me perdoe.
Julia
-
O que é isso? Perguntou Mari toda curiosa.
Isa
entregou o bilhete para sua amiga e começou a pensar que talvez estivesse
exagerando a respeito de Julia, e que poderia não ser o mostro que estava
achando. Tinha pedido desculpa, ajudou o Matheus... Também não
deixei ela se explicar direito na sexta-feira, e achei que fosse a mãe
do menino, só porque estava com ele... acho que não vai cobrar
nada de mim, é só para me irritar, ela tem alguém, e fica
brincando comigo, porque viu que eu fico nervosa...
pelo que vi dos amigos dela, tão preocupados... se ela fosse tão...
não sei que adjetivo usar.
-
Isa eu a achei bem sincera.
-
Foi e eu não esperava. Isa estava confusa.
Pedro
e Matheus não estavam mais na sala onde os deixaram. Olharam pelas enormes
janelas e viram os rapazes do lado de fora conversando perto da piscina e foram
até eles.
-
Ela está vindo, Isa. Será que não seria melhor nós
irmos embora? Perguntou Mariana.
-
Até seria, mas olha a felicidade do Pedro! Vamos dar mais um tempo aqui.
-
Tá, se quer assim. Falou e foi ficar com o namorado.
-
Matheus você está bem? Perguntou Isa, achando ele um pouco pálido.
-
Estou, só um pouco cansado. E você gostou da mulher do Carlos?
-
Gostei, ela é muito simpática, nos tratou muito bem. Sabe a dra
Julia é amiga e comadre do casal.
-
Nossa que coincidência, ou talvez não, o nosso senhor sempre faz
as coisas certas. Talvez vocês se entendam hoje. Eu percebi ontem que
você não gostou muito da Julia.
-
Você me conhece mesmo. Então se sentou na frente dele e apoiou
as costas nele que a abraçou e lhe deu um beijo na cabeça. Matheus
era tão carinhoso, mesmo que não o amasse do mesmo jeito o carinho
supria em muito a falta do amor, e assim iam vivendo.
A
carne já começava a cheirar. Mariana estava cuidando do som, Pedro
e Carlos conversavam perto da churrasqueira, Matheus foi brincar com o Julio
e Vanessa falava no telefone com ar preocupado. E eu estava esperando a Julia,
sem me dar conta.
Continua...