Palavras ao Vento

Fernanda

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Capítulo 6

 

Matheus foi com a enfermeira fazer os exames, e Isa ficou esperando-o voltar. Já era quase meio-dia e seu estômago estava dando sinais de fome. �Mari que não chega�, pensava.

- Isa, desculpa a demora, pedi para o meu amado Pedro me trazer e, no caminho o carro parou. Meu idolatrado namorado esqueceu de colocar gasolina. Ainda não sei o que estou fazendo com ele. O sossego chegou ali e parou.

- O Pedro não quis entrar?

- Ele ficou estacionando o carro. Isa como o Matheus está? cadê ele?

- Está fazendo exames. Mari sabe onde eu fui buscar o Matheus? Até parece que Deus está brincando comigo. Não acreditei quando a tal médica abriu a porta de seu apartamento. Por um segundo achei que estava no meio de um pesadelo, mas não era.

- Isabel quem era? Você está me deixando com urticária... rss.

- A namorada da diretora, a mesma com quem discuti ontem. A Julia ou Dra. Julia é a dona dessa clínica e deixou bem claro que estou em dívida com ela. Essa mulher me irrita tanto, é maliciosa, arrogante, pelo menos a médica é diferente da irritante Julia...

- Caramba! Como você disse, o impossível acontece mesmo. Amiga eu nem sei o que pensar. Preciso ver essa mulher que tanto te irrita... miga porque você está em dívida com ela?

- Acho que ela não falou nada para a diretora e agora por ter salvado o Matheus lá na praia. Amiga como vou pagar essa mulher?

- Creio que com dinheiro não será. Amiga acho que ela está te querendo, já que ela é, você sabe... Preciso ver a sua futura amante e, me fala, ela é bonita?

- Eu estou nervosa e você fica com essas besteiras. Já estou irritada demais com tudo isto, e ainda quer saber se ela é bonita? Bom, veja você mesma, é aquela ali, que está conversando com aquele homem.

- Nossa, é ela! Eu a conheço mais ou menos. Nunca nos falamos, mas já a vi muitas vezes lá no Argo's, aquela boate gay que você nunca quis ir me ver cantar. Mari é cantora, apesar de não estar em forma, sua altura 1,73 disfarçava bem os quilinhos extras adquiridos. Vaidosa, desenvolveu seu próprio estilo de se vestir, sempre inovando nas cores de seu cabelo e corte, mas a alguns meses decidiu pelo clássico comprido e negros, realçando assim a cor de seus olhos verdes. Nutria verdadeiro horror a sol, gostava de ser branquela. Aos 23 anos, como tantos, desejava se tornar uma cantora famosa e reconhecida. Ainda não encontrara as pessoas certas que a ajudassem a obter o sucesso almejado, então ia cantando na noite, até que a sorte a favorecesse.

- Isabel do céu, eu não queria estar na sua pele!

- Mariana o que você sabe dela?

- Eu não sei nada, sei apenas que vejo mulheres saindo na mão por causa dela. Teve uma noite, que eu a vi beijando umas 8 mulheres diferentes, e na frente das outras... ela é pegadora, bebe pra caramba. Também já a vi chegar, se sentar numa mesa e ficar sozinha a noite toda. As mulheres chegam nela, e ela manda vazar. Não sei se ela fala isto, é o que eu sei. Mas é uma gata, se eu gostasse de mulher, já teria caído nos braços fortes dela. Isa, Isa, você arrumou para sua cabeça ao discutir com ela.

- Mariana a única coisa que tenho certeza, é que ela não vai me pegar, escolheu a pessoa errada, não vou ceder a nenhuma investida dela, e eu tenho um noivo, que gosta de mim.

Pararam de conversar quando Pedro chegou.

- Pedro o que aconteceu? Você foi esperar construírem um novo estacionamento? Porque você demora tanto para fazer as coisas.

- Mari pára com isto, não vai brigar com ele aqui. Oi, Pedro.

- Oi, disse ele dando um beijo no rosto de Isa. E o Matheus, como está?

- Ainda não sei, a médica o mandou fazer alguns exames, acho que quando ele voltar, ela deve liberá-lo.

Dez minutos depois, Matheus volta com a enfermeira.

- Oi amigo, como você está, que susto que o senhor nos deu?

- Oi, Pedro! Ele foi até o amigo e o abraçou. Agora estou todo picado, tiraram meu sangue todo. Sorriram. Mas e você meu amigo, como está?

- Estou bem, e você vai ficar também.

- Vou sim, devo estar ficando resfriado, não deve ser nada sério. Isa a enfermeira disse que alguns exames ficarão prontos daqui a 2 horas, falou que posso comer alguma coisa. Estou com fome. Vamos comer?

Todos foram para a lanchonete.

Duas horas depois Matheus e Isa estavam no consultório da Dra. Julia, que olhava os exames. Depois de alguns minutos.

- Matheus, um de seus exames de sangue indicou um suposto problema, então quero que segunda-feira você venha cedo para fazermos exames mais específicos, a fim de descobrimos o que você tem de verdade.

- Esse suposto problema, pode ser grave?

- Pode, mas não vamos nos preocupar ainda. Quero que tome esses remédios 3 vezes ao dia. Tome muita água. E descanse. Sua noiva vai ser compreensiva se vocês não puderem namorar.

- Ah! Dra. não se preocupe com isto, nós ainda não temos uma vida sexual, só depois do casamento, minha religião não permite.

Julia tirou os óculos para ver melhor aquele rapaz que não tinha intenção alguma de levar a noiva para cama antes de casar, já ela tinha e muita. Por alguma razão se sentiu uma vadia, provavelmente ele estaria com câncer, e ela pensando em comer a noiva dele.

- Vocês dois ainda são virgens?

- Somos, é claro. Meus amigos acham isso uma loucura, mas quero respeitar a minha Isa. Sempre pensei, porque só a mulher tem que se guardar para o casamento, e porque o homem, não? Não tenho vergonha nenhuma disto, eu a amo tanto, desde molequinho. Quando a vi pela primeira vez, me apaixonei. Foi difícil porque ela me batia o tempo todo, e aos 13 anos eu ainda apanhava dela e em um desses dias, depois de apanhar ela me beijou, foi nosso primeiro beijo. A Isabel é o presente mais precioso que meu senhor pôde me dar. Eu ainda acredito em amor entre homens e mulheres.

Isa ouvia Matheus falando de todo o seu amor por ela, e uma lágrima caiu sem esperar. Sempre que ele declarava o seu amor, ela sentia uma dor em seu coração, porque queria sentir o mesmo amor que ele sentia, na mesma intensidade, mas não sentia. Gostava muito dele, mas o fogo que Mari tanto falava, sentiu uma vez, mas não por ele.

- Eu não acho que Deus possa ter criado seres humanos que gostem do mesmo sexo, não acredito que possa ter amor de verdade neste tipo de relação. Algum dia posso mudar de opinião, mas agora ainda penso assim.

Julia ao ouvir a palavra virgem tinha dado uma olhada maliciosa para Isa, e ao continuar ouvindo Matheus contando sobre seu amor, percebeu que embora fosse um rapaz tão puro, na mesma proporção também era preconceituoso, mas mesmo assim não deixava de ser um rapaz de coração bom.

- Matheus, não vou te esconder, se quiser que eu continue sendo sua médica, vai ter que saber que sou homossexual.

- Nossa, Dra eu podia esperar ouvir qualquer coisa, mas isto. Ele respirou fundo e emudeceu por uns instantes.

As duas se olharam. Isa já sabia da condição de Julia. Ficou surpresa com a revelação para seu noivo, pensou: "Julia lidava tão bem com sua homossexualidade", mas também esconder isto de Matheus seria pior, vai que eu tenha que contar para ele das investidas dela, neste caso ele ficaria mais atento.

Ele fez a cara mais séria que tinha e começou a falar. - Eu não compreendo isto de duas mulheres juntas, mas não posso me limitar ao meu preconceito, e deixar de ver a pessoa que conheci hoje, que me ajudou, que está sendo sincera comigo. Eu quero sim que seja a minha médica, o que você faz fora de seu consultório, não tenho nada com isto. Agora já mais descontraído, falou: só não vai se apaixonar pela minha Isa!

Julia não esperava essa última frase e acabou apenas dando um sorriso sem graça para ele. Por algum motivo que ela não entendia, apesar de ter o conhecido naquela manhã, tinha carinho por ele.

- Então vemo-nos na segunda, bom final de semana para vocês. Isabel foi um prazer te conhecer. E fez questão de estender a mão para Isa.

- É... e estendeu a mão para a Julia, aquele toque de mãos foi como uma descarga elétrica, que a deixou tímida e não pode dizer nada mais, que um rápido tchau.

Julia sentiu o seu corpo dar sinais que não esperava, por que até ali, ela queria só irritar a professorinha. Há muito tempo que não sentia nada parecido.

 

 

O sono já havia chegado para Isa, se despediu de Matheus e foi para o seu quarto. Quando deitou a cabeça no travesseiro, começou a pensar na raiva que sentia de Julia, em seu noivo, que podia estar doente, em seu trabalho, que poderia não ter mais quando chegasse na escola. Não confiava em Julia, pensou no que tinha que pagar, tantos pensamentos que a fizeram perder o sono.

Enquanto Isa rolava na cama sem dormir, Julia estava na cama rolando com uma de suas ficantes, e em certo momento, fazendo sexo com Taís, Isabel surgiu em sua mente, não queria pensar naquela loirinha nervosa, mas foi impossível.

 

 

Continua...

  

 Parte 7

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