Palavras ao Vento

Fernanda

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Capítulo 44

 

 Alguns minutos depois os bombeiros conseguiram abrir a porta do elevador.

 

- Por favor, ajude-a! - dizia Isa.

 

- Você está bem? - perguntou um dos bombeiros.

 

- Estou sim - respondeu Isa chorando.

 

Os para-médicos  fizeram o pronto-atendimento e a colocaram na maca, descendo pela escada. Isa os acompanhou.

Ao chegarem no saguão, encontraram Vanessa e seu marido que  acabavam de chegar. Mari e Matheus também já estavam lá.

 

Vanessa correu ao encontro da maca e de Isa. - O que aconteceu?

 

- Ficamos presas no elevador e a Julia começou a passar mal. Acho que Deus fez Mari me ligar, e consegui pedir ajuda. Ela disse que não sabia, mas que deveria ser claustrofobica, e cada minuto que se passava ia ficando pior.

 

- Quem vai com ela? - gritou Carlos, entre as pessoas já haviam se aglomerado para ver o que estava acontecendo. - Vão levá-la para a clínica.

 

- Vai você Isa - disse Vanessa.

 

Isa entrou na ambulância. Mari e Matheus foram no carro de Vanessa e Carlos.

 

 

- Fique calma - falou  a para-médica para Isa. - Ela vai ficar bem.

 

- Ela é médica - disse Isa enquanto segurava a mão de Julia.

 

Quando estavam chegando na clínica Julia acordou. Com a visão ainda meio turva, olhou para Isa, depois fez um reconhecimento ao redor e notou que estava em uma ambulância.

 

- Isa o que aconteceu?

 

- Dra. Julia, como você está? - perguntou a outra médica.

 

Antes de responder, a ambulância parou. Em seguida a retiraram da ambulância. Os médicos e enfermeiras já aguardavam pela chegada dela, preparados para o atendimento necessário. Assumiram o caso e  a levaram para dentro. Vanessa tinha deixado todos em alerta.

 

Isa ficou no saguão esperando, pois não podia entrar. Vanessa chegou em seguida e entrou.

 

Mari foi até a amiga e envolveu em um abraçou, enquanto Matheus segurou em sua mão.

 

- Ela acordou quando chegamos aqui - revelou Isa, um pouco mais calma. - Achei que ela morreria em meus braços. Obrigada por ter me ligado naquela hora. Ela começou a ver o irmão dela que já faleceu, aí fiquei desesperada - entregou com lágrimas nos olhhos.

 

 

- Isa ela vai ficar bem - disse Matheus abraçando-a, como sempre fazia quando ela estava nervosa. Encostou a cabeça no peito dele, e ouvir o pulsar tranqüilo daquele coração a confortava.

 

 

Mari ficou ao lado vendo os dois abraçados, e mesmo se casando com ele, no fundo, sabia que sua amiga sempre seria a mulher da vida de Matheus. Ele a fazia feliz e também estava, mas nunca teria o mesmo amor que ele tinha por Isa.

 

Após 15 minutos de espera, Vanessa volta  com notícias. Os quatro se levantaram para ouvi-la, ansiosos por saberem sobre o estado de Julia, em particular, Isa.

 

 

- Ela está bem, pessoal - disse com  alivio. - Teve uma forte crise de claustrofobia. Ela mesma desconhecia que tinha está aversão por lugares fechados. Agora, vai dormir por algumas horas, já que os médicos aplicaram uma injeção de calmante nela. Portanto, só amanhã - foi o que Julia mandou Vanessa dizerr. A verdade era outra, estava bem, mas não queria ver Isa. Era só sua amiga fazer as coisas direito, que ela iria embora.

 

Vanessa olhou para Isa e percebeu ainda em seu rosto, sinais de preocupação e sofrimento. E isso lhe partiu o coração. Estava fazendo aquilo totalmente contrariada. Não conseguia entender como Julia podia fazer aquilo com a mulher que afirmava amar. Por mais que conhecesse sua amiga, não entendia o que se passava dentro dela, tinha atitudes de uma frieza sem tamanho para com a pessoa que a ama.

 

 

Isa ouviu e disse que precisava ir ao banheiro. Encontraria um jeito de ver Julia, mesmo dormindo. Queria ver com seus próprios olhos que ela estava bem.

Foi em direção ao corredor que a levaram, olhando em todas as portas que estavam abertas. Algumas funcionárias passaram por ela, mas não perguntaram o que estava fazendo ali. Até que chegou na ala dos quartos e em um deles ouviu uma voz que parecia ser de Julia. Parou e olhou dentro do quarto.

 

Imaginava vê-la deitada, mas que nada, estava de pé com outros médicos, rindo e contanto o que aconteceu com ela dentro do elevador. Agindo como se nada tivesse ocorrido.

 

"Porque mandou Vanessa mentir? Era só falar que não queria vê-la, do que fazer isto".

 

Por causa de sua indignação, quase entrou para perguntar o porque. Estava tão preocupada, e ela não deu a mínima importância, e ainda mentiu. Seu coração doeu tanto com aquela indiferença da pessoa que amava com todo o seu ser, que se sentiu totalmente insignificante para ela.

 

Nunca havia sentido aquela dor. Só precisava saber como ela estava, e comprovadamente, muito melhor que ela. Olhou mais uma vez para Julia com imensa tristeza. Só gostaria de entender o porque.

 

"Em meus devaneios, cheguei a acreditar que ela precisasse de mim, que eu fosse importante para ela, mas sou uma idiota. As pessoas quando estão perto da morte falam qualquer coisa" - rapidamente se virou e caminhou com passos firmes. Os olhos marejados pelas lágrimas que pediam passagem, e não demoraria muito para encontrarem caminho livre, mas ainda não era o momento. Secou os olhos com as mãos. Estava tão brava que não podia permitir derrubar nenhuma lágrima por aquela mulher totalmente egoísta.

 

Forçou um sorriso ao se aproximar de seus amigos. Não queria que Vanessa, principalmente, percebesse que estava sabendo da mentira que havia contado. Nem podia ficar com raiva dela, porque fazia tudo o que Julia queria, mesmo contrariada e, com certeza, pelo que conhecia dela  tinha certeza que estava. Mal a olhava nos olhos, e Vanessa gosta de conversar olhando nos olhos da pessoa.

 

- Mari vamos embora, já que a Julia está dormindo, não é Vanessa? - falou olhando para ela.

 

Vanessa engoliu a seco a verdade e respondeu a mentira.

 

- Está sim. Quando ela estiver bem ela te procura Izabel.

 

Isa desviou o olhar de Vanessa e fitou a janela com o coração magoado. Tem coisas pequenas que machucam mais que uma traição. Em segundos, avaliou tudo o que ela disse no elevador, as coisas passadas, enfim, tinha feito muita coisa errada, pelas quais Julia poderia odiá-la, mas não admitia a indiferença.

 

Podia ter dito que não queria vê-la por mil razões, até entenderia, mas mentir, isso foi uma facada em seu coração. Poderia esperar a noite inteira ela acordar, mesmo que fosse ali fora, simplesmente porque a considerava importante em sua vida.

 

- Tá. Vou esperar - foi o que conseguiu responder. Deu um beijo no rosto de Vanessa, se despediu de Carlos e quando começou a caminhar, Vanessa a chamou. 

 

- Isa, quer que a gente leve vocês em casa? - ela olhou para seus amigos, e nenhum se manifestou, deixando a seu encargo a resposta.

 

- Não, obrigada. Vamos andando. Estou precisando respirar ar puro, ainda estou nervosa com o que aconteceu - continuou a caminhar, sem olhar para trás. Mari e Matheus apenas a seguiram.

 

A mágoa, tristeza e decepção, elevaram a dor que consumia seu coração. Não entendia o porque se calou, talvez pelo fato de ter visto Julia naquela situação, frágil, desprotegida e precisando de cuidado. E de repente a ver bem e rindo com os amigos... isso sim mexeu demais com ela.

 

Em um segundo era tudo para Julia e no outro, presenciou os sorrisos animados dos colegas ouvindo, atentamente, os detalhes do ocorrido, como se fosse um simples caso. E para a pessoa que realmente partilhou tais momentos e se importou com ela, sequer um vestígio de preocupação.

 

 Continua...

Parte 45

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