Palavras ao Vento

Fernanda

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Capítulo 36 

 

- Está viva, mas agora temos que aguardar como ela reage. A deixei em coma induzido,  essas primeiras 48 horas são cruciais. Faz tempo que não opero tantas horas, ainda mais com esse sentimento de culpa... quase a perdi. Teve uma parada cardíaca que com esforço conseguimos reverter. Agora é rezar, você tem mais fé do que eu. Estou cansada, vou trocar de roupa e vamos embora - Julia  colocou a mão no rosto de Isa e afagou. - Eu já volto! Me espera na lanchonete, estou precisando de café.

 

- Vai se trocar que eu te espero. Vou rezar por ela - aproximou-se e depositou um selinho nos lábios de Julia.

 

- Se eu soubesse que teria tratamento especial, já teria pisado no pé da Hérica antes - sorriu.

 

- Julia! Como consegue brincar com isso? - disse Isa fazendo cara de brava, mas com um sorriso pronto para escapar de seus lábios.

 

- Vem naturalmente, não posso evitar... - Elas estavam felizes apesar do probleema de Hérica. Pela primeira vez sentiam que estavam juntas e mais nada poderia separá-las.

 

Quinze minutos depois Julia já estava entrando na lanchonete. Cumprimentou alguns funcionários enquanto se dirigia até a mesa onde encontrava seu amor. 

 

- Já pediu? - perguntou sem tirar o olhar dos olhos de Isa, que ficou vermelha e desviou o olhar para a mesa ao lado.

 

- Pedi sim. Perguntei o que a dra Julia gostava além de café. Se não gostar, reclama com a atendente. Tenho que falar com o Matheus. Não posso mais ficar nessa, a Mari gosta dele e poderia fazê-lo feliz.

 

- Algo me diz, que o Matheus vai ser bem compreensivo contigo - quando ia continuar a moça trouxe os pedidos e ambas agradeceram. Tomaram o café quase tranqüilamente, exceto pelos colegas de Julia que vieram lhe falar sobre a cirurgia de Hérica. Todos sabiam que ela era uma das melhores médicas do Brasil. Tratava todas as pessoas com igualdade, pobres, artistas, políticos, ou seja, procurava ajudar a todos que precisassem de seu socorro.

 

Isa apenas escutava a conversa. Não entendia nada daqueles termos médicos que eram discorridos entre eles, mas não se sentiu deslocada, porque Julia a olhava e tentava explicar alguns termos de uma maneira que pudesse entender e não se sentisse em um mundo paralelo. Isa a cada dia, a cada momento, nas pequenas coisas que Julia fazia se encantava ainda mais.

 

 

- Vamos Isa?

 

- Vamos. - respondeu segurando no braço de Julia, e foram para o carro.

 

- Julia, enquanto você estava na cirurgia a Natália me mandou um torpedo e depois me  ligou.

 

- O que ela queria? - perguntou sem olhar para Isa.

 

- Ela mandou está  mensagem: "Bel, hoje em seus braços tive a certeza de que meu amor por você nunca se afastou de mim, por mais que eu fugisse, ele nunca  me abandonou. Volta para mim porque não vou te deixar". - Isa deu o celular para que ela lesse.

 

- Ela está disposta mesmo a tirar você de mim. 

 

- Parece que sim.

 

- E você vai permitir isso?

 

- O que você acha? Ninguém me fez um pedido formal, ou seja estou livre para qualquer uma.

 

- É assim? - Julia parou o carro no meio da rua, sem se importar com os carros que vinham atrás e começaram a buzinar.

 

- Julia que loucura é essa? As pessoas estão querendo passar.

 

- Isabel, você aceita ser minha namorada? Sei que já a fiz sofrer, mas eu sofri ainda mais, não sei mais viver sem ti. Sem você eu fico indo atrás de mulheres que não tem nada a haver comigo, tentando te encontrar nelas, mas nenhuma é você. Aceita?

 

 

- Julia eu vou pensar. Tenho que falar com o Matheus. Mas agora vamos, porque as pessoas estão te xingando. Quero chegar viva em casa... - deixou o sorriso maroto alargar-se em sua face.

 

Isa gostava desse jeito impetuoso de Julia, sempre a surpreendia. Ela ligou o carro e saíram sob o som histérico de muitas buzinas.

 

- Julia você não existe!

 

- Eu sei. Vamos para minha casa ou para a sua?

 

- Para a minha! - respondeu Isa. - Porque eu não te deixaria dormir, você ia querer ficar me beijando... - falou divertida. 

 

- Iria mesmo, e dormir seria a última coisa, que faria. Quem manda você ter essa boca irresistível, pela qual a minha não resiste.

 

- Não resiste? Olha, não sei não... desde ontem a noite que você não beija essa boquinha aqui - Isa colocou a mão na boca.

 

- Isabel, eu não vou provocar mais um congestionamento. E não vai provar de minha boca até responder a minha pergunta. Só vou voltar a te beijar quando for minha namorada. Confessa que você que não resiste a essa boquinha linda aqui.

 

- É assim agora? Então ta bom... vou atrás de quem quer me beijar.

 

- Vai então - disse Julia com ciúmes. - Porque ela está ali - disse appontando a entrada da casa de Isa onde Natália estava sentada na porta.

 

- O que ela está fazendo aqui?

 

 

- Veio ganhar os seus beijos, já que você está bem a fim de dar, dê uns nelas para se decidir.

 

 

- Julia que bobagem é essa agora? Assim você me ofende.

 

- Agora em todos os lugares que eu vou encontro essa aí. Parece brincadeira quando estamos nos entendendo vem sempre uma para atrapalhar, é a Hérica e agora essa  Natália. Isabel desce, não quero brigar com você. Depois conversamos.

 

- Tá eu desço. Não quer entrar comigo, para você não ficar pensando besteira?

 

- Eu não quero entrar, Isabel. Tenho que dormir. Fica com sua amiguinha.

 

- Vou ficar com ela, já que é isso que você quer. Depois não reclama.

 

Isabel desceu do carro e Julia partiu cantando os pneus.

 

 

- Nervosa a sua amiga - falou Natália.

 

- O que você está  fazendo aqui tão cedo? 

 

- Eu vim passar o ano novo contigo, já que à noite você quis ficar com a nervosinha do carro. Quem é ela?

 

- Será que dá para me deixar em paz? Eu não quero mais nada contigo, você me perdeu quando decidiu se casar, e estou apaixonada por aquela mulher que acabou de sair daqui.

 

 

Julia estava morrendo de raiva chegou em casa em dez minutos. Um trajeto que normalmente levava vinte minutos. Foi direto para o chuveiro, estava precisando de um banho frio para esfriar a cabeça.  Entrou e nem sentiu o frio da água tocando seu corpo. Estava nervosa por causa da Hérica, e para completar, agora, essa tal de Nátalia. - Eu mereço!

 

 

Natália não estava nem aí. Mesmo Isa dizendo que não a queria mais não se importou, entrou com Isa e ali ficou conversando com Mariana que já estava acordada.

 

Isabel estava muito cansada, com sono e foi dormir, quando acordasse veria o que podia  fazer. Não queria ver a cara de d. Conceição quando se deparasse com Natália ali. Naquele instante só queria esquecer as preocupações que aquele novo ano estava trazendo.

 

Parte 37

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