Palavras ao Vento

Fernanda

[email protected]

 

 

Capítulo 37

 

Julia acordou com o celular tocando, era da clínica. Hérica havia tido uma piora significativa. Levantou-se rapidamente, vestiu uma roupa e foi para lá. Não conseguiu dormir nem 2 horas, e já estava de volta à clínica.

 

O caso de Hérica tinha se complicado. Mudou os medicamentos, e a solução agora era esperar. Por isso, foi para seu consultório descansar um pouco.

 

 

- Alô! - disse Julinho.

 

- Julio, oi meu querido, chama sua mãe pra dinda.

 

- Minha mãe saiu com minha tia. Quando ela chegar, eu falo que você ligou.

 

- Julio, eu ligo no celular dela. Beijo

 

 

- Oi, Vanessa!

 

- Oi, Julia! Está na clínica? Eu já sei o que aconteceu com a Hérica.

 

- Ela está piorando, não sei o que fazer. Mudei a medicação dela. Van, estou com medo porque fiz uma coisa para ela, e esqueci que tinha um problema. Ela foi minha paciente por 2 anos. O que  fiz com ela? - Julia começou a chorar no telefone.

 

 

- Calma, Julia - pedia Vanessa do outro lado da linha. - A Isabel ainda está com você?

 

- Não, a deixei em casa com aquela Natália. Hoje a pedi em namoro. 

 

- E o que respondeu?

 

- Que precisava falar com o Matheus,  e agora essa moça marcando em cima.

 

- Julia, se ela realmente gostar de você, vai aceitar o seu pedido.

 

- É tudo o que mais quero, Van.

 

- Espero que esteja se lembrando do congresso de cardiologia lá em São Paulo, nos dia 3 e 4 de janeiro.

 

- Van, esqueci completamente, e como vou poder ir com a Hérica assim?

 

- Eu não sei, mas terá que ir por que você é uma das palestrantes.

 

- Aí meu Deus do céu! - coçou o topo da cabeça desarrumando o cabelo. - Van, será que a Isa vai comigo se eu a convidar.

 

- Acho que sim. Como eu comprei duas passagens, leve-a no meu lugar. Você mesma se organiza no congresso, a Isa  te ajuda - respondeu Vanessa estacionando o carro no posto de gasolina. Estava rodando há quase 15 minutos a procura de uma padaria aberta, e nada. Só não desistiu porque sua cunhada queria comer pão.

 

- Van, vai lá em casa, pega as coisas que sobraram e leva para sua casa, depois eu passo lá para almoçar. Vou ficar aqui, estou aguardando alguns exames da Hérica.

 

- Tudo bem. Passo lá quando encontrar uma padaria aberta.

 

- Perto de casa a padaria está aberta, vai pra lá, e não esquece de passar em casa. Beijo.

 

Na casa de Isa a confusão se instalou. Dona Conceição estava enlouquecida com a presença de Natália. Cidade pequena e do interior qualquer coisa que uma ou mais pessoas fazem, sempre gera um ti ti danado. Mesmo sem se assumirem os comentários ficaram na mente de todos e, da mãe de Matheus ainda mais.

 

Estavam na sala Matheus, Mariana, Natália e o pai de Matheus. Dona Conceição veio do quarto com as malas prontas e decidida a falar tudo o que sentia para todos. Iriam embora depois do almoço. Indignação, era esse o sentimento que a assolava ao ver o que se passava naquela casa.

 

 

- Matheus, o que está acontecendo nesta casa, o que esta moça faz aqui? Veio atrás de sua noiva? Falando em noiva ela vive grudada naquela sua médica, tem atitudes muitos esquisitas. A Mariana vive encostada em você, te fazendo carinhos, te olhando de uma maneira estranha... - Mari se afastou alguns centímetros de Matheus. - Sem contar que sua noiva não doormiu em casa. Que noivado é esse? Eu não te criei pra isto. José fala alguma coisa - ela gritou com o marido. - Não percebe a vida que nosso filho está vivendo? E você não diz nada!

 

Senhor José fez menção de abrir a boca para falar, mas foi impedido pela mulher.

 

- Não precisa dizer nada. Sei que não vai ficar do meu lado - desviou o olhar de seu marido e lançou para Natália, que não conseguiu manter o olhar na enfurecida Conceição.

 

Isabel acordou com aquela agitação toda e a primeira pessoa que viu foi sua sogra de pé no meio da sala. Pelo olhar que recebeu sentiu que as coisas ficariam feias.

 

- Só faltava você, Isabel. Por acaso sua amiguinha médica está aí? Se tiver a chame porque não sei quem está com quem - todos ficavam calados vendo a mulher dar o seu show.

 

Matheus se levantou e gritou com a mãe. - Chega! Já passou dos limites. AAqui não é sua casa. O que fazemos nesta casa não é de sua conta. E pode ter certeza que aqui é um lar de respeito. Dona Fátima que não está presente, não permite nada errado. E a senhora me conhece muito bem, sabe que eu respeito à casa das pessoas.

 

 

- Eu sei filho, mas tem algo muito errado aqui. Não percebe que a Isabel não gosta de você e muito menos de homem? Ela vive atrás de mulher. Todo mundo soube do caso dela com a Natália enquanto você estava na casa de seu tio.

 

- Mãe, o caso delas nunca foi novidade pra mim. Eu as vi se beijando - todos se olharam.

 

Isa ficou surpresa com a revelação. Desconfiava que ele sabia, mas que presenciara um beijo, nunca imaginou. Outro rapaz em seu lugar, teria feito um escândalo. "Porque Matheus era assim"! Pensou e sentiu uma enorme vergonha por ter o traído e ele nunca ter dito nada. "Me amava mesmo. Porque eu não amei este homem".

 

- Matheus, se sabia como pôde ficar com essa mulher?

 

- Porque sempre a amei, me senti muito mal, não esperava aquilo dela, mesmo sabendo que ela não gostava de mim como eu... Nem eu mesmo entendo o amor que sinto pela Isa. Mesmo assim vibrava de felicidade por tê-la comigo, e quando não deu certa a história dela com Natália, voltou pra mim e não foi atrás de outra pessoa. Assim pude perdoá-la - olhou para Isabel e sorriu para ela, que estava  com olhos vermelhos. Foi inevitável não chorar. - Não sei o que vai acontecer comigo, se vou morrer ou não, mas vou lutar para ficar bem. Quero viver para fazer uma pessoa feliz e estendeu a mão para Mariana, que ficou vermelha.

 

- Isa, não era assim que eu queria conversar contigo. Vi você se apaixonando pela Julia e, no dia de Natal tive a certeza que você havia encontrado o amor. Por te amar vou deixar você viver este sentimento que eu conheço tanto e sei que é recíproco, pois conversei com a Julia e ela te ama - Matheus largou a mão de Mariana e foi até Isabel que estava chorando muito. A abraçou e disse em seu ouvido: - Não chore. Sabia que um dia isso aconteceria. Namoramos muitos anos e agora chegou o fim. Vou ser feliz também com a Mari - deu um beijo no rosto de Isa e a olhou mais uma vez, repetindo: - Seja feliz! - segurou a mão de Isa e tirou a aliança de seu dedo. Estendeu a mão para ela tirar a dele e Isa o fez entre lágrimas.

 

- Fique com elas - deu um beijo na aliança de Isa que estava em sua mão e a entregou.

 

- Você também.

 

Ele sorriu afirmando: - Vou ser! - Olhou para os pais, depois para Mari. - Mariana, quer se casar comigo? 

 

Seus pais o olharam achando que estava ficando louco.

Mariana esperava um pedido de namoro,  não de casamento. Olhou para Isa que lhe sorria, em seguida para a futura sogra, com a certeza de que seria um saco agüentar aquela mulher.

 

Matheus a olhava com doçura, esperando a resposta.

 

Parte 38

Home   Uber

Hosted by www.Geocities.ws

1