Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo 35
Julia ligou para a clínica solicitando uma ambulância, para o local onde se encontrava Hérica, e foi quieta quase o trajeto todo. Isa estava com medo de algo ter acontecido, e de certa forma tinha sua parcela de culpa, pois havia pedido para Julia tirar Hérica de seu pé.
- Julia, posso perguntar uma coisa?
- Claro que sim.
- O que mandou fazer com a Hérica?
- Eu queria dar um susto nela. Ela estava passando do limite contigo. Então pedi para uns caras a pegarem e levassem para um lugar, só para passar a noite trancada, mas acho que fizeram algo a mais do que eu pedi.
- Julia isso é seqüestro. Ficou louca? E se ela morrer como vai explicar tudo isso? Que queria dar um susto nela porque estava querendo contar algo para outra pessoa.
- Isabel não quero falar disso. Eu sei que errei, quando chegarmos verei o que vou fazer.
- Tá.
O celular de Julia tocou.
- Atende para mim.
- Isa é você?
- Sou eu Vanessa, é que a Julia pediu para atender.
- Vocês sumiram! Se estão juntas fico mais tranqüila.
- Fala para ela acabar com a festa porque não vou voltar para casa.
- Vanessa surgiu um problema e a Julia pediu que você termine a festa.
- O que aconteceu? - perguntou.
- Depois a Julia conversa com você.
- Então, tá. Boa noite.
Quando chegaram a ambulância já estava parada em frente a casa e a maca sendo colocada para dentro.
Julia foi conversar com os para-médicos para saber sobre o estado de Hérica. Enquanto Isa observava Hérica do lado de fora da ambulância, estava desacordada. Procurou Julia e a viu conversando com dois caras bem esquisitos. Nesse momento, o motorista da ambulância pediu licença a Isa, para poder fechar as portas da ambulância. Ela se afastou, voltando para o carro. Julia retornou em seguida.
- Como ela está? - perguntou Isa sem olhar para Julia.
- Nada bem. Quer ir para o hospital ou quer que eu lhe deixe em casa? Não deve estar suportando ficar ao meu lado.
- Julia, eu vou para o hospital com você, mesmo não gostando dela. Acho que nós duas fizemos isso com ela.
Seguiram atrás da ambulância que ia com a sirene ligada despertando a curiosidade das pessoas na rua. Quase meia hora depois chegaram na clínica. Julia desceu apressadamente.
- Isa fecha o carro pra mim, tenho que me preparar para operar a Hérica.
- Eu fecho - respondeu enquanto Júlia já se encaminhava para a entrada da Clínica. - Julia! - chamou Isabel. - Boa sorte!
Julia sorriu. - Eu terei, porque você está aqui comigo. - voltou até o carro e deu um beijo em Isa. - Isso é para eu ter sorte mesmoo, e para você não me esquecer. Obrigada pela noite.
- Julia você tem que ir, porque não pretendo te visitar na cadeia. Sabe como é... eu linda assim, você não teria tempo de me curtir porque ia querer brigar com suas coleguinhas de cela.
- Esqueceu que irei ficar em cela especial. E minhas coleguinhas sabendo que sou médica terão medo de mim. Posso matá-las com apenas uma injeção - sorriu. - Deixa eu ir senão será isso mesmo, que acontecerá.
Isa apesar de estar brincando estava mesmo preocupada com o que poderia acontecer. Julia também estava, podia sentir. Fechou o carro e quando estava entrando na clínica seu celular tocou.
- Oi.
- Isabel precisamos conversar muito sério - disse Mari.
- Precisamos, mas hoje não vai dar. Estou com a Julia na clínica.
- Aconteceu alguma coisa com você? Não que eu me importe, estou indiferente a você.
- To sabendo Mariana. Estou bem, mesmo ninguém se importando. A Julia vai operar uma pessoa e vim ficar aqui com ela.
- Eu estava com raiva de você e dei seu celular para a Natália, ainda não te ligou?
- Não.
- Isabel, por acaso você já me olhou com outros olhos? É que vivo sem roupa perto de você...
- Mari você nem tem idéia dos pensamentos que tenho com você - divertia-se com a situação. - Tem dias que preciso sair de perto dee você, para não te jogar na cama e fazer tudinho... agora que já sabe, é melhor não andar mais sem roupa perto de mim... - estava tentando não rir. - Mariana você ainda está aí? Ficou muda.
- Como nunca percebi isso? Meu deus achei que te conhecia, mas vejo que não tenho idéia de quem você é.
- E para você ver eu digo o mesmo, porque estou brincando com você... acha que sou uma devoradora de mulheres? Bom, Mari quando eu voltar para casa conversamos. E o Matheus como está?
- Está bem. Já foi dormir.
- E seus futuros sogros?
- Tecnicamente são seus ainda. Estão dormindo também.
- Vai dormir também.
- Não consigo ainda estou muito agitada com a noite de ontem. Vejo aquelas pessoas cantando comigo... é uma sensação única e indescritivel.
- Mari por acaso você está conversando comigo de novo?
- Claro que não. Estou zangada com você.
- Sei! Tinha tantas coisas gostosas para comer na casa da Julia, mas você quis sair antes da festa. Eu não vou esquecer aquele copo de vinho na minha cara, e ainda tive que colocar uma blusa da Hérica, castigo duplo.
- Você mereceu e teve sorte de não ter lhe dado um tapa na cara.
- Tive mesmo. Recebi um torpedo.
- De quem?
- Não sei. Será que consigo ler com você na linha? Sabe que eu não entendo nada de celular. Só sei ligar e olha lá. Se desligar já sabe que não desliguei em sua cara.
Apertou o botão para ler a mensagem.
- Bel, hoje, eu sem em seus braços tive a certeza de que meu amor por você nunca se afastou de mim, por mais que eu fugisse ele nunca me abandonou. Volta para mim porque não vou te deixar.
- Mari ainda está aí?
- Sim.
- A Natália que me mandou. Deve estar se corroendo por dentro pra saber o que ela me escreveu, não é Mari? Mas como está indeferente a mim, não vai me perguntar.
Mari não agüentou e riu, afirmando em seguida. - Você sabe que eu te odeio.
- Sei. Te mando a mensagem em seu celular. Agora vamos desligar porque quando chegar a conta, dona Fátima vai nos esfolar viva, porque estamos a quase 10 minutos conversando no meu celular. Pensando bem, logo você se tornará uma estrela do rock e não terá mais que pensar como nós pobres mortais. Estou brincando Mari, mas estou muito nervosa. Não posso te contar o que aconteceu. Depois eu te falo. Beijo.
- Beijo - respondeu Mari.
Isa entrou e foi para a lanchonete, estava precisando de uma xícara de café. Sentou-se. Era a única cliente, também era ano novo, as pessoas estavam festejando o ano que estava apenas começando. Sentiu uma confiança nas palavras de Natália, e não podia negar que ela ainda mexia com seus sentimentos, mas a Julia hoje me mostrou o quanto gosta de mim. E eu que nunca pensei que duas mulheres pudessem gostar de mim. E o que faço? A Natália me surpreendeu. Não esperava que viesse atrás de mim depois de anos. E quando penso que a Julia vai me decepcionar é quando ela me mostra quem é de verdade. Sem contar que ela me faz sentir aquele fogo, que a Mari disse que sente quando se está apaixonada.
- Senhora, o café! - disse a funcionária da lanchonete, despertando Isa de seus devaneios amorosos.
- Desculpa! - ela pegou a xícara e a levou próximo de seu nariz. - O cheiro está bom. - assoprou, levou na boca, mas ao provar achou muito amargo e colocou um pouco mais de açúcar. Pediu um pedaço de bolo de chocolate e comeu com o café. Sempre comia quando estava nervosa. Seu celular tocou.
- Fala.
- Bel, você já foi mais educada. Liguei para saber se recebeu minha mensagem?
- Recebi sim, como posso ser educada com alguém que me deixou para casar.
- Você também ficou com o Matheus até hoje, não sei se você teria coragem na época de deixá-lo para ficar comigo.
- Se eu teria coragem ou não, isso não importa mais. - disse Isa e em seguida tomou outro gole de café. Um grupo de médicos chegou na lanchonete e estavam comentando sobre a cirurgia complicada que a dra Julia estava realizando. Isa sentiu o seu coração ficar apertado.
- Bel você está aí? - peguntou Natália.
- Estou sim, outra hora conversamos. Feliz ano novo para você - disse e desligou. Nem esperou a outra dizer nada, e foi para a sala de espera.
Algumas horas se passaram. Isa acabou adormecendo.
- Isa! - chamou Julia.
Isa acordou e encontrou Julia de pé em sua frente. Estava com o semblante cansado e preocupado.
- Julia, como foi a cirurgia? - perguntou Isabel se levantando e ficando em pé ao lado de Julia esperando a resposta.
Continua....