Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo 28
Isabel,
Eu vou dar um jeito na Hérica, e fica bem linda para mim.
Beijo.
Julia
Enviou o e-mail sem ler o verso no final do e-mail. E acabou não descobrindo que aquela poesia que encontrara era de Isa...
- Alô, disse Carlos...
- Oi, Carlão, como você está?
- Eu estou bem, a Vanessa é quem chegou estressada de sua casa.
- Sabe como é sua esposa, se estressa com pouca coisa, eu queria falar com ela.
- Vou ver se ela vai querer falar contigo. - Respondeu Carlos indo até o quaarto deles. Vanessa estava se arrumando.
- Meu amor, a Julia quer falar contigo. Vai atender?
- Vou. - Ele passou o telefone para ela, que estava calçando suas sandálias de tirinhas, como ia ter que ficar andando pela areia da praia, uma sandália rasteirinha seria o melhor apesar de odiar ficar com o pé sujo de areia. - Amor amarra para mim, que vou falar com essa ing rata.
- Vanessa, olha como fala comigo! Sou sua sinhá... Escrava não tem o direito de falar, só de ouvir e me servir...
- A sua escrava te odeia! Quer saber... Sabe aquele cafézinho que me pede todas as manhãs antes de começar a trabalhar...
- Sei, respondeu Julia.
- Eu cuspo nele todos os dias, por isso que você adora! A dra. Julia toma café com o cuspe de sua escrava....rss.
- Vanessa, que nojeira é essa? - Perguntou seu marido. - Vocês duas são loucas!
Vanessa apenas sorriu para o marido.
- Eu sabia que você me odiava, mas nem tanto, disse Julia. Van liguei para falar uma coisa séria.
- Fala então. - Respondeu Vanessa indo dar um jeito no cabelo.
- A Isa me enviou um e-mail dizendo que foi Hérica que escreveu o bilhete, que desde que a mandei embora está seguindo-a. Para completar ameaçou-a, assegurou que vai contar para o Matheus sobre nós, se a ver comigo. Eu deveria ter pensado que isso era coisa daquela víbora, mas achei que ela tinha ido embora. Hoje ela vai se arrepender de não ter sumido.
- Julia você não pensa, eu deveria ter pensado que aquele bilhete fosse coisa dela, e o que vai acontecer com ela, bom, nem quero imaginar! - Falou Vanessa terminando de amarrar seu cabelo em um rabo de cavalo. Olhou-se no espelho para ver se não estava torto. - Perfeito! - Então começoou a se maquiar.
- Sabe o que me deixou mais irritada? Só eu posso chantagiar a Isa. Ninguém mais.
- Julia, eu não acredito que estava pensando nisso, em vez de estar pensando na Isa, que deve estar nervosa e sem saber o que fazer, e você pensando em quem tem direito de chantagiar a menina? Não sei quem é pior: a Hérica ou você? Acho que quem teve sorte foi a Isabel de se livrar de você. Cheguei a crer que tivesse mudado, mas não, piorou, está mais egoísta que nunca. Estou me decepciona ndo contigo, por mais que eu te ame, não vou ficar contra a Isa quando não quiser mais nada com você, porque está indo por um caminho que, com certeza, ela não vai aceitar.
- Vanessa ela não confiou em mim, não tem idéia de como ela me machucou. Eu estava mudando sim, queria que tivesse visto minhas mudanças, mas não viu. E porque agora tenho que perdoá-la? Só porque descobri a verdade? Não tenho e não vou. Ela não merece mais o meu amor sincero.
- Ela te perdoaria, se fosse ao contrário. Disse Vanessa.
- Mas como não sou ela, não sou tão boa assim.
- Julia, cuidado! Vai acabar perdendo a mulher de sua vida, por causa de seu orgulho idiota. Eu não entendo, você é a pessoa mais generosa do mundo, com seus pacientes, com qualquer pessoa na rua, não gosta de ver ninguém sofrendo, mas não se importa de magoar as pessoas que gostam de você. Só porque tem sentimento ninguém pode errar contigo?
- Estava me esforçando para ser essa pessoa que vocês tanto querem que eu seja, Vanessa.
- Eu só quero que se perdoe, você não teve culpa na morte do Lucas. Depois que ele se foi você mudou para pior. Você sempre foi aquela que disse estar mudando pela Isa. Aquela é a Julia verdadeira!
Julia apenas respirou fundo. Sabia que sua amiga estava certa. Culpava-se pela morte de seu irmão, e sempre que se aproximava o aniversário dele, ficava pior, bebia, saia com mil mulheres, sumia por dias. - Vanessa, tenho que ir, a campainha está tocando, deve ser os caras que contratou...
Realmente a campainha estava tocando e foi abrir. E ao abrir não acreditou no que seus olhos estavam vendo.
O show já estava rolando. Seriam a terceira banda a se apresentar. Entrariam no palco por volta das 10 da noite. Todas as bandas que ali se apresentavam partilhavam o mesmo sonho de serem famosos algum dia, e Mari também o tinha.
Matheus ao deixá-las sozinhas foi caminhar um pouco pela praia. Tirou o tênis e caminhou próximo a água. As ondinhas mais fortes conseguiam chegar a seus pés. Estava confuso e as palavras de sua amiga não saiam de sua cabeça. Por mais que não quisesse enxergar sua noiva não o amaria como ele a amava, e nunca ouviria um eu te amo da boca dela, e Mari se declarou com tanto sentimento, que sentiu vontade de beijá-la. Pensou como fora difícil para ela guardar seus sentimentos por tantos anos. Sempre a como um de seus amigos, e não uma mulher, pois podia conversar com ela sobre tudo, gostavam das mesmas coisas, riam de coisas bobas, que Isa nunca achava graça. - Meu Senhor, será que eu sempre gostei da Mari?
De repente sentiu alguém se aproximando dele e olhou para trás por um segundo. Viu um rapaz alto de olhos azuis, tinha todo o jeito de ser surfista... Virou-se novamente e continuou andando.
- A água está f ria. - Disse o rapaz atrás dele.
Matheus parou e respondeu que sim. Ao parar o rapaz se aproximou dele.
- Oi cara! - Estendeu a mão para Matheus.
- Oi. - Respondeu Matheus apertando a mão do rapaz. - Me chamo Matheus.
- Eu sou o Lucas. Que noite linda, não acha?
- Acho sim. - Os dois olharam para a grande lua cheia que estava sobre o mar. Há dias que o tempo estava nublado, mas aquela noite estava perfeita. O céu estrelado e sem nuvens, o mar calmo e a lua brilhando em seu ápice. - Lá na minha cidade, as meninas que não tem namorado na passagem do ano, tem o costume de à meia noite mostrar a bunda pra lua, pedindo que ela mande um namorado para elas. Meninas do interior têm cada idéia... Minha amiga me contou isso, pois disse que tinha mostrado, lembro que ri o resto da noite da cara dela, acho que zoei tanto com ela, que acabou desacreditando e não conseguindo um namorado naquele ano. - Ficou quieto por uns instantes, pensando que tinha mais histórias para se lembrar da Mari do que com Isa.
- Cara, me interessei por sua cidade! Vai que tem alguma gatinha me esperando? Talvez sua amiga tenha pedido um namorado especifico, e não qualquer um. Quem sabe o pedido dela ainda seja realizado! Basta-lhe olhar para dentro de seu coração para ver que ela sempre esteve a seu lado, e ele não a via. Às vezes, passamos tempo demais ao lado da pessoa errada.
- Pode ser. - Respondeu Matheus. Aquele rapaz indiretamente estava falando o que ele não admitia. Sempre sonhando que Isa fosse amá-lo como queria, mas seu amor não era capaz de mudar o coração de sua noiva. - Será que eu poderia amar a Mari? Mas estou morrendo, não seria justo ela.
Lucas ouvia os pensamentos de Matheus, e sentia a aflição do rapaz a seu lado. - Matheus eu já tenho que ir, foi um prazer te conhecer! - Estendeu a mão e disse: -Não deixe de viver nada por medo . Seja feliz!
- Porque está falando isso para mim? Até parece que está ouvindo meus pensamentos. Cara, você é muito estranho, mas gostei de te conhecer! - Apertou a mão de Lucas.
- Dá próxima vez, não pense tão ato para eu não ouvir... - Brincou Lucas.
- Pode deixar! - Disse Matheus rindo.
- Tchau... Se cuida! Até qualquer dia!
- Você também. - Respondeu Matheus observando o rapaz por uns segundos enquanto se afastava. Virou-se e caminhou em direção à música que ouvia. Olhou para trás e não viu mais o Lucas. Olhou para todos os lados e não tinha como ele ter andado tão rápido. Viu um rapaz nadando no mar, achou que fosse Lucas e seguiu seu caminho.
- Entrem, disse Julia.
- Desculpa te incomodar. - Disse Mari já entrando no apartamento de Julia. - Não dava tempo de voltar para casa. To precisando me limpar. Derrubaram essa porcaria em mim. A Isa di sse que morava aqui. Ela não queria vir, eu a trouxe arrastada. Por favor, onde é o banheiro? - Mari quando estava nervosa só ela falava.
- Fica no corredor, na 2ª porta a esquerda.
Isa se lembrou da última vez que esteve naquela sala. Saiu tão humilhada daquela casa. Mas decidiu falar com Julia. - Você recebeu o meu e-mail que lhe mandei? Quando eu saí de casa, ela estava na esquina. Ou seja, me viu entrando aqui.
- Isa, não se preocupe. Já dei um jeito nela.
- Como assim, que jeito?
- Eu tenho conhecidos. Pedi para darem um susto bem dado nela. Como disse que ela fica parada perto de sua casa, mandei-os para lá. Então este assunto está resolvido. Agora me deve mais uma! - Foi aproximando-se de Isa com um olhar cheio de desejo e Isa afastando-se até encontrar a parede atrás de si. Julia postou as mãos, deixando sua pequena presa assustada entre a parede e ela. - Está com medo de mim, Isa?
- Eu, com medo de você? Ficou louca! - Isa tentava disfarçar o que senntia, medo realmente não estava. E sim nervosa. Só o fato de estarem no mesmo lugar, bastava para todos os sentimentos aflorarem com uma intensidade, que ela não tinha poder de cessar. Antes era mais fácil, mas depois que se beijaram, tornou-se impossível. E as duas tão perto! Não pensou. Agarrou o pescoço de Julia e começou a beijá-la com desejo, mas foi à médica que parou o beijo e se afastou.
- Porque fez isto, Isabel? Não era para ser assim.
Isa a olhou com surpresa. Inesperada a reação de Julia, que sentou no sofá, balançou a cabeça, não acreditando em sua própria reação. Isa era esperta. Sabia como pará-la. Então começou a falar: - Não era para ser assim? Queria ter me beijado primeiro e não esperava eu te beijasse antes. O que foi? Fiz o que você queria. Não é isso que quer de mim, me usar... Então, estou facilitando as coisas pra você.
- Você me desmonta, agindo assim! Não consigo te tratar como qualquer uma que levo pra cama.
- Eu sei disso, Julia. - E quando estava indo para o lado dela, a campainha tocou novamente. As duas se olharam. Julia se levantou e foi abrir a porta.
Entrou um bando de mulheres, que a cumprimentaram com um beijinho na boca... Isa perplexa acabou rindo de sua própria inocência. Julia nunca seria só dela. Sentiu uma grande tristeza. Estavam quase se entendendo, mas agora não havia mais possibilidade de voltarem.
Continua...