Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo 2:
Cinco horas da manhã o despertador de Isabel toca.
- Isabel desliga essa porcaria, eu querro dormir! Disse Mari.
Isa com os olhos fechados ainda, tateou até encontrar o despertador,
sentiu vontade de jogá-lo na parede, mas no mesmo instante se lembrou
do porque dele estar acordando-a. Não formulou uma frase inteira, apenas
palavras perdidas em seu cérebro que ainda dormia. Escola - Aula - Crianças...
foi o suficiente para um sorriso brotar em seu rosto. Espreguiçou. Bocejos
escapavam a todo o momento de sua boca. Levantou-se, olhou para a cama ao lado
e, Mariana já estava dormindo de novo.
Julia foi acordada com um telefonema, no meio da noite. Uma chamada para atender
um de seus pacientes que sofrera um infarto. Estava na clínica desde
as três da manhã, tentando salvar uma vida. Fez tudo o que podia,
mas seu Jorge acabou morrendo.
- Vamos seu Jorge volta, volta, volta. Repetia Julia.
- Dra acabou, ele se foi! Disse uma dass pessoas da equipe.
- Eu não aceito, ontem à noite ele estava bem.
Julia saindo da sala de operação tirou a toca verde e jogou no
chão. Estava muito nervosa e triste. Mil coisas começaram a passar
por sua cabeça. Foi para seu consultório e chorou. Sabia que não
podia salvar todos, mas a morte de seu Jorge mexeu demais com ela. Ficou pensando,
será que não o atendera direito, tantas suposições
que não teria resposta naquela hora.
Tinha que avisar a família dele. Secou as lágrimas respirou fundo.
Levantou-se e saiu.
Na sala de espera encontrou a família. Deveria ter umas sete pessoas
na sala, alguns conversavam. A mulher dele estava sozinha sentada numa cadeira.
Quando chegou à porta, todos se calaram e olharam em sua direção,
a última pessoa que olhou, e já com lágrimas nos olhos
foi a esposa, pressentindo a má notícia. Levantou-se e ficou
esperando. Julia foi até ela.
- Dona Emily eu sinto muito. Fiz tudo oo que pude. Mas ele se foi.
- Eu já sabia. Eu senti que ele não estava mais comigo.
- Eu mesma não acredito, ontem eele estava bem. O que aconteceu?
- Ele ficou muito nervoso com nosso fillho mais novo.
- A senhora está bem, nãoo está sentindo nada? Emily também
era cardíaca.
- Estou bem, Dra Julia.
- Quero ver a senhora semana que vem. AAgora preciso ir, a assistente social
daqui a pouco vem falar com vocês. Meus pêsames a todos.
Julia saiu dali e foi tomar banho. Estava cansada, mas não foi para casa
tinha consultas logo cedo.
Isabel estava pronta para ir para a escola. Recebeu boa sorte e abraços
de Mari e Dona Fátima. Estava feliz e confiante. Mari a acompanhou até
o portão.
- Mari sonhei tanto com este dia, esperro que seja como em meus sonhos.
- Amiga vai dar tudo certo, as crian&cccedil;as vão te adorar! Agora vai!
Porque não é nada bom a tia Isa chegar atrasada no primeiro dia...
- Já estou indo. Beijo
Mari ficou pensando enquanto a via indo com o coração cheio de
esperança... "espero que o sonho dela não se torne pesadelo.
Mari não pense isto", falou para si mesma.
Isabel foi para o ponto de ônibus. Pediram para que chegasse uma hora
antes das aulas começarem. À medida que o ônibus aproximava-se
de seu destino, sentia o coração mais acelerado. Pensava em sua
mãe, queria que estivesse com ela. A carta que havia mandado com certeza
não tinha chegado, contando tudo o que estava acontecendo em sua vida.
Deu o sinal e desceu. Andou até a frente daquele colégio famoso,
antes não parecia tão grande. Foi sacada de seus pensamentos ao
ouvir alguém falando com ela.
- Senhorita, posso ajudá-la? Perrguntou o segurança da escola.
- Pode. Estou um pouco nervosa, hoje &eeacute; o meu primeiro dia aqui, e não
conheço muito bem o colégio, você pode me levar até
a Diretora.
- Posso, por favor, me siga.
Isabel foi tentando controlar sua emoção. Não queria parecer
nervosa demais na frente da diretora.
- Oi, bom dia, Isabel. Disse a seecretária da diretora.
- Bom dia... - disse apenas, pois n&atiilde;o sabia o nome da secretária.
- Vou avisar a diretora que você chegou! Tem água e café
ali. Apontou com o dedo indicador e Isa o seguiu até bater os olhos no
bebedouro. Estava com muita sede, sua boca estava seca. Quando a mulher entrou
na sala da diretora, ela correu beber água, bebeu tanto que parecia aquelas
pessoas que não bebiam água a dias.
- Isabel pode entrar!
- Isabel - Bom dia!
A Diretora se levantou para cumprimentá-la. Ela aparentava uns 45 anos,
tinha cabelos lisos e loiros na altura dos ombros. De estatura mediana, olhos
castanhos claros. Achou bonito mesmo atrás dos óculos. Resumindo
era uma mulher bonita.
- Ainda não nos conhecemos, quanndo esteve aqui conversou com minha sócia
a professora Laura. Sou Adriana. Elas se deram as mãos.
- Isabel você vai pegar a classe da professora Fabiana, que adoeceu, e
não volta até o ano que vem. Eu e minha sócia conversamos
e decidimos contratar uma professora recém formada. Analisando várias
candidatas, achamos que você tinha o perfil de nosso colégio. Inicialmente
iríamos te contratar para dar aulas o ano que vem, para uma turma de
crianças carentes, que foram apadrinhadas por empresários da região.
São crianças vindas de orfanatos e terão a oportunidade
de estudar. Como não esperávamos a licença da professora
Fabiana, resolvemos te chamar agora para substituí-la. Vai ser bom para
você, para se adaptar ao colégio e às nossas regras. Alguma
pergunta?
- Não. Eu entendi tudo.
- Que bom. Isabel não espere muiito das crianças elas gostavam
muito da professora e não serão tão receptivas contigo
nesses primeiros dias, então cabe a você conquistar a confiança
delas. Não vou te esconder, essa é uma classe difícil.
- Difícil, em que sentido?
- Disciplina, são criançaas ricas e mimadas.
- Eu sei que não será muiito fácil, mas tenho que acreditar
que vou conseguir o respeito delas.
Alguém bateu na porta e abriu. Isa que estava de costa para porta não
pode ver quem era, apenas ouviu a pessoa falar, era uma mulher.
- Oi, Dri está muito ocupada?
- Não, já estou acabando aqui. Entra Julia.
Uma mulher de arrasar quarteirões entrou e foi direto cumprimentar a
amiga, ou mais que amiga, pareceu para Isa. Pois deu selinho em Adriana, que
não se importou com sua presença ali. Até naquele momento
não tinha visto o rosto daquela mulher alta, de cabelos longos e negros.
E num segundo depois ela se virou e olhou-a, nossa que mulher é esta,
pensou.
Adriana fez as apresentações.
- Oi, tudo bem! Disse Isabel.
- Tudo. Por alguma razão aquela mulher a deixou tímida, seus lindos
olhos azuis podiam enfeitiçar uma pessoa se não tomasse cuidado.
Sentiu algo que não soube dizer quando tocou a mão de Julia ao
se cumprimentarem...
Julia por sua vez mesmo triste, pensou... "essa loirinha é muito
gostosa, eu a levaria para a cama agora. Seus olhos verdes parecem que me chamam
para algo além de uma noite de amor. Que pensamento é este, desde
que encontrei aquela poesia que estou tendo pensamentos bobos."
Adriana cortou aquele momento.
- Agora você pode ir, Bete vai tee levar para conhecer a sua sala e te
falar como funciona tudo por aqui.
- Tenham um bom dia. Com licençaa?
- Isabel foi um prazer te conhecer! Dissse Julia com uma cara de safada.
- Eu também gostei de te conheceer. Disse e saiu.
- Julia o que está fazendo aqui tão cedo? Perguntou a diretora.
- Eu estava precisando falar com algu&eeacute;m. Perdi um paciente e fiquei mal.
Ontem à noite estive com ele, mas não consegui salvá-lo.
Ando me sentindo vazia, sei lá o que está acontecendo comigo,
normalmente não fico tão triste com a morte de um paciente, como
fiquei hoje, depois de anos perdendo vidas eu parei de sentir.
- Julia você parou de sentir muitta coisa, parou de sentir seu coração,
parou de se importar com os sentimentos das pessoas que você se envolve.
Eu sei porque, mas acho que você se fechou demais para não sofrer e
acabou se tornando uma pessoa fria, bom, mas não tanto... hehe.
- Que bom, ao menos isto, ningué;m reclama na hora, nem a senhora. E falando
nisto vamos sair hoje à noite? Estou com saudade desse seu corpo que
me deixa louca. Venha aqui.
As duas se beijavam com voracidade, quase fizeram ali mesmo.
- Julia pára... eu não poosso... você me enlouquece.
- Eu vou parar, mas se prepara porque eesta noite faremos seu ap. tremer. Beijo...
vou dar um beijo no Julio antes de ir. Até mais tarde! Ah! Esqueci,
que professorinha gostosa essa que contratou, como se chama mesmo, lembrei,
Isabel...
- Você não tem jeito, Juliia. Acho que ela nunca lhe daria bola,
não é o tipo de pessoa que se envolveria contigo, ao menos não
com essa Julia pegadora.
- Ela é bem o seu tipo, "meenininha ingênua" assim eu
vou ficar com ciúmes. Brincou Julia.
- Eu gosto do seu tipo, me pega aqui ass 9 da noite. E some daqui, porque do
jeito que estou, não vou responder pelos meus atos...rss. Beijo.
Bete levou Isa até sua sala e a deixou lá. Voltou para a diretoria
depois de explicar algumas coisas para ela.
Isa olhou para aquela enorme sala, carteiras
enfileiradas, nenhuma se permitia estar fora de lugar. Um enorme armário,
paredes brancas como a neve, em sua mesa tinha um computador. Abriu todas as
gavetas da mesa, encontrou umas chaves que deveriam ser do armário, depois
verificou a lista de chamadas e os nomes dos alunos com suas fotos, seria mais
fácil para lembrar dos rostos de cada um. A professora Fabiana era bem
organizada, detalhou o perfil de cada criança. Começou a ler e
foi surpreendida pela chegada das primeiras crianças na sala. Eram duas
menininhas pareciam grandes para 7 anos, mas se lembrou que ela é que
sempre foi baixinha perto das outras crianças.
- Oi, meninas!
- Oi, disseram. Ficaram olhando para ella. Pareciam que queriam perguntar algo
mais não disseram nada.
Os alunos foram chegando e se sentando, olhavam para ela e começavam
a falar uns com os outros. Isabel ficou sentada olhando para eles também,
esperando todos chegarem. Quando todos pareciam estar já na classe, notou
uma carteira vaga.
Apresentou-se aos alunos.
- Oi crianças, eu me chamo Isabeel e serei a professora de vocês
até o final do ano. Sei que vocês gostavam muito da professora
Fabiana, ela não está muito boa e só voltará o ano
que vem. Não estou aqui para substituir o amor que todos tem por ela,
eu só quero que possamos nos entender até o final.
Isa faz uma pergunta para a aluna que se senta em sua frente.
- Você sabe se o aluno daquela caarteira vaga veio hoje, indicou o lugar
e a menina se virou para ver de quem se tratava.
- O Julio veio sim, não sei porqque não entrou.
Ela olhou o nome e a foto. Decidiu que ia procurar o menino.
- Crianças, vou ter que ir procuurar o amiguinho de vocês, por favor
fiquem em seus lugares.
Ela saiu nervosa, fazia 15 minutos que as aulas havia começado, e nada
do menino. Não podia acreditar que no primeiro dia, logo um aluno sumiu.
Se não o encontrasse teria que comunicar a diretora, Isa andou por quase
a escola toda até onde não conhecia foi, já cansada e com
medo da criança ter sido seqüestrada, indo em direção
a diretoria, viu aquela mulher, a tal amiga da diretora vindo com o menino sem
preocupação alguma, uma raiva lhe subiu na cabeça.
- Eu não acredito. Faz meia horaa que as aulas começaram e seu
filho não entrou... fiquei preocupada. Só porque é sei
lá o que, da diretora não lhe dá o direito de trazer o
menino a hora que queira. Hoje é o meu primeiro dia aqui, não
conheço ninguém, nem sei como voltar para a classe. Fiquei com
medo de o Julio ter sido seqüestrado, faz 15 minutos que estou feito barata
tonta procurando o menino por toda a parte.
"Estou cansada, nervosa e com uma raiva
tão grande da senhora por estragar o meu dia", pensou apenas, afinal
ela era amiga da diretora, e não queria ser despedida no primeiro dia.
- Acabou, Isabel?
- Eu acho que sim... posso levar o meniino para classe?
- Sempre venho vê-lo e a Fabiana não se importa. A Adriana é
minha amiga, e quer saber, não tenho que te dar nenhuma explicação.
Vai meu amor, senão ela terá um treco e terei que salvar a vida
dela, e estou cansada no momento.
Julia disse meio que brincando, mas Isa não gostou.
- Eu vou rezar todas as noites, para quue você nunca precise salvar a minha
vida, acho mais fácil eu salvar a sua, que parece precisar bem mais.
Você já é um caso perdido, já perdi muito tempo com
a senhora. Vamos Julio.
Julio e Isabel foram para sala deixando Julia de pé ali pasmada consigo
mesma, por ter deixado uma completa desconhecida falar daquele jeito e não
conseguir dizer nada, talvez porque aquela jovem tivesse alguma razão.
Continua...