Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo 18
- Isabel o que está acontecendo contigo? Meu
filho doente e você por aí com esta mulher.
- Eu não sei o que está acontecendo
comigo, mas gostaria de ficar sozinha, mais tarde conversamos. Isa se levantou,
foi em direção à porta. Dona Conceição saiu
pisando duro e Isa trancou a porta.
�O que eu fiz�? Perguntava-se querendo uma resposta
para o que já sabia, tinha beijado Julia e não tinha como voltar
atrás. Queria estar feliz, porque foi o melhor beijo de sua vida, mas
não podia.
Julia voltou para casa de Vanessa, estava muito feliz
e triste para ficar em casa sozinha. Precisava falar com sua amiga, o que tinha
acontecido.
- Juli você voltou, que sorriso triste é
esse?
- Van eu estou feliz e triste. E abraçou a
amiga. � A Isa me beijou, nos beijamos, foi o melhor beijo de toda a minha vida,
nunca um beijo mexeu tanto comigo. Foi mágico, foi carinhoso, foi lindo,
os lábios dela tão macios, meu corpo todo tremia, eu sentia em
seus lábios o quanto nervosa ela também estava. Eu me senti dando
o meu primeiro beijo, como pode amiga. Eu encontrei o amor da minha vida.
- Amiga, estou tão feliz, acho que vou ter
que pagar umas promessas, rsss. Eu nunca gostei da vida que levava, mas quando
vi você com Isabel, senti que ela iria mudar a sua vida. Sabe que tenho
o dom de ver a alma das pessoas e de todas as pessoas que já vi ao seu
lado, a Isa é quem te completa. Como dizem é sua alma gêmea.
- Ela me completa. Mas não vai ser nada fácil
para nós. Ela se arrependeu, Julia deixou o sorriso e a tristeza surgir
em seu rosto ao se lembrar das últimas palavras de Isa.
- Como se arrependeu?
- A sogra dela quase nos pegou e aquele momento mágico
desapareceu, a realidade se fez presente. Ela disse que não deveríamos
ter feito aquilo, saiu correndo e, agora não sei o que fazer.
- Quem disse que amar é fácil Julia.
Dá um tempo para ela, agora está se sentindo mal, arrependida.
E se você se aproximar neste momento, ela vai pedir para você ficar
longe. Então deixa ela te procurar quando estiver pronta.
- E será que eu agüento? Ela pode pensar
que o nosso beijo não significou nada para mim. Que foi só mais
um beijo.
- Ela pode até pensar, mas quando te procurar,
diga que foi preciso, porque não queria perdê-la.
- Vanessa posso dormir aqui,? Não to a fim
de voltar para casa.
- É claro que pode.
Isa não conseguiu dormir o resto da noite,
pensava no beijo, o quanto tinha gostado, queria ter dito para Julia, mas em
vez disso, saiu correndo como uma menina medrosa. Agora as coisas mudariam,
mas não tinha idéia se seria para melhor ou pior. Sua cabeça
não era sua amiga naquele momento, lhe atormentava de todas as formas,
�Eu não vou te escutar�, dizia para sua mente.
Se levantou, as 07:07 da manhã de Natal. Foi
para o banheiro e tomou banho. Após 30 minutos, já tinha se trocado
e resolveu sair um pouco.
Saiu sem destino certo, mas seus pés a levaram
até a praia. Sentou-se em um banco e ficou olhando o mar, o sol estava
escondido entre as nuvens. Naquela manhã o mar estava agitado como o
seu coração. Tinha
algumas pessoas fazendo exercícios, outras dormindo na praia, e atrás
dela o edifício de Julia. Virou-se e ficou olhando para a janela dela.
Estava se sentindo sufocada, não podia contar para ninguém o que
estava acontecendo, nem para Mari, que tem o Matheus como um irmão, às
vezes acho que ela gosta dele, além disso.
Seu celular vibrou em sua mão. Olhou para cima
pensando que fosse Julia, a vendo lá embaixo, mas não era.
- Bom dia meu amor, liguei para sua casa e minha mãe
disse, que não sabia de você, disse que deveria estar com a dra.
- Você está com a Julia?
- Não, mas bem que eu queria, pensou Isa. Saí para andar um pouco, e acabei vindo parar
na praia.
- O que foi minha querida sua voz me parece triste?
- É que não consegui dormir, tive uma
insônia terrível. E você como está, dormiu bem?
- Eu dormi, tive um sonho lindo, sonhei com o nosso
casamento. Você em seu vestido branco parecia um anjo, todos os nossos
amigos e família estavam lá. Só achei estranha a Julia,
ela não estava feliz. Cumprimentou-nos e foi embora sem olhar para trás,
você a chamou, mas ela não voltou.
Isa sentiu seu coração ficar apertado,
será que o sonho de Matheus se tornará real? Será que se casará com ele e verá
o seu amor indo embora, com o coração partido em mil pedaços?
- Isa, você está aí?
- Desculpa, meu querido. Eu me distrai olhando o mar.
Estou mentindo para ele. Essa madrugada a Julia me chamou para ver uma queima
de fogos, foi tão bonito, só faltou você, que na verdade
não lembrei.
- Sentiu minha falta, meu amor? Eu sei que você
tem medo de fogos.
- Eu me escondi atrás da Julia..rs. Ela me
protegeu.
- Ficou até muito tarde com a Julia, meu amor?
- Acho que até umas 3 da manhã. E o
resto da noite continuei com Julia em meus pensamentos, é claro que não
disse isso para ele.
- Matheus mais tarde eu vou te ver. Tenho que ir.
Beijos.
Isa não ia voltar para casa naquele momento,
apenas não queria falar mais com seu noivo, estava mentindo para ele
e isso a deixava pior do que já estava, mesmo assim tomou coragem e foi
procurar Julia. Não sabia o que iria dizer, mas queria estar com ela.
Entrou no elevador e apertou o número do andar.
Caminhou devagar, até chegar na porta da médica. E chegando apertou
a campainha, bateu na porta.
- Abre Julia, você dorme feito pedra.
Ainda era muito cedo, decidiu ficar mais um tempo,
quem sabe ela acorda. Resolveu sentar no chão, e nisso que se sentou
viu um papel no chão e o pegou. Dizia:
�Depois que você deixar sua princesinha, estou
em casa te esperando para terminar o que começamos. Gata você estava
uma delicia naquele vestido. Vou te esperar como você gosta, sem nada.
Beijo. Dri�.
- �Sou uma idiota mesmo, por isso que ela não
abriu a porta, foi dormir com a minha chefe. Como pôde fazer isto comigo,
me fala de amor e depois vai se satisfazer com outra.
Eu estou mentindo para o meu noivo, por essa mulher
que não vale nada?!? Achei que mudaria, acreditei nela, mas não
é capaz de mudar é uma perdida�.
Isa chorava de raiva, tinha que sair daquele lugar.
Levantou-se, amassou o papel e jogou onde encontrou e saiu correndo. O elevador
se tornou seu inimigo fazendo que ela ficasse naquele lugar mais tempo e quando
finalmente chega, Julia sai de dentro.
Isabel estava visivelmente transtornada e a olhou
com tanto ódio, que Julia sentiu medo.
- Meu amor, o que foi, porque está chorando?
Vamos conversar. Eu quero te falar tantas coisas. Passei a noite pensando em
nós.
- Julia, cala a sua boca! Eu não sei quem eu
odeio mais, se eu ou você, acho que eu porque acreditei em você,
sabendo como você é, mesmo assim me apaixonei.
- Isabel o que eu fiz? Você enlouqueceu! Porque
está falando tudo isso?
Julia pela primeira vez sentiu raiva de Isabel por
estar falando com ela daquela forma, não tinha feito nada. � Você não acredita que eu mudei?!?
Desde que te conheci, a única coisa que faço é mudar por
sua causa, achei que podia ver minhas mudanças, mas você não
vê. Dei-te o meu coração, agora você o está
partindo e vai se arrepender, porque seja lá o que você está
achando, eu sou inocente.
- Chega, não quero mais ouvir suas mentiras,
sua inocência está na sua porta. Nunca mais me procure. Ela entrou
no elevador e a porta se fechou deixando Julia triste como nunca esteve em toda
a sua vida.
Isabel voltou para o mesmo banco da praia, que tinha
estado e chorou muito.
Julia encostou-se à porta segurando aquele
papel, que tinha feito um mal indescritível em seus corações.
Estava magoada demais para tentar fazer alguma coisa. Entrou e foi direto para
o seu quarto. Não segurou mais suas lágrimas e chorou por horas.