Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo
16
As duas ficaram se olhando, até Julia romper
o silêncio.
- Oi, Isa!
- Oi, Julia.
- Entra, deixe-me ajudá-la. Ao pegar algumas
sacolas da mão de Isa seus dedos se tocaram por um breve segundo, e sentiu
seu corpo arrepiar.
- Eu estava saindo, disse Julia colocando as sacolas
em cima do sofá.
- Eu não vou demorar, só passei para
te dar isto e desejar Feliz Natal. Acho que não vamos nos ver mais estes
dias.
- Eu estava indo para a sua casa, também queria
te dar um presente. E pegou em suas sacolas. Espero que goste, não sou
muito boa em dar presente.
As duas começaram a desembrulhar seus presentes.
- Isa quer beber alguma coisa?
- Quero, estou com a garganta seca. Nossa que lindo!
Julia tinha lhe dado um ursinho de pelúcia com um pote cheio de Chocolates
e um cd. Quer me engordar? Pegou um dos chocolates abriu e deu uma mordida,
e em seguida exclamou: que delicia! Nossa é muito bom! Quer um?
- Não, obrigada. Eu vi que gosta de ursinhos,
procurei um que fosse diferente dos que já tem, o cd gravei numa noite
dessas que não consegui dormir e pensei em lhe dar, apesar de não
conhecer o seu gosto musical. Espero que goste.
À medida que explicava sobre o cd, Julia foi
ficando tímida e um rubor foi aparecendo em seu rosto, �só faltava
isso, eu tímida a essa altura de minha vida. Como ela consegue fazer
isto comigo?�.
Para se recompor, foi pegar a bebida para elas. Teve
que tomar uma dose de uísque puro, que desceu queimando. A seguir preparou
um licor de chocolate para Isa, assim não perderia o gosto de chocolate
da boca, e preparou outro uísque para si, mas neste colocou gelo e um
pouco de água.
Isa já estava arrependida de ter batido na
porta de Julia. Quando a porta se abriu, suas pernas mal conseguiram suster
seu corpo. Seus olhos encontraram os azuis de Julia e sua timidez não
sustentou aquela troca de olhares. Na tentativa de fugir desceu o olhar pelo
corpo de Julia, e se arrependeu ainda mais, porque Julia estava linda! Um vestido
preto de alças modelava-lhe o corpo. Em sua opinião achou-o decotado
demais, porque todos olhariam seus seios, e por uns instantes não gostou
do que sentiu, mas não quis pensar que fosse ciúmes. Calçava
sandálias de salto da mesma cor do vestido, pensou: �bem que ela poderia
ter deixado o cabelo solto, assim esconderia um pouco o que não consigo
evitar olhar�. Perfeita, e o perfume era adocicado como ela.
- Espero que goste, disse Julia entregando o licor
para Isa. Está quieta, ou é impressão minha, perguntou
Julia. Estava até esquecendo de abrir o meu presente.
- Estou cansada. Mentiu porque estava pensando nela.
Para agüentar minha sogra é necessário ter uma paciência
de Jó, a minha já estava se esgotando, então resolvi sair
um pouco. Fui parar no shopping. Que loucura, as pessoas pareciam formigas atrás
de presentes. Matheus nestes últimos dias, tem exigido minha presença
constante a seu lado, por isso não tive muito tempo para fazer compras.
Ainda bem, que a mãe dele está aqui, assim posso descansar um
pouco.
- Eu também sou péssima com presentes!
Disse Julia em tom de brincadeira.
- Não, desta vez você acertou, apesar
de que, vou ganhar uns quilinhos com estes chocolates.
- Se ganhar eu te aviso, ops... desculpa. Falei demais.
Isa acabou rindo, porque Julia falou sem pensar. Apenas
saiu.
- Isa eu estava mesmo precisando de um relógio,
e não tive tempo para comprar outro. Você estava comigo quando
o meu parou, amei. Imediatamente o colocou no braço. Todas as vezes que
olhar as horas, terei que me lembrar de você. Isso vai ser um tormento...
rss.
- Foi por isso que eu comprei, adoro te atormentar...rss.
- E acha que não sei!
Isa sorriu, e não disse nada.
- Julia já vou, estou te atrasando e ainda
tenho que ir para casa.
- Eu te levo.
- Não precisa.
- Faço questão.
- Não vai mudar mesmo de idéia?
- Claro que não. Pegou suas sacolas de presentes,
e Isa as dela e saíram.
- Julia vai passar o Natal na casa da Vanessa, ou
vai para outro lugar?
- Vou passar com a Vanessa.
Isa sentiu um alivio, no fundo não queria ouvir
outra resposta.
- Umas amigas também vão para lá.
- Ah! Foi a única coisa que Isa conseguiu dizer,
sentiu uma certa tristeza, porque com certeza uma dessas amigas ficaria com
Julia. �Isabel pára com isto�, recriminou-se em pensamento.
- Queria tanto que você pudesse ir, disse Julia
quando já estavam chegando no carro.
- Eu também gostaria, respondeu Isa olhando
para Julia. Realmente queria estar ela. Estava tão confusa, com medo
do que estava acontecendo, e sabia que estava o mesmo se passava com Julia.
...�Julia porque você mudou, era mais fácil
te odiar, do que sentir isso�, pensou.
Foram praticamente caladas até a casa de Isa,
apenas ouvindo músicas.
- Tem uma música especial no cd que te dei.
- Qual Julia?
- Não vou dizer, vai saber qual é. Chegamos.
- É chegamos. Isa se virou para Julia, e sorriu
enquanto olhava para ela. Obrigada pela carona. Obrigada pelo presente. E tenha
um Feliz Natal, coma por mim, adoro as comidas de Natal, sou comilona, eu confesso.
Julia riu. - Vou pedir para Vanessa fazer um pratinho
para você. Não sei se meu Natal será muito bom, vai estar
faltando alguém. Julia respirou fundo e pediu: posso te dar um abraço?
- Claro, e as duas se abraçaram.
Foi um abraço demorado, e ambas não
queriam romper aquele momento mágico, se rompessem teriam que voltar
à realidade. Mantinham os olhos fechados, sentindo toda a emoção
contida naquele simples abraço, que era o máximo a que poderiam
chegar, mas que não deixava de ser intenso, verdadeiro e desejado.
O abraço encerrou-se com um beijo no rosto
de cada uma. Por tudo que estavam sentindo esse beijo foi mais que um beijo
na boca. Isa não se conteve e acariciou o rosto de Julia, que fechou
os olhos apreciando aquele toque inesperado de Isa.
- Tenho que ir, disse Isa abrindo a porta e saindo
quase correndo. Não podia ficar mais um segundo sequer ao lado da morena,
porque não iria agüentar.
- Julia saiu do carro e disse: obrigada pelo relógio!
Vou pensar em você todas as horas que olhar para ele, e não vai
ser um tormento.
Isa sorriu, deu tchau com a mão e entrou em
casa.
O cupido me acertou de jeito, pensou Julia enquanto
ligava o carro para ir para casa de sua amiga.
Isa foi direto para o banheiro. Precisava de um banho
frio, mas nenhum banho frio, esfriaria seu coração. Estava sentido
tudo o que deveria sentir por seu noivo, e nunca sentiu nada parecido com ele,
nem quando se envolveu com aquela pessoa de sua cidade. Achou que aquilo foi
bom, mas nem se compara com o que Julia a faz sentir, parece coisa de outra
vida. Não posso, não posso, o Matheus não merece isso,
ainda mais agora que está precisando de mim. Enquanto a água caia
por seu corpo, não segurou as lágrimas.
- Mãe a Isa está demorando a voltar,
disse Matheus. Ela tem sido mais do que eu esperava. A amo tanto, mãe,
não sei o que faria sem ela. Nunca imaginei que pudesse amar uma única
mulher a minha vida toda.
- Filho e ela te ama desta maneira?
- Mãe não importa o quanto ela me ama,
mas o quanto eu a amo. O que interessa é o amor que posso dar a ela.
O amor não tem que ser na mesma medida, não espero mais do que
ela possa me dar.
- Filho você soube de um certo rumor na cidade
com o nome dela. Eu a acho uma moça maravilhosa, mas não confio
nela como antes, se foi verdade ou não, não posso afirmar.
- Mãe, ela era mais jovem e se deixou levar.
Se aconteceu mesmo, acabou fazendo sua escolha, e eu ganhei.
- Matheus, você não precisou se envolver
com ninguém, para saber que a amava.
- Tem razão. Mas nem todo mundo é como
eu, minha noiva não é, e a respeito mesmo assim.
- Filho, acho que você escolheu a pessoa errada
para entregar o seu amor.
- Mãe, eu dei para a pessoa certa. To cansado,
vou descansar um pouco.
Conceição passou a mão no rosto
do filho e resolveu deixá-lo
Julia chegou na casa de Vanessa às 20 horas
e foi recebida com um abraço caloroso de Julinho.
Julia o pegou no colo.
- Oi, dinda, você demorou. Eu estava com tanta
saudade. E encheu-a de beijos.
- Estava mesmo com saudade, eu também estava
do senhor. Cadê sua mãe? Toma, coloque esses presentes debaixo
da árvore.
- Tem algum para mim? Perguntou o menino com os olhos
brilhando.
- Não sei.... ela respondeu.
- Então não vou dizer onde está
minha mãe!
- Não precisa, ela está vindo, disse
e mostrou a língua para o menino.
- Julia, porque está mostrando a língua
para o meu filho?
- Porque eu sou má, rss.
- Você demorou!
- Acabei de ouvir isto.
- Julia, pensamos que não viria, disse Carlos
vindo para cumprimentá-la com um abraço. Julia você está
linda hoje, não tanto como minha esposa.
- Que bom, assim não ofusco a beleza dela,
não estava mesmo com vontade de competir como sua bela esposa esta noite.
- Para sua boba, disse Vanessa. Ela nunca se sentiu
bonita perto de Julia, sempre foi gordinha enquanto sua amiga sempre teve o
corpo perfeito, mas com o tempo se aceitou como era, e era assim que seu marido
gostava, então
parou de lutar contra a balança.
- Meninas deixem-me ir para a cozinha, senão
meu peru vai queimar... Amor dê alguma coisa para Julia tomar.
A casa estava cheia e as pessoas vieram dizer oi,
para ela.
Adriana era uma das convidadas. Aproximou-se e sussurrou
em seu ouvido, - Hoje você não me escapa! Não aceito não.
Você está linda! Disse e voltou a conversar com as pessoas.
Julia ouviu aquilo e se lembrou de Isa, apenas deu
um sorriso sem graça para a mulher.
Julia agarrou o braço de Vanessa e disse: -
Vem comigo.
- O que foi Julia?
- Porque você convidou a Adriana.
- Porque ela é nossa amiga. Julia por acaso
você convidou alguém?
- Não, não convidei ninguém.
- Então qual é o problema?
- É que a Adriana quer ficar comigo esta noite,
mas eu não quero, não to a fim.
- Julia, você está passando bem? Eu nunca
ouvi você dizendo isso, que não está a fim de ficar com
uma mulher, mesmo quando estava com a Hérica, você dava as suas
escapadas.
- Amiga, faz dias que não durmo com ninguém.
- Eu não acredito!
- Pode acreditar, a última foi a Hérica
e não senti praticamente nada, foi só sexo. Van eu me apaixonei,
to apaixonada, nunca senti isso. Achei que o que sentia pela Hérica fosse
paixão, mas não se compara com o que estou sentindo por ela.
Sinto-me uma adolescente quando estou ao seu lado,
fico nervosa, suando, tremendo. Meu coração quer sair pela boca
e, se eu não fosse médica pensaria que estava tendo um enfarte.
E sinto tudo isso, sem ao menos ter dado um beijo nela, bom nos beijamos no
rosto, e naquele momento foi o beijo mais verdadeiro da minha vida.
Vanessa ouvia sua amiga contando como se sentia, e
pela primeira vez via Julia falando de amor. Sentiu uma alegria tão grande
pela amiga que a abraçou.
- O que foi Vanessa, porque está me abraçando?
- Porque esperei tanto por este dia, para te ouvir
falar de amor. Nunca achei legal você cada dia dormindo com uma mulher.
E viu, não precisava disso, seu coração escolheu uma que
você não levou para cama. E ela está gostando de você?
- Está, eu sinto que sim?
- E porque não a trouxe? Quero conhecer essa
mulher que está fazendo isso contigo.
- Você a conhece.
- Conheço?!? Fez cara de não estar segura
de quem é. Até que... - Não, não pode ser, é
a Isabel?
- É, ela mesma. O que vou fazer, ela tem o
Matheus e ele está muito doente. Não tenho coragem de fazer isto
com ele. Na primeira vez que conversamos brincou comigo dizendo para que não
me apaixonasse pela sua noiva. Não respondi nada, porque só queria
levá-la para cama e saciar meus desejos.
Não vou dizer que não quero fazer isto,
mas será para fazer amor pela primeira vez. E não sinto mais vontade
de estar com mais ninguém, o mais incrível disto, só de
ficar ao lado dela, me basta.
Eu que sempre fui viciada em mulher, nunca fui fiel,
agora dispenso qualquer uma, e a Adriana principalmente. Não tenho nada
com a Isa, mas se eu ficar com outra vou me sentir mal, parecendo que a estou
traindo, ou a este sentimento puro que estou vivendo, que só ela conseguiu
despertar
- Julia você está irreconhecível.
- Até eu mesma não estou me reconhecendo!
Gravei até um cd para ela, coloquei todas as músicas que eu gosto.
Tem uma da Shania Twain, que ouvi a pouco tempo, é antiga, creio que
ela nunca tenha ouvido, disse que tinha uma especial, e que teria que descobrir,
se estivermos na mesma sintonia ela vai saber qual é.
- Que cara é essa Vanessa?
- Nenhuma, estava procurando minha amiga aí
dentro.
- Está ainda aqui, quer ver.
-Não prefiro esta.... rss. Relógio novo,
deixe-me ver.
- Acabei de ganhar da Isa, é lindo. É
para eu pensar nela todas as horas do dia.
- É lindo mesmo. Julia está irremediavelmente
apaixonada, porque nunca usaria um relógio desse, pensou Vanessa.
Isa estava se arrumando, quando o telefone tocou,
seu coração disparou, achou que fosse Julia. E foi correndo atender.
- Alô, alô, ninguém respondia,
tinha muito barulho do outro lado da linha.
- Julia é você, está me ouvindo?
- Não é a Julia, sou eu amiga.
- ah, é você Mari.
- Nossa, ficou desapontada.
- Desculpa amiga, é que não estou muito
bem.
- O que foi, a Julia te encheu de novo?
...�É me encheu... de amor�, pensou. Ela não
fez nada, estamos muito bem. Achei que fosse ela, mas ainda bem que não
é.
E me conta como estão meus pais, minha irmã?
- Estão todos bem, vão passar a noite
aqui em casa, está ouvindo a bagunça? Amiga você acredita,
que meu vagaroso namorado, pediu minha mão para o meu pai? Isa vou me
casar... quem sabe não nos casamos no mesmo dia, você já
está noiva mesmo.
- Parabéns amiga, até imagino como ficou
na hora, de boca aberta, e quando acreditou soltou um grito.
- Foi mais ou menos isso, menos o grito, é
que fiquei muda porque não esperava.
Liguei para te desejar feliz Natal, e para te dar
força, porque para agüentar sua sogra tem que ter muita paciência.
- Até que hoje, ela não me encheu muito.
Mari, estou com um olho roxo, eu briguei ontem à noite, mas olha, não
fala nada para ninguém, porque se cair nos ouvidos de minha sogra, estarei
perdida. Estou escondendo usando óculo escuro.
- Isa com quem você brigou?
- Ontem a noite a Julia me chamou para ir em um orfanato,
e aceitei.
- Saiu com a Julia, e ela não quis se aproveitar
de você... brincou Mari.
-Não, ela parou com isto. Então numa
certa hora a Hérica apareceu por lá e veio para cima de mim.
- Assim à toa, perguntou Mari.
- É que ela colocou na cabeça que a
Julia está apaixonada por mim. E por isto a mandou embora de casa.
- E isso é verdade, Isa?
- Não sei, não posso falar por ela.
Amiga eu acabei ganhando a briga, ela ficou bem pior
que eu.
- Alguns dias que fico fora, minha amiga se mete em
briga, desperta paixões, o que mais?
- Nada.
- Mari está ficando tarde, tenho que voltar
para o hospital. Passaremos a meia-noite com o Matheus. Fala para minha mãe
que eu ligo mais tarde, beijo amiga, feliz natal para você e para sua
família.
- Beijo, até mais tarde.
- Até.
Isa desligou e viu o cd que Julia lhe deu, não
ia poder ouvir naquele momento estava mesmo atrasada.
- Julia, o que está acontecendo contigo? Nunca
te vi tão quieta, perguntou Adriana. Não quer ir lá fora,
que eu te acendo um pouco.
- Estou preferindo ficar com meus pensamentos. Disse
e bebeu um gole de sua bebida. E mal olhou para sua amiga.
- Estou vendo que não vamos ficar juntas hoje.
- Acho que não, Julia respondeu secamente.
- Vou te deixar quieta com seus pensamentos.
Julia sabia que tinha magoado Adriana, e sentiu-se
mal.
Já ia dar 23 horas, Julia e Isa não
paravam de pensar naquele abraço. No que estavam sentindo, e ambas sentiam-se
mal, quando pensavam
- Meu amor, você chegou tão quieta. Aconteceu
alguma coisa?
- Não meu querido, não aconteceu nada.
Estou com um pouco de dor de cabeça.
- Você bebeu algum analgésico?
- Não, estou bem. E deu um beijo nele.
Nisso entrou uma enfermeira para medir a temperatura
e trocar um dos soros que havia acabado.
- Daqui a pouco traremos o jantar de Natal.
- Jantar? Perguntou a mãe de Matheus.
- É a dra. Julia faz questão que nestas
datas, sirvamos um jantar para a família dos pacientes, já que
vão ter que passar a noite aqui.
- A Julia é muito boa, disse Matheus.
- Ela é, falou Isa.
- Que bom, porque eu estou faminta falou dona Conceição.
Seu Jose tinha saído para fumar.
23:30
- Julia ainda dá tempo de você ir para
onde seu coração quer estar. Não vou ficar chateada com
você. Se fosse para ir atrás de qualquer uma eu ficaria, mas dela
não.
Julia abriu um sorriso enorme e abraçou sua
melhor amiga, que a conhecia de verdade. � Tem certeza, Vanessa?
- Tenho, vai logo mulher. Julia saiu sem falar com
ninguém apenas deu um beijo no seu afilhado e disse que tinha vários
presentes para ele, mas tinha que ir.
Do outro lado da sala, Adriana viu Julia saindo furtivamente
pela porta. Foi atrás dela, mas não a encontrou.
Nestes dias
23:45
Isa olhava pela janela as ruas enfeitadas, estavam
no 11º andar, e a vista era incrível, podia ver até o mar,
as ondas indo e vindo, fogos de artifícios estourando em pontos isolados.
Olhou para baixo e viu um carro parecido com o de Julia, achou que estava imaginando
coisa, era impossível que estivesse ali. Saiu da janela e foi se inteirar
da conversa. Nisso entrou umas moças trazendo a comida.
23:50
Julia entrou no seu consultório a fim de pegar
o jaleco e seu estetoscópio, para fingir que fora chamada de emergência
para dar plantão. Isso era só para enganar os pais de Matheus
e ele próprio, mas Isa saberia que seria mentira. Só tinha um
lugar em que ela queria estar.
23:53
Isa e a sogra estavam arrumando a mesa para poderem
jantar, quando de repente entra Julia inesperadamente.
- Boa Noite! Chamaram-me de urgência para dar
plantão, pois faltaram 2 médicos e como sou a dona da clinica,
acabei vindo. Como deu uma folguinha lá embaixo vim passar a meia-noite
com... Olhou para Isa... com vocês, que eu conheço.
- Que bom Julia, estamos muito contentes com sua presença.
Disse Matheus.
Isa continuou arrumando a mesa, estava tão
feliz por dentro, que sua vontade era de gritar, mas não podia. Julia
tinha vindo ficar com ela. Seu coração estava em saltos.
Julia se aproximou delas e ofereceu ajuda. Quando
a mãe de Matheus saiu dali, aproximou-se de Isa e disse que não
iria conseguir passar o Natal longe dela.
Isa queria abraçá-la e dizer que estava
muito feliz, que a sua vontade era uma só, a de estar com ela também.
Tiraram a música de Natal que tocou a noite
toda no hospital e colocaram em uma rádio. O locutor começava
a fazer a contagem regressiva 5,4,3,2,1. Feliz natal para todos.
Isa abraçou Matheus primeiro e ele a beijou.
- Feliz Natal meu amor, desculpa te fazeer passar o Natal em um hospital.
- Matheus não ligue para isso. Não importa
onde passamos, mas com quem passamos e estou muito feliz. Enquanto Isso Julia
abraçava os pais de Matheus.
Isa deixou o noivo e foi abraçar os sogros,
enquanto Julia foi até Matheus.
- Meu amigo, Feliz natal.
- Julia não vai ser o último.
- Claro que não. Ela disse ao abraçá-lo.
Ele acabou chorando e ela também. Isa e os pais dele ficaram quietos
vendo aquela cena, seu filho chorando nos braços da médica.
- Estamos nos saindo dois chorões, brincou
Julia e deu um soquinho no ombro dele, enquanto secava o rosto com as mãos.
Os pais dele foram abraçá-lo e as duas ficaram se olhando, caminharam
alguns passos e se abraçaram.
- Julia eu...
Julia colocou sua mão na boca de Isa e disse:
- Eu sei, por isto estou aqui. Isa recliinou a cabeça no peito de Julia
passando o braço pela cintura dela. A médica beijou-lhe a cabeça
e a abraçou ternamente.
Matheus entre os braços de seus pais observou
as duas tão próximas, que pareciam até um casal. Porém,
achou que aquela aproximação era por sua causa. Provavelmente,
sua amiga havia contado para sua noiva, sobre seu real estado e, nesse momento
a estivesse consolando.
Julia jantou com eles, enquanto Matheus ficou apenas
no chá. Por dentro aquele estava sendo o melhor Natal da vida delas.
Os acompanhantes dos outros quartos vieram para cumprimentá-los, e a
noite se transformou em uma confraternização geral.