Palavras ao Vento Fernanda |
Capitulo 13
- Mari que dia é hoje mesmo? 23 de
dezembro? Puxa, perdi a noção do tempo aqui dentro deste hospital.
Matheus está me enlouquecendo, depois que soube de sua doença.
Quer-me o tempo todo ao lado dele. A cirurgia está demorando, a Julia
me disse que seria em torno de 5 horas e já passou de 8.
- Amiga eu queria estar aí contigo,
mas já tinha comprado as passagens e não poderia perder. Aqui
estão todos bem e tristes por causa do Matheus. Na igreja que ele freqüenta
estão orando por ele. Amiga o Matheus tinha razão, a cidade está
linda, toda enfeitada, e até dá para voltar a morar aqui, a modernidade
chegou mesmo, mas isso só vai acontecer, quando eu já for uma
velha cantora cheia da grana. Será bom voltar às raízes.
- Será que vai ter um quartinho nesta
mansão, para uma velha professora e amiga? Mari vou desligar, a Julia
está vindo, depois falamos, beijo!
- Isa a operação não foi o que a equipe esperava,
mas fizeram tudo que podiam. Ele está bem, agora vai ficar algumas horas
na UTI, para se recuperar. Hoje você não poderá vê-lo,
então vá para casa. Julia neste instante afagou o rosto de Isa.
Você parece cansada. Se quiser eu te levo para casa, vou só tomar
um banho e daqui uma meia hora saímos.
- Eu te espero. Isa não quis perguntar,
o que seu coração pressentiu, não queria que fosse verdade,
o que estava pensando e naquele instante, preferiu ficar quieta. - Vou te esperar
na capelinha. Rezar seria a única coisa que poderia fazer para acalmar
o medo que estava sentindo.
- Eu te encontro lá. Falou a médica,
já tirando o estetoscópio do pescoço.
Trinta minutos depois, ao chegar na capelinha,
Julia ouviu Isa conversando com Deus. Preferiu deixá-la terminar suas
orações. Ficou sentada e acabou rezando também. Apesar
do rapaz não ter muitas chances, pois o tumor havia se espalhado, atingindo
alguns órgãos. Sentia muito, afinal nunca conhecera um rapaz tão
bom como Matheus, integro aos seus princípios. É como dizem os
bons morrem cedo demais, e quem não vale nada fica atormentando os outros
até o fim.
Isa olhou para trás e viu Julia ajoelhada.
A médica não parecia o tipo que rezava. Cada dia, Julia conseguia
surpreende-la. Se levantou e foi até ela que também já
estava se levantando.
- Julia, confesso que me surpreendi ao vê-la
rezando, acho que nunca imaginei isso.
- Eu não sou muito religiosa, é
que não gosto de ficar enchendo Deus, só quando é impossível
para eu resolver alguma coisa. Então entrego para ele, que é mais
competente do que eu e vai saber resolver o problema. Mas se quiser saber fiz
a primeira comunhão, e crismei também. Agora só falta me
casar. Isso ainda não vai ser possível, porque os homens acham
que Deus, não permite duas mulheres se casarem na casa dele. E também
não encontrei a noiva. A surpreendi de novo...rss.
- Com certeza, porque eu só fiz a
primeira comunhão. Ao contrario de você, eu adoro encher Deus com
meus probleminhas, ele não me ouve muito, sabia...rss.
- Não, mas agora eu sei. Podemos ir?
- Podemos.
Foram quietas até a casa de Isa.
- Isa, o que você vai fazer mais tarde,
tipo lá pelas 8 da noite? Perguntou Julia.
- Eu não sei, talvez esteja no computador
escrevendo poesias.
- Você escreve poesias? Estou diante
de uma poetisa... que legal!
- Ju para com isso, não sou poetisa...
Continue o que ia falar?
- Ah, é! Quer ir a um lugar comigo?
- Deixe-me ver na minha agenda...rss. É
parece que não tenho nada importante para as 8 horas. Posso perguntar
aonde vamos?
- Não... que curiosa! É surpresa.
- Você é muito má.
- Eu sei!
As duas se despediram. Isa deu um beijo no
rosto de Julia e desceu.
- Obrigada pela carona. Até daqui
a pouco.
- De nada, gosto de ser sua motorista particular...
ah, você tem meia hora! E se atrasar eu vou ficar muito irritada...rss.
Chegando
- Oi baby, como foi seu dia?
- Trabalhei muito.
- Quer que eu te faça uma massagem,
você fica muito tensa depois de uma cirurgia.
- Não se preocupe, já me relaxaram.
Obrigada assim mesmo, com licença. Vou para o meu quarto me arrumar,
pois tenho que sair.
- Eu comprei tudo o que pediu, e mandei para
o endereço que me deu, já deve ter chegado. Acho que você
não vai me convidar para ir, não é?
- Não vou, você nunca gostou
de criança. Deus já sabia que você seria uma péssima
mãe, e não permitiu a criança nascer.
Hérica estava ficando nervosa, não
agüentou e disse.
- Julia a criança nasceu sim, e está
com o pai dela. À parte de ser uma péssima mãe eu concordo,
não nasci para isso. Eu estou tentando, mas você não me
deixa mudar.
- Mentiu para mim. Disse que tinha perdido
o bebê, e agora me diz que deixou com o pai! Estou convencida de que não
vai ser em uma festa de natal que você vai mudar, e não me importo
se quer mudar e, quer saber... Julia chegou bem perto de seu rosto e disse:
Baby, eu quero você fora da minha casa. Amanhã quando eu acordar
não quero mais ver a sua cara.
- Julia eu não tenho para onde ir.
Perdoe-me, não vou mentir mais para você.
- Se o problema é dinheiro, não
se preocupe. Julia foi até sua bolsa e pegou seu talão de cheques.
Toma. Isso é mais que você merece. E sai da minha vida. Você
não me prende, nem com sexo. Não tenho mais que te aturar. Vou
me trocar, você já me atrasou demais. Tenha uma boa vida, se puder.
- Eu vou, mas você vai se arrepender
tanto, baby.
- Não tenho medo de você. E
menos ainda de suas ameaças. Vai procurar outro trouxa para enganar,
porque essa aqui, já não engana mais. Disse isso e entrou no seu
quarto.
Isa não parava de olhar para o relógio.
Já eram 8 e meia e nada de Julia. Ficou pensando em seu noivo na UTI,
e ela ia sair, se sentiu mal, e antes que isso aumentasse, ouviu a buzina do
carro de Julia. Pegou sua bolsa, apagou a luz e saiu.
Isa abriu a porta do carro e quando olhou
para Julia não acreditou.
- Hou, hou, hou... papai Noel chegou... rss.
Ela estava vestida de papai Noel.
- Eu não acredito! Então papai
Noel existe, porque demorou?
- Eu estava mandando a Hérica embora.
- E ela foi?
- Disse que ia. Vamos mudar de assunto. Então,
quer ser um dos Gnomos do Papai Noel.
- Só porque eu sou pequena tenho que
ser um gnomo...rss.
- Quem mandou não crescer. Mas você
será a gnomo mais linda...
- Eu aceito seu convite, mas quanto a mais
linda, não tenho certeza...rss.
- Vamos para o orfanato de um amigo meu,
faz alguns anos que sou a Papai Noel, é muito bom. Eu liguei para a clínica.
Matheus já acordou, e amanhã cedo volta para o quarto.
- Julia será que é certo eu
estar saindo com o Matheus internado?
- Isabel, você não está
saindo para se divertir, está indo para um lugar, onde basta apenas um
olhar, um afago para fazer a felicidade daquelas crianças. Então
não se preocupe, você não está fazendo nada errado,
e com certeza, Matheus não ficará chateado.
- Ele não ficaria. Você tem
razão.
- Eu sempre tenho, rss.
- Você é sempre assim, convencida?
- Sempre, às vezes eu mesma não
me agüento...rss. Isa onde você vai passar o Natal, já que
não pode ir para sua cidade?
- Vou passar com Matheus na clínica.
Meus amigos viajaram, e eu não teria coragem de deixá-lo sozinho.
E você?
- Vou passar na casa da Vanessa.
- E a
sua família?
- Minha mãe e meu irmão moram
fora do país. Meu pai e meu irmão mais novo já são
falecidos. Às vezes, o meu irmão aparece para mim. Naquele dia
que salvei o Matheus na praia, ele pegou uma onda comigo. Disse-me para eu abrir
o coração para o amor. E passou uns dias, a Hérica voltou.
Achei que ele estava falando dela, para eu dar uma outra chance a ela, mas agora,
acredito que ele não falava dela. Acho que você está me
achando uma louca, que conversa com gente morta.
- Se fosse outra pessoa a me falar isso,
juro que não acreditaria, mas vindo de você, eu acredito.
- Porque você acredita em mim?
Isa respirou fundo, pensou uns instantes,
antes de responder. Olhou para Julia e disse: - Porque você está
vestida de papai Noel, todo mundo sabe que papai Noel, não existe, e
mesmo assim acreditamos nele. E se não estivesse vestida assim, eu acreditaria
também.
Julia ficou emocionada, e não conseguiu
dizer nada, apenas que tinham chegado.
Vanessa e outras pessoas estavam na porta
do orfanato esperando Julia. Desceram do carro e Vanessa já foi logo
falando: Julia pensei que não viesse mais.
- Já cheguei, calma. Tá vendo
Isa, essa aí não vive sem mim.
- Vanessa eu não tenho culpa... oi,
como você está?
- Oi, eu não sabia que você
viria. Tudo bem, e deu um abraço em Isa.
- E eu nem sabia aonde viria, até
agora a pouco.
- Julia, já está tudo pronto,
as crianças estão ansiosas pela chegada do papai Noel... Isa vamos
entrar, acho que você vai ser umas das gnomos...
- Eu disse que você tinha cara de gnomo..rss
Isa olhou para ela, não pode dizer
nada, porque Julia colocou o dedo na boca dela, - não quero saber...rss.
Vão meninas, estão me atrasando!
Vanessa e Isa entraram.
- Isa a Julia falou por que demorou? Ela
não gosta de chegar atrasada em nada.
- Ela disse que estava mandando a Hérica
embora.
- E ela está tão bem assim?
- Se não estiver fingindo que está
bem, depois saberemos se isto a afetou ou não. Ela chegou na minha casa
bem.
- Ela não é de fingir, se estivesse
mal, eu saberia. Acho que desencanou de vez daquela sujeita. E me fala do Matheus,
como ele está?
- Ele operou hoje, e eu não poderia
ficar com ele, já que só amanhã é que voltará
para o quarto. Pelo que Julia não me falou, sinto que ele vai ter que
lutar muito, eu não consegui perguntar isso a ela, mas meu coração
está apertado... acho que ela sentiu, e na tentativa de ocupar meu tempo
e minha mente, acabou me convidando para acompanhá-la.
Entraram em um grande salão, onde
havia crianças correndo por toda a parte, muitas pessoas espalhadas em
grupos conversando animadamente. Músicas de Natal tocando ao fundo. Uma
enorme árvore de Natal com os presentes estava no fundo e, ao lado estava
o trono do Papai Noel. Avistou algumas mulheres com gorro de Papai Noel igual
ao dela, logo pensou devem ser as gnomos da Julia.
Vanessa levou Isa até onde estava
seu marido e alguns amigos, entre eles sua chefe, a diretora Adriana.
- Isabel, você por aqui? E aí
como vai? Pensei que você tinha ido viajar!
- A Julia me convidou. Estou bem. Não
pude ir, porque meu noivo está internado.
- Internado, o que ele tem?
- Hoje ele operou um câncer. A Julia
disse que ele está bem.
- Eu sinto muito. Ele vai ficar bem. Pensei
que você não falasse com a Julia, ouvi tantas coisas, ainda bem
que não dei ouvidos, porque vocês acabaram amigas.
- Ficamos amigas.
A conversa parou por aí. As luzes
se apagaram, a música parou, de fundo só se ouvia o som de sinos
badalando, e o velho conhecido hou, hou do papai Noel. À medida que ela
entrava no salão as luzes iam se ascendendo uma a uma e as crianças
começaram a gritar, ao ver o tão esperado Papai Noel. Julia adorava
este momento de poder ouvir os desejos e sonhos daquelas crianças tão
pequenas e já com uma bagagem de sofrimento tão grande. Acompanhava
com prazer o desenvolvimento delas a cada ano. Alguns já eram adolescentes.
Vanessa, como sempre, era quem organizava
tudo. Chamou todas as moças que seriam as gnomos, organizando-as e explicando
o que cada uma faria. Umas iriam organizar as crianças em fila, outras
dariam os presentes, depois que falassem com o papai Noel, outras tiravam fotos
e, outras as levariam até o papai Noel. Esta foi a função
de Isa. E cada uma foi executar sua tarefa.
- Julia quer beber um pouco de água
antes de começar?
- Não, estou bem. Pode começar
a chamar as crianças.
As crianças já estavam na fila
aguardando serem chamadas. Vanessa fez um sinal para que Isa levasse a primeira
criança até o papai Noel.
- Oi papai Noel!
- Oi, lindinha, como se chama?
- Nandinha
- Oi, Nandinha. Como você está?
Tem se comportado bem?
- Eu to bem, mas não sei se me comportei
bem, as tias que devem saber melhor do que eu. Papai Noel eu to com uma dor
aqui dentro de mim. Não sei o que eu fiz para a minha amiga Marcinha.
Ela não quer mais brincar comigo, não fala mais comigo, sinto
falta dela, vejo ela com outras crianças muito feliz, e eu fico triste,
porque não posso mais brincar com ela... o senhor podia falar para ela
ficar minha amiga de novo? Só quero que fale comigo de vez em quando.
- É só isto que quer do papai
Noel? Eu acho que tenho um presente para você ali no meu saco. Dá-me
um abraço, que passa sua tristeza.
- Tchau papai Noel. De onde Isa ficava ouvia
perfeitamente a conversa das crianças com o papai Noel. Achou que Julia
podia ter falado algo mais para a menininha.
As crianças foram conversando com
o papai Noel, e logo em seguida ganhava o seu presente. As crianças estavam
espalhadas pelo salão felizes com seus presentes, brincando, mostrando
para seus amiguinhos.
Isa notou que Julia sempre tinha uma solução
para os problemas das crianças, e saiam do colo dela com mais confiança.
Mas com aquela menininha, ela não conseguiu falar. Faltavam três
meninas e uma delas deveria ser a Márcia. A sua curiosidade foi maior
e perguntou o nome de cada uma. A última era a tal menina.
Era a mais alta das três, branquinha
como a neve e tinha os olhos verdes como os dela, aparentava ser mais velha
que Nandinha.
De vez em quando as duas trocavam alguns
olhares, quando Isa levava outra criança para ela. E especialmente agora,
que ambas esperavam por esta menina.
A pequena Nandinha se levantou e ficou olhando
aquela pessoinha que tanto gostava com o papai Noel.
- Oi menina, como se chama?
- Márcia
- Tem se comportado?
- Tenho, eu não fiz nada de errado,
fui boazinha.
- Isso é bom, assim que eu gosto,
de meninas boazinhas. Marcinha você tem brincado com todas as suas amiguinhas?
- Tenho papai Noel. A única que não
brinco mais é com a Fernanda, não gosto mais dela.
- E porque?
- Não tenho mais vontade de brincar
com ela. Eu me cansei dela.
- A Nandinha sente falta de brincar contigo.
Ela não deixou de gostar de você.
Julia olhou para frente e viu Nandinha olhando
para elas, com os olhinhos cheios de esperança.
- Eu não sinto nem um pouco, nem lembro
que ela existe. Nem que ela precise de mim, eu não vou querer saber,
então papai Noel, o senhor vai me dar o presente que eu pedi em minha
cartinha?
- Márcia vai pegar o seu presente...
Hoje ele é importante, mas daqui um
tempo, você não vai querer mais saber dele, descarta pessoas e
coisas da mesma forma, pensou enquanto a menina ia pegar o seu presente.
Julia ainda ficou sentada olhando o salão
todo, as crianças brincando, os adultos conversando. Vanessa parecia
uma formiga, indo de lá para cá. Carlos estava cuidando da comida,
e o Julinho brincava justamente com aquela menininha de coração
partido. Tinha que falar com ela, e dizer que não poderia fazer nada,
pois sempre encontraria pessoas que se cansam da gente. Que sempre perderia
pessoas que gostava, sem fazer nada. Ela sabia muito bem o que a menina sentia,
porque tinha a idade dela, quando teve seu coraçãozinho partido,
e piora quando crescemos, falou olhando para a menininha que brincava com seu
afilhado. Naquele instante resolveu não falar com Fernanda, quem sabe
a história dela fosse diferente da dela.
As suas gnomos estavam muito animadas, eram
todas amigas e ficantes, menos uma, Isa, que agora estava contando histórias
para algumas crianças. Respirou fundo e se levantou, não ia ficar
de papai
Noel a festa toda.
Enquanto Julia se trocava, uma pessoa não
esperada entrou no orfanato. Pegou uma bebida e foi em direção
a Isa, que não percebeu, porque ainda continuava a contar historinhas
para as crianças.
Sentiu um soco que a derrubou. Meio zonza,
ainda no chão, olhou para aquela figura que já conhecia, as crianças
começaram a gritar e saíram correndo.
- Levanta sua vagabunda! Então é
você que anda relaxado a Julia? Por sua causa ela me expulsou de casa.
Eu não vou perdê-la para uma coisinha insignificante como você,
uma pobre sem classe. A Julia gosta de mulher de presença como eu, e
não disso. Ela está só se divertindo contigo, sua boba...
que de Boba não tem é nada, só deve estar interessada no
dinheiro dela. Eu conheço o seu tipinho, que faz qualquer coisa para
se dar bem na vida.
Isabel se levantou com uma raiva que nunca
havia sentido e, partiu para cima de Hérica, que acabou caindo junto
com ela. As duas começaram a brigar. Isa com uma mão agarrou nos
cabelos puxando-os, enquanto com a outra mão dava tapas na cara de Hérica,
que se defendia distribuindo murros em Isa.
O pessoal veio para separar as duas, mas
Vanessa não deixou. Sabia que Isa daria conta de Hérica.
E Julia continuava no banheiro se trocando.
Isa começou a gritar enquanto batia
na mulher: - Eu não sou como você, sua idiota, muito menos interesseira.
Você tem que ser muito mais decente do que eu para poder falar de mim,
como sei que não é, cala essa sua boca nojenta, porque não
me conhece. Bem que eu queria ter mandado a Julia te expulsar como uma cadela
sarnenta. Você pode ter todo dinheiro do mundo, pode ser a mulher mais
linda do universo, eu sou pobre sim, mas as pessoas me respeitam, gostam de
mim e você?!? Acho que neste lugar não deve ter uma pessoa sequer
que goste de você, nem mesmo Julia. Sabe, tenho pena de você! Falou
e se levantou deixando Hérica no chão.
Julia apareceu no salão e viu Isa
vindo em sua direção, tinha sangue em seu rosto, se preocupou
na hora e foi ao encontro de sua amiga.
- Isabel o que aconteceu com você?
- Julia não quero falar agora, onde
é o banheiro? Estava tão brava, com dor, indignada e envergonhada.
Julia apenas apontou a direção
dos banheiros para ela, e não insistiu, deixou-a ir. Optou por ir saber
o que tinha acontecido, quando viu Hérica se levantando. O nariz sangrava.
O ódio tomou conta dela. Foi para cima de Hérica, levantou-a pela
gola da blusa e ficaram cara a cara.
- O que você fez a ela?
- Eu não fiz nada, só disse
umas coisas que sua garotinha não gostou. Agora me larga, vocês
duas se merecem, são muito idiotas. Vou sair da sua vida, vou deixar
ela mesma te magoar.
- Isso nunca vai acontecer, gritou Julia.
- Adeus baby.
- Julia deixe-a ir. A Isabel já a
colocou em seu lugar.
Julia acabou soltando Hérica, que
foi embora, sem olhar para trás.
- Tem alguém que está precisando
de você. Falou Vanessa.
Julia começou a caminhar em direção
aos banheiros. Um medo tomou conta de seu ser, não podia perder a amizade
de Isa, mas tinha que enfrentá-la, afinal tudo isso era por culpa dela.
Respirou fundo pegou na maçaneta da porta, girou e foi abrindo devagar...
Continua....