Palavras ao Vento

Fernanda

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Capítulo 12

 

- Matheus eu vim ver como você está.

 

- Tem certeza que veio me ver?

 

Julia o olhou assustada. Realmente foi para vê-lo, mas não podia deixar de notar a presença de Isa, que era linda. Será que olhou demais para ela, que ele acabou notando? Isa também me olhou não posso levar a culpa sozinha... pensou.

 

- Eu vim ver você, se eu tivesse lhe atendido hoje de manhã... vou ser sincera, fiquei 3 horas dentro do meu carro, vigiando uma pessoa que não vale a pena. Só perdi o meu tempo, porque ela não fez nada errado.

 

- Você é ciumenta deste jeito, Dra? Perguntou Matheus. Ao perceber que Julia estava em outra, seu ciúme desapareceu, e ficou bem, não tinha que desconfiar dela.

 

Isa ouviu a conversa dos dois e por dentro sentiu raiva novamente de Julia. Tinha voltado com aquela Hérica. Ontem mesmo estive disposta a beijá-la. Ainda bem que não o fiz, porque agora sim eu me arrependeria. Essa mulher merece sofrer nas mãos daquela víbora, as duas se merecem.

 

- Eu não confio nela, Matheus. Percebi que está tentando mudar, mas eu não acredito, apesar de estar sendo sincera comigo, e mesmo a sinceridade dela, me angustia. Eu sempre escolho a pessoa errada para gostar.

 

- Você escolhe porque gosta deste tipo de gente, é a lei da atração. Isa falou sem tirar os olhos do livro.

 

- Está dizendo que eu não presto, Isabel?

 

- Eu não disse nada, quem está dizendo é você. Eu não te conheço, e o que eu já conheci... bom deixa para lá.

 

Julia se virou para Isabel e olhou bem nos olhos dela e disse: - Isabel, pensei que tínhamos superado isto, mas pelo que vejo você não é melhor do que elas, deve ser por isto que eu... bom deixa pra lá.

 

- Meninas vocês estão em um hospital. Eu só quero entender o que se passa com vocês duas. Isabel você não disse que eram amigas? Seja como for, você tem que respeitar as escolhas dela, você não tem nada com isto.

 

- Está ouvindo Isabel, o Matheus está certo. Eu aceito o seu jeitinho, e deu um beijo na bochecha de Isa, que ficou vermelha na hora e sem palavras. Vou conversar com o médico que o atendeu.

 

- Matheus você não tinha que defendê-la. Ainda tive que ouvir que sou como as... é demais. Isa estava irritada com os dois.

 

- Se comportando assim fico sem entender. Eu nunca vi você deste jeito com ninguém, nem mesmo com aquela garota de nossa cidade, que era sua amiga e de repente você começou a odiá-la.

 

- Não me lembre desta pessoa Matheus. Foi a maior decepção de minha vida. Você coloca tanto sentimento em uma amizade e de repente você não é mais importante, e é esquecida como se nunca tivesse feito parte de sua vida.

 

- Meu amor venha aqui comigo, esquece o passado, já passou. Eu nunca vou te decepcionar. Posso te irritar às vezes, mas saiba que nasci para ser só seu nesta vida, sem você sou um homem incompleto.

 

- Para com isto, não sou toda essa perfeição que você acha que eu sou.

 

- Eu sei que não é, mas te amo mesmo assim. Eu perdoei o seu deslize.

 

..Será que ele sabe o que aconteceu com a Natália?!? Mas ele estava morando com os tios em outra cidade. Talvez por isto me fez lembrar dela agora.

 

 

Julia voltou com a alta de Matheus.

 

- Vamos embora. Vou levar vocês para casa.

 

Os três foram calados para a casa de Isabel.

 

- Chegamos!

 

Já passava das 2 da manhã. Matheus saiu do carro primeiro. Despediu-se de Julia e entrou. Isa ainda ficou no carro.

 

- Isabel preciso falar com você sobre o Matheus. Vou dar uma volta, daqui uns 15 minutos retornarei.

 

- Tá, eu te espero.

 

Vinte minutos depois Julia encostou o carro na frente da casa de Isabel, que já a esperava. Foi até o carro e a convidou para que entrasse.

 

- Vamos até o quarto da Mari, ela não está.

 

As duas entraram e Isa trancou a porta. Julia sentou em uma das camas que tinha no quarto.

 

- Isa senta. Eu não vou te agarrar... rss.

 

Isa se sentou na frente de Julia.

 

- O Matheus está mesmo doente, os resultados de alguns exames confirmaram minhas suspeitas, é o que eu imaginava. Ele está com um tumor. Vou interná-lo, e em alguns dias terá que ser submetido a uma cirurgia. Faz alguns anos que não atuo como oncologista, e acho melhor eu não cuidar dele. Vou passá-lo para um outro médico. Quis te dizer antes, para que você já esteja a par da situação. Vai ser muito complicado.

 

- Julia eu não estou acreditando nisto, o Matheus não pode estar com esta doença. Ele nunca fica doente.

 

- Ele está! E você vai ter que ser forte. Disse Julia olhando cair as primeiras lágrimas dos olhos de Isa.

 

Isabel chorava copiosamente. Julia não tendo o que dizer, se levantou, sentou-se ao lado dela e, envolveu-a em seu abraço. Acabou

chorando junto com Isabel. Mal conhecia o rapaz, mas estava triste por ele.

 

Depois de uns minutos Isa foi se acalmando, mas a proteção que sentia nos braços de Julia a deixou perturbada. Nunca sentiu essa sensação nos braços do noivo. E tentando dissipar o que sentia, se mexeu de um modo que Julia retirasse seu braço. E olhou para ela. Ao ver seus olhos ainda lacrimosos, ficou ainda mais perturbada.

 

Julia havia chorado também por Matheus? E tal constatação a fez admirar aquela mulher, que a levava da raiva ao carinho em segundos. E sem dizer nada, Isabel apenas entrelaçou sua mão na de Julia e deitou sua cabeça em seu ombro. Julia mesmo não entendendo o porque daquilo, não questionou e aproveitou aquele momento. Isabel era diferente de todas que havia passado em sua vida, queria poder tê-la assim para sempre.

 

- Julia não deixa o Matheus morrer!

 

Julia ouviu aquilo e sentiu um aperto enorme no coração.

 

- Isa eu não posso te prometer isto. Vou acompanhar todo o tratamento dele, mas pessoalmente não posso cuidar dele, não suportaria ver em seu olhar, que eu não consegui. Você pode contar comigo para qualquer coisa. Na minha clínica ele vai ser bem cuidado. Isso eu posso prometer. Além disso, só Deus sabe. Ele é um homem de Fé, vai vencer.

 

- Tá eu entendo, apenas porque senti sinceridade em suas palavras. Se fosse em outro momento talvez não acreditasse. Olhou para Julia e disse: desculpa aquilo que eu disse no hospital, fiquei com raiva. Não suportei saber que depois de tudo o que passamos no domingo, você tenha voltado a ficar com aquela mulher horrível, que te faz perder o juízo.

 

- Eu não sei o que acontece, quando estou ao seu lado, não consigo mentir, omitir, por mais, que não me agrade que você saiba, de coisas que faço. Não ligo para o que pensam de mim, não dou satisfação para ninguém desde que eu tinha 15 anos. Sempre fui independente demais, e coisas que eu sinto quando fico perto de você, é perturbador para mim, porque nos conhecemos a 4 dias apenas. E de repente entramos uma na vida da outra, tão profundamente e nem sabemos qual é a nossa cor favorita. Talvez nós já tenhamos nos encontrado em outra vida. Porque me sinto muito à vontade a seu lado, e não falo isto porque gosto de mulher, mas você é muito linda... é melhor que eu me cale, porque minha sinceridade pode chegar ao extremo... Não estou acostumada com isto. Acho que não vou poder ficar andando muito com você...rss. 

 

- Pára sua boba! Eu também me sinto muito à vontade ao seu lado, quando você não me irrita. Não sei porque me importo tanto contigo, não sei de onde está vindo esse sentimento todo, por uma pessoa que mal conheço, e que me leva da raiva à admiração. Isso me perturba. Talvez tenha razão, devemos ter nos conhecido em outra vida e, com certeza fomos muito amigas, e agora voltamos a nos encontrar...

 

- Tudo é possível, mas agora tenho que ir embora, já está muito tarde. Vejo vocês pela manhã.

 

Saíram do quarto, cada uma com seu coração em paz, após dizerem tudo o que sentiam, o que foi bom para ambas.

 

Isa acompanhou Julia até a porta, se despediram. Isa ficou esperando-a entrar no carro e antes disso, gritou para a médica: - Minha cor favorita é verde. E Julia no mesmo tom respondeu: - e a minha é azul.

Sorriram mais uma vez, cúmplices. E Julia foi embora.

 

Continua...

 

Parte 13

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