Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo 11
Isa ao acordar lembra-se da história
do dragão e ri! - Adorei falar com ela ontem à noite. Levantou-se
e foi tomar banho.
Matheus e D. Fátima já estavam
acordados, com o café pronto, quando Isa apareceu na cozinha.
- Bom dia, filha! Disse D. Fátima.
- Bom dia! Deu um beijo na cabeça
de D. Fátima e outro beijo
- Isa, vou sair com você, meus exames
estão marcados para as 7 da manhã.
- Você dormiu bem, Matheus? Perguntou
sua noiva.
- Dormi. Acordei certa hora achando que o
telefone havia tocado, mas como não ouvi nada depois, conclui que deveria
estar ouvindo demais.
- Ele tocou sim. Eu atendi. Respondeu Isa.
- Quem era? Perguntou D. Fátima passando
manteiga no pão.
- Era a Julia.
- A Dra. Julia? O que ela queria meu amor?
- Essa dra é a mesma que você
discutiu na escola, Isa?
Isabel ficou vermelha. Às vezes D.
Fátima falava demais. Matheus não sabia que já nos conhecíamos.
Julia mentiu e eu não desmenti. Olhou-me com desconfiança, pensando
no porque mentimos para ele.
-É a mesma.
- Porque mentiram para mim? Agora estou entendendo
a razão de sua hostilidade com a Julia, no sábado. Mas para que
fazer isto? Isabel você está cansada de saber que não gosto
destas coisas. E discutiram porque? Quis saber o noivo bem irritado, que parou
de comer.
- Desculpa Isa, acho que falei demais, eu
não sabia.
- Porque não nos entendemos a princípio.
Mas agora já somos amigas.
- Não vai me falar. Tudo bem. Mas
saiba que estou chateado. Eu já vou indo.
- Não íamos juntos? Falou Isa
indo atrás de seu namorado.
- Não vamos mais.
- Que saco! Eu estava tão contente.
Vou indo também, não quero chegar atrasada.
Julia já estava indo para a Clínica,
quando Hérica a puxou e deu-lhe um beijo bem quente. Não recusou,
mas também não sentiu nada.
- Julia eu não tenho para onde ir.
Estou com problemas, sem grana. Tive que pagar uma indenização
absurda para uma paciente. Cometi um erro, perdi minha licença para clinicar
e não sei o que fazer da minha vida. Sei que não presto, mas estou
precisando de sua ajuda.
- Pode ficar, mas não pense que vamos
voltar. E não precisa ficar me seduzindo para ter comida e um teto para
dormir.
- Tudo bem. Obrigada. Continua a mesma idiota
de sempre, qualquer besteira que eu invente ela acredita. Eu sem grana?!?...
Pensou.
A verdade era que estava fugindo de um bandido
internacional. Ele quis mudar o rosto e a contratou, só que não
saiu como solicitado. Antes que ele visse o resultado, ela pegou suas coisas
e entrou no primeiro avião para o Brasil. Veio se refugiar na casa e
nos braços de Julia, que sempre engolia suas mentiras. Era uma atriz
nata.
“Se humilhando, porque alguém acostumada
a mandar sempre, tratar as pessoas com arrogância, deve ter sido difícil
para ela pedir ajuda. Espero que mude”. Julia foi pensando enquanto seguia para
a clínica.
Na escola, Isa não foi chamada na
diretoria, então pôde relaxar, e dar início à sua
aula tranqüilamente.
Julia, ao chegar em seu consultório
recebeu apenas um “bom dia” seco de Vanessa, que estava arrumando o consultório
do jeito que ela gostava.
- Vanessa podemos conversar?
- Agora você tem paciente para atender,
na hora do almoço conversaremos. Precisa de alguma coisa? Porque já
vou mandar o seu paciente entrar.
- Preciso que minha melhor amiga me desculpe!
Vanessa ouviu e saiu da sala sem responder
nada. Estava muito chateada com Julia.
Enquanto isto, Matheus no ambulatório
fazia seus exames. Estava se sentindo tão cansado. No meio da noite sentiu-se
muito mal. A sudorese noturna estava se tornando freqüente, passava mais
tempo trocando de roupa do que dormindo. A caminho da clínica, começou
a pensar no porque reagira daquela forma. Conhecia Isabel, sabia que se ela
não dissera nada, porque de fato, não era importante.
O celular de Isa tocou. Estava na sala dos
professores, pois era hora do recreio. Saiu da sala e ficou no corredor.
Isabel atendeu. - Oi!
- Meu amor, não se esqueça
nunca, que você é a pessoa mais importante do meu mundo. E isto
jamais irá mudar em meu coração. Desculpa por ter sido
um tolo. Você não disse nada porque não era importante.
Conheceram-se em circunstâncias erradas, e o melhor foi ignorar este primeiro
contato, que acredito não foi bom para nenhuma das duas. Se são
amigas agora, eu fico feliz. Era isto, o que queria dizer, tenho que ir. Beijo.
Matheus desligou sem Isa dizer nada. Ficou
encostada na parede lembrando das palavras de seu noivo. Às vezes tinha
medo desse amor tão grande que ele sentia, e que não era correspondido
na mesma proporção. Ficava triste, porque ele era um cara que
qualquer uma gostaria de ter. Com o celular ainda nas mãos, mandou uma
mensagem de texto para ele.
“Eu nunca vou esquecer você. Porque
está sempre comigo”.
Matheus leu a mensagem e ficou feliz. Já
estava na hora de sua consulta com Julia.
- Bom dia Vanessa, você trabalha aqui
também, é médica? Você tem uma família linda,
adorei o Julio, ele é tão esperto para a idade dele.
- Eu sou a secretária da Julia. Você
é muito gentil, minha família é tudo para mim, e o Julio
é o meu presente de Deus, às vezes ele me surpreende com suas
palavras. Tem horas que é mais sensato, que eu. E a Isabel está
bem?
- Está. Porque?
- É que a Hérica falou coisas
desagradáveis para ela.
- Não sei quem é esta Hérica,
mas se ela ofendeu a Isa, com certeza, não deve ter ficado sem resposta.
- Você não está sabendo.
Eu e minha boca enorme. Desculpa falei demais.
- Já ouvi isto hoje, mas não
quero me meter nesta história.
- Faz muito bem, eu vou fazer o mesmo. Disse
Vanessa se sentando.
Julia levou seu paciente até a porta
e viu Matheus conversando com Vanessa. - Oi, Matheus me dá uns 5 minutos.
E chamou a amiga.
- Vanessa vai pegar todos os exames do Matheus
que estejam prontos. Falou e entrou. Pegou o celular e ligou para sua casa.
- Alô! Quem é? Disse a faxineira.
- Sou eu Julia. Rita, esqueci que você
ia limpar o meu ap hoje. A Hérica está em casa?
- Não está dra Julia. Alguém
ligou para ela e ficaram conversando por um tempo. A conversa parecia estar
bem animada, porque ria muito. Logo depois se arrumou, me deu algumas ordens
e saiu.
Julia sentiu a raiva subir em sua cabeça.
Aquela vadia, acha que vai me enganar, pois desta vez não vai. Devia
estar rindo da idiota aqui.
Vanessa entrou com os exames de Matheus,
e notou a cara irritada de Julia. Sabia muito bem o que significava aquilo,
mas havia prometido a si mesma, que não se meteria mais na relação
dela com aquela coisa. Quando estava saindo, Julia a abordou.
- Vanessa, desmarque todas as minhas consultas,
porque estou indo embora. Pegou os exames de Matheus e colocou em sua bolsa.
- Não vai atender nem o Matheus?
- Está ficando surda! Eu disse que
vou embora. Marque para outro dia a consulta dele. Mais alguma coisa, Vanessa?
- Não! Respondeu totalmente contrariada
com a atitude da amiga.
- Matheus desculpe, surgiu um problema e
não posso te atender. A Vanessa vai marcar para outro dia.
Antes que ele pudesse responder Julia, já
tinha ido. Foi para o seu apartamento, mas no caminho resolveu não entrar.
Ficou umas 3 horas dentro do carro, vigiando para ver que horas Hérica
iria aparecer, se chegaria com alguém. Quando estava desistindo de esperar,
a viu chegando de táxi, abarrotada de sacolas. Deixou todas com um funcionário
do edifício, e caminhou até uma floricultura próxima dali.
Entrou, ficou cerca de 15 minutos e quando saiu trazia nos braços algumas
flores e rosas. Julia acabou ficando envergonhada por estar vigiando-a. Ela
não havia feito nada de errado, apenas tinha ido fazer compras. Será
que ela estava tentando mudar? Se estivesse, deveria dar mais um voto de confiança.
É isto que iria fazer, apesar de tudo. Ter ficado com Hérica noite
passada, só confirmou seus sentimentos. Não sentia quase nada,
mas Hérica era ótima na cama. Deu mais um tempo e entrou.
Quando Isa chegou em casa
Matheus estava dormindo e não quis acordá-lo. Dona Fátima
tinha saído e Mari estava lavando roupa.
- Isa eu estou morta de tanto lavar roupa.
Não sei porque deixo juntar tanto. O Matheus já acordou?
- Não!
- A tia Fátima disse que rolou um
estresse entre vocês hoje de manhã. Ela ficou chateada, disse que
falou demais.
- É que ontem à noite a Julia
me ligou. Eu estava acordada e atendi. Matheus comentou que tinha pensado ter
ouvido o telefone tocar. Confirmei que havia tocado de fato, e que era Julia.
E D. Fátima perguntou se era a mesma com quem eu tinha discutido na escola.
Afirmei que sim e Matheus quis saber da história. Disse que tinha mentido
para ele, que eu já conhecia a Julia, mas depois me ligou e estamos bem
de novo.
- E o que a Julia queria?
- Me agradecer. Ontem eu conheci uma Julia
diferente. Não esperava aquela atitude dela, e isso me fez admirá-la.
Ela não é a cretina que eu achei. Tenho certeza que seremos boas
amigas. Eu sentia tanta raiva dela e no fundo ela não merecia. Confessou-me
que só queria me levar para cama.
- E não quer mais? Perguntou Mari
estendendo uma camiseta.
- NÃO! Ficamos amigas.
- Sinceramente, eu não acredito muito
nisto.
- Eu acredito nela.
- Você nem a conhece. Eu te conheço
e sei que você não sai confiando nas pessoas por uma coisa boa
que faça. E ela fez muito para você não confiar nela.
- Ela fez sim, coisas que não gostei,
mas eu também não deixei que se explicasse, a culpa maior acabou
sendo minha. Então, nós duas erramos.
- Eu não vou confiar tanto assim,
vou ficar de olho nela, porque você é meio cega, às vezes.
- Faça como quiser. Mari você
vai passar o Natal em nossa cidade?
- Vou sim, mas acho que vou depois de você,
com o Pedro, quero que ele conheça a minha família. Será
que vão gostar dele?
- É claro que sim, ele é um
cara muito legal.
- Essa semana temos que ir fazer compras
de Natal.
- Vamos sim, Mari.
- Oi, meninas!
- Oi! Disseram as duas ao mesmo tempo, e
riram.
- Matheus você está bem? Está
tão pálido. O que a Julia falou de seus exames?
- A Julia não me atendeu, surgiu algum
problema, e ela foi embora. A Vanessa marcou a minha consulta para sexta-feira.
Caminhou até ele e colocou a mão
em sua testa. Ao sentir a temperatura, não teve dúvidas, estava
queimando de febre. - Meu querido você está com febre, venha, vamos
verificar isso.
Depois de alguns minutos, a confirmação
veio. Estava com quase 39 graus de febre.
- Está muito alta disse Mari. A Dra.
falou para você tomar alguma coisa, enquanto aguarda o dia de ser examinado
por ela, se por acaso continuasse com febre?
- Você vai começar a implicar
mesmo com ela. Matheus vou te dar umas gotas de dipirona, e se não passar
eu ligo para ela.
Matheus estava concordando com qualquer coisa.
Hérica chegou e foi tomar um longo
banho. Quando terminou encontrou Julia sentada na sala vendo tv.
- Baby, o que você está fazendo
em casa? Não deveria estar na clínica!
- Deveria, mas estou aqui, falou olhando
para a tv, não queria dar muita atenção a ela.
- Eu fui fazer umas comprinhas, desde quando não faz compra? Não
tinha quase nada para comer.
Julia pensou “mais de três horas no
mercado, é demais”.
- Depois fui comprar uns enfeites novos para
enfeitarmos a árvore de Natal, que você ainda não armou.
Vai voltar para a clínica?
Julia respondeu que Não!
- Então podemos passar a tarde montando
a árvore.
- Hérica, você não disse
que estava sem dinheiro?
- Estou, mas ainda tenho uma reserva. Parecia
que Hérica sabia que estava sendo vigiada porque contou até do
telefonema que recebeu. Era uma amiga de faculdade. Estava mesmo falando a verdade.
Não tinha como ser mentira.
- Você já almoçou? Perguntou
Julia.
- Não.
Às 19 horas Matheus piorou. Estava
suando muito e a febre já o fazia delirar.
- Se sua amiguinha o tivesse atendido hoje
de manhã ele poderia não estar assim, o que vamos fazer? É
melhor levá-lo para o hospital. Vou ligar para o ponto de táxi.
- Vou trocar a roupa dele.
Meia hora depois os 4 já estavam no
Pronto-Socorro. E para completar o desespero delas, estava lotado. Matheus foi
atendido depois de 2 horas. A febre já passava dos 40°. O médico
que o atendeu passou algumas injeções e uma sessão de soroterapia.
Mal olhou na cara de Matheus e disse que era uma virose o que ele tinha.
Já na sala de medicação,
com a veia devidamente puncionada, ele estava tranqüilamente recebendo
a primeira seqüência soroterápica. Isa deixou Mari com ele
um pouco e foi lá para fora. Dona Fátima já tinha ido embora.
Encontrou Pedro sentado em um banco na área externa. O segurança
não permitiu que ele entrasse.
- Oi, Pedro, ela o abraçou.
- Oi, a Mari me ligou, eu ainda estava no
trabalho, e quando cheguei aqui, não me deixaram entrar. Como ele está?
- Não sei, está com muita febre,
suando muito, passou o dia febril. Ele não demonstra mas sinto que anda
sem ânimo, mesmo estando sempre com aquele sorriso encantador que lhe
é próprio. Sinto aqui dentro, que ele não está bem.
Julia disse que poderia estar com alguma coisa, e hoje ela não pode atendê-lo.
A Mari não quis levá-lo para a Clínica, e viemos para cá.
Pedro você tem o telefone da casa do
Carlos? Perguntou Isa, já pegando seu celular para marcar.
- Tenho sim.
- Valeu, Pedro, vou ligar para ela para pedir
o número da Julia.
- Alô, disse Julio.
- Julio, é a tia Isa, sua mãe
está em casa?
- Está, quer que eu a chame?
- Quero sim.
- Alô!
- Boa noite, Vanessa, é a Isabel.
Desculpa estar ligando, é que o Matheus não está bem, eu
o trouxe para o Pronto-Socorro. Queria saber se a Julia poderia atendê-lo amanhã, mesmo sabendo
que você marcou a nova consulta para sexta-feira. É que ele não
está nada bem mesmo.
- Não se preocupe, pode levá-lo
cedo que ela o atenderá.
- Obrigada, Vanessa. Tenho que ir. Uma boa
noite e desculpa por te amolar a esta hora.
- Até amanhã. Isa ficou com
vergonha de pedir o telefone de Julia.
- Boa noite e, fez bem em ter me ligado.
Até amanhã.
Depois de terem ficado juntas, continuaram
conversando e Hérica resolveu falar sobre o seu sumiço.
- Baby, a dois anos atrás fui embora,
porque me envolvi com o Dr. Arthur. Acabei ficando grávida. Como eu ia
falar para você que estava tendo um caso com um homem, e ainda tinha ficado
grávida? Neste período ele acabou recebendo uma proposta para
ir para a Itália. Contei sobre a minha gravidez. Ficou radiante e pediu
para que eu fosse com ele. Não vou mentir, eu estava gostando muito dele, e não pensei
duas vezes. Vim aqui peguei minhas coisas e fui para a casa dele, e na noite
seguinte já estávamos indo para a Itália. Você estava
naquele congresso de medicina. E aproveitei para cair fora. (Será que
colou esta estorinha?, pensou Hérica)
Julia ouviu tudo calada, chorava por dentro,
não acreditando no que estava ouvindo. Traia-me com um homem, e onde
está a criança? resolveu perguntar.
Ela ficou pensando, “digo a verdade ou minto?!?”.
- Eu perdi, com 6 meses de gestação.
Tinha tido uma filha de verdade, que deixou
com o pai alegando que nunca poderia ser a mãe, que ela merecia ter.
Sem apego e sem remorso, deixou a pequena Clara nos braços do pai e saiu
sem olhar para trás.
Julia estava para explodir quando o telefone
tocou.
- Alô, sua voz era de poucos amigos.
- Julia amanhã chegue mais cedo na
clínica, porque marquei a consulta do Matheus para as 7 horas. A Isabel
me ligou e disse que ele passou mal o dia todo e, agora à noite o levou
para o hospital público.
- E porque ela não o levou para a
clínica? Ela lembrou dos exames de Matheus que tinha colocado em sua
bolsa.
- Eu não sei, se você não
tivesse saído para ir atrás da Hérica, e tivesse atendido
ele... mas não me importo com o que faz de sua vida. Era só isto
o que eu tinha que te falar. Boa noite.
Julia se levantou da cama deixando Hérica
falando sozinha. Não queria mais saber de nada, estava irritada e saiu
sem olhar para a cara dela. Foi para o seu quarto ver os exames de Matheus.
- Mãe porque você está
brava com a minha madrinha?
- Eu não estou brava com ela, estou
chateada.
- E ela tem culpa? Perguntou o menino.
- Não. Julio eu não sei o que
seria de mim, sem você. Deu um beijo no filho. E ficou pensando que estava
sendo uma completa idiota, foi até o computador e começou a digitar
um e-mail para Julia.
“Não posso continuar de tratando mal,
seu afilhado com uma palavra me fez sentir uma besta. Você não
tem culpa por gostar da Hérica, e como sua amiga tenho que respeitar
isto, não posso te proteger, mesmo sabendo que você pode sofrer.
Quando precisar de sua amiga, ela vai estar sempre aqui”. Beijo e desculpa.
Julia ao ver o resultado confirmou suas suspeitas.
Ficou chateada com o resultado, e decidiu ir para o hospital atrás deles.
Tomou um banho rápido e saiu em seguida.
- Baby aonde você vai?
- Vou sair, tenho um encontro.
- Julia você disse que ia me dar outra
chance!
- Eu estou dando, só não prometi
ser fiel. Não me espere, porque não vou voltar.
- Eu não estou acreditando no que
estou ouvindo.
- Então comece a acreditar, porque
aquela Julia que você conhecia, já não existe mais. Boa
noite.
Quinze minutos depois estava no hospital.
Encontrou Isa sentada numa cadeira ao lado da maca de Matheus, naquele corredor
lotado. Ficou parada olhando aquelas pessoas espalhadas pelo corredor, uns dormindo,
e entre eles Matheus, que ressonava serenamente. Isabel lia um livro e nem percebeu
a chegada de Julia.
- Isabel! Disse Julia.
Antes mesmo de olhar, o coração
de Isa acelerou de uma forma inexplicável. Quis pensar em alguma coisa,
na tentativa de fazer seu corpo parar com aquilo. Já que não tinha
o que fazer... olhou para Julia ali de pé a seu lado. E seus olhos se
encontraram e não pode desviar o olhar daqueles olhos azuis penetrantes,
que pareciam tristes.
- Oi.
- Oi.
Antes mesmo de conversarem, Matheus acordou
e ficou surpreso com a presença de Julia e com o que viu. Achou estranho
como as duas se olhavam. E sentiu ciúmes, porque nunca Isabel olhou daquela
forma para ele.