Palavras ao Vento Fernanda |
Capítulo
10
Isa
veio calada da casa de Vanessa. No caminho relembrava tudo o que tinha acontecido
naquele quarto. Tentando entender a atitude de Julia. Para quem só queria
me levar para cama, recusar um beijo que daria, sem ela ter que me chantagear,
foi até uma atitude nobre da parte dela... não sei o que se passou
comigo naquele momento, a circunstância pedia, então eu acho que
não iria me arrepender, seria um beijo sem sentimento algum.
-
Isa está tudo bem? Você está tão quieta.
-
Está tudo bem. Estou a fim de sair um pouco?
-
Então vamos.
Julia
chegando em casa se trancou no quarto e ficou ali até à noite.
Acordou disposta a esclarecer tudo com Hérica.
Quando
chegou na sala encontrou Hérica vestida com o vestido que ela mais gostava,
dando seu toque especial na mesa do jantar. Havia preparado um jantar inesquecível.
Todos os seus sentidos ficaram inebriados com o perfume adocicado que dela exalava.
-
Baby, você acordou bem na hora do jantar.
-
Eu não estou com fome.
-
Eu não posso acreditar que vai me deixar comer sozinha! Passei horas
preparando nosso jantar. Sei que você quer respostas e darei se você
jantar comigo...
-
Nada é de graça com você. Tudo bem, eu janto.
-
Baby, você não vai jantar assim de qualquer jeito, nosso jantar
é especial, vamos comemorar minha volta.
-
Eu não tenho nada o que comemorar, disse indo para o seu quarto. Trocar
de roupa.
Matheus
e Isabel foram conversando até a praia. Sentaram-se em um banco.
A noite estava linda, a Lua cheia banhava o mar, as estrelas brilhavam e o vento
soprava calmamente agradando a todos, que estavam nas ruas. As lojas já
estavam repletas de luzes e enfeites de Natal.
-
Matheus, só agora vendo os enfeites é que estou me dando conta
que o Natal está chegando.
-
Está sim, meu anjo. A nossa cidade está linda, o prefeito mandou
fazer uma árvore de
Observei
os dois e nos imaginei, depois de anos casados, você me abraçando
com tanto carinho, como sua mãe abraçou seu pai. Eu fiquei emocionado.
Olhei para os meus pais, bem distante um do outro, meu pai bebendo com
os caras e minha mãe sozinha olhando os fogos. Fui até ela
e a abracei. É só isto que ela precisa e meu pai... bom, deixa
para lá.
-
Meu pai sempre adorou o Natal. Às vezes acho que passa o ano inteiro
esperando pelo Natal. Quando eu era criança, chegava uma época
que todo o final da tarde, depois que voltava da roça ele sumia. Eu perguntava
para minha mãe onde o pai estava, mas nunca me dizia. Um dia, fiquei
escondida e descobri aonde ia e o que fazia. Ficava horas fazendo alguns brinquedos
para minha irmã e para mim. Ele não tinha dinheiro para comprar
brinquedos para nós, então fazia tudo de madeira. Daquele
ano em diante, eu o amei ainda mais, e não mais reclamei dos meus
brinquedos, porque eram feitos com tanto amor! Nunca falei para ele que eu sabia.
Minha irmã nunca gostou de nada. Revelei que era ele que fazia, mas ela
não se importou quando contei. Ele ficava triste, mas acho que minha
alegria supria o descaso da minha irmã. E ele acabava ficando feliz porque
ao menos uma de nós ele deixava feliz.
-
Então, aqueles carrinhos que me dava, eram feitos por ele?
-
Eram. Estou com saudades deles, logo que acabar as aulas vou para casa. Estou
precisando do colinho de meus pais.
Matheus ficou pensativo olhando para o mar. Isa notou e sabia o que ele deveria estar pensando.
Pegou
em sua mão e ele passou o outro braço por cima dos ombros dela
trazendo-a para perto.
-
Eu estou com medo, Isa.
-
Eu não, porque não tem nada. Ela olhou no fundo de seus olhos e
o beijou.
O
Jantar de Julia e Hérica já estava quase acabando. Hérica
estava irresistível. Talvez fosse o vinho, mas Julia estava a ponto de
esquecer qualquer conversa e levar Hérica para a cama. Ela tinha o poder
de excitá-la só com o olhar.
-
Baby, quer mais vinho, perguntou.
-
Quero.
-
Vamos tomar o restante lá no meu quarto? Perguntou Hérica.
-
Vamos beber aqui mesmo. Respondeu Julia.
Hérica
chegou bem perto de seu ouvido e questionou: você tem certeza? Vamos,
prometo me comportar, venha baby. Ela sabia que falar no ouvido de Julia a deixava
cheia de desejo. Uma voz dizia para Julia não ir, mas é claro
que ela não ouviu e foi de mãos dadas com Hérica
até o quarto, que estava totalmente preparado para uma intensa noite
de sexo. A cama estava forrada de pétalas de rosas brancas e vermelhas,
velas aromáticas deixavam o quarto mais excitante. Julia sucumbiu aos
seus desejos, esqueceu o sofrimento que passou por causa dessa mulher e
se entregou a ela.
LUXÚRIA
Corpo
perfeito
Abraço
quente
Boca
carnuda
Olhar
intenso
Te
desejo
Te
sinto
Te
abraço
Falo
Sussurro
Provoco
Excito
Conquisto
Chego
devagar
Me
aposso do seu corpo
Seu
gosto
Te
escalo
Pego
Domino
Me
sacio, delicio
Beijo
Sugo
Mordo
Aperto
Toco
Quero
mais
Refaço
o caminho
Exploro
o proibido
Invado
o secreto
Tesão
Prazer
Luxúria
Terremoto
Vulcão
Erupção
Orgasmo
Delírio
Desconexão
Desespero
Desejo
Luz
Gosto
Toque
Calmaria
Descanso
No
seu corpo me aqueço
Nos
seus lábios me perco
Nos
seus braços relaxo
E
em seus seios adormeço
Por
volta das 22 horas as duas ainda estavam na cama. Hérica estava mais
experiente do que antes, e Julia também. O telefone tocou.
-
Não atende, Baby deve ser a chata da Vanessa, querendo saber se eu já
te comi... Diga que você está uma delicia! Foi bom eu ter dado
um tempo, você está como nunca esteve.
-
Eu andei praticando muito. Disse Julia sorrindo.
-
Quer me deixar com ciúmes? Respondeu Hérica, beijando as coxas
de Julia.
-
Você nunca teve.
-
Você sempre ficava mais excitante depois que me traia.
-
Ficava... bom saber... rss. Alô.
-
Oi, amiga. Disse Vanessa.
-
Oi, Van
Hérica
falou ao fundo, acho que vou ganhar a vida como vidente. É impressionante,
acho que sinto o cheiro dessa aí.
-
Julia eu não acredito! Você já dormiu com ela? Como pode
depois de tudo... eu não sei quem é pior se ela ou você.
Bom, definitivamente é você, ela é uma vadia mesmo, mas
você?!? Pensei que tinha o mínimo de respeito por si mesma, mas
não tem.
-
Vanessa eu não tenho que ouvir isto, eu que sei da minha vida,
se eu tenho respeito ou não é problema meu. Não tenho culpa
se você tem uma vidinha perfeita. Cada um tem o que merece.
- Pelo que vejo, você merece tão pouco. Tem razão não tenho nada com sua vida, mas não venha chorar nos meus braços, quando ela te magoar novamente. Umas horas com ela, você muda tanto!
Desculpa
por me preocupar contigo, mas é a última vez, Julia. Desligou
o telefone.
-
Eu falei para não atender, sua amiguinha não entende nossa relação...
ela acha que eu só te faço sofrer.
-
A Vanessa acha que eu sou uma idiota. Mas não sou. Bom, obrigada pela
transa. Foi muito boa, mas estou indo para o meu quarto, já dei o que
você queria. Que pena que você voltou tarde demais, ela colocou
a mão no coração e disse, eu tive a certeza que não
te amo mais, acabou Hérica. Meu coração não te deseja
mais, seu corpo me atrai e muito, mas o amor que senti por você, nunca
foi verdadeiro. Achei que fosse, mas não passou de uma paixão.
E como paixão acaba, você se foi antes de ter virado amor,
que pena! Dormi com tantas mulheres e você não é diferente
de nenhuma. Sexo eu faço com qualquer uma. Boa noite.
-
Julia eu não acredito no que estou ouvindo.
Julia
respondeu já saindo do quarto. - Eu não me importo se não
acredita. E outra coisa, não precisa me dizer, onde você esteve
esse tempo todo. Porque não to interessada. Não vou dizer que
foi um erro esta noite, porque não dispenso uma boa transa, mas não
espere nada de mim. E vê se encontra outro lugar para ficar, porque
eu não costumo abrigar vadias em minha casa.
- Julia,
o que aconteceu com você?
-
Comigo?!?.... falou e sorriu sarcasticamente. Olha no espelho, e verá
o que aconteceu comigo. Me tornei uma cópia melhorada de você,
baby... e saiu batendo a porta atrás dela.
Julia
entrou no seu quarto e foi direto para o banho, queria tirar o cheiro de Hérica
de seu corpo, mas estava feliz, porque descobriu que não sentia mais
nada por ela. Tudo o que disse, foi pura verdade. Finalmente tinha se curado
dessa doença que atendia pelo nome de HÉRICA.
Isa
olhou para o relógio. Este marcava 23:33 da noite. Todos já estavam
dormindo, e ela vagava pela casa sem sono. Tentou escrever uma poesia, mas nada
saiu. Abriu a janela, ficou olhando o céu, que parecia estar mais estrelado,
do que horas atrás. Se estendesse a mão, tinha certeza que poderia
tocar o céu e sentir-se mais próxima de Deus. Ficou mais um pouco
na janela, até o telefone tocar. Correu para atender pois não
queria que todos acordassem.
-
Alô. Disse Isa. Sentando-se no braço do sofá.
-
Isabel, é você? Perguntou Julia.
-
Sou eu, Julia é você?
-
Bom eu acho, que ainda sou a Julia... rss.
-
Que engraçadinha, rss. E como você está?
-
Estou bem, apenas ligando para agradecer o que fez por mim. Eu não merecia,
só queria uma noite contigo, e você sabia, não é?
-
Desconfiava, porque me olhava de um jeito, que eu me sentia nua... vou confessar
que passei 3 dias te odiando, com medo de perder o meu trabalho, depois de nossa
discussão na escola. Em 3 dias, a senhorita me fez sentir de tudo, raiva,
ódio, medo, confusão, e por último respeito! Naquele momento
que não quis me beijar, eu te admirei.
Julia
ficou quieta do outro lado da linha.
-
Julia, você ainda está aí? Desculpa falei demais...
- Estou aqui, e não falou demais, falou o que sentiu. Hoje eu também disse o que sentia. Tenho mil defeitos, mas hoje senti que deveria ser decente com você e comigo. Obrigada!
Agora tá na hora da princesa ir dormir, senão amanhã ela vai
acordar um dragão e vai acabar assustando os seus aluninhos... rss. Beijo
Isa durma bem.
-
Beijo, vou tentar não acordar um dragão... rsss. Boa noite.