O Lado Cego Do Amor

INGRID DIAZ

The Blind Side of Love

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 Tradu��o de Fernanda

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Parte 3

 

28


"N�o posso acreditar que me convenceu a fazer isto,"disse Adrian, olhando seu reflexo no espelho . Tinha que admitir que a senhora que Julianne tinha contratado tinha feito um excelente trabalho lhe fazendo parecer  horroroso. Seu nariz tinha ficado como o de Cyrano de Bergerac.


Bom, n�o era t�o exagerado mas ainda era bastante feio. Seus olhos azuis ficaram escondidos com um par de lentes castanho escuro. E para acabar usava uma peruca loira pelos ombros. Baixou o espelho para olhar a sua ex melhor amiga. " Estou horr�vel.

Julianne tossiu para n�o rir. A maquiagem de Adrian ficou perfeita. Nunca  pretendeu fazer seu melhor amigo parecer com a Barbra Streisand vers�o masculina, mas de algum modo ficou parecendo com ela. N�o estava feio,  s� diferente. A peruca n�o ajudava nada. Oh,  a quem  vou enganar? Est�  rid�culo.

Pela janela da limosine, Julianne olhava a cidade de Nova York flutuar numa s�rie de conversas mudas e transeuntes com rumos desconhecidos.  N�o me importaria de morar aqui algum dia. Acomodou-se melhor e concentrou-se no mundo l� fora. Inconscientemente, olhava cada corpo que podia, se perguntando se algum deles seria Kris. Poderia ser qualquer um.

"Obrigado por fazer isto," disse por fim, seu olhar se afastou  da metr�pole para se fixar nos olhos castanhos de Adrian.

"Realmente espero que esta garota mere�a tudo isto," declarou Adrian, tentando n�o tirar o nariz do lugar, era feito de l�tex. Fracassando, rendeu-se. "Que aconteceria se eu espirrasse e o nariz saisse voando ."

Julianne riu do pensamento dele. "Ent�o n�o espirre," lhe instruiu. A mulher que fez isto me assegurou que nem um furac�o arrancaria esse nariz" Estou bem?" perguntou, mudando de repente de assunto.Olhou para sua roupa. Apesar de ter pago muito por um vestido, tinha optado por uma roupa mais casual um jeans escuro e um top azul com a palavra 'tease' impressa em preto.

"Julianne, voc� poderia vestir um saco de batatas e ainda sim ficaria linda." respondeu Adrian. "Est� muito gata, se quer saber..."

Ser� que a Kris iria me achar gata? Julianne se encontrou se perguntando. Ultimamente, tudo que pensava era o que pensaria Kris e isto estava  come�ando a ser irritante. Nem conhe�o-a!.Poderia ser uma cinquentona . Passou a m�o em seu cabelo que estava solto e inspirou profundamente. N�o pensarei em Kris. N�o pensarei em Kris.

"Est� pensando em Kris?" adivinhou, Adrian.

Sobresaltada, Julianne olhou-lhe. "N�o estou," mentiu. "Estava pensando em meu discurso."

"Ent�o quero ouvir," disse Adrian, n�o acreditando em uma s� palavra. Julianne n�o era uma boa mentirosa, quando era pega de surpresa.

Eu  deveria ter preparado um, eh? aclarou a garganta. "Quero agradecer a todos os meus f�s por tenho ganho este pr�mio. Foi divertido beijar um homem. Seus l�bios eram suave como seda . Por isso desfrutei beija�-lo. Como adoro beijar homens. Oba , viva a heterosexualidade . Am�m."

Adrian aplaudiu. "Desafio-te a repetir isso ," ca�oou. "Desafio-te de fato."

"J� chega," disse Julianne .

Adrian levantou o espelho uma vez mais e viu sua cara e moveu a cabe�a de lado a lado para estudar cada �ngulo. "Definitivamente n�o sou eu esta noite," murmurou com tristeza. "Vai me pagar  por isto."

"Aceita cheque?" brincou Julianne.

"Oh, n�o," respondeu Adrian, afastando o espelho para poder olhar  Julianne sem distra��es. "Deve-me uma massagem."

"Massagem?"

"Para come�ar."

"T� bom, posso  contratar uma dessas suecas para que fa�a?

Adrian considerou isto. "Pode contratar?"

" Com isto ficamos bem," disse, Julianne.

"Por enquanto," disse Adrian com uma inclina��o. "Mas ainda n�o estamos em paz."

"N�o acredito que estou fazendo isto," disse Adrian de novo. "Juro, isto parece uma vers�o l�sbica de Lucy Ricardo

Julianne sorriu . "Vou come�ar a te chamar de Ethel desde j�."

At� agora, tudo ia bem. Julianne olhou para o palco onde estava tocando uma banda que os adolescentes adoravam. Ao lado dela, Adrian, alias Fernando Croa.

"Acho que o cheiro do l�tex est� entrando em meu  nariz," sussurrou Adrian. "Est� se divertindo, com  a minha cara?"

Julianne . "Estas coisas sempre s�o divertidas," respondeu. N�o tanto como tu, . Um dos veejays da MTV os parou  no tapete vermelho para perguntar se Adrian ficou com ci�mes do beijo entre Julianne e Rye Philips. Adrian em resposta  tossiu  secamente algumas vezes, depois adotando um horrivel  sotaque hisp�nico disse, " no espikil dei ingl�s." Julianne  tinha tossido tentar n�o  rir.

"Sabe o que vai dizer?" perguntou Adrian.

"Improvisarei," respondeu Julianne. Jogou-lhe uma r�pida olhada para o p�blico. "N�o vi Rye por aqui. Talvez n�o p�de vir."

"Ouvi que est� filmando algo em Saskatchewan," brincou Adrian.

A aten��o de Julianne se voltou para o palco enquanto o n�mero de dan�a acabava e a multid�o apaludia. Aplaudiu com mais entusiasmo do que sentia.

Ao lado dela, Adrian em seu assento. "Quando se inclinar para me beijar a  caminho do palco, cuidado com meu  nariz," lhe advertiu.

Julianne sorriu ligeiramente. "Que te faz pensar que vou te beijar?"

"Porque o ganhador sempre beija � pessoa com que est�o antes de ir  receber o pr�mio," respondeu Adrian. "� tradi��o. E, sou seu namorado e me deseja desesperadamente."

O aplauso continuou enquanto uma voz anunciava os dois apresentadores. "Da s�rie de TV, Making It, d�em as boas-vindas a Douglas Price e Jane Feinman." Ambos atores caminharam e sorriram enquanto o p�blico continuava aplaudindo.

"Que � um bom filme sem  um beijo especial?" perguntou Jane enquanto o p�blico se acalmava.

Julianne respirou profundamente. "L� vamos n�s," murmurou.

Uma boa apresenta��o n�o � nada  sem um beijo especial?"  Douglas Price  fechou os olhos e beijou os l�bios de Jane, s� para ser ligeiramente bofeteado pela mulher ao lado dele.

"Disse para n�o fazer isto em p�blico," respondeu Jane, enquanto o p�blico ria. "Estamos aqui para celebrar esse m�gico momento quando nossos personagens favoritos do cinema compartilham um beijo inesquec�vel."

Douglas "E os indicados ao melhor beijo s�o."

Nas grandes  telas apareceria os atores indicados enquanto uma voz anunciava, "Kim Strayer e Paul James em Images de voc�."

Os dois atores em quest�o apareceram no tel�o. A mulher olhava num espelho onde seu reflexo mudava dela para um garoto. "Peter?" perguntou vacilantemente. O garoto saiu do espelho e abra�ou � jovem e lhe deu um beijo apaixonado.

O clip acabou e outro o substituiu. "Billy Lee e Pepper Elles em Gordon's Laundry Baske  p�blico gostou dessa indica��o.

Julianne riu disimuladamente. "Gordon's Laundry Basket?" Adrian parece algo que voc� escreveria.

Adrian n�o disse nada.

"Rye Philips e Julianne Franqui em Blanket of Darkness."

Julianne vendo  a imagem dela e Rye Phillips beijando-se com entrega. Asco. Asco. Asco. Foi um horror para mim.

O clip acabou e a aten��o de todos voltou a Jane e Douglas. "E o ganhador �"

Julianne conteve a respira��o. Por  favor, n�o me deixe ficar paralizada enquanto estiver ali. A �ltima coisa que preciso � que Kris veja isto e pense que sou uma completa idiota. Deteve-se. N�o pensarei em Kris. N�o pensarei em Kris. N�o pensarei...

"Rye Philips e Julianne Franqui!" anunciou Jane enquanto a multid�o enloquecia.

Julianne fingiu surpresa e emo��o como faria qualquer boa atriz. Para o prazer de Adrian, inclinou-se e deu-lhe um r�pido selinho antes de se levantar  e foi em dire��o ao palco. Deus, h� um mont�o de gente aqui, se deu conta quando teve uma vista melhor do p�blico.

Pegou o seu trof�u das m�os de Douglas, que lhe susurrou felicidades na orelha. Sorriu e agradeceu. Suponho que Rye n�o p�de vir  Dito e feito. O p�blico tranquilizou-se antecipando seu discurso. Lembre-se que Kris vai estar vendo isto. Oh, Deus, como se tivesse algo que pudesse dizer aceitando este pr�mio em particular que n�o me fa�a parece uma total idiota.

Julianne ficou olhando a estatueta de pipoca . "Bom, n�o h� muito o que  dizer depois de ganhar um pr�mio como este," brincou, "exceto obrigado. � uma honra ser reconhecida por ser boa beijadora."

 

Fechou os olhos e abriu-os de novo. "A princ�pio, achei que era algo bobo receber um pr�mio por beijar  algu�m no cinema.. Mas ent�o, comecei a pensar em como me sinto cada vez que vejo um romance de outros e  espero esse momento quando finalmente expressem seu amor. Quero dizer, � o que todos procuramos, Amor."

Julianne parou um momento, ent�o continuou. "Acho que como atores a �nica coisa que realmente podemos esperar � que, de algum modo, nossa atua��o comova os espectadores de alguma forma, os  motive a crer na magia do amor. E este pr�mio significa que consegui algo assim. Ou muitas garotas votaram porque acham que Rye Phillips � muito gato." Riu. "Obrigado."

 


29

Kris ficou olhando a tela do computador. Estava tentando n�o se sentir traida pelo fato que Julia n�o pudesse a encontrar on-line essa noite, mas n�o gostou muito. Tenho um compromisso que n�o posso faltar? Hmm.

Tinha sido um dia sumariamente tranquilo. Nathan ainda n�o tinha aparecido e  ia embora daqui dois dias. Seus pais n�o tinham ligado e n�o tinha certeza se isso era bom ou n�o. Nenhuma not�cia ser� boa not�cia, N�o estava t�o certa sobre isso. N�o em sua fam�lia.

Leigh estava no trabalho e n�o voltaria t�o cedo para casa. Kris tinha estado ansiosa  o dia todo para ficar  on-line com Julia mas, ao que parece, teria que ficar mesmo sozinha.


Querida Julia,

Quando estiver dispon�vel para conversar comigo, me fale. � uma pena que n�o pode esta noite. Estou me sentindo um pouco s�. mas tudo bem. Anseio saber tudo sobre seu compromisso . Se quiser me falar sobre isso. � este um dos eventos que comprou roupas novas? Desculpa estou inquisitiva esta noite.

Como for, j� que n�o est�  aqui na internet, vou encontrar entretenimento em outra parte. Espero ter logo not�cias de ti.

sua amiga,
Kris


Kris desligou o computador e olhou pelo vazio apartamento. Que fazer? Que fazer? Visitar a Leigh?  j� o fiz duas vezes hoje. Realmente preciso ter vida pr�pria. Um, ver TV? N�o tem nada de bom nas sextas-feiras.

Kris n�o mentiu a Julianne quando disse que gostava da natureza. Adorava tudo da Terra, as �rvores, flores, os animais. As baratas eram, uma exce��o, mas n�o as contava como animais.

Em todo caso, um dos lugares favoritos de Kris era o Central Park. Sempre que tinha tempo, ia para l� e se sentava em dos bancos espalhados pelo lugar. Tamb�m era um  bom lugar para tirar fotos, mas essa noite  tinha esquecido a c�mera assim teve que capturar os momentos a m�o.

V�rias horas depois, encontrou-se em Bethesda Terrace, desenhando o lago. Em seu bloco de desenho tinha desenhado uma tosca silueta da escultura de Emma Stebbins, Angel of Waters. A pe�a de metal representava  um anjo que vinha descendo para as �guas da fonte com a esperan�a de dar o presente da cura.

Poeta e �ngel, pensou Kris, esbo�ando as asas do anjo no bloco. Talvez gostasse dos anjos. Ser� que ela j� veio aqui enquanto estava em Nova York. Por que veio a Nova York? Por que sinto como se n�o soubesse nada de ti?

Kris colocou o bloco de baixo do bra�o.  Percorreu os dedos ao longo dos blocos de pedra em seu caminho. Era um lugar t�o pac�fico, apesar de toda a atividade tur�stica. V�rias pessoas andava de patins passavam  junto a ela, quase lhe fazendo perder o equil�brio. Jes�s! Ficou paralisada enquanto as pessoas passavam a toda velocidade, ent�o continuou seu caminho.

Um s�bito ru�do captou sua aten��o e virou-se a tempo de ver  um cara cair. Que merda!" disse .

Kris ent�o correu at� o homem ca�do. "Est� bem?" perguntou-lhe. Notou que  tamb�m estava de  patins e sup�s que era parte do grupo que tinha passado por ela recentemente.

Ele olhou  para cima, seus olhos azuis parecia um pouco atordoados." devo ter passado em cima de uma pedra ou algo assim," explicou, j� tentando se sentar.

Kris notou um grande arranh�o em seu bra�o e ajoelhou-se para ver melhor o machucado, pondo o seu bloco de desenho que levava ao lado dela. "Estava sangrando bastante e n�o queria que pegasse uma infec��o. "Posso te ajudar a ir em um hospital se quiser."

Normalmente � t�o gentil com os desconhecidos?" perguntou-lhe, olhando para seu  pr�prio ferimento por um momento.

Kris sorriu parece que seu bra�o esquerdo parou a sua queda. N�o parecia ter mais arranh�es em nenhuma outra  parte.

Satisfeita que ele ia ficar bem. Era um pouco constrangedor estar t�o pr�xima de um completo estranho. N�o podia  negar que o rapaz era muito bonito, mas isso n�o significava que n�o fosse um assassino em s�rie. Leigh provavelmente estaria babando por ele. Parou para pensar nisto por um momento. Bom, e por que n�o estou babando? Deveria estar? N�o � isto que fazem as solteiras?

"� um bonito desenho," disse ele, virou  a cabe�a para ter melhor vis�o do mesmo.

Repentinamente  Kris se ruborizou . "estava  desenhando para passar o tempo," disse. "Mas obrigado." Olhou a escultura a uns metros de dist�ncia. "� perfeita, n�o acha? Duvido que pudesse lhe fazer justi�a."

"� o que a gente normalmente faz em Nova York?" perguntou. "Passar o tempo?"

Kris sorriu. " voc� � turista?"

 "N�o me chamaria de turista," disse.

Kris consentiu. "neg�cios?"

"Isso poderias ser," respondeu com um leve sorriso. "deveria lavar isto." Moveu o bra�o como se n�o fosse j� �bvio e se levantou, equilibrando-se sobre as rodas com facilidade.

Kris agarrou seu bloco de desenhos e tamb�m se levantou. Certeza  que n�o quer ir a um hospital ?"

"N�o," respondeu facilmente. "Meu hotel fica ali" balan�ou a m�o em dire��o dele. "Por ali, em alguma parte."

Kris sorriu. "Se j� est�  bem," disse. "Presta mais aten��o nas pedras."

"Pode apostar que vou." Lan�ou-lhe um brilhante sorriso e, com um r�pido adeus, foi embora patinando.

Kris o viu desaparecer na escurid�o e devolveu sua aten��o � fonte. P�s o desenho ao lado da est�tua real e comparou. N�o estava mal. Fechou o bloco e suspirou, olhando rapidamente a hora. Leigh deveria j� ter chegado em casa.

Olhou a escultura uns instantes mais e ent�o voltou para casa.

 

30


Quando Julianne acordou pela manh�, foi recompensada com reconfortantes sons de gemidos.Ainda n�o tinha acordado direito estava um pouco confusa, olhou o enorme quarto em que estava. Escutou atenciosamente.


Julianne franziu o cenho, atirou os cobertores longe de seu corpo e saiu da cama. Saiu do quarto e olhou no primeiro andar da cobertura, onde encontrou  Adrian tentando fazer seus exerc�cios. Julianne olhou para ele e foi para o banheiro. Por que faz quest�o de exercitar-se tanto? Poderia ser mais gordinho? Terminou de escovar os dentes e desceu os degraus.

"Me ajude, !" disse Adrian com aquele peso sobre o peito.

Julianne estava junto a seu melhor amigo, olhando o seu desespero com divers�o. "Qual � o problema?" perguntou inocentemente.

Adrian olhou-a e suspirou. "Bom dia," disse. Gemeu de novo enquanto sentava-se e olhava o bra�o. "Maldito arranh�o."

Julianne notou pela primeira vez o corte em seu bra�o e ajoelhou-se a seu lado com preocupa��o. "Que diabos te aconteceu?" perguntou, inspecionando a les�o.
"Ca�," admitiu. Faz  uma sopa para mim. "Ou beija meu bra�o para que sare?"

"Ah, n�o, obrigado," Julianne respondeu, lhe dando golpezinhos na cabe�a. P�s-se de p� e foi � cozinha para pegar um refresco. "� o que ganha por patinar a noite. Eu disse para n�o sair."

Adrian uniu-se a ela na cozinha um momento depois e se apoiou contra a barra. "Sabe que tenho que patinar ao menos um km por dia," lhe disse. "E  tivemos que pegar o avi�o pela manh�. " Deixou que o resto ficasse no ar. "E estava uma noite linda."

"Para trope�ar?" Julianne riu enquanto abria uma lata de Coca-cola e tomava um precisado gole. "Teve sorte de n�o ter quebrado nada."

"Tropecei em uma pedra," disse Adrian.

Julianne fez uma sopa e foi a beliscar a bochecha de Adrian. O que voc� vai fazer hoje?"

Adrian esfregou a bochecha e se virou. "Bom, vou  correr um pouco," respondeu. Quando eu voltar gostaria de receber uma agrad�vel massagem que algu�m me prometeu."

Julianne apontou para o telefone. "O n�mero da Sueca  est� ali. � s� voc�  ligar e ela ficar�  mais que feliz de vir aqui para te massagear. S� que eu  n�o estarei em casa quando ela chegar aqui.

Adrian apareceu diante dela vestindo uma camiseta cinza sem mangas e bermuda preta era o que vestia esta manh�. � o que geralmente vestia pelas manh�s para fazer exerc�cio. E voc� o que vai fazer hoje?" perguntou.

A lata fria estava come�ando a gelar seus dedos,Julianne a deixou antes de olhar seu amigo. "Pensei em dar um passeio," disse. "Um pouco de turismo. Que acha? Hoje devo ser ruiva, morena ou loira?"

"Acho que deveria ficar careca." consentiu solenemente e fez um som zombador. "assim  ningu�m iria te reconhecer, confia em mim."

"Mmm," respondeu Julianne. "Vou considerar."

 Divirta-se em que for fazer." Se despediu e saiu.

Julianne se virou e disse. Presta aten��o nas pedras!"

"T�. J� ouvi isso. Diga algo mais original da pr�xima vez." E ent�o desapareceu pela porta.

Julianne olhou a porta fechada por uns minutos. "Do que estava falando?" perguntou-se. Ent�o encolheu os ombros e foi tomar banho. Tinha coisas importantes que fazer hoje.

Disfar�ada, Julianne foi andar pelas ruas da cidade de Nova York.  Pensando que tinha sido loira  da �ltima vez, decidiu ser ruiva desta vez. Enormes �culos de sol ocultavam grande parte de seu rosto e a roupa folgada escondia seu corpo.

Ningu�m a olhava fixamente enquanto passava e Julianne suspirou com al�vio. �s vezes esquecia como era bom  ir onde queria sem ser reconhecida. A fama era emocionante durante uns quinze minutos antes de voltar-se num completo �nus que nunca podia se tirar de cima. A fama lhe concedia alguns  privil�gios de vez em quando. Mas �s vezes, s� �s vezes. Julianne desejava poder andar na rua como ela mesmo e n�o ter que se preocupar de que o vento pudesse levar sua peruca ou de que algu�m pudesse a reconhecer mesmo disfar�ada.

Julianne olhava para as pessoas, perguntando-se o que realmente pensavam dela. Perguntando-se que pensariam se soubessem quem era realmente. Perguntando-se, inclusive, se realmente importava-lhes saber. Cada vez que concedia uma entrevista n�o podia evitar de se perguntar se as pessoas realmente prestavam aten��o em suas respostas �s perguntas que faziam. Por que queriam saber quem fez meu vestido? Ou por que lhes importava saber se bebo Pepsi ou Coca-cola? No grande esquema das coisas, importava  qualquer uma dessas coisas? Importava para  ela?

Enfiou as m�os em seus bolsos e continuou andando pela cidade, sentindo-se, como sempre, de algum modo desligada de tudo. Aposto que a maioria das peessoas que caminha por aqui desejaria saber como � estar num desses cartazes. Fama, fortuna, se  pudessem o provar. E aqui estou eu, escondida entre eles, desejando ser como eles.

Julianne foi tirada de seus pensamentos por um homem que estava junto a ela. Sustentava uma x�cara ligeiramente descascada, que balan�ava para fazer barulho. Seus olhos castanhos olhavam suplicantes aos dela. "Mudan�a?" repetiu.

As palavras de Kris se filtraram de repente na consci�ncia de Julianne. H� tanto que  fazer, tendo recursos. Julianne olhou para o  homem, perguntando-se quantas vezes tinha passado perto de algu�m como ele e n�o lhe tinha olhado duas vezes. "N�o sei se posso mudar," disse. Pegou sua carteira e esperou que tivesse dinheiro. Nunca tinha dinheiro. Encontrou uma nota de 20 dolares a olhou.  A pegou e deu ao homem. "� tudo o que tenho agora," explicou.

Os olhos do homem ficaram t�o agradecidos e um grande sorriso iluminou sua cara. "Obrigado," disse, olhando o dinheiro em sua m�o como se fosse ouro. "Deus te aben�oe."

Julianne sorriu, sentindo-se feliz de repente. "Qual � o seu nome?" encontrou-se perguntando.

"James," disse.

Sorriu-lhe c�lidamente e ofereceu sua m�o. "Sou Julia," perguntou-se por que tinha dado seu verdadeiro nome. "Quer almo�ar comigo?" perguntou, surpreendendo-se de novo.

James aceitou e olhou-a como se fosse desaparecer.

"Vamos, James," chamou Julianne. "Escolhe onde quer comer. Eu te convido."


Julianne n�o lembrava a �ltima vez que tinha estado num McDonald. De verdade, nem sequer tinha certeza de ter estado em um, mas � o que James tinha escolhido. Quem era ela para discutir?

James comeu aquele sanduiche com tanta entrega e Julianne tentava  n�o  ficar olhando. Em mudan�a, olhou para seu hamburguer mal embrulhado em papel amarelo. As pessoas comem  isto? O desembrulhou com cuidado e olhou-o silenciosamente. Teve o s�bito impulso de pegar de novo. E  as batatas fritas. N�o davam tanto medo.

"� muito bondosa," disse James de repente, com a boca cheia.

Bondosa. Julianne pensou nessa palavra por um momento. Estava fazendo isto por bondade? Ou por pena? Ou culpa? Por que queria fazer isto mesmo por algu�m?
"S� queria companhia," se encontrou dizendo.

"Uma garota bonita como voc�?" perguntou James, estudando-a intensamente. "Acho dif�cil acreditar nisto."

Julianne tirou os �culos. Duvidava muit�ssimo que James soubesse quem era ela, e nem importava. "A beleza n�o assegura companhia," respondeu. "E o dinheiro tamb�m n�o assegura felicidade."

"Pra mim um  telhado sobre minha cabe�a e comida na mesa," respondeu James, j� ficaria feliz. "Ter muito � s� quest�o de sorte."

Julianne mordeu os l�bios, sentindo-se repentinamente tonta por discutir seus probleminhas com um sem teto. Deus, devo ser a pessoa mais ego�sta da Terra. "Bom, James, fala-me de ti."

James olhou o hamburguer intacto de Julianne.

"Quer?" ofereceu Julianne.

Ele aceitou a oferta sem cerim�nia e mordeu o hamburger alegremente.

Julianne pegou um punhado de batatas e colocou-as  na boca. Nada mau. Poderia me acostumar com estas coisas.

Durante as seguintes horas James contou tudo a Julianne sobre como sua m�e que lhe mandou embora de casa quando tinha dezasseis anos. Estava desde ent�o nas ruas, tentando defender-se sozinho. Tinha tentado vender drogas mas estava muito viciado em seu pr�prio v�cio para realmente ter ganhos. Finalmente, tinha deixado as drogas. Estava limpo desde ent�o, de vez em quando bebia. Ajudava aquecer seu corpo nos meses de inverno e nos solit�rios dias de ver�o.

Julianne escutou silenciosamente a hist�ria, perguntando-se como teria lidado numa situa��o similar. Teria morrido. Literalmente. O respeito e a admira��o substitu�ram sua inicial piedade pelo homem.

antes de ir, Julianne escreveu seu n�mero num peda�o de papel. "Pode me ligar," disse-lhe. "Se precisar de algo."

James pegou o peda�o de papel de sua m�o e sorriu-lhe com os olhos castanhos. "Voc� � uma pessoa especial," disse-lhe. "Obrigado."

"N�o, obrigado voc�," disse, com tanta significa��o nas palavras que nem sequer podia os contar . Abra�ou-lhe. "Se cuida, James."

Enquanto afastava-se, resumindo sua jornada para seu destino original, perguntou-se brevemente se James ligaria alguma vez. Ou se os vinte d�lares s� gastaria  na ocasional garrafa que lhe mantivesse quente em noites intermin�veis.


Washington Square Park era um zool�gico, de algum modo, conseguiu deixar Julianne ainda mais nervosa do que estava. Passava  gente lendo e gente falando e gente morrendo. Com cada passo seu cora��o batia mais e mais at� que pensou que poderia lhe explodir o peito.

Se sentou � beira da fonte e inspirou profundamente. N�o seja t�o perdedora. Julianne come�ou a olhar de vagar pela �rea ocupada. Tinha um cara subindo uma corda invis�vel. A uns metros dele, tr�s pessoas faziam acrobacias. Uma multid�o tinha-se reunido ao redor deles, assim que Julianne n�o podia ver muito bem o que estavam a fazer, mas de vez em quando suas acrobacias  eram premiadas com entusiasmados aplausos.

E ent�o viu a barraca,  numa agrad�vel zona sombreada. V�rias pinturas estavam exibidas. O cora��o de Julianne amea�ou sair pela garganta. Atreveu-se a olhar atr�s da mesa, onde viu � garota cujo n�mero tinha dado ao Adrian. Deve ser Leigh.

Julianne tomou-se um momento para estud�-la. � realmente bonita. Longo cabelo vermelho era juvem. Com a dist�ncia, seus olhos pareciam castanhos, mas Julianne estava de �culos escuros assim n�o poderia jurar que fosse castanhos.

Para tristeza e al�vio de Julianne, Leigh parecia estar sozinha de novo. Porque Kris  n�o gosta de vender seu pr�prio material?

Debateu-se um longo tempo se devia ir at� l� ou n�o.Julianne estava com medo de ter um  ataque card�aco.

Respirando fundo, decidiu engolir seus medos e arriscar-se. Se levantou, sentindo-se orgulhosa de sua coragem. Estava andando com passinhos de beb� Vamos, voc� � uma famosa estrela de cinema e n�o consegue andar uns metros para ver uma pintura? Isso n�o aliviou o seu p�nico que se assentava sobre ela , de algum modo, for�ou suas pernas seguir ao seu destino.

No meio de seu destino, deu uma parada brusca.

Leigh j� n�o estava sozinha. Tinha outra garota de p� ao lado dela.

Julianne, sabendo bem quem era que estava olhando fixamente. � ela?

A garota estava tentando equilibrar dois cachorros quentes, uma garrafa de �gua, um pacote de bolacha e uma lata de refrigerante, e quase deixou cair tudo sobre a cabe�a de Leigh. Leigh pegou os dois cachorros quentes e o refrigerante, enquanto sua colega ficava com a bolacha e a �gua para ela. Deixou cair ambos na mesa e sentou-se.

Oh, Deus. Se � Kris, tenho um s�rio problema. Julianne temia desmaiar a  qualquer momento. Achava que Kris fosse bonita, mas n�o tanto. Mas isto era algo completamente diferente. O primeiro que Julianne notou foram os olhos. E teve que baixar levemente os �culos  para poder descifrar sua cor real e ainda n�o podia realmente se decidir. Se eram castanhos ou verdes. Bondosos, quentes e convidativos. Iluminaram-se quando riu.

O longo e sedoso cabelo loiro tinha alguns reflexos mais loiros, que Julianne sup�s que eram cortesia do sol, e real�ava seu lindo rosto. � linda. Est� bem. Est� bem. S� respira. Estou ficando enjoada.

Arrastando-se devagar conseguiu chegar, ainda n�o estava completamente segura de que estava ali. Que vou dizer? N�o posso me apresentar como Julia.

No que parecia c�mera lenta, conseguiu atingir seu destino de algum modo. Um momento estava a milhares de milhas e no seguinte estava justo ali. Pega  por uma avalanche de lembran�as que consistiam em e-mails e conversas on-line. Tudo terminava neste momento. Tinha que dizer algo... Algo que n�o assustasse Kris. Algo como,Oi.

Leigh levantou o olhar de seu cachorro quente.

"Est� interessada em algum?" perguntou Kris, sorrindo numa forma que desarmou Julianne.

As palavras abandonou  Julianne nesse instante e o �nico m�todo de comunica��o foi o de apontar. Apontou um quadro qualquer, que terminou sendo um rascunho a l�pis de um anjo.

Kris olhou o desenho um momento e em seguida olhou Julianne. "Sinto," se desculpou. "N�o queria ter esse em exposi��o." Olhou para Leigh e lan�ou-lhe um olhar nada amig�vel,  que Julianne sup�s era de significativo desgosto.

Julianne rapidamente olhou para os outros. "Est� bem," disse rapidamente, Talvez  r�pido demais.  Sou uma boba. "Um, que tal esse?" Apontou uma pintura do amanhecer. Amanhecer? "Ficou, acordada para pintar esse?"

Kris  sorriu ligeiramente. "Parece que o fiz?" perguntou.

Pergunta armadilha. Pergunta armadilha. Pensa antes de falar. "Bom," Julianne come�ou, estudando a pintura cuidadosamente, "n�o sou ningu�m para questionar teus m�todos art�sticos, mas diria que parece bem realista para ser uma fotografia. Ainda que, n�o estou segura que as lentes de uma c�mera possa  capturar a vibra��o  dessas cores." Seu olhar voltou para Kris, enquanto esperava uma rea��o.

Para sua surpresa, Kris ficou vermelha. "Obrigada," disse, "nunca ningu�m disse coisas t�o  bonitas  de meu trabalho. Voc� � artista?"

"Ah, n�o," respondeu Julianne. "S� sei apreciar um bom amanhecer quando vejo um. Quanto?"

"Quinze," respondeu Kris.

Julianne estava a ponto de pegar sua carteira, quando recordou que estava vazia. Caramba , acho que n�o aceita cart�es do cr�dito?" perguntou torpemente. Porque ia dar o cart�o de cr�dito de Julianne Franqui e ela n�o ia notar.

Kris balan�ou a cabe�a. "Sinto muito," disse. "N�o aceito.

Julianne n�o se lembrava de ter ficado t�o envergonhada. Sou uma idiota milion�ria e nem sequer tenho quinze d�lares?!

Kris pareceu dar-se conta do constrangemento de Julianne e falou. "Disse algo," procurando algo atr�s dela. Ela se virou sustentando um de seus cart�es. "Pode levar. Pode mandar-me depois o dinheiro por carta, ."

Julianne aceitou o cart�o, tinha o endere�o dela e era uma r�plica exata do que levava em sua carteira. "Realmente confia em que o fa�a?" perguntou.

"Claro," respondeu, lan�ando-lhe de novo esse sorriso matador. "N�o posso me equivocar com quem gosta dos amanheceres."

Julianne sentiu vontade de chorar com essa simples declara��o. "Obrigada," disse. "Ter� seu dinheiro amanh�," prometeu, pegando a pintura.


Quando estava bem longe, Julianne olhou a pintura. Sorriu com a iluminosa mistura de cores na tela, tinha colocado muito sentimento ali. Isso sim que era bondade.

 Fim do 3� Cap�tulo

Continua...

PARTE8

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