O Lado Cego Do Amor INGRID DIAZ The Blind Side of Love |
Tradu��o de Fernanda
31
"Que diabos foi isso?" perguntou Leigh, limpando o ketchup.
Ficou olhando Kris com olhar de reprova��o.
Kris olhou-a com confus�o. "Que?"
Leigh usou o resto de seu cachorro quente para apontar em dire��o da primeira e �nica "cliente" do dia. "Acabou de dar seu quadro para uma completa desconhecida," disse. "Sinceramente acha que ela vai te pagar?"
"N�o importa," respondeu Kris, seu olhar inconscientemente regressando � desconhecida . "Gostou de minha pintura."
Leigh balan�ou a cabe�a. Por que deu a ela? Custava quinze d�lares? Achei que ia vender por trinta!"
Kris riu, abrindo o pacote de bolachas que tinha comprado. Como se quinze d�lares a mais ou menos fosse fazer diferen�a em sua vida. E tamb�m me pareceu� simp�tica.
Est� um dia lindo. Tinhamos sa�do, o clima estava quente sem ser desagrad�vel. Uma brisa movia o ar. A gente era feliz .
"Por que est� sorrindo?" perguntou Leigh.
Kris s� encolheu os ombros e lhe ofereceu uma bolacha a sua amiga. S�o boas. "Hoje o dia est� maravilhoso. Talvez presenteie todas minhas pinturas." Rapidamente olhou o esquema do Angel of Waters e foi pegar ele. "Exceto este." Colocou a folha com cuidado em sua mochila.
"Esse � outra coisa," disse Leigh, o assinalando com a lata de Pepsi que estava em sua m�o. "Qual � o lance deste desenho? Que foi aquele olhar que me deu naquela hora?"
"� um presente," respondeu, Kris pacientemente.
"P�ra�?"
Por que Leigh tinha que ser t�o curiosa? Kris olhou a sua melhor amiga e mordeu com indecis�o o l�bio inferior. Vai achar que � est�pido. " � para Julia."
Leigh deixou de mastigar por um momento enquanto seus olhos castanhos claros voavam aos de Kris. Engoliu. "Julia," repetiu. "Ciber Julia?"
Kris apressou-se em explicar-se. "O nick dela � PoetayAngel, acho que ela deve gostar de anjos. Nunca me disse, mas supunho que sim. De todas formas, pensava em lhe mandar o desenho do anjo. Talvez goste."
Leigh consentiu devagar. "N�o acha que est� sendo muito simp�tica com essa l�sbica?" perguntou. "Poderia come�ar a pensar coisas, que voc� n�o sente. Quero dizer, conversas online a noite toda, presentes n�o solicitados�" Fez uma pausa. "A n�o ser que voc� queira que ela pense."
Kris olhou para o c�u. "N�o � nada disto. N�o a conhece."
"Voc� tamb�m n�o," assinalou Leigh, terminando de comer seu cachorro quente. "Poderia ser um � enorme, horr�vel� tio velho. Com ram�la no olho e barrigudo. E que goste de falar palavr�o em p�blico e andar nu por seu apartamento."
Kris riu. N�o posso imaginar a Julia fazendo nenhuma dessas coisas. "� uma garota. E tem vinte e tr�s anos. E � poeta e atriz."
"Isso � o que ela diz," discutiu Leigh. "N�o tem certeza de nenhuma dessas coisas, que fala para ti. J� te enviou uma foto dela?"
Kris pensou. "N�o. Mas eu tamb�m n�o mandei uma minha. N�o tem id�ia de como eu sou. Pelo que sabe, eu poderia ser gordo feito um porco.
"� linda," murmurou Julianne, caindo sobre o sof�. "Tem
os olhos mais lindos do mundo. E seu sorriso� , uau� e sua voz. � como�
como mel� ou algo doce e�" Parou de falar e voltou a gemer.
"Mm, oh, sim, a� mesmo," Adrian gemeu com a massagem. " Mais abaixo� abaixo� aaaaah�"
"Ela me deu um de seus quadros," continuou Julianne. "S� porque eu gostei. Por que fez isso? Talvez sentiu uma conex�o entre n�s. O considerou e balan�ou a cabe�a. "Ou Talvez seja a pessoa mais doce de todo mundo. E eu sou a canalha que est� mentindo para ela.
Um cont�nuo gemido foi a resposta.
Julianne olhou por cima do sof�. Adrian estava esparramado na mesa de massagem usando nada mais que uma toalha enquanto a massagista loira trabalhava seus m�sculos. "Est� me escutando?" perguntou.
Nenhuma resposta.
"Adrian?"
Os sonolentos olhos azuis se for�aram a abrir em sua dire��o. "Oi, Jules. N�o me dei conta que estava em casa."
Julianne atirou uma almofada em sua direc��o. Errou e, em seu lugar, acertou a massagista. Uups.
Atrav�s de seus olhos verdes pode ver a irrita��o da loira que se inclinava para recuperar o objeto. "Perdeu algo?" perguntou, sustentando a almofada do sof�.
Julianne sorriu docemente. "Poderia dar na cabe�a dele?" perguntou.
"Eh, eh, n�o h� necessidade de viol�ncia," exclamou Adrian.
"Sua hora acabou," anunciou a massagista, jogando a almofada para Julianne, que conseguiu pegar apesar do fato que suas habilidades atl�ticas eram mais que escassas.
Adrian se levantou da mesa ,cuidando para manter a toalha ao redor de sua cintura. "Estou feliz, feliz," comentou. "Julianne, n�o sei o quanto vai pagar a esta mulher, mas ela merece o dobro."
Julianne olhou para o alto. "Ouviu alguma coisa que eu disse?"
"Quando?"
"antes."
Adrian arqueou uma sobrancelha. "Estava falando?" perguntou. Encolheu os ombros e pareceu notar a pintura pela primeira vez. Estava apoiada contra a parte de tr�s do sof�, a meio metro de onde ele estava. "Que � isso?"
Por tr�s dele, a massagista se preparava para ir embora. Adrian foi momentaneamente distra�do pela sa�da da mulher.
Julianne olhou de novo para a almofada antes de se levantar"Isso � uma pintura," lhe informou. Ele se aproximou para tamb�m ver.
Adrian lan�ou um olhar para ela indescifr�vel e ajoelhou-se para inspecionar o quadro... balan�ou a cabe�a e passou um dedo no canto inferior direito. "K. Milano?" olhou sobre seu ombro. " O que voc� fez?"
Soltou um longo suspiro e apoiou-se contra a parte de tr�s do sof�. "Conheci-a, Adrian," disse. "Quero dizer, ela n�o sabia quem era eu. Mas eu sabia que era ela."
"E?"
"Uau," murmurou Julianne.
Adrian se levantou, assentindo. "Foi at� ela e comprou outro quadro?" Deixa eu adivinhar. "Peruca�. �culos�?"
Adrian co�ou a nuca e olhou fixamente para sua melhor amiga. "esta garota acha que � tr�s pessoas diferentes?" Fez uma pausa para reconsiderar. "N�o. N�o. N�o sabe que � tr�s pessoas diferentes." Lan�ou as m�os ao ar. "Agora tem personalidade m�ltipla?" Os olhos azuis de Adrian piscavam ligeiramente. "Voc� fez?"
Julianne soltou um longo suspiro e deixou-se cair de costas no sof�. Ficou olhando para eu quadro e gemeu. "Por que tinha que ser t�o linda?" perguntou. "N�o podia ser feia. N�o. Claro que n�o, isso teria sido muito simples."
Adrian apareceu a seu lado um momento depois e sentou-se. Olhou-a por um longo momento antes de sorrir. "Linda? E hetero, fala mais?"
"Nem ouse pensar isto," advertiu Julianne.
"Por que n�o? Porque ela � sua?"
Julianne abriu a boca para responder, mas no instante seguinte fechou. Girou-se, cuidadosamente para n�o bater na cabe�a de Adrian com suas pernas, e conseguiu se sentar. "N�o � minha," respondeu suavemente.
"Mas desejaria que fosse?"
Julianne franziu a testa e balan�ou a cabe�a. "Isso n�o importa. Nunca daria certo."
"Porque voc� � Julianne Franqui?"
"Entre outras coisas. Por n�o mencionar que � hetero."
"E que n�o tem id�ia de quem sou."
Suspirou de novo. " � s� uma coisa on-line."
"Claramente, jamais poderia sair disto," concordou Adrian.
"Est� certo," disse Julianne, sua voz saiu com tristeza. Que deprimente era isto. balan�ou a cabe�a e p�s-se de p� para recuperar a pintura. Depositou-a contra a mesa de caf� para que ambos pudessem olhar. "� bonito, n�o acha?" perguntou.
"� um amanhecer."
"E os amanheceres s�o preciosos." Levantou a vista at� ele. "Ela me deu. Disse que lhe mandasse depois o dinheiro por carta, ainda que n�o acho que espere que o fa�a."
Adrian ,"Ela n�o estava vendendo?."
O olhar de Julianne regressou � pintura. "Estava, me cobrou quinze d�lares." Inclinou a cabe�a de um lado e considerou o brilhante uso da cor. "Mas acho que n�o foi um pre�o justo."
Adrian consentiu. "Talvez cinco d�lares."
Deu-lhe um soco no est�mago. "N�o seja cretino."
Adrian passou a m�o em sua dor e suspirou. "O Que est� tramando agora, Franqui?"
Julianne sorriu. "Acho que esta pintura vale bem mais que isso."
Ele captou seu olhar e arqueou uma sobrancelha. "Quanto mais?"
"Muito."
"J� vou!" gritou Kris, saindo de seu quarto para abrir a porta. "Bate um pouco mais forte, resmungou. As batidas na porta tinha lhe acordado de um maravilhoso sonho. Tinha um unic�rnio num bosque e um lindo amanhecer. E fadas. As fadas eram preciosas. Precisava de uma fada. Bocejou. Preciso de caf�.
����Pum!!!!
Jesus cristo. "J� vou!" gritou de novo, enquanto abria inesperadamente a porta. Olhou um par de vezes. "Nathan?"
Ele sorriu enquanto notava sua rea��o. "Lindo pijama," disse. Levantou um pequeno monte de envelopes. "Precisa ver suas correspond�ncias com mais freq��ncia?"
Kris franziu a testa e pegou a correspond�ncia de sua m�o. "`Porque est� olhando a minha correspond�ncia?" perguntou.
Nathan pareceu ferido, ainda que n�o o bastante para parecer convincente. "Posso entrar?"
Kris deixou a porta aberta e foi para cozinha. Caf�. Preciso de caf�. Mont�es e mont�es de caf�. Atirou as cartas na mesa da cozinha e dirigiu-se para a cafeteira. Estava vazia. Nota mental: Matar a Leigh.
Nathan estava se sentindo em casa e foi direto ao refrigerador. Pegou uma jarra de suco de laranja e colocou um pouco no copo. Eu te acordei?"
Kris olhou rapidamente a hora no microondas. "Bom, s�o oito da manh�," respondeu friamente. Conseguiu ligar a cafeteira e se virou para enfrentar seu namorado. Ex-namorado. Bom, o que fosse. Apoiou-se contra a mesa e observou-lhe engolir o suco. Sempre fez esse irritante ru�do ao engolir?
Nathan sentou-se enquanto enchia outro copo de suco. "Acabei de carregar minhas coisas para o caminh�o de mudan�a . Estou morto."
"Tudo ?"
Ele consentiu, terminando de beber o suco. Olhou para Kris. "Sim, vou amanh�," a informou. "Mas queria assegurar-me que tudo estava pronto ."
O olhar de Kris estava enfocado no ��Caf�!! . "Est� pronto," disse. "Por que veio aqui?"
Nathan franziu a testa ligeiramente. "Bom, queria que soubesses que me senti muito mal com aquilo que aconteceu naquela noite," disse. "Foi mal da minha parte planejar algo t�o importante sem seu consentimento."
Kris permitiu-lhe continuar.
Assim o fez. "Come�ou a dar voltas," disse, de repente s�rio. "Eu me comportei como um cretino aquela noite."
Sem dizer nada a respeito. Kris decidiu que seria uma longa conversa, ent�o puxou uma cadeira e se sentou.
"Pensei que tivesse ido falar com seus pais," continuou Nathan, "Ent�o fui falar com Carlos alguns dias depois."
Kris paralisou-se. Voc� foi?!"
Nathan levantou a m�o para sosseg�-la. "Quando cheguei me dei conta que n�o lhes tinha dito nada, gostei que tenha me protegido, mas fui um cretino irrespons�vel eu tinha que ter dito a verdade. Ent�o me sentei com Carlos e tivemos uma longa conversa. De homem para homem."
A Kris n�o estava gostavando de onde isto ia acabar.
Nathan consentiu. "Lembramos que era hora."
"Hora." Repetiu a palavra como se nunca tivesse ouvido antes. "Hora de que?"
Nathan aclarou a garganta e, no instante seguinte, estava de joelhos, segurando uma pequena caixinha numa m�o. Com a outra, abriu-a. Kris quer casar comigo?"
32
Julianne bateu os dedos contra a mesa de seu escrit�rio. Seu olhar vagou
at� a caixa. Bateu os dedos de novo. E de novo. At� que finalmente,
deixou de tentar evitar o inevit�vel e abriu de uma vez, primeiro
seu e-mail de f�s sem ler e olhou fixamente.E depois pegou todas as cartas
e colocou em cima da mesa.
Ficou de p�,olhou o monte de esvelopes e arrumou um pouco para poder ver melhor. Ent�o procurou sua mochila e pegou seu caderno de poesia. Dentro estava a carta que tinha estado evitando durante semanas. Pegou e olhou fixamente o endere�o do remetente. Jennifer Graham. "Ann Arbor, Michigan."
Mordendo os l�bios, sentou-se e pegou a carta. Leu v�rias vezes. O Que fa�o com isto? perguntou-se, sentindo-se frustrada.
Uma batida na porta interrompeu seus pensamentos. "Entra."
Karen apareceu na porta, trazendo o seu "Almo�o," anunciou, segurando a bandeija .
"Obrigada," disse Julianne. "Deixa em qualquer lugar." Leu a carta uma segunda vez, debatendo suas op��es. "Karen, ajuda-me um momento." Esperou at� que sua assistente encontrasse um lugar para colocar a comida e se virar para dar aten��o a ela. "Digamos que voc� � uma famosa atriz. E recebeste uma carta de uma menininha pedindo que ajude seu irm�o doente. Que faria?"
Karen olhou surpreendida para Julianne por um momento. Olhou ao redor enquanto pensava na pergunta. "Bom, n�o sou uma atriz famosa assim n�o posso saber," disse. "Mas, do ponto de vista de uma f�, se estivesse doente, ficaria bilh�es de vezes melhor sabendo que � pessoa que idolatro se importa com meu bem-estar."
Julianne pensou a respeito por um momento. "Obrigada. J� almo�ou?"
Karen balan�ou a cabe�a. "Ia agora."
"Quer comer aqui comigo?" perguntou Julianne. "N�o precisa vir s� porque eu te pago," agregou um sorriso. "Mas estou cansada de comer sozinha."
Karen tentou esconder sua surpresa, mas fracassou. "C-claro. J� volto."
Julianne sorriu diante da incomodidade de sua assistente e viu-a sair. Sozinha de novo, voltou ao seu problema. Fazer-lhe sentir que me preocupo com seu bem-estar. Envio flores? Com um cart�o? Envio bem cedo '. Que idiota, balan�ou a cabe�a e soltou a carta.
Foi at� o sof� e se aproximou da mesa de caf�. Karen tinha trazido salada, frango, batatas chips e refrigerante. "Meu favorito," disse alegremente.
Karen voltou uns momentos depois com seu pr�prio almo�o e sentou-se de frente de Julianne. Manteve seu olhar no prato o tempo todo..
"Estou te assustando, Karen?" perguntou Julianne, estudando a conduta de sua assistente com �bvia divers�o.
Karen levantou o olhar. "Se conformaria se eu falasse que me sinto intimidada?" perguntou.
Julianne riu . "Acho que nunca fui muito legal contigo?
Karen encolheu os ombros intranquilamente. "Estou certa que s�ria intimidante de qualquer jeito."
Uma escura sobrancelha se arqueou para cima diante da declara��o, mas decidiu n�o comentar. Em mudan�a, mordeu o seu frango com vontade. Ser� que a Kris gosta disto. N�o. Esquece ela � vegetariana. Que pena. "Como sabia que eu gostava disto?" encontrou-se perguntando.
"Presto aten��o?" Karen sorriu.
Julianne sorriu. "Que te fez querer trabalhar para mim?"
Karen se ruborizou e olhou para sua comida. "Pensei que seria uma boa oportunidade."
Julianne estudou a Karen por um momento. Por que ela se ruboriza tanto?
Karen picoteou sua comida por um momento. "Era sua f�," admitiu, ruborizou mais ainda. "O filme, Borderline Crazy, que fez alguns anos atr�s era excelente. Quero dizer, estava excelente."
As sobrancelhas de Julianne franziram-se. Estive excelente? Hmm. "Obrigada." Agora ficou sem fala. Assim terminou o resto de seu almo�o em sil�ncio.
"Fui apaixonada por voc�," soltou Karen.
Julianne engasgou.
Karen ficou mais corada ainda. "Sinto!" se desculpou rapidamente. "Sou uma idiota. N�o acredito que disse isso. Esquece que eu disse isso. Oh, Deus." Cobriu o rosto com suas m�os.
Julianne parou de tossir finalmente e ficou olhando a sua assistente com completo e absoluto choque. "Foi apaixonada por mim?. "
Karen sossegou Julianne com seus dedos. "S� um pouco," admitiu. "Sinto. Minha namorada diz que preciso aprender a manter a boca fechada. Ela tinha raz�o."
Namorada? Karen � gay?? A mente de Julianne dava voltas com esta nova informa��o. "Todo este tempo pensei que estava apaixonada por Adrian," disse, esperando tranquilizar � jovem. "Vejo que n�o est�." Sorriu.
Karen tirou as m�os do rosto. "Sinto muito."
"N�o sinta. S� n�o esperava." Em absoluto. Pergunto-me que diria se eu lhe sa�sse do arm�rio. Talvez deva esperar que ela beba algo. "Ent�o tem uma namorada. Est�o juntas a muito tempo?"
"Cerca de um ano," Karen respondeu e relaxou visivelmente. "Estamos morando juntas desde o m�s passado."
Julianne sorriu. Deve ser muito bom. " Estar apaixonada?"
"Muito." Karen sorriu brilhantemente.
"Deve ser mesmo," encontrou-se expressando Julianne.
Karen franziu o cenho ligeiramente e olhou para Julianne. "Achei que Adrian e voc� fosse um casal apaixonado." Quando Julianne vacilou, agregou rapidamente, " sinto, n�o queria me intrometer. N�o � assunto meu
Karen riu e balan�ou a cabe�a. "L� vou eu de novo."
Ser� que digo a ela? Ser� que Posso confiar nela? antes que pudesse tomar uma decis�o a respeito, bateram na porta.
Algu�m que Julianne n�o conhecia meteu a cabe�a dentro do camarim. "Gina quer todos no set em cinco minutos," a informou.
"J� vou," Julianne respondeu. "O dever nos chama," disse a Karen. "Obrigada pelo almo�o. Pode terminar sossegada." N�o deu a oportunidade de Karen responder, porque se apressou em sair dali. N�o posso acreditar que quase contei a ela. Devo estar perdendo a cabe�a. Oh, sim. Estou, definitivamente perdendo a cabe�a. Acho que � Nova York. Preciso deixar de ir l�.
Julianne deixou de caminhar um momento. Ser� que a Kris j� recebeu minha carta.
Kris olhou fixamente para o anel que brilhava dentro da caixinha. Piscou
um par de vezes enquanto as palavras definiam-se em sua mente e o significado
da frase penetrava por sua sonolenta consci�ncia. "O Que?" sentindo-se
mais aborrecida que surpreendida. "Quer que eu me case contigo?"
Nathan pareceu surpreso com sua rea��o. "Achei que queria casar?" perguntou. "Naquela noite no hotel, disse que queria esperar at� que nos casassemos."
Eu disse ? Deus, � muito cedo para isto. "Nathan, sinto muito," disse, agitando a cabe�a. "Me enganou para dormir com voc�"
Ele fechou a caixinha inesperadamente. "Enganei?" disse: Nathan, se levantou. "Enganar-te?! Estava tentando ser rom�ntico. Pensei que apreciaria o meu esfor�o!"
"Bom, sinto muito, mas n�o queria que minha primeira vez fosse numa noite formatura! Depois desaparece por duas semanas e agora quer casar comigo?!"
"Carlos disse"
Kris levantou-se t�o de repente, que derrubou a cadeira. "N�o me importa o que Carlos disse! Isto n�o se trata da vida dele! Meus pais n�o tem que se meter nisto. Isto � sobre voc� e eu, e de fato foi um cretino comigo"
"Voc� n�o tem considera��o?!" bravejou Nathan. "Sabe quanto me custou este anel? Aquele quarto ? As velas? Sabe quanto tempo planejei para que nossa primeira vez pudesse ser especial? N�o� n�o sabe, porque esta muito envolvida em seu pr�prio mundinho para se importar com meus sentimentos!"
"S� porque quer ficar virgem at� se casar n�o significa
que eu n�o tenha necessidade," disse Nathan. "Quantos caras
acha que teriam esperado tanto?"
Kris afastou-se dele desejando gritar. "Nunca sai com outros caras, Nathan. Estava contigo." Notou o tempo presente das palavras. "Estava."
"Estava? Caralho, Kris! Venho aqui para declarar-me e rompe comigo? Voc� � uma ingrata! Depois de tudo que fiz ."
De verdade o que fez por mim, Nathan? Sempre teve mais o que conversar com Carlos do que comigo! Por que n�o vai se declarar ao-" Levou uma bofetada que a deixou sem ar e, de repente, estava de cara no ch�o. Isto foi seguido por uma dor em seu rosto. Estava t�o sem a��o que nem conseguia se mexer.
"Que tenha uma boa vida, Kris," desejou, Nathan, ent�o deixou cair o anel no ch�o.
Deu mais uma olhada em Kris, que devolveu o olhar como uma criatura criminosa. E ent�o a porta fechou-se inesperadamente, ressoando atrav�s do apartamento como o �ltimo tiro de guerra.
Leigh entrou no apartamento �s tr�s e meia. "N�o vai
acreditar no dia que tive hoje," disse, deixando cair seu mochila na porta.
Caminhou enquanto falava, indo para o sof� onde Kris estava sentada.
"Foi infernal. Levei uma enorme bronca por causa de um homem que estava
tentando beliscar a minha bunda. Quero dizer, sei que � lindo e tudo,
mas era um velho ser� que nunca ouviu falar pode olhar mas n�o
tocar?"
Kris se sentou do lado direito do sof�, para que Leigh n�o notasse o enorme hematoma em sua bochecha esquerda. N�o tinha sentido esconder.
Leigh se sentou ao lado de Kris, pondo suas pernas no colo de Kris. "quer fazer uma massagem em meus p�s?" lhe perguntou. Quando n�o teve resposta, levantou sua cabe�a. "Sabia que j� estou em casa?"
Kris for�ou um sorriso. "Oi."
A estas alturas, Leigh franziu o cenho e sentou-se. "Que foi?" Olhou a cara de Kris por um minuto. "Por que n�o olha para mim? Quero dizer, n�o � que seu perfil n�o seja bonito, mas o contato visual seria melhor."
Kris suspirou e virou a cabe�a na dire��o de Leigh.
Leigh, correu para olhar o hematoma. "Oh, Meu Deus!. Que aconteceu com voc�?"
"Acreditaria se eu falasse que tinha caido na escada?" tentou Kris torpemente.
Leigh pensava na declara��o de Kris. O reconhecimento cruzou sua cara. "Nathan?" perguntou. "Ele te bateu?!" P�s-se em p�, incapaz de ficar sentada. Come�ou a andar ao redor da mesa. "Que desgra�ado! Vou matar ele.
Kris balan�ou a cabe�a. Ele vai embora amanh�. Deixa isso para l�. Acabou."
Leigh olhou-a e sentou-se. "Ele precisava pagar por isto!" Fez uma pausa e de repente pareceu muito s�ria. "Kris, ele j� tinha te batido antes?"
Kris balan�ou a cabe�a. "N�o," disse honestamente. "Hoje tivemos uma enorme briga. E as coisas chegou a este ponto.
"Obviamente," respondeu Leigh. N�o gosto disto. Nunca gostei dele. "Veio se desculpar por ser um completo canalha?"
Kris,"Veio me pedir em casamento."
Leigh ,"O que est� dizendo?"
"Ao que parece Carlos e ele decidiram que era a 'hora'. O que seja que isso signifique."
Leigh queria mais detalhes. "Quando disse n�o, ele te bateu, foi isso?"
Eu disse n�o e ent�o come�amos a discutir. Trocamos algumas ofensas. Sugeri-lhe que fosse se declarar a Carlos e ent�o me bateu." Kris balan�ou a cabe�a, desejando esquecer-se de tudo. Tinha dias que n�o valia a pena se levantar. "N�o importa. Vamos esquecer isto."
"Esquecer?" Leigh perguntou incr�dulamente. "Eu n�o posso esquecer. . Aquele maldito. Se voltar a falar com ele , juro que serei eu a te bater."
Kris sorriu. "Agarrou a m�o de Leigh. "Estou bem."
Leigh franziu o cenho. "N�o gosto disto, Kris. N�o deveria deixar ele ir sem ser punido.
"E o que devo fazer?" perguntou Kris.
"Contrata um assassino," sugeriu Leigh. "E n�o estou brincando." Tocou a bochecha de Kris suavemente. "D�i muito?"
Kris balan�ou sua cabe�a. " n�o. Acho que parece pior do que �."
"Deixa-me trazer um pouco gelo," disse Leigh indo para a cozinha pegar os cubos de gelo. Ao voltar notou um monte de envelopes sobre a mesa. Agarrou-os tamb�m. "cart�o interessante, deve ser contas e propagandas?"
Kris, aceitou o gelo de Leigh. "N�o senti vontade de abrir." Apertou o gelo contra sua bochecha.
Leigh sentou na mesa e come�ou a repasar os envelopes em sua m�o. "Fatura do cart�o. Fatura. Oh, isto � diferente." Pegou o envelope e arqueou uma sobrancelha. "� para voc�. Sem remetente." Olhou para Kris.
Kris deixou o gelo e pegou a carta. "Que estranho," disse.
Leigh ficou olhando em sil�ncio at� que n�o p�de suportar mais. "N�o me fa�a abrir. Vamos, a minha curiosidade est� me matando."
Kris lan�ou um olhar indeciso a Leigh e abriu a carta. Dentro tinha um peda�o de papel dobrado ao redor de um cheque. "'Acho que lhe devo quinze'," Kris leu no papel. "' trato � trato. Obrigada pela pintura'." Ent�o olhou o cheque e seus olhos se abriram.
Leigh pegou tudo da m�o dela. Releu o bilhete por sua conta e ent�o ficou olhando o cheque. "Quinze mil d�lares." gritou. "Isto n�o pode ser para valer. Acredita que � de verdade? N�o pode ser."
Kris voltou a pegar e olhou de novo. "Parece para valer," disse. "Mas n�o tem nenhum nome." Olhou para Leigh. "Que fazemos com ele?"
Vamos sacar?" sugeriu Leigh. "N�o � poss�vel que seja de verdade."
Kris olhou fixamente o papel em suas m�os e os cinco d�gitos cuidadosamente impresso em sua superf�cie. "N�o posso fazer isso. Tem que ser algum tipo de erro. Deve ter errado."
Julianne conseguiu finalmente revisar seu email � uma e meia da manh�.
Seu hor�rio nas pr�ximas semanas seria cruel. Mas depois acabar�.
S� mais duas semanas. Ent�o liberdade. Suspirou. At� que
a temporada comece de novo.
leu a mensagem de Kris e come�ou a responder. Ent�o come�ou a digitar.
Querida Kris,
De qualquer forma, s�o quase duas da manh� e acabo de chegar do trabalho. Me acostumei com os hor�rios depois de um tempo. Vai ser bastante louco meus hor�rios nas pr�ximas semanas,acho que n�o poderei conversar contigo at� 1�de junho. Mas depois disso, estarei de f�rias, assim poderemos conversar. Quando come�a o trabalho? Hoje aconteceu algo interessante. Esta garota que trabalha comigo me falou que j� foi apaixonada por mim! Que loucura foi essa? primeira vez, que soube que uma mulher gostou de mim. Mas agora tem namorada. N�o � que considerei ter algo com ela mesmo que estivesse solteira. Sei que me disse para convidar para sair � primeira mulher que visse, mas acho que sou muito t�mida para fazer isto. Adrian queixa-se que n�o permito, as pessoas se aproximar de mim e esse � o problema. Talvez tenha raz�o. Mas �s vezes, � melhor assim, sabe? Mantenho as coisas simples. Ainda que chatas. Talvez eu seja chata. Agora mesmo estou um pouco de mal-humor. Provavelmente devesse estar dormindo, dado que tenho que me levantar �s cinco da manh�. Mas estou vendo TV. Sabe se tem algum programa bom na TV ?. � a solu��o perfeita para uma solit�ria,como eu. Em lugar de escolher algo para ver, n�o vou ver nada, ainda que parece que estou vendo tudo. Sinto-me tentada a ligar para essa vidente jamaicana. Talvez possa dizer meu futuro. N�o sei o que estou falando, rss. Quando � seu anivers�rio? Espero n�o ter perdido� Agora vou deitar e deixar voc� em paz. sua amiga, Julia
|
Julianne terminou de escrever o e-mail e o enviou , estava com sono, mas n�o
desligou o computador, nem o p�s em offline. Tinha uma decis�o
a tomar e planejava fazer antes de ir dormir.
As palavras de Karen ressoaram em sua mente. Se estivesse doente, faria-me bilh�es de vezes melhor saber que � pessoa que idolatro se importa com meu bem-estar.
"se decida, Franqui," disse-se. "Se fosse f�, o que gostaria?" Sua mente ficou quieta. Que faria Kris? Considerou este novo �ngulo por um momento. "Algo bondoso� altru�sta� e inesperado�"
Olhou a pintura do amanhecer, que estava junto ao outro na parede. H� tanto que se fazer�
Julianne olhou o monitor do computador por um segundo. Mostra-lhe que se preocupa com seu bem-estar. "S� posso pensar numa coisa." consentiu, chegando a uma decis�o.
Dez minutos depois, seu plano estava a caminho.
Satisfeita, desligou o computador. Agora vou dormir.
continua...