O Lado Cego Do Amor

INGRID DIAZ

The Blind Side of Love

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 Tradu��o de Fernanda

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Parte 2


16


Leigh levantou  �s quatro e meia da manh�, e encontrou sua melhor amiga no sof�. Bocejou e ficou olhando Kris silenciosamente. "Que est�  fazendo?" perguntou finalmente.

Kris mostrou o livro que estava lendo. "Oi, bom dia," disse. "Tem caf� na cafeteira."

"Obrigada," respondeu Leigh, n�o se movendo do lugar que ocupava. "Mas,o que est� fazendo?"

Kris levantou o livro. "Lendo."

"�s quatro e meia?"

Kris encolheu os ombros. "Decidi ficar acordada para ver o dia nascer" respondeu preocupadamente.

Leigh piscou algumas vezes, repentinamente segura  que entre sua cama e a sala  tinha entrado, de algum modo, num universo paralelo. "Est� brincando?."

"N�o."

"Preciso de caf�," murmurou Leigh, indo � cozinha. "� muito cedo para est� loucura."

Enquanto Leigh preparava uma x�cara de caf�, Kris voltou ao livro. N�o estava completamente segura o que  tinha levado a comprar The Remains of the Day. Mas quando  passou por uma livraria a caminho da faculdade  viu o livro entre outros . Kris tinha tomado como um sinal.

N�o mencionou, que sentia suma curiosidade por sua nova amiga. J� estavam trocando e-mail algumas semanas mas, de algum modo, Kris sentia que n�o era bastante. Desejava saber mais.

Por que Julia gostou tanto este livro, por exemplo. Kris tinha conseguido chegar � metade. Tinha esperado algum tipo de a��o ou trama. Mas era s� um mordomo ingl�s falando de quanto tinha adorado servir a seu amo. E algo sobre uma viagem para algum lugar. Kris n�o estava certa.

Leigh sentou-se ao lado de Kris uns minutos depois. Engoliu a metade da x�cara e suspirou com al�vio. "Bom, o que est� acontecendo?" perguntou Leigh. "Quero dizer, o fato de querer ver o amanhecer j� �  bastante extravagante.E est� realmente lendo um livro, Kris. E, voluntariamente. Est� me deixando com arrepios."

Kris olhou para cima. "Estou tentando ser mais liter�ria."

Leigh assentiu. "Ficou louca, "Aquela sua explos�o de semanas atr�s foi o in�cio de sua loucura."

"na realidade, sinto-me bem," disse Kris, fechando o livro. "Quando foi a �ltima vez que viste o dia nascer, Leigh?"

"Oh, todos os  dias indo trabalhar."

Kris sorriu e assentiu. "Sim, mas parou para olhar? Pensou, 'Uau, que maravilhoso espect�culo. Um verdadeiro milagre de Deus?"

Leigh engoliu o resto do caf� e olhou para Kris. "Voc� entrou em alguma  seita, pode me dizer? Uma do tipo  horripilante ? Suic�dios em massa, t�nicas longas, lavagem cerebral, etc?"

Kris suspirou, agarrando o livro. "N�o importa."

Leigh p�s a m�o na testa de Kris. "N�o tem febre," disse. "Mostra a l�ngua."

Kris afastou a m�o de Leigh. "N�o tem que  ir  trabalhar?"

"Acho que vou dizer que estou doente."

"Mas n�o est� doente."

Leigh se levantou e foi para a cozinha para levar a x�cara. "Mas tu claramente est�. Que esta acontecendo contigo? Primeiro foge do Nathan, uma a��o que teria apoiado sinceramente se n�o tivesse ficado louca de preocupa��o. Depois, durante as �ltimas semanas tem estado como�diria a�rea."

"A�rea?" repetiu Kris, olhando  por cima de seu ombro para a cozinha.

Leigh pegou sua mochila da parte de tr�s de uma das cadeiras. "Sim, a�rea," disse, j� colocando.

"Que bom  saber que estou bem ventilada."

Leigh olhou para cima. "T� bem, talvez a�rea n�o seja a palavra certa. Mas isso n�o te exime deste seu comportamento estranho. N�o estou entendendo porque quer ver o amanhecer de repente. E porque� est� lendo."

Kris riu. " atuar � a segunda li��o que se aprende na aula de teatro?" perguntou.

"Sim," respondeu Leigh. "Como  fa�o?"

"Levantou ambos polegares, Kris. "Vai chegar tarde."

Leigh assentiu, pegando suas chaves . "Estou indo. Vou proporcionar estimulantes legais �s massas ansiosas. At� a noite."

Kris se despediu e devolveu sua aten��o ao livro. Mas n�o podia se concentrar. Levantou-se do sof�, foi at� a varanda onde o c�u  estava come�ando a clarear. Que estranho que uma atividade t�o peregrina lhe fizesse sentir t�o livre de repente.

Talvez Leigh tivesse raz�o, estava agindo estranhamente. Mas sentia-se muit�ssimo melhor. Ultimamente tinha tido mais confian�a e um crescimento de seu ego.

E n�o estava  entendendo o por que.

 

Querida Julia,

Isto pode soar um pouco estranho, mas fiquei acordada para ver o amanhecer. Leigh  acha que fiquei louca. Na realidade, acho que a perdi um pouco a cabe�a. Mas sabe, foi t�o lindo. N�o pude ver muito com todos os edif�cios no meio. Estou certa que seria mais impressionante ver da praia. Mesmo assim, fez-me pensar sobre a dire��o de minha vida. Ou a falta da mesma.

Quero dizer, a vida fica t�o limitada pela carreira que se escolhe. Nem sequer vai  ter trabalho e dinheiro. Vai ter uma identidade. Doutor. Artista. Advogado. � deprimente, todos nos convertemos em palavras que nem sequer conjuram uma imagem completa de quem somos. S� nos convertemos em estere�tipos. Doutores ricos. Artistas egoc�ntricos. Advogados sanguessugas.

Ontem fotografei um p�ssaro. N�o soube por que nesse momento acho que, inconscientemente, tinha vida pr�pria. Porque uma criatura supostamente menor era mais livre que eu. Mas acho que � o que faz os animais mais majestuosos. T�m liberdade inata. Os humanos adora se confinar em caixas mais e mais pequenas. E tudo o que podemos fazer � buracos e esperar que o ar passe atrav�s.

Provavelmente n�o estou dizendo nada que fa�a sentido. Acho que agora estou  come�ando a sentir como voc�)

Hoje, irei a um museu. Gosto de passear, ver as pinturas me enchem de paz e esperan�a para o futuro. Como tu e teus poemas. Tem raz�o, o mundo  �s vezes � muito barulhento. Tem que apertar o bot�o de sil�ncio de vez em quando.

sua amiga,

Kris


17

Adrian passou a m�o por seu cabelo j� impaciente. "Podemos ir?" perguntou pela  nona vez desde que tinham chegado.

Julianne s� sorriu, indo ver outro quadro. "Onde est� seu sentido cultural, Adrian?" perguntou-lhe. Assinalou uma pintura de natureza morta. "Quero dizer," Procurou o adjetivo adequado.

"Incrivelmente aborrecido," Adrian completou para ela. " por que estamos aqui? Achei que �amos ver um  filme."

Julianne balan�ou a cabe�a, chateada pela atitude de seu melhor amigo. "Podemos ver um filme depois. De todas formas, � tudo o que sempre fazemos. Ver filmes, fazer filmes. Quero dizer que precis�mos fazer outras coisas de vez enquando." Seguiu andando.

Adrian foi andando atr�s dela. "Acho que a fama est� come�ando finalmente a deteriorar teus sentidos. Quando acabar  de filmar Guardian, acho que dever�amos viajar para bem longe"

Julianne parou e se virou. "Eu concordo ."

"V�s, isso � o que gosto de ouvir," respondeu Adrian com um sorriso f�cil. "Onde quer ir?Egito? Gr�cia?"

"Nova York!" respondeu Julianne rapidamente.

Adrian piscou um par de vezes os olhos. "Mas acabamos de voltar de Nova York."

Julianne considerou. "Mas h� tanto que fazer l�. "Museus para visitar� parques que percorrer�" Gente que espreitar. Franziu a testa diante o seu pensamento. Estou perdendo a no��o. Ainda franzindo o rosto, come�ou a caminhar por v�rias pinturas.

"Perdeu o que," murmurou Adrian, andando mais r�pido para captur�-la. "Jules, o que est� acontecendo?Tem  algo  que queira falar?"

Julianne balan�ou a cabe�a dizendo . "N�o, vamos ver o filme," respondeu, indo para a sa�da. De todas formas, o que lhe tinha impulsionado a visitar um museu? Se recordou do e-mail da Kris sobre ir a um museu nesse dia. Bom, n�o sei. Que est� acontecendo comigo? "O  que quer ver?" perguntou, quando chegaram no carro.

Adrian ficou olhando os olhos azuis de Julianne com uma mistura de curiosidade e confus�o absoluta. Estava agindo estranhamente. Algo estava errado. "D� no mesmo," respondeu descuidadamente, entrando no lado do passageiro do Rav4. "Bom, que fez  nessas semanas passadas?"

Julianne encolheu os ombros indiferentemente. Deu a partida e saiu do estacionamento, n�o completamente segura de onde ir. Imaginou que pararia no primeiro cinema que encontrasse. "Nada. Filmei, comi, dormi. O de sempre. Como vai seu filme?"

"Excelente," respondeu, com emo��o. "Realmente sinto que tenho possibilidade de ganhar o pr�mio. Julianne sorriu. "Isso � muito legal, Adrian. N�o posso esperar para ver."

Adrian assentiu.  Eu sabia que algum dia estaria ao lado de Julianne recebendo um Pr�mio . E se n�o estivesse, ao menos ela estaria subindo l�. "E o que  mais?" perguntou.

"Bom, tenho trocado e-mails  com  uma pessoa," falou, seus olhos enfocados no caminho. N�o tinha certeza se contava sobre o teor das conversas, porque sabia que Adrian iria ficar zoando com ela. Mas n�o dizer ia  ser pior.

Agora estamos chegando em algum lugar, pensou Adrian. "E  'esta pessoa' tem nome?" perguntou.

Julianne jogou-lhe uma r�pida olhadela e sorriu. "Seu nome � Kris," disse-lhe. "E antes  que tenha esperan�as, tem namorado."

"Maldi��o," disse. "N�o pode me encontrar uma solteira?"

"Engra�adinho."

Adrian considerou esta nova informa��o. "Se tem namorado. Ela � de onde? Como a conheceu?"

Julianne disse. "Peguei seu email do cart�o que me atirou. Desejava dizer-lhe quanto gostei de sua pintura. Ent�o continuamos a trocar e-mails, ela � muito simp�tica."

Bingo.� claro que Julianne escolheria uma garota hetero que vivesse do outro lado do pa�s. "Alegra-me que tenhas uma nova amiga," disse. Afogou um suspiro. Por alguma raz�o, teve um sentido  iminente de desastre.

 

Querida Kris,

Espero que tenha encontrado o bem-estar que procurava hoje, entre rascunhos intermin�veis de pinturas e esculturas. Alegra-me que tenha gostado do amanhecer. O perdi quando estive em Nova York. Quem sabe em minha pr�xima viagem.

Sei o que quis dizer sobre ficar limitada pela pr�pria carreira. � como se j� n�o fosse voc� mesmo. �s fulano, arquiteto ou a profiss�o que decida (ou te encontres). Deprimente.

Diga algo que ningu�m sabe que fez?

sua amiga,

Julia


Kiara tocou a �gua com seus dedos, olhando as ondas intensamente como se esperasse que algo m�gico ocorresse. Mas o l�quido acalmou-se momentaneamente e a anjo olhou para longe.

Suspirando, olhou para quem tinha seu futuro nas m�os. "Cody," sussurrou.

Ele se virou de repente, olhando, seguro de ter ouvido seu nome. Seus olhos se abriram mais. "quem est� a�?"

Falou no sil�ncio da noite. Afastou-se da borda da �gua. Agora visitava o lago frequentemente. Fazia-lhe sentir mais perto do que tinha perdido. Abriu a boca, ent�o come�ou a rir. "Sinto, esqueci minha pr�xima fala."

Cortem!" gritou Gina Loeb e n�o pela primeira vez. "Max, por bilhon�sima vez, agora n�o tem fala."

Julianne olhou para o c�u. Por que tinham escolhido a Max Trouy ele era um mist�rio. Era bonito, mas o garoto n�o sabia atuar parecia que sua vida dependia disso. J� tinham feito 10 vezes a mesma cena  e Julianne estava desesperada.

Max assentiu. "Sinto," se desculpou.

Gina suspirou, repasando suas notas para a cena. Levantou a vista. "vamos parar para almo�ar," anunciou.

Julianne enviou uma silenciosa ora��o para quem  estivesse escutado suas s�plicas e  foi para seu camarim. Tr�s cartas esperavam sua chegada. N�o tinha lido mais cartas de f�s desde as primeiras tr�s que tinha aberto. Todas descansavam agora em uma caixa, pegando p�. Os tr�s novos e-mails j� imprimidos uniram-se aos outros.

Desfez-se de suas asas e se sentou no sof� com um suspiro. "Que dia. E nem sequer passou a metade." Agarrou o seu computador "Por  favor, anima-me, Kris,"suplicou � tela enquanto esperava que carregasse seu e-mail. Um lento sorriso cruzou seus l�bios quando viu a nova mensagem em sua caixa de mensagem.

 

Querida Julia,

Algo que ningu�m saiba de mim? Espero que isto n�o fa�a voltar e me batam no traseiro. Se come�ar  a receber bilhetes dizendo, "Sei o que fizeste no ver�o passado," vou saber que � voc�.

Deixa-me pensar.  Ningu�m sabe isto. N�o sequer Leigh. Eu trai  Nathan faz alguns meses. Foi realmente est�pido. Estava nesta festa da NYU e ali estava ele. E acho que eu tinha bebido um pouco a mais porque ele come�ou a me parecer muito bom, ainda que agora lhe vejo e me pergunto que infernos estava a pensar. De todas formas, fiquei com ele. Nunca tinha dito a ningu�m!! Al�m disto sinto-me t�o horr�vel por isso. N�o sei que aconteceu. Nathan e eu t�nhamos brigado e eu me sentia realmente deprimida�

Mas isso n�o � desculpa.Espero  algum dia deixar de sentir-me culpada por isso, mas duvido.

O que ningu�m sabe de ti ? Agora que despi minha alma.. Oh!  O que procuras num garoto? Sinto curiosidade.

sua amiga,

Kris


Julianne franziu a testa com o �ltimo par�grafo. Poderia dizer sinceramente e matar dois p�ssaros com um tiro. Ou poderia mentir. Pensou. Kris n�o sabia quem era ela assim  n�o ia se importar se sabesse algo pessoal dela. Por outro lado, se Kris descobrisse que era ela, poderia dizer aos meios de comunica��o. Mas quem ia acreditar nela? Tinha os e-mails� Mas quem acreditaria?Poderia dizer a Nathan que sua namorada lhe enganou.

Suspirou, olhando a janela de resposta .

Uma batida na porta interrompeu sua tomada de decis�o. "Sim?" disse.

"Seu almo�o, Srta. Franqui,"  disse alg�em  torpemente. Estava na porta segurando uma bandeja de pl�stico e uma garrafa de �gua.

Julianne cabeceou para a mesa a sua direita. "P�e a�." Olhou de novo para  tela do computador.

a pessoa obedeceu seu desejos e saiu sem dizer uma palavra.

Sozinha uma vez mais, Julianne mordeu os l�bios. Foste sincera at� agora com ela, se come�ar a mentir agora, qual � o sentido de manter a amizade?


Querida Kris,

Prometo que n�o receber�s bilhetes amea�adoras, ao menos de mim. N�o acho que devesses te sentir t�o culpada pelo que aconteceu. Essas coisas acontecem. � jovem.
Julianne deixou de escrever . "Que inferno n�o sou, Sua m�e?"

Apagou as �ltimas duas frases e continuou.


Tamb�m prometo n�o dizer a ningu�m seu pequeno segredo. Mesmo que a CNN derrube minha porta e tortura-me durante horas sem fim, n�o divulgarei nenhuma informa��o  referida a sua pequena trai��o na festa da faculdade.

Mas agora s�rio, obrigada por confiar-me a informa��o. Estou segura que se deve em parte o fato que n�o nos conhecemos,  te sentes a salvo. Mas da mesma maneira, n�o me conhece. Por tudo o que sabe, poderia eu ser Nathan disfar�ado. Eh, n�o se preocupe, n�o o sou...

Equanto a mim, bom� tenho um segredo. Mas uma pessoa sabe, assim que suponho que isso anula que  'ningu�m o sabe' . Mesmo assim, acho que � algo que deveria saber.


Julianne olhou fixamente a tela, insegura de como proceder. "Exactamente o que escrevo?" perguntou-se em voz alta. "Sou gay?Sou l�sbica? Sou homossexual?  "Por que � t�o dif�cil sair do arm�rio?"

Inspirou profundamente.
Gosto de mulheres.


"Muito,"disse para si.


Os garotos, n�o tanto. Ao menos n�o sexualmente. Um cara � meu melhor amigo e vou am�-lo pra sempre. Simplesmente� n�o � meu tipo. Bom, suponho que isso responde sua pergunta sobre que procuro num garoto.

Espero que a revela��o n�o te fa�a sumir.

sua amiga,

Julia


Seu dedo oscilou sobre o bot�o de 'enviar'. Que tenho a perder? N�o � como se f�ssemos  melhores  amigas .

Mesmo assim, duvidou.

"� uma covarde," disse para si. E antes que pudesse mudar de id�ia, clicou enviar.

 

18


"uau."

Leigh desviou o olhar da televis�o. "Not�cias de seu pai?"

Kris parou de ler o e-mail de Julia e balan�ou a cabe�a. "N�o, esta garota  que conheci  semanas atr�s. � gay."

" E isso � novidade?" disse Leigh , sua aten��o voltou � TV. "�  um  segredo que est� lentamente sendo revelado pelas pessoas. Como a mar�. Uma grande mar� gay, pronta para converter tudo a seu passo."

Kris riu do coment�rio de sua amiga. , retornando ao computador. Que estranho vivi vinte anos de minha vida sem conhecer nenhuma pessoa gay e, de repente, est�o por todas partes. "

"Agora precisa conhecer algu�m bisexual," comentou Leigh. "Tem um  irm�o gay, conhece a misteriosa ciber l�sbica e a garota hetero. Ainda falta um."

"Quer ser bi?" disse Kris.

Leigh considerou "Sabe, at� podia ser, mas acho que minha personagem funciona melhor como hetero, n�o acha?"

"A hetero de Brooklyn com sotaque sulista?"

Leigh sorriu abertamente. "Vou mudar meu nome para Mary Sue. Ou Billie Jo."

Kris riu. "Precisa de  uma s�ria terapia." Voltando ao assunto, clicou em responder.


Querida Julia,

Alegra-me saber que meu segredo est� seguro contigo. E obrigada por me dizer algo t�o intimo . Admito que n�o  esperava, mas me sinto honrada que me revelou algo que s�  disseste a uma outra pessoa.

Meu  irm�o saiu do arm�rio faz algumas semanas. A fam�lia n�o aceitou bem. Praticamente t�m-lhe repudiado. A �ltima vez que fui ao apartamento de meus pais, tinham tirado todas as fotos que ele estava . Desejaria que aceitassem mas a religi�o tem profundas ra�zes em minha cultura. Praticamente � uma causa perdida.

De todas formas, n�o queria  sair pela tangente. Vou refazer  minha pergunta original. Que procura numa garota?

Devolveram-me meu ensaio na sexta-feira, o de Shakespeare. Fui aprovada. Por sorte, foi o �ltimo do semestre. N�o terei mais ensaios. E nem mais aulas de l�ngua inglesa para mim! teria me encantado com sua ajuda se tivessemos nos conhecido antes. Teria gostado de sua ajuda nesse trabalho.

Bom, Srta. Poeta, qual � o seu poema favorito?

sua amiga,

Kris


"As vezes fico pensando como seria ela," disse Kris pensativamente, olhando em nenhuma parte em particular. Tinha-se posto em seu lugar preferido na sombra, suas obras orgulhosamente exibidas. At� agora ningu�m  tinha  comprado nada, mas tudo bem. Ainda era cedo.

Leigh soltou um longo bocejo e esticou-se. "Quem?" perguntou finalmente, ausentemente olhando sua revista.

Kris a olhou  por um momento, ent�o balan�ou a cabe�a. "Julia," respondeu finalmente, olhando ao longe. Ficou olhando durante um par de segundos a pessoa com uma venda nos olhos fazendo malabares com garrafas de refrigerante, antes de voltar o olhar para Leigh. "A garota da Calif�rnia."

"Pede uma foto," sugeriu Leigh. "Como conheceu est� mo�a, ? Nunca me contou ."

De repente Kris deu-se conta de algo. "Conhece-la!" exclamou emocionadamente. "Comprou meu desenho. Sabe, umas semanas atr�s, quando te deixei a cargo de vender?"

Leigh parou para pensar. balan�ou a cabe�a e sorriu. "N�o foi uma garota. Foi um cara. Um homem real, e muito sexy." Franziu a testa  de repente. "Sabe, inclusive dei-lhe meu n�mero mas nunca me ligou." Gelou-se, de repente tendo um ataque de p�nico. "Espera, e se era ela. Disse que era l�sbica. ! Oh, que merda!! Oh, Deus meu, acho que posso ser gay."

Kris piscou um par de vezes, repentinamente desconcertada. Leigh deu nosso  telefone para Julia? Franziu a testa, relembrando. "Um cara ligou uma vez," disse Kris de repente, se lembrou. "Achei que era engano! Foi durante aquele desastre com William, n�o me ocorreu perguntar com quem queria falar."

Leigh fez uma pausa em seu p�nico. "Est� certa que era um homem?"

"Bom, tinha voz de homem," respondeu Kris. N�o podia ter sido uma mulher, balan�ou a cabe�a. "Agora  quem sabe." Bom, que aspecto tinha?"

"  de um rapaz muito sexy!" falou Leigh, golpeando a cabe�a contra a mesa. Parou. "Oh, espera, espera. Acabo de recordar algo. Quando se afastou de mim, foi a uma garota e lhe deu o seu quadro." Assentiu, de repente parecendo aliviada. " essa era, provavelmente, a mo�a que conhece. O que significa que dei  meu n�mero a um rapaz." Suspirou com al�vio.

Kris considerou esta nova informa��o. "Bom, ent�o que aspecto tinha a garota?"

Leigh enrrugou a cara com profunda concentra��o. "Uh, n�o lembro," disse . "Acho que era loira. Estava ocupada olhando para a bunda dele."

"Que passa com as pessoas e as bundas?" perguntou Kris.  

Leigh suspirou. "� mais que uma bunda, minha querida Kristina. Ʌ Bom, Sobretudo quando s�o duras e firmes. �am-�am."

"Que asco, Leigh," respondeu Kris. "Que horrivel. Acabas de dizer �am-�am para uma bunda.

"Firme e deliciosa�"

Kris levantou a m�o. "Chega disto."

Leigh riu. "Quando ele ligou e pensou que era engano? Maldi��o. Esse poderia ter sido o princ�pio de  uma hist�ria de amor." "Oh, bom, talvez da pr�xima vez. � amigo de sua amiga?"

Kris lembrou de alguns dos e-mails de Julia. "Disse que seu melhor amigo era hetero. Provavelmente era com ele que estava." Ficou um pouco triste. Se n�o tivesse deixado a Leigh sozinha na mesa. Poderia ter conhecido  Julia pessoalmente. "Bom, � loira .� tudo ?"

"Realmente n�o me recordo," respondeu Leigh. " faz tempo. Se eu soubesse que era importante, teria prestado mais aten��o. " Sorriu de repente de algo na revista. "Vamos fazer este teste. Revelar� se Nathan e tu s�o feitos  um para o outro."

Kris jogou uma olhadela. "O Que � isso, " perguntou.

"Sil�ncio," falou Leigh. "Pergunta um. Quando tu e seu namorado sai para  um passeio rom�ntico, normalmente que te passa pela mente? A) N�o posso acreditar que seja t�o rom�ntico, � definitivamente  perfeito para mim. B) Uau! Olha  que rapaz bonito aquele, ou C)Pergunto-me que ser� que vai passar a noite na TV?"

Kris olhou para cima. " isto � realmente necess�rio?"

"Claro que sim," respondeu Leigh. "Agora escolhe uma."

Kris suspirou e pensou. Definitivamente n�o era A, mas tamb�m n�o era B. Podia recordar v�rias vezes quando seus pensamentos derivaram a outros temas. " C," disse.

Leigh  fez uma marca na p�gina. "Mmhmm. Pergunta dois. Na cama, meu namorado � A) O coelhinho da Duracell  B) Nunca dormiu com ele ou C) T�m Sozinho." Leigh "Suponho que sabemos a resposta  dessa."

Kris olhou ao c�u de novo. "Quantas perguntas tem?"

"S� cinco, "  aclarou a garganta. "Pergunta tr�s. Sempre que meu namorado n�o est� proximo de mim, eu me sinto: A) Como se o mundo fosse acabar. B) Contente de que n�o esteja perto para poder olhar para outros  ou C) Bom. Tenho um monte  de coisas para manter-me ocupada."

Kris suspirou. "C."

Leigh continuou. "Pergunta quatro. Quando est�o juntos, meu namorado: A) Sempre escuta e se importa com o que tenho a dizer. B) Fala mais que o necess�rio C) Acha que o mundo gira a seu redor."

"Definitivamente C," respondeu Kris.

"Uma mais. Pergunta cinco. Acima de tudo, sinto que: A) Estou completamente apaixonada, � absolutamente perfeito! B) H� outros  peixes no mar, ou C) Mere�o algo muito melhor que isto." Leigh ficou olhando a Kris com expectativa.

Kris franziu a testa, n�o desejando responder. Nathan pode n�o ser perfeito, mas � tudo  que tenho.

Leigh olhou para o c�u. "Seus resultados s�o a maioria C,  quer dizer o seguinte: Est� obviamente se conformando com menos do que merece! Larga desse perdedor antes  que o amor de sua vida passe a seu lado e voc� n�o o veja." Leigh levantou a vista com um sorriso satisfeito. "Viu?"

"T�. Minha vida foi  decidida pela an�lise profissional  de uma revista."

Leigh  "Que assim seja," disse. "Mas pode ser mais com outro do que com Nathan. � um canalha total."

"Oh e suponho que sua vida transborda  garotos perfeitos."

"Estou procurando," respondeu Leigh.

Kris olhou de novo ao malabarista de antes. "E se n�o o encontro, ent�o o que acontece?"

Leigh riu. "Ent�o procura outro  como sua melhor amiga."

 

19

 

Julianne passeou nervosamente diante do computador. De alguma forma tinha conseguido evitou checar seu e-mail uma semana, mas sua paci�ncia estava come�ando a se esgotar. Estava com medo da rea��o de Kris. E se me insultou?E se ficou t�o enojada que n�o vai me responder? Suspirou tristemente. E se deixou de ser minha amiga.

O diabinho falava  em seu ombro .E por que se importa se nunca mais falar com voc�? Vivia perfeitamente bem antes dela aparecer. N�o ia perder nada se n�o voltasse a falar contigo.

Mas Julianne sabia que n�o era verdade. Al�m de Adrian e sua av�, nunca tinha conhecido  ningu�m  com quem pudesse se abrir. Inclusive quando estava online com algu�m, sempre eram conversas de uma �nica vez. Nunca chegavam a nada. Mentia a todas, de todas formas. Mas Kris� Kris era diferente.

Julianne soltou um profundo suspiro e parou em frente de seu notebook. Moveu o cursor pela tela at� que entrou  em sua caixa de mensagem. Para seu al�vio e temor, tinha e-mail de Kris.

Abre, pensou. Acaba j� com est� agonia.

Contou at� cinco e ent�o clicou no e-mail. O leu por cima. Uma vez. Duas vezes. Piscou um par de vezes e sorriu. "N�o se importa!"  gritou alegremente. Come�ou a dan�ar pela sala, quase trope�ando no tapete.

Voltando ao computador, clicou responder. Julianne n�o podia acreditar e como estava aliviada .

"Sou  incrivelmente boba ," agregou, agitando a cabe�a. Mas n�o se importava particularmente, porque estava  feliz. "Estou segura que  teriam pago uma macarronada por uma c�pia dessa minha atua��o."

Refeita de sua emo��o, come�ou a digitar.


Querida Kris,

Estou t�o aliviada que minha sexualidade n�o seja problema. Admito que fiquei um pouco nervosa por ter te falado.


Lamento a reac�o de sua fam�lia � not�cia de seu irm�o .Deve ter sido muito dif�cil para ele sair do arm�rio antes . Mas foi bom que n�o o rejeitou tamb�m. Estou certa que significou muit�ssimo para ele saber que tem seu amor e apoio. Sei como � importante  ter algu�m que nos aceite o  Adrian � est� pessoa para mim e ele nem sequer �  da fam�lia. Certamente a minha reagiria da mesma maneira que a sua, ainda que por raz�es diferentes.

Sou de uma fam�lia de classe m�dia alta e elas (minha m�e e irm� sobretudo) s�o o tipo de gente que n�o fazem nada errado pensando no que os outros iriam pensar . Se chegassem a saber de mim� bom, o mundo acabaria em minha casa. Nem sequer acho que sejam homof�bicos. Eles levam muito a s�rio a sua posi��o social para pensar por eles mesmos.

Quem  vai  sair agora pela tangente?Falou  de sua cultura� do que se refere? Cada vez que leio um de seus e-mails me dou conta o pouco que sei de ti.

Meu poema favorito. N�o podia me perguntar algo mais simples?  Tem tantos que adoro. Mas posso escolher um para ti. Escolho The Indian Serenade de Percy Bysshe Shelley. Gosto particularmente da primeira estrofe. Tenho fascina��o pela poesia rom�ntica, acho que j�  te falei  isto.

Bom, quem � seu artista favorito?

sua amiga,

Julia


"Trouxe dois roteiros para ler," disse Eric Moura, entregando a uma impaciente Julianne.

Seu agente tinha aparecido em sua casa pela manh�  para falar de seus pr�ximos pap�is. Olhou o primeiro roteiro e depois o outro.

"Filmam-se ao mesmo tempo," continuou Eric. "Come�a ap�s a estr�ia de Guardian , assim ter�s que escolher um ou outro."

Julianne olhou um dos roteiros, n�o lendo particularmente nada. "Bom, qual � o melhor?"

Eric suspirou, passando a m�o por seu desarrumado cabelo castanho. Ajustou seus �culos com um dedo. "Francamente, n�o sei. Um � um papel excelente, mas pode ser um pouco mais pol�mico que o outro."

Julianne levantou a vista. " O Que quer dizer?"

"A personagem � l�sbica " respondeu Eric .

Julianne olhou-lhe fixamente. "Absolutamente n�o, Eric," respondeu em seguida.

"Sabia  que poderias dizer isso," disse, parecendo um pouco frustado "Mas � um excelente roteiro e a personagem � verdadeiramente not�vel. Definitivamente para ganhar o Oscar."

"As l�sbicas n�o ganham Oscar em Hollywood," lhe informou Julianne, colocou os dois roteiros do lado. "Qual � o outro papel?"

"Um rob�," respondeu ele.

Julianne suspirou. " Est� brincando? � tudo  que conseguiu? Uma l�sbica e um rob�? Que tipo de lixo � este?"

Eric balan�ou a cabe�a. "Ambos s�o  pap�is bons," disse em sua defesa. "Ainda que sinto que o papel da l�sbica pode te ajudar  a crescer artisticamente."

"Crescer? N�o, n�o  vai me ajudar a crescer . S� me colocaria numa categoria  que nunca escaparei. Interpreto  um anjo .Ningu�m vai querer me ver com  outra mulher!"

"Hollywood est� evoluindo," tentou Eric de novo.

"Que se foda a evolu��o de Hollywood, Eric!" gritou Julianne. "N�o cairei nesta armadilha de merda!"

Eric Moura suspirou de novo . Estava acostumado  com o temperamento de Julianne. Era legendario. Hoje devia  estar de bom humor. "Bom,  boas not�cias," disse, tirando um papel de sua carteira. "Guardian quer renovar seu contrato por mais duas temporadas. Aceita?"

"� claro," Julianne disse,  ainda estava furiosa pelo tema anterior. L�sbica? N�o podia interpretar  uma l�sbica!

"T�." Entregou-lhe os pap�is. "Pode revisar os detalhes com seus advogados. J� mandei uma c�pia pelo fax." Se levantou. "Se eu  consiguir melhores ofertas, te aviso. Enquanto, pensa bem, Julianne. Ao menos l� os roteiros."

Julianne acompanhou o homem at� a porta, folheando os pap�is em sua m�o. "Se eu tiver tempo" murmurou e fechou inesperadamente a porta atr�s dele.

Voltou � sala e pegou um dos roteiros. Era entitulado A Rob�'s Diary n�o era o da l�sbica. Assim que ficou olhando o outro  com o t�tulo Summer's End , escrito por Amy Robins. Julianne abriu a primeira p�gina, onde notou que a personagem de Elizabeth Doyle estava ressaltado em amarelo.

Julianne balan�ou a cabe�a e fechou o  roteiro, mas parou ao ver a localiza��o. Cidade de Nova York� Kris�  e jogou o roteiro pela sala. Bateu contra as persianas verticais. Furiosamente, correu para seu quarto e fechou inesperadamente a porta.

N�o interpretaria  uma l�sbica. De nenhuma forma. De jeito nenhum.


20


Kris olhou-se no espelho e inclinou a cabe�a de um lado. Sua m�e tinha escolhido o vestido mais horr�vel de toda a loja . Era verde �gua  e tinha lantejolas vulgarmente dispostas em forma de sereia. Nem condenada iria usar isto em p�blico. J� foi o bastante ter que experimentar para ela ver.

Engolindo seu orgulho, saiu para enfrentar os cr�ticos.

Sari sorriu e assentiu com aprova��o. "Olha que linda . Muito bonito."

Leigh tinha um olhar de �bvio desgosto e seguia negando com a cabe�a, pronunciando, "Nem pensar" silenciosamente.

Kris olhou, depois para sua mam�e. "N�o gostei deste, m�e," comentou. "Quem sabe algo mais discreto.l."

Sari assentiu. "Vamos continuar procurando. Temos toda a tarde para te conseguir um vestido bonito para a formatura."

Por favor, Deus, faz o mundo acabar agora mesmo. Kris voltou para o provador para tirar o pesadelo n�mero sete e colocar a sua pr�pria roupa . Detesto fazer compras. Acho que todos os shoppings deveriam fechar.

" onde?" perguntou Kris, despreocupadamente, seu tom de absoluto desespero. Nem  queria ir � formatura de Nathan. J� tinha sido suficiente infernal a  sua pr�pria formatura. Estou sendo  ego�sta. Nathan foi um verdadeiro cavalheiro indo na minha. Resignada a seu inevit�vel destino, seguiu a sua m�e para outro lote de vestidos . Miss Entendiada.

Sari pegou um vestido vermelho, mas uma olhada no  pre�o fez-lhe deix�-lo. "N�o h� nada barato por aqui?" olhou ao redor.

Kris impediu-se de suspirar audivelmente. Esse era o problema n�mero dois. Seus pais j� tinha bastante gasto com sua faculdade e apartamento, sem mencionar suas pr�pria despesas, e as necessidades de Dimitri. N�o podiam se permitir gastar trezentos d�lares num est�pido vestido de festa.

"Fez mal ter dado  o velho," comentou Sari.

Kris s� assentiu.

Leigh levantou um vestido que estava em promo��o era preto. "E este?"

"� bonito," disse Kris, indo inspecion�-lo. Era suave. Suave era bom. E era  sexy. Nathan ia gostar. Olhou para sua m�e.

Sari veio e pegou o vestido em suas m�os. O sustentou diante de Kris. "Vai provar ele. Enquanto  procuramos outros."

Kris foi  outra vez  para o provador. J� estavam a tr�s horas  procurando um vestido e Kris estava pronta para desmaiar. Por favor, entre. Por favor, fique bonito. Eu  quero ir embora.

Tirou sua roupa e vestiu o vestido. Kris olhou-se criticamente. Era  bastante justo real�ava  suas curvas . E mostrava a quantidade correta de decote, o suficiente para fazer feliz o Nathan, mas n�o o bastante para dar um ataque card�aco em Carlos. Gostava particularmente da abertura do lado, permitindo exibir a quantidade justa de sua perna. Felizmente, n�o o suficiente para lhe fazer parecer uma vadia. Kris estava satisfeita.  Colocou o cabelo atr�s da orelha e sorriu. Espero que gostem.

Leigh assobiou e aplaudiu no momento que viu Kris. Eu gostei."

Sari virou o dedo, indicandoa Kris que desse uma voltinha. Satisfeita, concordou e sorriu. "Perfeito."

Aliviada, Kris voi tirar o vestido. Seu tormento tinha chegado ao fim. Agora podemos  ir para casa. Voltou a p�r o vestido no cabide e uniu-se a sua m�e e sua amiga. Entregou o vestido a Sari e observou a sua m�e ir pagar.

"Nathan vai morrer quando te ver," comentou Leigh com um sorriso. "Ficou incr�vel nele."

Kris "S� me alegro que a busca tenha terminado."

Leigh sorriu. "Agora  falta encontrar os sapatos."

 


Querida Julia,

Hoje fui e voltei do Inferno. Fui comprar um vestido para ir a formatura do meu namorado  n�o foi nada divertido. Mas isso nem  foi o pior. Comprar vestidos leva a comprar sapatos, que levou a comprar maquiagem e que terminou finalmente na roupa intima. N�o sei por que minha m�e fez quest�o de que eu comprasse calcinha nova. At� parece que Nathan iria  ver. Nem ningu�m mais pelo que sei.

Tenho que ir � formatura de Nathan na pr�xima semana. N�o estou com nenhuma vontade de ir. J� tive a minha e sobrevivi para  contar. Me sentiria culpada n�o indo, pois Nathan foi � minha. Mesmo assim, n�o tenho vontade de ir. Nathan vai alugar uma limosine com alguns de seus amigos. E detesto  seus amigos. S�o t�o odiosos e imaturos. Provavelmente passar�o a noite bebendo latas de cerveja e amassando na cabe�a para exibir-se.

Mal posso esperar por isto.

Chega de falar disto, j� foi tormento demais para um dia.

Sobre outros temas n�o-t�o-relevantes. Devo admitir que  levei um tempo para me acostumar com � ideia de que William (meu irm�o) � gay. N�o � que me envergonhei nada disso. Suponho que foi pelo fator surpresa. William sempre  foi muito masc�lo, nunca pude pensar nele com outro homem,rss.

Tamb�m foi devido em parte ao fato que eu nunca  tinha conhecido  ningu�m  que era gay. Sei que � bastante estranho, vivendo em Nova York e tudo. Quero dizer, vi gays antes. Mas nunca fui amiga de um. E ver William saindo do arm�rio me deixou um pouco confusa. Mas j�  superei. Fui visitar ele e passei e conheci seu namorado, Mark. Eles ficam bem juntos. E, apesar da rea��o da fam�lia, est� feliz.

Oh, esqueci de falar, sou de Porto Rico. Bom, meio portorriquenha, ao menos. Minha mam�e nasceu l� mas mudou para  Nova York quando tinha quatro anos. Meu pai (biol�gico) � italiano, mas foi criado nos  EUA. Ele n�o fala muito italiano e me envergonha dizer que eu tamb�m n�o. Mas falo espanhol fluente, ainda que o ingl�s � minha primeira l�ngua. Minha m�e quis que o aprendesse bem.Mas  deixou  passar com meu irm�o, Dimitri. Ele entende o idioma mas n�o gosta de falar com freq��ncia.

J� estou de novo falando demais. Geralmente n�o escrevo tanto,  vou assumir que �, de algum modo, culpa sua.

Meu artista favorito � Salvador Dal�. Ouviu falar dele?

sua amiga,

Kris


Ap�s pulsar enviar, digitou "The Indian Serenade" num buscador da Internet e pressionou entrar.

Um momento depois, encontrou o poema.


Kris sorriu diante das palavras. Que doce. De repente lembrou algo e abriu um e-mail novo.
Para Julia.

 

N�o me disse o que procura numa garota?

 

O enviou e desligou  o computador. Depois de ler o poema favorito de Julia, "Sonhar Contigo".

Sorriu com seu pensamento.

Continua...

 

 PARTE5  

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