O Lado Cego Do Amor

INGRID DIAZ

The Blind Side of Love

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 Traduzido por Fernanda

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Julianne ficou olhando as nuvens pela janela do avi�o, perguntando-se como podia parecer t�o s�lida, parecer t�o inegavelmente presente e ainda assim n�o ser. Estava se cansando de ilus�es. Ser simples ao menos uma vez neste mundo de fuma�a e espelhos? Ou tudo era quest�o de encontrar paz na d�vida.

" Parece pensativa."

Julianne desviou sua aten��o da janela e olhou nos olhos verdes  curiosos de Kris. "Seu soninho foi bom?" perguntou.

Kris consentiu e soltou um bocejo. "N�o dormi muito ontem � noite. Eu estava nervosa com a viagem, eu acho." Olhou para o jatinho. "� estranho n�o voar com mais pessoas."

Vai se sentir melhor se eu me sentar atr�s de ti e ficar batendo em seu assento? perguntou Julianne. "N�o desejo te roubar essa experi�ncia."

"Talvez quando voltarmos," respondeu Kris com fingida seriedade. "N�o quero que saia de onde est� para o meu bem-estar."

Julianne sorriu e se relaxou no assento. Apesar de todas as confusas emo��es referentes a sua amizade com Kris, estava contente com esse momento. E no fim, era tudo o que importava.

"Bom, em que voc� estava pensando?" perguntou Kris de repente. "Quando estava olhando pela janela."

A pergunta pegou Julianne de surpresa e esfor�ou-se para encontrar uma evasiva r�pida. Mas era est�pido, censurar-se sempre. Que precisava pintar um retrato perfeito dela mesma para o bem de Kris? Se seus sentimentos por esta mulher eram reais, ent�o, por que n�o podia ser sincera? disse olhando de novo pela janela do avi�o, como se as respostas estivessem flutuando junto � aeronave. "S� observava as nuvens. Pensava que elas s�o enganosas."

Kris olhou-a cuidadosamente, seu olhar indo da janela para os olhos de Julianne. "Por que s�o enganosas?"

Julianne sentiu-se incrivelmente rid�cula admitindo seus errantes pensamentos. Neste instante lamentou ter optado pela verdade. Fazia-lhe sentir vulner�vel. "S� foi mais pensamento tonto," respondeu esperando que fora bastante para deter o assunto. Est� com sede? perguntou.

" N�o," respondeu Kris. Voltou a olhar pela janela. "Por que enganosas?" perguntou de novo.

A atriz suspirou silenciosamente, ent�o deixou de tentar evitar a pergunta. "Muda de lugar comigo," disse de repente.

"O Que?"

"Venha para o meu lugar," disse Julianne de novo. "Se tenho que explicar ent�o precisa ver melhor."

Kris parecia desconcertada mas mudou de lugar com Julianne sem mais perguntas. Uma vez acomodada no assento da janela, olhou com expectativa ao mundo exterior. O que estou olhando?"

"N�o  sei. O que v�?"

"Nuvens," respondeu Kris automaticamente olhando para Julianne. "As perguntas ficam mais dif�ceis conforme voamos?"

Julianne sorriu. "Que parecem? E se dizer 'nuvens', vou te fazer c�cegas sem parar at� chegarmos na Calif�rnia."

Uma sobrancelha  foi arqueada por Kris, antes de voltar a olhar a janela. Isso foi uma amea�a, Srta. Franqui?"

Quem sabe!

Kris sorriu mas n�o respondeu. Em mudan�a, inspirou profundamente e concentrou-se em tentar descifrar o que Julianne estava  tentando lhe fazer ver. "Me fazem lembrar algod�o doce," disse finalmente.

Por que algod�o doce?" perguntou Julianne.

"Pela textura. Parece doce."

E comest�veis? brincou, Julianne.

Kris riu. "N�o respondeu a minha pergunta .

Por que as nuvens s�o enganosas?" Julianne encolheu os ombros e cabeceou para  janela. "Convido-te a tentar provar sua teoria do algod�o doce."

Kris pensou por um momento e sorriu. T�. Mas por que isto � importante?"

O Que?"

Por que o que n�o � parece ser importante?"

Julianne deu-se conta de que essa era a verdadeira pergunta de Kris e que era mais dif�cil de explicar. Ou Talvez n�o. Talvez nada fosse dif�cil de explicar a n�o ser que desejasse eludir a verdade. "Porque nunca � nada, disse.

� Importante?"

" N�o, � o que parece ser."

Kris respondeu. "Talvez s� tenha que olhar mais de perto."

 

"Oh, meu Deus, � maravilhosa," murmurou Kris enquanto entrava na casa de Julianne. Seu olhar voou de imediato �s janelas de cristal defronte a ela. Quase podia tocar o oceano de onde estava. Se virou e jogou outra olhada ao redor. Tudo era t�o� iluminado.

Era estranho olhar para fora e ver o horizonte, em lugar das habituais sombras feitas pelos edif�cios. Fazia-lhe parecer como se estivesse em um  pal�cio. Ou em um epis�dio de MTV Cribs.

Gostou?" perguntou Julianne olhando ao redor. "N�o � muito."

Ao princ�pio Kris pensou que Julianne estava sendo sarc�stica, mas ent�o compreendeu que n�o. Na realidade Julianne parecia insegura, inclusive t�mida. Voltou a olhar ao redor, assombrada de que duas pessoas pudessem olhar a mesma coisa e ver algo totalmente diferente. "Bom, fiquei um pouco desiludida porque as paredes n�o sejam cravadas de diamantes. E os azulejos adornados a ouro tamb�m n�o siria nada mal."

"seu sarcasmo � devidamente notado, Srta. Milano," respondeu Julianne. Posso te mostrar o seu quarto?"

Kris abriu a boca com fingida surpresa. "N�o tem mord�mo?"

Julianne olhou para o teto e come�ou a andar.

Como quiser, donzela?" continuou Kris seguindo a sua anfitri� pela sala. parou para olhar o mar um pouco mais. A praia estava t�o perto. "� como uma casa de sonhos. N�o posso acreditar que more aqui."

Julianne se virou e olhou com seriedade para Kris. Pode ficar aqui quando quiser, o tempo que quiser. Mesmo quando eu n�o estiver aqui."

Kris olhou para atriz e sorriu. O Que teria de divertido?" perguntou. "Mas obrigada." Seguiu  Julianne at� o quarto de hospede e deixou cair suas coisas no ch�o. Tem varanda?" Kris atravessou o quarto e foi at� as portas de cristal que levavam at� a pequena varanda. Ar quente e salgado disse no instante que saiu e sentiu o vento em seu rosto. Ficou olhando para o oceano. "Vou me casar com sua casa!

Poderia se casar comigo tamb�m," respondeu Julianne. "Prometo que o sexo seria o melhor."

O cora��o de Kris foi na garganta. Pode sentir  todo seu corpo respondendo a essas palavras. Ela deve estar brincando?. Riu tentando n�o parecer t�o nervosa como se sentia. Que digo a isso?!

Felizmente, Julianne mudou de assunto. "Deixarei que se acomode. Procura-me quando se cansar de olhar l� fora."

"Poder� ser nunca," respondeu Kris com um leve sorriso. Tamb�m n�o estava brincando. Poderia ficar olhando o mar   para sempre.

"Ent�o eu te procuro, quando estiver cansada de te esperar." Julianne sorriu e afastou-se, deixando Kris sozinha com o oceano Pac�fico.

Kris sorriu e apoiou-se contra a varanda, sentindo a brisa em seu cabelo. Obrigou-se a n�o pensar em nada;  no rosto de Julianne quando sorria ou se movia ou respirava. Nem no som de sua voz quando falava ou ria ou sussurrava. Kris n�o desejava pensar em como seu corpo ficava quando Julianne estava perto dela, mesmo quando n�o se tocavam.

Kris desejava, meramente, existir apraz�velmente, nesse instante, sem  as emo��es e estranhas respostas de seu corpo. Casar-me com ela? o sexo seria o melhor? Jesus. Ela est� querendo me matar!
Ficou olhando a �gua uns minutos mais, ent�o entrou para o quarto. De verdade ainda n�o o tinha visto direito,porque se distraiu com a varanda. As paredes eram pintadas de azul claro, tinhas uns quadros pindurados de paisagens pouco familiares para elas. Tinha uma cama de casal, muito bem feita, e uma c�moda com espelho. Kris perguntou-se quantos convidados j� havia estado ali. N�o conseguiu imaginar muitos.

Kris inspirou profundamente e sentou-se na cama, debatendo- se se desfazia a mala ou iria encontrar Julianne. Era t�o bobo j� estar sentindo falta da atriz e n�o estavam separadas nem a quinze minutos. Por puro ju�zo, decidiu desfazer as malas. Achou que Julianne desejava de um tempo para se acomodar tamb�m.


Julianne passeava-se pela sala sentindo-se frustrada e ansiosa. Por que retornou as liga��es de sua m�e? Agora parecia um erro, ainda que tinha achado uma boa id�ia em um momento. "Esta noite n�o posso ir  jantar em sua casa," disse pela terceira vez em dez minutos.

Voc� tem que me dar uma desculpa adequada, Julia," disse sua m�e.

Julianne fechou os olhos sabendo que agora sua m�e tinha ganhado. Nunca chamava  Julianne por seu verdadeiro nome a n�o ser que estivesse  a ponto de explodir com ela. "Tenho h�spede," aventurou a dizer, esperando que Talvez servisse de raz�o v�lida para faltar ao jantar.

Que tipo de h�spede?

"Uma amizade de Nova York," respondeu Julianne. "Kris," acrescentou  s� porque gostava do som do nome da artista em seus l�bios.

J� est� enganando Adri�n?

A pergunta foi t�o inesperada que Julianne ficou muda uns segundos, at� que se deu conta que sua m�e provavelmente assumiu que Kris fosse um homem. "Adrian e eu j� n�o estamos mais juntos," respondeu. "Esqueci de te falar."

Ent�o tudo bem? Bom, espero que este 'h�spede' seu seja digno de seu tempo."

Julianne encontrou-se sorrindo. "Mais que digno."

"O jantar come�a �s sete," respondeu sua m�e.

"Mas, e Kris?"

"O convite � para os dois," disse sua m�e secamente. "Pode chamar isto de curiosidade m�rbida."

A Julianne n�o gostou como soava isso. Kris merecia mais que ser uma 'curiosidade m�rbida.'

"Agora vou desligar , Julianne. Sabe que ficar muito no telefone me d� dor de cabe�a. Por favor, seja pontual."

"Kris � vegetariana...," disse Julianne bruscamente sentindo-se resignada.

"Informarei ao cozinheiro. At� � noite."

"Adeus." Julianne esperou que sua m�e desligasse primeiro, ent�o desligou seu telefone. O jantar ia ser um pesadelo.Se virou para encontrar  Kris olhando l� fora. Era estranho como uma pessoa pudia lhe deixar t�o nervosa e calma ao mesmo tempo. O amor era sempre t�o conflitivo?

Kris desviou o olhar das janelas enquanto Julianne se aproximava. Vegetariana ser� o tema  de suas conversas nestes dias?" perguntou. Ent�o balan�ou a cabe�a. "Sinto, n�o pretendia escutar."

Julianne olhou um momento para oceano e o c�u, sentindo-se momentaneamente aterrorizada com o fato de Kris conhecer a sua fam�lia. Gostaria de ir jantar na casa de meus pais, hoje?"

Pareceu levemente assustada mas tentou disfar�ar. Me encantaria."

"Devo advertir-te que s�o perversas," disse Julianne, seu tom parecia s�rio. "Minha m�e e minha irm� . Ganham at� do Diabo."

"Acho que est� exagerando," disse Kris com um sorriso.

Julianne encolheu os ombros rendendo-se. "Vai ver.J� me desculpo de antem�o pela traum�tica experi�ncia que provavelmente ir� passar."

Est� tentando me assustar?" perguntou Kris amavelmente.

Est� funcionando?" perguntou Julianne esperan�osamente.

"N�o," respondeu Kris  depois de um momento de considera��o. "Agora me criou uma curiosidade m�rbida ."

Julianne recordou as palavras de sua m�e. Tinha algo inquietante porque sua m�e e Kris usaram  a mesma express�o. Ou Talvez era adequado para a ocasi�o. S� os eventos desta noite diria. "Curioso que diga isso."

Por que?"

"Ao que parece minha m�e sente o mesmo sobre conhecer voc�," admitiu Julianne.

Isto pareceu confundir  Kris, que franziu levemente o cenho. Por que deveria se sentir m�rbidamente curiosa por me conhecer?"

Julianne disse.  Mais pelo fato de que provavelmente acha que estamos saindo. E que voc� � um homem.

"Bom, �  interessante , disse Kris sorrindo. Significa que quer que eu apare�a no jantar de drag-king?"

O pensamento fez-lhe rir. N�o podia imaginar qual seria a rea��o de sua m�e a isso. " gosto mais assim".

Gosta?

"Bom, ainda n�o te vi de drag-king para comparar," brincou Julianne.

 Kris disse. E por que sua m�e pensou que estamos saindo?"

"Bom, eu n�o disse nada quando suspeitei que achou isto�" Julianne n�o estava segura do que Kris pensaria dessa confiss�o.

Est� tentando  provocar um ataque card�aco em sua m�e, Julianne?perguntou Kris. Porque se � assim t�o malvada como diz, fingirei ser sua namorada durante o jantar...

Julianne quis rir da id�ia, mas era dif�cil ignorar a pontada de desilus�o que acompanhou ao ouvir a palavra 'fingir.' "Se � t�o malvada. Mas suponho que n�o h� necessidade de mat�-la." Sorriu.

Kris devolveu-lhe o sorriso mas n�o disse nada, sua aten��o voltou outra vez para o mar.

Julianne tentou ficar olhando, tentado n�o se concentrar nas emo��es que a percorriam. Se tivesse um pouco de coragem , teria dito a Kris que n�o desejava que fingisse ser sua namorada. Que desejava que fosse para valer algum dia. Mas como podia p�r em palavras o desespero emocional em que estava perdida? Est� com fome?" perguntou.

N�o, respondeu Kris olhando de reolho para Julianne. "Estou ainda um pouco nervosa com toda essa emo��o."

Com frequ�ncia Julianne tinha que deixar de pensar em si e se p�r em lugar de Kris para entender o que ela estava tentando dizer. Era f�cil esquecer que sua vida n�o era normal. Preocupava-se ao tentar imaginar como podiam encaixar uma no mundo da outra, se era poss�vel fazer isto dar certo. Esta amizade entre elas, quanto poderia durar?

Julianne?

A atriz olhou  Kris, momentaneamente sobresaltada. Desculpa.

Tinha preocupa��o nos olhos verdes de Kris . Est� bem?

"� que tenho muita coisa na cabe�a," respondeu.

Kris consentiu. Est�  nervosa com a  estr�ia?"

A estr�ia? Julianne quase tinha esquecido que era a raz�o de estar ali.  em parte," respondeu, ainda que era a menor de suas preocupa��es. Quer ir at� a praia?"

Os olhos de Kris iluminaram-se ante a sugest�o. "eu gostaria. N�o vou a praia � s�culos."

Era t�o estranhos as coisas de quando se vive junto ao mar, chega uma hora que j� nem percebo que esteja ali fora. Mas Julianne estava secretamente contente de poder fazer Kris feliz. Adorava seu entusiasmo e seu apre�o pelas coisas que Julianne mal se dava conta de ter. Fazia-lhe desejar dar-se conta. Fazia-lhe desejar embrulhar tudo com um grande la�o vermelho e  entregar a Kris.

 Talvez algum dia. Gostava de fingir ter esperan�a.

 

Continua...

Parte35

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