O Lado Cego Do Amor INGRID DIAZ The Blind Side of Love |
Traduzido por Fernanda
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Quarta-feira , 1:02 AM
A vida parecia mais s�ria com o sil�ncio.
Observou os n�meros no despertador, aparentemente mais luminosos na escurid�o do quarto. O que desejava era fechar os olhos e se render. Desejava ignorar o lento que transcorria o tempo quando se lembrava que estava ali.
Mas sua mente era alheia a seus desejos. Era o espelho que refletia o que sentia, mas sem controlar como sentir. E seus pensamentos projetavam luz para sua consci�ncia: obrigando-lhe a pensar, obrigando-lhe a sentir� exigindo sua aten��o.
Julianne olhou as pinturas na parede, agora escuras e grotescas na presen�a da sombra: estranho como a beleza era t�o facilmente perdida com a aus�ncia de luz. Estava cansada da escurid�o� da dor.
Erroneamente tinha assumido que poderia controlar. N�o podia lembrar o instante em que sentiu-se caindo e permitindo isso. Mas acabava o sil�ncio: com as pausas, com as inspira��es entre palavras. Todos esses momentos, mesmos intranquilos , a tinha convencido de algum modo de que podia passar por essa noite.
E agora compreendia por que tinha optado pela solid�o. At� agora n�o tinha tido id�ia do que significava.
Quarta-feira, 1:46 AM
Contras:
- Rep�dio da fam�lia
- Casamento ilegal: (Vermont )
- Sem filhos (ado��o, insemina��o artifiicial?)
- Pecado?
- Esconder-se
- Vergonha
- Medo
Pr�s:
Kris ficou olhando o monitor do computador e suspirou. Tinha pr�s em ser gay? N�o podia pensar em nenhum. "Deus, � deprimente," murmurou fechando o documento do Word. A sociedade n�o era f�cil. Como Mark e William se levantavam pela manh�? Ou Julianne, j� que estamos.
Julianne�
Olhou o telefone junto a sua cama. Ser� que ela est� dormindo? Provavelmente. Eram quase duas da manh�. Mas n�o tinha total certeza se Julianne dormisse. ainda assim, se ligasse, a probabilidade era que dissesse coisas que n�o desejava dizer.
Mas, se n�o ligasse, teria que passar o resto da noite se perguntando se Julianne ainda estava acordada. Ent�o em algum momento, as fantasias come�ariam a implantar-se em seu subconsciente fazendo-lhe perguntar coisas bobas como: Ser� que Julianne est� pensando em mim? Ou, pior ainda: Est� sonhando comigo? E suas divaga��es escalaria at� que tivesse sentido, l�gica e raz�o e se dissipassem no esquecimento, deixando Kris frustrada, irritada e, a maioria das vezes, radiante e excitada.
Pegou o telefone e discou.
"Franqui."
Kris sorriu. Eu te acordei?
N�o. Eu estava vendo TV. Algo errado?"
"Se t�dio pontua como um problema," respondeu Kris. Perguntou-se se Julianne se aborrecia com estes telefonemas depois da meia-noite. Tamb�m se perguntava se tinha alguma forma de conseguir uma grava��o da voz de Julianne. Seria muito bom?"
"Comerciais," respondeu Julianne. " mais comerciais� not�cias� tempo� estranhas criaturas alien�genas� uma mulher nua montada num cavalo�"
Kris riu. " Que Pervertida."
Hei, n�o fiz o filme, respondeu Julianne.
Voc� faria um filme porn�?" perguntou Kris.
"Claro. Depois de Summer's End, eu dou um jeito em meus peitos, colocarei uns mls de silicone."
"Acho que seus seios est�o bem assim," respondeu Kris.
"Que encantador que os notou. N�o sabia que os olhava."
Sabia que agora estava vermelha. "Bom, como foi a cena? A que ensaiamos." Kris notou que o ru�do de fundo desapareceu e se perguntou se Julianne tinha desligado a TV. Ou s� clicou no mute..
"Bom," come�ou bem. Mas quando Samantha e eu come�amos a nos beijar, Naomi parou a cena. Come�ou a gritar com a Samantha dizendo-lhe que ela n�o estava me permitindo lhe beijar. Ent�o, Samantha deu um soco na cara de Naomi. Come�aram a lutar e a rasgar-se mutuamente a roupa.
Kris olhou para o teto e riu. "� a classe de fantasias que a enterteria o resto da noite?"
"Bom, �s vezes usam camisetas brancas e as pessoas atira-lhes �gua."
Kris come�ou a rir. O que � isto? O lado perverso de Julianne?"
"� tarde."
"N�o sei."
"�!"
"E o que aconteceu de verdade?"
"Disse minhas frases com toda precis�o," respondeu Julianne. "E ent�o beijei Samantha como jamais tinha sido beijada."
Kris decidiu que j� n�o gostava de Samantha. Em realidade n�o conhecia Samantha, mas isso s� lhe facilitava a detesta-la. "Soa bem."
"E o que fez hoje?"
Bom, contemplei minha florescente homosexualidade umas quatro horas. E ent�o pensei em te ligar e confundir-me ainda mais. "Leigh e eu comemos pizza e assistimos filmes. Estavamos precisando refor�ar nossa amizade, rss."
Isto � impostante?"
"Sim, foi bom passar um tempo com ela," respondeu Kris. "apesar de n�o conversamos muito. Jeremy ligou umas tr�s vezes."
"Como eles est�o?"
"Como casal? Perfeito, eu acho. Leigh parece feliz e isso � suficiente para mim."
"Bom."
"A que hora vamos na sexta-feira?"
"Eu te pego as 7:30."
"T�o cedo?"
"Vai ser um longo dia."
Kris mal podia esperar.
Kris?
Sim?
As coisas v�o ser um pouco diferentes na Calif�rnia. Provavelmente ter� muitas c�meras que nos seguir�o. E provavelmente terei que voltar a ser algumas vezes Julianne Franqui ."
Quem � voc� agora?" perguntou Kris.
"Eu."
Kris n�o sabia se entendia a diferen�a. Mas tinha a sensa��o de que descobriria logo.
Quinta-feira, 3:43 PM
"Est� mesmo apaixonada por Julianne Franqui?"
Kris suspirou com a pergunta lamentando ter atendido o telefone. "Mark, estou um pouco ocupada neste momento."
O que voc� est� fazendo?"
"A mala."
Para que?"
"Para uma viagem."
"Kris�"
Suspirou uma vez mais, desta vez com resigna��o. Sentou-se na beira de sua cama empurrando a mala para o lado. "Vou passar o fim de semana com Julianne na Calif�rnia.
N�o acredito!
"Ela tem que ir na estr�ia de seu �ltimo filme," explicou Kris sabendo que tinha pouca coisa que dizer para impedir a imagina��o de Mark. Especialmente depois do que lhe tinha contado.
Mark abriu a boca. "Oh, meu Deus , vou ser tio dos filhos de Julianne Franqui. Tenho que me beliscar."
"Faria mais que isso se estivesse aqui, disse Kris. "Olha, Mark. N�o est� acontecendo nada entre eu e Julianne. Ela � Julianne Franqui e eu sou� bom, ningu�m. S� somos amigas."
A beijou?
Claro que n�o! Da� vem o 's� amigas'."
Ela � gay?"
Kris gemeu. "Por favor, n�o me pe�a que responda isso."
Isso significa, que sim." Mark gritou. "Isto � incr�vel. Bom, qual � seu plano para atacar ela?"
Meu o que?
Como planeja ganhar ela?" explicou Mark. Vai fingir um pesadelo para que ela venha para sua cama no meio da noite? Ou vai esperar at� que ela esteja no banho e ent�o voc� vai entrar acidentalmente?"
Kris franziu a testa. "tenho que acabar de arrumar as coisas."
"Espera," insistiu Mark, seu tom ficou levemente s�rio. "Tenho que lhe dizer algo."
O que?" perguntou Kris sentindo-se impaciente.
Mark vacilou. Por favor, n�o me mate. Mas quando me deixou s� com Julianne naquela noite na boate, pude acidentalmente ter revelado que voc� estava� se questionando. Eu n�o sei, mas acho que deixei escapar que voc� estava questionando seus sentimentos por ela."
Kris ficou gelada. O Que?
"Sinto muito, � que me encontrei dizendo essas coisas. E n�o lembro o que eu disse exatamente."
Mark!" gritou Kris. Por favor, diga que est� brincando. Que n�o disse isso?"
Desculpa, Kris. N�o recordo bem. Tinha bebido um pouco. Posso tamb�m n�o ter dito nada especifico ."
Mas acha que disse?" insistiu Kris.
Recordo ter dito que voc� estava questionando sua sexualidade," respondeu ele.
A mente de Kris ficou a mil. Julianne sabia? Morreria de vergonha se isso fosse verdade. "Tenho que ir."
Tudo bem?"
Estou um pouco ofuscada."
Est� brava comigo?
"N�o. Mas vou te matar!
"Parece justo. Espero que saia tudo bem na Calif�rnia. N�o esque�a de me trazer uma lembran�a."
"Mark," advertiu.
Eu te adoro! Tchau." Mark desligou.
Kris desligou o telefone e se atirou na cama. "Se isto � verdade me parece muito mau."
"ser� t�o mau assim?"
Kris olhou para porta e encontrou Leigh ali de p�. N�o tinha dado conta que tinha falado em voz alta. "Esqueci de dizer aos meus professores que n�o iria na aula na segunda-feira," mentiu.
"Oh," respondeu Leigh . "N�o me parece t�o mau. Acho que voc� pode mandar um e-mail?"
Kris consentiu. "Claro," concordou.
Leigh ficou ali silenciosamente uns segundos, olhando ao redor. indicou para a mala. Tudo arrumado?"
Kris olhou o objeto, sentindo uma estranha mistura de emo��es com a iminente viagem. "Quase. Julianne n�o falou muito a respeito de que tipo de roupa devo levar."
"Ent�o leva ao menos um para cada ocasi�o," sugeriu Leigh. Animou-se. "Poder� levar-te para jantar em um daqueles restaurantes famosos. Sentariam na se��o V.I.P. e ter�s gente sussurrando e perguntando-se quem � aquela."
Esse pensamento deixou Kris sentindo mal. Acha ?"
Quem ser� essa sexy garota com Julianne Franqui?, sussurrariam atr�s de seus guardanapos de seda e menus adornados a ouro."
"Refiro-me ao sair para jantar." Kris se levantou indo at� seu arm�rio. Come�ou a revisar o conte�do dentro dele. N�o tenho nada bonito! Achei que ficar�amos em casa e pediriamos pizza ou outra coisa."
Leigh arqueou a sobrancelha. "J� se deu conta que est� indo para casa de Julianne Franqui ." Foi � sala e voltou um momento depois com uma revista. Apontou a p�gina onde estava a imagem de Julianne. "Famosa estrela de cinema. O que te soa isto?"
Kris olhou a foto. Era dif�cil associar em sua mente �s duas pessoas. Talvez foi isso que se referiu Julianne em ter que voltar a ser Julianne Franqui por um tempo. Mas onde ela ficava nisso? De repente perguntou-se se ir para Californ�a foi uma boa id�ia.
Leigh come�ou a folhear a revista. kris voc� acha que conhece bem a Julianne?" perguntou ausentemente.
O Que quer dizer?"
Leigh encolheu os ombros n�o levantando o olhar das p�ginas. "� que me parece que te colocou num tipo de bolha fant�stica onde existem s� voc�s duas. E isso � muito bonito, mas ela ainda � ela." Assoviou e mostrou a revista para que Kris pudesse a ver. Acha que me fotografar�o assim algum dia?"
Kris ignorou a foto. J� tinha visto e, em consequ�ncia, tinha passado quinze minutos se torturando num banho frio. Tamb�m se levou a perguntar se outra pessoa olhasse essa foto sentiria o mesmo, o que tinha produzido uma s�rie de emo��es misturadas que tinha tentado ignorar.
"Terra a Kris," chamou Leigh.
"Estou aqui."
"Tem certeza?" questionou Leigh fechando a revista. "Bom, e com quem � o misterioso jantar de Julianne ter� na estr�ia? Com aquela criatura horr�vel que foi ao MTV Movie Awards?"
Criatura horrorosa? Kris fez uma nota mental para perguntar a Julianne depois a respeito disto. N�o tenho id�ia. N�o me disse."
Ent�o de que falam?" inquiriu Leigh. "Jeremy perguntou-me na outra noite e sinceramente n�o soube o que responder."
Por que Jeremy te perguntou isso?" questionou Kris.
Leigh disse. Quem sabe? A pequena Kris que vive num bairro pobre da cidade fazendo amizades com celebridades multimilhon�rias. Est� destinada a despertar interesse na mente do p�blico."
Desde quando sou de um bairro pobre da cidade?
"S� pensei que soava mais dram�tico," respondeu Leigh. "Bom, o que voc� conversa com a Srta. Franqui?"
Kris pensou. "Tudo. E nada. S� conversamos�"
Ah, t�" disse Leigh n�o achando muito importante.
Voc� tamb�m falou com ela quando era s� Julia," disse Kris na defensiva.
Eu sei que falamos, mas n�o tivemos conversas de horas como voc�s. E agora s� fal�mos do filme. Nada incr�vel. "
Kris n�o sabia o que dizer a isso.
A que horas voc� vai amanh�?
"Julianne disse 7:30."
Leigh consentiu. "Bom, vou tomar banho. Jeremy vem me pegar daqui a pouco. Acho que n�o vai querer ir? Aquele gato ainda est� interessado."
Kris suspirou. "N�o, obrigada."
Tem certeza que n�o h� nada que queira me falar?" perguntou seriamente Leigh. "Refiro-me porque ainda sou sua melhor amiga, sou n�?
"Sempre," lhe assegurou Kris oferecendo um sorriso. "S� estou um pouco estressada. Estou bem."
Leigh sorriu. "voc� mente muito mal, mas tudo bem. J� sabe onde eu vivo quando quiser falar me procura."
Kris sorriu e viu Leigh fechar a porta de seu quarto. Ficou olhando a mala. Leigh tinha raz�o. N�o fazia sentido que Julianne a convidasse para sua casa s� para se sentar e comer pizza. Mas se um jantar elegante era o que Julianne tinha em mente, Kris teria que ir at� o final.
Olhou a mala e suspirou. "Deus, por favor, n�o permita que seja um fim de semana infernal."
Continua...