O Lado Cego Do Amor INGRID DIAZ The Blind Side of Love |
Traduzido por Fernanda
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De algum modo Kris tinha esquecido de um detalhe muito importante: Julianne era Julianne Franqui. Felizmente as pessoas de Nova York fazia um trabalho maravilhoso recordando-lhe. Em qualquer lugar que fossem, algu�m paravam-as para pedir um aut�grafo a Julianne. Alguns tiravam uma foto com a atriz. Outros achavam que Kris tamb�m era famosa e igualmente lhe pediam seu aut�grafo. E quem era ela para negar?
"Olha isto, famosa
por associa��o," brincou Kris em uma nuvem de gente.
"Tamb�m posso ganhar o seu aut�grafo?" brincou Julianne.
"Claro, tem uma caneta? Vou autografar em sua testa." Kris sorriu para atriz enquanto caminhavam. "depois de um tempo isso fica chato?"
"Que me autografe a testa?"
Autografam com frequ�ncia a sua testa?"
Julianne respondeu a pergunta. "N�o, voc� foi a primeira em se oferecer."
"Que l�stima," respondeu Kris com simulada seriedade. Sorriu e balan�ou a cabe�a. "Digo dar aut�grafos tirar fotos, essas coisas todas."
"N�o diria 'que me aborre�a'," respondeu Julianne cuidadosamente. "J� estou acostumada. M�s desejaria que n�o ocorresse tanto."
Kris consentiu tentando se por no lugar de Julianne. Foi imposs�vel. Como podia se acostumar com desconhecidos antagonizando por sua aten��o? Era t�o estranho experimentar este aspeto da vida de Julianne. Kris tinha perdido a conta de quantas pessoas tinha dito � atriz que a amava. Ap�s ouvir com tanta freq��ncia Kris perguntou-se se a palavra "amor" teria perdido o significado para Julianne.
Voc� poderia ter qualquer pessoa que desejasse," se encontrou Kris dizendo. E olhou para Julianne.
"N�o � bem assim," respondeu Julianne com um sorriso.
Kris reviu em sua mem�ria a �ltima coisa que Julianne falou. Tinha sido sobre aut�grafos. "Sinto muito," se desculpou. "� que pensei que essa gente toda te desejava.."
"Tenho certeza que s� querem mesmo o meu aut�grafo," respondeu Julianne. "Acho que n�o notei que me queriam?" Vamos voltar ... disse bincando.
Kris riu e agarrou o bra�o de Julianne. "� s�rio! Aposto que poderia perguntar a qualquer um se dormiria contigo e todos diriam que sim."
Julianne considerou isso. "Apostaria dizer que a maioria dos homens gays e as mulheres hetero poderia n�o sentir desejo de fazer isto comigo.
Me d� seu celular," exigiu Kris.
Arqueando uma sobrancelha Julianne entregou-o. "Espero que seja um telefonema r�pido que vai fazer. Ganho muito pouco."
"Oh, fica quieta," respondeu Kris dando um soquinho no bra�o de Julianne com o telefone. "N�o quero saber quanto dinheiro voc� tem." Come�ou a discar o n�mero de seu irm�o. Depois de chamar algumas vezes Mark atendeu."Mark? Sou eu Kris."
Oi, Do�ura. Como vai?"
"Bem. Liguei para te fazer s� uma pergunta."
"A mim?"
"Sim, a ti. Voc� e o cara mais gay que conhe�o."
"Uau... obrigado."
Kris sorriu. Digamos que tenha que dormir com uma mulher.Dormirias com Julianne Franqui?"
"Do�ura, essa garota pode meter-se em minha cama quando quiser."
Com um sorrinho Kris disse, "Obrigado!Ligo depois. Manda um beijo para o William." Kris desligou e sorriu para Julianne. Viu?"
Viu o que? N�o ouvi o que ele disse," respondeu Julianne.
"Disse que podia se meter em sua cama quando quiser."
"E como vou saber que n�o est� mentindo?" desafiou-lhe Julianne.
Liga voc� mesma," disse Kris balan�ando o telefone na cara da atriz. N�o esperava que Julianne o pegasse.
Julianne clicou no rediscar e colocou o telefone na orelha.
Kris olhou-a com surpresa e divers�o.
"Oi, Mark?" disse Julianne. "Sou Julianne Franqui. Ouvi que desejava que eu me metesse em sua cama."
Kris come�ou a rir.
"N�o, n�o sou Kris", disse Julianne lan�ando um olhar a sua risonha parceira. Sou mesmo Julianne Franqui� n�o sei� Prada� Bom, n�o espere que eu me lembre que tipo de sapatos usava a dois anos� Tudo bem! S� por isso n�o vou dormir contigo." Desligou o telefone e encolheu os ombros para Kris. "N�o acreditou que fosse eu."
Kris sorriu.
"Ainda precisamos
encontrar uma garota hetero...
Julianne disse. " olha, estou vendo uma agora mesmo.Dormirias comigo?"
Pega de surpresa, Kris ficou vermelha. N�o sabia que responder � pergunta, ainda que sabia o que desejava dizer. "Achei que estavamos de acordo que eu era assexuada," disse.
"Desculpa", disse Julianne balan�ando a cabe�a com fingida desilus�o.
E voc� dormiria comigo? perguntou Kris.
Olha! � uma loja de m�veis," respondeu Julianne.
N�o valeu...brincou Kris mas seguiu Julianne para dentro da loja. De repente n�o desejava nada mais do que saber a resposta dessa pergunta.
Julianne teria entrado e sa�do dali em vinte minutos. Teria dado uma olhada, escolhendo o primeiro sof� que visse e combinasse com qualquer coisa que decidisse comprar, e teria saido em seguida.
Kris, por outro lado, tinha uma concep��o diferente de comprar sof�s. O seu envolvia provar cada sof� dispon�vel e pensar cuidadosamente nos fatores comodidade, aspecto e pre�o.
Julianne estava simplesmente entretida. Julianne adorava o aspecto pensativo que Kris fazia sempre que se sentava em um sof� e os olhares de desagrado quando o objeto n�o mantinha suas expectativas.
Dando-se conta de que ficariam ali muito tempo, a atriz decidiu se sentar.
No segundo que se sentou naquela poltrona, se apaixonou por ela. "Fico com este!" disse a Kris no instante que a artista chegou perto dela. Levantou os p�s e suspirou. "Isso � tudo o que preciso na vida."
Kris se aproximou dela e sorriu. "H� um sof� de couro preto ali que vai gostar...
Fa�a a prova do sof� Srta. Kris Milano?"brincou Julianne.
"Vacas inocentes foram sacrificadas para sua comodidade," disse Kris com um leve sorriso.
Julianne inclinou a cabe�a para um lado. "E quem usou couro em seu anivers�rio."
Kris abriu sua boca para discutir e ent�o fechou-a. Ent�o voltou a abrir e disse, "Foi culpa do Mark!"
A t�. N�o te ouvi se queixar."
Kris deixou cair os ombros e suspirou. "Tem raz�o. Sou hip�crita." Olhou a poltrona por um segundo. "Parece c�moda."
"N�o vou levantar," declarou Julianne.
Kris se sproximou. "Oh, vamos. N�o seja crian�a."
"Eu sou."
Kris fechou os olhos e suspirou. "Eu j� estava meio convencida de que era um ser humano decente."
"Bom, sou atriz," respondeu Julianne com um sorriso. Suspirou melodram�ticamente e fechou os olhos. "Mmm� poderia ficar-me aqui para sempre" Os olhos de Julianne abriram-se inesperadamente quando sentiu um peso sobre seu corpo. Tentou n�o gemer enquanto as costas de Kris pressionava contra seus seios.
"N�o � nada mal," comentou Kris, encostando sua cabe�a ao lado da de Julianne. "Mesmo tendo uns n�s."
Julianne tentou relaxar com Kris em seu colo, era muito bom para ser incomodo. Tem? N�o sinto. S� que gravidade parece um pouco mais intensa nesta parte da loja."
Kris riu. "Que estranho. N�o posso imaginar por que."
"Sabe," Julianne come�ou a falar, e se de repente, aparecer uma c�mera de tv, vou ter que negar que somos amigas."
"Fingirei que sou uma f� louca que est� te querendo," lembrou Kris rindo.
Julianne desejava por seus bra�os sobre o est�mago de Kris, para acerc�-la mais, mas n�o se atreveu a se mover. Manteve as m�os onde estavam. "Prometo pagar a fian�a."
Posso ajud�-las em algo?" disse uma voz masculina vindo de algum lugar pr�ximo.
Kris saltou do colo de Julianne, ainda que fez um nobre esfor�o para n�o parecer que tinha feito isto. Julianne no mesmo instante sentiu falta da sensa��o e lamentou a interrup��o. Mas foi melhor. N�o fazia sentido se acostumar com essas coisas. Especialmente em p�blico. Estava equivocada� n�o � o filme o que vai desmascarar-me.
Devolveu a aten��o ao vendedor, cujos olhos cresceram com o reconhecimento da atriz. Antes que pudesse balbucear quanto a adorava, interceptou o sil�ncio, "Quero dois deste e o sof� que minha amiga escolheu." Cabeceou para Kris, que estava vermelha e de cabe�a baixa. Por que parece t�o culpada?
Kris levantou a cabe�a e olhou para o vendedor, que n�o estava a olhando.. � aquele ali," disse.
O homem pareceu sair de
seus pensamentos e arrancou seus olhos de Julianne. Boa escolha!" disse
com tom de hiper entusiasmo. Julianne estava segura que ouviu ele dizer outra
coisa. "Podemos te entregar esta semana," disse para Julianne.
"Quer algo mais, Srta. Franqui?"
"Sim, h� alguma forma em que possa me enviar nesta poltrona?"
perguntou. "N�o quero me levantar dela."
O homem relaxou visivelmente e riu. "N�o estou seguro de que possa fazer isto, mas pode ficar quanto tempo quiser. Estarei junto ao caixa quando esteja pronta." Sorriu e se foi.
Julianne devolveu sua aten��o a Kris, que parecia torpe e envergonhada. "Est� bem?"
Os olhos verdes encontraram os azuis. "Sim, � que� n�o queria que pensasse que� voc� que n�s�"
Somos um casal?" terminou Julianne, seu cora��o bateu forte.
Kris balan�ou a cabe�a. "N�o quero te causar problemas�"
Julianne estudou a cara
de Kris por um momento, tentando entender a verdade por tr�s das palavras.
Tudo que pode sacar era que � artista tinha medo de ser confundida como
uma l�sbica. "Eu concordo," disse esperando n�o parecer
t�o ferida como se sentia. "Tenho certeza de que n�o vai
sair no Entertainment Tonight a not�cia de que uma linda porto
riquenha estava sentada no colo de Julianne Franqui.
Kris se ruborizou mais ainda.
Julianne decidiu que era hora de mudar de assunto. "Acho que tenho que me levantar agora."
Kris se aproximou e ofereceu-lhe a m�o. "Vamos, pregui�osa."
Julianne permitiu ser levada da comodidade da super potrona. De algum modo, tocar a m�o de Kris era mais atraente que ficar onde estava. Senti-la era perturbador,e surpreendente. "Quer jantar depois?"
Sempre est� pensando em comida?" perguntou Kris enquanto iam para o caixa.
Julianne sorriu. "N�o, �s vezes penso em outras coisas."
Que coisas?
Em beijar voc�. Em tocar voc�. Em ti. Em ti. Em ti. Seu celular poupou-lhe de ter que responder. Deixou de caminhar. "Franqui," disse.
"Oi, Julianne,"era a voz de Karen. "Interrompo algo?"
Julianne olhou para Kris um momento e ent�o respondeu, "N�o, s� estou comprando m�veis."
Um breve sil�ncio. "Comprando m�veis? Sozinha?"
Julianne olhou para o alto. "Sou capaz de comprar m�veis sozinha, sabia? Fez uma pausa. "Kris est� comigo."
"Ah," disse Karen com conhecimento. Ainda que Julianne n�o estava segura porque Karen queria saber. "Ent�o serei r�pida. Voc� vai ter que vir para c�, o avi�o sai na sexta-feira a noite. Guardian estr�ia no s�bado. E ligaram para confirmar um jantar que voc� ter� que ir."
Um jantar? pensou Julianne durante um segundo antes de sorrir. "Dever� ser maravilhoso! J� reservou o hotel ?"
"Tudo certo," lhe assegurou Karen. "Ainda que, Julianne, n�o tem prefer�ncia quanto a idade? Quem me ligou foi seu pai, para confirmar."
Julianne riu. "A idade � s� um estado mental."
"T� Bom, chegam na sexta-feira pela manh� com sua m�e e irm�. Uma limosine vai pegar eles no aeroporto. Eu te informo quando chegarem aqui. Tamb�m vai ter que falar com o Adrian que n�o ser� seu acompanhante porque n�o recebeu o convite."
"Oh, disse Julianne. "Eu ligo depois para ele."
E a �ltima coisa, sua m�e sabe que voc� vem neste fim de semana. E Deixou umas cinco mensagens na secret�ria eletr�nica de sua casa. Disse que perdeu seu n�mero de Nova York."
Julianne olhou para o c�u. "Eu ligo para ela."
"� tudo,"disse Karen. "Vou te deixar voltar para seu banquete visual, e para as compras".
Julianne disse. "N�o era voc� dizia que eu era intimidante?
Podemos voltar a este ponto?"
Karen riu. "Adeus, Srta. Franqui."
Julianne desligou o celular e olhou-o por um segundo antes de guard�-lo. Jogou uma olhada ao redor procurando Kris e encontrou � artista sentada num sof� pr�ximo. Desculpa.
"Est� tudo bem," disse Kris se levantando. "Sei que � popular." Sorriu.
Julianne devolveu o sorriso, mas afastou o olhar antes de que pudesse se perder nos olhos verdes De Kris. Uma id�ia estava nascendo em sua mente, mas n�o sabia se seria boa. Eliminou-a por agora. Talvez depois pensasse nela, quando estivessem sozinhas..
"� que n�o faz sentido," comentou Kris cortando uma folha de alface de salada. "Acharia que ap�s todo este tempo n�o perceberam nada. � t�o �bvio que se amam."
Julianne encolheu os ombros ocupada com seu pr�prio prato. Olhou pelo restaurante durante um momento e voltou a olhar para Kris. "Suponho que n�o � �bvio para eles."
Kris balan�ou a cabe�a. "Sim, mas quero dizer que agora t�m um filho juntos. Viveram juntos� Oi?"
"Acho que terminar�o juntos," lhe assegurou Julianne. "Algumas coisas requerem tempo."
"O amor n�o deveria ser t�o complicado," disse Kris.
Julianne riu entre dentes. "� um seriado."
"Tudo o que digo � que Ross e Rachel precisam prestar mais aten��o. � estranho que possam estar t�o cego."
Julianne sorriu. Olhou ao redor parecendo levemente mais s�ria que antes. Posso te perguntar uma coisa?"
O cora��o de Kris acelerou com o tom da atriz. "Claro," disse mesmo estando repentinamente nervosa. Desde que tinham deixado a loja de m�veis, Kris estava preocupada se Julianne tivesse sacado o incidente da poltrona. Incidente. Chamar assim fazia parecer um acidente desafortunado. E n�o teve nada desafortunado ou acidental nisso. Estou me tornando uma pervertida.
"O que vai fazer neste pr�ximo fim de semana?" perguntou Julianne.
A pergunta pegou Kris de surpresa. Tinha estado t�o convencida de que seria uma pergunta relacionada com a super poltrona. "nada, por que?"
Quer ir para Calif�rnia comigo?" perguntou Julianne. Ent�o rapidamente disse "No s�bado tenho que ir a estr�ia de meu �ltimo filme. E pensei que seria bom voc� conhecer minha casa. Pensei que seria bom para voc� ver como vivo quando tenho m�veis."
Calif�rnia? Ela quer que eu v� para a Calif�rnia no fim de semana? Com ela? A sua casa? M�veis� A mente de Kris estava sem controle. N�o estava segura de que seu c�rebro estivesse formando pensamentos coerentes. Mesmo assim obrigou-se a falar. "N�o acho que posso pagar a passagem."
"Aluguei um jet privado," respondeu Julianne timidamente. "N�o vai ter que pagar nada."
Ah! disse Kris se sentindo completamente encabulada. Um fim de semana na Calif�rnia. Com Julianne. Como podia ser mau? "Parece divertido," encontrou-se dizendo. Tinha tarefa? Tinha ensaios que escrever e livros que ler. Os pr�s e contras a pensar . Julianne Franqui ia conseguir que a expulsasse da faculdade. E mesmo assim n�o podia evitar de se sentir atraiada ante a perspectiva de ir para casa de Julianne.
"Eu aceito,"
respondeu Kris.
Que �timo disse Julianne sorrindo brilhantemente.
Kris encontrou-se olhando o sorriso de Julianne. Deus, � t�o linda. Bonita ,Irreal. E estou perdida se sigo pensando assim. "Bom, o que vamos fazer depois do jantar?" perguntou temendo que poderia estar chegando a hora em que teriam que se separar.
Julianne disse. "Estou por sua conta, mas me recordo que algu�m me prometeu uma dan�a."
Kris sorriu. � verdade, eu lhe devo uma dan�a!
Fim da d�cima parte