O Lado Cego Do Amor INGRID DIAZ The Blind Side of Love |
Tradu��o de Fernanda
Parte 2
11
"Onde estava at� agora?" gritou Leigh. "Estou quase louca de preocupa��o!"
Kris entrou no apartamento depois de andar horas por Nova York. "Fui passear," respondeu, jogando a jaqueta no sof�.
"Nathan estava feito louco atr�s de voc�," lhe informou Leigh. "ligou vinte vezes. Voc� o deixou. Ent�o saiu para te procurar. Ent�o veio de novo. Ent�o foi embora de novo. Assim sugiro que ligue para ele. E provavelmente devesse ligar tamb�m para seus pais porque ligaram cinco vezes. Carlos estava muito nervoso."
Kris olhou para o alto e desabou no sof�. Depois de tudo que caminhei a �ltima coisa que precisava era encarar essa gente que tinha estado fugindo. Tudo o que desejava era paz. Por que n�o posso ter? S� um tempo para mim. Sem fam�lia. Sem namorado. Sem ensaio para escrever. S� eu e minha arte. Liga voc�," disse. "Enquanto recupero minha energia, vou tomar banho. E depois vou deitar."
Leigh olhou a sua melhor amiga durante um longo momento. "Kris, o que aconteceu?"
"Nada," respondeu Kris. "O jantar foi uma maravilha. Meu namorado � o m�ximo. Estou mais que apaixonada por ele. Tanto que vou me transferir para Harvard para que possamos ficar juntos para sempre. Ent�o podemos come�ar nossa vida juntos. Eu ficarei em casa com as crian�as enquanto ele sai e cumpre seus sonhos. Soa perfeito. Mal posso esperar."
Leigh sentou na mesa , desconhecendo sua amiga. "Est� bem?"
Kris se levantou inesperadamente. "Bem? N�o. N�o estou bem. N�o quero ir para Harvard. E realmente n�o quero ter filhos agora . N�o quero casar, n�o quero nada disto."
"N�o fa�a."
"Que n�o fa�a," repetiu suavemente Kris, como se a possibilidade n�o lhe tivesse ocorrido. "� exatamente o que vou fazer! N�o vou fazer nada dessas coisas." E seguiu para seu quarto.
"O que vai fazer? gritou Leigh.
"Vou tomar banho," respondeu Kris. "Porque � o que eu quero fazer."
"T�," disse Leigh, totalmente confusa pelo jeito de sua amiga.
Momentos depois, Kris voltou . "Sabe o que me irrita? Que n�o perguntem. Nem uma vez me apoiaram em nada. Acha que minha m�e queria ter alguma de minhas obras penduradas no seu apartamento, N�o queria! E Nathan? Acha que ele se importa como passo o tempo? N�o! Tudo o que importa � seu carro. E seu� sua faculdade de Direito. E seu� seu� seu carro!" Voltou correndo para o quarto e fechou inesperadamente a porta.
Dois segundos depois, abriu de novo. "E gritou comigo por n�o dizer nada do William? � minha fam�lia! Que importa para ele? E por que tenho que falar tudo para ele? S� porque � homem? N�o acho! Que se foda ele e seu pinto!" Entrou no banho finalmente.
Leigh ficou olhando a porta se fechar.
Mais tarde , j� mais tranquila, Kris se sentou na cozinha com o computador Seu desabafo tinha-lhe feito sentir melhor. A ducha tamb�m tinha ajudado. Tinha ligado para o Nathan e assegurou-lhe que estava bem. Tinha ligado para seus pais e tinha-lhes assegurado que estava bem. E que, n�o, n�o precisava ver a um psiquiatra. E que, n�o, n�o tinha nada que ver que William fosse gay.
Mas agora, pelo menos estava em paz. Leigh tinha-se deitado. O apartamento estava silencioso. Neste momento, a vida estava relativamente boa. Aliviada e de melhor �nimo, entrou na Internet para ver seus e-mails.
Uma mensagem.
Querida Kris (posso te chamar assim?), Me deixaria feliz saber o que te levou a criar t�o fascinante pintura . A imagem era de uma figura de p� entre as pessoas, com seu olhar era distante. Atualmente est� pindurado em meu quarto para que possa olhar toda noite. Acho que � o �nico quadro em minha casa que escolhi pessoalmente. N�o � muito frequente que consigo alegrar o dia de algu�m ou sequer fazer perder uns minutos de sua vida , me alegra poder devolver algo � comunidade art�stica. Se precisar de minha ajuda para alguma coisa no futuro, faz favor, de me dizer Se cuida, J.R. |
Sorrindo, Kris clicou em responder.
Estimado J.R., Na realidade, essa era a minha pe�a favorita. Estava pensando em convert�-la numa cole��o. Pinturas a cor e talvez estatuas de argila. Decorariam meu apartamento, ao menos. Devo admit�r, estou um pouco emocionada por teu interesse. �s vezes � muito dificil ser uma pintora. Nunca realmente sabemos se as pessoa o aprecia. De vez em quando passam e sorri com aprova��o. Mas a maioria do tempo passam sem lan�ar uma segunda olhada. � quando come�o a duvidar se realmente vale a pena. Come�o a perguntar-me quem sabe meus pais t�m raz�o e devo focar minha vida em algo s�lido em seu lugar. Mas ent�o recebo um e-mail seu e todas minhas d�vidas se dissipam e minha inspira��o volta. Lamento se deixei-me levar. Sobre o desenho. A raz�o que fez gostar � que, quando comecei, realmente n�o sabia o que ia desenhar. Normalmente tenho um modelo em mente e ent�o o plasmo sobre papel . Mas esse veio a mim. Comecei a desenhar e de repente tomou forma. Sinto, se n�o � uma hist�ria muito interessante. De todas formas, obrigado uma vez mais por me animar. N�o foi uma boa semana para mim e seus e-mails foram muito especiais. Obrigado, Kris PS: � claro que pode me chamar assim. |
12
Para des�nimo de Julianne, o domingo chegou. Se encontrou sentada num audit�rio, vendo um punhado de idiotas acabar com o que deveria ter sido uma obra maravilhosa. Sua querida irm� estava entre eles. Interpretando a Julieta, nada menos.
"Oh, Romeo, Romeo�"
Mata-me. Mata-me agora, suplicou Julianne silenciosamente. Seu caderno de poesia j� estava aberto em cima de sua perna e estava escrevendo linha soltas de poesia na escurid�o. s� desejava ter trazido seu notebook. Poderia ter encontrado algu�m para chatear e ajudar a passar o tempo.
Se Deus fosse de fato misericordioso, se apiadaria dela agora e acabaria com ela. Lan�ou seus olhos para o c�u, esperando que algo acontecesse, s� que n�o aconteceu nada.
Estou no Inferno. Jogou um olhar para o palco. E minha irm� � o Diabo.
Foi uma eternidade , a cortina baixou e as luzes acenderam. Os atores saiu para saudar as pessoas e Julianne aplaudiu com o resto do estusiasmado p�blico. Quando as pessoas se dispersou, Julianne foi para � frente do audit�rio para se encontrar com o resto de sua fam�lia.
As pessoas reconhecia-a quando passava do lado e se obrigou a sorrir para eles, esperando que ningu�m viesse falar com ela. Se talvez algu�m estava pensando em falar com ela se assegurou de adotar seu aspecto mais inacess�vel. Felizmente, funcionou.
"Oh, voc� veio," notou Jan, ainda no palco.
Julianne olhou para sua irm�. "Eu prometi." Beijou a bochecha de sua m�e e depois de seu pai. "Mam�e, papai," saudou casualmente.
"Ela n�o estava maravilhosa?" perguntou Susan Frank, sorrindo orgulhosamente de sua filha mais nova. " Cuidado que ela poder� ser melhor atriz que voc�.
Julianne tentou n�o rir . "Vivo aterrorizada," respondeu secamente.
Jan disse . "Est� com ci�mes, Jules. se � uma atriz famosa, m�s nunca ser�s t�o linda como eu."
"Jan, controla-te," disse Timothy Frank, falando pela primeira vez. "Voc� n�o muda. Temos reserva para as nove."
Jan foi para o camarim mudar de roupa, deixando Julianne combater seus dem�nios internos.
"Que roupa � est�?" perguntou Susan com �bvio desgosto.
Julianne olhou-se. S� para aborrecer sua m�e, decidiu por uma camisa de algod�o com as mangas dobradas. Uma jaqueta preta de couro e cal�a jeans e botas negras. "N�o gostou ?" perguntou inocentemente.
Susan soltou uma longo suspiro. "Parece um desses poetas beatnik."
" obrigada, m�e," respondeu Julianne com um brilhante sorriso. "� o maior elogio que me fez na vida"
Timothy falou. " Julianne, como vai o filme?"
"Vai bem, pai," respondeu Julianne. "O or�amento do filme � muito maior que d� s�rie de TV, tem v�rios efeitos especiais A diretora, Gina Loeb, � excelente. Realmente encantam-me as diversas coisas que Kiara pode fazer agora."
"Quanto cobrou?" perguntou Susan.
Julianne bufou para sua m�e. Por que tudo se reduzia a dinheiro com ela? "Quatro milh�es," respondeu.
Susan franziu a testa. "Isso � tudo?"
"Que quer dizer com isso � tudo?" perguntou Julianne, tentando n�o gritar. "Quanto voc� ganha?"
"Julianne," advertiu Timothy.
Julianne ficou calada para n�o brigar com sua m�e. Que valor!
Os tr�s ficaram ali em sil�ncio at� Jan voltar do camarim "Estou pronta," anunciou, saltando do palco. "Onde vamos jantar?"
"Em algum lugar barato," respondeu Julianne. "Porque ao que parece, sou pobre." Come�ou a caminhar para a porta de sa�da, deixando a sua fam�lia para tr�s. Precisava afastar-se deles uns minutos, para se acalmar. N�o sabia como ia sobreviver ao jantar sem perder a calma. se sua m�e n�o continuasse provando sua paci�ncia.
No estacionamento, apoiou-se contra seu Rav4. Concentrou-se em sua respira��o. Isso a tranquilizava, mas a deixou mareada.
Seu pai foi at� ela. "Encontra-nos no Ramone's, " Precisa do endere�o?"
"N�o," respondeu. "Vemos-nos l�." Entrou no carro e acelerou, ansiosa para ficar distante deles.
O restaurante era muito caro. O pai de Julianne ganhava muito dinheiro e sua
m�e n�o tinha medo de gastar. Ramone's era conhecido por servir
�s estrelas de Hollywood. Todo o que era algu�m se assegurava
de aparecer por l�.
Julianne sabia que a �nica raz�o que tinha sido convidada para esta aventura pela disfuncional senda familiar era porque sua m�e esperava que, se Julianne estava ali, um rep�rter perdido apontaria a c�mera em sua dire��o.
N�o a decepcionaram. Um rep�rter tirou umas fotos deles entrando no restaurante. Susan e Jan desfrutavam da aten��o, ou mais bem, desfrutavam fingindo que n�o. As pessoas do restaurante olhava para Julianne enquanto passava, apontando e murmurando.
Julianne ignorou a todos. Meramente seguiu ao ma�tre que os levava para "a melhor mesa da casa" e se sentou Enquanto sua fam�lia tambem sentava, desapareceu atr�s do enorme card�pio Com sorte, eles poderiam esquecer que estava ali.
"Honra-me servir-lhe de novo, Srta. Franqui," disse o gar�om, com uma leve inclina��o. " posso recomendar-lhe algo. Esta noite o men� est� extraordin�rio."
Julianne assentiu. "Comerei o de sempre, obrigado," disse..
Ele assentiu e anotou o pedido, de Julianne. O resto da fam�lia pediu um momento para decidir.
Com seu escudo de prote��o ,Julianne enfrentou o pelot�o de fusilamento.
"Vem aqui com freq��ncia?" perguntou Jan, olhando para sua irm�.
"N�o," respondeu Julianne.
Susan tomou um gole de �gua . "Certamente est� de mal humor esta noite. Que aconteceu? Parece um pouco cansada."
"Estou absolutamente bem, m�e," respondeu Julianne. "Provavelmente s�
Susan escolheu ignorar o coment�rio. "Bom, como est� o Adrian? Deveria te-lo convidado esta noite."
"� verdade que est�o juntos agora?" acrescentou Jan.
Julianne contemplou a suas duas mulheres menos favoritas no mundo. "Adrian est� em San Francisco, trabalhando num novo filme. E sim, estamos mais que juntos." Deveria ter negado, mas o olhar de desilus�o na cara de sua irm� fez que valesse a pena. Julianne sabia que Jan gostava do Adrian.
Ela suspirou. " algum dia ser� meu."
"Vai." Foi tudo o que Julianne podia dizer para n�o rir dela.
Susan sorriu. "Seria um �timo casamento," meditou. "Seus filhos seriam lindos, sem d�vida."
Jan fez uma careta. "A� vai-ser meu ."
Os meus tamb�m, concordou Julianne. Ter sexo com Adrian seria� "Puag," murmurou, estremecendo diante do seu pensamento.
Todos a olharam.
Julianne paralisou-se. "Um, acho que vi um cabelo em meu copo," mentiu. "Mas era s� o reflexo da luz."
"Onde gostaria de casar-te?" perguntou Susan, ainda continuava o mesmo tema.
"N�o vamos casar," disse Julianne. "Tenho minha carreira. Adrian a sua. S� estamos�"
"Tendo sexo?" adivinhou Susan, com uma sacudida da cabe�a.
"Que asco," murmurou Jan.
"N�o estamos fazendo sexo," replicou Julianne, se sentindo incrivelmente envergonhada .
Jan olhou-a com surpresa. "� s�rio?"
Mata-me. Mata-me agora. Por favor. Algu�m. Qualquer. Socorro. "N�o vou vou falar disto," disse Julianne t�o insolentemente.
Jan soltou uma breve gargalhada. "Mas � t�o sexy! est� louca? Eu me jogaria em cima dele como uma"
"Jan!" Susan e Timothy disseram em coro.
Julianne afundou-se em sua cadeira, cobrindo a cara com uma m�o. Este seria um jantar muito longo.
Tr�s horas depois, Julianne ja estava em sua cama. Tinha sido o dia mais
longo de toda sua vida.Com sua m�e e sua irm�, ia precisar de
muitas horas a mais de terapia . Adrian ao menos era barato ou j�
estaria arruinada.
Levantou-se e esticou o edredom na cama. Colocou uma pantufa do Garfield e um top branco, ent�o pegou seu notebook e colocou em cima da cama. "Que, divino," suspirou.
Decidiu primeiro, que era a hora de enviar seus poemas do dia a seu super hiper secreto website. N�o sabia se realmente algu�m lia, mas gostava de post�-lo assim mesmo. Entre atuar e escrever poesia, Julianne sentia-se realizada. Bom, mais do que sentir-se-ia de outra forma, ao menos. Talvez realizada n�o fosse a palavra certa.
Digitou o �ltimo poema, que tinha escrito. Com o clique de um bot�o, convertia-se em propriedade p�blica. Qualquer que quisesse, podia pegar. Realmente n�o lhe importava com isto;
abriu seu e-mail Uma mensagem.
Estimado J.R.,
Devo admit�r, estou um pouco emocionada por teu interesse. �s vezes � muito dificil ser uma pintora. Nunca realmente sabemos se as pessoa o aprecia. De vez em quando passam e sorri com aprova��o. Mas a maioria do tempo passam sem lan�ar uma segunda olhada. � quando come�o a duvidar se realmente vale a pena. Come�o a perguntar-me quem sabe meus pais t�m raz�o e devo focar minha vida em algo s�lido em seu lugar. Mas ent�o recebo um e-mail seu e todas minhas d�vidas se dissipam e minha inspira��o volta. Lamento se deixei-me levar. Sobre o desenho. A raz�o que fez gostar � que, quando comecei, realmente n�o sabia o que ia desenhar. Normalmente tenho um modelo em mente e ent�o o plasmo sobre papel . Mas esse veio a mim. Comecei a desenhar e de repente tomou forma. Sinto, se n�o � uma hist�ria muito interessante. De todas formas, obrigado uma vez mais por me animar. N�o foi uma boa semana para mim e seus e-mails foram muito especiais. Obrigado, Kris PS: � claro que pode me chamar assim. |
Julianne sorriu e clicou em responder.
Querida Kris, Fa�a sim sua cole��o, gostaria de comprar. N�o importa o custo. Pagarei o que for. Posso entender o que sentes por sua arte. � dif�cil despir a sua alma para o mundo e dias depois se sentir rejeitada. E fico feliz que n�o v� decistir de seu talento . Pode confiar em mim quando digo que, � melhor ser rejeitada por ser quem �, que aceita por ser quem n�o �. Parece que nos vejamos no mesmo quadro. Como se estivessemos em lados opostos de um espelho e s� podemos ver nosso reflexo. Talvez se virassemos o espelho , poderemos ver-nos mutuamente. Julianne franziu a testa diante do terceiro par�grafo. "Parece que eu estou unida a ela." Rapidamente, apagou-o e come�ou um novo em seu lugar. Deve ter sido muito ruim mesmo a sua semana para que meus e-mails te animem tanto. Se quiser conversar sobre qualquer coisa, estou aqui.
J.R. |
Franzindo a testa, Julianne deixou o cursor flutuar sobre o bot�o de
envio. Quando foi que se tornou t�o intrometida? E por que se importava?
Ressaltou o �ltimo par�grafo, mas teve d�vidas em apag�-lo.
"Que se dane, n�o tenho nada que perder," decidiu, clicando
no enviar antes que tivesse tempo de mudar de ideia.
13
Kris decidiu que era hora de falar com o irm�o. E no domingo foi para
o Queens. O apartamento de William ficava num bairro relativamente agrad�vel.
Ele morava com um tipo chamado Mark, a quem Kris nunca tinha realmente
conhecido.
Teve d�vidas antes de apertar o bot�o que anunciaria sua chegada. William n�o a aguardava e que n�o estivesse ocupado.
"Oi?" disse uma voz atrav�s do interfone.
Kris n�o a reconheceu como se fosse a voz de seu irm�o, assim sup�s que era Mark. "Uh, ol�. Meu nome � Kris Milano. Eu vim ver o William."
Teve uma pausa e ent�o um zumbido anunciou que a porta estava aberta. Entrou, assegurando-se de fechar a porta atr�s dela. O apartamento de William ficava no segundo andar, se dirigiu para l�.
William j� estava esperando na porta quando Kris chegou. "Kris," disse, parecendo surpreendido. "N�o te esperava."
"Interrompo?" perguntou Kris, preocupada por ter chegado sem avisar.
"N�o, n�o," lhe assegurou William. "Entra."
O apartamento era pequeno. Um dormit�rio, um banheiro, uma cozinha e sala. Kris encontrou-se perguntando onde dormia o colega de William, come�ou a fazer id�ia.
Kris olhou a parede por um momento quando notou uma de suas pinturas pendurada e orgulhosamente exibida. Recordava dessa pintura. Tinha- dado a William quando se mudou. Era nossa fam�lia de um lado e William do outro, com a lua unindo todos. "Ainda o tem" disse, surpreendida.
William sorriu ao lado dela. "� claro," respondeu, "vai valer milh�es algum dia."
Kris sorriu para seu irm�o.
Mark apareceu um momento depois. Sorriu enquanto oferecia-lhe a m�o. "Mark Welch," disse, sorrindo .
Kris lhe deu a m�o e devolveu-lhe o sorriso. "Oi tudo bem." N�o era exatamente o que tinha esperado. Para come�ar, n�o era portorriquenho. Era bem o t�pico norte-americano. Cabelo loiro, olhos azuis, bronzeado . E n�o parecia ser gay. Mas , William tamb�m n�o.
"Quer beber alguma coisa?" ofereceu Mark.
"N�o, obrigado," respondeu Kris.
William levou-a � sala/cozinha e acabou se sentando num velho sof� que tinha encontrado em algum lugar.
Kris observou sentar-se os dois rapazes � mesa da cozinha diante dela. Olharam-na com expectativa e ela decidiu que o melhor seria come�ar. "Vim ver como est�," disse a William. "Realmente n�o fal�mos desde� j� sabe." N�o estava completamente segura o que falar.
William encolheu os ombros. "Estou bem," respondeu. "Eu j� esperava esse tipo de rea��o." Olhou-a um momento. "Como est�o ?"
Kris agitou a cabe�a. "Agora voc� � tema tabu," disse. "Nathan mencionou-te no jantar da sexta-feira e Carlos ficou louco. Definitivamente n�o est�o assimilando bem,
"E tu?" perguntou William.
Kris vacilou, e olhou para o Mark. Sentia-se um pouco incomodada tendo esta conversa com o colega de seu irm�o presente.
Mark pareceu dar-se conta disto porque se levantou . "Acho que vou dar um passeio e deixo-vos conversar."
William pegou a m�o dele. "N�o vai, fica. Por favor."
Mark sentou-se de novo, lan�ando um olhar de descupa para Kris.
"Eu te amo, William," respondeu finalmente Kris, sorrindo ligeiramente. "N�o me importa se � gay. S� fiquei surpreendida? Provavelmente era a �ltima coisa que pensaria que dirias. Leigh ajudou-me a ver melhor a perspectiva deste assunto. Rompeste o cora��o dela."
William riu, obviamente aliviado. "Tenho certeza que vai suberar."
Kris olhou para o Mark. "Bom, Mark, onde voc� dorme?" perguntou, tentando manter o rosto sereno.
Mark pareceu totalmente surpreso com a pergunta. Abriu a boca para responder mas nada saiu. Olhou para o William.
"Comigo," respondeu William.
Kris fez o melhor para n�o rir. Ambos ficaram soados e nervosos. "T� " disse. "Vou ter que dizer para o Carlos."
Os olhos de William alargaram.
Kris come�ou a rir no fim, sentindo-se melhor . h� tempos que n�o se sentia bem. Isto n�o foi t�o mau.
"Odeio voc�," disse William, rindo com ela.
Kris sorriu para seu irm�o. "Tem que me amar," disse-lhe. "Bom, quanto tempo estam juntos?" Finalmente, os mist�rios da vida de seu irm�o revelavam-se. N�o lembrava da �ltima vez que tinha sabido de alguma de suas rela��es. Por um tempo, tinha pensado que William era assexuado. Ironicamente, nunca lhe ocorreu que pudesse ser gay.
Mark falou. "Dois anos e meio," falou, orgulhosamente.
Uau. Deve ter sido arduo ocult�-lo todo esse tempo. De repente Kris sentiu-se mal por seu irm�o. Dois anos e meio era muito tempo para manter algo assim em segredo. N�o foi f�cil.
"O que aconteceu na sexta-feira"? perguntou William de repente. "Leigh ligou. Queria saber se tinha-te visto."
Kris com um suspiro, disse . "Nathan estava me aborrecendo,"
respondeu. "Carlos, tamb�m. Simplesmente precisava ficar um tempo
sozinha.
"Por que te aborreceram?" perguntou William.
"Porque querem dirigir-me a vida," respondeu Kris simplesmente. "Nathan estava falando para eu me transferir para Harvard e nos casar e ter filhos. E Carlos estava a favor da id�ia."
Mark agitou a cabe�a. "Que disse a eles?"
"Nada," admitiu Kris. "Explodi depois com a Leigh."
William inclinou-se ."Kris, n�o tens que fazer o que te digam, disse. "N�o vai ser felizes a n�o ser que fa�a exatamente o que quer, mas n�o tem que abandonar tua felicidade pela deles. J� viveram suas vidas. Viva a sua."
Kris sorriu a seu irm�o. "Obrigado," disse. " desejaria ser t�o valente como tu."
Mark riu. "Ele? Valente? Por favor. Deveria ter-lhe visto fugindo do apartamento no outro dia porque tinha um rato no banheiro."
"Ficou com medo de um ratiho?" ca�oou Kris. " E Tu?
William olhou com frieza para Mark. "Tem algum problema eu ter medo."
Mark lhe mostrou a l�ngua. "Estou t�o assustado."
Kris sorriu. J� gostava de Mark. Parecia uma crian�a, ele tinha quase a mesma idade de William. Kris estimou que teria vinte e cinco ou vinte e seis anos. Ainda que pareciam mais jovem.
"Bom, como vai o seu neg�cio?" perguntou William. "Vendeste mais algum quadro desde a �ltima vez que conversamos?"
Kris negou com a cabe�a. " ontem fui vender mas parecia que ia chover, ent�o n�o fiquei muito ." Animou-se. "recebi meu primeiro e-mail de um f�."
William pareceu interessado. "Conta."
"Esta pessoa, J.R.," explicou. "Ainda n�o sei se � um cara ou uma garota. Vou perguntar. Bom, tanto faz, queria saber se eu expunha em uma galeria meu trabalho." Riu-. "Estamos trocando e-mails desde a semana passada."
William aplaudiu ligeiramente. "Bom trabalho."
Kris respondeu " Que isto, obrigado."
"Como est�o as coisas contigo e Nathan?"
O sorriso de Kris desapareceu. "Est�o bem."
"N�o parecem bem," comentou Mark.
Kris suspirou. "� mau sinal quando n�o pode esperar que seu namorado mude?" perguntou inutilmente.
William e Mark trocaram um olhar.
"Estou segura que s� estamos passando por uma crise" continuou. "Estou segura que as coisas v�o ficar bem ." Ainda que n�o estava segura se deseja isto.
Querida Kris, Fa�a sim sua cole��o, gostaria de comprar. N�o importa o custo. Pagarei o que for. Posso entender o que sentes por sua arte. � dif�cil despir a sua alma para o mundo e dias depois se sentir rejeitada. E fico feliz que n�o v� decistir de seu talento . Pode confiar em mim quando digo que, � melhor ser rejeitada por ser quem �, que aceita por ser quem n�o �. Deve ter sido muito ruim mesmo a sua semana
para que meus e-mails te animem tanto. Se quiser conversar sobre
qualquer coisa, estou aqui. J.R. |
Estimado J.R., � s�rio que quer comprar minha cole��o? vou come�ar a fazer. Obrigado pelo que disse, com respeito a minha arte. Suponho que tenha raz�o sobre que � melhor ser aceita por ser eu mesma, mas a maioria das vezes, n�o � bem como queremos. Desejaria ser valente para mudar minha vida e viv�-la da forma que quero. Mas n�o estou segura de ser o bastante forte. �s vezes ser aceita por quem � n�o � o melhor� ao menos te aceitam. Se cuida, Kris PS: O Que significa J.R.? |
14
Os apresentadores do show apresentaram-se eles mesmos, sorrindo t�o
amplamente que Julianne estava segura que suas caras estavam paralisadas nesse
gesto. Falaram com a atriz enquanto sua equipe preparava o fundo e a ilumina��o.
Julianne brincava com o microfone preso em sua camisa. Seguia raspando em sua garganta. Ou ao menos, � do que se queixava aos que lhe faziam a entrevista. Parecia desconcertar-lhes. Como se n�o soubessem manejar a situa��o. Isso a divertia.
Por fim, tudo estava resolvido e Julianne rezou uma silenciosa ora��o para que a tortura acabasse t�o r�pido e indoloramente como se fosse poss�vel.
A luz da c�mera foi acesa e Julianne transformou-se em sua pessoa publica.
"Sou Michael Jacobs."
"E eu Susana Clark. Estamos aqui com Julianne Franqui, a estrela da arrasadora s�rie, Guardian. Encanta-nos que pode nos receber, Julianne."
Julianne sorriu. "Alegra-me estarem aqui, Susana."
Michael inclinou-se . "Bom, Julianne, estamos aqui no set de Guardian . Mas isto n�o � para a s�rie, verdade?"
Realmente achavam que o p�blico era est�pido? "N�o, Michael, tem raz�o. Na verdade aqui e o set de Guardian: A Second Chance, que deve estrear no cinema no come�o da pr�xima temporada."
"Vamos falar um pouco de tua personagem," disse Susana. "Fala-nos de Kiara."
"Kiara � uma anja guardi� que est� tentando compensar a vida que viveu quando foi humana. Tenta isentar-se ajudando a outros na Terra."
"Ela foi t�o m�,"disse Michael, "como conseguiu virar um anjo?"
"Bom," explicou Julianne, "Morreu enquanto salvava a vida de algu�m. O garoto que salvou rezou por sua alma. Assim Deus a fez anjo. Vaga pela Terra, ajudando as pessoas em apuros."
"Bom, como conseguir� a reden��o?"
Julianne sorriu. "� disso que fala o filme. � reunida com o garoto que a salvou. E, de novo, sua vida est� em perigo. Tem que encontrar uma forma de ajudar ele. Se tiver sucesso, terei a op��o de continuar sua vida como Guardi� ou de voltar � Terra como humana. Uma segunda chance na vida, trata dessas coisas."
Michael assentiu. "Bom, consegue?"
Julianne riu. "Suponho que ter�s que ver o filme para saber."
Susana tamb�m riu. "Assim que, basicamente,a s�rie continuar� com o desfecho do filme?" perguntou. "Se Kiara continua como anjo, na s�rie. Ou se volta a ser humana, a s�rie mostra sua vida como ser humano?"
" O filme vai estrear antes da s�rie de TV, para n�o estragar o final do filme." Riu. "Isso �, contando que veja o filme antes da estr�ia da nova temporada."
Susana assentiu. "� muito diferente trabalhar num filme do que na s�rie?"
Julianne considerou a pergunta. "Bom, o filme tem outro diretor. Para a s�rie, praticamente t�nhamos algu�m diferente para cada epis�dio. Mas Gina Loeb, � a diretora da Second Chance, � excelente. � agrad�vel ter essa consistencia. Tamb�m trabalhar com equipe e or�amento maiores. Tudo � o mesmo, s� que em maior escala."
Michael sorriu. "Bom, obrigado por receber-nos, Julianne. Desej�mos-te sorte com o filme. Parece que vai ser um campe�o de bilheteria."
Susana ficou de costas para c�mera. "Obrigada por nos presentear com esta entrevista exclusiva, aqui no set de Guardian: A Second Chance, que vai estrear no outono. Sou Susana Clark do Entertainment TV.Tenha uma boa noite."
Julianne tirou o microfone e deu a uma pessoa da produ��o.
Susana sorriu-lhe. "Foi um prazer te conhecer, Julianne," disse estendendo-lhe sua m�o rec�m manicurada .
"Igualmente," respondeu Julianne, segurando a m�o da mulher. Tamb�m deu a m�o para Michael. Ent�o, t�o educadamente, se despediu e se foi.
Uma vez a salvo, se jogou no sof�. Ao fim livre. Sentando-se, agarrou o seu notebook. Tinham passado dias desde que revisou seus e-mails queria saber se Kris tinha respondido.
Leu o e-mail algumas vezes, pensando o que ia responder.
Querida Kris, Definitivamente quero comprar a cole��o. Definitivamente! Entendo o que quer dizer sobre n�o ser valente para mudar sua vida. Eu tenho um problema similar. O que passa comigo, � que sinto que quando as pessoas me olha, n�o v�em quem realmente sou. Tenho perfecionado na arte de ser algu�m melhor at� o ponto que me sinto uma mentira. Simplesmente quero ser eu mesma. Suponho que para fazer isso, primeiro teria que mudar a pessoa que me transformei. Chegou um momento em que me olho no espelho, vejo um reflexo que n�o sou eu. Sou um billh�o de min�sculos fragmentos refletindo diferentes partes de mim. Almejo ver me por inteira. Assim � a vida, n�o? Espero que um dia eu possa e depois seguir em frente. Mas, sabes, a mudan�a n�o tem que ser uma completa revolu��o. S� um passo pode fazer tanto bem sem derrubar as barreiras protetoras. Quem sabe se fazer algo que te fa�a feliz cada dia, os aspectos infelizes da vida n�o parecer�o t�o significativos. Dizem que s�o as coisas pequenas que importa. Fique bem, Julia Raye |
Julianne olhou seu nome. Fazia muitos anos que n�o o escrevia. Que estranho que essa completa honestidade come�asse a parecer uma mentira. Enquanto enviava o e-mail, Julianne perguntou-se o que era realidade. "Isto � o que d� ver Matrix muitas vezes," murmurou.
15
Querida Julia (posso te chamar assim?), Come�arei a fazer minha cole��o de arte.Obrigada! N�o sabe como me faz feliz saber que te encanta meu trabalho. Obrigada por dizer seu nome. Ficava me perguntando se era um rapaz ou uma garota. � bom ter, uma imagem mais clara de quem ando escrevendo. Voc� tem namorado? Quantos anos tem? Como seria o seu encontro perfeito?Que faz para se divertir? Sua cor favorita? Perdoa-me se fa�o muitas perguntas. N�o estou acostumada escrever para quem n�o conhe�o. A �nica outra pessoa que escrevo � meu pai na Calif�rnia. Onde mora? A� falei demais. J� vou... Se cuide, Kris |
Querida Kris, Pode me chamar de Julia. Faz tempo que ningu�m me chama assim. J� me soa estranho, mas acho que posso me acostumar. � meu nome, afinal. Tenho vinte e tr�s anos. Solteira. Minha cor favorita � o azul. Meu encontro perfeito incluiria um passeio rom�ntico pela praia e jantar � luz de velas. Realmente, n�o estou segura de como seria um encontro ideal. Na realidade nunca tive um. Triste, n�o acha? Acho se eu encontrasse � pessoa de meus sonhos, n�o importaria o que fiz�ssemos, com tanto que estivessemos juntos. Uau, isso foi t�o fastidioso! Mas acho que � verdade. Sou uma rom�ntica sem rem�dio, acho. Para divertir-me, escrevo poesia. � meu escape do t�dio da minha vida. E moro em Los Angeles. Acabei? Seu question�rio. Agora � a minha vez de ser intrometida. Qual � sua flor favorita? Seu livro favorito? Quando foi a �ltima vez que viu o amanhecer? Quando foi a �ltima vez que rio de verdade? Se cuide, Julia |
Querida Julia, Tenho vinte anos. Tenho um namorado chamado Nathan, que tem dezoito anos e vai cursar Direito em Harvard no outono. Realmente � um garoto agrad�vel quando quer. Mas parece n�o querer ultimamente. Estou supondo que s� est� nervoso porque vai para a universidade. E provavelmente sente-se inseguro sobre nosso namoro a dist�ncia. Minha cor favorita � o verde. Verde bosque, de fato. Lembro-me da natureza. Sou uma grande admiradora da natureza. Meu quarto � decorado com cascatas, lagos e �rvores. Essa classe de coisas. Recentemente virei vegetariana, o que tem deixado minha m�e louca. Adoro as rosas. Sei que todos ador�mos as rosas. Mas � que s�o t�o lindas e po�ticas. Nathan deu-me uma quando sa�mos pela primeira vez. E um dos espinhos me picou o dedo. Beleza e perigo. Gosto dessa combina��o. Ainda que isso n�o signifique que gosto dos garotos maus. S� as flores. Espera.Acho que devia reescrever isso. Ah, esquece. Acho que entendeu que eu quis dizer. N�o sei o que gostaria de fazer num encontro perfeito. Gostaria de caminhar num lugar bonito. N�o � que Nova York n�o seja. O �. Mas gostaria de ir em algum lugar que nunca estive. Acho que fugirei para o Amazonas. N�o posso dizer que leio muito. N�o posso dizer qual seria meu livro favorito. O �ltimo que li foi Sonho de uma noite de ver�o , de Shakespeare. Tive que escrever um ensaio para aula. Foi um pesadelo. Faz anos que n�o vejo o amanhecer. Acho que nunca vi, para ser sincera. Voc� gosta de ver o dia nascer? � poetisa. N�o tenho id�ia da �ltima vez que ri com gosto. Minha melhor amiga, Leigh, me faz rir constantemente. � aspirante a atriz ainda que acho que seja melhor como c�mica. Estou agradecida, se minha vida fosse de outra forma seria muito triste. Cuide- se |
Querida Kris, Tento ver o amanhecer ao menos uma vez por semana. Moro em frente a praia, me sento na areia e o vejo se p�r. Acalma-me. Desejo paz e sil�ncio. A minha vida � muito agitada �s vezes. Lamento saber que n�o � f� de Shakespeare. � meu favorito. Tenho todas suas obras. Li-o v�rias vezes. Comecei estudar Literatura na universidade, mas deixei para perseguir outros interesses. Livros e poesia s�o minha paix�o. A literatura inteira, de fato. Se tiver outro ensaio que escrever, ficarei feliz de te ajudar. O �ltimo livro que li foi The Remains of the Day . Gostei muito. Tem algum bicho de estima��o? Tenho pensando em ter um. Nunca tive um estou pensando em bichinho pequeno. Como um peixinho dourado, ou algo assim. N�o estou segura que possa saltar diretamente para uma rela��o com um gato. Outra de minhas paix�es � cozinhar. Raramente tenho tempo. Cuida-se Julia |
Continua...