O Lado Cego Do Amor

INGRID DIAZ

The Blind Side of Love

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 Traduzido por Fernanda

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Kris tentou concentrar-se na sensa��o das m�os de Anthony sobre seu corpo. Tentou gostar das palavras que saia de seus l�bios enquanto lhe sussurrava, "Voc� � t�o linda," no espa�o entre sua experi�ncia e a de Kris. Sua respira��o quente contra seu corpo enquanto ele beijava seu est�mago. Sua boca deixava caminhos h�midos e frios no meio de seus peitos, demorando-se com a esperan�a,  e sumindo com a realidade. Kris tentou concentrar-se no entusiasmo e a paix�o dele, desejando que fora suficiente para sustentar  ambos.

Por que a vida n�o podia ser como nos filmes? Tudo era t�o apaixonado e lindo no cinema. Desejou estar experimentando a vers�o retocada desse momento.

Para isto tinha esperado 21 anos, para este sentimento de indiferen�a; a esperan�a de que acabasse antes de que tivesse sequer come�ado? Para isto tinha estado rezando?

Sentiu a brisa  entrando atrav�s da janela e desejou n�o  ter notado. N�o � justo, lhe usar s� para apagar sua  insistente necessidade de se esconder? Estava bem?

Via nos olhos de Anthony uma mistura de tantas emo��es que n�o podia discernir-las . Sabia que tinha luxuria e paix�o. Ser� que tinha amor? N�o importava, se deu conta,  que n�o importava o que ele sentisse se ela n�o podia corresponder a seus sentimentos. Como poderia acordar amanh� cedo  e lhe olhar nos olhos?

Sentiu que suas m�os desabotoaram a fivela de seu cinto. "Anthony, espera," encontrou a sua boca dizendo, ainda que sua mente n�o lhe tinha dado permiss�o para falar.

Anthony  parou com suas a��es. Estou indo muito r�pido?"

Fez uma pausa antes de responder. Que desculpa poderia lhe dar por levar isto t�o longe? Como poderia justificar seu afastamento?  "N�o posso fazer isto," sussurrou incapaz de enfrentar seu olhar. "Sinto muito. Achei que eu desejava fazer isto.

 Oh...disse como se ainda esperasse que contestasse sua pergunta sobre ir muito r�pido. "Oh," disse de novo parecendo de repente desanimado. Olhou para baixo, onde eu ainda estava embaixo dele. "Sinto," disse e saiu, sentando-se torpemente ao lado dela.

Kris tentou procurar as palavras certas, mas n�o encontrou nenhuma. Sentia-se exposta sentada de topless numa cama estranha, olhando para o rapaz  que quase tinha concedido pleno acesso a seu corpo s�  minutos antes. Que podia  dizer?

Est� bem?" questionou Anthony, sua desilus�o passou rapidamente para  preocupa��o. "N�o te machuquei? N�o tinha sequer..."

"N�o," lhe assegurou rapidamente, surpreendida por seu tom. Meio esperava que brigasse com ela. N�o � Nathan, se lembrou e lhe entristeceu ter que fazer isto com ele. "Acho que estou  perdendo a cabe�a," agregou sentindo-se tonta por dizer, mas n�o crendo muito.

Anthony franziu a testa quando a olhou. "Por que acha que est� perdendo a cabe�a?"

Olhou-lhe envergonhada. "S� estou passando por uma fase, eu acho," respondeu  dizendo para satisfazer sua curiosidade principalmente, ainda que parte dela sabia a verdade. "Desculpa, Anthony. Preciso pensar sobre algumas coisas.

A confus�o apareceu em sua face enquanto olhava-a. Est� terminando comigo?"

N�o  tinha dito com essa inten��o. Esse pensamento realmente n�o tinha passado por sua cabe�a. Mas Talvez fosse a �nica forma em que  ia se compreender. N�o podia seguir fugindo. N�o assim. N�o sabia o que desejava, o que n�o desejava estava bem claro.

Seus olhos encheram-se de l�grimas enquanto assentia. Podia sentir os alicerces de sua vida desmoronando  diante de seus pr�prios olhos. Que estava fazendo? Tantas partes dela desejavam se deitar na cama e, mesmo assim, o al�vio que sentiu ante a confirma��o lhe impediu de fazer.

Anthony pareceu indeciso entre querer consol�-la e chorar. T� bom," disse. Olhou ao redor  desejando recordar os momentos em que olhar essa cabana n�o lhe tinha causado dor. "Quer ir para casa?"

Casa. Perguntou-se de repente onde exatamente era isso. N�o  sabia e n�o queria pensarr. Kris sabia que s� tinha um lugar em que desejava estar.

E s� uma pessoa que desejava ver.

 

"Vejo que j�  fez muita mudan�a neste lugar," brincou Naomi ao entrar no apartamento.

Julianne riu. "Planejo comprar alguns m�veis esta semana," respondeu,   apesar de n�o ter pensado muito nisto. Era uma prioridade t�o baixa em sua lista de coisas por fazer, �s vezes esquecia inclusive que era um problema at� que algu�m o assinalava. E de todas formas sempre eram as mesmas pessoas. Posso te trazer algo para beber?" ofereceu enquanto ia � cozinha.

"Claro. Qualquer coisa que me traga est� bom para mim."

Julianne estava a ponto de responder quando seu celular  tocou. "Desculpa," pediu para sua convidada. "Franqui," disse ao telefone.

"Gostaria de duas pizzas grandes com pepperoni, anchovas e cebola."

A atriz olhou para o alto ao ouvir  a familiar voz. Me d� licen�a por um momento?" perguntou a Naomi. Quando a diretora consentiu, Julianne se retirou e foi para � privacidad de seu quarto.

Liguei na hora errada de novo?" perguntou Adri�n.

Julianne fechou a porta de seu quarto e apoiou-se suas costas contra ela. "Sempre aparece nas horas erradas," respondeu. "Mas eu estava com saudade. Como vai o filme do tomate?"

"Ma��," corrigiu Adri�n. " acabou finalmente. Ficar� muito orgulhosa de mim. Ou vai achar uma porcaria como sempre, das duas uma."

Julianne sup�s que seria o �ltimo.

"Bom, ouvi uma voz feminina ao fundo," Adri�n continuou. "O Que eu perdi?"

"Perdeu muita coisa para  eu contar por telefone," admitiu Julianne. "Estou enlouquecendo."

"Isso � novo." Pausa. "Em caso que n�o pudesse  notar, foi sarcasmo."

Julianne afastou-se da porta e baixou a voz. "Adri�n, convidei-a para subir. E n�o sei o que fazer. Quero dizer, se estiver pensando em sexo? Ou sou eu que estou pensando nisto? N�o sei se quero? Isto � bem mais complicado do que achei que seria."

"Em primeiro lugar, quem � ela?" Adri�n perguntou.

"Naomi."

"A  gostosona diretora?" Adri�n assobiou. "Sabia que ela j� posou para Playboy?"

"N�o posou."

"Sim posou," disse Adri�n. "Quando tinha dezoito anos."

"Oh, meu Deus, n�o posou para Playboy," respondeu Julianne se sentindo frustrada e rid�cula por estar  tendo esta conversa.

"Vou procurar o exemplar," disse Adri�n. Julianne podia ouvir-lhe rebuscar ao fundo. "Est� por aqui em alguma parte."

Julianne golpeou o celular contra sua testa. "voc� me deixa louca."

Encontrei!" gritou Adri�n. "Oh, espera. N�o � ela. N�o importa.  Jules, deveria dormir com esta aqui. Quer ser professora e seus peitos s�o de verdade.

Pode ser s�rio durante um minuto?" suplicou Julianne. " Estou realmente confusa."

Adri�n suspirou. "T�, tem uma l�s gostosona em sua sala pronta para a a��o. Bla bla confus�o. 'Oh, n�o, � sua primeira vez.' Bla bla bla. Bom, que acha que deveria fazer?"

"N�o  sei," disse Julianne sinceramente. "� bonita, inteligente, divertida e  me atrai. Mas�"

"N�o � a Kris," adivinhou Adri�n.

"Acertou," respondeu Julianne. "E n�o quero me envolver t�o r�pido com outra pessoa. � s� que�"

"Quer esquecer a Kris e espera que Naomi seja o rem�dio."

"Sim. Bom, mais ou menos isto.

"Olha, Julianne, s� faz o que te parecer correto."

Julianne suspirou. "Depois nos falamos."

Se divirta....
Julianne desligou o telefone e olhou o tapete  por um longo momento. Sabia que tinha que voltar  e encarar Naomi, mas estava assustada. O Que seria correto? E se deixasse se levar, se deixasse que as coisas acontecessem, lament�ria pela manh�? N�o poderia desfazer isto depois.

Saiu do quarto. Encontrou � diretora olhando pelas  janelas de cristal.

"Tem uma vista t�o linda daqui," disse Naomi enquanto Julianne se aproximava dela. Voltou. "Tudo  bem?"

Julianne olhou nos olhos verdes e sorriu. "Sim. Era s� o Adri�n. Terminou seu filme."

"Estou segura que ser� brilhante como sempre," disse Naomi com alegria. "Mal posso esperar para ver."

Julianne podia esperar. Podia esperar um longo tempo. Mas no final sabia que adoraria o filme. Adri�n tinha uma maneira fascinante de fazer interessante a sua loucura. De repente, se lembrou que lhe tinha oferecido uma bebida a sua convidada antes da interrup��o, disse, vinho?  

"Perfeito."

Julianne inspirou profundamente enquanto ia � cozinha. Precisava relaxar. Tudo parecia irreal, cada movimento era for�ado. Sentia-se longe dela mesma, como se interpretasse um papel  que n�o lhe dava motiva��o. Sabia que estava tremendo e se perguntou se Naomi tamb�m estava nervosa.

Abriu um dos arm�rios e pegou as ta�as sabendo, que do mesmo modo que a gente preve cat�strofes, que  ia deixar elas cairem. Pegou-as de modo errado e acabou escorregando, suave e facilmente de sua m�o. Um mero segundo passou desde o momento em que cairam de seus dedos ao momento em que se fez em peda�os pelo ch�o da cozinha. Mesmo assim, nessa breve extens�o de tempo, entendeu as limita��es da possibilidade; era t�o capaz de evitar que as ta�as se quebrassem, como  evitar que seu cora��o amasse.

Naomi estava a seu lado um instante depois. Est� bem?

Julianne se virou  e olhou para os preocupados olhos dela. "Estou bem," respondeu. "� que sou uma grande desastrada."

Divers�o substituiu � preocupa��o. "Ent�o tentarei ocultar esse dado da imprensa," a diretora respondeu. "Por um pre�o."

"Espero que seja barato. Estou tentando poupar para comprar os m�veis." Julianne sorriu, consciente do fato que Naomi estava bem na frente dela.  "Estou realmente confusa," admitiu num sussurro.

Sobre?"

"Tudo."

"Ent�o iremos  devagar."

Devagar. Julianne sentiu acelerar-se seu cora��o enquanto os l�bios se aproximavam. Fechou seus olhos deixando que o momento a tirasse  do profundo buraco da d�vida. Sentiu os l�bios de Naomi tocar os seus num momento que parecia ao mesmo tempo surpreendente e irreal. Julianne n�o estava segura se estava acontecendo isto ou n�o. Mas sabia que gostava da macieza dos l�bios dela contra sua boca; gostava da forma em que corpo de Naomi se ajustava contra o seu.

Parecia a esperan�a. Sabia da possibilidade. E num momento irracional pensou quem sabe, se  tivesse tentado, agir mais r�pido, poderia ter impedido que as ta�as se quebrassem.

De repente seus pensamentos foram interrompidos pela batida na porta.


Kris odiava, com paix�o, ficar olhando uma porta fechada dois segundos ap�s bater. Odiava  saber que passou um bom tempo ensaiando,  o que diria, esqueceria tudo no instante que a olhasse. Estava nervosa, ali de p�, pensando em tudo e em nada, olhando esperan�osa e absurdamente a forma da porta de madeira.

Pensou na viagem de volta da cabana. Anthony: conduzindo com silenciosa resigna��o. Kris: escrevendo e reescrevendo um mon�logo imagin�rio. Tinha decidido se desculpar  com Julianne primeiro. Explicaria uma vers�o da verdade que nem ocultasse nem revelasse as verdadeiras raz�es de seu distanciamento.

Pensou em Anthony com uma leve pontada de pesar. Lamentando n�o ter discoberto antes que n�o o amava - e n�o podia o amar - da forma que ele desejava. Lamentando terem terminado desta forma: envarados numa s�rie de gestos torpes e frases incompletas. Foi um adeus de pontua��o incerta. Adeus? Adeus� Adeus.

E agora Kris estava ali de p� , esperando, esperando a oportunidade de se explicar, ainda que vagamente,  estava confundida e assustada; decidida entre saber e n�o desejar saber. N�o estava ali para se confessar, mas  para desculpar-se por ser covarde.

A porta abriu-se finalmente e Kris estava tensa por antecipa��o. "Oi," disse quando viu Julianne na soleira da porta. Desejava dizer muito mais que isso mas, como esperava, tinha esquecido as palavras que tinha elegido para dizer. Tinham a abandonado, como sua respi��o quando Julianne a olhou.

"Kris," disse Julianne com surpresa. "Achei que estava"

"Estava," interrompeu Kris rapidamente. "Podemos conversar?" Foi nesse momento que Kris notou que Julianne n�o estava sozinha. Naomi. Encontro. Eu esqueci, sou incrivelmente ego�sta. "Foi mal. Cheguei na hora errada," disse sentindo-se envergonhada e fora de lugar. N�o tinha ensaiado esta parte. N�o sabia o que fazer.

"Kris, voc� est� bem?" perguntou Julianne gentilmente olhando o rosto de Kris com cuidado. Julianne  pode ver que ela tinha chorado? Era �bvio?

Naomi apareceu junto a Julianne antes de que Kris tivesse oportunidade de pedir desculpas. "Eu j� vou," anunciou. "Amanh� cedo tenho uma reuni�o com os produtores." Olhou para Julianne e sorriu. "Eu te ligo.

Julianne consentiu. "T�," falou como se o ato de assentir n�o fora suficiente.

"Adeus, Kris," disse Naomi educadamente e foi embora pelo corredor.

Kris sentiu-se como uma intrusa. N�o lembrava ter sentido t�o envergonhada, em algum lugar que fosse. "Sinto muito, por isto," disse no momento que a diretora desapareceu no elevador. "Esqueci-me completamente de seu encontro.

Julianne encolheu os ombros. "N�o h� nada que sentir," disse. "Entra."

Kris tentou n�o imaginar o que poderia ter interrompido. Entrou no apartamento e olhou-o como esperando que as coisas estivessem diferentes. Notou os cacos de vidro no ch�o da cozinha e olhou-o com surpresa. O que aconteceu aqui?" perguntou.

Julianne chegou junto a ela e suspirou. "� que sou desastrada, isso � o que aconteceu," respondeu.Virou-se para Kris e olhou-a com preocupa��o. " O Que foi mau?"

Tudo, quis dizer Kris. Tudo foi mau. "N�o pude  fazer," disse em mudan�a. N�o  foi isso que vim te falar. N�o desejava falar de Anthony e o romance frustrado. Meramente tinha desejado dizer, Sinto n�o te ter procurado. Sinto n�o ter mantido nosso encontro. N�o entendo por que me afastei. Por favor n�o me pe�a que o explique. Mas tudo saiu de sua boca antes de poder parar. "Est�vamos na cama, na preciosa cabana e� fiquei paralisada."

"Era sua primeira vez, � compreens�vel," disse Julianne.

Kris balan�ou a cabe�a. "N�o, n�o era o momento. N�o foi nem temor ou nervosismo. Simplesmente n�o o desejava. N�o senti. Ao menos deveria sentir algo, n�o �?" Olhou para aos olhos azuis dela, estava segura que ela tinha pensado algo. O Que? O Que est�  pensando, Julianne? "Acha que eu tenho algum problema?"

"N�o," respondeu Julianne. "Simplesmente n�o o desejava."

Kris consentiu. "Exato," concordou. Mas n�o pode ser normal. Estava bem. "Mas tamb�m n�o desejei  Nathan," admitiu. "Talvez eu seja assexuada."

"Sim, provavelmente � isso," concordou Julianne com um sorriso. Acho que deveria ir para um convento."

Kris tamb�m sorriu. Se lembrou o que veio lhe dizer e  disse. Sinto muito pela �ltima semana. Fui uma idiota." Ficou olhando o ch�o incapaz de encontrar os olhos de Julianne; sabendo que n�o importava o que dissesse, seria mentira. "N�o estava pensando claramente."

"Tinha muita coisa em mente," disse Julianne. "Com Anthony e tudo. Tudo bem."

As palavras de Julianne encheram  Kris de culpa. Desejava, mais que nada, admitir a verdade. Mas deixaria as coisas embara�osas e incomodas e ainda n�o tinha certeza se o que sentia era real. Eu te feri!

"Viverei," assegurou-lhe Julianne. "Entendo."

Kris queria chorar, sentindo-se dividida e confusa, odiando sua incerteza e mesmo assim se agarrando a ela por uma mesma vida. Engoliu as l�grimas n�o desejando explicar suas emo��es. " Estou muito confusa," admitiu o seu pesar.

Julianne se aproximou e colocou seus bra�os ao redor de Kris, abra�ando-a fortemente.

Kris fechou os olhos relaxando no corpo de Julianne. Podia sentir o doce  perfume de Julianne. Ou Talvez fosse o  cheiro natural de sua pele. Tudo em Julianne era suave e quente. Kris queria que o abra�o durasse para sempre.

Mas foi Julianne quem rompeu primeiro o contato. "Se acha que � s� voc� que est� confusa, deveria ter-me visto antes," disse com um leve sorriso. Indicou os cacos no ch�o.

"Estou segura que deve ter sido  encantadoramente chata." Kris sorriu.

Julianne riu. "N�o estou segura de poder assumir  ser."

Chata?

"N�o, encantadora," respondeu Julianne parecendo t�mida.

"Ent�o � chata," brincou Kris. Fez um sinal para a cozinha. "Vamos, limpar este desastre."


No meio de sua ins�nia chegavam-lhe  pensamentos em fragmentos: Cacos de vidros espalhados pelo ch�o� l�bios suaves contra os dela�a batida na porta.

Julianne abriu os olhos e ficou olhando para a janela do quarto. O sol se infiltrava atrav�s das persianas fazendo sombras no ch�o. Olhou-as por um momento, concentrando-se nas formas indescifr�veis que invadiam seu tapete. Escutou o sil�ncio tentando distinguir outros sinais de vida.

Mas tudo era sil�ncio em seu apartamento. O resto do mundo era inexistente em seu trono. Era nesses momentos quando nada parecia real. Como tinha chegado ali? Como tudo isto era seu?

Aos vinte e tr�s anos tinha conseguido mais que a maioria numa vida. Ao menos isso se dizia sempre. Agora n�o tinha certeza. Ap�s tudo,  foi um lucro?

Pensou em James, o sem teto que tem estado tanto tempo na rua. Sobreviver para ele era mais lucro que nada do que Julianne tivesse ganhado.
Algum dia vou ser rica e famosa," disse Julianne a sua av� um dia. Foi a primeira de muitas vezes.

Sua av� permaneceu calada durante muito tempo, ent�o disse, "E por que � t�o importante isso para voc�, Julia? O Que vai fazer com toda essa fama e todo esse dinheiro?"

Que, na verdade.

O telefone tocou, acabando com sua introspec��o. Bom dia?" respondeu.

Eu te acordei?

Julianne sorriu ao ouvir a voz dela. "N�o consegui dormir," admitiu.

"Nem eu," disse Kris depois de um momento. "O que passa com voc�?

"Penso muito. E com voc�?"

O mesmo que voc�!

" Em Anthony?" sup�s Julianne.

"Em parte, mas tamb�m em outras coisas, disse Kris. "Estou cansada de pensar. Pensei em te  ligar para te encher logo cedo."

"Que considera��o a sua," brincou Julianne. "Andei pensando em ir comprar os m�veis hoje."

Foi isso o que te manteve acordada a noite toda?"

Julianne riu. "Sim, � um grande passo para mim." Fez uma pausa. "Quer vir comigo? Detesto fazer  compras sozinha."

"N�o sei, acho que vai ser chato?"

Julianne sorriu. "Pensarei em algo ."

"Oooh,  surpresa. Conta comigo. Que horas vamos?"

"Passarei em seu ap. por volta das 13 horas. Est� bom?"

"� um encontro, Srta. Franqui. "

Sorrindo Julianne disse, "Tchau." Desligou o telefone e colocou o rel�gio para despertar �s 11:30. Isso lhe daria tempo suficiente para se arrumar.

Bocejando, Julianne cobriu sua  cabe�a e fechou os olhos.

 Continua...

 

Parte30

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