O Lado Cego Do Amor

INGRID DIAZ

The Blind Side of Love

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 Traduzido por Fernanda

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Julianne ficou olhando seu reflexo no espelho, ficando finalmente com este conjunto. Ironicamente foi o primeiro que  tinha gostado. Mas ao final compreendeu que  n�o lhe importava se  Naomi iria gostar de sua roupa. Que diferen�a faria o que vestisse? N�o era como se Naomi fosse ter um encontro com sua roupa.

A atriz voltou-se rapidamente para seu reflexo e deu uma olhada na hora. Chegaria atrasada. Seguiu demorando com a esperan�a de que Kris ligasse eu n�o teria que ir.

N�o vai ligar, Julianne se lembrou, n�o pela primeira vez. Est� a caminho do fim de semana maravilhosamente rom�ntico com Sir, Anthony. Inspirou profundamente. "E eu tenho um encontro," anunciou ao quarto vazio. " vou chegar umas 3 horas atrasada." Que saco.

A atriz apressou-se para sair de seu edif�cio, esperando, com impaci�ncia, que o rapaz do pr�dio lhe conseguisse um t�xi. Sabia que n�o estava de bom humor. Ali�s quase tinha ligado para cancelar o encontro umas quatro vezes, mas n�o queria ficar sozinha. N�o essa noite, quando seus pensamentos indubitavelmente seriam em Kris e o que poderia estar fazendo com Anthony.

Julianne balan�ou a cabe�a tentando clarear  seus pensamentos. "Obrigada," disse enquanto um t�xi finalmente estacionava.

"Que tenha um boa noite, Srta. Franqui," disse o rapaz.

Olhando pela janela do t�xi Nova York tudo parecia distante e irreal. . �  como ela sentia : distante e irreal, reduzida a uma figura p�blica  e incompleta? Era um lugar solit�rio. Desejava ser real desesperadamente. Kris merecia  algu�m real.

Julianne suspirou, seu olhar vagava ao longo da paisagem. Perguntou-se que estaria pensando Kris nesse momento. Estava feliz na companhia de Anthony? Ele a fazia sorrir? Poderia dar-lhe tudo o que ela precisasse? E nesse caso, eu poderia aceitar ele na vida dela?

Desejava achar que sim, que podia deixar para tr�s a dor e o ci�mes. Mas no fundo de sua mente, sempre acharia que ela poderia  fazer melhor; que poderia fazer Kris mais feliz.

Mas,  ser� que podia? perguntou-se Julianne de repente. Kris seria feliz sob os olhares da emprensa? Seria feliz renunciando a sua  privacidade?

As pessoas poderiam fer�-las, separ�-las. As pessoas diriam coisas. Mentiriam para vender mais jornais. Fariam um inferno de tudo o que Julianne considerava formoso e verdadeiro, s� porque ela n�o existia no mundo deles. N�o acham que as figuras p�blicas n�o tem sentimentos, n�o amam.

Julianne baixou a cabe�a ao dar-se conta: Kris estava  a salvo nos bra�os de Anthony.

"Sessenta e oito com a Broadway," anunciou o taxista parando o ve�culo.

Sacada de seu sonho, Julianne deu-lhe rapidamente o dinheiro e desceu e sentiu o fresco ar noturno; estou pronta para meu encontro.

 

Kris ficou olhando pela janela do carro que Anthony tinha pedido imprestado de seus pais, seu olhar estava fixo na escurid�o enquanto sua mente viajava a mil quil�metros por hora atrav�s da estrada de seus pensamentos. Tinha a intranquila sensa��o de que colidiria de frente em seu futuro pr�ximo.

Ap�s sua visita ao apartamento de William, Kris tinha decidido enterrar-se nos estudos. As aulas converteram-se em seu santu�rio durante o resto da semana. Tinha evitado o set. Tinha evitado o apartamento de Julianne. O pior de tudo, tinha evitado  Julianne.

Kris sabia que tinha aceitado ir dan�ar com Julianne, mas  tinha se acovardado ante o desafio. O desejo de ir a assustou. Kris imaginou que se evitasse Julianne at� o fim de semana, estaria a salvo. O fim de semana mostraria que Anthony era  o certo  para ela. Isso � que eu espero�

Kris desviou a aten��o da janela. "Bom, que faremos esta noite?" perguntou, esperando come�ar uma conversa. Falar manteria sua mente ocupada. O sil�ncio era perigoso. O sil�ncio levava a pensar. E pensar levava � culpa. Como pude ignorar assim  Julianne? O seu  pensamento teimava em chamar sua aten��o, enchendo-a de inquietude.

"Poder�amos fazer uma fogueira," sugeriu Anthony. "E ver um filme. Trouxe alguns."

Kris consentiu. "Parece bom," lhe disse procurando em sua mente outro tema para conversar. Por que nunca sabia o que lhe dizer? A conversa vinha t�o facilmente quando estava com Julianne. AGH! "Bom, aqui tambem tem que ser assim?"

Anthony balan�ou a cabe�a, olhando para o caminho em sua frente. "Meus pais normalmente gostam de seu tempo livre para ficar� bom,  sozinhos." Sorriu jogando-lhe uma r�pida olhada. "Acho que � bonito que depois de tantos anos casados ainda consigam encontrar romance."

Kris consentiu. "Sim, isso n�o acontece com todo mundo," disse recordando do div�rcio de seus pais. "Acho que o amor verdadeiro � dif�cil de se encontrar," agregou n�o segura de por que  estava dizendo isto, sobretudo para o Anthony.

"N�o sei, �s vezes se tem sorte," respondeu Anthony. J� estamos quase chegando.

Kris olhou para a janela, notando a mudan�a na paisagem. Desejou poder sentir-se mais feliz  rodeada pela beleza inalterada da natureza.

O autom�vel veio a parar diante de uma cabaninha de madeira e Kris ficou a olhando um momento. V�rios filmes de horror vieram-lhe � mente.

"Tenho certeza que � muito menos sinistro no claro," brincou Anthony como  lendo seu pensamento. "Vamos, pegar nossas coisas. Temos uma noite de muita divers�o.

Sim, cheia de divers�o, pensou Kris e saiu do carro.


Julianne estava tentando desesperadamente prestar aten��o em tudo o que Naomi dizia, mas sua mente seguia vagando. Por que Kris n�o a procurou mais ? Tinha espantado ela? Foram �bvios seus sentimentos?
"Julianne," disse Noemi interrompendo seus pensamentos.

O que? " a atriz levantou o olhar, notando pela primeira vez que tinha estado batendo o garfo contra a mesa. Cessou o movimento em seguida  olhou para a diretora com um sorriso de desculpa. "Sinto."

"Est� bem?" perguntou Noemi, com a voz cheia de preocupa��o..

Julianne olhou pelo restaurante durante um breve segundo antes de devolver sua aten��o aos atentos olhos verdes. Preocupa-se comigo. Por que n�o posso me preocupar com ela? Por que as coisas tem que ser t�o complicadas assim? "� que estou tendo problemas para me concentrar, desculpa. Foi uma longa semana."

A diretora afirmou com a cabe�a, tomando um gole de vinho. "Quer falar disso?"

"N�o, s� s� quero deixar de pensar," respondeu Julianne desejando que fosse t�o simples.

Noemi pediu a conta com um gesto e ficou olhando para Julianne pensativamente. "Quer ir para casa?" perguntou suavemente.

Casa. Que era isso? "N�o sei se quero ficar sozinha," respondeu Julianne realmente n�o lhe importando como soava. Vai pode fazer uma id�ia equivocada, advertiu-lhe uma vozinha.

"N�o tem que ficar, disse Naomi.


Kris olhava a televis�o tentando enfocar as imagens que passava pela tela. Mas estava muito nervosa para concentrar-se. Seguia perguntando-se o que estava pensandoAnthony. Seguia perguntando-se o que ia acontecer a noite. Aconteceria alguma coisa? Eu iria permitir que acontecesse? Ainda n�o sabia.

Ao lado dela no sof� Anthony se moveu. "Quer um refri ou outra coisa?" ofereceu ele.

"N�o, obrigado," respondeu Kris mantendo seu olhar na tela da televis�o. Fazendo parecer que estava absorvida no filme, Talvez n�o tentasse nada. � seu namorado, e n�o um desconhecido. Mas parecia um desconhecido. E n�o foi para isso que  estava ali para lhe conhecer melhor?N�o estava achando que isto fosse divertido? "Anthony," disse quando ele voltou. Podemos conversar.

"Claro," respondeu Anthony desligando a TV. Se virou para encar�-la. O que est� acontecendo?

Kris se virou tamb�m, para decidir o que dizer. Sente-se estranho?" perguntou  rapidamente e disse. Porque eu estou.

"Estou um pouco nervoso," admitiu ele passando uma m�o pelo cabelo. "N�o estou muito seguro de como te ler."

Ler-me?" Kris perguntou desconcertada. Era ela um livro?

Anthony olhou-a com inquietude. "N�o quero cruzar a linha," lhe disse suavemente. "N�o quero ser um cretino."

"Oh," respondeu Kris sentindo-se dividida. "Estou tendo problemas vendo onde est� a linha," admitiu. Podemos s� improvisar?"

"Sim, definitivamente," disse e  relaxou visivelmente. Pegou a m�o de Kris e  ligou a tv e voltaram a ver o filme.

Kris olhou brevemente a suas m�os entrelazadas e inspirou profundamente deixando que seus olhos descansassem na tela da televis�o. Seu cora��o estava martelando, seus pensamentos estavam desfocados e tinha certeza que tinha deixado a raz�o e a l�gica na cidade. "Anthony," sussurrou, uma parte dela esperando que ele n�o a ouvisse.

"Sim?"

"Vamos para cama," disse olhando-lhe.


"Lamento ter sido t�o m� companhia," se desculpou Julianne sentindo-se envergonhada por sua conduta de toda a noite. "Surpreende-me que ainda esteja aqui." N�o olhou a Naomi enquanto falava, elegendo manter a vista colada em um ponto qualquer.

O fato era que desejava poder voltar horas atr�s, come�ando com n�o chegar tarde. Como resultado de seu tardio aparecimento,  tinham perdido o filme. E Naomi n�o  ficou brava. Julianne perguntou-se se alguma vez ficava. A diretora tinha um esp�rito livre; t�o calma e despreocupada. N�o parecia poss�vel que uma pessoa pudesse ser t�o tranquila.

Noemi sorriu-lhe. "Entendo que tem coisas na cabe�a," respondeu com um leve sorriso. "S� desejaria poder ajudar."

"Ajudou," assegurou-lhe Julianne olhando nos seus olhos verdes. N�o sabia como teria passado a noite sozinha. "Eu gosto de sua companhia. � que sou terr�vel para  demonstrar."

A diretora riu facilmente. "Tudo bem, Julianne. Fico feliz s� estando perto de voc�." Olhou para o alto com o coment�rio. "Sinto, prometi-me que n�o diria coisas assim."

Julianne sorriu sentindo-se adulada. "Por que?" perguntou.

Noemi a olhou envergonhada. "Porque sei que gosto bem mais do que deveria e n�o quero te assustar."

"N�o me sinto assustada," disse Julianne. "Adulada, mas n�o assustada." Olhou  e viu que seu edif�cio n�o estava muito longe. Podia sentir seu cora��o batendo.

"Bem, n�o desejo te incomodar," disse a diretora, sua voz estava t�mida mas sincera.

Por que estou sofrendo por algu�m que n�o posso ter? Naomi � perfeita. Seus pensamentos tentaram encontrar uma solu��o para o problema. N�o tinha certeza que tivesse uma boa solu��o  para esquecer Kris e quanto tempo levaria  isso? Quanto estava disposta a chegar para apressar o processo?

"Bom, chegamos," anunciou Noemi olhando para o edif�cio.

Julianne olhou fixamente para porta e ent�o  Naomi. Poderia dizer s� boa noite. Aqui mesmo. S� dou boa noite. Mas n�o queria dizer boa noite. Desejava sentir-se inteira de novo. Desejava parar a dor. Desejava mais que vazio e sil�ncio. "Quer subir?"

Continua...

Parte29

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