O Lado Cego Do Amor INGRID DIAZ The Blind Side of Love |
Traduzido por Fernanda
Parte 10
56
Kris ia ligeiramente atr�s de Anthony enquanto subiam a rampa espiral
do Museu Guggenheim. Era a terceira vez que vinham juntos e mesmo adorando
arte, Kris estava aborrecida. N�o faziam outra coisa?
"Realmente adoro esta est�tua," comentou Anthony.
Kris a olhou brevemente antes de desviar o olhar. Sempre dizia o mesmo. Adorava essa est�tua. Adorava como lhe fazia se sentir; livre, como se pudesse tentar de tudo. Sentia-se inclinada a discrepar. A fotografia n�o lhe fazia se sentir livre em absoluto. Fazia-lhe sentir presa, como um animal enjaulado no zool�gico. Era bem como se sentia nesse momento. "Acha que poderemos comer logo?" perguntou esperando que captasse a indireta.
"Claro," respondeu ele pegando sua m�o. "Quero ver mais algumas." Sorriu-lhe. "A n�o ser que esteja com tanta fome assim?"
Tentou-lhe dizer que sim, que estava morrendo de fome. Mas parecia t�o feliz ali. Como podia levar ele dali? "N�o, vamos ver as outras pe�as," respondeu pondo seus dedos ao redor dos dele. "Posso esperar."
E podia. Isto n�o era t�o mau. Por que era t�o impaciente? Talvez era por que ainda n�o tinha come�ado seu ensaio sobre Foucault e era para amanh�.
Desgra�adamente tinha estado muito ocupada passando horas no set de cinema . Era fascinante ver tudo ganhando sentido. E ver Julianne e Leigh interprerando era particularmente intrigante. O ensaio de Foucault era esquecido por sua mente nesses momentos.
Quer sair est� noite?"perguntou Anthony enquanto andavam entre a multid�o de gente.
Kris balan�ou a cabe�a. "N�o posso. Tenho o ensaio para escrever."
Anthony franziu a testa, jogando-lhe uma olhada. "Achei que ia faz�-lo ontem."
Kris tamb�m achou isto. Mas tinha-se distra�do com Internet. N�o sabia que tinha tantos sites sobre Julianne. Algumas das fotos que tinha encontrado eram� uau. Lembrando de seu namorado, que dizia uau. "Surgiram coisas para eu fazer."
Parecia defraudado mas rapidamente sorriu. " vamos comer algo," disse de repente. "De todas formas queria te dizer uma coisa.
Kris surpreendeu-se com sua r�pida mudan�a de humor. "Concordo," concordou.
Anthony a levou em dire��o oposta, passando por intermin�veis auto-retratos e pinturas.
J� longe dali foram para o Central Park. Kris realmente n�o tinha tanta fome. Insistiu que um pastel estava bom.
"Bom," come�ou dizendo Anthony, " tem planos para o pr�ximo fim de semana?"
Kris pensou um momento. Tinha algumas leituras pendente mas isso era tudo. "S� ler, por que?"
Anthony sorriu. "Bom, meus pais alugaram uma cabana no norte para o fim de semana, mas n�o v�o poder ir porque Sam tem uma coisa na escola que t�m que assistir. Ent�o disseram que eu levasse voc�."
Kris piscou tentando entender o que Anthony estava dizendo. "Quer que eu v� contigo?"
"Sim," disse Anthony agitadamente. Iremos na sexta-feira depois da aula e voltaremos no domingo a noite. Ser� t�o divertido. Teremos a cabana s� para n�s."
Tr�s dias? Tr�s dias sozinha com seu namorado numa cabana? Era� genial! Mais que genial. Era perfeito. Daria a oportunidade de passar um tempo com Anthony sem museus e essas coisas. Poderiam falar durante horas. Seria doce e rom�ntico. E o melhor de tudo, estaria longe de toda essa confus�o que ultimamente rodeava sua vida.
"Bom, o que acha?" perguntou Anthony vacilantemente, seu tom revelava preocupa��o.
Kris sorriu brilhantemente. Acho que � uma id�ia maravilhosa! respondeu lan�ado-se nos bra�os dele. "Mal posso esperar."
Anthony resplandeceu devolvendo-lhe o abra�o. "Excelente. Falarei para meus pais para que n�o cancelem o passeio."
Kris consentiu agarrando sua m�o. "E agora, onde est� meu pastel?"
"Bem aqui, minha senhora," disse Anthony alegremente.
Kris ficou olhando inexpresivamente o documento em sua tela. Depois de um momento digitou seu nome, o nome da classe, o nome do professor e a data. Estava se sentindo produtiva. Por que escrever um ensaio era uma dif�cil tarefa? O cursor piscava � expectativa, recordando-lhe uma vez mais por que era artista e n�o escritora.
Suspirou olhando para longe.
Felizmente o som da porta abrindo-se ofereceu uma bem-vinda distra��o. Oi, saudou Kris alegremente sentada na mesa da cozinha. "Chegou cedo em casa."
Leigh entrou na cozinha e deixou-se cair numa cadeira defronte a Kris. "Noemi quis rodar cenas s� com a Samantha, assim nos deixou sair mais cedo." olhou para o computador. "e-mail ?"
"Ensaio," corrigiu Kris, seu entusiasmo ao ver Leigh se foi rapidamente ante o desafortunado ensaio. � para manh� cedo."
Leigh balan�ou sua cabe�a. "N�o sei por que sempre est� nessa aula . Sua especialidade � Arte. Para que precisas disso� " uma pausa enquanto olhava o que Kris estava lendo "� Foucault?"
Kris encolheu os ombros. Nesse momento n�o tinha uma boa resposta. Talvez fosse loucura tempor�ria? Precisava de mais uma aula e esta estava aberta. N�o sabia que Teoria Liter�ria seria t�o chata?" Ficou olhando para a vida de Foucault em sua frente.
Vou arriscar, apostaria que a maioria do mundo pensa que a Teoria Lit. equivale a um festival de roncos." Leigh esticou-se e pegou as folhas xerocadas. Delas leu, "Sobre o autor ,Discurso, devemos considerar as caracter�sticas de um discurso que determina as diferen�as de outros discursos.' " Arqueou uma sobrancelha. "J� vou." Devolveu-as folhas rapidamente. " divirta-se."
Kris suspirou de novo. "Bom, o que planejou?" perguntou.
"Convidei algumas pessoas para vir aqui," respondeu. "Sinto, n�o sabia que estava fazendo seu trabalho."
"Tudo bem," disse Kris pensando como perguntar se Julianne estava entre os convidados. "Quem vem?"
Leigh parecia pensativa enquanto contava nos os dedos. "Jeremy, Steve, Kim, Ignacio e Summer."
Kris esperava disimular bem sua desilus�o. " Julianne ainda est� filmando?" encontrou-se perguntando.
"N�o. Convidei-a mas disse que n�o estava se sentindo bem," respondeu Leigh olhando para Kris com curiosidade. "Sinto," acrescentou com um risinho.
Kris ficou olhando a tela do computador para evitar o olhar de Leigh. Julianne n�o estava bem? O Que teria? Resfriado? Gripe? Algo pior? E estava sozinha naquele enorme apartamento vazio. Kris mordeu os l�bios pensativamente perdida em seus pensamentos. Isto �, at� que Leigh tossiu ruidosamente.
"Disse, alguma novidade em sua vida?"
De repente Kris animou-se. "Anthony e eu vamos sair da cidade no fim de semana.. "
O olhar surpreso na cara de Leigh n�o teve pre�o. Voc�s v�o?"
"N�s. Iremos," disse Kris, assegurando-se de enfatizar cada s�laba. "Seus pais alugaram uma cabana. Tiveram que mudar os planos e disseram para n�s irmos.
Leigh sentou-se na cadeira de novo balan�ando a cabe�a com assombro. "N�o acredito. Vai perd�-la no findi.
Agora Kris ficou desconcertada. "Perd�-la? De que est� falando?"
"N�o me diga que j� dormiu com ele e n�o me disse nada."
Kris piscou. "Dormir com� " Ent�o compreendeu o que Leigh estava dizendo. "Oh, n�o, n�o. N�o vou dormir com ele. S� vamos passar juntos o fim de semana. Ser� divertido."
"Erm..." Leigh tossiu. "Espera. Por acaso voc� disse ao Anthony que n�o fariam sexo na cabana do amor?"
"Bom," Kris disse. "N�o."
Leigh consentiu. "J� vi tudo. Ele te convidou para ir com ele, sozinha, para uma cabana no meio do nada, de novo, sozinha e n�o acha que o garoto n�o tem sexo em mente?"
Kris mordeu o l�bio inferior. "N�o pensei nisto."
"Eu sabia que n�o ia pensar nisto," disse Leigh balan�ando a cabe�a uma vez mais.
Kris olhou nervosamente para o ch�o. "Mas eu j� disse que desejava esperar at� me casar."
Leigh olhou para o teto. "Kris, voc� assiste Sex & the City. Quer que eu te conte o que aconteceu com a Charlotte?"
"� uma s�rie de TV," disse Kris pensando que Leigh estava sendo rid�cula.
Kris se ruborizou.
Olhando a sua melhor amiga Kris suspirou suavemente. Era bobagem esperar? Quem estava esperando? E se esperar seja um erro? Talvez n�o precisasse se preservar para o casamento, Talvez era s� medo. Virando para Leigh, perguntou, " Voc� j� dormiu com Jeremy?"
"Tecnicamente n�o," respondeu Leigh. Mas provavelmente ser� est� noite.
Kris n�o se arriscou em perguntar o que sinificava 'Tecnicamente n�o'. Tinha um ensaio para escrever e aqui n�o era o lugar para o fazer. Fechou o seu notebook e guardou-o em sua mochila.
Leigh observou-a silenciosamente durante um momento. "Que est� fazendo?" perguntou finalmente.
"Vou para a biblioteca," respondeu Kris ainda que parte dela sabia que n�o era para l� que estava indo. " Preciso fazer meu trabalho."
Se quiser vamos para outro lugar, posso desmarcar com eles," ofereceu Leigh. "N�o queria que eu fosse para outro lugar."
Kris sorriu. N�o se preocupe com isso. Provavelmente teria saido do mesmo jeito." Beijou a bochecha de Leigh. "Divirta-se esta noite. Tenha cuidado," advertiu-lhe ... "Voltarei tarde provavelmente, assim que�"
Leigh sorriu. "Boa sorte com esse seu Fufu."
"Foucault?" disse Kris. "Obrigada." Riu e foi em dire��o � porta. Era verdade que o ensaio tinha que ser escrito, mas tinha algu�m que precisava dar uma olhada antes...
Julianne acordou com a batida na porta. Jogou uma olhada por seu quarto durante um momento, tentando lembrar por que tinha dormido. A dor em sua cabe�a foi uma lembran�a instant�nea. A batida veio de novo e gemeu enquanto percorria o apartamento para abrir a porta.
Sua dor de cabe�a foi esquecida no instante que viu sua visita. "Oi," saudou suavemente. Tinha certeza que seu cora��o perdeu v�rias batidas enquanto seu c�rebro processava quem estava ali. "N�o te esperava."
Kris olhou-a com preocupa��o. "eu te acordei?" perguntou.
"N�o," mentiu Julianne e ent�o se deu conta de que sua desgrenhada apar�ncia a revelava. "Sim. Eu acho. Eu dormi um pouquinho."
"Leigh disse-me que n�o estava bem, disse Kris.
Julianne perguntou-se se Kris tinha vindo at� ali s� para lhe ver. O pensamento quase a fez sorrir. Se preocupou comigo. "S� estava com dor de cabe�a," respondeu.
"Forte?" perguntou Kris gentilmente.
"Estou melhor," mentiu Julianne.
Kris sorriu. "Voc� menti t�o mal," disse. "Vai me convidar para entrar?"
Julianne rapidamente a permitiu entrar. Olhou a mochila que Kris tinha pendurada em seu ombro. Est� se mudando?"
Ainda n�o," disse Kris sorrindo, balan�ou a cabe�a. "Tenho que fazer um trabalho para manh� e Leigh convidou algumas pessoas para irem l� para casa. Pensei em passar por aqui para ver como voc� estava e depois vou � biblioteca."
Julianne olhou para Kris por um momento. "Est� um pouco longe da biblioteca," disse ligeiramente, esperando n�o incomodar Kris.
Fiquei preocupada com voc�," confessou a artista.
Julianne sorriu sentindo-se �bria. Sua dor de cabe�a come�ou a desvanecer-se. "Me alegra, n�o tenho muitas pessoas que se preocupam comigo." Notou um sil�ncio inc�modo acercando-se, assim disse rapidamente, J� comeu? Porque eu n�o. Posso fazer o jantar. E voc� pode trabalhar em seu ensaio aqui, se quiser."
Kris pensou na id�ia. Finalmente, disse: que vai fazer?"
Julianne sorriu e levou a sua convidada � cozinha. O que quer comer? Estou bem abastecida."
Panquecas," respondeu Kris.
Julianne estava com sua sobrancelha arqueada inquisitivamente. "Quer panquecas de jantar?"
Sou t�o estranha?" Kris sorriu.
Julianne sorriu. "Provavelmente, podemos ser estranhas juntas. Ainda que estejamos bem equilibrada."
Kris pegou sua mochila e retirou seu notebook de dentro e colocou em cima da pia. "Sabe, realmente n�o te entendo. Gosta de comer coisas saud�veis, mas n�o aguenta fazer cinco minutos de exerc�cios."
"Bom," come�ou Julianne reunindo os ingredientes para o festival de panquecas, � muito simples. Tenho meu pr�prio nutricionista, mas esqueci de contratar um treinador pessoal." Que tipo de panquecas gostaria de comer? De, chocolate, frambuesa, queijo com goiabada..rss"
"Gosto das normais," respondeu Kris. Depois de uma pausa, perguntou, Voc� gosta de panquecas doces?
Por que? Sou t�o estranha?" Julianne sorriu arriscando olhar para aqueles lindos olhos verdes.
Kris sorriu numa forma que Julianne ficou encantada. "Onde posso conectar isto?" perguntou .
"Provavelmente ficar� melhor em meu quarto. Pode sentar na cama."
Kris ficou olhando para Julianne um breve instante. "Tem certeza que n�o estou te importunando?"
"Panquecas e sua companhia, o que mais pode desejar uma garota? disse Julianne antes de poder editar-se. Rapidamente falou, "Eu provavelmente deveria fazer a cama. A deixei desarrumada."
Kris levantou uma m�o para det�-la. "Faz a comida, eu me encarrego da cama." E ent�o desapareceu para o quarto antes de que Julianne pudesse discutir sobre isto.
Julianne sorriu, sentindo-se a pessoas mais feliz. Panquecas de jantar, pensou. Que estranha e interessante mulher. Oh, e tamb�m muito gata. N�o podia esquecer disso. A dor de cabe�a ainda n�o tinha passado, mas foi fazer as panquecas.
Nunca comeu isto de jantar?" perguntou Kris, indecisa entre ficar espantada pela revela��o e desejar dizer que estavam deliciosas. No momento optou em ficar quieta e se concentrou em dar outra mordida. Se eu pudesse, eu te contrataria como minha chef pessoal.
Julianne encolheu os ombros em seu lugar na cama. "Acho que minha M�e ficaria desesperada se soubesse que estou comendo isto,"disse. "Tamb�m n�o lhe agradaria o fato de estarmos comendo na cama. � f� desse objeto intr�nseco conhecido como mesa."
Kris sorriu incapaz de achar que a m�e de Julianne pudesse ser t�o exigente.
Julianne se concentrou em acabar de comer.
Kris apontou seu dedo para Julianne. "Comprou uma pintura de Ralph Lauren?" perguntou incr�dulamente. Depois de um momento, riu.
Foi id�ia de Adri�n," Julianne disse na defensiva. " � bonita."
Kris sorriu e terminou seu jantar. Tinha algo que estava desejando propor, mas n�o tinha ceteza de ter atingido ainda esse n�vel de comodidade com a atriz. Mesmo assim, era Julianne ou seu irm�o. Posso fazer-te uma pergunta pessoal? encontrou-se dizendo, perguntando-se se realmente conseguiria falar disso sem ficar vermelha.
O que foi?" perguntou Julianne olhando para Kris com curiosidade.
Quanto tempo esperaria para fazer sexo com algu�m que tivesse uma rela��o? disse Kris bruscamente.
Julianne piscou v�rias vezes ante sde responder. Acho que definitivamente sou a pessoa errada para me perguntar isso."
Kris estudou � atriz por um momento, se divertindo porque Julianne ficou envergonhada pela pergunta. Suponho que n�o sou a �nica. "Nunca fez sexo?" perguntou. Uma coisa era que a misteriosa Julia fosse virgem� mas Julianne Franqui?
"S� no cinema," respondeu Julianne com um sorriso t�mido. "Nunca encontrei algu�m especial, menos ainda para fazer isto."
Nunca?" Kris achava dif�cil acreditar.
Julianne olhou para � colcha. "Bom, por que me perguntou quanto tempo?"
Kris suspirou. "Vou sair da cidade com Anthony no fim de semana," respondeu tentando descifrar a rea��o de Julianne. "Leigh disse que provavelmente ele acha que vamos fazer� estou pensando que talvez deveriamos."
"Oh," disse Julianne. "Bom, se o ama?"
A pergunta pegou Kris de surpresa. Nunca tinha pensado em Anthony no que se refere ao amor. Estava por apaixonada ele? N�o tinha certeza. Talvez depois deste fim de semana saberia. "Pergunta-me de novo quando eu voltar," respondeu. "Bom, o que pensa disto? "
"Sobre?"
"Sobre dormir com ele," disse Kris.
O celular tocou interrompendo a resposta de Julianne. Licen�a, disse pegando o objeto de cima da mesinha. "Franqui," disse levantando-se da cama.
Kris pegou seu computador tentando parecer que n�o estava escutando, ainda que estava. N�o podia evitar depois de notar que era Naomi.
Na sexta-feira?" estava dizendo Julianne. "Claro, adoraria. A que horas. Est� marcado. Vemos-nos� " Riso. "N�o acredito� Tudo bem, tchau."
Rapidamente, Kris apagou tudo que tinha estado digitando que lhe fez parecer ocupada.
Quanto j� fez?" perguntou Julianne sentando-se de novo na cama.
"Aproximadamente nada," respondeu Kris suspirando. "Jamais vou terminar."
Julianne foi levantar-se. "Ent�o � melhor eu te deixar sozinha. N�o quero te distrair."
Sem pensar Kris agarrou a m�o de Julianne. "Fica," disse. Ficou olhando sua m�o, que sustentava a da atriz, ent�o a largou. "� sua cama. E n�o est� me distraindo. Simplesmente n�o gosto e n�o sei escrever ensaios." Disse isto com um suspiro. Antes que pudesse se corrigir, disse, " Vai ter um encontro ou algo assim?"
Julianne parecendo t�mida de novo. "Algo assim. N�o estou segura do que est� acontecendo."
Kris consentiu, seu est�mago fez coisas estranhas com essa resposta. "Gosta dela?"
"� bonita," disse Julianne pensativa. "Ainda n�o a conhe�o o bastante para saber se h� algo mais."
"Talvez voc� descubra na sexta-feira," disse Kris com um sorriso que realmente n�o sentia. O Que esta acontecendo comigo? Seu olhar foi at� a tela do computador. Est�pido ensaio.
Julianne abriu a manta do seu lado da cama e se deitou. "Vou dormir um pouquinho," anunciou. "Minha dor de cabe�a est� voltando."
Kris consentiu. Quer que eu vou embora. Posso fazer isto na biblioteca."
Julianne disse. "N�o me incomodo. Pode fazer aqui mesmo. Prometo n�o roncar muito alto."
Kris riu disso. "Trato feito."
Julianne sorriu.
Kris mordeu os l�bios, seu olhar pousou sobre Julianne um segundo a mais do que o necess�rio. Encantava-lhe quando Julianne sorria. A atriz tinha o mais formoso dos sorrisos. Balan�ando a cabe�a voltou ao ensaio, decidida a n�o permitir que nada mais lhe distra�sse.
Quando Julianne abriu seus olhos, a primeira coisa que notou foi a hora luminosamente
vermelha em seu despertador, 6:46. Dormiu a noite toda ? Bom, ao
menos sua dor de cabe�a tinha passado; isso foi a segunda coisa
que notou. A terceira veio um segundo depois, quando Julianne se virou e encontrou-se
cara a cara com Kris dormindo .
A respira��o de Julianne parou em sua garganta e sentiu seu cora��o disparar. Esperou uns instantes para ver se Kris acordava, mas a artista n�o deu sinal algum que ia acordar. Julianne relaxou levemente. Sabia que deveria se levantar e tomar uma ducha, mas sua posi��o atual era de longe a mais inacredit�vel para ignorar.
Incapaz de resistir a tenta��o,
Julianne afastou v�rias mechas de cabelo do rosto de Kris. Rapidamente
retirou sua m�o, assustada de ser pega, mas Kris continuou dormindo.
Deixa de olh�-la, ordenou-se. Levanta. Levanta. Levanta. Se n�o
voc� n�o vai aguentar .
Julianne suspirou caladamente. Apesar de sua escandalosa consci�ncia,
n�o podia evitar de desfrutar esse momento. Isso n�o ia acontecer
todos os dias de poder acordar ao lado da mulher que amava. Como me meti
neste enredo? perguntou-se. E por que ela tem que ser t�o linda? A atriz
estudou cada pedacinho do rosto de Kris silenciosamente, seu olhar fixo nos
suaves l�bios o bastante perto para toc�-los. Que estou fazendo?
Nervosa consigo mesma, Julianne se levantou
rapidamente da cama e se dirigiu para o banheiro.
Os olhos verdes lentamente se abriram. Kris olhou ao redor por um momento,
tentando se lembrar de onde estava. Onde est� Julianne. O ensaio. Oh,
merda, o ensaio. Kris sentou-se agarrando seu notebook. Tinha fechado
os olhos s� um segundo, ou pelo menos tinha achado que foi um segundo.
Olhou a hora. J� era!
Ficou olhando a tela do computador, desesperadamente tentando pensar como escrever mais quatro p�ginas para as nove. Ainda tinha que ir para o campus. Depois de um momento de tens�o , rendeu-se e soltou o computador. Era in�til. Simplesmente teria que apresentar o ensaio depois.
Com esse tema resolvido, bocejou e voltou a se deitar. N�o era uma surpresa que tivesse dormido. A cama de Julianne era t�o boa. Era como dormir numa nuvem branca. Mmm� pensou felizmente, seus olhos fechando-se. N�o sei como ela se levanta pela manh�. Falando disso�
Os cansados olhos abriram-se uma vez mais, desta vez levemente fechados. Escutou intensamente um barulho, tentando descifrar a localiza��o da atriz. O som de �gua caindo foi um indicador bastante claro.
Satisfeita em saber onde estava Julianne, Kris deixou seus olhos se fecharem. Mas seus pensamentos voaram para Julianne e no fato dela estar no banho. E� por que estava a imaginando Julianne na ducha? Kris balan�ou a cabe�a, tentando tirar essas imagens de sua mente. Seu cora��o estava batendo forte e n�o sabia o por que. Deus, devo estar realmente cansada.
Mas as imagens voltou do seu subconsciente. Gotas de �gua caindo em cascata pela suave pele ensaboada de Julianne� Seus olhos abriram-se inesperadamente. Piscou para o teto, sentindo-se rid�cula e excitada e como estava� excitada? "Que coisa � essa?" perguntou-se. "Preciso de caf�. Muito caf�."
Julianne saiu do banho sentindo-se aliviada. A �gua quente a tinha ajudado a clarear seus pensamentos, mas ainda estava irritada com ela mesma. Ia ter que encontrar uma maneira de afastar seus sentimentos rom�nticos. De algum modo.
Encontrando o quarto vazio, Julianne foi a procura de sua convidada. Encontrou � artista na cozinha um momento depois. "Dormiu bem?" perguntou amarrando melhor o seu roup�o ao redor da cintura.
"Estou apaixonada por sua cama," respondeu Kris apoiando-se contra a pia. " Eu n�o queria me levantar."
Julianne sorriu de repente invejando a sua pr�pria cama. Terminou o ensaio?"
Kris baixou os olhos. "N�o," respondeu com um suspiro. "Terei que o apresentar depois. Eu dormi. E a culpa � de sua cama."
"Sinto," disse Julianne sentindo-se culpada. Talvez devesse ter ido � biblioteca.
Kris balan�ou a m�o eliminando a id�ia. "Tudo bem." Olhou ao redor. Voc� n�o tem cafeteira?
"Posso sair e comprar uma," respondeu Julianne com um sorriso. "Normalmente s� bebo Coca-cola ou Sprite pela manh�."
Kris disse. "� verdade," disse se lembrando. Tem disso ainda?"
Pega uma na geladeira," respondeu Julianne. "Sirva-se. Vai a aula?"
"N�o," respondeu Kris pegando uma lata. "N�o tem sentido. Bom, quero dizer que n�o faz sentido, eu ir sem o trabalho e ent�o�paci�ncia! Encolheu os ombros tomando um gole de refri. "A que horas tem que estar no set?"
"N�o tenho," respondeu Julianne. "N�o estou nas cenas que rodam hoje."
Kris parou de beber. Ent�o por que raios estamos acordas �s sete da manh�? perguntou deixando a lata de lado. Se aproximou e pegou a m�o de Julianne, e a levou para o quarto. Sejamos pregui�osas hoje."
Julianne permitiu ser levada para o quarto, perguntando-se a que se referia Kris com "pregui�osas." Tinha certeza de que envolvia sua cama de algum modo e n�o tinha queixa disso. Desgra�adamente. "Acho que voc� n�o � madrugadora," adivinhou com um sorriso divertido.
Kris subiu na cama, soltando a m�o de Julianne. A atriz teve saudades de suas m�os juntas. "Aprecio o sono," confirmou Kris sorrindo-lhe.
Julianne ficou junto � cama um segundo. "Devo vestir alguma roupa," disse dando-se conta que estava um pouco nua para se meter na cama com Kris. "J� volto." Pegou um short e uma camiseta de sua arm�rio, e colocou, e voltou para cama.
Kris tinha-se acomodado e algo dentro de Julianne lhe doeu ante a imagem. Mas afastou seus sentimentos e deitou junto a sua amiga, tentando n�o questionar a situa��o. S� queria desfrutar dela.
Qual � a pr�xima cena que vai filmar?" Kris perguntou suavemente, movendo a cabe�a para poder olhar Julianne mais claramente.
Julianne repassou o calend�rio de filmagem mentalmente, tentando precisar onde estavam. "A n�o ser que Naomi mude de id�ia, acho que minha pr�xima cena � a que Emma diz a Elizabeth que vai casar."
Kris ficou calada um segundo. "Vai ser triste," disse.
"Era uma �poca diferente," disse Julianne estudando a cara de Kris, insegura de como se sentir nesse momento.
Kris considerou. Era," respondeu. "Aposto que tamb�m n�o � muito f�cil nos dias atuais." Ficou olhando para Julianne por um momento. "Desejaria ser hetero?"
Pegada de surpresa, Julianne vacilou. Eu desejava? Quem sabe. �s vezes. Com freq��ncia. Mas n�o nesse momento. "Desejaria n�o me sentir �s vezes como sou e desejar ser hetero," respondeu finalmente. "Mas, n�o acredito que mudasse quem eu sou."
"Isso �," disse Kris. "Eu tamb�m n�o mudaria." Fechou os olhos brevemente, ent�o abriu-os de novo. "Depois voc� faz o caf� da manh�?"
Julianne sorriu ligeiramente. O que voc� quer?"
Kris bocejou e enfocou seus sonolentos olhos verdes nos olhos azuis de Julianne. "Surpreende-me," respondeu.
T�," pensou Julianne suavemente, tendo v�rias id�ias para o caf� da manh� mentalmente. Manteve seu olhar fixo em Kris. A artista tinha voltado a fechar seus olhos. Observou e esperou , at� ter certeza de que Kris estava dormindo.
"Eu te amo," susurrou para o mundo onde residiam os pensamentos n�o ouvidos. N�o tinha desejado dizer, n�o tinha desejado pensar. Mas estava cansada e sua mente estava de novo ofuscada. Era demais, estar ali com Kris a seu lado; era muito e n�o realmente suficiente. Mesmo assim, era suficiente por agora.
Fechou os olhos, disposta a deixar sua mente descansar.
Continua...