O Lado Cego Do Amor

INGRID DIAZ

The Blind Side of Love

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 Traduzido por Fernanda

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Julianne estava na varanda de seu apartamento vazio e aspirou o  aroma da solid�o. Tinha algo estranhamente alarmante no contraste entre o barulho da cidade, que tinha deixado momentos atr�s, e o sil�ncio de seu pobremente decorado apartamento.

Pela primeira vez desde que tinha-se instalado, a desnudez do seu apartamento a incomodou. Sentia-se exposta, seu pr�prio vazio refletido nas paredes brancas e no caro tapete  branco que n�o tinham nada que mostrar por si mesmo salvo sua  beleza delicada . A �nica evid�ncia de existir uma pessoa ali estava penduradas na parede de seu quarto, cada um expressando uma delicada verdade que realmente n�o podia entender.

As pinturas de Kris lhe fascinavam; a textura e a cor, escondendo as sombras  como segredos t�citos. As delicadas pinceladas e os carism�ticos temas que se esfor�avam em revelar o que estava escondido.

Julianne entrou em seu dormit�rio e ficou frente as pinturas. N�o apreciava muito esta arte antes de encontrar as pinturas de Kris no parque. Eram lindas, como as m�os que as criou e o corpo que o acompanhava. Mas al�m disso, tinha a oportunidade de se encontrar refletida em modelos casuais e formas perfeitas.

Se virou, notando o computador que ainda descansava onde o tinha deixado. Tentou ignor�-lo. Mas contar tudo a Naomi s� serviu para lhe recordar tudo o que tinha perdido. E, apesar da bondade de Naomi, as palavras sozinhas n�o podia substituir  uma amiga.

A cama fez barulho em protesto a seu peso. Olhou para o  conte�do da p�gina. Sua caixa continha tr�s mensagens. S� uma captou seu olhar.

Olhou a data. Tinha sido enviado hoje. Por um momento, considerou a possibilidade de ter deixado acidentalmente um dos e-mails de Kris sem arquivar. Mas n�o podia ser.

Seu cora��o foi as alturas de seus pensamentos. Selecionou a mensagem e, uma eternidade depois, o e-mail abriu na tela.

Julianne leu as palavras, sua mente tentava encontrar uma explica��o racional. Uma vaga lembran�a assomou em sua mente. Tinha dado a Kris uma c�pia de seu primeiro e-mail. Era a resposta de Kris? Era a forma de Kris come�ar de novo? E nesse caso,  significava?

Depois de um momento, clicou em  responder:

 

Querida Kris (posso te chamar assim?)

�s vezes tenho a sensa��o que o mundo v� atrav�s de mim. Que v�em o que querem ver e s�. Com frequ�ncia sinto-me  sozinha numa multid�o cheia de gente. Tem momentos que um milh�o de olhos est�o focados em minha dire��o, me esfor�o por encontrar um par de olhos entre tantos que veja algo que os outros n�o v�.

Pela primeira vez em muito tempo, sua pintura fez-me sentir compreendida. E n�o posso imaginar nada mais lindo que a imagem da verdade refletida e manifestada nas vis�es emp�ticas da mente de uma desconhecida.

Atenciosamente,
Julianne Raye Franqui

 

 

"Toc, toc," disse Leigh entrando, obrigando  Kris afastar o olhar da tela do computador. "e-mail de seu pai?" sup�s Leigh, entrando no quarto.

Por reflexo, Kris abaixou a tela para que Leigh n�o pudesse ver o que estava lendo. N�o," disse depois de um momento.

Leigh parou, sentindo a vacila��o de Kris. "Est� bem? N�o pretendia espiar." Afastou-se um passo da cama. "Viu? Nada de espiar .

Kris conseguiu lhe dar um sorriso, mas era claramente for�ado. "Julianne escreveu-me," admitiu.

Leigh perguntou. "Por que? J� n�o fez o bastante? Para que  saiba, n�o  falei com ela nesta semana durante as filmagens. Bom, s� nas cenas em que contracenavamos juntas, mas n�o eram minhas palavras, assim n�o conta como uma conversa."

"Tem estado ignorando-a?" perguntou Kris, sentindo uma estranha mistura de vergonha e irrita��o. "N�o tinha que  fazer isto."  Julianne vai pensar que eu pedi para Leigh que n�o falasse com ela? ela tentou se aproximar alguma vez de voc�?"

Leigh disse. "Bom, sim. Mas eu n�o quis papo . Ningu�m se mete com minha melhor amiga e sai sem puni��o.Mesmo que seja famosas atrizes que acreditam possuir o mundo s� porque s�o ricas e formosas."

"Desde quando pensa isso de Julianne?" perguntou Kris, de repente sentindo-se defensora da atriz. A ironia n�o escapou.

Sentada na beira da cama, Leigh contemplou a Kris com s�ria express�o. "Depois de muito pensar: o que Julianne te fez  tem que ser um asqueroso ser humano para se aproveitar assim de algu�m. Quero dizer que ela mentiu durante meses. E depois veio aqui e mentiu em sua cara. Tem que ser uma bruxa bem ego�sta e egocentrica para fazer algo assim. Eu  admito, que me equivoquei com Julianne Franqui."

Kris n�o estava segura por que, mas as palavras de Leigh lhe doeram. Desejava concordar com Leigh. Desejava poder dizer que Julianne Franqui era mesmo cruel e ego�sta. Mas n�o podia se obrigar a ser a antagonista da atriz. J� n�o. "Acho que ambas est�vamos equivocadas sobre Julianne," disse depois de um momento. "N�o acho que mentiu  para me ferir ou me usar. Que ganharia com isso?

Leigh pensou um momento, depois disse, "Divers�o barata a custa de uma desconhecida sem pretens�es? Quem sabe mais o que? Provavelmente tinha um grupo de seus famosos amigos atores fazendo apostas quanto tempo levaria para voc� se dar conta das coisas."

Kris baixou os olhos. O pensamento de Julianne rindo dela fazia que lhe doesse o peito. "N�o acho que foi isso que aconteceu," susurrou. Acha mesmo que ela  faria isso?"

"Como disse, quem sabe?" respondeu Leigh. "Tudo o que sei � que te feriu. Isto �  incentivo suficiente para que eu a ignore o resto de minha vida."

Kris sorriu ligeiramente. "Obrigada. Mas ser� que pode mudar o tratamento silencioso."

"Vai perdo�-la, n�o �?" adivinhou Leigh depois de um momento.

Kris n�o respondeu. Temia em dizer sim, Leigh lhe daria uma raz�o para n�o  fazer. E desejava perdoar  Julianne, mais que tudo, desejava  acertar as coisas.

Leigh consentiu. "�s vezes acho que voc� poderia perdoar o mundo inteiro." Meio que sorriu. "� um desses irritantes defeitos que adoro em  ti."

Kris sorriu, aliviada de que Leigh n�o lhe fosse dar um serm�o dizendo que isto era um erro.

"Quer ver um filme ou outra coisa?"

"Sim," respondeu Kris. "Vamos ver o que tem de bom. S� quero�"

"Sim, sim," disse Leigh, agitando desinteressadamente a m�o e se levantando. "Diga  � falsa l�sbica que perduou suas muitas falhas." Parou. "Talvez estava te usando para criar sua personagem."

Kris abriu a boca para revelar o que Julianne lhe tinha dito. Mas no mesmo instante pensou melhor. Julianne tinha confiado nela. Apesar de tudo, a �ltima coisa que desejava era trair a confian�a da atriz. "Eu seria uma p�ssima inspira��o para algu�m criar uma personagem l�sbica," disse.

Se voc� diz" comentou Leigh j� a caminho da porta.

Kris ficou olhando as costas de Leigh, perguntando-se o que queria dizer sua amiga. Lembrando do e-mail de Julianne, esqueceu-se do coment�rio de Leigh e, em seu lugar, concentrou-se na janela aberta  na tela.


Querida Julianne,

Acho que tenho um problema oposto. Ou Talvez � o mesmo, s� que em menor grau. Geralmente n�o tenho um milh�o de olhos em minha dire��o. Mas �s vezes s� alguns podem parecer muitos.

Meus pais sempre me pressionaram muito porque eu era a �nica garota. E em alguma parte entre estarem orgulhosos de mim e ver o que fiz com minha vida, perderam a esperan�a. Agora s� rezam para que encontre  algu�m que me sustente para que eu n�o termine pedindo esmolas nas ruas.

Quando pintei esse quadro, acabava de voltar do apartamento de meus pais. Foi durante o Natal, estavam l� tamb�m outros parentes. E a todo  momento que estive ali, seguiam me perguntando o que planejava fazer com minha vida. E quando lhes dizia que desejava ser uma pintora, olhavam de imediato para o Nathan para lhe perguntar que ele iria estudar. � claro, que seu objetivo vital era ser um vencedor. No mesmo instante esqueciam-se de mim; despachada como uma futura dona de casa.

No final da festa, estava t�o furiosa e irritada que me vim para casa e comecei a desenhar. Foi mais um ato de improvisa��o. S� desejava mudar as coisas. Suponho que  minha arte � a forma de eu falar sem ser ouvida.

Se cuida,
Kris

 


Kris leu o e-mail v�rias vezes. Era a primeira vez que   tinha contado a Julianne o que lhe tinha levado a pintar esse quadro. Uma parte dela desejava apagar o e-mail e escrever, algo menos pessoal. Mas a parte que ganhou era que queria ser entendida. E, por alguma estranha raz�o, sentia que Julianne Franqui podia a entender.

 

Parte24

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