O Lado Cego Do Amor INGRID DIAZ The Blind Side of Love |
Tradu��o de Fernanda
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"Vai ligar para ela?" perguntou Julianne, sentada no sof�.
Depois de um cansativo dia de turista, os dois tinham voltado � cobertura
esgotados de tanto andar. Ainda que Adrian tinha insistido v�rias vezes
em que pegassem um t�xi, Julianne sentia que isto desvirtuar�a
a experi�ncia. Al�m disto, quase nunca conseguia passear sem ser
reconhecida.
Depois de um longo e agrad�vel banho e uma mudan�a de roupa, Julianne se jogou no sof�, onde agora se sentava com seu notebook aberto sobre suas pernas estendidas. Olhou para Adrian, que estava ocupado com seu pr�prio notebook, digitando algo. Compartilhavam o mesmo sof�, mas Julianne ocupava a maioria, obrigando a Adrian usar a mesa de caf� para apoiar as pernas. "Ol�," chamou-lhe. "Vai ligar?"
"Para quem?" perguntou, n�o parando de digitar. Os olhos azuis intensamente concentrados no que estava escrevendo.
"Pra garota."
"Que garota?"
Julianne lhe bateu com o p�, esperando um pouco de contato f�sico que o tirasse daquele mundo em que agora vivia.
"Uh?" perguntou Adrian, olhando para ela enfim.
"Vai ligar para garota que te deu o n�mero hoje?" perguntou, logo para evitar mais olhadas vazias.
Adrian eliminou o coment�rio com um n�o com a m�o e voltou a escrever. "Acho que vou me mudar para c� contigo," lhe informou. "Nova York inspira-me. Acabo de come�ar um novo roteiro."
"Que aconteceu com o roteiro que come�aste na semana passada?" perguntou Julianne.
"Ter� que esperar," respondeu Adrian. "Estou a cem por hora com este."
Julianne observou-lhe durante um momento, escutando o tranquilizante som de seus dedos sobre o pequeno teclado. Quando teve a certeza de que seu melhor amigo n�o ia mesmo lhe dar mais aten��o.
Atualmente mantinha tr�s conversas diferentes com tr�s pessoas diferentes que n�o conhecia. O importante no entanto, era que elas n�o a conheciam. A garota do Canad� achava que Julianne era uma quarentona do Peru, que fazia strip-tease e lhe iria pagar para que voasse at� l� para lhe fazer um espect�culo privado. E a garota do Texas achava que Julianne era fazendeira no Alabama.
Internet era t�o divertido.
"Eh, quanto foi esse quadro?" perguntou Julianne.
"Uns dez d�lares," respondeu Adrian.
Julianne levantou a vista. "S� isso?"
"O Que quer dizer com 's� isso'? Eram meus �ltimos dez dolares," queixou-se. "Nem todos aqui somos milion�rios, sabia."
Julianne procurou em seu bolso e achou uma nota dez d�lares. "Achei que seria mais caro," falou. "Sabe que n�o ando com muito dinheiro."
Adrian aceitou o dinheiro. "N�o me d� mais nada?"
Julianne . "N�o. Vou te dar conselho. Levanta tua bunda cansada e liga para aquela garota."
"E por que?"
"Oh, n�o sei," Julianne disse. "Talvez porque provavelmente esteja esperando? Se n�o se deu conta, se te deu seu telefone, � porque quer que lique?"
Adrian pensou. "Acha isto?"
"Homens," resmungou Julianne voltando a seu chat.
Adrian pegou o cart�o com o n�mero da garota e atirou em Julianne. O cart�o caiu em cima do teclado. "Por que n�o liga voc�?" sugeriu Adrian.
"N�o," respondeu secamente Julianne, tirando o cart�o de sua frente . Devolveu para ele. "Estava todo orgulhoso por conseguir o n�mero."
"E consegui."
Julianne negou com a cabe�a. "Realmente n�o o entendo. Tu consegues o n�mero. E voc� n�o liga"
"Por que est� armando confus�o por isto?" perguntou Adrian. Voltou a olhar para sua melhor amiga. "Poderia talvez conhecer a misteriosa artista Hmmm?"
"Faz favor," disse Julianne olhando para cima. "
Adrian lembrou. "Igual quando recebe cartas dos f�s. N�o L�. E nem responde."
"Isso � completamente diferente," discutiu Julianne.
"Como?"
"S� �."
Adrian voltou a olhar � atriz. "Proponho um trato, Srta. Alta e Poderosa. Ligarei para ela agora mesmo," sugeriu,segurando o cart�o, " e voc� vai ter que ler e responder pelo menos dez cartas de f�s nesta semana."
Julianne disse. "Dois."
"Cinco."
"Tr�s."
"Feito," disse Adrian, oferecendo sua m�o.
Se deram as m�os para firmar o trato.
Julianne pegou o telefone para ele. "Come�ar a ligar"
"Por que ele � gay?" disse Leigh golpeando a cabe�a
contra a mesa da cozinha. "� muito sexy para ser gay."
Kris disse. "Os sexys normalmente s�o gays. Rupert Everett� Ricky Martin� Elton John�"
"Ricky Martin n�o � gay," discutiu Leigh.
"Cont�nua iludida," disse Kris palmeando o bra�o de sua melhor amiga.
Leigh abriu a boca para responder. Ent�o franziu a sombrancelha. "Espera um segundo, Elton John n�o � sexy."
"Estou segura que h� quem ache," replicou Kris. "E, em qualquer caso, n�o podia pensar em outro."
Leigh suspirou, de repente recordando o tema original. "Bom, o que est� pensando de tudo isto?"
"N�o h� muito que pensar," respondeu Kris . "N�o vou discriminar e n�o vou virar as costas para ele. S� me sinto mal pelo resto da fam�lia. N�o v�o lhe tratar bem;
"Que rolo," comentou Leigh. "Acho que deveriam deixar ele ser o que quiser, N�o � o fim do mundo."
"N�o v�o ver assim. Carlos est� zangado porque pensa que criou o seu filho para ser uma donzela. E mam�e acha que William vai para o inferno. Dimitri� n�o sei. Provavelmente assusta-lhe que seus amigos saibam e comecem a tirar sarro dele."
"E William?"perguntou Leigh.
Kris franziu a testa. "N�o sei�"
Sua conversa foi interrompida de repente pelo telefone tocando, que Kris pegou . "Al�?" disse.
"Ol�," respondeu uma voz masculina. "Lembra de mim? Conversamos hoje."
Kris olhou para Leigh. "Falamos?"
"Sim, me deste teu n�mero."
"Dei?"
Uma pausa. "Talvez me deram um n�mero errado."
"Provavelmente."
"Lamento ."
"Sem problema."
"Adeus."
"Adeus." Kris desligou o telefone.
"E quem era?" perguntou Leigh .
"Engano," explicou Kris. "que acha que deveria fazer com William? Deveria ir ve- lo? Ligar? Escrever um bilhete an�nimo?"
Leigh riu. "'Querido William, escrevo-te este bilhete para que saiba que tudo bem que seja gay� '"
"Valeu, talvez eu ligue amanh� para ele," disse Kris. "Ou achas que eu devia ir em seu apartamento? Ainda que n�o estou segura do que lhe dizer."
Leigh . "Bom, poderias dizer-lhe exatamente o mesmo que diria se n�o soubesses que era gay. Estou bastante segura de que j� tiveram conversas pr�vias deste assunto."
Kris soltou um suspiro exasperado. "Tem raz�o. N�o sei por que estou querendo criar uma dist�ncia s� por isto.."
" sabe, � uma grande mudan�a. Agora, em vez de n�o saber com que garotas vai dormir, n�o saber�s com que garotos ir� dormir.
"Engra�adinha" disse Kris. "Vou ligar amanh�. S� para ver como est�."
Leigh aprovou. "Fabulosa id�ia."
Adrian desligou o telefone. "Bom, j� liguei " disse a Julianne. "Deve ter-me dado um n�mero falso."
Julianne olhou para ele. "Deveria ter perguntado por ela?"
Adrian considerou. "Bom� n�o� perguntei" Mas, de todas formas, o trato era que eu ligasse. Em nenhuma parte do contrato declara-se que eu tinha que falar com ela."
"Voc� � um golpista," informou-lhe Julianne.
Adrian atirou-lhe o cart�o. "Desfruta de suas cartas de f�s. Vou tomar uma ducha."
Julianne observou-lhe afastar-se, ent�o virou o cart�o de visital em sua m�o. Era branco simples. Na frente lia-se: "Kris Milano. Obras de arte original: pinturas � �leo desenhos a carv�o & l�piz. E-mail: [email protected]". Tamb�m tinha o n�mero de telefone. Que confiada.
Ficou olhando o endere�o do correio electr�nico durante um momento, decidindo o que fazer. S� uma nota r�pida, decidiu, abrindo sua caixa de mensagem. Notou a mensagem urgente de seu agente mas ignorou-o, clicou no bot�o de ' nova mensagem' .
Assunto: sua arte
Mensagem:
Julianne ficou olhando para o cursor, insegura de que escrever.
Mensagem:
Estimada Srta. Milano,
Comprei um quadro seu. A figura na imagem refletia tanto como me sinto �s vezes, foi como se tivesse sido desenhado comigo em mente. me responda se expoe suas obras em alguma galeria aqui, em Nova York, onde eu possa ver mais de sua obra.
Atenciosamente,
Julianne fez uma pausa. Atenciosamente quem? Olhou pelo apartamento em procura
de um nome para terminar o email. Finalmente, decidiu-se.
Atenciosamente,
J.R. Franks
De todas formas, ningu�m sabia seu verdadeiro nome. Leu novamente o e-mail
e, decidindo que era bastante discreto, o enviou.
7
Kris sentava-se � mesa de sua cozinha, na tarde do dia seguinte. Tinha passado o fim de semana inteiro evitando o temido trabalho e agora n�o tinha outra solu��o tinha que se concentrar nele.
"Concentra," disse-se, olhando fixamente para tela do computador. "Tinha fadas�." Balan�ou a cabe�a. "Shakespeare devia ter ...." olhou para o livro em suas m�os. "Titania era . Quem sabe posso falar dela. Rainha das fadas e tudo. Soa divertido. Rainha das fadas." "Preciso deixar de falar sozinha."
Chegou a escrever, "Titania, Rainha das fadas," quando o telefone tocou, interrompendo sua criatividade.
Secretamente aliviada pela interrup��o, agarrou o telefone . "Ol�."
"Ol�, linda."
Kris sorriu levemente. "Eh, Nathan."
"Senti sua falta no fim de semana," disse. "Quer fazer algo esta noite?"
Kris olhou para seu computador. "Eu at� queria, mas tenho este trabalho que estou a duas semanas tentando fazer. � para amanh�."
"Oh," disse ele, desiludido em seu tom. "Que tal nos vermos ap�s sua aula de amanh�? Podemos ir comer algo."
Kris olhou seu hor�rio da segunda-feira. "amanh� poderemos nos ver " respondeu, sorrindo. "De todas formas quero te falar de algo."
Nathan fez uma pausa. "Sobre n�s?"
"N�o, " respondeu rapidamente. "Coisa de familia."
"Falando a respeito," come�ou Nathan, "falei com teu pai . Vamos jantar na casa de teus pais na sexta-feira."
Kris sentiu-se de repente irritada.Por que sempre achavam que podiam lhe planejar a vida? E se eu tivesse algo importante que fazer na sexta-feira? Nunca pensava em me perguntar antes? "T� bom," disse, n�o desejando come�ar uma discuss�o. "Oh, eh, vendi tr�s obras estes dias."
"Isso � bom," respondeu Nathan. "tenho que ir. Estou colocando um r�dio da hora em meu carro . Dimitri vai ficar louco quando ver."
Kris tentou ignorar a pontada de desilus�o que sentiu. N�o era a primeira vez que Nathan n�o se importava com sua pintura. Sabia que ele pensava que a pintura era uma perda de tempo. "Como se meu irm�o n�o te adorasse j� o bastante," brincou
Nathan riu . "Sim, bom� mas eu adoro voc�."
Kris for�ou um sorriso que n�o sentia. "Preciso voltar ao meu trabalho" disse, n�o parando para se perguntar por que, de repente, preferia escrever seu ensaio que falar com seu namorado. "At� amanh�."
"At�," repondeu Nathan. "Quero-te."
"Eu tamb�m te quero," lhe respondeu.
Depois de desligar o telefone, suspirou. Estava deprimida e n�o estava segura por que. Olhou a tela do computador resignadamente. Talvez devesse abandonar a faculdade. N�o precisava uma licenciatura em Artes Visuais para ser artista. Pela forma em que iam as coisas, de todas formas ia casar com Nathan e ent�o n�o teria que se preocupar com dinheiro. Ia ser um advogado dos bons. Com um autom�vel dos bons. E uma vida das boas.
E uma abandona-estudos por esposa.
Fechou a janela do trabalho e se conectou com a Internet. Talvez seu pai tinha-lhe respondido. Ele normalmente lhe fazia sentir melhor. Com frequ�ncia pensava em se mudar para Calif�rnia. Mas n�o podia ir e deixar para tr�s a sua m�e e irm�o. E Carlos. E o William. E a Leigh. Oh, eo Nathan, � claro.
Duas mensagens novas.
Sorriu quando notou que seu pai tinha escrito. Ansiosamente, clicou na mensagem.
Como vai meu beb�? Espero que tenha acabado seu ensaio mas,
te conhecendo, ser� domingo a noite e ainda n�o ter� escolhido
nem o tema . Verdade? Bom, estou seguro que vai escrever algo. Porque �s
brilhante ( como teu pai).
O trabalho mant�m-me ocupado. Acabei de chegar. Estamos reconstruindo uma velha capela. Mas n�o se preocupe.
Deixar-te-ei voltar a tua tarefa
Quero-te,
Papai
Kris sorriu sentindo-se levemente melhor. Escreveu-lhe uma nota perguntando-lhe
como a conhecia t�o bem e lhe dizendo que tivesse cuidado no trabalho.
Ent�o seguiu � seguinte mensagem de sua caixa de entrada. N�o
reconheceu o endere�o.
O e-mail abriu em sua tela e examinou o conte�do, esperando que fosse lixo eletr�nico. Surpreendeu-lhe ver que n�o era. Assim o leu de novo.
"Bom, � a primeira vez," disse aturdida. Qualquer tristeza que tivesse sentido momentos antes foi, de repente, substitu�da po um bem estar. Algu�m realmente gostava de sua obra! Sentia-se t�o feliz que desejava se levantar da cadeira e dan�ar pela cozinha. Nunca ningu�m lhe tinha escrito antes. Tinham comprado seus trabalhos e dito que eram preciosos, mas perder seu tempo para lhe escrever. Uau.
Kris sentou -se melhor em sua cadeira, pondo seu cabelo por tr�s das orelhas. Mordeu o interior do l�bio, enquanto debatia que responder.
Estimado J. R.,
Que bom que gostou de minha obra. Posso perguntar qual era? Poderia te explicar melhor o que estava pensando quando a criei, se lhe interessar. Sinto n�o exponho em nenhuma galeria, mas obrigado por perguntar. Quem sabe algum dia, esse � um dos meus sonhos.
Obrigado por sua mensagem. Foi inesperada mas bem-vinda surpresa. N�o s� me permitiu dez minutos extras , mas que tamb�m alegrou o meu final de dia, por que o resto foi, deprimente.
Atenciosamente,
Kris Milano
Leu a mensagem um par de vezes, esperando que n�o soasse demasiado bobo.
Deve d�vidas se apagava ou n�o o segundo par�grafo. Ap�s
muito pensar, no final decidiu deix�-lo. Era verdade, ap�s
tudo o que aconteceu.
Email enviado, voltou a abrir o arquivo de seu pseudo-trabalho. Mas agora n�o podia se concentrar em Shakespeare. Estava muito emocionada pelo fato de receber seu primeiro e-mail de um f�.
Riu para si enquanto e pensou. "Em alguma parte por a�, tenho um f�."
8
Seu jardim estava em plena flora��o, para grande deleite de Julianne.
Tinha contratado um jardineiro para cuidar de todas suas flores, j�
que pessoalmente n�o tinha interesse nessa arte. Realmente n�o
conhecia os nomes das flores, s� lhe encantava a forma que lhe fazia
sentir ao olhar; tranquila, calma.
A �gua provocava-lhe um sentimento similar, assim que n�o era surpresa que sua casa fosse enfrente ao mar. N�o era uma casa grande, foi barata apesar que poderia ter pagado mais porque pode se permitir, era famosa em Los Angeles. Mas gostava da simplicidade. Dois dormit�rios, dois banheiros, um jardim e uma formosa vista para o mar.Era a casa perfeita. Para ela, ao menos.
Na varanda, onde atualmente se sentava com os p�s sobre outra cadeira e seu notebook em seu colo, se sentia contente. Podia ouvir som do oceano ao fundo. E suas flores sorriam-lhe com suas vivas cores servindo como brilhantes sinais de vida. N�o tinha nenhuma parte do mundo em que preferisse estar.
Ouvia Mozart tocando no som dentro da casa. Depois de um longo dia no set, finalmente tinha paz.
Se ajeitando melhor em sua cadeira, tomou um gole de ch� gelado que estava na mesa ao lado dela. Os olhos azuis ficaram concentrados com o conte�do da tela. Satisfeita com o que tinha lido, pulsou 'upload'. Com isso, seu �ltimo poema foi lan�ado ao ciberespa�o. Ningu�m sabia que era seu. E, se tivesse sorte, ningu�m jamais saberia.
Por pura curiosidade, Julianne digitou seu nome num buscador de Internet. Uma lista de websites apareceu diante dela e ficou olhando em silenciosa contempla��o. Nunca deixava de lhe assombrar que outra pessoa soubesse tanto de sua vida para construir sites em sua homenagem.
Escolheu um e clicou no link, brevemente se sentiu como John Malkovich entrando em seu pr�prio mundo no filme Being John Malkovich. Era um de seus filmes favoritos. A pureza e loucura desse filme divertia-lhe e inspirava. Mas, enquanto esperava que a p�gina carregasse, repentinamente temeu entrar num submundo onde s� existia ela..
Olhou para a p�gina. Uma foto de si mesma, de uma sess�o que n�o recordava ter feito. Tinha links de mais fotografias, biografia, rumores, fanfic de Guardian e a mais links.
"Vejamos que tenho estado fazendo ultimamente," disse sorrindo enquanto clicava em rumores "".
Outra p�gina abriu e ela examinou seu conte�do. "'Julianne admitiu , algu�m sabe mais de mim do que eu mesma, ao fim, nossa entreguei meu cora��o ao roteirista e diretor de cinema , Adrian Cruz. Os dois foram vistos numa praia da Espanha no m�s passado.'" Come�ou a rir.
"Fontes informam-nos que Julianne pode deixar a s�rie Guardian para viver uma vida religiosa. Ao que parece, interpretar um anjo abriu seus olhos � religi�o e os caminhos de Deus. Tem planejado ir no final da temporada para um Sab� na Africa.'"
Balan�ou a cabe�a, mais que divertida pelas estupidezes que as pessoas inventavam "Deveriam procurar melhores fontes."
saindo da p�gina de rumores, voltou � p�gina principal. Notou uma vota��o de fundo. "Julianne Franqui, � uma mulher quente, ou uma mega bruxa, ou ambas? Dedica um momento para emitir teu voto."
Julianne considerou-o. "Irei por 'mega bruxa' Alex," disse, emitindo seu voto. Uns segundo depois, os resultados estavam diante dela. "Ambos" estava ao 86%, para "mega bruxa" e 10% para garota quente" com um 4%. as duas.
Suspirando, saiu do website. Tinham passado dias desde que abriu seu e-mail. clicou nele. Tinha estado ignorando o seu agente algumas semanas. Era hora de saber o que quer.
Tinha duas mensagens urgentes dele a esperando. O primeiro dizia algo sobre o contrato de um filme. O segundo era uma peti��o pronta .Tinha tr�s mensagens suas na caixa de mensagem quando voltou de Nova York.
Decidindo que era melhor deixar de lhe ignorar, lhe enviou um e-mail lhe dizendo que parese o que fosse. Resolvidos os neg�cios, mudou para a pr�xima mensagem..
Para seu deleite, tinha resposta da artista. Julianne tinha gostado muito da imagem que tinha comprado em Nova York. Pindurou na parede em frente a sua cama, onde podia o admirar na privacidade de seu quarto.
Julianne abriu a mensagem.
Estimado J. R.,
Que bom que gostou de minha obra. Posso perguntar qual era? Poderia te explicar melhor o que estava pensando quando a criei, se lhe interessar. N�o exponho em nenhuma galeria, mas obrigado por perguntar. Quem sabe algum dia, esse � um dos meus sonhos.
Obrigado por sua mensagem. Foi inesperada mas bem-vinda
surpresa. N�o s� me permitiu dez minutos extras , mas que tamb�m
alegrou o meu final de dia, por que o resto foi, deprimente.
Atenciosamente,
Kris Milano
A atriz encontrou-se sorrindo diante da perspectiva de alegrar o dia de
algu�m. Olhando as flores, ficou pensando no que ia escrever.
Querida Kris (posso te chamar assim?),
Me deixaria feliz saber o que te levou a criar t�o fascinante pintura . A imagem era de uma figura de p� entre as pessoas, com seu olhar focado em distante. Atualmente est� pindurado em meu quarto para que possa olhar toda noite. Acho que � o �nico quadro em minha casa que escolhi pessoalmente.
N�o � muito frequente que consigo alegrar o dia de algu�m ou sequer fazer perder uns minutos de sua vida , me alegra poder devolver algo � comunidade art�stica. Se precisar de minha ajuda para alguma coisa no futuro, faz favor, de me dizer
Se cuida,
J.R.
Satisfeita com sua resposta, Julianne clicou 'enviar'. Repentinamente estava
de bom humor, desligou o computador e entrou em casa. Talvez fosse correr pela
praia.
9
O jantar come�ou como um assunto agrad�vel e relativamente tranquilo, ainda que Kris podia sentir a tens�o entre cada membro de sua fam�lia. At� agora, ningu�m tinha mencionado William e Kris agradecia em segredo.
Kris se serviu s� de arroz.
Sari olhou para sua filha silenciosamente um instante. "Kristina," come�ou, "s� vai comer arroz branco? Fiz toda esta comida." Assinalou os restantes dos pratos no centro da mesa.
"Eu vi m�e," respondeu Kris. "Tem muita carne. Eu j� te falei que n�o como mais carne."
"Como n�o come mais carne," insistiu sua m�e. "Vai ficar doente. Toda pessoa precisa comer carne." Olhou para seu marido. "Carlos, concordava com ela."
"Tua m�e tem raz�o, Kris," concordou Carlos. "Inclusive porque come muito pouco. Tem que comer mais tamb�m."
Kris olhou para o alto, engolindo um bocado de seu arroz. N�o ia responder sobre isto.
Rendendo-se, Sari olhou para o namorado de sua filha. " Nathan," disse passando-lhe o prato de frango e arroz, "como � entrar em Harvard?"
Nathan sorriu. "Estou muito emocionado," respondeu servindo-se. "Meus pais tamb�m est�o orgulhosos. Consegui uma boa bolsa, meu pai se alegrou por n�o ter que pagar minha universidade."
"Aposto que vai ser dif�cil para os dois," disse Sari, olhando para Nathan e Kris. "Ficar separados depois de crescer juntos."
Nathan concordou. "Daremos um jeito." cutucando o bra�o de Kris. "Quem sabe, se a Kris tiver com boas notas na faculdade, possa trasferir-se."
Kris olhou agudamente para seu namorado. Trasferir-me?
Carlos falou. " Talvez possa convenc�-la estudar algo que valha a pena," disse. "Que fa�a descer das nuvens."
"Bom, com o devido respeito, senhor, apoio a decis�o de Kris de ser artista," disse Nathan para grande surpresa de Kris. "Depois que eu me formar , ganharei suficiente dinheiro para que n�o tenha que se preocupar com trabalho. Pode ficar em casa, fazendo suas pinturinhas e cuidar de nossos filhos." Sorriu-lhe para Kris como se fosse a mais estupenda das id�ias.
Kris sentiu-se repentinamente deprimida. N�o queria ficar em casa e fazer "pinturinhas" enquanto cuidava dos meninos. Nem sequer estava segura de querer ter filhos. Era jovem ainda para ter filhos. Era jovem para casa. E era jovem demais para estarem falando essas coisas . E eu sentada e calada enquanto discutiam seu futuro entre eles.
Carlos se agitou com a conversa dos dois. "J� tinha falado de casar antes?"
Kris abriu a boca para responder, mas Nathan cortou-a.
"Ainda n�o," disse. "Mas � certamente um assunto para a se considerar antes de minha partida. Quero assegurar-me de deixar tudo certo."
Carlos assentiu e voltou a comer.
"Onde est� o Will?" perguntou Nathan casualmente, enchendo a boca com o famoso arroz com frango da Sra. Serrano. "Queria mostrar-lhe os novos auto falantes do carro."
Trocaram-se olhadas entre fam�lia. Kris afundou-se mais na cadeira, enviando-lhe a Deus uma silenciosa ora��o para manter � fam�lia sob controle.
Carlos aclarou a garganta, seu olhar focado na comida que estava comendo. "Aqui n�o se fala mais nele."
Nathan levantou a vista, seu garfo flutuando a meio caminho da boca. Lan�ou uma questionadora olhada a Kris, que encolheu os ombros.
Dimitri bufou. " ele � m�rica."
"Dimitri!" gritou sua m�e.
"Bom, � verdade," defendeu Dimitri olhando Nathan. "O grande e maravilhoso William � amigo de Dorothy ."
"Basta!" rugiu Carlos esmagando a m�o contra a mesa. A bandeja de prata sobre a mesa saltou para cima e fazendo Kris se assustar pelo s�bito ru�do. "N�o � tema para discutir na mesa."
Todos voltaram caladamente a sua comida.
Kris estava furiosa. Que tinha que discutir? William era gay. Fim. Que mais era poss�vel dizer que n�o envolvesse a presen�a de William. Com f�ria pegou um peda�o de frango.
Nem sequer estava aborrecida com sua fam�lia. Estava brava consigo mesma com sua incapacidade de se impor. Por que n�o podia lhes dizer o que estava pensando? Por que tinha que ser t�o covarde?
"Por que n�o me disseste?" gritou Nathan golpeando as m�os
no volante. "N�o teria sido t�o idiota de perguntar por ele"
"Sinto," disse Kris olhando pela janela.
Nathan agitou a cabe�a enojadamente. "Esta noite fizeste-me parecer um idiota, Kris" queixou-se. "Carlos deve-se ter ficado chateado comigo por falar do Will ."
"Isto pode ser um choque, mas o mundo n�o gira a teu redor," falou Kris.
Nathan olhou-a furioso. "Que?"
"Que queres dizer com que?" perguntou Kris, seu anterior nojo resurgindo. "Que foi aquela conversa sobre casar e ter filhos? Nunca falamos disto. E n�o vou trasferir-me para Harvard."
"Poderias entrar," disse Nathan . E j� est� tudo planejado, fim de papo."
"Que?!" gritou Kris. Desejava que n�o estivessem nesse momento num carro.
Nathan suspirou olhando para Kris. "Sinto," disse. "N�o queria dizer isso."
"N�o queria, ou n�o queria dizer em voz alta?" perguntou Kris.
"N�o queria dizer isso," declarou Nathan. "Sabe o que sinto por ti e por tua fam�lia."
"Para o carro," exigiu Kris.
Nathan olhou-a. "Que?"
"Para est� porcaria de carro, Nathan.
"Kris, se acalme , vai?" lhe suplicou. "Disse que sentia."
"Se n�o parar este carro agora mesmo, vou saltar. E se eu sobreviver vou dizer a Carlos que se negou a parar."
Nathan parou o carro. "Vamos conversar," disse.
Mas Kris j� tinha sa�do pela porta. Fechou-a inesperadamente e correu rua abaixo, para a boca do metro mais pr�ximo, desaparecendo de vista.
10
"Karen!" chamou Julianne . Ainda estava com a roupa de Kiara, asas de anjo e tudo.
Karen deu a volta, sua surpresa claramente na cara. "Sim, Srta. Franqui?"
"Ainda guarda minhas cartas?" perguntou Julianne retirando uma pluma de seu ombro.
"Ah,recebeu mais desde a �ltima vez," explicou Karen. "Mas achei que n�o queria saber."
Julianne considerou e assentiu. "Pega tr�s cartas da pilha e deixa-as sobre minha mesa. Fa�a isto toda semana."
Karen arqueou ambas sobrancelhas. "Uh, sim, Srta."
Julianne deu a volta e se dirigiu para seu camarim para mudar de roupa. "Gra�as a Deus � sexta-feira," murmurou. Tirando as asas e o resto de sua roupa colocou uma cal�a jeans e uma camiseta azul marinho. Estava no meio de atar o n� de seu t�nis quando bateram na porta.
"Entra," disse Julianne.
Karen entrou. "Tr�s cartas," disse, colocando-as na m�o para que Julianne pudesse contar. "A Srta. Loeb quer v�-la," disse a sua assistente, pondo as cartas na mesa.
Julianne suspirou. "Obrigado, Karen," disse, pondo-se de p�. Pegou a bolsa de seu notebook, sua agenda e as cartas e saiu do camarim, indo para o escrit�rio da diretor. Encontrando a porta aberta, entrou.
Gina Loeb, diretora de Guardian: A Second Chance, sentesse . "E ela se sentou."
Julianne cumpriu direito seu trabalho, pondo as cartas dos f�s em cima do notebook que estava no ch�o e do seu lado. "Que foi?" N�o tinha id�ia por que Gina queria v�-la. N�o tinha mudado as frases. Tinha chegado a tempo. E tinha feito todas suas cenas.
"Vir� gente no set na pr�xima semana," come�ou Gina. "Querem fazer uma breve entrevista."
Julianne perguntou. "Bom, mas qual � o problema?"
"Nenhum problema," respondeu Gina. "S� estou te dando um toque. Precioso trabalho o de hoje."
"Obrigada," respondeu Julianne, pondo-se de p�. "Algo mais?"
"Tenha um bom fim de semana," disse Gina.
"Para voc� tamb�m." A atriz recolheu suas coisas e saiu para pegar sua Rav4. J� dentro, deu o arranque e incomodou-se com um suspiro. Era sexta-feira noite e sentia-se ansiosa. Adrian estava filmando seu novo filme independente. Algo sobre uma palmeira e um tomate. Nunca entendia essas coisas art�sticas.
E esse era o total de seus amigos.
Seu celular come�ou a tocar. E atendeu . "Franqui," disse.
"N�o viu de quem era a liga��o?"
Julianne olhou par o c�u diante o som da voz de sua m�e. N�o queria falar agora com ela. " Te liguei."
"Quando?"
"Faz duas semanas," respondeu desejando receber outro telefonema para ter uma raz�o para cortar a de sua m�e.
Susan Frank suspirou ruidosamente. "Bom, tua irm� quer que venhas no domingo."
"Oh, neste fim de semana?" perguntou Julianne querendo golpear a cabe�a contra o volante.
"O prometeste."
Julianne assentiu. "Eu vou. A que horas?"
" �s sete. E depois depois jantaremos?. "
Tenho op��o? " contestou.
"Vemos-nos ent�o."
Julianne ficou olhando o telefone um momento antes de atir�-lo para o lado. "Eu tamb�m te quero, Mam�e. stou muito bem, Mam�e."
Acelerando decidiu visitar � �nica outra pessoa no mundo com que podia falar.
Oi, V�zinha," disse Julianne sentando-se sobre a grama. Deixou cair sua agenda . "Sei que faz tempo que n�o vinha aqui, mas j� sabes como � quando se � uma grande estrela." Riu e esticou-se para retirar uma folha de em cima da l�pide de sua av�.
Julianne p�s um ramalhete de rosas onde estava a folha. olhou para o cemit�rio e suspirou. "Deve dar um medo ficar aqui de noite," notou. "Bom, que posso te dizer que j� n�o saiba?" . "Estou terminando de fazer um filme e tenho outros para fazer. Sempre me disseste que eu seria famosa algum dia. Desejaria que pudesses me ver agora.
"A verdade �," continuou, "que n�o estou muito bem com isto . Assusta-me tanto que as pessoas veja como realmente sou, j� n�o reconhe�o meu pr�prio ser. Queria que estivesse aqui. Sempre parecia saber que dizer para me fazer sentir melhor." Pegou uma folha e come�ou a brincar com ela.
"Comprei um quadro em Nova York," disse. "� de uma mulher de p� no meio de uma multid�o, mas seu olhar � distante. Algo long�nquo. E toda a multid�o est� olhando-a, mas ela n�o os v�." "Essa sou eu. De p� entre a multid�o, mas olhando � dist�ncia.
"Tudo parecia t�o claro quando estava aqui. Podias fazer-me rir com uma s� palavra. Nem sei quando ri para valer. Conhece esse riso. Onde n�o consigo parar e, durante esses poucos segundos, tudo na vida parece perfeito. Isso � o que anseio.
" Costumava contar-te meus sonhos de ser famosa. 'Quando fosse uma grande atriz, teria uma mans�o em Hollywood e muitos empregados e muito dinheiro . Minha casa viveria cheia de convidados .'" Julianne balan�ou a cabe�a diante da lembran�a. "� uma preciosa fantas�a. S� desejaria ter algu�m com quem compartilhar."
Julianne tirou as cartas dos f�s de seu bolso. "Vou compartilhar contigo." Pegou uma e deixou as outras do lado. Abriu e tirou o papel dobrado de dentro. Em voz alta, leu, "'Querida Julianne, � realmente sexy. Tenho posters de ti por todas as paredes at� no teto. Tenho gravado cada epis�dio de Guardian. Disse para minha mam�e que ia casar contigo algum dia, mas ela me disse que provavelmente eu seria muito jovem para ti. Acha que doze anos eu ainda seria muito jovem? Eu n�o. Disse-lhe que algum dia vou ter muitos filhos com voc�. Teu f� n� 1 e futuro marido, Patrick Gordon.'"
Julianne encontrou-se rindo. "Isso foi bastante engra�ado, eh?" pegou sua agenda. Dentro encontrou seu caderno de poesia e uma caneta. Numa p�gina nova, come�ou a escrever.
Querido Patrick,
Sinto-me honrada de me achar digna de ser tua noiva. Gostaria que me enviasse uma foto sua, poderei p�-la em minha parede e ent�o estaremos igualados. Temo que doze � um pouco jovem pelo presente momento, mas quem sabe, dentro de seis anos, se ainda estiver interessado, pode me ligar. Ent�o terei quase trinta anos.Achas que trinta estarei muito velha?
Um beijo,
Julianne Franqui
Arrancou a folha do caderno e colocou num envelope novo. Para o Patrick, sorriu.
"Isso vai alegrar seu dia." Sorriu. "N�o estou t�o
mau."
Julianne abriu a segunda carta e come�ou a ler. "'Querida Kiara, Meu nome � Jennifer e tenho dez anos. Meu irm�o menor, Derek, � teu maior f�. Tem uma foto de ti junto a sua cama. Tem estado muito doente desde o ano passado . A mam�e e a papai n�o gostam de falar disso porque eles ficam tristes. Derek diz que voc� pode lhe ajudar porque � um anjo. Por favor, ajuda-lhe. Sua amiga, Jennifer.'"
Dobrou � carta e voltou-a a pola no envelope sem responder. Sem uma palavra, abriu a �ltima carta. "'Querida Srta. Franqui, nunca pensei que me pegaria escrevendo para algu�m famoso. Duvido sequer que leia isto, considerando seu apertado hor�rio e tudo isso. Mas n�o tenho nada que perder, S� desejava dizer que acho que � muito talentosa.e adoro sua forma de ser durante as entrevistas. � sincera e direta e por isso a respeito. Obrigada por ser voc� mesma. Atenciosamente, Chloe Encrespe.'"
Julianne terminou de ler e suspirou, voltando a guardar a carta com as outras. P�s-se de p� para ir embora. "Te amo, v�," susurrou ao ar. E se foi.
Fim da 1� parte