O Lado Cego Do Amor INGRID DIAZ The Blind Side of Love |
Tradu��o de Fernanda
Parte 8
48
Kris, sai logo da�! gritou Leigh, golpeando a porta. " Ela vai chegar
qualquer momento e ainda n�o tomei banho."
Kris abriu a porta quando Leigh dava outro forte golpe na porta s� que acertou nela. "Aiiiii! Leigh!" gritou Kris, segurando seu nariz enquanto a dor n�o passava.
Estou muito mais atrasada . Me deixou �gua quente pelo menos?" perguntou Leigh entarando.
Para que precisa de �gua quente? perguntou Kris, esfregando seu nariz. Deve estar uns 30 graus.."
Ouviram o interfone tocar que interrompeu o resto da conversa.
"� ela. Merda. Diga que sairei num segundo," disse Leigh e fechou a porta con tudo.
Kris prendeu melhor a toalha ao redor de seu corpo nu e suspirou. Foi at� o interfone. Quem �?
"Sou eu a Julianne Franqui," veio a resposta.
"Sobe ... respondeu, Kris. Olhou um momento pelo apartamento, assegurando-se que estava apresent�vel. Leigh tinha passado a manh� inteira limpando tudo. Realmente n�o tinha muita diferen�a. Comparado com o apartamento de Julianne, o de Kris era um lixo.
A batida na porta um minuto depois interrompeu seus pensamentos. N�o teve chance de analisar exatamente porque estava comparando o apartamento de Julianne e o seu pr�prio. N�o era vergonha ou inveja. Talvez era os dois.
"Oi," disse, abrindo a porta para a atriz. "Entra." Ficou de lado para deixar a Julianne entrar e concentrou-se em manter a toalha fixa. A �ltima coisa que precisava era dar um espect�culo para a atriz. "Acabei de sair do banho," disse se explicando. "Leigh j� vem."
Julianne sorriu levemente mas n�o encontrou seu olhar. De fato, olhou para toda parte menos para Kris. Talvez Julianne deu-se conta do que estava fazendo, e se obrigou finalmente olhar para Kris."Cheguei muito cedo?"
Kris balan�ou a cabe�a e fechou a porta. "N�o, Leigh que est� atrasada," respondeu, se sentindo culpada. "Se importa ficar um pouco sozinha, para eu me vestir?
N�o, claro que n�o!
Sinta-se em casa, disse Kris antes de ir para seu quarto. J� em seu quarto apressou-se em escolher uma roupa. Anthony logo estaria ali e ela queria estar ao menos decente. S� que, cada vez que vestia algo, se perguntava que acharia dessa Julianne. Ao final, decidiu que n�o se importava com ningu�m e vestiu um Jeans e camiseta.
Satisfeita com sua roupa, foi para a sala, onde encontrou Julianne sentada pacientemente no sof�. "Leigh ainda n�o saiu do banho?" perguntou, sentando-se junto � atriz.
Saiu respondeu, Julianne. "E voltou a entrar ."
Kris sorriu. "Vai ter que esperar alguns minutos. Ela tem dificuldade em decidir o que vestir�...
"� um problema comum," respondeu cordialmente Julianne. "Bom, o que vai fazer hoje? Vai sair?
Kris respondeu. O Anthony deve estar chegando.Vamos
sair.
"Que bom, respondeu Julianne.
Kris captou o estranho olhar que passou nos olhos da atriz, momentaneamente escurecendo a express�o normalmente indiscret�vel.
Foi um descontentamento aparente. Mas pensou se Kris havia notado.
Julianne n�o estava ansiosa pela chegada de Anthony. De fato, estava temendo. Com frenqu�ncia se perguntava como ele era. Como tratava Kris. Agora que estava t�o pr�xima de saber, queria fugir para bem longe; esconder a inveja que sentia dele.
Um momento, Julianne concentrou-se em Kris na forma que seu cabelo molhado combinava t�o perfeitamente com seu rosto. E a forma que seus l�bios formavam as palavras que dizia, o som seguido por seu significado.
No que tentava n�o prestar mais aten��o seu cora��o batia mais r�pido quando os olhos de Kris encontravam os seus. Tentava n�o pensar em Kris abrindo a porta s� de toalha. Tinha que pensar nisto depois.
Quer beber alguma coisa?" perguntou Kris. "Sei que da �ltima vez isto foi um desafio, mas te falo que, desde a sua �ltima visita, enchi a geladeira com deliciosos manjares."
Julianne teve que sorrir. Gostava da forma que Kris dizia a palavra "deliciosos". Mas atribuiu-o ao fato de estar ficando pat�tica. Ou j� era? Decidiu n�o se concentrar nisso. "Ou, deveria?"
Kris confirmou confiadamente. "P�e-me a prova."
"Eu quero um copo de leite de soja, por favor."
"Chocolate ou Baunilha?"
O sorriso de Julianne se abriu, Chocolate, respondeu perguntando-se se Kris realmente tinha leite de soja.
Vou pegar," disse Kris levantando-se em seguida para trazer a bebida.
Julianne observou a sua graciosa anfitri� ir � cozinha e abrir a geladeira. Decidiu n�o olhar mais antes de que Kris a pegasse .
Um momento depois, Kris voltou e deu uma lata de Pepsi a Julianne. "Leite de soja de chocolate," disse. Quer mais alguma coisa?"
Julianne ficou olhando a lata de refri em sua m�o e sorriu. "E eu aqui pensando que voc� n�o tinha leite de soja."
Kris balan�ou a cabe�a. "Jamais duvide de mim." Sorriu.
Julianne sorriu-lhe e encontrou-se perdida em seus lindos olhos verdes.
Desculpa... gritou Leigh saindo correndo de seu quarto como uma louca. Meio trope�ou e quase caiu, mas conseguiu se equil�brar de algum modo. "N�o queria te fazer esperar.
Julianne em seguida parou de olhar para Kris e olhou em Leigh. "N�o tem problema."
O olhar de Leigh ficava entre Julianne e Kris por um momento. Interrompi alguma coisa?" pensou em perguntar, sentando-se de frente para elas na mesa de caf�.
"N�o," Kris respondeu em seguida. Olhou seu rel�gio, depois para Leigh. "Posso ver o ensaio de voc�s?"
Leigh esperou que Julianne assentisse com a cabe�a antes de dar sua pr�pria resposta. � claro que n�o," disse. "Pode ser nossa cr�tica pessoal de cinema." Levantou-se enquanto dizia a �ltima palavra e devolveu sua aten��o a Julianne. Por onde come�amos?"
"Pela cena que vamos filmar na pr�xima semana � uma boa id�ia," sugeriu Julianne. Voc� decorou?"
Leigh respondeu. Est� tudo aqui na minha cabe�a.
Julianne de repente sentiu-se estranha. Realmente nunca tinha feito isto de ensaiar antes. Atuar sempre tinha sido uma miss�o solit�ria para ela. Inclusive quando estava rodeada de gente, nunca era consciente deles. Agora, no entanto, tudo no que podia pensar era em Kris ali.
Resignada, Julianne ficou de p� e ajudou a Leigh a mover a mesa para ter mais espa�o. N�o era muito espa�o.
Julianne procurou em seu c�rebro pela primeira frase da cena. N�o lembrava se era sua ou de Leigh.
Leigh resolveu o problema come�ando.
As frases voltavam � levemente distra�da mem�ria de Julianne e p�de continuar sem pender a pompa. "Por que est� sentada aqui no escuro?"
"Esperando."
"O que?"
Voc�!
Julianne fez uma pausa antes de continuar. "N�o pensei que estivesse me esperando."
"Provavelmente n�o estava pensando em nada ." A voz de Leigh permanecia tranquila, ainda que tinha um fio acusat�rio.
O interfone interrompeu a frase de Leigh.
Julianne devolveu sua aten��o a Kris, que estava de p� e quase pr�xima do interfone. Uma voz masculina respondeu a voz de Kris , Oi?"
O est�mago de Julianne se revirou, sabendo que aquele " Sou Eu" que respondeu foi Anthony. Num estante estaria ali. Logo saberia como ele era. No intervalo entre o agora silencioso interfone e a batida na porta, Julianne conteve a sua respira��o.
"� o namorado dela ," explicou Leigh um segundo depois. Se importa se eles continuarem a ver mais um pouquinho de nosso ensaio?"
Julianne balan�ou a cabe�a, apesar de n�o ter ouvido a pergunta. Seu olhar acompanhou a Kris at� chegar na porta. Kris bloqueava a vista de Julianne at�, quando a porta se abriu totalmente e um rapaz alto se apressou a envolver Kris num abra�o.
Ent�o a beijou.
E neste instante Julianne olhou para outro lugar.
Est�s bem? perguntou Leigh, se aproximando da atriz com preocupa��o.
Agradecida pela distra��o, Julianne olhou a Leigh. "Estou bem," disse. Algo dentro dela se endureceu, depois virou gelo. Em outra parte dentro dela, algo morreu. "Vamos come�ar de onde paramos."
Leigh consentiu e come�ou a frase de novo.
Julianne foi vagamente vendo de reolho. Kris e Anthony se sentando no sof� para observa-las . Mas n�o lhes olhou. Concentrou-se apenas na voz de Leigh e em seu vazio interc�mbio de di�logo.
Meia hora depois, Kris e Anthony anunciaram sua saida. Julianne obrigou-se a olhar para eles. Mas tudo o que viu foi as costas deles se afastando e um s�bito olhos verdes se viraram que a fez sentir um calafrio em seu corpo.
A porta fechou-se inesperadamente.
"N�o acreditei que Julianne Franqui estaba em seu apartamento," comentou Anthony no instante que sa�ram do edif�cio.
Kris n�o acreditava que j� tivesse
questionado as habilidades c�nicas de Julianne. Era incrivel a forma de
interpretar de Julianne. Cada fala, cada gesto era t�o at�pico
da atriz pelo menos na experi�ncia de Kris que n�o podia evitar
de se sentir cativada. "� realmente boa," encontrou-se dizendo
Kris por nenhuma raz�o em particular.
P�e boa nisto," acrescentou Anthony.
Kris sorriu, olhou para a cidade que a rodeava. O ru�do, o tr�fico, as pessoas, tantas belezas que tinham que ser encontradas. O coment�rio de Anthony registou-se em seu c�rebro e encontrou-se n�o se importando o que ele pensava da beleza de Julianne; n�o era mentira. "� bel�ssima," concordou.
Linda como voc�, respondeu Anthony, pegando a m�o dela.
Kris sorriu com o coment�rio, mas n�o disse nada. N�o se importava se ele achava ela linda. Ela � talentosa, inteligente, interessante? A beleza era um fator a mais ; uma inven��o da percep��o. N�o tinha valor fixo, nem perman�ncia. N�o desejava que pensassem nela como formosa� desejava que pensassem como� "Obrigada," disse finalmente, deixado o pensamento inacabado.
"Bom, o que quer fazer amanh� em seu 'anivers�rio?" perguntou Anthony, acostumado � tarefa de romper os sil�ncios na conversa.
Kris nunca percebia o sil�ncio. Seu olhar foi se encontrar o de seu namorado. Seu namorado. Era estranho chamar Anthony disso. Ningu�m al�m de Nathan tinha usado esse t�tulo. "Vou dar uma passada no apartamento de meus pais. Depois do meu irm�o e seu-" Kris teve duvida, se dizia, "seu amigo querem me levar para almo�ar."
E eu tenho voc� para jantar?"
Kris consentiu distraidamente. "Anthony?"
"Hum?"
Kris abriu a boca para falar, mas n�o pode formar as palavras: Meu irm�o � gay. Temia sua rea��o. "Fui a um bar l�sbico noite passada," disse tudo de uma vez.
Anthony olhou-a. "Por que? "
A Leigh precisava estudar a vida das l�s para o filme dela, respondeu.
Kris observou a forma em que ele olhava para o c�u. "Mas n�o
me deixaram entrar. Fiquei l� fora e depois apareceu a Julianne."
"Algu�m te paquerou?"
Kris teve que rir. "Estava sentada ao lado de Julianne Franqui. Quem me paqueraria ?"
"Eu," respondeu Anthony com soltura .
"Al�m dela?"
Anthony consentiu, apertando sua m�o. "N�o te ganho em nada.. "
A forma em que o disse foi quase convincente. Mas n�o importava. N�o se sentia competir com a atriz neste assunto t�o superficial. De fato, tinha algo quase n�o amenizante na atriz. Ir�nico, pois a atriz a intimidava muito. "Prometi que sairia amanh� a noite com Leigh, disse, de repente se lembrando.
"Posso ir ? Ou � uma noite s� de garotas?"
Kris apreciou o jeito relaxado de Anthony. Pode ser uma das garotas. Podemos te desfar�ar.
"N�o fico bem de drag queen," respondeu Anthony.
Kris procurou em seu tom um sinal de estar na defensiva. N�o encontrou nenhum. "Isso n�o sei, tem pernas lindas."
Anthony riu. "Bons genes e muito futebol." Fez uma pausa para dar uma olhada ao redor. Onde quer ir?"
"Surpreende-me," disse Kris sentindo-se uma aventureira.
"Museu?"
Kris encolheu os ombros, mas consentiu. "Claro," respondeu ligeiramente frustrada. Uma visita ao museu era dificilmente uma surpresa. Ent�o decidiu que n�o importava. Que aventura podia se ter num museu?
Julianne olhou o quarto de Leigh, perguntando-se por que tinha aceitado ficar
mais. Perguntando-se o que estava esperarando e sabia muito bem a resposta.
"� momentos como este que eu desejaria ter gravado cada epis�dio de Guardian e ter cartazes de ti por todos lados, brincou Leigh, se apoiando contra a mesa de seu pequeno escrit�rio.
Julianne agradecia que tivesse coisas mais interessantes que olhar que imagens dela. As paredes estavam pintadas num tom de azul muito forte . Contrasta com a personalidade de Leigh, notou Julianne. Era um quarto pequeno e Julianne se envergonhava de ter pensado que tinha o tamanho do seu arm�rio de casa.
Agitando a cabe�a, Julianne concentrou-se na decora��o. Surpreendeu-lhe ver umas pinturas de Kris penduradas nas paredes. Tinha uma que n�o parecia uma obra de Kris porque era muito feia mas pinturada igual com as outras.
"Esse � meu," explicou Leigh, seguindo o olhar de Julianne. "� para eu lembrar constantemente para n�o me desviar da atua��o. Claramente, n�o nasci com muitos talentos."
Julianne sorriu. "E as outras?"
"Quer dizer as que n�o s�o um asco?" adivinhou Leigh. "De Kris," respondeu. "Gosto de colecionar suas obras para que, quando seja famosa, possa dizer que fui f� desde o princ�pio. e al�m disso, sabe, s�o maravilhosas."
"Esta parece uma casa cheia de talentos."
"Obrigada," respondeu Leigh parecendo feliz e envergonhada. "Ainda
n�o encontrei o que dar a Kris em seu anivers�rio."
Quando �?" perguntou Julianne seguindo a corrente. O fato que tamb�m n�o tinha encontrado nada isso vivia em sua mente. Ainda n�o certeza de como assinar o cart�o. Julianne? Julia? Ambos? Sem nome� sem cart�o�?
"Amanh�," respondeu Leigh. "Estou um pouco atrasada.?"
A atriz disse. "�s vezes demora-se um tempo para encontrar o presente perfeito."
"Verdade," concordou Leigh. De repente, animou-se. Quer sair com a gente amanh� � noite?"
Julianne come�ou a dizer n�o, mas foi interrompida.
"oh, vamos," insisitiu Leigh. Ser� divertido! J� tem planos ou algo assim?
Deprimente veio-lhe � mente. "N�o tenho," admitiu.
Ent�o? persitiu Leigh.
Julianne olhou a suplicante cara de Leigh e cedeu. T�, eu vou," disse perguntando-se o que a possu�a para seguir cavando sua pr�pria tumba.
E sabendo muito bem a resposta.