O Lado Cego Do Amor

INGRID DIAZ

The Blind Side of Love

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 Tradu��o de Fernanda

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47

"Durante os tr�s dias seguintes,"  Naomi Mosier, passou olhando  o roteiro em sua m�o; Hoje a tarde eu tenho  uma importante reuni�o na Calif�rnia, ou seja ter�o o dia livre. Na segunda-feira pela manh� come�aremos a filmar as cenas de 1920.  Julianne, Leigh, Alexa, John, Kevin e Samantha, voc�s tem o final de semana livre.

A diretora parou para olhar ao redor . "Perguntas?" Quando ningu�m respondeu, continuou. "Julianne e Samantha," esperou at� que as duas atrizes a olhassem, "vamos deixar as cenas mais�quentes� para o final. Darei a  oportunidade de se conhecerem melhor. Come�aremos devagar." Deu uma olhada para Leigh. "As tr�s" Indicou Leigh, Julianne e Samantha. Suas personagens s�o muito pr�ximas. Espero que possam construir algum tipo de rela��o, que fiquem amigas, vai ajudar seus personagens.
 
Julianne olhou para Leigh, que parecia que ia desmaiar. N�o tinham tido oportunidade de conversar com ela a manh� toda, mas a forma em que Leigh seguia evitando seu olhar era boa indica��o de que Leigh ao menos recordava os acontecimentos da noite anterior.

Julianne devolveu sua aten��o a Naomi. Desculpa ter te arrastado ao set s� para suportar o meu aborrecido discurso. A diretora podia ter lhe dito por telefone. Principalmente,  porque n�o dormiu� outra vez. Era por culpa sua mesmo. Mas esse fato n�o lhe deixava menos resmungona. Planejava ir para casa e dormir at� a segunda-feira.

Quando Naomi terminou de falar, deixou  todos irem menos  Julianne e Leigh e os dois atores principais. "Posso falar com voc�s," perguntou a diretora, para Julianne e Leigh.
Julianne se perguntou se tinha se metido em problemas. N�o podia ter feito nada ali sentada. "Claro," respondeu e seguiu � diretora para longe do resto das pessoas. Leigh seguiu elas. "Temos que  ficar caladas?" perguntou Julianne.

Naomi sorriu e balan�ou a cabe�a. Seus cabelos loiros cairam sobre seus olhos e o afastou mecanicamente. "S� queria saber se as duas est�o bem," disse. "Parecem� cansadas."

Tive uma m� noite."

"N�o pude dormir."

Ambas respostas sairam ao mesmo tempo e Naomi aceitou. "Bom, espero que tenham uma boa noite de sonho at� segunda-feira. Vamos come�ar com uma cena entre as voc�s duas. P�gina quarenta e dois. Decorem o texto." Deu uma palmadinha no bra�o de Julianne,e olhou para  Leigh e isto � para  voc� tamb�m...

Julianne olhou a Leigh. Finalmente, perguntou. Como voc� est�?

"Como se tivesse  sido atropelada por um caminh�o," disse Leigh, gemendo ligeiramente. "Uma e outra vez.". Bocejou. "Estou exausta e nem come�amos a filmar nada."

Julianne concordou. "Vai ficar bem," disse. " Depois de um bom caf� e cama vai acordar como nova."

Leigh estava de acordo.  Olhou ao redor por um momento e ent�o olhou para Julianne. "Obrigada por ajudar-me ontem � noite e fazer companhia a Kris."

"Foi um prazer," disse Julianne, tentando n�o parecer feliz. Por dentro, Julianne se sentia radiante por ter conseguido passar tanto tempo com Kris. Mas n�o  podia dizer  isso a Leigh sem levantar suspeitas. Assim  permaneceu calada.

Leigh passou uma m�o por seu cabelo e mordeu o l�bio inferior nervosamente. Parecia que queria dizer algo, Julianne esperou.

Finalmente, Leigh disse, "Isto pode ser um pouco bobo, mas sou novata no cinema,  ser� que podiamos nos encontrar antes de segunda-feira para ensaiarmos nossas cenas? Estou tendo um pouco de dificuldade com o ritmo e  n�o quero fazer feio diante de todos�"

Julianne n�o sabia o que dizer. Por uma parte, provavelmente significava passar mais tempo com Kris ou, pelo menos, com Leigh. Por outro lado, significava� mais confus�o. Oh, a quem estou enganando? � mais que complicado. Oficialmente � um drama l�sbico. "Soa bem," encontrou-se dizendo. "Quando�e  onde?"

Leigh disse. "Amanh�? No meu apartamento, j� sabe onde �. A n�o ser que prefira em outro lugar. N�o me importo.

Em seu apartamento est� bem," respondeu  Julianne, tentando n�o parecer contente demais. Kris poderia n�o estar l�. Provavelmente saira com Anthony. Tentou n�o pensar muito nessa possibilidade. "A que horas?"

"Quando est� livre?"

Julianne fingiu considerar um hor�rio inexistente. "Planejo dormir at� as quatro. Qualquer hora ap�s isso, est� bom para mim."

"�s cinco pode ser?" perguntou Leigh. "Ou a seis� ou a sete�"

Julianne tentou n�o  rir. Leigh era bastante divertida, inclusive quando n�o estava tentando  ser. "Cinco." disse. Nos vemos amanh�.

Leigh concordou. "Sim, at�, amanh� �s cinco, em minha casa."

Num impulso, Julianne pegou sua bolsa e pegou  um pequeno bloco de anota��es e uma caneta. Marcou o n�mero de seu telefone e de seu celular. Se acontecer algo que n�o possa, me liga" disse, lhe dando o peda�o de papel. "At� manh�."

"Tchau, disse Leigh.

Julianne balan�ou a cabe�a a caminho de seu carro. Beijei a sua melhor amiga.  J� coloquei a m�o no bolso de sua melhor amiga . E dei meu telefone a sua melhor amiga. Estou fazendo tudo isto com a pessoa errada.


J� est� em casa ,t�o cedo," comentou Kris sentada na cozinha.

Leigh foi direto a cafeteira. Tinha decidido seguir o conselho de Julianne. Caf� e cama. Divino. "Vamos come�ar a filmar na segunda-feira pela manh�. Assim  estou livre at� l�." Espero que n�o se importe, mas  pedi a Julianne para vir aqui amanh� para ensaiar comigo."

Kris paralisou-se levemente com o que ouviu. "Vem aqui?"

"Sim," respondeu Leigh. Tudo bem? J�  que ela sabe onde moramos." Pareceu momentaneamente preocupada. "N�o fiz nada horrivel ontem � noite?"

"N�o, disse Kris distraidamente.

Leigh perguntou. N�o  quer que ela venha, ou n�o,  fiz nada vergonhoso?"

"O �ltimo," disse  Kris. Ficou olhando para Leigh.

"N�o me importo, se ela vir" disse. De fato, estava levemente emocionada com a perspectiva de v�-la de novo. "Fomos comprar algumas coisas para ela comer ontem � noite," encontrou-se dizendo. Pela manh� n�o pude te falar sobre os acontecimentos  de ontem. Voc� saiu antes que eu acordasse.

Leigh sentou-se , soprando seu caf�. Fomos ? N�o me lembro."

" Voc� n�o foi, s� Julianne e eu."

Isto captou a aten��o de Leigh. " O Que?"

"Pediu-me que fosse comprar alguma comida com ela depois que voc� j� tinha ido dormir," relatou Kris. "E depois me levou ao seu apartamento e trouxe-me para casa de carro."

Leigh ficou muda. Foi fazer compras com Julianne Franqui?"

Kris riu ligeiramente e concordou. "Isso foi estranho." Levantou-se da mesa para lavar a lou�a do caf� da manh�.

"E depois ela  te levou no apartamento dela," repetiu Leigh.

Sim, ela ainda n�o desencaixotou nada.  Mas, a vista � maravilhosa. As janelas v�o do ch�o ao teto. Aposto se encostar nelas,  da para sentir como se estivesse  flutuando sobre Nova York." Tudo tem cheiro de novo. Nunca vi nada assim antes. T�o de perto, ao menos."

"Acredito," disse Leigh, mas n�o parecia particularmente feliz com isto. De fato, parecia aborrecida. "E para terminar te trouxe para casa?"

Sim, Kris respondeu. "E ficamos presas num congestionamento enorme porque um t�xi atropelou uma pessoa de  bicicleta. Foi um acidente muito feio." Quando Leigh n�o comentou nada, Kris franziu a testa. Tudo bem?

Leigh encolheu os ombros. "Sim," tomou um gole de seu caf�. "Incr�vel." Fez uma pausa e olhou para baixo. Sabia que eu n�o estava bem ontem � noite e saiu sem se importar que fiquei sozinha.

Kris n�o sabia o que dizer. Leigh estava brava com ela s� por isto? "Est� falando s�rio?"

Sim, Leigh respondeu, com os olhos cheio de dor. "Achei que se preocupava um pouco mais comigo mas n�o se importou e foi correndo atr�s da Julianne Franqui."

Kris agora  se irritou tamb�m. "N�o tenho culpa se voc� bebeu todas ontem � noite como uma idiota. E foi voc� que me deixou sozinha l� fora por horas...

Voc� me mandou entrar, que iria ficar bem!" gritou Leigh. " Eu n�o queria te deixar l� fora sozinha.

Kris balan�ou a cabe�a, perguntando-se de onde tinha sa�do esta discuss�o. "N�o quero brigar por isto. � est�pido."

Agora meus sentimentos s�o est�pidos? Leigh respondeu, levantando-se da mesa. "Muit�ssimo obrigado. "

N�o foi isso que eu disse, falou Kris, j� mais calma. E  por que ficou nervosa com isto? Se eu tivesse sa�do com Anthony n�o estariamos tendo esta discuss�o."

Isso disse, Leigh. "Tem raz�o," disse depois de um tempo. "N�o me aborreceria se tivesse saido com Anthony."

"Ent�o, qual � o problema?" perguntou Kris.

Leigh suspirou e colocou a m�o na cadeira. Fiquei com ci�mes

De que?

"N�o  sei," disse Leigh suavemente. Encolheu os ombros e olhou para Kris. "Porque o certo seria, que ela e eu deviamos nos conhecer melhor. Quero dizer vamos trabalhar juntas, e n�o voc�"

Kris sentiu essas palavras a machucarem em mil lugares diferentes. Tem ci�mes de que eu passe  mais tempo com Julianne, do que voc�? "J� entendi , disse tentando deixar sair para fora a dor em sua voz.

Leigh respondeu.  Kris  voc� sabe como �  importante  este filme para mim. Para minha carreira. N�o seja assim. Isso n�o � importante para voc�."

N�o � mesmo. Kris enxugou as l�grimas e disse, "Vou ligar para o Anthony. N�o se preocupe, amanh�  n�o vou ficar no meio de voc�s. Ent�o poder� se tornar a melhor amiga dela como quer.

"Kris," chamou Leigh.

E Kris foi para seu quarto e fechou a porta sem dizer uma palavra.

Julianne olhava  fixamente o teto a uma hora e vinte e tr�s minutos. Tinha conseguido dormir algumas horas, mas pensamentos com a Kris acordaram-na.

Apaixonei-me por uma garota hetero. Uma garota hetero com namorado. Uma garota hetero que n�o sabe que tem conversado comigo atrav�s de e-mails durante cinco meses. Gemendo, cobriu a cara com uma almofada e gritou.  Com isto n�o resolveu nenhum de seus problemas. Mas s� serviu para fazer sua garganta doer.

Jogou a almofada para o lado e pegou o telefone. Ia ligar para outra  �nica  pessoa neste mundo que podia ajuda-l�.

"Karen?" perguntou Julianne quando algu�m atendeu.

"Oi, Julianne," respondeu Karen.

Julianne sentou-se em sua cama e concentrou-se no que estava a ponto de dizer. "Tenho um grande problema," anunciou.

"Espero que sua mudan�a tenha chegado direito, porque juro que irei reclamar na empresa que contratei para levar suas coisas"

"N�o, n�o," interrompeu a atriz. "N�o � nada disto. � um problema pessoal."

Isto confundiu  Karen. "Perd�o?"

Julianne suspirou fundo. "Alguma vez se apaixonou por uma mulher hetero?"

Fez um sil�ncio muito longo do outro lado da linha.  Julianne, se isto � sobre o que te disse naquele dia, jamais  eu sonhei em com cruzar essa linha contigo.

Ia ser uma longa conversa, deu-se conta Julianne de repente. "N�o, tem haver com aquela conversa, quero seu conselho sobre  o que fazer. Como fa�o para  converter uma pessoa?"

Sil�ncio de novo.  "Estou muito desconcertada, Julianne. Est� apaixonada por  um homem gay ou algo assim?"

Se Julianne n�o estivesse t�o nervosa, teria rido. "N�o exatamente," respondeu. "Estou apaixonada por uma garota hetero."

Longa pausa. Muito longa pausa. T�o longa que Julianne se perguntou se Karen ainda estava na linha.

Karen, est� a�, perguntou Julianne.

A voz de Karen foi surgindo e respondeu finalmente. Sinto, pensei que te ouvi dizer que estava.....n�o completou a frase.

"Sou l�sbica," Julianne disse, essas palavras soaram estranhas em seus l�bios. N�o era algo que estivesse acostumada a dizer. Mas n�o tinha tempo para ficar enrrolando ainda mais as coisas. Continuou. "Voc� � a unica l�s que conhe�o, ent�o � minha �nica esperan�a de salva��o."

Entendi, disse Karen.  Julianne?

Sim,

Voc� pode voltar a me ligar daqui uns cinco minutos?" perguntou Karen.

Julianne de repente envergonhou-se. Perguntou se tinha interrompido algo. "Sim. Posso voltar a te ligar em outro momento. N�o me dei conta que estava ocupada."

"N�o, n�o estou ocupada," Karen respondeu em seguida.

Tenho que absorver esta informa��o� mas n�o estou ocupada. S� cinco minutos."

T�, te ligo daqui a 5 minutos respondeu Julianne. Desligou o telefone e deixou sobre seu est�mago. Olhou a hora em seu despertador. Passou um minuto� dois� Julianne nunca  tinha dado conta do longo que podia parecer um minuto. Tentou calcular que idade tinha em minutos mas parou depois de compreender que isto era muito idiota. Finalmente, passaram cinco minutos. Para assegurar-se, esperou dois minutos a mais.

"Oi, Julianne," respondeu Karen. "� que eu tive que gritar um pouco e pensei em te poupar disto. J� estou melhor. Bom, garotas heteros?"

Julianne nem se arriscou a pergutar por que Karen tinha que gritar. S� uma garota hetero, o que eu fa�o?"

"Hmm," Karen disse, pensativamente. "Bom, � complicado. Mas h� um rem�dio ."

Fala. "Estou escutando."

"A primeira coisa a fazer �, Karen  parecia estar lhe ensinando uma li��o valiosa, "vai para o banheiro, deixe o chuveiro frio, entre na �gua fria e pense na garota v�rias vezes. Ent�o, pegue uma foto  dela, e cole na parede e ent�o bata em sua cabe�a repetidamente enquanto a olha."

Em algum momento da sugest�o sobre bater na cabe�a, Julianne deu-se conta de que Karen estava brincando com ela . E Suspirou. "Estou perdida.

Est� muito perdida, disse Karen. "Mas, se te  faz sentir  melhor, minha namorada tamb�m era hetero quando a conheci."

Ent�o  h� esperan�a para mim?" perguntou Julianne.

"De vez em quando, se tiver sorte," respondeu Karen. "E, se as coisas n�o derem certo com esta garota, sempre ter� a Naomi."

Julianne arqueou a sobrancelha. "Quem?"

Sua diretora," respondeu Karen. "N�o notou ela babando por voc�?"

Nunca tinha notado. Julianne estava certa disso. Franziu o cenho a uma lista de fatos sobre Naomi Mosier. "Mas ela est� saindo com um produtor� como se chama� Bob alguma coisa."

Karen riu-se. "E  voc� sai com Adrian. O que diz ? D� no mesmo, ela gosta de voc� a muito tempo. Perguntou-me se eu achava que ela teria alguma chance contigo, lhe disse que de jeito nenhum. Uups, agora j� n�o sei. Minha namorada estudou com ela e ainda s�o amigas. Ela vem muito a minha casa. Quando nos disse que ia tentar te conseguir para este filme, lhe disse s� em sonho, ela aceitaria.

Hmm. E  Samantha Chelsom? Que vai interpretar a Emma. Tamb�m � gay?"

"N�o, totalmente hetero, respondeu Karen. Eu acho que est� comprometida. Acho que todos os demais s�o hetero. Que eu saiba." Fez uma pausa. � em Samantha  que est� interessada?"

Julianne respondeu. N�o ...  Samantha Chelsom  n�o �  feia nem nada, mas sua personalidade me repele. "Ela � muito fresca" disse, e pensou em Kris. Sorriu ligeiramente, ent�o controlou-se. "Ontem passou vinte minutos discutindo sobre um batom com seu assistente. Definitivamente n�o � meu tipo."

Karen riu. "Sim, eu ia dizer isto tamb�m�"

Julianne suspirou caladamente e olhou fixamente uma vez mais o teto. Depois de um momento, disse: Karen, meu problema vai al�m do fato dela ser hetero�"

Ent�o me diz?"

Julianne inspirou profundamente e soltou toda a hist�ria. "Bom, eu estava no Washington Square Park com Adrian�"

 

Kris ignorou as primeiras duas batidas em sua porta, ent�o deu-se conta que estava sendo infantil. N�o � como se Leigh n�o soubesse que ela estava ali. "Entra," disse finalmente.

Leigh entrou no quarto, e fechou a porta. Apoiou-se contra a porta, como se tentasse  ficar longe de Kris como fosse poss�vel. Desculpa, disse. "Fui uma completa imbecil."

Kris estava de acordo com isso. Mas recusou falar com sua melhor amiga at� que tivesse uma desculpa melhor. A aceita��o era s� o primeiro passo para resolver esse problema, depois de tudo.

Leigh suspirou quando notou que Kris n�o ia aceitar suas desculpas, t�o facilmente. "Pensei e compreendi que n�o me importo se passa algum tempo com Julianne. Estava sendo mesquinha e ego�sta e� e sinto muito. � este filme� deixa meu c�rebro desbocado. N�o consigo pensar direito." Procurou nos olhos de Kris alguma esperan�a de ser perdoada. "N�o sei o que se apoderou de mim. Talvez deve ser por causa da ressaca� ou s� idiotice tempor�ria."

Kris suavizou seu olhar. Apesar de tudo, entendia. Mas n�o sabia o que dizer.

"E amanh� quero que fique aqui," Leigh continuou falando, e se sentou � beira da cama. Esperou um momento, Talvez para ver se Kris  iria mandar ela se levantar. Quando Kris n�o disse nada, Leigh ficou. "Fiquei com ci�mes porque voc� conseguiu passar um tempo com ela e eu n�o. Fiquei com ci�mes de voc� ter se divertido com ela. Quero dizer, se voc� ficar amiga de Julianne Franqui, e quando eu ficar famosa n�o vai nem ligar, porque j� tem uma amiga famosa." E come�ou a rir.

"Sempre ser� minha melhor amiga, sendo famosa ou n�o " respondeu Kris. "Todas as Julianne Franqui do mundo n�o poderiam mudar isto."

Leigh sorriu, ent�o olhou para Kris. Estamos bem?

Kris fez uma r�pida revis�o de seus sentimentos e encontrou-se falando. Acho que sim, disse.

Que bom! disse Leigh, parecendo aliviada. "Ent�o vai ficar aqui amanh�?"

"Fiz planos com Anthony," Kris respondeu. "Talvez possamos ficar um pouco. E ver um pouco de seu ensaio.

Leigh animou-se. "Seria muito bom," respondeu. "Pensei que n�o nos  interessavamos por  coisas gays."

Kris suspirou, apoiando-se contra sua almofada. "Eu tenho que falar com ele sobre isso? � t�o estranho. N�o disse nada espec�fico, mas de vez em quando ele faz esses coment�rios. E � t�o�" Procurou no ar a palavra correta e finalmente disse� irritante.

"Problemas no para�so?" questionou Leigh.

Apenas um olhar  foi tudo o que Kris demonstrou. Ent�o agregou, "� um rapaz muito legal, mas n�o estou sentindo."

"Sentindo exatamente o que?"

Kris falou. "Paix�o?" disse com incerteza. "N�o sei. Quando estamos juntos nos divertimos muito e adoro falar com ele de arte porque sabe muito. Mas para al�m disso� � como�" Fez uma careta para transmitir suas emo��es, mas n�o ilustrava bem o que queria dizer. N�o sinto nada quando me beija," terminou falando.

Do mesmo jeito que se sentia com o Nathan? perguntou Leigh.

Exatamente igual! exclamou Kris. "Esse � o problema. � como beijar uma parede ou algo parecido com isso."

Leigh riu. " Talvez voc� deva ensinar como eles fazerem direito." Deu umas palmadinhas na m�o de Kris. Quem sabe eles aprendam. Ao menos ele te atrai?

Kris considerou a pergunta, tra�ando uma imagem de Anthony em sua mente. Era atraente. � atraente. "Eu acho."

Acha? Leigh perguntou. Deveria saber se seu namorado te atrai?"

Kris n�o tinha certeza do que sentia por Anthony. Se era atra��o? N�o sei, estou confusa.

Quer alugar um filme?"

A bruta mudan�a de assunto surpreendeu Kris por um momento, at� que se deu conta que preferia ver um filme que seguir falando de seus sentimentos por Anthony. "Claro," respondeu.

"Mas n�o quero ver filmes l�sbicos," Leigh advertiu. "N�o quero saber nada l�sbico at� amanh�. Vamos ver um romance hetero. Algo com Brad Pitt� ou Antonio Bandeiras."

"�  justo," disse Kris confirmando, e deitou em sua cama. "Mas voc� me convida. Ap�s tudo o que me fez hoje.

Leigh sorriu. Voc� � minha convidada!


Julianne estava sentada no ch�o da sala, olhando fixamente a vista de Nova York. Os edif�cios envolvidos em luz olhavam para ela, ainda que ambos eram igualmente indiferentes um para o outro.

O conselho de Karen tinha sido simples: Diga a verdade para Kris.

A simplidade de seu conselho e a complexidade de lev�-lo a s�rio estava em guerra com sua mente. Como? Quando? Onde ? Que responderia? Me sinto muito mais mal agora.
A atriz fechou os olhos e concentrou-se  em tudo o que tinha criado. Tinha v�rios, mas todos podiam se classificar em tr�s categorias diferentes: 1� categoria Kris a odiaria; 2� categoria Kris n�o me odiaria, mas n�o me perdoaria; e finalmente a 3� categoria Kris me perdoaria e seriamos feliz para sempre.

In�til, deu-se conta Julianne depois de um momento. Pensar em tudo isto era in�til. Sem saber de verdade qual seria a rea��o de Kris, tinha que  fazer. Era o correto a fazer. Era a �nica a fazer.

Julianne se levantou e foi para janela, n�o sabendo o que estava  procurarando na viva NY. Sentia-se distante, estando ali, flutuando em cima da realidade. O ch�o parecia t�o long�nquo. Acima, as nuvens de sua exist�ncia nada parecia ser o que deveria. O caos reinava agora numa terra que tinha esfor�ado t�o desesperadamente por permanecer livre de tens�o. Complica��es que jamais imaginou controlavam suas emo��es. N�o tinha onde ir, nem para onde  voltar, exceto l� embaixo�havia um mundo que jamais experimentou.

Era poss�vel combinar seu mundo com o de algu�m mais? Daria a oportunidade? Ou fecharia a porta para sempre? Ambas possibilidades a assustavam mortamente.

Se Kris n�o a perdoasse�

Se Kris a perdoasse...

Julianne suspirou e  deu as costas � cidade, sabendo que nada traria consolo. Nada traria al�vio.

Fim da s�tima parte

Parte18 

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