O Lado Cego Do Amor

INGRID DIAZ

The Blind Side of Love

[email protected]

 

 Tradu��o de Fernanda

[email protected]

 

 

45


Voc� tem que fazer isto por mim, lhe suplicou Leigh de manh� . "Por favor."

Kris tomou um gole de caf� e olhou a sua amiga. "Mas, o que vou fazer l�?" perguntou, n�o se sentindo nada bem com a id�ia de acompanhar a Leigh ao set de filmagem. Sentiria um peixe fora d'�gua.

Pode ficar s� olhando!" respondeu Leigh, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Voc� pode ir eu j� perguntei a diretora se podia levar visitantes. Ela disse que n�o tem nenhum problema.

"Mas � o primeiro dia," disse Kris, tentando fazendo Leigh mudar de id�ia inventando v�rias raz�es. Eu vou ficar com vergonha de estar ali, e se ningu�m levar acompanhante.

Leigh franziu o cenho profundamente. " Kris n�o posso passar por isto sem voc�, n�o hoje... "Com certeza vou ter  um ataque card�aco. Por favor. Realmente preciso de voc� comigo. Pode ir quando quiser.

Kris desejou ter mais coragem para dizer n�o as pessoas. T� bom consentiu, finalmente. Ainda que n�o estava feliz com isto, sei que vou me sentir constrangida de ficar ali sem fazer nada. Talvez eu leve meu bloco de desenho. Ent�o poderei ficar desenhando.

Leigh soltou um suspiro de al�vio. "Obrigada," disse.

Kris mostrou o caf� da manh� de Leigh. O prato ainda estava cheio. N�o vai comer?

Nem me fale em comida," respondeu Leigh, afastando o prato. "Meu est�mago est� dando um n�. Tenho sorte de ter podido engolir o caf�."

 Kris terminou de beber seu caf� e colocou a xicar� na pia. "Tem certeza que n�o vou atrapalhar nada?" perguntou.

"Eu tenho permiss�o," disse Leigh. Levantou-se da mesa da cozinha e agarrou a m�o de Kris. Levando-a  para seu quarto, Leigh disse, "Preciso que se vista."

Kris permitiu ser levada. J� no quarto, Leigh soltou sua m�o  e se aproximou do arm�rio. Que est� fazendo?" perguntou Kris.

"Estou procurando uma roupa adequada para voc�," explicou Leigh. Come�ou a olhar todas as roupas penduradas . "N�o� n�o� talvez�  n�o, n�o�"

Kris estava atr�s dela e observava a sua amiga em a��o. Custou v�rios minutos, mas eventualmente Leigh encontrou algo e lhe jogou a roupa.

"Vou dar uma limpada na cozinha enquanto se veste, falou Leigh, fechando a porta atr�s dela.

Kris olhou a porta fechada e depois a roupa em seus bra�os. . Agitando a cabe�a, se resignou ao inevit�vel.

 

Julianne bebeu uns goles de  Sprite.  N�o tinha dormido absolutamente nada a noite, nem um caf� bem forte era capaz de lhe fazer passar o dia sem sono.

Uma olhada pelo set confirmou que ela foi a primeira atriz que chegou. Tinha alguns homens construindo o que parecia ser um quarto. Ainda que, basicamente s� passeavam de um lado a outro diante dela, carregando materiais , ferramentas e cumprindo ordens do assistente da diretora.

Naomi Mosier chegou de mansinho por tr�s de Julianne sem que a atriz a notasse. "Chegou cedo," notou a diretora.

Levando um susto, Julianne se virou para olhar a loira diretora. "Sou madrugadora," respondeu. Sobretudo quando n�o dumo a noite.

Naomi sorriu. "Pelo visto." antes que a diretora tivesse tempo  de comentar algo mais, foi chamada para resolver algum problema.

Julianne observou-a  se afastar, desconcertada pela  maneira que foi abordada pela diretora, "Intocada por Hollywood". "N�o durar� muito com esse seu jeito." Continuou observando o movimento  arredor dela tentando ignorar o fato que estava secretamente esperando a chegada de Leigh.

Impaciente e sem nada o que fazer al�m de esperar, Julianne pegou em sua bolsa sua mais recente compra: o segundo livro de Harry Potter  Kris tinha  raz�o, eu n�o deixaria de ler o segundo livro, mesmo eu me negando, que n�o leria . Mas ainda me nego a ler o terceiro. E o quarto estava fora de quest�o...

Sorriu, abriu o livro e come�ou a ler.

 


Kris disse que iria ficar perto de Leigh o tempo todo. Estava com medo e nem era ela que iria fazer o filme. Como Leigh deveria estar sentindo, Kris n�o tinha nem id�ia. De fato, estava muito nervosa para  pensar  profundamente.

Chegaram no set de filmagem, que parecia mais um armaz�m abandonado que outra coisa. A seguran�a n�o era particularmente restrita. E, Kris e Leigh entraram normalmente. N�o tinha ningu�m que as parasse.

Kris olhava tudo com curisidade. Estavam  terminando de fazer um quarto que parecia ser o centro das filmagens. Tinha gente pendurando luzes e levando cabos, escadas de m�o e latas de tintas . Todos pareciam ocupados.

Exceto uma pessoa.

Kris olhou bem. "� ela?" sussurrou para Leigh, indicando  para a solit�ria figura sentada no ch�o, totalmente absorvida num livro.

"� ela," confirmou Leigh. "Vamos. Vamos falar com ela."

Kris paralisou-se. "�  s�rio?"

Leigh olhou ao redor. "N�o vejo � diretora. Provavelmente Julianne sabe onde ela est�," explicou logicamente.


Leigh pensou bem e achou melhor n�o ir at� � atriz. "Parece ocupada," disse depois de um momento. "Vamos esperar a Naomi."

Kris concordou. "Quem � Naomi?"

"A diretora," disse Leigh, olhando Kris brevemente. "Eu disse o nome dela um bilh�o de vezes."

Verdade. Eu sabia. "Esqueci, estou um pouco nervosa," Kris explicou. Olhou  ao redor de novo, tentando encontrar algu�m com cara de diretora.

Um momento depois teve sua resposta. Naomi Mosier apareceu diante delas, sorrindo. "Estou feliz  de voltar a te ver, Leigh," disse a mulher, esticando a m�o para Leigh. Ent�o olhou para Kris. "Sou Naomi."

"Kris," ela mesmo se apresentou. "Obrigada por permitir que eu possa estar aqui no set."

Naomi sorriu . "Alegra-me que tenha vindo,"respondeu. Olhou ao redor por um momento. Nada parecia precisar de sua aten��o imediata. Provavelmente o caos tinha perfeito sentido para ela. Olhou para Leigh. "Estou esperando at� que todos cheguem . Ent�o poderemos come�ar."

Leigh concordou.

A diretora sorriu, e pediu licen�a a Kris e as deixou.

Kris sentia-se aliviada de que ela n�o  tivesse brigado com ela por ter ido ao set, no primeiro dia. A diretora parecia boa e jovem tamb�m.

"Vamos sair daqui do meio," sugeriu Leigh, levando  Kris para perto de  uma parede. As duas apoiaram-se contra a parede e olharam ao redor.

 Kris seguiu cada movimento da diretora. A loira ia e vinha entre as pessoas. Todos pareciam querer falar com ela sobre algo. Alguns pareciam agitados, outros  tranquilos. Independentemente do estado dos demais, a jovem diretor permanecia tranquila e bem humorada. Kris perguntou-se como ela conseguia permanecer calma com tanta press�o.

De vez em quando, Kris pegava � diretora olhando para Julianne Franqui. Por sua vez, a atriz permanecia completamente alheia a  tudo ao seu redor. O livro que estava lendo tinha sua aten��o. A diretora olhava � atriz e ent�o devolvia sua aten��o para quem falasse com ela.

 Kris se entretia observando a intera��o das pessoas  que faziam  cinema. "E quem mais vai atuar no filme?" perguntou . Al�m de Julianne Franqui, Kris n�o tinha id�ia dos outros atores que iriam trabalhar com sua melhor amiga.

Leigh encolheu os ombros. "N�o sei," respondeu. S� sei da Julianne. "Pensei que estaria rodeada de gente ."

Kris olhou � atriz, cujo nariz permanecia enterrado no livro. Kris estava tentando colocar na cabe�a o fato de que aquela garota sentada a poucos metros dela, era a mesma que via com freq��ncia na tela da televis�o. Parecia quase inacredit�vel. "Imaginei que estaria acompanhada de muitas pessoas," susurrou.

Leigh n�o falou nada.

"Pode ver o que ela est� lendo?" perguntou Kris, tentando ver a capa do livro que Julianne segurava. Parecia-lhe familiar.

"Acho que � Harry Potter," respondeu Leigh, achando gra�a. "Acho que gosta tamb�m deste tipo de leitura.

Kris sorriu. "N�o posso falar nada," admitiu. " Eu disse para Julia ler. E eu leria A Cor Purpura ."

Voc�s s�o estranhas," disse Leigh rindo. Olhou a Julianne de novo. "Dever�amos ir falar com ela?"

"E dizer o que?" perguntou Kris.

"N�o  sei," disse Leigh. "Mas quero dizer, que fomos as primeiras a chegar.

Kris encolheu os ombros. "Se quer ir falar com ela, vai voc�. Eu vou ficar  aqui mesmo."

"Mas voc�s tem algo em comum," disse Leigh.

"E o que � ?" perguntou Kris.

Leigh sorriu. "Gostam de Harry Potter."

 


Julianne olhava intensamente para o livro em suas m�os, mas n�o conseguia ler nada. Estava tentando respirar. Estava tentando n�o desmaiar. Estava tentando manter os olhos colados no livro. A �ltima coisa que desejava era  encontrar os olhos de Kris.

O que ela est� fazendo aqui? seguia se perguntando Julianne. Desejava tanto olhar para ela. Desejava tanto fugir dali. N�o sabia o que desejava.

Depois de um momento, Julianne deu-se conta que n�o estava fazendo um trabalho convincente fingindo ler. Tinha estado olhando fixamente a imagem de Dobby nos �ltimos dez minutos. Virou a p�gina e tentou concentrar-se. Mas n�o tinha lido a p�gina anterior. Ficou em d�vida se voltava ou n�o para p�gina anterior. Pareceria estranho? Se Kris viu o quanto demorei naquela p�gina.

Julianne quase olhou para ela. Mas parou a tempo. N�o vou olhar. Se eu olhar, n�o vou parar de olhar. Ent�o eu come�arei a fazer algo bem vergonhoso.

"Bom livro?"

 Julianne  levantou a cabe�a para encontrar a Leigh olhando-a. Kris estava atr�s de Leigh, olhando para todos lados menos para Julianne. Funcionava bem porque Julianne estava olhando para todos os lados menos para Kris. Finalmente, Julianne enfrentou os olhos de Leigh. "Uma amiga me recomendou," encontrou-se dizendo, seu olhar foi baixando ligeiramente.

Que coincid�ncia," disse Leigh, se virando  para olhar a Kris. Pensei em vir me apresentar. Normalmente n�o beijo  algu�m e vou embora um minuto depois." Parou um segundo para considerar suas palavras. "Fiz isto uma vez com um garoto que n�o sabia beijar. Tinha baba em excesso. Acabei ficando com nojo, estou falando muito. Sinto muito." Estendeu  a m�o. "Leigh Radlin."

Julianne pensou  um segundo antes de estender sua a m�o para Leigh. "Julianne Franqui," disse, ainda que tinha a sensa��o de que j� sabiam quem ela era. Inconscientemente, olhou para Kris. Tentou desviar o olhar  rapidamente mas Leigh percebeu.

Leigh indicou a Kris. "Esta � a minha melhor amiga."  "Foi muito dificil trazer ela, mas no final a convenci, n�o podia passar isto sem ela.

Julianne n�o teve outra op��o a n�o ser  olhar a Kris. Seus olhos verdes  encontraram os seus. Eu  daria tudo o que fosse para poder ficar olhando esses olhos para sempre. "Geralmente responde ao nome de Minha Melhor Amiga, ou h� outro que devo te chamar?" perguntou, fazendo tudo para evitar se afogar nos olhos de Kris. Ou ao menos n�o desmaiar em sua frente.

 Kris se surpreendeu com o coment�rio de Julianne. Um meio sorriso apareceu em seus l�bios enquanto respondia. "A maioria das pessoas me chamam de Kris Milano."
Prazer em te  conhecer, disse .

Podemos ficar com voc�?" perguntou Leigh, apontando o ch�o junto a Julianne.

A atriz concordou com a cabe�a.

Leigh sentou ao lado de Julianne e Kris tamb�m. Quando as duas j� estavam sentadas, Leigh olhou para Julianne. "Sabe quem mais atuar� no filme?" perguntou com curiosadade.

Julianne teve que admitir que n�o sabia. Eric tinha-lhe dito v�rios nomes mas naquele momento n�o se lembrou de ningu�m. Vai interpretar quem?" perguntou, ainda que j� sabesse a resposta.

"A sua irm�," respondeu Leigh. "� muito estranho um dia sou sua  amante e no outro sua irm�."

Julianne encontrou-se rindo. Nunca  tinha sentido aquela estranha mistura de medo, divers�o e� n�usea. Tinha falado com Leigh v�rias vezes por telefone. Tinha falado com Kris umas cem vezes. E nenhuma tinha id�ia de quem ela era. Mas n�o mudava o fato que num mundo n�o-t�o-distante� considerava  elas suas amigas. "� um bom papel," disse.

Leigh consentiu. � sim," concordou. "Mas o seu � impressionante. Aposto que achou quando leu o roteiro."

Lembran�as de sua briga com Adrian, suas noites em claro e sua conversa com Kris sobre o tema voaram por sua mente. "� uma boa personagem," foi o que respondeu. Qualquer coisa mais provavelmente seria uma mentira. Julianne olhou de reolho para Kris, n�o  gostando do fato de que ela estava calada. Julianne podia pensar um milh�o de coisas o que dizer a silenciosa artista. E qualquer uma iria a delatar.

Leigh pegou a  mesma dire��o do olhar de Julianne. "Tive que quase a arrastar at� aqui ," lhe explicou a Julianne.

Julianne n�o disse nada. Tinha tantas coisas passando-lhe pela cabe�a que estava tendo problemas em estar do lado dela. Por exemplo, n�o estava ainda acostumada  que Kris a olhasse. Era incrivelmente angustioso tentar deduzir que tipo de impress�o estava passando para ela. Tinha tantas coisas que Julianne queria dizer. Tantas coisas que tinha que manter ocultas. E havia passado s� cinco minutos desde que tinham-se conhecido.

"Oh, meu Deus!" exclamou suavemente Leigh, batendo no bra�o de Kris. "� Jeremy. Que te falei."

Julianne olhou para onde Leigh estava apontando e viu o assistente de Naomi Mosier. N�o sabia o que falavam. Ent�o olhou para Kris em mudan�a e notou que Kris tamb�m n�o parecia impressionada com o rapaz.
"Ʌ bonito," disse finalmente Kris.

Julianne sorriu,  com a resposta de Kris. Tentou n�o pensar no fato de que agora Kris tinha um namorado que gostava muito.

"Vou falar com ele," anunciou Leigh.

Kris ficou sobresaltada. " O Que?"

Julianne sentiu p�nico ante a perspectiva de ficar sozinha com Kris. Por favor, n�o vai, Por favor, n�o v�.

Leigh se levantou . "Voltarei logo," disse. Olhou para Julianne e disse. "Kris adora Harry Potter." Com isso, se afastou.

Julianne finalmente compreendeu que n�o era um sonho. Se era um pesadelo ou n�o, realmente n�o sabia.

 


Kris estava pronta para matar a sua melhor amiga. N�o acreditava que Leigh  a deixou sozinha com Julianne Franqui. Que iria dizer? Talvez podiam ficar ali em sil�ncio. Se Kris n�o disesse nada, Talvez Julianne se incomodasse e voltaria a ler o livro.

"Pessoalmente, gosto  mais da Hermione," ouviu o que falava a atriz.

 Kris levou um tempinho para compreender que ela estava falando do livro. "Dumbledore � meu favorito," encontrou-se dizendo, realmente n�o acreditando que estava falando dos personagens de Harry Potter com Julianne Franqui. Mas estava.

Kris olhou um par de olhos azuis t�o intensos  que nunca tinha encontrado antes.Entendeu porque muitos se sentiam intimidados  por Julianne Franqui. E Kris era uma dessas pessoas.


Tinha algo estranhamente familiar em Julianne Franqui que Kris n�o entendia. Provavelmente era o fato que tinha visto entrevistas dela sem parar nos �ltimos dois meses.  Desviou o olhar da atriz para procurar a Leigh na multid�o. Encontrou-a um momento depois, numa intensa conversa com o tal Jeremy.

Quer que eu diga a ele que  ela beija bem?�"

O olhar de Kris regressou para o rosto de Julianne. As palavras registaram-se na mente de Kris e um segundo depois encontrou-se rindo. "N�o a deixe te ouvir dizendo isto, porque depois ninguem ir� aguentar ela.

Julianne sorriu.

O sorriso dela surpreendeu  Kris. Tinha-a visto um monte de vezes na  televis�o e, mesmo assim, nunca lhe tinha parecido t�o sincera como  estava sendo agora. Dava-lhe um estranho sentido de satisfa��o saber que ela, Kristina Milano, acabava de fazer sorrir Julianne Franqui.

 


46

Julianne estava sentada no ch�o de seu novo apartamento. A �nica coisa que tinha se dado ao trabalho de procurar no meio das caixas foi seu telefone, que ficou a uns cent�metros dela. Antes ela estava decorando suas falas de Summer's End, estava tendo problemas para memorizar. O apartamento estava escuro salvo um par de velas acesas no ch�o perto dela. As caixas formavam v�rios pilares em sua sala de estar. Isso �, se Julianne decidisse  ficar no apartamento depois que terminasse as filmagens. De outra forma, provavelmente n�o se daria ao trabalho de tirar nada das caixas. Pegaria somente as coisas de mais necessidade.

Durante a �ltima hora e meia, Julianne tinha  tentado concentrar-se no roteiro, mas tudo no que podia pensar era em Kris. Sua conversa n�o tinha durado muito tempo. Leigh tinha voltado, agitando o n�mero de Jeremy como uma bandeira de vit�ria. Pouco depois, o resto do casting chegou e Naomi nos reuniu.


O telefone tirou Julianne de seu tormento particular. Oi?. Desde seu deslize com Kris, Julianne tinha decidido n�o responder ao telefone como 'Franqui' n�o era uma id�ia muito brilhante. A n�o ser que eu espere que Kris ache que sempre estou esperando o telefonema de meu limpador de piscinas.

"Como  Grande Ma�� est� te tratando?"

Julianne sorriu ao ouvir a voz de Adrian. Detestava admitir, mas sentia-se sozinha sem ele. "Bom, j� me conhece, estou indo a festas  todas as noites."

Adrian riu. "Lamento  interromper seu momento festeira," disse . "Perdi alguma coisa? Beijou as garotas lindas?"

Beijei algumas l�sbicas perdidas aqui e ali," respondeu Julianne. "Mas a maior parte, consegui comportar-me."

"Se fosse verdade."

"O de comportar-me?"

"N�o. As l�sbicas perdidas," falou Adrian. E o que tem realmente feito?"

Julianne olhou o roteiro no ch�o. Al�m de tentar decorar as minhas falas sem sucesso, n�o tenho feito muito. "O normal para mim," disse. "Mas, aconteceu uma coisa... Incapaz de encontrar uma forma suave de introduzir o assunto, decidiu solt�-lo. "Hoje conheci a Kris."

Teve uma leve pausa do lado de Adrian, seguido por, o que disse?"

"Leigh a levou no set," explicou Julianne. "E depois deixou-nos sozinhas enquanto foi paquerar o assistente da diretora"

"E�?"

"Fal�mos de Harry Potter."

"� tudo? Voc� disse que �...

 Julianne interrompeu. "N�o poderia soltar isso assim."

Adrian suspirou. "N�o acha que o Destino est� tentando te dizer alguma coisa?"

"Sim," concordou Julianne. "Est� me dizendo que a Internet � um lugar horr�vel para conhecer mulheres."

"Ou �s vezes o lugar perfeito."

A Julianne gostava mais de sua pr�pria interpreta��o do Destino. A de Adrian era� complicada. D� no mesmo, � o que disse finalmente.

Adrian captou a indireta. "Falaram mesmo de� Harry Potter? Sei que � um pouco nova  nisto, Julianne, mas se precisar que eu te ensine umas melhores frases.

Talvez eu v� precisar mesmo, disse Julianne, sem humor em sua voz. "A diretora quer que saiamos para fazer um laborat�rio sobre a vida l�sbica."

Riso foi resposta inicial. Seguida pouco depois por, Exatamente que tipo de pesquisa tem que fazer?"

"N�o � o que esta pensando," disse Julianne. Lembrando o que Naomi tinha dito. "Algo sobre se p�r no lugar delas."

Adrian riu muito. "Acho que vai ser realmente muito dif�cil para voc�."

Julianne ficou quieta com o coment�rio. "Sabe que,  n�o tenho nem id�ia de como � . Estou t�o isolada do resto do mundo que n�o posso  sair por a� dizendo como � ser l�sbica."

"Claro que pode," disse Adrian. "Bom, uma l�sbica famosa, ao menos voc� �."

"N�o sou uma l�sbica famosa."

"Sim, voc�  �.  S� que o mundo n�o sabe."

Julianne balan�ou a cabe�a. E o que acha que eu devo fazer? Ir � biblioteca e ler a respeito? Ir a uma boate ou algo assim? Ambos?" Considerou suas pr�prias perguntas. "Provavelmente deva ir mesmo na biblioteca j� que o filme se passa nos anos vinte. N�o acho que um bar gay me ajude com a caracteriza��o."

Deve ir  l� tamb�m.

Por que?

Porque  voc� deseja ir, respondeu Adrian.

Julianne disse. Amanh� estaria em todos os jornais: Julianne Franqui, 'De anjo a super machona'.

Adrian come�ou a rir histericamente. De onde tirou essa de 'Super Machona,  antes de ser consumido pelo riso uma vez mais.

Boa noite, Adrian," falou Julianne. Quando nada al�m de riso lhe respondeu, disse, "Te ligo depois." Ent�o desligou o telefone.

Sua aten��o voltou-se  ao seu notebook que ainda estava em sua maleta. Tinha evitado ler seus e-mails  o dia todo, mas  estava se roendo de curiosidade.  O que a Kris tinha a dizer sobre  conhecer a Julianne Franqui? Ser� que queria saber mesmo? Ser� que ela me escreveu hoje? Ficou olhando o computador, dividida entre n�o querer saber e n�o querer esperar outro momento.

No final, a curiosidade matou ao gato.

Arrastou o notebook at� onde estava sentada e esperou que se iniciasse. O e-mail  que tinha estado temendo se titulava: 'N�o vai acreditar no dia que tive hoje�'

"Aposto que sei,"  disse Julianne � tela do computador. Depois de um tempo, clicou no e-mail.


Querida Julia,

Leigh convenceu-me a ir com ela ao set do filme esta manh�. Realmente n�o queria ir. Mas, tamb�m n�o pude negar. Preciso trabalhar mas nisso, conseguir dizer n�o, as pessoas.

No entanto, fui. Com um pouco de mal-humor. Chegamos l� e adivinha quem estava sentada no ch�o lendo Harry Potter? Julianne Franqui!  Leigh quis ir  falar com Julianne Franqui. N�o pude a convencer de  n�o ir.  E me arrastou com ela. Ent�o em um momento! Teve a cara de pau de nos deixar sozinhas. Eu quis mat�-la naquele momento.

Assim que n�o tive outra op��o a n�o ser falar com a �nica atriz que tenho destestado desde o primeiro dia que a vi. E sabe que � raro eu n�o gostar de uma pessoa? Acho que j� n�o a destesto tanto. Me perguntou se eu tinha lido um certo livro, que me esqueci o nome agora� eu disse que n�o. S� me envolvo com mulheres que me dizem para ler algum livro? Devo ter um im� que atraio essas pessoas.

Agora que a vi  pessoalmente� Realmente quanto voc� se parece com ela? . � minha sutil maneira de te pedir uma foto.  

Vou a meu pr�ximo tema da conversa. Ao que parece, a diretora de Leigh quer que as personagens principais saiam e conhe�am  o estilo de vida l�sbico� Leigh quer que eu v� com ela. Quer ir bar gay� Algo assim.

Estou um pouco assustada. Mas, se eu ver l�sbicas bonitas por l� pediria o n�mero delas para voc�. � brincadeira. Estou certa que iria me matar se eu fizesse isto.

Realmente n�o gosta de ningu�m? Vamos, Julia, confessa.

N�o disse a Anthony que vou a um bar l�sbico. Tenho certeza que n�o ia gostar. Acho que ele � um pouco homof�bico. Nem  pude falar de William ainda. N�o � bom sinal, isso? Hm. Bom, Talvez eu possa abrir a cabe�a dela. Vale a pena tentar.

Tenho que me vestir. Que me leva fazer estas coisas? Ufa. Hora de procurar algo no arm�rio. Ainda tenho tempo� Leigh quer chegar  at� l� por volta da meia-noite. Acho que ou�o-a derrubando  seu armario. Vou ajuda-la antes de que ele caia em sua cabe�a;

Deseja-me sorte esta noite.

Te adoro,

Kris


Julianne ficou olhando a mensagem que acabava de ler, insegura de como estava se sentindo com o que leu. Olhou a hora no computador. Eram 23:20.  "N�o vou fazer o que acabo de pensar ."

Encontrou-se olhando de novo a hora. Contra sua vontade, sua mente come�ou a calcular o tempo que levaria para chegar ao destino desejado. "N�o vou," resolveu. "� uma id�ia encantadora, mas n�o. Complica��es. J� estou cheia de problemas. Quantidades monumentais de complica��es estou vivendo!" Suspirou. "E outra vez estou falando sozinha."

Julianne olhou para seu deprimente apartamento. Resignada a outra noite de solid�o, fechou o computador e pegou o roteiro. Tenho que memorizar minhas falas.

 

"Bom,"  Kris  ficou tentando convencer o seguran�a a deix�-la entar, "terei vinte e um em tr�s dias." Apoiou-se contra a parede do estabelecimento  que acabava de ser recusada.

Leigh consentiu. "Voltamos no dia de seu anivers�rio," decidiu.

"Nada como ir a um bar l�s  em meu vig�simo primeiro anivers�rio," comentou Kris secamente, ainda que realmente n�o lhe importava. N�o realmente. De fato, sentia-se frustrada  por n�o ter podido entrar.  Leigh fez vinte e um no m�s passado.

Leigh deu uma olhada ao redor. "Bom, que quer fazer agora?" perguntou.

Kris disse. "Por que n�o entra um pouco?" sugeriu-lhe. "Voc� tem que aprender os h�bitos delas, como conquistam uma mulher, estas coisas. Ficarei  aqui fora te esperando."

Aqui fora?  Leigh perguntou indecisamente. Olhou ao redor. "� perigoso."

Vou ficar perto da porta. "Tenho quase certeza se eu  gritar um mont�o de l�sbicas vir�o me socorrer," brincou. Indicou de novo o bar. Vou te esperar e  trouxe meu bloco de desenho. N�o ficarei intendiada.

Leigh  n�o gostou particularmente da id�ia. "Realmente n�o � t�o importante eu fazer isto pode esperar uns dias," disse.

"Sim, mas n�o ter� tempo para aprender, porque j� estar� fazendo o filme," disse Kris. "E, j� chegamos at� aqui. Pode entrar l� e aproveitar."

Leigh n�o gostou, mas n�o discutiu. "Bom," disse depois de um momento. Mas fica perto da porta e, se ver algo estranho, corre para dentro. N�o  posso crer que estou fazendo isto."

"� por uma boa causa," assegurou-lhe Kris.

Leigh concordou, animada por suas palavras. "Atuar." Voltou a olhar ao redor. Como para se assegurar que n�o tinha ningu�m suspeito por perto, ou ningu�m que a reconhecesse, Kris aqui n�o � seguro. "Vou entrar."


"Tem certeza, disse Leigh, j� entrando. "Provavelmente  ficarei uns cinco minutos. N�o demorarei, eu prometo."

Kris deu tchauzinho com a m�o para ela. Se divirta.

E Leigh entrou. Aborrecida e sozinha, Kris encostou  a cabe�a contra a parede e olhou o movimento. Tinha um mont�o de pessoas passando; a maioria parecia estar bebida. Assegurou-se de ficar mesmo junto � porta, s� por precau��o. Ainda que ningu�m  prestava muita aten��o nela e se sentia agradecida por isso.

Era verdade que tinha trazido um pequeno bloco para desenhar.Nunca  sabia quando poderia precisar. Depois de uns minutos, decidiu que morreria de t�dio se n�o come�asse a desenhar algo. E come�ou a desenhar. Duvidava que as l�sbicas conseguissem a aten��o de Leigh por muito tempo.

 


Julianne n�o acreditava ainda no  que estava fazendo enquanto saia de seu apartamento. Entrou no elevador. Ainda no metro n�o se conformava com sua loucura. E quando viu o bar, tinha mesmo ficado louca.

S� vou passar por ele, decidiu. S� sa� para passear. Est� uma noite agrad�vel.  N�o h�  mal nenhum em dar um passeio.

Julianne estava a ponto de cruzar a rua quando viu aquela pessoa sentada a uns metros. Ficou paralizada, sem saber o que fazer. Vou voltar para tr�s. Ela n�o me viu. Volta para seu apartamento e toma um banho frio.

� claro que n�o se escutou. Provavelmente porque seu cora��o estava batendo t�o forte que n�o podia ouvir nada. Complica��es, complica��es, gritou seu lado mais l�gico. A l�gica n�o estava com ela essa noite. Tinha uma parte bem mais controladora animando a pensar no que dizer.

Bilh�es e meio de possibilidades atravessaram a mente de Julianne enquanto atravessava a rua. Cidade pequena. Em todos os lugares que eu vou, ela est�. Est� me seguindo?  Que  idiotice. Mas todos sabem  que  sou mesmo idiota.

A um metro de Kris, Julianne parou. Estava quase perto dela e n�o tinha nada o que dizer. Talvez podia fingir n�o ver a Kris e passar por ela. E se ela n�o me ver, e o que fa�o? Vou dar a volta e passar v�rias vez at� que ela me veja?

Provavelmente, esta foi a id�ia mais imbecil de todas.

Estou louca. Estou totalmente louca.

Kris escolheu esse momento para dar uma olhada ao seu redor. Os olhos verdes inspecionaram todo os lugares at� que, finalmente, pararam em Julianne. O reconhecimento foi lento, mas uma vez registado, foi substituido no instante seguinte pela surpresa. E algo a mais que Julianne n�o p�de perceber.

Julianne olhou para o letreiro do bar e sorriu para a Kris. "Vem sempre aqui?" Uma frase que Adrian apreciaria.

Evidentemente, Kris foi pegada de surpresa. Mas disse, "Leigh est�  tentando entrar  em contato com seu lado l�sbico."

"Por que est� aqui fora?" perguntou Julianne.

Kris disse: "N�o tenho vinte e um anos ainda."

No mesmo  instante Julianne lembrou que o anivers�rio de Kris  estava chegando. N�o tinha esquecido; jamais poderia esquecer. Mesmo assim, o fato de n�o ter encontrado um presente apropriado lhe estava deixando muito nervosa.

Vai entrar tamb�m?" perguntou Kris depois de um momento.

Julianne pensou como responder a pergunta. A verdade era que s� desejava estar onde voc� estivesse. Mas n�o podia dizer isso. "Gosto mais daqui de fora," disse finalmente.

Kris pareceu um pouco desconcertada mas n�o perguntou mais nada. "Leigh deve sair a qualquer momento," disse. "Est� a mais de meia hora ai dentro. Duvido que esteja bem ."

Julianne franziu a testa ligeiramente. N�o gostava da id�ia de Kris ter ficado sozinha esse  tempo todo . Sozinha. Est� aborrecida?" perguntou.

"N�o muito," respondeu Kris  mostrando seu pequeno bloco de desenho.

Voc� � artista pl�stica," disse Julianne. N�o era uma pergunta porque j� sabia a resposta.

Kris respondeu. "Algo assim," disse.

"Posso ver?" Julianne indicou o desenho. N�o tinha id�ia de onde vinha toda essa coragem, mas  imaginou que era bem mais produtivo do que sentar e ficar dizendo coisas incoerentes.

Kris exitou por um momento, mas entregou o desenho a ela. Julianne assegurou-se que seus dedos n�o se tocassem. "N�o � muito coisa," disse Kris, claramente envergonhada pela perspectiva de Julianne Franqui estar olhando seus desenhos. "S�o s� rascunhos, realmente."

Julianne tentou n�o sorrir com o nervoso aparente de Kris. Se pudesse ouvir  seu cora��o. Olhava e dizia. Uau. Folheou todo o bloco e cortava-lhe a respira��o a cada desenho que via. � muito boa, encontrou-se dizendo. Levantou o olhar e encontrou-se com surpreendidos olhos verdes de Kris. "Quero dizer, seus desenhos s�o maravilhosos. � muito talentosa."

"Obrigada," respondeu Kris, com um sorrisinho aparecendo em seus l�bios.

A porta se abriu e no  mesmo instante Kris olhou. Mas n�o era Leigh. Duas mulheres sa�ram rindo de alguma coisa. Sairam, sem lan�ar um �nico olhar na dire��o de Kris e Julianne.

"N�o deveria estar l� dentro tamb�m entranto em contato com seu lado l�s?" perguntou Kris depois de um momento.

Julianne olhou a porta, depois encolheu os ombros. "N�o vou a muitos bares assim," respondeu. "� geralmente cheio de fuma�a�" N�o queria dizer que n�o queria ser pega num bar gay, a n�o ser que Kris estivesse nele.

Kris concordou.

A conversa estava quase morrendo, Julianne olhou um momento para a movimentada rua de Nova York. Ainda que as pessoas  passava por ela, ningu�m parecia saber ou se importar quem era ela. Talvez s� n�o queriam ser pegos olhando para aquele lugar,  que estavam sentadas em frente.

Sempre aparece nas portas de bares que n�o pensa em entrar?" perguntou Kris.

Julianne sorriu. "Tenho que confessar que � a primeira vez que fa�o isto, respondeu. "E voc�?"

Kris sorriu-lhe. "Tamb�m � a minha primeira vez."

Julianne decidiu  se um milh�o e meio de c�meras de telejornais aparecessem diante dela e revelassem ao mundo que ela era L�sbica e foi pega num bar gay,  so  o sorriso de Kris merecia as consequ�ncias disso tudo.

Posso perguntar por que est� aqui?" perguntou Kris, seu tom foi ligeiro e nada ofensivo. "Quero dizer, eu tenho uma boa desculpa�"

"Sentia-me sozinha e queria conversar com algu�m,"respondeu, Julianne. Foi o que me trouxe at� aqui.

Kris riu. Voc� estava se sentindo sozinha?"

Julianne ficou olhando para Kris com curiosidade. Acha que fico rodeada de gente o tempo todo�at� fico, mesmo assim, me sinto sozinha?

A pergunta pegou  Kris uma vez mais de surpresa. Seus olhos olharam para Julianne  de uma forma como nunca tinha olhado antes. Pensou o que Julianne estava pensando dela. � assim que se sente?" perguntou Kris, em lugar de responder � pergunta.

"De vez em quando," Julianne disse, ainda que sempre era uma resposta mais verdadeira.

Kris estava a ponto de responder quando uma garota chegou perto delas. Estava a ponto de entrar no bar quando prestou aten��o em Julianne.

Merda.

"Oh, meu Deus," gritou a garota. � a Julianne Franqui?"

Julianne teve medo de que a garota tivesse um treco. Sorriu. "Em pessoa, respondeu.

"Sabia que era gay, eu sabia!" gritou a garota. "Pode me dar seu aut�grafo? Posso te convidar para beber algo comigo? Quer dan�ar?"

Julianne n�o sabia por onde come�ar. "Realmente n�o bebo e n�o gosto muito de dan�ar. Mas posso te dar um aut�grafo se quiser.

Claro que quero!" gritou a garota. Come�ou a procurar em sua bolsa. "Tenho uma caneta em alguma parte." Finalmente encontrou uma e deu-para Julianne. Um segundo depois, levantou a blusa e expos seus peitos. Assina no esquerdo."

Julianne mordeu os l�bios. Nunca antes lhe tinham pedido que fizesse isso. Cuidadosamente, assegurando-se de n�o tocar nenhuma parte vital, fez sua assinatura no peito esquerdo da garota. "Pronto," disse, j� dando a caneta para a garota.

Tem certeza que n�o quer beber nada?" Nesse momento pareceu notar a presen�a de Kris. Um sorriso sagaz seguiu-lhe. "Oh, j� vejo porque." Deu uma piscadinha para Julianne. "Obrigada pelo aut�grafo."

"De nada," rspondeu Julianne, se sentindo profundamente envergonhada. N�o queria que a garota falasse que Kris era sua namorada. Kris n�o precisava passar por isto.
Ent�o Julianne pegou a m�o da garota . E, lhe susurrou, "Eu gostaria que n�o falasse nada para ningu�m. Seria um segredo s� nosso." Soltou a m�o dela e esbo�ou o sorriso mais doce que podia oferecer...

A garota ficou vermelha. Est� bem. Sem problemas." Sorriu para Kris e entrou no bar.
Julianne sabia que deveria sair dali. Mas n�o queria se levantar. De algum modo, nada parecia t�o importante que  estar perto de Kris. "Lamento isso," se desculpou rapidamente. "N�o precisa que ocorram rumores sobre voc�."

"Provavelmente est� l� dentro dizendo a todo mundo que voc� � l�sbica e, se preocupa com rumores sobre mim?" perguntou Kris.

Julianne olhou fixamente nos olhos de Kris e disse muito seriamente, "Estou acostumada aos rumores sobre mim. N�o gosto quando ocorrem sobre pessoas que�" Parou. "� conhe�o." N�o acredito que quase disse amo. Que estava pensando?

Kris notou a pausa. Ficou olhando para Julianne com curiosidade.  "Obrigada," disse depois de um momento. "Eu tenho certeza  se eu fosse gay n�o causaria um esc�ndalo." Parou para reconsiderar. "Exceto em minha fam�lia."

Julianne sorriu ligeiramente. Perguntou o que aconteceria se Kris fosse  homossexual.   "Bom, ainda n�o fui o centro de um bom esc�ndalo, acho que j� � hora."

Kris olhou-a curiosamente, insegura com o coment�rio dela. Ao final, disse, "Porque ser� que a  Leigh est� demorando tanto."

Como reflexo, Julianne olhou para � porta. N�o podia ver la dentro. Quer que eu v� ver o que est� acontecendo?" ofereceu-se.

"Realmente est� querendo dar motivos para o esc�ndalo, brincou Kris.

Julianne riu. "S� n�o  quero que fique sentada a� sozinha."

"Estou com voc�," disse Kris. Ent�o continuou, "A n�o ser que eu esteja te segurando, e voc� tenha alguma coisa para fazer?"

"N�o. N�o tenho nada mais o que fazer." Tristemente, era verdade. A n�o ser que ficasse contando as folhas todas que ainda tinha que decorar. Mas, fora isso� nada

Antes que Kris tivesse oportunidade de responder, a porta se abriu e, desta vez, era Leigh saindo. Saiu trope�ando. Julianne a segurou  a tempo de impedir que caisse.

Kris levantou em seguida. "Est� bem?" Aproximou-se de sua melhor amiga e foi surpreendida pelo cheiro de bebida. Andou bebendo?

Era uma pergunta est�pida porque Leigh estava claramente b�bada. Aquela l�s desafiou-me a  beber," Leigh falou. Tinha outra se exibindo diante de todos. Disse que Julianne Franqui lhe assinou as tetas� Oi, Julianne." Finalmente pareceu notar � atriz cujos bra�os estavam ao redor de sua cintura .

"Oi, Leigh," Julianne, respondeu.

Leigh olhou a Julianne um longo momento. "Sabia, que voc� parece com algu�m, disse.Olhou para Kris. Ela n�o se parece com algu�m?"

Kris pegou o bra�o de Leigh e jogou em cima de seu ombro, tentando tirar parte do peso de Julianne. "Vamos, para a casa."

"Eu te ajudo, ofereceu-se Julianne. Queria que ambas chegavam bem em casa. E, n�o tinha certeza se Kris conseguiria levar a Leigh sozinha.

Kris come�ou a falar, mas num instante compreendeu que sem a ajuda de Julianne demoraria uma eternidade para chegar em casa. Aceito, cedeu finalmente. "Mas realmente n�o tem que fazer isto," disse, se sentindo incomodada.

Julianne disse. "Quero te ajudar." E queria mesmo. De jeito nenhum deixaria  Kris sozinha. Quanto bebeu?" perguntou.
Um milh�o daquelas� coisinhas,"falou Leigh, fazendo  o que parecia ser um c�rculo com suas m�os. Se eu perdesse teria que sair com ela.

Julianne arqueou a sobrancelha.

"Um simples n�o teria bastado," disse Kris, um pouco duramente.

"N�o sei," disse Leigh. "As l�s podem ter regras diferentes." Ficou olhando para Julianne. Voc� autografou mesmo as tetas daquela garota?"

"S� a esquerda," respondeu Julianne. Olhou rapidamente para Kris e viu o que parecia ser um sorriso.

"Julia," disse de repente Leigh.

As cabe�as de Julianne e Kris viraram bruscamente ao mesmo tempo.

Ela diz que parece com voc�." Leigh continuou. "Mas n�o se preocupe, sua voz � mais sexy.

Julianne ficou preocupada se Kris come�asse a prestar aten��o na voz da Julia. Julianne n�o podia imaginar o que Kris estava pensando; sua cara permanecia sem express�o. Coibida mais que petrificada, Julianne permaneceu calada.

N�o lhe importava porque Leigh estava falando tanto. " � eu queria que soubessem que eu n�o era L�s, 'Eu tinha que ficar falando n�o sou gay'. E ela dizia. 'Ent�o o que est� fazendo aqui?' E eu dizia, 'Estou tentando criar a minha personagem'. Isso realmente a impressionou. Poderia ter-me dado umas aulas  esta noite�"

Kris estava agitando a cabe�a e olhando para o  c�u ao mesmo tempo. Julianne encontrou-se  adorando aquilo. Deu-se conta que estava olhando fixamente para ela e desviou o olhar, mas n�o antes de notar que  ela estava linda. Julianne come�ou a olhar as lojas pelo caminho. Se olhasse para Kris, n�o conseguiria desviar o olhar.

 


Kris estava furiosa com Leigh. Como pode  beber tanto? Nunca ficou bebada deste jeito. Bom, tinha umas vezes, mas� por que esta noite? Se Julianne n�o estivesse aparecido, Kris teria ficado ali fora sozinha.

Estava come�ando, podia sentir. Leigh estava come�ando a esquecer dela. O pensamento golpeou  Kris dolorosamente.

Olhou para sua amiga, que estava  falando sem parar . Ent�o olhou para a  famosa atriz a meio metro dela. Porque apareceu l�, pensou? Kris ficou olhando-a . Ela parecia estar particularmente concentrada no cimento. Kris perguntou-se o que ser� que ela est� pensando? Provavelmente perguntando-se porque aceitei levar estas duas.

Kris desviou o olhar depois de um instante, com medo de ser pega olhando fixamente. A verdade era que n�o achava que  Julianne tivesse ficado aborrecida de acompanha-las. Mas por que? Kris n�o  entendia. Os famosos n�o andam por a�. N�o aparecem do nada para conversar. Tinha algo muito estranho nisso que Kris n�o entendia.

O coment�rio de Leigh resurgiu em sua mente e Kris encontrou-se franzindo a testa. Julia parecia  a Julianne? Um pouco, era verdade. Mas a voz de Julia era diferente. N�o parecia t�o� encorpada, � mais doce. A voz de Julianne sempre parece t�o� contida. Como se a atriz tivesse medo de falar, medo de dizer algo que n�o possa.

Arriscou outro olhar para Julianne e encontrou-se olhando num par de olhos azuis. Rapidamente desviou o olhar, envergonhada e n�o completamente segura de por que. De fato, n�o tinha certeza de nada a respeito de Julianne Franqui. Era t�o� t�o� indescrit�vel. Era a �nica palavra na qual Kris podia pensar. Ainda que, a palavra 'linda'  tamb�m lhe vinha � mente. Era uma beleza estranha. Do tipo que te fazia desejar  ficar olhando durante horas.

Durante horas? De repente Kris franziu a testa diante da dire��o na qual seus pensamentos estavam indo. N�o, decidiu depois de um momento. 'Durante horas' seria pouco. Julianne Franqui era inegavelmente beliss�ma. N�o era surpresa que estava toda semana nas capas das revistas. N�o era surpresa que cobrasse milh�es de d�lares s� para ir em um programa de televis�o. As pessoas n�o podia ter bastante dela.

Kris achou melhor n�o olhar mais para Julianne. A �ltima coisa  que precisava era que a atriz pensasse que a estava olhando fixamente. Provavelmente achar� que a idolatro ou algo assim. Por alguma raz�o, Kris queria manter sua avers�o a Julianne Franqui.

Bastante inconscientemente, Kris deu outra olhada. Felizmente, Julianne estava de novo concentrada em seus pensamentos.

Um enigma. � o que Kris decidiu que era Julianne Franqui. Porque, apesar do fato que Kris desejava detestar � atriz, n�o podia mais. At� agora, Julianne s�  tinha sido simp�tica� e divertida e� Talvez  um pouco encantadora. Mas, tinha algo a mais que Kris n�o podia compreender.

antes de que tivesse a oportunidade do pensar mais, viu seu edificio. "� o pr�ximo," disse a Julianne. Kris olhou � atriz para ver se podia descifrar uma rea��o. Estava segura que Julianne estava acostumada a lugares mais chiques. Provavelmente estava achando uma pobreza s�. Mas se a famosa atriz achou algo do edif�cio, fez um bom trabalho n�o demostrou nada.

"N�o estou me sentindo muito bem," anunciou Leigh. De fato, parecia estar ficando verde.

Kris rezou para que desse tempo de chegar em seu apartamento antes que Leigh vomitasse. Sua melhor amiga nunca se perdoaria se vomitasse em cima de Julianne Franqui. Estamos chegando.

J� dentro do edif�cio, foram para o elevador. Na subida, Kris lembrou que Leigh estava com a chave do apartamento. "Onde est� a chave?"

"No meu bolso, disse Leigh, parecendo mais verde ainda.

"Qual?"

"Esquerdo."

Era do lado de Julianne. Kris olhou para Julianne. Se importa?perguntou, sentindo-se incrivelmente envergonhada por aquela situa��o.

Julianne pareceu vacilante, mas cumpriu. Quando as portas do elevador se abriram, Kris tinha as chaves na m�o. Eram s� uns metros at� seu apartamento. Conseguiu abrir a porta justo a tempo de ver a Leigh sair correndo. Segundos depois, a porta do banheiro  fechou-se inesperadamente.

Sozinha com Julianne uma vez mais, Kris procurou algo para dizer. "Obrigada," disse finalmente.
Os olhos azuis vagaram suavemente aos dela. "De nada." Julianne indicou a dire��o em que tinha ido Leigh. Ela vai ficar bem.

O olhar de  Kris seguiu o olhar de Julianne. Sim, disse. Tenho certeza que vai ficar  bem. Normalmente n�o se embreaga assim," se encontrou dizendo. Por alguma raz�o n�o queria que Julianne pensasse que era um h�bito de Leigh.

Teve uma breve pausa e Kris  perguntou se Julianne queria  ficar ou  ir. Quando a atriz n�o fez movimento para sair, Kris fechou a porta do apartamento. "Gostaria de  beber algo?" ofereceu, esperando ter algo para  dar a Julianne.

"Claro," aceitou Julianne.

Kris foi a geladeira. O que gostaria ?" perguntou, n�o segura de ter muitas op��es.

"�gua  com duas gotas de lim�o rec�m exprimido," falou Julianne.

Kris ficou olhando a quase vazia geladeira e depois olhou para a atriz. Risonhos olhos azuis olhavam-na e Kris deu-se conta que Julianne estava brincando.

De repente tenho desejo por isso,�  a�." Apontou.

Tem certeza?" Kris perguntou, pegando o recipiente da geladeira.

"Sim . "O Que �?"

Kris cheirou o conte�do e n�o gostou do cheiro. "N�o tenho id�ia."

Julianne riu. "Bebida misteriosa� minha favorita."

Kris foi at� a pia e jogou a misteriosa bebida. "Se te envenenar e acabar morrendo , terei problemas."

"N�o ter�," Julianne respondeu, devolvendo sua aten��o a geladeira.

Kris olhou para Julianne um longo momento, realmente n�o pensando  nada em particular. O fato que Julianne Franqui estivesse em sua cozinha olhando pensativamente o conte�do de sua geladeira lhe resultava particularmente divertido para Kris. Extravagante� mas divertido. "Lamento n�o ter muita coisa," se desculpou.
Julianne encolheu os ombros e fechou a geladeira. "Tem mais que eu. Ainda n�o comprei nada de comida."

"Como � isso?" perguntou Kris. De repente se lembrou que tinha uma caixa de refrigerante . E pegou uma lata. "Pepsi vale?"

"Sim, obrigada," disse Julianne. " porque n�o tive tempo."

"N�o pode contratar  algu�m que compre comida para voc�? perguntou Kris. Encheu um copo de gelo e entregou a Julianne.

Julianne abriu a lata de Pepsi e colocou no copo. At� poderia," disse, se sentando � mesa. "Mas me sentiria mau pedindo que algu�m fizesse isto." Tomou um gole. "Por que? Quer comprar minha comida?"

Kris sorriu, mas n�o teve oportunidade de responder porque Leigh escolheu esse momento para entrar na cozinha.

"Cama," disse Leigh e apontou para seu quarto. "'Noite." Sem outra palavra, foi para dire��o indicada.

Kris olhou-a por um segundo, depois balan�ou a cabe�a. "Amanh� ela vai  ter uma ressaca daquelas."

Julianne sorriu. "Vai mesmo." Pensou um momento. "Est� cansada?" perguntou, parecendo  t�mida.

Kris ficou olhando a Julianne, insegura o que responder para a atriz. "N�o,  Por que?

Quer ir comprar algumas coisas para eu ter o que comer?

Kris olhou a hora no microondas. Eram quase  duas da manh�. Agora?" perguntou.

Agora. Deve ter algum lugar aberto," disse Julianne.

 

Encontraram um lugar aberto. Terminaram comprando comida numa lojinha perto do apartamento de Julianne. Ela ainda n�o podia acreditar que teve coragem de  pedir a Kris para  comprar comida com ela. E o mais incrivel era, que Kris ter  aceitado. Quem sairia as 2 da manh�, para fazer compras? Ao que parece algumas pessoas, porque n�o eram as �nicas ali.

Julianne, disse  "Alegra-me que esteja aqui para me mostrar o que tenho que comprar."

Kris sorriu. "Bom, eu sou mais experiente nisto que voc�.


 Julianne, tinha sua aten��o nas caixas de cereais. "� uma decis�o dif�cil."

Kris concordou. "Este � bom," disse, segurando  a caixa de cereais.

"� o que voc� gosta?" perguntou Julianne. Por alguma raz�o estava  tomando nota das prefer�ncias de Kris. N�o sabia por que. N�o queria pensar no por que.

"Este aqui tamb�m � gostoso." Kris tamb�m pegou  essa caixa.

Julianne sorriu. "Muito nutritivo," disse, pegando as duas caixas. Vou levar as duas, depois vejo qual gostei mais.

"Nunca comeu esses?"
N�o.

Julianne procurou ao redor e finalmente encontrou o cereal de sua prefer�ncia. Apontou para a caixa. Esse que como? Tem muita prote�na e fibra."

Kris pegou a caixa e inspecionou-a. Disse, "N�o gosto."

"� Saud�vel," disse Julianne, pegando uma caixa e colocou em sua cesta, junto com os outros. "Que mais preciso?"

"Leite?" sugeriu Kris.

Julianne foi atr�s dela. Estava se  divertindo o que ia comprar era o menos importante com tanto que Kris estivesse com ela.

"Quer desnatado?" perguntou Kris. "J� que � t�o preocupada com sua sa�de. Est� fazendo regime?"

"Dieta?" disse Julianne. "N�o ...Por que?"

Kris encolheu os ombros, pondo a caixa de leite na cestinha. " N�o faz  dieta, ent�o?"

"N�o sou uma supermodelo," respondeu Julianne. "Mas prefiro o desnatado."

N�o gosto do desnatado... Kris disse  uma vez mais.

Julianne sorriu. " Seguiu a Kris pelo corredor e pegou algumas coisas  que poderia querer depois. "Deveria pegar uma massa. Poderia jantar amanh� comigo."

Kris ficou olhando-a. "Voc� tem um bom cozinheiro?"

"Perd�o?" perguntou Julianne, desconcertada.

"Algu�m vai cozinhar para voc�." disse Kris.

Julianne sorriu. "Sou perfeitamente capaz de cozinhar para mim, respondeu, "Que acha que fa�o o dia todo? Fico sentada enquanto meus escravos me abanam  e me d�o uvas na boca?"

N�o sei ? Kris disse, com um leve sorriso em sua cara.

Julianne sorriu e pegou alguns pacotes de tallarim. . Se eu  tivesse um cozinheiro, morreria de t�dio. Raramente estou em casa."

"Vive indo as festas dos famosos?" adivinhei disse Kris.

"Odeio essas  festas," disse Julianne.

Kris balan�ou a cabe�a. "Se eu fosse voc� n�o sairia revelando a sua vida  na   televis�o;

Os olhos azuis a olharam. "� sua sutil maneira de chamar-me de chata.

Voc� acha que fui sutil, disse com um sorrisinho em seus l�bios.


Julianne sorriu, espantada que Kris  tenha falado assim. Estava tirando uma de sua cara e isso a encantava. "Considerarei seu conselho, obrigada," disse depois de um momento. Olhou para sua cestinha de compras. "Acho que j� est� bom." E foram para o caixa pagar.

Kris a seguiu.

O homem do caixa mal a olhou enquanto passava as mercadorias de Julianne. Adoro Nova York, pensou Julianne. Ningu�m nunca me nota. Ele disse o quanto foi, e ela lhe deu o dinheiro. E sa�ram.

Onde mora?" perguntou Kris.

"Logo ali," Julianne indicou com o queixo. Suas m�os estavam ocupadas com as sacolas. "Obrigada por vir comigo."

"De nada," falou Kris. Ela levava a outra a metade das sacolas. "N�o passa um dia em que uma pessoa famosa me pe�a  para fazer compras com elas.

Uma pessoa famosa, Julianne pensou, sentindo-se deprimida de repente. Nunca vai me ver como outra coisa. N�o � que esperasse algo diferente. Era � um saco isso. "Bom, ouvi que Brad Pitt est� por aqui," se encontrou dizendo. "Talvez amanh� te convide para comprar sapatos."

Kris riu. Vou ver se posso ir, respondeu.

Fez-se um sil�ncio que n�o era t�o inc�modo como os anteriores. Uns minutos depois, Julianne indicou seu edif�cio.

"Uau," disse Kris, levantando o olhar. "Deve custar uma fortuna."

Julianne n�o respondeu, se sentindo envergonhada. Entraram e foram para o elevador. Esperava que Kris n�o achasse mesmo que  ela fosse  esnobe. Ficou olhando os n�meros no elevador enquanto procurava algo que dizer. "Foi minha  assistente que escolheu para mim," disse e se deu conta que n�o soava nada melhor.

"Ah," disse Kris. "Ent�o tem uma escrava particular."

"Eu n�o chamaria a Karen de escrava," respondeu Julianne, sentindo um pouco na defensiva de sua n�o-t�o-amiga mas n�o era sua escrava. "Ajuda-me a manter-me organizada. �s vezes as coisas ficam um pouco sem controle e ela organizada tudo muito bem. Ela  �  uma boa pessoa�Decidiu ficar quieta.

"Sinto muito," disse Kris depois de um momento. "N�o quis te insultar."

Julianne olhou em seus olhos verdes. "N�o me senti insultada."

A incomodidade voltou com tudo e de repente Julianne se sentiu incomodada. Podia ver que Kris tamb�m sentia o mesmo, o que acabava  ainda mais  com Julianne.

As portas do elevador abriram-se e Julianne saiu. O seu era o �nico apartamento do andar, para chegar at� a porta era s� quest�o de dar uns dois passos. Pegou  suas chaves e deixou a  Kris entrar primeiro.

Kris olhou ao redor no instante que entrou. Foi voc� mesma que decorou?" perguntou.

Julianne se deu conta das colunas de caixas por toda a  parte e sorriu. Est� brincando? Paguei uma fortuna para um decorador, disse indo � cozinha.

"Ele  mereceu o dinheiro," brincou Kris, seguindo a atriz. "Gosto da cor do papel." Colocou as sacolas que levava sobre a mesa e come�ou a olhar a cozinha. "Quanto tempo voc� mora aqui?"

Julianne olhou ao redor, perguntando-se que via Kris - que pensava isso. "S� uns dias," disse finalmente. "A realidade � que ainda n�o me sinto em casa.. "

Desencaixotar as coisas  poderia ajudar," sugeriu Kris, seus olhos verdes foi at� Julianne. "S� uma id�ia."

Farei isto logo," respondeu Julianne, combatendo o impulso de ficar olhando nos olhos de Kris. N�o estava segura de voltar a encontrar sua voz . Quer beber alguma coisa? Tenho-" come�ou a tirar as coisas da sacola "- leite , suco de uva e �gua ."

Kris balan�ou a cabe�a, dizendo que n�o queria nada. Acho que preciso ir embora." Olhou para o rel�gio do microondas. Piscava 12:00. Ent�o olhou para seu rel�gio . Eram quase  tr�s e meia da manh�.

Eu te levo de carro," disse Julianne em seguida. "Deixa eu s� guardar estas coisas."

Kris disse. "N�o precisa fazer isto."

"Bom, acho que o leite n�o vai gelar sozinho," respondeu Julianne,  antes de guard�-lo na geladeira.

Kris abriu a boca para responder. Fechou. Ent�o abriu de novo. "N�o tem que me levar para casa," conseguiu dizer finalmente. N�o me importa ir andando.

Julianne parou de guardar as coisas  para olhar o teto pensativamente. "At� pode, mas se te acontecer alguma coisa seria uma publicidade horr�vel para mim." Sorriu de novo. "E tamb�m , n�o ia conseguir dormir sabendo que estava indo para casa sozinha. Teria que te pedir para  ligar quando chegasse� e est� espera iria me deixar nervosa. Ent�o me poupe disto.

Kris ficou olhando a Julianne Franqui por um longo tempo. T� bom, eu deixo voc� me levar. "N�o quero ser a causadora de sua ins�nia."

Voc� n�o sabe de nada. Julianne sorriu e voltou a guardar seus mantimentos. j� estava tudo guardado, encarou a sua convidada. "Obrigada por fazer isto comigo," disse. "Sei que foi um pedido estranho."

Kris lhe sorriu. "Estou come�ando a pensar que coisas estranhas � a �nica coisa que posso esperar de ti," disse.

Vou entender como um elogio isto," Julianne  riu. Pegou as chaves de seu carro e indicou a porta. Pronta para ir.

Kris concordou. Se insiste, eu estou pronta.

 


Kris beliscou o bra�o no elevador enquanto desciam. Realmente n�o estava sonhando, mas em alguns momentos parecia como a �nica explica��o. Os eventos dessa noite desafiavam completamente as leis da raz�o. N�o  lhe ocorria nada que pudesse entender � situa��o em que estava. Mas, por alguma raz�o, estava tendo problemas em concentrar-se.

O fato de Julianne Franqui estar apoiada contra a parede do elevador, parecendo como se tudo fosse perfeitamente normal, estava  distraindo particularmente  Kris. Sentia-se como aqueles passatempos que vinha no jornal do domingo: Que objeto n�o faz parte desta imagem? Quase podia imaginar uma grande caneta vermelha aparecendo do nada e tra�ando um grande c�rculo ao redor dela. Ou quem sabe, desenhando um c�rculo ao redor do elevador. Ou s� de Julianne. N�o importava porque, de  qualquer forma que o olhasse, algo estava fora de lugar.

Kris decidiu que era ela que estava fora de lugar porque o elegante elevador, com os adornos em ouro ao redor dos bot�es, certamente n�o fazia parte da vida dela. Julianne Franqui, por outro lado, parecia perfeitamente em casa. A atriz provavelmente estava acostumada aos adornos em ouro.

Quando as portas do elevador se abriram, Kris saiu primeiro. Encontraram o porteiro de unifome azul. Que as comprimentaram.

"Tenha cuidado a� fora, Srta. Franqui," disse o homem.

Julianne disse. Obrigada, Terry. Boa noite.

Kris achou raro� e estranhamente fascinante� a maneira  que Julianne falou com o homem que n�o podia ter conhecido mas que uns dias. Assim  decidiu o comentar. Sempre fica t�o amiga de seus porteiros t�o rapidamente.

"Terry?" Julianne perguntou, segurando a porta entre aberta para que Kris passasse. "N�o � meu porteiro." Indicou o homem apoiado contra uma das outras portas de cristal. Aquele homem que estava roncando. Ele sim era o porteiro." Parecia divertir-se com isto. "Terry � um de meus guarda-costas. Ele est� disfar�ado.

Kris tentou n�o se concentrar no fato de que tinha mais de um. Ent�o n�o deveria estar nos seguindo? perguntou.

"N�o,  sou t�o paran�ica." Ent�o parou de repente e encarou  Kris, que tamb�m parou. Isso n�o � toda a verdade," admitiu. "A verdade � que  minha m�e quer  saber como est� sendo a minha mudan�a para Nova York e foi a desculpa perfeita para ela infiltar um de seus espi�es na minha vida."

"N�o  entendo," disse Kris, porque realmente n�o estava entendendo.

Julianne come�ou a caminhar de novo. "Vamos. Tenho que te levar para casa." Desta vez, sua voz pareceu triste e distante. Kris captou de imediato a mudan�a de tom e perguntou tem algum motivo. Depois de um momento, Julianne falou de novo. "Minha m�e est� com medo que eu  fa�a algo escandaloso. Tem tend�ncia a contratar pessoas para seguir-me para se caso eu me meter em problemas, ela possa  cortar o mal  antes  que chegue aos meios de comunica��o." Julianne encolheu os ombros. Ela � maluca.

Kris ficou em d�vida. "Sua pr�pria m�e te espi�?"

"Bom," Julianne come�ou, com um perverso sorriso que Kris estava  come�ando a  gostar. "Acha que me espia. Mas fiz um acordo com eles para pagar o dobro o que minha m�e estivesse pagando. Assim eles enviam relat�rios falsos para ela. Escrevem coisas loucas sobre minha vida." Riu de uma lembran�a, e olhou para Kris. "As vezes pe�o a um deles, como Terry, que vigie o lugar. Normalmente quando viajo para um lugar  que n�o estou acostumada a ir ou quando me mudo para uma nova casa.

"Parece� complicado," comentou Kris. N�o podia se identificar,  mas se sentia um pouco mal por que Julianne tinha que passar por tantos problemas s� por existir. Suponho que � o pre�o  a pagar�

Julianne parou diante de um carro branco. Kris ficou surpresa com aquele carro. Tinha esperado algo diferente. Uma Ferrari ou um Porsche� ou uma limosine. "Mas � um carro popular?" perguntou enquanto entrava no do lado do passageiro.

Esse n�o � o meu carro, respondeu Julianne. "� alugado."

"Ah," expressou Kris. Provavelmente n�o queria ter sua Ferrari estacionada no meio de Nova York.

"O meu � azul," explicou Julianne.

Kris foi pega de surpresa. N�o entendi.

Julianne a olhou e deu a partida. "O meu carro � igual a este,s� que azul.

"Ah," foi a �nica coisa que Kris pode pensar em  dizer. De repente queria  chegar logo a seu apartamento. Estar com Julianne Franqui a esgotava. A atriz deixava a mente dela  muito confusa e cheia de sentimentos misturados. Desejava entender Julianne mas, quanto mais tentava, mais confusa ficava. E ja estava muito cansada para seguir tentando.

Ao menos por essa noite.

O tr�nsito estava horr�vel, �s quatro da manh�. Luzes vermelhas e azuis anunciavam algum tipo de acidente. Kris estava certa  de que Julianne lamentava a oferta de levar ela para casa. "Pode me deixar por aqui," sugeriu, querendo livrar � atriz de seu compromisso. "Posso ir andando at� minha casa.

Julianne concordou. Ent�o vai, disse e Kris encontrou-se estranhamente frustrada.

Kris sentiu-se secretamente aliviada, especialmente quando um momento depois come�ou a chover. O �ltimo que queria era uma repeti��o da noite de formatura. Caminhar para casa sob a chuva n�o tinha sido nada divertido. Ainda que a situa��o era diferente. Muito diferente. N�o � como se Julianne Franqui fosse tentar seduzi-la com velas num quarto de hotel.

Foi nesse momento que Kris compreendeu o quanto estava cansada .

Deu uma olhada para atriz, que parecia ocupada procurando algo no banco  de atr�s. Um momento depois, Julianne deixou cair um objeto  nas pernas de Kris.

Kris reconheceu como um porta CDs. "Agora vai me sobornar com m�sica?" perguntou.

Julianne riu e Kris n�o p�de evitar sorrir tamb�m. "Escolhe alguma coisa para  ouvirmos," disse Julianne.

Kris teve a sensa��o de que a Julianne gostava de manter as coisas organizadas porque tudo estava em ordem alfab�tica. olhou os nomes dos artistas. "Ani Difranco?" perguntou, levantando o olhar. Leigh ouve.

"Gosto de suas letras," respondeu Julianne. "Muito po�ticas."

"N�o vejo muita poesia teve que admitir Kris, voltando a olhar os  CDS. Julianne escutava de tudo. De Alanis Morissette a Metallica,  Schubert a SWV,  Miss Saigon � excelente," encontrou-se comentando. "Leigh escuta muito. E Phantom e Cats� todos esses." Julianne  tinha todos.

Eventualmente, depois de avan�ar um pouco no tr�nsito, Kris ficou com um CD n�o identificado. E este perguntou?

Julianne olhou e disse, meu amigo gravou," disse, parecendo momentaneamente corada. S�o as que mais gosto.

 Kris decidiu ouvir este. Entregou o CD e sentiu ro�ar seu dedo contra o de Julianne o mais breve dos segundos. "Espero que n�o seja country," se encontrou dizendo, tentando ignorar a estranha sensa��o de formigamento em seus dedos ao tocar nos dela.

"N�o � f� de country," Julianne perguntando , colocando para tocar. "Poder� ter uma can��o country perdida aqui ou ali,  estou te avisando. Gosto de quase tudo."

 Kris n�o se importou, porque tinha mais curiosidade pelo tipo de can��es que Julianne Franqui gostava.

Um momento depois, uma can��o que Kris n�o conhecia come�ou tocar.

"N�o � country," Julianne anunciou. "Teve sorte."

Kris encontrou-se rindo. De quem �?

'Naked', respondeu Julianne. " Da Avril Lavigne. � minha m�sica favorita.

Kris tentou deduzir o que isso significava escutando a m�sica. Era uma can��o de amor. Perguntou-se brevemente em quem pensava Julianne quando escutava esta can��o. Voc� tem namorado ? perguntou..

"N�o tenho," Julianne respondeu, e olhou para ela.

Interessante. Kris decidiu ouvir a m�sica, porque compreender a Julianne Franqui ia ser um longo projeto.

E, por alguma raz�o, sentia-se interessada neste desafio.

Continua...

  

Parte 17 

Home   Uber

Hosted by www.Geocities.ws

1