O Lado Cego Do Amor

INGRID DIAZ

The Blind Side of Love

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 Tradu��o de Fernanda

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40


"Que chato que Adrian n�o pode vir desta vez," comentou Karen em seu assento ao lado de Julianne.

Julianne respondeu apenas um sim, e continuou olhando pela janela do avi�o. Tinha muitas coisas em sua cabe�a para se preocupar com Adrian. Ainda tinha essa audi��o. E se tivesse que beijar  um punhado de garotas diferentes?

Karen olhou � atriz com preocupa��o. "Est� bem?" perguntou suavemente. "Julianne?"

Julianne olhou a sua assistente e for�ou um sorriso. "N�o gosto de voar, " explicou e voltou a olhar a  janela.

"Est� nervosa por  causa deste filme?" perguntou Karen suavemente.

Franzindo o cenho, Julianne voltou a  olhar para Karen. O que quer dizer com isto?"

Fica sempre tensa sempre que sai o tema," disse Karen, tentando parecer casual.

Julianne fez uma pausa, insegura de como abordar o assunto.

Karen suspirou. "Sinto muito," se desculpou.

"Est� tudo bem," Julianne lhe assegurou. "Karen, ap�s dois anos tem o  direito de me  fazer perguntas. Nem sempre sei  a melhor forma de responder." Suspirou. "E sim, estou nervosa por fazer este filme."

Karen ouviu a resposta e ficou quieta.

Julianne n�o sabia que mais dizer sobre o assunto, assim permaneceu em sil�ncio. Pensamentos e preocupa��es reclamavam sua aten��o. Na raiz de suas inseguran�as e medos o que mais lhe preocupava era: Kris. O fato que n�o tinha id�ia do que fazer.

"Sabe," come�ou Karen, tirando  Julianne de seus pensamentos, "dizem que sou boa ouvinte� quando n�o falo. Se alguma vez quiser falar de algo� prometo n�o correr � imprensa.

Julianne sorriu para sua assistente. "Obrigada, Karen. Confio em voc�.

Karen ficou feliz com a resposta.

Julianne olhou de novo pela janela, contemplando as nuvens. Sem pensar disse, "Acredita em destino?"

"�s vezes," respondeu, Karen em seguida. "Por que?"

"Por nenhuma raz�o," disse Julianne, olhando para as nuvens. "Por nada mesmo."

 

"Bom, � sobre o que o filme?" perguntou Sari Serrano passando o frango para  Kris.

Kris passou diretamente para Leigh sem nem olhar para eles.

Leigh pegou um peda�o do frango frito. "N�o sei muito bem," respondeu. "S� me deram algumas falas para decorar, e n�o li o roteiro inteiro."

Kris falou. "Temos tentando deduz�-lo pelas pistas no di�logo, mas � bastante vago. "Mas estamos quase certas que se passa em 1900 .

 Definitivamente n�o � um material atual," concordou Leigh, com sua boca cheia de arroz e frango.

Kris concentrou-se em pegar a comida , tentando reunir for�as para dizer o que desejava dizer. Finalmente, abriu a boca. "hoje falei com William."

Sari levantou o olhar de sua comida, Carlos resmungou algo.

Kris tomou-se isto como sinal para continuar. "Est� bem e j� conseguiu trabalho."

"De que, cabelereiro?" disse Dimitri com raiva.

Kris esperou que um de seus pais chamasse a aten��o de seu irm�o. Nenhum disse nada. Olhou rapidamente para Leigh que  encolheu os ombros. Um pouco nervosa, Kris disse, "Conseguiu trabalho numa empresa de computadores em Manhattan.

Sil�ncio.
Finalmente, seu pai falou. "Sari, poderia me passar as batatas?"
 
N�o tinham ouvido uma palavra do que tinha dito? N�o lhes importava? Estava t�o nervosa que nem podia comer. Um momento depois, sentiu a m�o de Leigh em seu bra�o. Olhou rapidamente a sua melhor amiga que sorriu ligeiramente em apoio. Kris respirou fundo e tentou concentrar-se em seu jantar. Tempo, disse para si. S� precisam de mais tempo.

Depois de uns minutos de sil�ncio, Carlos falou de novo. Leigh, a que horas � sua audi��o amanh�?"

" �s nove da manh�," Leigh respondeu. "N�o sei quanto tempo durar�. Disseram-me que talvez tenhamos que ficar o dia todo ."

" Est� nervosa?" Sari perguntou suavemente.

"Muito," confirmou Leigh. "Nunca  estive t�o nervosa em toda a minha vida."

"Vai atuar perfeitamente, Leigh," assegurou-lhe Dimitri. " imagina eles  nus."

Leigh riu. "Obrigado, D."

Kris estava irritada com seu irm�o e mesmo que fosse am�vel com Leigh n�o ia compensar o que tinha dito de William. Lan�ou-lhe um olhar que esperava que o  levasse ao mesmo pensamento. Ele encolheu os ombros e voltou a comer.

Ap�s o jantar, Carlos e Dimitri sa�ram para alugar um filme e as garotas ficaram ajudando a Sari  limpar a cozinha. Tem  not�cias de Nathan?" perguntou Sari.

Kris tinha estado esperando essa inevit�vel pergunta o jantar todo. "N�o,"respondeu. "E duvido que  tenha de novo."

Sari balan�ou a cabe�a e deu outro prato para Kris secar. "N�o sei em que pensava ao recusar o pedido daquele pobre garoto."

Kris n�o disse nada.

"� bonito, rico e inteligente como poucos," declarou Sari. "Que mais quer?"

"N�o o amava," Kris explicou. "E outras coisas, que ele fez�" Kris ficou quieta. A �ltima coisa que desejava era iniciar uma discuss�o sobre a noite da formatura.

"Ele fez o que?" perguntou Sari.

Kris olhou rapidamente para Leigh que estava ocupada despejando as sobras dos pratos no lixo. Leigh parou o que estava fazendo para ouvir  Kris. "Ele n�o � o que desejo."

Leigh balan�ou a cabe�a e voltou ao que estava fazendo.

Sari suspirou. "espero que encontre logo o que quer," lhe disse. "N�o pode passar o resto de sua vida rompendo cora��es de jovens." Sorriu com  seu pr�prio coment�rio.

Kris tamb�m sorriu e se concentrou em secar o prato em sua m�o. Nathan n�o era o que desejava. Mas o que desejava?

 


"Caf� ou ch�?" ofereceu Naomi Mosier.

Julianne abafou um bocejo. Karen tinha raz�o: n�o estava bem . Era segunda-feira  de manh� Julianne estava esgotada. "Caf�, por favor," respondeu. E que seja duplo.

Naomi Mosier repetiu a ordem para seu assistente e voltou seus olhos verdes para Julianne. "Estou muito feliz que tenha aceitado fazer, Srta. Franqui. Faz tempo que sou f� de seu trabalho."

"Obrigada," disse Julianne sorrindo. At� agora, Julianne n�o podia decidir se gostava da mulher ou se n�o gostava da mulher. Era mais jovem do que Julianne esperava. Ou talvez s� parecesse mais jovem.

Naomi consentiu, pondo uma mecha de seu cabelo curto atr�s de sua orelha. "Leu o roteiro?"

Eu li!

Vou precisar de sua ajuda para escolher quem vai fazer o papel de Emma," a diretora explicou. "Chamei algumas atrizes que j� conhe�o e outras que n�o conhe�o ainda. Tenho certeza que j� fez isto antes."

Julianne respondeu que sim.

Perguntas?" disse Naomi.

Julianne come�ou a negar com a cabe�a e ent�o se deu conta que provavelmente seria melhor dizer uma palavra. "N�o," foi a palavra que disse.

Naomi sorriu. "Dia dif�cil?"

"M�s dif�cil," disse Julianne, devolvendo o sorriso. "Que cena vamos fazer?"

"Quero fazer algumas," Naomi respondeu. "Onde Emma e Elizabeth se conhecem e outras mais. Talvez onde se beijam pela primeira vez, tudo bem?"

Julianne estava certa que tinha ficado p�lida consideravelmente nos �ltimos segundos. "Tudo bem ,disse, ainda que parecia for�ado inclusive para si mesma.

Naomi estudou  Julianne por um longo momento e tinha aberto a boca para dizer algo quando a porta se abriu.

"Algu�m quer Caf�?" perguntou o assistente de Naomi, Jeremy Stills.

Julianne aceitou a x�cara e tomou um longo gole. A cafe�na seria maravilhosa neste momento.

Quando Jeremy saiu, Naomi disse, "Eric me disse que n�o queria aceitar este papel."

Julianne examinou � diretora.

"Alguma raz�o em particular?" questionou Naomi.

Julianne terminou o caf� e p�s a x�cara na mesa. "N�o tinha certeza se  seria um bom neg�cio para minha carreira."

Naomi consentiu. "Ent�o, por que aceitou?"

Julianne encontrou o olhar da diretora. "Gosto de um desafio," foi sua resposta.

Satisfeita com a resposta, Naomi sorriu. Julianne estava gostando do sorriso dela. Pronta perguntou, se levantando.

"Como jamais estive," disse Julianne suavemente, tamb�m se levantando. Seguiu � diretora.

Karen estava falando em seu celular e cortou a liga��o quando viu  Julianne. "Tudo bem?" perguntou, indo atr�s da atriz.

Julianne disse: Depende do que ache que seja bem.

"Est� p�lida," Karen sussurrrou.

"� o  clima de Nova York," explicou Julianne. "Vou ficar bem;  espero que a cafeina do caf� me ajude."

Karen sorriu. Quando precisar de outra dose, me fale.

"Conta com isso," disse Julianne a sua assistente.

Naomi abriu uma porta e Julianne entrou depois da diretora. Tinha tr�s cadeiras de um lado. E do outro lado estava cheio de  garotas muito parecidas; do outro lado executivos e alguns indiv�duos vestidos informalmente. Todos deixaram de falar no instante que Naomi e Julianne entraram no quarto.

Naomi levou a Julianne at� os executivos. "Julianne este � Ed Barring e Martha Jacobs, nossos amados produtores."

Julianne sorriu e apertou as m�os deles. "Prazer em conhec�-los," disse-lhes.

Naomi seguiu at� onde as pessoas se vestiam informalmente. "Esta � Rhea McKee, nossa diretora de fotografia, e Jordan Silver, nosso diretor de casting."

Trocaram-se formalidades uma vez mais.

Um pequeno murmurinho se iniciou do outro lado no instante que Julianne Franqui foi vista.

"Senta, Julianne," disse Naomi.

Julianne deixou  Karen sentar-se primeiro e ent�o se sentou tamb�m.

Naomi  apresentou-se ao grupinho de ansiosas atrizes. "Hoje vamos escolher  os pap�is de Emma, Janna e Kim," explicou a diretora. "As que forem fazer o teste  para Janna e Kim interpretar�o juntas e depois trocam os pap�is. As que foram para Emma interpretar�o com Julianne Franqui."

Julianne podia ver v�rias garotas a olhando fixamente, mas manteve sua aten��o focada em Naomi.

"Primeiro faremos os testes para os pap�is de Janna e Kim," Naomi continuou. "Quem eu chamar, por favor, v�em � frente. O resto pode esperar l� fora,  at� ser chamada. Perguntas?"

Ningu�m levantou a m�o.

Julianne suspirou. Ia ser num longo dia.

"Jean Hannon e Leigh Radlin," Naomi chamou.

Julianne paralisou-se. Sentiu o sangue abandonar sua cara. N�o podia  ser. Olhou o grupo de garotas e viu a Leigh indo para a frente . Meu Deus.

"Est� bem?" perguntou Karen, repentinamente preocupada. "Parece que vai desmaiar."

Julianne piscou algumas vezes, ent�o conseguiu olhar  Karen o bastante para dizer, "Tenho que fazer uma coisa."  J� fora dali, pegou  seu  celular e ligou.

"Ligou para o  escrit�rio de Eric Moura," mas ningu�m atendeu.

Julianne desligou e ligou para outro n�mero . "Por favor, atenda,"

"Oi, amiga" ouviu a voz de Adrian.

"Adrian," disse Julianne. "Tenho um problema."

Qual � a crise de hoje, Jules?"

"Adivinha quem esta fazendo teste para meu filme," disse.

"Brad Pitt?" disse Adrian. "Este � hetero, n�o deve ser?"

"A melhor amiga de Kris," disse, Julianne.

Aquela ruivinha linda?"

"Essa mesma," Julianne confirmou.

"Todas as vezes que n�o posso ir contigo a Nova York, sempre  perco o melhor. Bom, vai fazer o teste com ela? Porque ela parece ser bem quente."

"Adrian!" Julianne gritou. O que eu fa�o?

 Julianne  n�o posso resolver todos os seus problemas."

"Agh. Est� despedido como meu melhor amigo," disse e desligou o celular. Ent�o bateu o celular contra sua testa um par de vezes e inspirou profundamente. S� tenho que ficar  tranquila, aguentar a audi��o e atuar como se n�o tivesse id�ia de quem ela �. Sou atriz. Posso fazer isto. Respirou fundo e voltou para l�.

Naomi estava dando instru��es �s duas garotas. Julianne sentou-se ao lado de Karen.

"Est� bem?" Karen perguntou.

Julianne consentiu. "Me lembrei ,que tinha que fazer uma liga��o."

Escutou  Naomi por um momento e ent�o perguntou para Karen. "Quem � essa garota ruiva?"

"Leigh Radlin," respondeu Karen. Tudo o que sei � seu nome at� agora.

"Hmm," comentou Julianne, devolvendo sua aten��o ao teste das garotas. Reconheceu a cena no instante que se pronunciou a primeira linha do di�logo. Julianne n�o admitia, mas leu v�rias  vezes o roteiro que praticamente o sabia de cor.

N�o passou muito at� que Julianne se desse conta que Kris n�o exagerava  quanto as habilidades c�nicas de Leigh. A garota era boa, muito boa. Uma olhada para o resto do casting reunido confirmou que n�o era a �nica que pensava assim. Emo��es misturadas sentia Julianne. Em que me meti?, perguntou-se.

Quando a cena acabou, Naomi falou. "Muito obrigada," disse. "Jean, bom trabalho. Entraremos  em contato contigo. Leigh, gostaria que ficasse  e interpretasse o papel de Emma."

Isto n�o est� acontecendo comigo, pensou Julianne. Quase fingiu ter dor de est�mago, o que fosse para fugir dali.

Naomi deu a volta para ficar na frente dela. Pronta?" perguntou.

Estou, Julianne for�ou um sorriso e se levantou. Deus, por favor, me tira disto, rezou enquanto se aproximava de Leigh.

"N�o tenho esta cena preparada," disse Leigh.

Naomi concordou e deu-lhe outras p�ginas do roteiro. "Fa�a o melhor que puder," disse.

Um  celular tocou em alguma parte e Julianne rezou que fosse o seu. Desgra�adamente, era o de Naomi. A diretora pediu licen�a e deixou a sala de audi��o.

Julianne n�o estava segura se voltava a se sentar ou permanecia em p�. Ao final, optou pelo �ltimo. Deu uma olhada em Leigh, que estava repasando o roteiro sem saber que cena seria. Poderia dizer-me que cena �?" encontrou-se perguntando.

Leigh olhou para ela, parecendo desconcertada pela pergunta.

"Cena?" Julianne disse.

Leigh disse e imediatamente entregou as p�ginas a Julianne. Eu n�o sei que cena �.

Um r�pido exame do di�logo confirmou as suspeitas de Julianne. Que fiz para passar por isto? Devolveu as p�ginas. "� essa," disse.

"Obrigada," disse Leigh e come�ou  a ler. Um momento depois, olhou para Julianne. "N�o sabia que isto era um� um�"

"Filme l�sbico?" Julianne disse.

"Se quiser fugir posso dizer, que ficou doente," disse Julianne.

Leigh sorriu. "N�o," disse. "Mas  falta pouco para eu ficar de  verdade."

"Se te ajuda, se saiu muito bem naquela cena anterior," se encontrou dizendo Julianne.

Leigh abriu a boca para dizer algo, mas Naomi escolheu esse momento para voltar. Sinto," a diretora se desculpou. "Est�o prontas podemos come�ar?"

Julianne e Leigh assentiram.

" Naomi foi se sentar. "Esta � a cena do primeiro beijo de Emma e Elizabeth. H� muitas emo��es conflitivas entre voc�s, tentem lembrar isso. Leigh, sabemos que n�o se preparou para fazer esta cena, fa�a o que poder. Julianne, conhece as frases desta cena?"

Como a palma de minha m�o. "Sim," disse.

Naomi deu-lhe de novo aquele sorriso. Trocou umas palavras com seu  assistente. Ent�o disse. " Querem fazer alguma pergunta? N�o? Ent�o, ela disse� a��o."

Julianne  j� estava no personagem, mas ainda se sentia um pouco mal. Nunca  tinha ensaiado esta parte com ningu�m. "O que est� fazendo aqui?"

"Recebi seu recado," Leigh respondeu, j� atuando. "Tive medo que j�  tivesse ido."

Julianne evitou o contato visual e permaneceu calada.

"Lamento n�o ter podido chegar antes," se desculpou Leigh, se aproximando. "Me atrassaram."

Julianne apenas a olhou, tentando controlar suas emo��es. Sabia que sua personagem estava irritada mas se negava demostrar. " O que te atrasou?" perguntou finalmente.

Leigh fez uma pausa e parou a meio passo dela. N�o respondeu.

Julianne voltou a enfrent�-la com l�grimas em seus olhos. Vai casar mesmo com ele?

Leigh n�o desviou o olhar. "Tenho que casar," respondeu  suavemente. Sabe disto.

Julianne permitiu uma l�grima cair por sua bochecha. "N�o significa que tenha que  aceitar," respondeu, tentando parecer mais segura do que se sentia.

"Liz," disse Leigh, se aproximando mais e secou a l�grima dela.

Julianne afastou-se.

"Por que queria me ver?" questionou Leigh, dando um passo para atr�s, sua voz estava cheia de dor. Quando Julianne n�o respondeu, se aproximou. "Liz ?" Quando n�o teve resposta, Leigh disse, "Tenho que ir."

Julianne a viu se afastando e disse finalmente, "Emma, espera."

Leigh se virou devagar e Julianne rapidamente foi at� ela. Antes que nenhuma tivesse tempo de  pensar o que iriam fazer, seus l�bios se tocaram.

"Corta" disse Naomi ainda sentada.

Julianne tinha  certeza que estava ruborizada at� as ra�zes de seu cabelo.

"Excelente trabalho," declarou Naomi.

Julianne concentrou-se na diretora, evitando olhar para Leigh . Tinha certeza que Leigh estava igualmente envergonhada pela situa��o.

"Leigh, obrigada," estava dizendo Naomi. "Estraremos em contato com voc�."

Leigh agradeceu a todos, inclusive  Julianne e saiu rapidamente dali.

Julianne olhou sua sa�da . E foi se sentar.

"Que achou?" perguntou Naomi para Julianne enquanto passava.

"� muito boa," respondeu Julianne sinceramente.

� mesmo concordou Naomi. Devolveu sua aten��o ao resto de sua equipe e discutiu umas coisas com eles antes de chamar as outras duas atrizes.

Julianne sentou-se, sentindo-se incrivelmente ansiosa e mais  um pouco doente. Karen n�o disse nada e Julianne estava agradecida. Deveria ter fingido estar doente est� manh�, decidiu. Nada podia me preparar para beijar � melhor amiga de Kris. Suspirou e escorregou ligeiramente na cadeira. Nem quero saber o final disto.

 

41


Kris saltou do sof� no instante que ouviu a porta se abrir. " Foi  bem?" quis saber com impaci�ncia enquanto Leigh chegava. Kris notou que Leigh n�o chegou muito contente. " O que  aconteceu?" perguntou, gentilmente desta vez.

Leigh entrou no apartamento e fechou a porta.  Em lugar de responder, foi para a cozinha e sentou-se.

Kris foi atr�s dela. "O teste n�o foi bom?" perguntou suavemente, se sentando tamb�m. J� tinha preparado um discurso para cada resultado.  

Depois de alguns minutos em sil�ncio, Kris estava a ponto de falar de novo, quando Leigh falou. "Foi� bom," disse. "Muito bom, na realidade."

Kris n�o sabia o que responder � est� situa��o. Estava preparada para receber uma Leigh extasiada com boas not�cias ou uma Leigh deprimida com m�s not�cias. Kris n�o sabia o que dizer para uma Leigh deprimida com boas not�cias. "Que bom?" disse com incerteza.

Leigh olhou a sua melhor amiga. Estou em choque, acho que ainda estou respondeu.

Conseguiu o papel? perguntou Kris, de repente sentindo-se entusiasmada.

"N�o sei ainda," respondeu Leigh. "Foi a primeira audi��o."

Kris estava confusa. Foi realmente bem?"

"Eu� ," come�ou Leigh. "Tive que beijar  algu�m."

Quem?" perguntou Kris, come�ando a ficar desesperada. Quando Leigh n�o respondeu  em seguida, Kris perguntou, "Algu�m que conhecemos?"

Leigh concordou.

� uma pessoa famosa?" perguntou Kris, sua emo��o voltou rapidamente.

"Oh, sim," respondeu Leigh. "Muito famosa."

Kris ficou pensando, sabia que Leigh n�o ia oferecer nenhuma informa��o. Rye Phillips?"

Leigh a ficou olhando com um sorriso misterioso em sua cara. "Perto," respondeu. Chegou muito perto.

Kris pensou  um pouco mais mas n�o se lembrou de ningu�m mais. "N�o sei," disse finalmente.

Leigh disse. Vou dar uma pista. "Ganhou o pr�mio de Melhor Beijo."

Kris franziu o cenho. "Se n�o �  Rye Phillips?" perguntou, de repente muito desconcertada.

"Adivinha de novo."

Melhor Beijo? Os ganhadores foram Rye Phillips e� Paralisou. "N�o fala," murmurou Kris.

Quer que eu diga.

Julianne Franqui?" perguntou Kris para assegurar-se que n�o tinha errado.

"A �nica e verdadeira."

"Beijou a Julianne Franqui?" repetiu Kris.

Leigh consentiu. "� um filme l�sbico," disse Kris. "E ela �  a protagonista."

Est� brincando," disse Kris, achando que era brincadeira para a distrair do fato que Leigh tinha conseguido o papel.

"Kris," disse Leigh bastante s�ria. "Beijei a Julianne Franqui.  Tecnicamente, foi ela que me beijou."

"Nos l�bios?"

"Sim."

Kris ficou atordoada por um longo tempo. "Mas n�o tinha nenhum beijo nas cenas que ensaiamos," disse.

Leigh encolheu os ombros em resposta. "A diretora decidiu me testar para outro papel ."

"Jura que n�o est� me enganando," disse Kris, ainda insegura sem saber se acreditava ou n�o.

"Juro por minha carreira de atriz que beijei  a Julianne Franqui," disse Leigh, levantando a m�o direita enquanto falava.

Julianne Franqui vai fazer uma l�sbica?" perguntou Kris.

"� uma epidemia," disse Leigh. Est�o por toda a parte."

Kris franziu o cenho. Acha que Julianne Franqui � gay?

Leigh pensou um momento e ent�o encolheu os ombros.
"Provavelmente n�o. Sempre escolhem  atrizes heteros para interpretar esses pap�is." Apontou-se para ilustrar seu ponto de vista. "Ainda que, provavelmente, seria melhor se fosse. Aquela coisa com quem est� saindo � horr�vel."

Kris riu, ent�o mordeu o l�bio inferior por um momento. "E como foi?" perguntou, incapaz de evitar a pergunta.

"beijar  uma garota ou beijar a Julianne?" perguntou Leigh.

"Ambas," disse Kris.

Leigh ficou pensativa. "Bom, foi muito r�pido,"respondeu. "Tirando o fato que tinha um punhado de gente olhando e eu tinha que me manter no personagem. "Foi interessante."

"Interessante?" perguntou Kris, n�o satisfeita com a resposta.

"Bom, n�o me acendeu em nada," respondeu Leigh, um pouco na defensiva. "Por outro lado, tamb�m n�o senti vontade de vomitar." Acha que significa algo?"

N�o tenho id�ia.


"Bom, qual � o seu  papel?" perguntou Kris.

Leigh suspirou. "Digamos que beijarei frequentemente  Julianne Franqui ser� que consigo."

Kris sorriu. � t�o ruim assim?"

Leigh considerou a pergunta. "Eu teria o segundo papel do filme, Fez uma pausa. Acha que isso significa algo?"

"N�o sei, de repente, est� ca�da por Julianne Franqui," brincou Kris.

"N�o � meu tipo," respondeu Leigh. "Mas o assistente da diretora, ele �  algo aparte. Acho que chama-se Jeremy. Se conseguir um dos pap�is, vou te levar no set para que possa ver ele. � um gato."

Como � ela?  Kris, perguntou.

N�o tive muita chance de falar com ela. Mas parecia�"

"Metida?" Kris disse.

"Nervosa," disse Leigh. "E n�o � nada metida. Perguntou-me se eu sabia que cena iriamos  fazer e ent�o se ofereceu para me cobrir se eu decidisse fugir. Depois fizemos a cena juntas e  vim embora." Sorriu. Tem uma coisa. Atuar com ela foi incrivel. � muito  intensa."

Como conseguiu atuar t�o serenamente com tudo isto, " disse Kris.

"Disse, n�o sei por isto estou em choque," Leigh explicou. Eu ainda n�o acredito em tudo que aconteceu  hoje.

Kris riu. "Uau," disse depois de um momento. "Nem eu ."

"Eu tamb�m n�o," Leigh estava de acordo. Mas eu estava l�.

"Acha que vai conseguir  um dos pap�is?" perguntou Kris.

"Espero que sim," disse, Leigh.

 


"A beijou?" disse Adrian .E eu perdi isto.

Julianne olhou em volta, n�o queria que ninguem ouvisse que Adrian estava dizendo. Atr�s dela, Karen estava vendo televis�o. Julianne assegurou-se que sua assistente n�o fosse escutar. Isto j� est� come�ando a se complicar.
Eu sei, Adrian

Julianne suspirou. "N�o sei que fazer. E se a Leigh conseguir o papel?"


Julianne estava se sentindoo doente. Estava se sentindo mal desde a audi��o. "N�o tinha planejado isto."

"O que exatamente planejou?" perguntou Adrian.

Julianne suspirou. "Nada disto," disse. S� queria ter algu�m com quem falar."

"Al�m de mim?"

"N�o sei, Adrian, n�o estava tentando te substituir em nada. Eu s� n�o sei. Realmente n�o sei."

"Ela � uma garota."

"E?"

Adrian suspirou. "Desejava falar com outra garota," disse. "Est� bem. Eu entendo. N�o sou o cara mais feminino do planeta." Fez uma pausa. "S� que, realmente n�o acredito que s� queria ter uma amiga."

E o que eu queria, al�m disto?

"N�o sei," respondeu Adrian. "S�o seus sentimentos. Sou um observador."

"J� chega," Julianne disse, olhando para o alto."Que acha que devo fazer? Sinceramente."

"Acho que deveria ir at�  o apartamento dela e  dizer a verdade," repondeu Adrian. "E se n�o aceitar, ent�o ela que vai sair perdendo."

Julianne voltou a olhar a cidade de Nova York. Passou uma m�o pelo cabelo e balan�ou a cabe�a. "N�o posso fazer isso. N�o posso aparecer em sua porta e dizer, Oi Kris, eu sou a sua amiga Julia Frank, surpresa!'"

"Por que n�o?"

"Porque n�o!"respondeu Julianne.

"E?"

"E n�o vai me tratar como antes," disse Julianne finalmente. "Se saber quem eu sou, vai me odiar para sempre. N�o vai mais me ver como uma pessoa normal." Suspirou. "Gosto de ser uma pessoa normal a seus olhos, Adrian. Gosto que ela ache que n�o sou ningu�m especial. N�o quero estragar isso."

"Mas Julianne, voc� � algu�m especial," disse Adrian. "E n�o tem nada que ver com sua fama. Voc� se esconde de voc� mesma, ent�o nunca vai saber o quanto � maravilhosa ."

Julianne o olhou. "Voc� sabe que me enjoa com isto, Adrian. Sabe t�o bem quanto eu que a fama  muda tudo. N�o h� como eu me aproximar da Kris como eu mesma."

"Ent�o vai continuar mentindo para ela?"

"Vou... respondeu Julianne. "

"Tem tudo para terminar com o cora��o partido," lhe advertiu Adrian.

Julianne fez uma pausa para revisar seus pensamentos. Finalmente, fechou os olhos. Eu sei!

 

Continua...

Parte15

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