O Lado Cego Do Amor INGRID DIAZ The Blind Side of Love |
Tradu��o de Fernanda
Cap�tulo 1
O jovem olhava atenciosamente para a �gua, pensando em sua vida. Tentando entender por que sua vida tinha, de repente, mudado tanto. Seu cabelo loiro encaracolados era alisado pelo vento. Seus olhos azuis estavam marejados . Mantinha as m�os no bolso de sua cal�a, sentia frustra��o e raiva.
O lago, brilhava mudo � luz do entardecer. Se tinha respostas, estavam bem ocultas em suas l�bregas �guas.
Kiara estava ali, vigiando-lhe como era seu dever. Suas asas abertas por tr�s dela com silenciosa resigna��o. Se tinha algo que pudesse fazer para lhe ajudar, ela desconhecia.
O rapaz deu uma �ltima olhada na �gua e ent�o afastou-se, passando junto a Kiara sem v�-la.
A anjo suspirou para si, baixando seus olhos azuis com pesar e tristeza. "�s vezes � um asco ser guardi�," sussurrou.
"E cortem!" gritou o diretor. "Bom trabalho, Julianne. � o final, garotos."
O set de Guardian de repente voltou a vida enquanto um desfile de ansiosos membros da produ��o come�avam a rotina di�ria de desmantelar e reunir palcos. A pac�fica cena do lago converteu-se numa voragem de ru�do e atividade.
Julianne Franqui saiu r�pido do set, tirando as asas de anjo de suas costas com um certo movimento brusco. Atirou � pessoa mais pr�xima de seu caminho. "Mandem arrumar as correias," ordenou. "Estavam fincando meus ombros o tempo todo."
"J� vou dar um jeito, Srta. Franqui," respondeu a senhora, apressando-se para cumprir a ordem.
J� em seu camarim, Julianne suspirou ruidosamente. "Outro dia eterno," murmurou no vazio quarto.
Uma batida na porta interrompeu seus dois segundos de paz. "Entra!" gritou com impaci�ncia.
A secret�ria de Julianne, Karen Vaccaro, estava de p� na porta e parecendo nervosa. Na m�o trazia uma pilha de cartas. "Suas cartas, Srta. Franqui."
Julianne olhou fatigadamente suas correspond�ncia. "Envia a todos uma foto e uma carta de agradecimento," respondeu.
"N�o quer ler nenhuma?" perguntou Karen.
Com impaci�ncia, Julianne olhou com frieza para sua secret�ria. "Quando foi que eu li?"
Karen aceitou e anotou em sua agenda. "N�o esque�a que tem uma entrevista em Nova York este fim de semana. E a MTV ligou de novo. Duas vezes. Querem que fa�a um apresenta��o especial como co-apresentadora de um document�rio o, "-TRL?" Olhou para Julianne. "Que digo a eles?"
"Estarei em Nova York de qualquer forma," Julianne aceitou. "Posso encarar isto. Diga que farei. Mas n�o vou dar aut�grafos depois."
"Muito bom," Karen disse apontando algo mais.
"� tudo?" perguntou Julianne, o tom revelava sua impaci�ncia.
Se n�o era, agora �. "Sim, � tudo." Karen fechou a porta quando saiu.
Julianne voltou sua aten��o para o espelho . Seus olhos refletiam o vazio que sentia. Seu longo cabelos negros percorria suas costas numa �nica tran�a que come�ou a soltar.
"Toc, toc," disse uma voz masculina abrindo a porta.
Julianne se virou, e sorriu. "Adrian," oi. "Alegra-me que seja voc�."
"Ainda aterrorizando pessoas insignificante?" Adivinhei ele disse fechando a porta. Apoiou-se contra a mesa onde ficava o espelho.
"� uma situa��o de toma l� da c�," respondeu Julianne balan�ando a cabe�a para soltar o restante de seu cabelo. Agora que Adrian estava ali se sentia dez vezes melhor.
"Eles d�o, e voc� toma?"
Julianne sorriu. "Algo assim." Come�ou a tirar a maquiagem. "O que far� este fim de semana?"
Adrian pensou longamente. "Algo contigo?" perguntou.
"Nova York, nen�," anunciou-lhe. "Tenho publicidade para me ocupar, mas depois quero colocar uma peruca, �culos escuros e poderei ser uma desconhecida."
"Adoro quando � espont�nea," disse com um sorriso. "Bom, sobre o que aterrorizava Karen? sobre as cartas dos f�s e aut�grafos."
A atriz olhou para cima. "Quer que me sente e leia todas as cartas que recebo. Provavelmente tamb�m quer que lhes responda. Por favor. N�o tenho tempo para isso."
Adrian estudou Julianne silenciosamente durante um instante. Seus olhos azuis procuraram os celestes de Julianne tem uma raz�o por tr�s das palavras. "Seus f�s te adoram," disse finalmente.
"N�o me conhecem," respondeu Julianne olhando fixamente seu reflexo no espelho. "Adoram a Kiara independentemente da atriz por tr�s do papel."
"Deveria acreditar neles?"
Julianne terminou tirando os �ltimos rastros de Kiara de sua cara.
Agora s� ficava ela. "� a pura verdade, meu querido Adrian,"
explicou-lhe atando sua pulseira de prata . Olhou para seu melhor
amigo. "Qualquer dia a s�rie acabar�. Meu momento sob o sol
passar�. E caminharei como o resto de voc�s, meros mortais, me
perguntando quem � mesmo Julianne Franqui.
2
Kris Milano tomou um gole de seu caputtino, seus olhos verdes estavam fixados no monitor . Ia terminar de escrever sua tese esta noite, mesmo morta.
Starbucks estava em pleno apogeu. As pessoas loucas por cafe�na continuavam entrando em busca daquele caf� perfeito que s� tinha l�, Kris observava tudo do sof� que estava sentada. Olhava para seu notebook fixamente , e Kris jogou-lhe outra olhadela desanimada. Por que lhe obrigavam a ter aquela mat�ria . Tudo o que lhe importava era a arte. Para que lhe importava Shakespeare? Ele j� estava morto. Mas a arte� a arte viveria para sempre.
O fato de que a maioria das pessoas considerava que Shakespeare era arte. Isso era aparte e n�o a ajudava em nada.
"Como est� indo?" perguntou Leigh Radlin, a melhor amiga e dividiam o mesmo apartamento. Vestia o uniforme de Starbucks, completo com o avental verde e tudo. Trazia uma bandeja numa m�o e uma garrafinha de um l�quido azul na outra. E come�ou a limpar a mesa mais pr�xima de Kris.
Kris balan�ou a cabe�a, para � ruiva que j� tinha limpado essa mesa. Duas vezes. "Vou ler o que tenho at� agora," disse Kris. Limpou a garganta de uma forma exagerada. "Na obra de Shakespeare, Sonho de uma noite de ver�o. �"
Leigh esperou que continuasse....
"� tudo."
"Est� a quatro horas a� sentada," disse Leigh. "Que raios esteve fazendo esse tempo todo?"
"Pensava em esquemas de cores para minha �ltima pintura," admitiu Kris. "N�o posso decidir se uso uma cor mais quente dando um sentido c�lido ao acaso� ou um sentido mais frio de desapego. Quem sabe uso um pouco de ambos. Oh, e tem essa fotografia que revelei � pouco, que � linda. Estou pensando em fazer um tipo de colagem com ela. inclusive�" Fez uma pausa em seu falat�rio para olhar na cara de Leigh. "Sim, j� entendi. O ensaio." Resignada, voltou a olhar o monitor do computador.
Duas horas mais tarde Kris est� no mesmo lugar. O caputtino tinha sido substitu�do por um caf� com caramelo e um caro peda�o de bolo. Estava segura de que um ou outro, ou ambos, seria a causa da ins�nia dessa noite.
Leigh se sentou ao lado de Kris com um longo suspiro. "Achei que nunca sairia de aqui."
"Ainda estou aqui," disse Kris.
"Estou vendo." Deu uma olhadinha para sua melhor amiga com curiosidade. "Bom, conseguiu escrever ao menos uma frase inteira?" lhe perguntou, Leigh.
"Duas, ali�s,"respondeu orgulhosamente Kris. "Hora de descansar, " disse. "Vamos."
Deixando Starbucks, foram pela rua Times Square onde uma grande multid�o de gente enfebrecida se reunia sob as janelas dos estudos da MTV. Gritavam e gritavam, levantando cartazes e letreiros.
"Hora de alimentar os �dolos," comentou secamente Kris, olhando para � loucura reunida. "Suponho que os Backstreet Boys devem ter regressado � cidade."
Leigh balan�ou a cabe�a, distra�da lendo os cartazes pendurando por fora de Virgin Records. "� a garota daquela s�rie que odeia," disse Leigh. "Quer ver um filme, ou quer voltar para seu trabalho?"
"N�o, verei algo contigo," respondeu Kris, contente por ter uma raz�o para demorar. Era sexta-feira. Ainda tinha at� a segunda-feira para entregar. O trabalho podia esperar. De novo olhou a rua. "Julianne Franqui?"
"Essa mesma," confirmou Leigh.
"� uma esnobe," murmurou Kris voltando a encarar a sua amiga. "Viste-a em Leno na semana passada? Ao menos poderia fingir n�o ser t�o antip�tica."
"� talentosa, famosa e linda," respondeu Leigh dando de ombros.
"Bom, n�o tem que me esfregar isso na cara," respondeu Kris. "Sendo atriz, ao menos poderia fingir ser um ser humano decente."
Leigh olhou para sua melhor amiga. "Espero que quando eu for uma atriz famosa n�o seja t�o cr�tica."
Kris riu. "Serei sua f� n�mero um."
Leigh ergueu sua agenda diante dela. "Gostaria de agradecer � Academia este prestigioso pr�mio. Agrade�o ao meu diretor, a Universal , a todos, e a minha melhor amiga� uh� espera, tinha seu nome escrito em alguma parte."
"Como pode!" disse Kris com a m�o no seu cora��o. "Ap�s tudo o que fiz por ti. Vi um filme horr�vel atr�s do outro."
"Horr�vel?" queixou-se Leigh ofendida. Pareceu consider�-lo. "Concordo que a freira drogada n�o era t�o maravilhoso. Mas no que interpretei uma pseudo-intelectual com talentos para a decora��o caseira era bastante original."
"O musical de Martha Steward?"
"Martha Stewart n�o era vadia," defendeu Leigh. "Levei meu papel a s�rio. Desejaria que n�o falasse mal assim de mim."
Kris teve que rir. "Era horr�vel."
"T� bom, era muito ruim." Leigh encolheu os ombros. "Quem sabe n�o entro em Tisch ."
"Fez o teste?"
Qual � o sentido de estar aqui? N�o posso desistir de NYU. Mas ao menos trabalho no Starbucks."
"Am�m," disse, Kris.
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J� em casa, Kris sentou-se com seu notebook aberto e com os p�s apoiados
na mesa de caf� em frente dela. Leigh sentou a seu lado no sof�,com
o controle remoto da televis�o e preparada para dar um giro pelo mundo.
Ou, no �ltimo caso, no pequeno mundo dentro da TV.
A TV sofria com a mudan�a de canais. Leigh era zapeadora de canal profissional. Tinha trof�us para demonstr�-lo. "N�o h� nada," depois de zapear tudo.
"Bom, se voc� parasse em algum canal poderia se entreter com algo," sugeriu Kris sabendo que era uma causa perdida. J� moravam juntas a dois anos para ser exato e a conhecia muito bem e o ritual era o mesmo. Kris olhou para o monitor e concentrou-se no e-mail que estava escrevendo.
Leigh agachou-se para ver o que Kris estava fazendo. " Escrevendo para Nathan?" perguntou.
"N�o," respondeu Kris, fechando o computador para que Leigh n�o pudesse ver o que tinha escrito. "Mas que intrometida."
Leigh voltou a sua posi��o original. " Mas se est� enganando o seu namorado, quero saber."
"Para voc� saber estou escrevendo para meu pai."
"Oh," disse Leigh frustrada. "E eu tendo esperan�as."
"N�o entendo por que n�o gosta do Nathan," disse Kris. "� um bom rapaz."
"Ele � t�o chato que at� da vontade de chorar," explicou Leigh de maneira exagerada. "Tudo do que fala � de seu carro. E se n�o est� falando de seu carro, est� falando sobre como vai ser � faculdade de Direito e como vai ser, algum dia, rico e poderoso. Blablabla.
Kris sorriu. "S� est� orgulhoso porque entrou em Harvard."
"E eu estou orgulhosa porque entrei em Starbucks," respondeu, "mas n�o fico falando disso o tempo todo. O caf�, minha querida , � um estilo de vida. A faculdade de Direito �" Encolheu os ombros continuando a busca do canal perfeito. "E, de todas formas, que est� fazendo com ele, � mais novo que voc�? Agora � uma universit�ria."
"Ele s� � 2 anos mais jovem," argumentou Kris. "Estamos juntos desde sempre."
"Desde sempre ," falou Leigh. "Agora que Nathan vai para a faculdade, n�o acha que deveria dar um descanso? Sua rela��o n�o tem fogos de artif�cio, essas coisas."
Kris franziu a testa. "H� fogos artificiais."
"Tem mesmo. Mal fala dele. Quando est� aqui � como se fossem apenas amigos em lugar de namorados. Nem sequer dormiu com ele."
"S� vai acontecer quando casarmos," explicou Kris. "Sabe o que aconteceria se minha mam�e soubesse que estava fazendo sexo antes de casar?"
"O que me leva ," declarou Leigh. "Tem vinte anos. N�o deveria se preocupar tanto com o que diz seus pais?"
Kris se encolheu. "N�o funciona dessa maneira em minha fam�lia. E, de todas formas, n�o fa�o tudo o que dizem. Queriam que eu morasse com eles enquanto estava na universidade e me neguei."
"Mas eu me meti e discuti com eles! Estava pronta para ceder."
Kris n�o tinha argumento. Era verdade. Mas n�o podia ir contra os desejos de seus pais. Eram seus pais apesar de tudo. Criaram-na, vestiram, alimentaram e pagaram sua educa��o com o pouco dinheiro que tinham. O menos que podia fazer era obedecer seus desejos.
"E, de todas formas, n�o o ama."
Kris olhou fixamente para sua melhor amiga com choque. "Que?"
"Conhe�o-te, Kristina" disse seriamente Leigh. "Est� com ele s� porque teus pais s�o apaixonados por ele. N�o porque voc� gosta."
Agora se sentia ofendida. "Estou completamente apaixonada por Nathan."
"E o que diz," respondeu Leigh.
Decidindo deixar o assunto, Kris voltou para seu e-mail. Seu pai vivia agora em S�o Francisco, e raramente a via. Mas mantinham contato atrav�s do computador. De vez em quando conversavam on line. Depois de enviar o e-mail, Kris afastou o computador e come�ou a olhar o desfile de canais. Para sua surpresa, Leigh parou finalmente em algo.
"Olha, � sua melhor amiga," brincou Leigh.
Kris olhou para o c�u. "Pode mudar quando quiser." Fez uma tentativa de pegar o controle remoto.
Leigh o deixou fora de seu alcance. "Espera, quero ver o que tem a dizer."
Kris sentou-se com resigna��o.
"Bom, Julianne," estava dizendo ao apresentador na TV, "tenho ouvido que est� namorando. Fala um pouco dele."
"� meu melhor amigo ," disse, Julianne. "� o homem mais maravilhoso que j� conheci."
" J� est�o pensando em casamento ?" perguntou-lhe o apresentador.
Julianne riu. "Ainda n�o , nem pensamos nisso."
O apresentador seguiu com outro tema e Kris notou que Julianne relaxou. "Suponho que n�o gosta de falar de sua vida pessoal," disse.
"Imagino que n�o," disse Leigh . "Qualquer coisa que diga estar� nos jornais e revistas de manh�."
Kris tinha que admitir que era verdade. Devolveu sua aten��o para a televis�o.
"Algum filme em andamento?"
Julianne assentiu. "Sim, logo estar� nos cinemas. � baseado na s�rie de TV, Guardian." Teve um rugido de aplausos do p�blico.
"Onde interpretas uma anja?"
"Exato. Interpreto uma anja guardi�, chamada Kiara."
"Vai interpretar o mesmo papel no filme?"
"Sim," confirmou Julianne.
"Como � interpretar uma anja?"
Julianne considerou. "� interessante," disse. "Kiara � a encarna��o de tudo o que � bom. Faz-me sentir um pouco mais pr�xima de Deus."
"Oh, por favor," murmurou Kris. "Mais pr�xima de Deus. � uma s�rie de TV."
"Shhh, isto � o melhor," disse Leigh.
"Trouxe um clipe," anunciou Julianne para prazer da multid�o.
Leigh riu alegremente. "Encanta-me."
Kris olhou-a com uma sobrancelha levantada. "Voc� n�o existe."
Leigh desligou a televis�o e ficou em p� perto do sof�. "� o primeiro que se aprende na aula de interpreta��o," lhe informou. "Se tem um clipe, voc� tem fama e fortuna , ou seja tem tudo a teu alcance."
"N�o tem que ser famosa para ter um clipe para exibir?" perguntou Kris.
"Sil�ncio," disse Leigh. "Tenho praticado." Tossiu para aclarar a garganta e assumiu um ar dram�tico. Num tom muito grave disse, "Trouxe o meu clipe."
Kris observou isto com divers�o.
"Ou," disse Leigh, sorrindo brilhantemente at� que n�o p�de expor mais dentes. Falou em g�ria. "Hei mano, eu trouxe o meu clipe, ser� que d� para passar! ."
"Achei que era do Brooklyn."
Leigh considerou-. "Bom, tenho pensado em minha vida p�blica, e acho que posso ser chamada de beldade sulista. Que acha?"
"Acho que est� louca."
" Isso n�o � novidade," respondeu Leigh deixando-se cair sobre o sof� com orgulhoso sorriso. "Voc� n�o entende a alma de uma verdadeira artista."
"Isso me ofende," disse Kris com um sorriso.
Sua conversa foi interrompida de repente pelo telefone. Leigh estendeu a m�o sobre a mesa de caf� onde descansava o telefone . "Sanat�rio de Nova York," disse ao atender. "Voc� os mata, n�s os congelamos. A Sra. Milano. Sim, est� aqui."
Kris pegou o telefone. "B�n�a, mami," saudou em espanhol a sua m�e. "Como andas?"
"Bem, Kristina," falou Sari Milano. "William vem amanh�. Quer dizer-nos algo, ser� que pode vir aqui ."
Kris cobriu o telefone um momento. "William vir� amanh� . Quer vir comigo?"
"Para ver a teu meio irm�o?" perguntou Leigh. "Mas, � claro. Que passa com os portorriquenhos?" perguntou de repente.
"Leigh vai tamb�m," informou a sua mam�e, ignorando o �ltimo coment�rio de sua melhor amiga.
"Est� bem," consentiu Sari. "Tudo bem contigo? Como anda a faculdade?"
"Tenho um trabalho para segunda-feira," respondeu.
"E como vai?"
"Oh, est� saindo maravilhosamente," mentiu Kris.
"Bom, nos vemos amanh� cedo.Se cuida. Quero-te muito, n�o esque�a."
"Tamb�m te amo, mam�e. At� amanh�." Kris desligou o telefone e contemplou a sua amiga andar. "William n�o a procura algum tempo. Pergunto-me se eu sei de algo. Mam�e disse que quer nos dizer algo."
Leigh "Quem sabe encontrou � mulher de seus sonhos. Provavelmente vai casar. A� v�o-se minha oportunidade de amor verdadeiro." Suspirou hiper-dramaticamente.
Kris riu. "Talvez. Mas, de algum modo, n�o acredito nisto."
3
"Faz-te sentir mais pr�xima de Deus?" perguntou Adrian sarcasticamente, incapaz de ficar calado . "Sua resposta foi tosca?"
Julianne olhava pela janela da limousine, observando Nova York passar num flash de preciosas e vibrantes luzes. "Realmente foi mau?"
"N�o," disse Adrian. "Estou seguro que a Dr. Laura agregou-te a sua lista de famosos com quem possa contatar em caso de emerg�ncia."
Julianne suspirou, sentindo-se deprimida de repente.
"Mas alegra-me ser o melhor homem que jamais conheceste," comentou orgulhosamente.
Julianne jogou-lhe uma olhadela. "Que isto n�o te suba � cabe�a," lhe disse. "A concorr�ncia � muito impressionante."
"Aceitarei o que possa dar," disse Adrian com um sorriso. "Acho que sua imagem como heterosexual temerosa de Deus ficou estabelecida. Deve estar orgulhosa."
"Orgulhosa de que?" perguntou Julianne. "De que minhas habilidades c�nicas prevale�am inclusive sem script? Tudo � atua��o. Minha vida, minha imagem. �s vezes vejo-me t�o envolvida em tantas mentiras que n�o sei o que � verdade."
Adrian tocou-lhe a perna. "voc� tem a mim " disse-lhe.
Isto trouxe um sorriso a sua cara. "Minha �nica e verdadeira salva��o."
"Acho que fingir ser seu namorado ser� bom para minha carreira," disse embromadoramente. "Que acha?"
"Acho que � um maravilhoso roteirista e diretor," disse sinceramente. "E, se me permitisses, produziria seus filmes num instante."
Adrian. "Quero vencer por mim mesmo, minha querida ," respondeuele.
"Aqui � Hollywood, meu querido. Aqui vale quem te indica. O talento vem depois."
A limusine parou no hotel que estava hospedada. "Hora do tumulto," disse Julianne com um suspiro, notando a multid�o j� reunida. "Como sabem sempre onde vou estar?"
"Magia," respondeu.Adrian.
No meio dos seguran�as Julianne e Adrian conseguiram entrar no hotel.
Julianne se encontrava na varanda. Desfrutando de uma leve brisa fria de primavera em seu cabelo e a vista do Central Park abaixo.
"Vai morrer de frio ai fora," disse Adrian, tremendo do lado dela. "Vamos para dentro."
"Depois."
"Quer falar alguma coisa?"
"Adrian, me responda uma coisa. Se o mundo � um palco, porque sinto que sou a �nica int�rprete?" perguntou Julianne.
Adrian pensou durante um momento, ent�o disse. "Porque � egocentrica e ego�sta."
Julianne riu, "Acha mesmo?"
"N�o. Mas acho que fizeste um maravilhoso trabalho convencendo a todos de que �. "
"Uma heterosexual, que acredita em Deus, egocentrica e uma bruxa ego�sta ." Julianne ponderou isto. "� uma boa imagem para se ter."
"Porque se � o oposto disto"? perguntou Adrian seriamente.
"� mais seguro desta maneira," respondeu Julianne.
Mais seguro para quem?"
"Para mim."
Adrian beijou sua bochecha. "Vou deitar."
"Dorme bem," lhe disse, seu olhar continuava fixo no horizonte a sua frente.
"Boa noite," disse Adrian.
Julianne permaneceu durante um momento, pensando em sua vida. Riu amargamente. Que significado ela tem ?, pensou tristemente. Por um instante, pensou em pular. Perguntou-se brevemente que diriam os jornais "Ela achou que era um anjo, e quis voar, e acabou morrendo ." Jogariam com conceito de anjo, sem d�vida.
Afastando-se dali , foi para o quarto, sentindo o peso do mundo sobre seus ombros. Se sentou no sof�, fechando seus olhos, sabendo que, apesar de seu esgotamento, o sono n�o viria.
4
"Eh, n�o � a Julianne Franqui a protagonista daquela s�rie
de TV?"
Julianne fechou os olhos, atualmente ocultos pelos �culos de sol . "Nem sequer pense nisto, Adrian," advertiu-lhe. "Eu te mato"
Adrian sorriu abertamente. "Erro meu," se desculpou, se apoiando em seus bra�os. "Por um instante achei que era outra pessoa." Jogou uma olhada ao homem que passava. Washington Square Park estava transbordando de energia enquanto os artistas reclamavam seus justos lugares e come�avam a mostrar seus talentos. Tinha acr�batas, pintores, cantores e bailarinos. Parecia que toda Nova York estava desfrutando daqule delicioso clima.
A identidade de Julianne estava bem escondida atr�s daqueles enormes �culos de sol e uma peruca ruiva curta. Vestia informalmente com jeans e uma camiseta dos Mets de Nova York. "Vamos ficar bem aqui " ficaram junto � fonte. Era agrad�vel estar passeando no anonimato naquela grande cidade. At� agora ningu�m a tinha olhado duas vezes. "Quem sabe me mudo para Nova York quando a s�rie acabar."
A aten��o de Adrian estava em outra parte.
"Acho que vou montar uma banda de elefantes e vamos sair em turne pelo mundo," continuou Julianne despreocupadamente.
"Uh?" Adrian olhou. "Desculpa. Estava s� um�"
"Procurando carne fresca local?" adivinhou Julianne.
"Quero ver quem vou jantar," respondeu Adrian com um sorriso.
Julianne olhou para o c�u ainda que ele n�o podia ver. "Voc� � asqueroso."
"N�o h� nada de asqueroso na uni�o de um homem e uma mulher," respondeu Adrian. "Ou inclusive um homem e duas mulheres. Ou tr�s�"
Julianne riu. "Mal consegue arranjar uma s�, o que vai fazer com tr�s mulheres?"
Adrian parecia ofendido. "Minha querida e inocente amiga. H� um grande plantel de coisas que n�o sabes de mim.
Julianne s� sorriu, incapaz de discutir. Adrian era lindo e ele sabia. Estava segura que Hollywood n�o perderia tempo em convidar ele para atuar como op��o. Mas estava decidido a ser diretor e roteirista, e Julianne admirava sua persist�ncia. mais ainda , admirava sua determina��o a ter sucesso por sua conta. N�o tinha tantos aspirantes hollywoodenses a� fora que, sendo os melhores amigos de algu�m j� famoso recusassem um pouco de ajuda.
"Tenho vontade de comprar algo," declarou Julianne ausentemente, seus olhos indo pelos diferentes artistas. Considerou comprar um colar ou algo simples, mas ent�o um quadro captou sua aten��o. Era desenhado a carv�o de uma figura solit�ria de p� entre uma multid�o, com o olhar fixo num objeto distante. "Adrian, compra-me aquele quadro." Assinalou com a cabe�a � imagem que tinha estado olhando.
"Vai comprar voc� mesma," disse Adrian. "N�o sou teu escravo."
Julianne olhou-lhe. "Faz favor."
"Bem," cedeu Adrian. Olhou na direc��o que lhe tinha indicado. "Esse com essa coisa?"
Julianne riu. "Sim, exatamente. Esse com essa coisa."
"T�." Adrian foi para l�, reclamando algo sobre estar domesticado.
Julianne observou para assegurar-se que ele tinha comprado o quadro correto. Ent�o arqueou uma sobrancelha enquanto Adrian e a garota conversavam e j� demorava mais que o necess�rio.
Quando ele voltou a seu lugar, portava um luminoso sorriso na cara. "Aqui est� seu quadro, vossa alteza," disse, entregando-o.
"Jogando seu charme para artista?" perguntou-lhe Julianne, olhando a imagem com genuina admira��o. � como se tivesse desenhado com ela em mente.
Adrian negou com a cabe�a e sentou-se. "N�o � a artista," explicou. "� amiga da artista. E a graciosa amiga da artista acabou de me dar seu n�mero." Orgulhosamente mostrou o cart�o onde a garota tinha escrito o n�mero.
"Que r�pido," disse-lhe Julianne. "Estou impressionada."
algum dia pode ser habil tamb�m," lhe assegurou Adrian. "� s� andar com o melhor, que pode aprender.
"Eh," Julianne queixou-se, ligeiramente ofendida. "Poderia agenciar- me um encontro em dois segundos."
Adrian arqueou a sobrancelha enquanto observava a sua melhor amiga com um olhar duvidoso. "E quando, posso perguntar, quando foi a �ltima vez que esteve com algu�m?"
"Isso," Julianne respondeu, se pondo em p�, "n�o � assunto teu."
Adrian tamb�m se levantou desfrutando o fato de que estava ganhando esta discuss�o. "Tanto faz,eh?"
Julianne come�ou a afastar-se, n�o querendo participar mais daquela conversa. Podia escolher com quem dormir. Tinha mont�es de pessoas que dormiriam com ela. Milh�es delas, em realidade. "H� coisas mais importante que sexo," lhe informou a Adrian.
"Eh, Julianne, sabe que s� estou brincando com voc� ?" perguntou, repentinamente s�rio. "Sei que � dif�cil para ti."
"Sei." Mas isto me aborrece. N�o � falta de sexo� realmente isso n�o me importa. � tudo. � encontrar algu�m que me ame . N�o pela aten��o dos meios, ou o dinheiro, ou o glamour, ou quem ela fingisse ser.
Adrian suspirou. "N�o vai encontrar ningu�m a quem amar se n�o permite se aproximar de ti."
Julianne n�o lhe dirigiu o olhar. "Permitir se aproximar de mim.. "
Ele sorriu. "Sim mas, para meu desalento, n�o pare�o ser teu tipo."
"� isso a�, n�o � " lhe respondeu Julianne.
5
"Odeio Shakespeare," murmurou Kris, pondo uma mecha do seu cabelo
loiro por tr�s de sua orelha. A mecha que tinha pintado de azul estava
saindo. � hora de mudar de cor. Vermelho, quem sabe verde� "Se estivesse
vivo, eu mesma o motava."
"Estou segura que ia ser presa," lhe disse Leigh, quando o elevador veio a parar no 12� andar . Come�aram a caminhar para o apartamento. "E, de todas formas, n�o vejo por que est� de t�o malhumor. Vendi dois de tuas pinturas hoje. E, mais importante, William est� em casa."
Kris sorriu quando atingiram seu destino. "Tens raz�o. Hoje � um bom dia. N�o vou permitir que um est�pido trabalho o arru�ne."
Quando a porta se abriu, seu sorriso se abriu.
William Serrano puxou sua irm� em seus bra�os e abra�ou-a fortemente. Beijou sua bochecha muitas vezes antes de deixar elas entrar. "Chegou a feia!" anunciou.
Kris lhe deu uma palmada no bra�o. "N�o sou feia."
William olhou a Leigh e lhe disse baixinho. "N�o, n�o. Leigh n�o � feia. Mas tu�" Recebeu outra palmada de Kris.
A Sra. Milano chegou um pouco depois, um sorriso iluminando sua cara. Seus olhos castanhos acenderam-se ao ver os de sua filha. "Kristina," saudou-lhe, beijando sua bochecha.
"Ol�, mami," disse Kris.
"Leigh, bem-vinda." Sari Milano se virou para comprimentar seu enteado. "Deixa de falar em espanhol diante da convidada. � grosseiro." �s garotas disse, "Carlos e Dimitri foram � loja comprar gelo. Voltar�o logo." Vamos para a sala. "Vamos, sentem. Vou trazer algo para bebermos."
Kris sentou-se e olhou o apartamento. Era pequeno . Na sala mal cabia o sof� em que estava sentada. Mas era o lar dele. Pinturas e fotos de Porto Rico decoravam as paredes. Junto com m�scaras do povo natal de Carlos Loiza. Kris nunca tinha estado na ilha, mas Carlos e William falavam dela o tempo todo. Tinham-se mudado para Nova York antes de Carlos e a m�e de Kris se casarem.
sua m�e tinha ido para acozinha, Kris virou para seu irm�o. "Bom, qual � a grande not�cia que tens?" lhe susurrou.
William ficou sombrio. "Vai saber daqui a pouco," disse, sua inquietude era �bvia.
Kris estava segura o que fosse, n�o seria uma coisa boa.
Dando-se conta da tens�o no ar, Leigh decidiu falar. "Bom, William, que est� fazendo nestes dias?"
Ele voltou seus am�veis olhos castanhos para Leigh. "Estou tentando encontrar um trabalho de programador de computadores," falou. "Mas � dif�cil encontrar por aqui um trabalho bem pago sem uma boa educa��o. E a faculdade � cara."
A Sra. Milano voltou com uma bandeja, dando-lhes a cada um um copo de suco de laranja. "Sinto, � a �nica coisa que esta frio nesta casa bebam at� Carlos vir com gelo."
Cada um aceitou a bebida e agradeceu.
"Como vai o neg�cio de arte?" William perguntou a Kris.
Kris animou-se. "Hoje vendi dois quadros," disse. "
"Arte n�o d� dinheiro ," declarou sua m�e com uma sacudida na cabe�a. N�o era a primeira vez que dizia, mas como todas as outras, o coment�rio caiu em ouvidos surdos.
" Kris � muito talentosa," respondeu Leigh. "Devia ver como as pessoas param para olhar seu trabalho." Sorriu-lhe a sua melhor amiga. "Ter� sua pr�pria galer�a um dia destes."
Kris devolveu-lhe o sorriso.
Sari agitou a cabe�a. "Bom, alegra-me que Kris tenha Nathan para cuidar dela," disse, sorrindo para sua filha.
William disse. "estou seguro de que Kris � capaz de se cuidar sozinha," .
"Bom, claro que �," concordou Sari. "Mas toda mulher precisa de um homem que cuide dela neste mundo. E vice-versa."
William olhou para o ch�o.
Kris apreciava os esfor�os de todos, mas se davam conta que estava sentada ali mesmo, por tanto era desneces�rio que falassem dela como se n�o estivesse?
Antes que tivesse oportunidade de dizer algo, a porta se abriu e Carlos Serrano entrou, trazendo o gelo sobre um ombro e umas sacolas cheias em sua m�o esquerda. Como William, era alto com cabelo e olhos escuros, e sua pele naturalmente morena ainda mais bronzeada pelas longas horas de sol.
Dimitri, o irm�o de dezasseis anos de Kris, entrou depois de seu padrastro. Levava um par de garrafas de Coca-cola, meticulosamente equilibradas numa m�o, e outra barra de gelo descansava no ombro oposto. Dimitri parecia muito com a Kris, talvez um pouco mais parecido com seu pai que com sua m�e. A pubertade ainda n�o tinha lhe dado um corpo bem definido, assim que sua postura era ainda muito de menino, mas o ocultava bem dentro de sua roupas largas. Uma bandana negra escondia seu cabelo castanho.
William levantou-se em seguida para ajudar a seu pai e irm�o.
"P�e o gelo no freezer," instruiu-lhe Carlos a seu filho. Ent�o viu Kris e e foi saud�-la. Dimitri e William desapareceram na cozinha guardando tudo. "Bela," disse, inclinando-se para beijar a bochecha de sua filha.
Kris sorriu. Pelo menos algu�m pensava que era bonita. "Ol�, papai," disse.
"Ol�, Leigh," disse ele, beijando tamb�m sua bochecha. "Como � a vida de vender caf�?"
"Realmente maravilhosa, Sr. S,". "Precisa de um tipo especial de pessoa para prepar�-lo adequadamente."
"Estou seguro que sim," lhe respondeu ao Sr. Serrano, indo saudar a sua esposa. "Kris, como vai a faculdade?"
"Terminou seu trabalho?" perguntou a Sra. Milano.
Kris disse. "Uh, quase," contestou, respondeu se achando melhor mentirosa que escritora "Tens que adorar Shakespeare." Morre, morre, morre�
Para seu al�vio, William e Dimitri voltaram � sala, trazendo cadeiras para terem onde se sentarem.
Dimitri lhe cabeceou a sua irm�. "'Que passa, 'maninha."
Kris olhou-lhe com uma sobrancelha questionadora. "Eh, Dom Zoquete. Onde vai com essa roupa de aspirante de palha�o?"
Em resposta ele lhe lan�ou um olhar feio.
Kris lhe mostrou a l�ngua, que a fazia n�o ter nenhum o grau de maturidade.
Carlos olhou para seu filho. "Bom, William, qual � a grande not�cia, eh? J� estamos todos aqui."
William engoliu a seco quando se sentiu sob os focos. "Uhh�"
"Provavelmente deixou gr�vida uma garota," comentou Dimitri.
"N�o�" disse William, olhando para seu copo de suco.
"Vai mudar?" adivinhei disse Kris.
William negou com a cabe�a.
Leigh meteu-se. "Se alistou no ex�rcito?"
"Casou?" perguntou Dimitri.
"Sou gay," disse William olhando para eles.
A sala ficou mortalmente silenciosa enquanto cada membro da fam�lia absorv�a a informa��o. O copo caiu da m�o de Sari Milano, derramando o resto de seu suco no tapete .
Kris afundou-se no sof�, ainda incapaz de discernir uma resposta. William� gay? Como podia ser? Era t�o� pouco gay. Concedido, n�o podia recordar lhe ter visto nunca saindo com uma garota, mas s� tinha vivido com ele durante um ano. Antes de se mudar, n�o tinha ideia de que fazia. Bom, evidentemente.
Por sua vez, Leigh parecia estar catat�nica. Kris tentou acordar a Leigh movendo a m�o diante de sua cara mas sem sucesso. Sua melhor amiga continuava olhando fixamente para o espa�o com uma express�o distante.
Dimitri saiu correndo do apartamento, murmurando algo sobre estar no mesmo quarto com "uma bicha". Carlos estava furioso e adquirindo estranhos tons de vermelho e p�rpura, como Kris nunca tinha visto antes. Sua m�e estava meio chorando, meio rezando.
E William estava sentado no mesmo lugar, n�o olhando para ningu�m. N�o parecia estar escutando seu pai falar sobre moralidade. William fechou a cara, ent�o se levantou. Sem dizer uma palavra, saiu do apartamento e fechou inesperadamente a porta atr�s dele.
"Maldito seja!" amaldi�oou Carlos. Abandonando a sala e desapareceu dali. bateu a porta do quarto que ressoou pelo pequeno apartamento.
Sari tamb�m se p�s de p�, alisando sua saia. Se desculpou e tamb�m se retirou da sala.
Kris perguntou-se que raios acabava de acontecer com sua fam�lia.
Suspirou. E hoje era para ser um bom dia.
Continua...