Laysa a seguiu em
silêncio, pensando se era certo o que ia fazer. Mas logo pensou decidida que
ela era livre e Julia também.E não estava enganando a moça com falsas palavras
de amor. Não tinha porque se sentir culpada.
Julia abriu a porta lateral da casa, que dava para uma varanda, e entrou com
Laysa. Ela olhou em volta, impressionada. Só aquela sala era maior que todo seu
apartamento. A sala tinha uma decoração moderna e alegre, com móveis de
alvenaria e cores quentes. Mas apenas passaram por ali, indo para o quarto de
Julia no segundo piso. Julia abriu a porta do quarto e fez um gesto para ela
entrar.Laysa a seguiu e olhou em volta, curiosa. Apesar de enorme, o quarto era
típico de uma garota jovem: Posters de artistas, uma
estante enorme diante da cama com uma tv de plasma, dvd , aparelho de som e
vários cds e dvds enfileirados.
-Quer tomar um banho de banheira comigo??- Perguntou Julia, fitando-a sem largar
sua mão.
Laysa a fitou indecisa.
-Eu nunca tomei banho com alguém.
-Sempre há uma primeira vez....quer?
Laysa sorriu.
-Bem, será uma experiência nova, por quee não?
Ficaram se fitando e Julia pediu, com voz trêmula:
-Não quer beijar-me, Laysa? Quero tanto um beijo seu...
Laysa sorriu e se aproximou, abraçando Julia pela cintura. Ela apoiou o corpo
no seu e se beijaram ardentemente.
Laysa lembrou de um
filme que havia assistido, sobre lesbianismo. As cenas foram surgindo
em sua mente e ela começou a despir Julia, entre beijos. Julia fez o mesmo com
ela e logo estavam despidas, uma olhando para a outra
com admiração.
-Que corpo lindo você tem... - Sussurrouu Julia, fitando-a com os olhos cheios
de encanto - E é loura natural, não tinge os cabelos, como pensei.
Ela pegou-a pela mão e a levou para o banheiro. Abriu as torneiras da enorme Jacuzzi e continuaram a se beijar, enquanto a banheira
enchia. Julia enlaçou seu pescoço com força, colando o corpo ao seu, em um beijo
ardente. Laysa se deleitou em acariciar aquela pele lisa e macia, era tão
diferente da pele de um homem!
Julia se recostou na
banheira e pegou a mão de Laysa, colocando-a em seu seio e gemeu:
-Aperte, acaricie... dê-me prazer, Laysa...
Laysa se excitou com o
pedido. Pousou as mãos nos seios de Julia e os alisou, pegou os biquinhos entre
os dedos e os burilou, encantada com a reação de Julia, que rodeou sua cintura
com as pernas, gemendo de prazer.
-Sugue
eles, Laysa...
Laysa desceu a boca
para o biquinho que já estava duro e começou a sugá-lo. Julia pegou sua mão
direita e a guiou até seu sexo, abrindo as coxas .
Hesitante no início, Laysa acariciou com as pontas dos dedos o pequeno clitóris
duro de excitação, depois, com a reação de Julia de evidente prazer, ela o
tocou com mais confiança, sentindo o corpo de Julia tremer. Olhou para o rosto
dela. Julia tinha os olhos fechados e os dentes trincados, uma expressão de
desejo louco que a excitou mais.
-Enfie o dedo... –
Pediu Julia, entredentes – Estou ficando louca...
Laysa a penetrou com um
dedo, depois com mais dois, à pedido da garota, que se
empurrava contra eles, gemendo alto. As pernas voltaram a rodear sua cintura e
Julia se mexia contra sua mão, dando gritos de prazer. Ela se contraiu, o corpo
tremendo, as mãos apertando Laysa com força e jogou o rosto para trás,
gritando:
-Aahhhhhhhh!!!!! Fodaaaaaa!!!!!
Aahhhhhhhhh!!!!!
E ela ficou inerte em
seus braços, respirando entrecortadamente, de olhos
fechados.
Laysa estava em fogo e
montou na coxa da garota, esfregando seu sexo. Gozou logo, sentindo-se
arremessada em um prazer intenso que nunca havia sentindo com seu ex-namorado.
Fazer sexo com uma mulher era tão melhor!
Julia a fitou com um
olhar cheio de desejo.
-Eu quero chupar você
todinha, Laysa... vamos para a minha cama.
Laysa sorriu e
ergue-se, pegando a mão de Julia, e saíram da banheira. Se
enxugaram entre beijos e Julia a arrastou para seu quarto, caindo na
cama entre beijos loucos. E Laysa enlouqueceu ao ter seu sexo sugado por aquela
boca faminta, que não a soltou nem quando gozou. Julia bebeu todo seu néctar,
como um náufrago sedento.
Beijos, carícias, corpos se espremendo, sussurros de desejo.Laysa se perdeu no
desejo e delícia de fazer amor com uma mulher.
Duas horas depois, Laysa estava deitada na cama de Julia, com ela com a cabeça
em seu ombro.Fitou-a e a viu com uma expressão de felicidade que a comoveu.
Beijou-a na testa e ela ergueu o rosto, fitando-a sorrindo.
-Deus, como é bom fazer amor com você! -- Disse Julia - Ah, Laysa, como você é
diferente de Jane... você é uma delícia...
Laysa a fitou curiosa.
-Diferente, como?
-Você é delicada, amorosa...sabe...Jane me possuía com
brutalidade. Agora que percebo isso.Por que agora posso comparar. Eu achava que
era normal o modo dela.
-Ela
era bruta? Como?
-Ela me machucava.Não era delicada como você.Jane gosta de bater, de morder...quando penetrava em mim, era com brutalidade sempre, eu
sentia dor.
Laysa a fitou admirada.
-Deus! E você gosta dela, mesmo assim
-Eu pensava que isso fazia parte do ato sexual, eu até hoje só havia tido sexo
com ela. Agora vejo como ela é sádica.
-Como você era ingênua, Julia!Então, achhava normal ela machucar você?
Julia começou a chorar. Laysa a abraçou com carinho.
-Por que está chorando, Julia?
-Choro por ter sido tão idiota, um objetto, um brinquedo nas mãos de Jane! Meu
Deus, como me enganei! Oh, Laysa, como foi bom ter conhecido você!
Laysa se afastou, fitando-a preocupada.
-Que quer dizer, Julia? Olha, eu também não sirvo para
você. Eu já amo uma pessoa .
-E está aqui comigo numa cama?!
-Ela nem desconfia que estou apaixonada por ela.
-Oh...conheço eessa pessoa?
-Não.
-É homem, ou mulher?
-Mulher. Julia, eu quero apenas ser sua amiga. Se quiser algo mais, vai sofrer.
Julia acariciou seu
rosto, fitando-a com carinho.
-Laysa, eu também quero apenas sua amizaade, fique tranqüila... eu ainda sou apaixonada por Jane. Mas agora sei que ela não
serve para mim.Eu quero uma mulher que me dê o prazer que você me deu, sem usar
de brutalidade comigo.Eu agora quero tirar ela da minha cabeça, eu vou lutar
agora para isso. Mas hoje, vamos apenas nos amar...eu
quero você essa noite toda, Laysa...
E Julia a beijou impetuosamente. Laysa quis afastá-la
para conversar sobre o que achava daquilo tudo, mas os beijos de Julia a
calaram.Julia era um vulcão e Laysa não resistiu. Também estava faminta de
amor, para poder recusar uma moça ardente que se entregava com loucura.
A noite passou célere, com elas se amando até se esgotarem.
LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL
-Quero que despeça
Laysa!
Gladys ergueu os olhos do jornal, olhando surpresa Jane entrar na sala de
refeições com os olhos faiscantes de cólera. Ela pousou o jornal sobre a mesa e
fitou a irmã com reprovação.
-Antes de tudo, me dê bom dia, sua sem-eeducação!
Jane puxou a cadeira diante de Gladys e cruzou as mãos nervosamente.
-Ok, bom dia!MMas para mim, é um péssimo dia! Não
ouviu o que eu disse? Quero que despeça Laysa, aquela loura sonsa que trabalha
em seu gabinete!
Gladys cruzou os braços, fitando-a friamente.
-Que novidade é essa?Por que está me peddindo isso?
O rosto de Jane se contraiu de raiva, os olhos brilharam.
-Porque Laysa é uma galinha, uma sem-verrgonha! Ah, que ódio estou sentindo
delas!
-Vamos por partes, Jane! Por que diz quee Laysa é uma galinha? E quem é a outra
mulher, que também está com ódio?
-Laysa e Julia, aquelas duas piranhas!
-Pare de xingar e conte-me o que houve!<
Jane contou, vermelha de raiva. Desde que dera uma carona à
Laysa na porta do prédio em que trabalhava, até a cena na boate, cuidadosamente
omitindo que havia revelado à Laysa a homossexualidade da irmã. Gladys a ouviu
em silêncio, mas o rosto adquirindo uma expressão dura.Os olhos se estreitaram,
frios.
-E então? Vai despedir aquela loura sonssa? - Concluiu Jane.
-Não
vou despedir Laysa, Jane!
-Não?!
Gladys apontou o dedo para Jane com olhar de acusação.
-Você desobedeceu-me e foi cantar uma fuuncionária minha! Eu a preveni, Jane!
-Mas ela também a desobedeceu!Eu sei quee você a proibiu também de se envolver
comigo!Mas ela aceitou meu convite, levou-me até a casa dela, foi para a boate
comigo!
-Mas foi você quem iniciou tudo, procuraando-a! A culpa maior é sua! Agora,
Laysa Venturini sabe que você é gay! E aposto que você contou à ela sobre mim!
Jane, que havia omitido esse fato, a fitou receosa. Não adiantava esconder,
Laysa ia falar!
-Bem... eu deixxei escapar... mas
ela prometeu não falar isso a ninguém!
Os olhos de Gladys brilharam de ira. Gladys ergueu-se, passando as mãos pelos
cabelos, fitando a irmã com desgosto profundo.
-Sua idiota! Como pôde contar isso de miim, sem conhecê-la direito? Ela pode
espalhar essa revelação, e estarei na boca de todos meus funcionários! Minha
vida sexual na boca de todos!
-Mais um motivo para despedi-la!E ninguéém vai acreditar nela, se falar!
Gladys fitou a irmã, cruzando os braços.
-Até que Laysa teve bom senso, em não caair em sua conversa e preferir Julia!
Você é uma inconseqüente, uma idiota que pensa que o mundo gira à sua volta!
Pois não vou despedir Laysa por uma questão de justiça! Ela é uma funcionária
exemplar, não posso culpá-la por você ser uma louca, que fala o que não deve!Se
ela é gay ou não, não tenho nada com isso, desde que ela não se envolva com
você. E isso está claro que ela não deseja... - Completou, com ironia.
Jane a fitou com raiva
e incredulidade.
-Ela vai continuar na empresa?! Mesmo sabendo de você?!
-Se ela mostrar-se discreta e não comenttar nada, vai
continuar. Vou observar o comportamento dela. Se alguém deve ser punido por
enquanto, é você! Está proibida de ir visitar-me na empresa, sob qualquer
pretexto! Vou avisar ao chefe da segurança para não deixar você entrar.
-Isso é um absurdo! - Gritou Jane, furioosa - Você vai continuar com Laysa
porque deve estar interessada nela!
Gladys perdeu a paciência. Esbofeteou a irmã, que a fitou assustada.Nunca
Gladys havia batido nela!
-Sua irresponsável, respeite-me! - Gritoou Gladys, com os olhos chamejantes -
Agora, vá para seu quarto!Já aborreceu-me bastante por
hoje! Vai ficar de castigo a semana toda sem sair de casa! E se desobedecer-me, sua mesada vai ser suspensa por um mês!
Jane saiu sem replicar. A fúria da irmã a amedrontou. Nunca vira Gladys assim,
tão furiosa. Mas intimamente jurou que Laysa e Julia iam lhe pagar caro aquela afronta. Como Laysa pudera trocá-la por aquela mosca
morta da Julia?
Ficando
só, Gladys suspirou e se sentou, apoiando o rosto na
mão, pensativa.
Desde que vira Laysa, sentira uma atração fulminante.Mas havia procurado
sufocar o que sentia à todo custo, tratando-a com
polida indiferença, fingindo não perceber os olhares de interesse dela,
querendo evitar uma paixão que a cada dia era mais intensa. Tudo por medo de um
novo envolvimento amoroso que poderia transtornar sua vida novamente. Mas
agora, tudo seria mais difícil.
Laysa
agora sabia que ela era lésbica. Poderia se tornar mais insinuante, e como
resistiria? A despedindo? Não tinha forças para isso, precisava ao menos ver
Laysa todos os dias, mesmo sem poder abrir-se com ela.Já bastava nos finais de
semana ficar pensando, cheia de saudade, o que Laysa estaria fazendo, e com
quem.E agora saberia que ela estaria nos braços da ex de Jane, Julia! Sentiu um
ciúme doloroso, uma sensação de impotência.Laysa, queria-a
tanto! E ela estava com outra, porque não dera nenhuma indicação que ela a
interessava! Porque havia sido tão covarde, com medo de amar? Por que não a
chamara para sair, por que não tivera a coragem de revelar o que sentia? Deus,
como estava sendo difícil conter a paixão que sentia!
LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL
Laysa saiu para o trabalho bocejando. Havia passado o sábado e domingo com Julia, praticamente na cama, fazendo sexo. Só paravam para tomar banho, comer e dormir por poucas horas.Quando Laysa dizia que tinha que ir embora, Julia se jogava em seus braços beijando-a com tanta paixão, que ela desistia de sua intenção . Precisou sair quando o dia de segunda-feira amanhecia, sorrateiramente, deixando Julia dormindo, e ir correndo para casa tomar banho e trocar de roupa para ir trabalhar.
Bateu seu ponto e foi para sua sala, tensa. Jane teria comentado algo com a
irmã? A realidade veio com força se abater sobre ela: havia sido muito bom ter
finalmente sexo com uma mulher, mas Julia havia apenas preenchido uma carência
sexual sua. Gostara da experiência, tinha carinho por Julia, mas não a amava. O
seu amor ainda era Gladys. Dois dias sem vê-la, e que saudade estava!
Aceitara a paixão de Julia naqueles dois dias, mas seu pensamento não
conseguira se esquecer de Gladys.Ah, se sentisse por
Julia uma fração do que sentia por Gladys! Como seria tudo menos complicado!
Dona Eunice ainda não havia chegado. Laysa começou a trabalhar, digitando no
computador cartas comerciais. A mulher chegou meia hora depois, reclamando de
sua pressão, que havia subido muito no final de semana. Estava com consulta
marcada com um médico e sairia cedo.
-Oh, sinto muitto, Eunice... - Disse Laysa cinicamente,
pois a notícia a alegrou. Iria ficar sozinha para atender Gladys!
Gladys chegou dez minutos depois. Cumprimentou as duas e entrou em sua sala,
fechando a porta.
Laysa empalideceu. Havia notado o cumprimento seco, o olhar frio que ela lhe lançara.Jane
teria falado algo? Ficou trêmula de receio.
Quando
foi levar as cartas para ela assinar, Gladys a recebeu com o mesmo olhar
impenetrável de sempre. Mas o sorriso polido dessa vez não havia naqueles
lábios sensuais.Laysa hesitou, mas resolveu puxar conversa.
Olhando para Gladys, sua paixão se intensificou. Como era linda! Havia prendido os cabelos em um descuidado coque, deixando a alva nuca à mostra, com penugens douradas. Vestia o modelito típico das executivas: blazer e calça comprida de cor neutra, nesse dia, cinza, blusa branca de mangas compridas , as pernas cruzadas elegantemente, calçada com scarpins de salto agulha. Tudo nela irradiava elegância, beleza e feminilidade. O oposto do estereótipo de uma lesbiana.
-Passou bem o final de semana, senhoritaa Demerson? -
Perguntou Laysa.Ela respondeu sem erguer o rosto, assinando os papéis:
-Sim, muito bem, obrigada.
Laysa a fitou constrangida. Ela havia respondido secamente. Maldita Jane, havia
contado tudo à Gladys!
Ela acabou de assinar os papéis e ergueu o rosto, entregando-os. Aqueles olhos dourados!
Laysa apanhou os papéis e seus dedos encostaram acidentalmente nos dela. Foi
como se tivesse recebido um choque.Ela pareceu sentir o mesmo, pois olhou para
sua própria mão e depois para Laysa. Ficaram se fitando por alguns segundos, o
coração de Laysa aos saltos, até que ela desviou o olhar e disse secamente:
-Pode retirar-se, senhorita Laysa.
Laysa saiu trêmula de emoção.Um simples contato ocasional, provocar aquela
emoção!Era fantástico! Como se sentiria então, nos braços dela? Poderia morrer
de emoção!
Laysa foi almoçar no Delírio Tropical, um restaurante natural na Rua do Rosário, que servia saladas maravilhosas. Escolheu salada de macarrão com legumes acompanhada de filezinhos de frango à milanesa.A comida estava excelente como sempre, mas comeu pouco, pensativa. Havia deixado com Julia o número do seu telefone celular.Fizera bem em ter deixado essa possibilidade de contato?Bem, por que não, Gladys não a queria mesmo! Ah, Gladys...devia ser uma delícia beijá-la...ninguém conseguiria apagar aquela paixão que sentia por aquela mulher.
Triste com esse pensamento, voltou para o trabalho.
Eunice já havia ido para o médico e estava agora sozinha.Continuou seu trabalho
de digitação. Meia hora depois, Gladys a chamou pelo interfone:
-Senhorita Laysa, venha aqui, por favor..
-Pois não, estou indo - Respondeu Laysa,, erguendo-se e se dirigindo para a
porta do gabinete.
Entrou. Gladys estava
de pé perto da janela e voltou-se para ela, fitando-a especulativamente, de
braços cruzados..
-Feche a porta com o trinco e sente-se.<
Confusa com aquela ordem, Laysa fechou a porta com o trinco e olhou para
Gladys, que indicou o sofá com a mão. Sentou-se e a fitou expectante.
Gladys a fitou nos olhos, se aproximando e parando diante dela.
-Queria perguntar uma coisa, está gostanndo de seu trabalho?
-Muito...não seei como lhe agradecer a chance que me
deu...
-Ah, você saberá como me agradecer, sim....
-Como?
- Perguntou Laysa, intrigada. Onde Gladyys queria chegar? Era a primeira vez que
puxava conversa com ela, e depois do que havia acontecido com ela e Jane, não
podia ser para nada de bom.
-Direi no momento certo. Sabe que é uma moça diferente, não, Laysa?
-Diferente? Como assim?
Ela sorriu, um sorriso enigmático.
-Você tem uma beleza incomum. Isso a torna diferente das outras mulheres. Um rosto muito bonito, um corpo
lindo... - Disse, o olhar percorrendo o corpo de Laysa sem disfarce.
-O...obrigada.... - gaguejou Laysa, surpresa e trêmula.
-Você gosta de usar sua beleza para conqquistar, não é, Laysa?
Laysa empalideceu, fitando-a com ar culpado.Agora sabia onde ela queria chegar.
Jane havia falado tudo! Gladys ia despedí-la! Mal
conseguiu balbuciar :
-Eu...eu não mee julgo uma conquistadora...
-Ah, não? Interessante...pois você nesse fim de semana
conseguiu conquistar duas moças. Uma, minha irmã. Mas escolheu a outra.
Laysa fitou Gladys amedrontada. Ela sorriu com ironia.
-Não negue, Jane contou-me tudo.
Laysa suspirou. Não adiantava negar. Confirmou:
-Não ia negar.
Gladys cruzou os braços, fitando-a acusadoramente.
-Então,
não nega que saiu com Jane, contra minhas recomendações, e depois a trocou pela
garota dela, deixando minha irmã humilhada diante das amigas?
Laysa a encarou e ergueu-se, indignada.Era louca por Gladys, mas não iria
deixá-la a acusar colocando Jane como vítima.
-Foi sua irmã quem proocurou-me.Ela me esperou na saída
do trabalho e não podia ser indelicada com ela.Acabamos saindo, mas sem nenhum
compromisso, apenas como amigas.E os acontecimentos posteriores não a
envolvem.Eu não troquei Jane por outra, porque não tinha nada com ela.E Julia
estava desprezada por Jane, que não queria nem falar com ela.Não fiz nada de
mal e você não pode cobrar-me atitudes de minha vida particular.
Gladys corou violentamente. Fitou-a com um olhar chamejante, mas respirou fundo
e respondeu:
-Okk, sei
que está em seu direito de conquistar quem quiser...
Laysa a fitou e sua indignação foi substituída por uma onda de paixão que veio
aos seus olhos e voz:
-Quem eu realmente desejo não me deu atéé hoje a menor atenção. Olha-me com
indiferença, não enxerga o meu desejo, a minha paixão.
Gladys a fitou nos olhos, parecendo indecisa.
-Oh... então, ttem uma paixão oculta, Laysa?
-Tenho, Gladys...
-Posso saber quem é? Ah, sei, não tenho esse direito,
sou apenas sua chefe.
-Você pode, Gladys. Porque você é essa ppessoa - Confessou Laysa, jogando tudo nessa
confissão.
Um clarão passou por
aqueles olhos translúcidos.Ela mordiscou os lábios, fitando-a nos olhos. Depois
sorriu.
-Eu? Oh, quanta honra! Então, fui agraciiada com o seu interesse?
-Não seja cínica, por favor! - Implorou Laysa, fitando-a deixando emergir toda
paixão que sentia em seu olhar - Estou sendo sincera, Gladys, eu estou
apaixonada por você.
Gladys a fitou com um olhar indecifrável. Deu dois passos e parou diante de
Laysa, fitando-a nos olhos.
-Então, você me deseja...muito bem, estou aqui. O que
deseja de mim, Laysa? Mostre-me como se sente.
Laysa não pensou duas vezes. Gladys estava consentindo que ela mostrasse o que
sentia! Tremendo de emoção, avançou e tomou o rosto dela entre as mãos e a
beijou, esmagando seus lábios naqueles outros tentadores.
Gladys colocou um braço rodeando sua cintura e outro em suas costas, puxando-a
contra seu corpo enquanto as bocas se esmagavam e se sugavam em um beijo louco, que fazia seus corpos tremerem, um se apertando
contra o outro, cheios de desejo.
Gladys escorregou as mãos por suas costas, subiu pelo pescoço e espalmou-as em seu rosto, os dedos enterrando nos cabelos
louros, trêmulas. Laysa gemeu baixinho quando os dentes de Gladys mordiscaram
seu lábio inferior, mas beijou-a mais ardentemente ainda, sentindo aquela boca deliciosa sugando sua língua, os lábios se
roçando, uma emoção louca que ninguém antes lhe havia despertado.
Laysa sentiu uma vontade louca de beijar e acariciar o corpo todo de Gladys, de dizer para ela palavras que nunca havia dito para ninguém. A emoção de estar nos braços da mulher que amava era inigualável. Beijou todo o rosto dela, em um assomo de emoção.
Gladys riu e afastou o rosto, fitando-a nos olhos. Ficaram se fitando por uns
momentos, até que não resistiram e se beijaram outra vez com ardor.
Não se resolviam se separar, presas naquele beijo alucinante. Laysa perdera a
noção de tudo que não fosse aquela boca deliciosa, daquelas mãos quentes e
macias apertando seu corpo, acariciando, o corpo se espremendo contra o seu, o
cheiro do perfume que usava misturado ao da pele, a embriagando de desejo.
Quase perdendo o fôlego, Gladys afastou-se ofegante. Os dedos práticos
desabotoaram a blusa que Laysa vestia e os seios surgiram, metade
cobertos pelo sutian de renda branca. Gladys
desabotoou o sutian, fitando-a com um olhar
perfurante de desejo, e os seios surgiram como duas frutas saborosas, brancos
de biquinhos róseos e duros de excitação.Gladys ficou fitando-os, paralisada.
Finalmente, estendeu as mãos trêmulas e os alisou, sentindo-os se arrepiarem.
Impaciente, Laysa afastou-a suavemente e despiu-se toda, sob o olhar de
admiração de Gladys. Um olhar que a emocionou, um olhar que provocava
sensações, como se ela a estivesse tocando nos pontos que olhava. Nua, exibindo
sua esplendorosa beleza, Laysa ficou diante dela, esperando.
Como que hipnotizada, Gladys sentou-se no sofá
e puxou-a pelos quadris, até poder pousar os lábios em seus seios, beijando-os
e mordiscando com cuidado. A boca desceu para o abdômem
delineado, para o ventre chato e mordiscou o púbis alourado.
Laysa se afastou pousando as mãos nos ombros de Gladys e pedindo quase em um
queixume:
-Tire a roupa...quero< tê-la nua em meus braços...
Gladys sorriu ao pedido. Seu olhar era fogo puro. Ela ergueu-se e começou a se
despir com gestos nervosos, mostrando sua ansiedade para ter Laysa novamente em
seus braços.
Laysa deliciou-se em contemplar aquele corpo escultural, bronzeado de sol. O
corpo de Gladys era perfeito, como que talhado por um artista genial.
Gladys acabou de se despir e como uma ninfa, deu dois passos com os braços
estendidos para Laysa, que caiu entre eles. Se abraçaram
e se beijaram, esquecendo tudo o mais que não suas bocas, seus corpos unidos no
mesmo desejo.
Gladys empurrou-a para o
sofá e ajoelhou-se em frente, pegando as pernas de Laysa e as colocando em seus
ombros. Com as mãos apertando os seios de Laysa, desceu o rosto e tomou o sexo
de Laysa na boca, sugando com força o pequeno clitóris.
Laysa gemeu alto, ao
sentir aquela boca quente sugando-a, passando a língua, mordiscando. Segurou a
cabeça dela entre as mãos, apertando-a mais contra si, se mexendo contra aquela
boca, fora de si.
-Gladys...Gladys... –
Sussurrou, mexendo-se frenética.
Gladys prosseguiu, as
mãos agora deslizando pelo seu corpo, acariciantes.
Um orgasmo intenso
sacudiu o corpo de Laysa e ela se quedou em uma nuvem de prazer.
Gladys a pegou pelos
ombros, fitando-a como um animal faminto.
-É cedo para parar,
Laysa...agora, você vai me dar prazer...
Laysa abriu os olhos
lentamente e fitou aquela mulher magnífica.
-Diga o que quer... fale... e vou satisfazer seu
desejo.
Gladys sorriu,
puxando-a pela mão para
o chão atapetado e deitou sobre ela, abrindo suas coxas com um joelho. E
começou a esfregar o sexo em sua coxa, apoiada nos braços, fitando-a com
desejo.
-Laysa...você...é...gostosa...
– disse, entre aspirações de ar irregulares, o sexo se mexendo contra a coxa.
A boca a assaltou, sugando-a sôfrega, as mãos apertando-a febris. Laysa a abraçou, acompanhando os movimentos dela. Gladys a pegou pelos ombros e a forçou a se virar de bruços e espremeu o sexo quente e molhado em suas nádegas, em movimentos bruscos. Ela enfiou a mão por baixo do corpo de Laysa, alcançando o sexo, massageando o clitóris, penetrando-a com força, os dentes mordiscando sua nuca, a língua penetrando em seu ouvido, gemendo, ofegando. Em pouco tempo ela gozou, gemendo alto.
Ela se afastou e puxou Laysa novamente para a poltrona. Dessa vez, foi ela quem colocou um pé na poltrona para apoio, o outro pé no chão, mostrando-se sem pudor, dizendo com voz sexy:
-Venha, use essa língua gostosa em mim até eu gozar, Laysa.
Ela empurrou a cabeça de Laysa para baixo, fazendo-a se ajoelhar diante do seu corpo.
Ela mesmo acariciando seus
seios macios, rolando seus bicos entre seus dedos até que eles
ficassem duros de tesão. Laysa não se
fez de rogada. Abriu o sexo dela com as mãos e mergulhou a língua naquela fonte
deliciosa de prazer. Sua própria excitação cresceu quando ouviu os gemidos e sons vindos de
seu amor. Gladys moveu suas pernas, para que ela pudesse
pressionar o clitóris contra sua boca, apertando o espaldar da
poltrona com uma mão e enlaçou
seus dedos nos cabelos de Laysa com a
outra. Sua cabeça caiu para trás em seus
ombros quando
uma língua molhada circulou seu
clitóris . Ela mordeu seu pulso para não
gritar e
cambaleou. Laysa rumou sua língua pela sua vulva, e depois mergulhou entre ela,
separando os lábios e então
tocou a abertura da vagina de Gladys, fazendo-a dar um gemido
gutural. Envolvendo seu braço em volta
dos quadris de Gladys, Laysa puxou ela para mais
perto, sugando o sexo de Gladys com
força, sentindo-a se apertando contra sua boca, em movimentos desesperados.
Laysa podia sentir que seu amor estava próxima do orgasmo pela forma que os músculos do seu
estômago se contraíam e como sua respiração se tornou ofegante, com ela
respirando em pequenos haustos. Lambendo seu centro um último tempo, ela então
puxou seu clitóris entre
seus lábios e empurrou três dedos na
vagina molhada . O corpo de Gladys se imobilizou numa contração e ela gemeu seu
orgasmo, enquanto Laysa a sugou com força, descontrolada, com pequenos estremecimentos sacudindo
seu corpo, mas não a impedindo de enterrar a face profundamente entre as coxas
de Gladys, sugando todo o néctar produzido pelo seu êxtase.
Gladys conservou
seu punho em sua boca e fechou os olhos com força. Ela podia sentir outro
orgasmo chegando, como uma onda. Em segundos ela gozou intensamente, gritando o
nome de Laysa, as coxas apertando a cabeça dela e depois a soltando, quando se
perdeu na deliciosa sensação de prazer.
Laysa sentiu novo
orgasmo tomar seu corpo, ao mesmo tempo que sentia os
últimos tremores do prazer de Gladys.
Gladys deslizou
para o sofá arquejando,
de olhos fechados. Laysa se ergueu e a fitou embevecida. Abraçou-a.
Alguns minutos se passaram, com Gladys de olhos fechados,
imóvel. Então, ela abriu os olhos e se desvencilhou de Laysa e se
ergueu. Passou as mãos pelos cabelos em desalinho e falou, com voz impessoal:
-Preciso tomar algo...>estou com sede.
Laysa a fitou. Gladys estava agora com uma expressão calma, um olhar
inexpressivo. Foi até o frigobar que tinha no
escritório e pegou uma lata de refrigerante, abrindo-a e tomando um gole.
Voltou-se
para Laysa, mostrando a lata.
-Quer uma?
Laysa recusou, sentando-se.
-Não. Raramente tomo refrigerante, prefiiro sucos naturais.
Gladys sorriu e pousou a lata sobre a mesa. Começou a recolher sua roupa e a
vestir-se.Fitou Laysa e disse, vestindo a calcinha:
-Hoje pode sair mais cedo.Eu vou embora agora.
Laysa acabou de se erguer e se aproximou de Gladys. Tentou abraçá-la, mas ela
recuou, dizendo:
-É melhor você vestir-se também.
A voz soou fria. Laysa a fitou surpresa e magoada.
-O que há, Gladys? Vai voltar a tratar-mme com indiferença, depois de tudo que
fizemos?
Ela a fitou com um sorriso cínico, com as roupas nas mãos.
-Laysa, isso aqui é um escritório, e nãoo um motel. Já fizemos tudo que
desejávamos. Eu lhe fiz um favor, transferindo-a para cá. E você acabou de
pagar-me o favor, estamos quites.
Laysa empalideceu. Aquele comentário a feriu profundamente. Gladys
estava dando a entender que tudo não passara de uma troca de favores, sem
sentimentos envolvidos. Olhou-a magoada.
-Gladys! É isso que acha que acabamos dee fazer? Uma troca de favores?
Ela a fitou com um olhar frio e superior.
-Que sentimentalismo é esse?Você me tevee, como eu tive você. Uma troca justa.
Ponto final.
Matamos nosso desejo
sem falsas promessas e palavras doces. E foi só.
E dizendo isso, ela foi para o banheiro e fechou a porta.
Laysa teve a sensação que o chão lhe fugia sob os pés. Desabou no sofá, com a
cabeça entre as mãos. Aos poucos, um furor intenso foi dominando-a. Pegou suas
roupas e vestiu-se com raiva.
Gladys saiu do banheiro já vestida, maquiada e penteada. Ali estava de novo a
eficiente e calma executiva, olhando-a com fria polidez.
-Ainda está aí? Pode ir, senhorita Laysaa...o
expediente acabou.
Laysa ergueu-se e a fitou acusadoramente, a voz embargada de raiva e decepção.
-Você usou-me! Como a um objeto!
Aproximou-se, tentando agredí-la, com o furor que
sentia. Gladys a pegou facilmente pelos pulsos e a encarou com frieza, dizendo
com voz cortante:
-Controle-se! A menos que queira perder seu emprego, aconselho-a a se comportar
como minha secretária, senhorita Laysa!
Empurrou-a e se retirou, batendo a porta.
Laysa
se jogou no sofá e desatou em um choro de mágoa e revolta. Como Gladys havia
sido fria e calculista! Ela a havia usado para
satisfazer seus desejos e depois a havia descartado, como se ela fosse uma
pessoa sem sentimentos e valor! Como podia ter feito isso, depois de vibrar em
seus braços, depois de possuir e ser possuída com loucura?
Chorou durante muito tempo. Quando se recuperou, vestiu-se, passou uma escova
nos cabelos rapidamente, lavou o rosto e saiu, desligando o computador e
apagando as luzes.
Andou pela rua como uma autômata.O mundo lhe parecia
cheio de pessoas egoístas, frias e dissimuladas.Sentia-se humilhada, rebaixada à uma prostituta, usada e posta de lado, depois de pagar uma
dívida cobrada.Gladys agira com extrema frieza e maldade.Nunca esperaria aquilo
dela, a mulher que amava.
Tomou o ônibus e fez o trajeto para casa apática. Saltou no ponto, caminhou até
seu prédio mergulhada em negros pensamentos. E ao chegar na entrada do prédio,
teve uma surpresa. Julia a esperava recostada na grade de ferro que isolava a
entrada da rua.Ela sorriu ao vê-la chegar e veio ao seu encontro sorridente.
Estava com uma saia curta jeans que mostrava suas longas pernas, mas Laysa a
fitou torvamente, sem entusiasmo.
-Oi...vim vê-laa, Laysa - Disse ela, fitando-a nos
olhos.
Laysa a fitou séria, esperando o porteiro abrir o portão.
-Não me lembro de ter dado meu endereço à você.
Julia ficou vermelha.
-Bem...eu olheii em sua bolsa, quando dormiu...
Laysa entrou e Julia a
seguiu. Laysa estava tão abatida, que nem protestou sobre a indiscrição de
Julia. O que importava isso, diante de sua decepção com Gladys? Nada.
Laysa apertou o botão de chamada do elevador e logo depois ele chegou. Subiram
com mais dois moradores e Julia só falou quando Laysa entrou no apartamento e
fechou a porta:
-Estava com tanta saudade, Laysa... - Diisse, abraçando-a por trás e pousando a
cabeça em suas costas. Laysa voltou-se, fitando-a friamente.Naquele momento,
estava com ódio de todas as mulheres do mundo.
-Você pensa que sou um objeto, que pode usar quando dá vontade? - Perguntou,
agressivamente.
Julia a fitou assustada.
-Objeto?! Eu
Laysa fitou-a com raiva. Uma raiva que estava sentindo por Gladys.
-É isso mesmo, vocês/span>, meninas ricas, acham que podem
comprar tudo, até uma mulher! Sou apenas uma moça pobre, que
precisa trabalhar para sobreviver, não? E você é a riquinha sem nada na
cabeça, a não ser procurar com quem trepar! E acha que eu estarei sempre
disponível quando você quiser, não?
Julia a fitou boquiaberta.
-Por que está me dizendo essas coisas? OO que houve? Jane a procurou e a
insultou? Laysa, não tenho culpa do que ela disse para você! Eu não sou como
ela!
Laysa caiu em si. Julia não tinha nenhuma culpa do que Gladys fizera. Era bem
diferente de sua chefe, uma garota meiga. Suspirou,
procurando acalmar-se.
-Vou tomar um banho. Espere aqui na salaa. Pode ligar a tv.
LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL
Gladys chegou em casa
de mau humor. O que havia feito com Laysa a deixara com a incômoda sensação que
não havia sido racional e justa.
Como se deixara fraquejar à aquele ponto? Ter tido
sexo com sua secretária, esquecendo todas as suas prevenções, medos e experiência ? Havia ultrapassado um limite que não era bom
para sua segurança emocional e legal.Laysa agora podia chantageá-la
ou processá-la por coerção para prática de ato sexual, exigindo uma indenização
por dano moral e mental. Que loucura havia feito! Mas não havia conseguido
resistir quando Laysa, linda, com aquele olhar cheio de paixão, havia dito que
a desejava.
Ela, que desde que Laysa começara a trabalhar para ela, estava contendo sua
crescente paixão pela loura, não pudera mais resistir. Mas passado os momentos
em que agira somente de acordo com sua paixão, todos os seus
medos e dúvidas haviam retornado. Não devia confiar em Laysa. Era outra
como Silvia, que tornaria sua vida um inferno. Ela havia deixado sua irmã se
aproximar dela, contra seu pedido, depois havia trocado Jane por Julia. Era uma
inconseqüente, que gostava de manipular os sentimentos das pessoas. Mas ela não
era uma garota inexperiente e boba, já havia aprendido sua lição. Havia
mostrado à Laysa que não se deixaria envolver por uma
mulher que gostava de manipular as pessoas com falsas declarações de amor. Mas
ela havia se mostrado tão magoada e decepcionada, que agora ficara em dúvida se
tinha sido injusta em pensar tão mal dela. E se Laysa estivesse sendo sincera,
dizendo que estava apaixonada por ela? Era tudo tão complicado...o melhor era tentar esquecer essa tarde e tratá-la com
estrito profissionalismo. Mas, conseguiria fazer isso, depois do que havia
acontecido?
O melhor seria afastá-la de sua vista.Mas como faria isso? Despedi-la?
Não, seria muito radical, não queria prejudicá-la. Sabia como estava difícil
conseguir emprego.O melhor seria transferí-la para
outro lugar da empresa, para não vê-la mais. Mas essa possibilidade a
entristeceu e angustiou. Não mais chegar no trabalho e ser brindada
com a visão da beleza de Laysa, daquele suave bom dia, lhe doía mais que
queria admitir.
Seus perturbadores pensamentos foram interrompidos por um ruído alto. Ela saiu
do seu quarto e encontrou a governanta, que a fitou aflita.
-Que barulho foi esse, Ivonete? - Perguntou.
-Foi a senhoritta Jane! Ela chegou da rua tão
esquisita! E agora está lá no quarto quebrando tudo!
Gladys passou por ela em passos largos e foi até o quarto de Jane.Girou a
maçaneta e abriu a porta, entrando. Deparou com Jane apenas de calcinha com um
jarro caríssimo de porcelana chinesa nas mãos. Ela o jogou no espelho da
penteadeira. O cristal partiu-se com estardalhaço em vários pedaços. No chão, cds espalhados, e a tv de plasma quebrada.
-Jane! Está louca?- Gritou, aproximando--se e a agarrando pelos braços, por trás
- Pare com isso, sua imbecil!
-Não! - Gritou Jane, esperneando - Eu voou destruir aquela vagabunda! Vou acabar
com ela, igual essas coisas!
Gladys a empurrou para a cama e a prendeu pelos pulsos e o peso do seu corpo,
gritando:
-Pare com isso! Pare!
Jane a olhou com os olhos esgazeados e Gladys entendeu então aquele
descontrole. Jane estava drogada! Mais uma vez! Ah, não! Ela voltara ao vício!
Sacudiu-a com força,
enervada.
-Meu Deus, Jane! Andou se drogando novammente! Não vou passar novamente por tudo
que passei, não vou agüentar mais vê-la assim! Vou ter de interná-la!
Jane começou a chorar histericamente.Ela parou de lutar e Gladys a largou,
erguendo-se.Jane se encolheu em posição fetal, tremendo e chorando.
Gladys correu para o telefone e ligou para a clínica que já conhecia. Chamou
uma ambulância.
A equipe de atendimento chegou em quinze minutos. Gladys acompanhou a irmã na
ambulância, fitando-a arrasada. Mais um problema para resolver.Será que sua
vida não podia ter um pouco de paz?
LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL
No dia seguinte Laysa chegou ao trabalho sem muito ânimo. Além do fato de ter
que olhar para Gladys depois de tudo que houvera, estava sonolenta pela noite
mal dormida. Julia havia passado a noite com ela e haviam se entregado a todo
tipo de loucuras sexuais que podiam. Julia dizia que estava apaixonada e Laysa,
na ânsia de esquecer Gladys, submetera a moça a várias deliciosas loucuras
sexuais. Mas tudo havia sido inútil. O belo e sensual rosto
de Gladys estava impresso em sua mente e não a esquecera um minuto
sequer.Estava derrotada por aquela paixão louca.Mesmo sabendo que Gladys a
usara apenas para matar seu fogo sexual.Era algo irremediável e alucinante,
sabia que se Gladys a quisesse mais, não teria forças para resistir.
Sentia-se no fundo do poço, um ser abjeto. Também havia usado Julia, uma garota
ingênua e apaixonada, para esquecer Gladys. E não adiantara, ali estava como um
animal faminto esperando as migalhas de um olhar, um gesto de Gladys para
entregar-se submissa, sem orgulho ou amor próprio.
Dona
Eunice chegou queixando-se de que teria que fazer uma operação de ponte de
safena.Agora não havia mais solução.Iria tirar uma licença.
Laysa a ouvia sem prestar muita atenção.Estava tensa, Gladys
iria chegar a qualquer momento. Mas esse dia, Gladys se atrasou. Chegou às dez
horas, com um ar abatido. Deu um seco bom dia e entrou para seu gabinete. Logo
depois Eunice foi falar com Gladys. Ficou lá uns quinze
minutos e saiu com um olhar triste. Olhou para Laysa e avisou:
-A doutora Gladys quer falar com você aggora. Pode entrar.
Pelo olhar de dona Eunice, não era nada de bom. Laysa ergueu-se trêmula de
nervosismo, mas empinou os ombros e colocou no rosto uma expressão altiva. Não
iria enfrentar Gladys demonstrando nenhum receio. Mesmo esperando o pior, ser
demitida, não deixaria ela perceber seu medo. Entrou no gabinete com olhar
desafiante.
-Aqui estou, senhorita Demerson - Disse, fazendo
questão de um tratamento formal.
Gladys a fitou com uma expressão impenetrável, sentada atrás da mesa. Estava
linda como sempre, dessa vez com os cabelos soltos, os olhos magnéticos a
fitando atentos, a boca sensual pintada com um baton vermelho escuro, que tornava seus lábios mais
sensuais.
-Sente-se, senhorita Laysa, precisamos cconversar - Disse ela, fazendo um gesto com a mão.
Laysa se aproximou
e sentou na
poltrona diante da
mesa, cruzando as
pernas com elegância.Olhou para
Gladys, esperando, com ar aparentemente tranqüilo,
mas suas mãos tremiam, seu coração parecia
apertar-se.
O olhar de Gladys baixou para suas pernas por um instante, mas logo voltaram
para seu rosto.
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