DESENCONTROS

PARTE 3

 

 

 

Gladys estava sentada na borda da piscina completamente nua.Apoiada numa mão, com a outra afagava uma cabeça que estava entre as suas pernas. Seu rosto estava jogado para trás, com uma expressão de prazer. A pessoa segurou as coxas de Gladys com as mãos e notei que eram mãos femininas, com unhas esmaltadas de vermelho.O corpo não dava para eu ver, na posição que eu estava.

 

 Gladys começou a gemer e deitou para trás, começando  a mover os quadris .  Ela dava pequenos gritos de prazer, de olhos fechados. Estremeceu soltando um grito abafado e ficou imóvel. Então, uma mulher também nua se alçou da água e deitou sobre  Gladys, beijando-a ardentemente e enfiando as coxas entre as de minha irmã.  Ela era  muito bonita e eu a reconheci. Era Silvia Castelar, uma conhecida atriz de tv. Ela começou a se movimentar entre as coxas de Gladys e dizia coisas que eu não conseguia ouvir,   alisando os seios de  Gladys, sugando-os e apertando os bicos. Então Gladys se virou e deitou sobre Silvia, invertendo as posições.  Gladys a beijou na boca  e enfiou os dedos no sexo de Silvia, que pareceu ficar louca, se mexendo e gemendo alto. Eu fiquei muito excitada com a cena e acabei me masturbando olhando elas, mas também fiquei com medo que me vissem olhando e saí dali e fui para o meu quarto .


Saí do quarto uma hora depois, quando ouvi música na sala.Gladys e Silvia já estavam vestidas e bebendo e conversando, enquanto ouviam música.Gladys me fitou assustada, mas eu agi naturalmente, dizendo que havia chegado e ido direto para meu quarto. Ela se tranquilizou e apresentou-me Silvia.Eu notei que ela me olhava e pedi um autógrafo, dizendo que era fã dela . Silvia riu e me deu o autógrafo e o telefone, passando a língua nos lábios e me fitando com cara de puta.


-Que mulher sem vergonha! - Admirou-se LLaysa.


Jane riu.


-Também achei...mas adorei, mesmo tendo visto o olhar reprovador de Gladys. Silvia foi embora logo depois, dizendo que tinha que gravar cedo. Eu mal dormi aquela noite. Tinha a imagem de Silvia na cabeça.Nem pensei um momento sequer que ela era amante de minha irmã. Eu a desejava loucamente. No dia seguinte, não aguentei e liguei para ela à tarde.

 

 

-Ela não se mostrou surpresa em saber que era eu. Eu tremia, mal conseguia falar. Ela perguntou-me o que eu queria, eu comecei a gaguejar, até que falei que queria vê-la. Ela brincou, dizendo que bastava eu ligar na novela das sete, para vê-la.Então, eu criei coragem e disse que queria vê-la pessoalmente para falar algo importante. Ela marcou eu ir à casa dela no dia seguinte.


Laysa a fitou indignada.


-Essa mulher foi uma imoral, uma criminoosa, Jane! Você era uma menor! Ela...aproveitou-se de você?


-Bem...não. Eu fui burra. Cheguei lá na casa dela e fui logo dizendo que eu tinha visto ela e Gladys tendo sexo. Que se ela não fizesse o mesmo comigo, eu iria contar o que vi para minhas amigas.Ela riu na minha cara e mandou eu me retirar! Contou tudo para Gladys, que teve uma longa conversa comigo. Ela confessou que se divorciou porque havia descoberto que era lésbica. Mas disse que eu era muito jovem para saber o que realmente gostava.Que eu esperasse ter mais idade para ter sexo com alguém e também estivesse apaixonada.


-E você seguiu os conselhos dela?


-Só uns tempos...porque meses depois connheci uma garota gay no colégio e fui para a cama com ela. E através dela, conheci mais meninas gays, comecei a ir em festas gays, e vi que isso era o que eu queria mesmo.


-Então, por que a culpa de ser uma gay?<


-Foi Gladys quem me fez conhecer esse laado do sexo...eu nunca havia desejado sexo com mulher antes de ver ela e Silvia na piscina.

 

-Jane, você está errada. Gladys não fez nada na sua frente, nunca disse para você andar com mulher, nem que isso era bom. Você simplesmente surpreendeu sua irmã em um momento íntimo, e ela não teve culpa, pois você estava ausente e chegou antes dela esperar.Você não pode culpar sua irmã por ser gay.


-Hummm...está defendendo Gladys muito....está apaixonada por ela?


Laysa ficou vermelha como um camarão.


-Está louca? Ela é minha chefe! Não mistturo sexo com trabalho! - Negou.


Jane riu.


-Estava brincando! Queria ver sua reaçãoo!


-E Silvia? Continuou com Gladys muito teempo?


-Não. Gladys descobriu que ela andava coom um dos diretores da novela.Além disso, usava drogas. Gladys terminou com ela e Silvia foi lá em casa drogada e quebrou quase tudo na sala, Gladys chamou uma ambulância que a levou para uma clínica, onde ficou internada. Gladys não quis mais saber dela. Silvia desistiu de tentar fazer as pazes e se casou, indo morar em Portugal.


-E Gladys não teve mais ninguém, depois de Silvia?


-Que eu saiba, não. Gladys ficou com meddo de conhecer outra mulher escandalosa.Mas agora eu acho que ela está de olho em você. Por isso, proibiu-me de falar com você.


-Não diga tolices, Jane! - Disse, Laysa - Ela é tão formal comigo! Você está vendo coisas onde não há.


-Estou com inveja de Gladys . Ela traballha o dia inteiro com você.E Gladys é uma mulher atraente, eu não sou cega. Você nunca se interessou por ela?


-Se continuar falando besteira, vou emboora, Jane! -Disse Laysa, irritada com a garota.

 

-Não é besteira...mas, está bem, vamos deixar de falar de Gladys.


A comida chegou. Elas se serviram e começaram a comer. Jane, depois de algumas garfadas, perguntou cheia de curiosidade:


-E você? Já teve alguma mulher por quem se apaixonou e teve sexo, ou só andou com homens?


Laysa suspirou, olhando-a séria.


-Não tenho muito a contar. Namorei com ddois rapazes, quase fiquei noiva do segundo.Mas algo dentro de mim dizia que não era isso o que eu queria. Um dia, conheci uma colega de universidade de um amigo. Fiquei apaixonada por ela. Mas nunca tive coragem de declarar-me, ainda mais que ela tinha namorado.Então, percebi que gostava de mulher. Terminei meu namoro e desde então, estou sozinha, à procura de uma mulher que eu me apaixone e ela retribua da mesma maneira.


-Ei, eu estou aqui, já apaixonada!<


Laysa sorriu.


-Você é uma garota inconsequente, Jane.EE muito criança para mim. Mas podemos ser amigas.


-Ah, não! Não me conformo! Vou insistir,, você vai ver como sou legal quando estou apaixonada!


-Olha, eu vou à buate com você na condiçção de amiga, Jane. Se não aceita, vamos ficar por aqui.


-Tudo bem! Mas eu não vou desistir fácill, fique sabendo! Quem sabe se lá você muda de idéia? A penumbra, a música, a dança... e você vai se apaixonar por mim?


Laysa riu.


-Você não tem jeito, Jane!


Acabaram de comer e saíram.

 

 

 

LLLLLLLLLLLLLLLLLL

 

 

Chegaram na Avenida Lucio Costa, que ficava na orla marítima, em meia hora.Ainda era cedo e a boate não estava aberta. Jane estacionou o carro e foi com Laysa até a porta, que já havia uma pequena fila. Ela cumprimentou o porteiro.Ele, para protesto das outras pessoas que esperavam, entregou à ela os tíquetes de entrada, em troca de três notas de cinquenta reais. Elas entraram e Laysa perguntou curiosa:


-Como você conseguiu entrar antes das ouutras?


-Paguei quase o dobro, meu anjo, como seempre. O porteiro já me conhece - Disse jane, pegando na sua mão com ar de dona. Ao olhar reprovador de Laysa, ela disse sorrindo:


-É para pensarem que você é minha garotaa e não virem "cantá-la".


-Hummm...depois vou discutir isso.<


Uma oldie music estava tocando. Na penumbra era suavizada por luzes do globo que girava, tecendo arabescos no chão e nas paredes espelhadas. Na pista circundada por mesas, algumas pessoas estavam bebendo e dançando. Eram casais de mulheres, algumas femininas, outras masculinizadas.


-Essas pessoas também pagaram o dobro paara entrar antes? - Perguntou Laysa.


-Não, são amigas do dono. E então, gostoou do lugar?


-É cedo para dizer. A decoração é simplees, mas gostei.


-Escolha uma mesa para sentar, menos as com placas de reservadas.


Laysa escolheu uma mesa no canto. Se sentaram e Jane fez sinal para um garçon e pediu uma garrafa de champanhe.

 

Laysa olhou as mulheres dançando, curiosa. Era incrível! E ela em um lugar desse.Nunca pensara que havia boates para mulheres.E o que soubera de Gladys! Ela era gay! Então, tinha uma chance!Mas...e se não fosse o tipo dela? E se Gladys não sentisse atração por ela?Não gostasse de louras? Sua cabeça estava cheia de perguntas e dúvidas, mas não podia perguntar mais nada à Jane.Ela iria desconfiar.


Uma mocinha de cabelos negros e lisos, não muito alta, mas com um corpinho bem feito, aproximou-se e se debruçou apoiando as mãos na mesa, fitando Jane com profunda tristeza.


-Jane, posso falar com você?<


Jane a fitou com indiferença.


-Depois, não vê que estou acompanhada?Quue saco!


A mocinha olhou para Laysa e os olhos se encheram de lágrimas.


-Quem é ela, Jane?

>


-Não interessa! Dê o fora, Julia!


Laysa ficou com pena da garota. Ela parecia estar sofrendo com a indiferença de Jane.Resolveu intervir. Pousou a mão sobre a da garota, que a fitou surpresa.


-Não ligue para Jane, Julia, ela está esstressada.Sou Laysa, uma amiga dela. Pode sentar aqui.


Ela balançou a cabeça negativamente, fitando Jane com tristeza.


-Obrigada, mas não vou ficar.Jane não quuer.


E afastou-se cabisbaixa.Sentou numa mesa com duas garotas e pareceu estar chorando.


Jane fitou Laysa de cara feia.


-Que idéia a sua, convidar Julia para seentar com a gente!Ela é a chata que não larga meu pé!

 

Laysa olhou para Jane com reprovação.

 

-Como você é fria, Jane! Não vê que a garota está sofrendo? Um pouco de delicadeza não ia custar muito à você!

 

-Eu não tenho paciência para gente como ela, que não sabe perder!

 

-Jane, você é como certos homens, que conquista uma mulher, a usa e depois a joga fora como um bagaço, sem a menor preocupação para o que ela está sentindo.

 

-Ora, Laysa...Julia não é nenhuma mocinha ingênua, eu não fui a primeira. E não prometi nada à ela.Não tenho culpa se ela se apaixonou por mim e eu não por ela!

 

-Claro que não, mas seja ao menos delicada com a garota! Você a expulsou daqui!

 

Jae cruzou os braços com impaciência.

 

-Ih, que saco! Vai dar uma de protetora de mulheres abandonadas?

 

Laysa a fitou friamente.

 

-Não sou Julia. Não estou gostando nada de sua grosseria.

 

Jane a fitou surpresa e mudou de tom:

 

-Oh, desculpe-me, Laysa...é que Julia me irritou.Mas vou chamá-la e pedir desculpas.

 

-Mesmo? Quero ver.Vá convidá-la para nossa mesa, então.

 

Jane fez um ar conformado e foi até a mesa onde Julia estava e falou com ela.Julia olhou para sua mesa e tornou a olhar para Jane, que continuou falando.Julia pareceu hesitar.Jane a puxou pela mão e Julia a seguiu, aproximando-se.

 

 

Julia olhou para Laysa com ar agradecido.


-Oi...não vou atrapalhar mesmo?


Laysa sorriu para ela.


-Claro que não, Julia. Sente-se...<


Julia sentou ao lado de Laysa, com Jana ao lado dela, no banco estofado que circundava a parede.


-É verdade que você mandou Jane me chamaar?


Laysa fitou Jane com desaprovação. Ela sorriu desajeitada.


-Mandei não, só sugeri. Ela achou boa a idéia.


Julia a fitou sorrindo. Tinha um rosto gracioso, Laysa pensou se ela era menor de idade.Como tinha conseguido entrar na buate, sendo menor?


-Quantos anos você tem, Julia? - Pergunttou, sem poder conter a curiosidade.


-Dezoito. Já sei, vai dizer que pareço mmenos, o porteiro sempre me pede a carteira de identidade.Quer ver minha carteira?


-Não, não, acredito em você. >


A champanhe chegou. O garcon depositou o balde na mesa, com duas taças.Jane pediu para ele trazer outra e esperou. Quando ele trouxe, ela encheu as taças com o líquido, entregando uma a cada e ergueu a sua, brindando com um sorriso:


-A nós três!


-Ao reencontro de você e Julia! - Disse Laysa.


Julia se voltou para Laysa, erguendo a taça.

 

-Sabe que achei você muito legal? Estou vendo que é mesmo apenas uma amiga de Jane e muito educada!


-Você conhece Jane há quanto tempo?>


-Dois anos.


-Você gosta muito dela, não?<


Julia a fitou tristemente.


-Gosto! Mas Jane não gosta de mim. Diz qque não aguenta ficar mais de dois dias comigo.


Laysa olhou para Jane, que olhava para a garota com ar aborrecido.


-Por que faz isso, Jane? Julia parece seer a garota certa para você.Tem sua idade, é bonita, gosta de você...


Jane se ergueu e falou de mau humor:


-Tá bom, já vi que você está ficando amiiga de Julia e está querendo que a gente volte a namorar! é só o que faltava! Vou dar uma volta po aí, vocês podem conversar à vontade!


E dizendo isso, se retirou apressada, indo para uma mesa cheia de garotas. A entrada havia sido liberada e a buate estava agora quase cheia.


-Você viu? Jane quer distância de mim! --Disse Julia, com voz heia de mágoa.


Laysa fitou a garota cheia de pena. Ela estava quase chorando.Entendia o sofrimento dela.


-Não chore, Julia! Não é assim que vai cconseguir prender Jane! Tem de reagir, mostrar à ela que pode ser desejada por outra mulher.


Ela a fitou com súbita esperança
.

 

-O que devo fazer, então?


-Arranje outra.Mostre à ela que você nãoo está morrendo por ela, issso a fará olhá-la com mais respeito. O que ninguém gosta é de uma mulher chorosa e suplicante.


Julia a fitou com admiração.


-Tem razão...quanto mais eu imploro que ela fique comigo, mais ela me repele.Mas, quem vou arranjar para fazer isso?


-Olhe em volta. Deve ter várias garotas interessadas em você. Tem um rostinho muito bonito, um corpo certinho...


Julia a fitou surpresa.


-Acha mesmo isso tudo de mim? Jane diz qque eu não tenho nada para atrair alguém! Que sou uma chata!


Laysa sorriu.


-Bem, ela só tem razão no modo de você pproceder. É muito chato alguém ficar em nosso pé. Mas quanto à aparência, ela está errada ou cega.


-Você acha que se eu ignorá-la ela vai mmudar comigo?


-Acho.Tente fazer o que eu disse. Vai veer o resultado.


Julia a fitou com um sorriso súbito.


-E se eu fingisse estar interessada em vvocê?Você participaria da encenação?


-Eu?! Por que logo eu?! - Perguntou Layssa, surpresa.


-Você é linda. Assim, eu mostraria à elaa que consegui a mulher mais bonita da buate.

 

Laysa a olhou em dúvida.


-E ela vai ficar furiosa comigo.


Elisa a olhou com ar suplicante.


-Por favor...ajude-me...só hoje.Amanhã ppode dizer à Jane que não quisemos prosseguir com nosso conhecimento, que eu sou uma boba. Por favor...


Laysa arrependeu-se dos conselhos que havia dado.Agora, ela estava pedindo sua colaboração. Mas não queria dizer à garota que Jane estava interessada nela. E então, o que faria, se Jane ficasse com ciúme dela, e não de Julia?


-Escolha outra, Julia.Não acho bom minhaa participação nessa estória.


-Não tenho ninguém para pedir isso. As mminhas amigas Jane já conhece e sabe que não teria condições para romance.Por favor, Laysa...


Laysa suspirou, vencida. Iria ajudá-la. Depois, resolveria seu caso com Jane.


-Está bem, você venceu. Vou ajudá-la.


-E o que vamos fazer? - Perguntou Julia,, com alegria nos olhos.


-Vamos dançar. E fingir que estamos inteeressadas uma na outra.


Pegou a garota pela mão e a levou para a pista, dizendo no ouvido dela:


-Olhe-me nos olhos, sorria. Finja que esstá me dizendo coisas românticas no ouvido.


Julia sorriu, passando o braço no seu ombro e falando:


-Isso é fácil. E você usa um perfume tãoo delicioso...


-Obrigada, você também - Respondeu Laysaa, sentindo o perfume suave de Julia

 

Os dedos leves de Julia se enterraram em seus cabelos.


-São tão macios... - suspirou Julia, em seu ouvido.


Laysa sentia os seios de Julia contra os seus e gostou daquele contato. Era bom sentir o corpo de uma mulher.Mas seu olhar se chocou com o de Jane, que as olhava com raiva evidente do outro lado da pista. Laysa desviou o olhar, fingindo que não a tinha notado. Sentiu Julia apertando o corpo contra o dela, as coxas se movendo contra as suas. Era gostoso. Nunca uma mulher a havia tocado desse jeito, e agora que suas fantasias se tornavam realidade, estava numa nuvem de excitação que esquentava seu sangue. Elas quase não se moviam na música lenta que tocava:  You're Beautiful.


-Você dança muito bem...- Sussurrou Juliia em seu ouvido - E você é linda... se eu não gostasse de Jane, me apaixonaria por você.


Laysa sorriu. Sentiu um desejo súbito de ser mais atrevida. Ora, por que não? Tinha que representar bem seu papel.


Alisou as costas de Julia lenta e suavemente. Ela estremeceu em seus braços. Laysa se afastou um pouco e fitou-a nos olhos.


-Jane está nos olhando. Posso beijar voccê? - Perguntou baixinho.


-Precisava perguntar?- Sorriu Julia - Poode, sim...- Consentiu, fechando os olhos.


Layse aproximou o rosto, beijando a boca que a esperava.Os lábios de Julia eram macios e se entreabriram, em um beijo profundo. As mãos apertaram o rosto de Laysa, enquanto suas bocas se beijavam com entusiasmo.

 

Laysa abriu os olhos. Jane se aproximava com um olhar enfurecido.Laysa afastou Julia e aguardou Jane com um olhar firme.


-Que palhaçada é essa? -Gritou Jane, comm as mãos nas cadeiras - Mal virei as costas, e vocês ficam na maior galinhagem!


Laysa a fitou calmamente, segurando a mão de Julia.


-Você não tem motivo algum para ficar abborrecida. Você não quer nada com Julia e não tem nada comigo.


Jane encarou Julia, que a fitava com frieza proposital.


-Julia! Não esperava isso de você!<


Julia replicou calmamente:


-É mesmo? Pois saiba que tudo tem um limmite. E o meu é que cansei de ser desprezada por você. Descobri que há pessoas mais interessantes e carinhosas, que me dão mais valor.


Jane a fitou boquiaberta.


-Quer dizer...que não gosta mais de mim??! Assim, de repente??!


-Pois é, percebi que você não está com eessa bola toda...posso esquecê-la facilmente nos braços de Laysa.


Jane fitou Laysa com raiva e decepção.


-Ah, sua galinha! Então, sai comigo cheiia de não-me-toques, e depois fica se esfregando nessa idiota?Pois que se fodam, as duas!


Voltou-se e saiu enraivecida.

 

Laysa olhou para Julia. Ela não parecia afetada com o desfecho do plano.

 

-Acho que exageramos, Julia. Jane ficou com raiva de você.

 

Julia sorriu para Laysa.

 

-Deixe ela se danar. Ela provou do mesmo remédio que me dava.

 

Laysa a fitou surpresa.

 

-Não está triste, arrependida?Calculei mal a reação dela. Agora está com raiva de nós.

 

Julia a pegou pelo braço, encarando-a.

 

-Que ela se dane! Ela mereceu.Custei a enxergar bem as coisas, mas você ajudou-me.

 

Julia a abraçou e beijou seu rosto, dizendo depois em seu ouvido:

 

-Sabe que adorei o beijo que me deu?Você beija muito melhor que a Jane.

 

Laysa se afastou um pouco e a fitou surpresa.

 

-Julia, não estou entendendo mais nada!

 

Julia sorriu docemente.

 

-Vamos sair daqui? Preciso de um pouco de ar fresco e silêncio.Vamos até o meu carro?

 

-Bem, não tenho mais nada a fazer aqui. Vamos.

 

Saíram. Julia segurando sua mão com delicadeza. Laysa notou que o carro de Jane não estava mais no local que havia deixado. Ela já havia ido embora. Era melhor mesmo aproveitar a carona de Julia, pois ali, àquela hora da noite, era difícil conseguir um taxi.

 

Julia abriu a porta de um Mitsubish vermelho, entrou e desbloqueou a porta para Laysa entrar.

 

Laysa sentou ao lado dela, fitando-a admirada.

 

-Esse carro é seu?

 

Julia assentiu, ligando o carro e engatando a marcha.

 

-Ganhei de meus pais. Eles só vivem viajando pelo mundo e como uma espécie de compensação, dão-me tudo que quero em bens materiais.

 

A frase foi dita com ressentimento e Laysa advinhou o drama da garota.Uma menina rica, mas só e carente, à procura de afeto. Ela a encarou com olhar grave.

 

-Sabe, Jane até hoje foi a única pessoa que eu tive um relacionamento íntimo.Foi a única pessoa que eu beijei e tive sexo. Talvez por isso eu me fixei nela. E estou dizendo até hoje, porque você conseguiu, com seu beijo, despertar em mim sensações que eu não pensei que alguém além de Jane conseguiria despertar.

 

Laysa ficou fitando-a em silêncio, sem saber o que dizer. Ela prosseguiu, olhando para a frente, fazendo conversão para ir para a outra pista:

 

-Você conseguiu mexer comigo, com meus sentimentos. E estou com vontade de conhecer você mais...intimamente. Aceita ir comigo até minha casa?

 

Laysa a fitou hesitante.

 

-Julia...estou muito surpresa.Meu objetivo era apenas ajudá-la em sua relação com Jane. Mas vejo que compliquei ainda mais sua cabeça.Não acho que será bom você transferir seu interesse para mim. Acho melhor sermos apenas amigas.

 

Ela a fitou rapidamente.

 

-Por que, você é comprometida com alguém?

 

-Não, não sou.

 

-Então, não sentiu nenhuma atração por mim?

 

-Não é isso, Julia, você é muito atraente...mas tenho uma vida muito diferente da sua. Não sou rica, moro em um pequeno apartamento, trabalho na firma da irmã de Jane para manter-me.  Como vê, nada temos em comum e também Jane não está gostando nada de eu me envolver com você.

 

Julia sorriu, acariciando seu rosto com a mão.

 

-Por Deus, Laysa, não a estou pedindo em casamento! Apenas para ir à minha casa, para nos conhecermos melhor! Jane não precisa saber disso!

 

-Eu sei...mas Julia...eu não posso prometer nada à você...

 

-Não quero que prometa.Posso levá-la em minha casa?

 

-Está bem...

 

Julia se concentrou na direção do carroe Laysa a fitou em silêncio.Era uma garota bonita, atraente. Tinha um belo rosto, corpo esguio e dourado pelosol, cabelos lisos e negros. Desejou-a  .Queria conhecer aquela garota na cama. Ter seus beijos e carinhos, pois estava cansada de só sonhar com isso. Ao inferno Gladys com seu ar superior e distante!

 

Pousou a mão na coxa dela. Julia estremeceu e a fitou com desejo. Não deram uma palavra até o carro   entrar em um condomínio fechado, com casas luxuosas. Passaram pelos portões de ferro e  o  carro  avançou  pela  alameda,  entrando na garagem de uma das casas.

 

Desceram do carro e fecharam as portas. Julia lhe estendeu a mão.

 

-Venha, vamos entrar.

 

Parte 4

 

 

 

 

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