Teologia Moral
Estudos bíblicos
Doutrina Cat�lica

Mensagem do Cardeal D. Eugenio de Ara�jo Sales

19/9/2003

O Dia da B�blia

No m�s de setembro, em todas as circunscri��es eclesi�sticas do Brasil celebra-se o �Dia da B�blia�. Ocorre no domingo mais pr�ximo � comemora��o de S�o Jer�nimo, cuja vida e atividades est�o profundamente vinculadas � Sagrada Escritura. A data precisa, este ano, � 28 de setembro. Conforme o Diret�rio Lit�rgico, este dia tem por objetivo despertar e fomentar, entre os cat�licos, o amor aos Livros Santos, promover o conhecimento dos mesmos, premunir os fi�is contra os erros correntes em rela��o � B�blia.

Muito louv�vel que durante este m�s e em prepara��o ao Dia Nacional, sejam promovidas diversas iniciativas que levem � leitura piedosa da Palavra de Deus todos os dias do ano, e ao estudo da Sagrada Escritura.

O Conc�lio Ecum�nico Vaticano II, pela Constitui��o dogm�tica �Dei Verbum�, ensina que a Sagrada Escritura e a Tradi��o est�o estreitamente unidas e �promanando ambas da mesma fonte divina, formam, de certo modo, um s� todo e tendem para o mesmo fim (...). A Sagrada Escritura � a Palavra de Deus, enquanto � redigida sob a mo��o do Esp�rito Santo. A Sagrada Tradi��o, por sua vez, transmite integralmente aos Sucessores dos Ap�stolos a Palavra de Deus (...) Devem ser aceitas e veneradas com igual sentimento de piedade e rever�ncia� (�Dei Verbum�, n� 9). A B�blia � a Palavra de Deus para os cat�licos e para os protestantes. No entanto, divergem nas rela��es do Livro Sagrado com a Igreja. Para os cat�licos, embora a Igreja n�o esteja acima da B�blia, esta � interpretada pelo Magist�rio vivo, sob a a��o do Esp�rito Santo. Os fi�is, individualmente, s�o fal�veis, mas ao Povo de Deus, a Esposa de Cristo, M�e e Mestra, pode falar com a autoridade de Cristo, explicando as palavras da B�blia.

Embora haja concep��es diferentes do papel da B�blia na Igreja, para uns e outros, cat�licos e evang�licos h� um grande espa�o, no qual, mutuamente e na caridade crist�, poder�o interajudar no crescimento do amor a esse instrumento de Deus, em favor da Humanidade. Em meio �s tribula��es do mundo moderno faz-se mister uma leitura mais ass�dua da B�blia.

Nada supera este Livro, pois ele participa da grandeza de Deus, seu Autor, atrav�s dos que, sob inspira��o divina, escreveram suas p�ginas.

O Conc�lio deu um forte impulso � valoriza��o da B�blia junto aos cat�licos e ao seu uso freq�ente, em busca de seu crescimento espiritual. No documento acima citado, �Dei Verbum�, (n� 10), h� uma diretriz b�sica a ser tomada na devida considera��o: �O of�cio de interpretar autenticamente a Palavra divina, escrita ou transmitida, foi confiado unicamente ao Magist�rio vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo�. J� S�o Paulo advertia, na sua Ep�stola aos Colossenses (2,8): �Tomai cuidado para que ningu�m vos escravize por v�s e enganosas especula��es da filosofia, segundo as tradi��es dos homens (...) e n�o segundo o Cristo�. E S�o Pedro (2 Pd 1,21) igualmente adverte: �Nenhuma profecia da Escritura resulta de interpreta��o particular�.

No encerramento do VI Simp�sio do Conselho das Confer�ncias Episcopais da Europa, o Papa Jo�o Paulo II adverte para uma enfermidade no interior da Igreja: �Devemos observar que o fen�meno da dissens�o representa um grande obst�culo � evangeliza��o(...). A discuss�o doutrin�ria moral (...) sob certos aspectos, parece originar-se da transposi��o para o campo religioso e eclesial do modelo de vida civil e de contesta��o pol�tica�. Esta observa��o merece aten��o entre n�s, pois se manifesta tamb�m no Brasil ainda em nossos dias. Um exemplo � uma �carta aberta� de um eclesi�stico, dirigida ao Papa, negando a validade de pontos fundamentais da disciplina cat�lica e atingindo a Doutrina. Surgem tamb�m conclus�es do texto sagrado, segundo a �tica da luta de classes e op��es pol�ticas. Essa perspectiva � falsa e contraria o texto sagrado. Tem penetrado sorrateiramente em v�rias interpreta��es falaciosas da Sagrada Escritura. Ainda vivia S�o Pedro e este mal j� existia, sob aspectos diversos, como vemos em sua 2� Ep�stola (3,15-16) ao falar do �amado irm�o Paulo�: �� verdade que, em suas cartas se encontram alguns pontos dif�ceis de entender, que os ignorantes e vacilantes torcem, como fazem com as demais escrituras, para sua pr�pria perdi��o�.

O Dia da B�blia nos recorda o zelo pela pureza da Doutrina, o ensinamento do Senhor Jesus, o amor ao nosso Redentor e a responsabilidade em ministrar, sempre e s�, a verdade evang�lica �s almas remidas, pois Ele nos deve levar a um permanente estudo da Palavra escrita, na fidelidade � Igreja. O outro ensino desta data � o aproveitamento espiritual do tesouro posto � nossa disposi��o nas p�ginas dos Livros Sagrados.

A B�blia continua sendo o livro mais vendido e lido no mundo, apesar da difus�o de uma mentalidade secularizada. O grande desafio que nos � proposto nesta celebra��o � transpor para a vida pessoal e dos que nos rodeiam, a doutrina contida nas p�ginas sagradas. Para isso se imp�e a necessidade de se ter um alvo a ser atingido: uma B�blia em cada lar e, em conseq��ncia, a leitura di�ria da Mensagem divina nela explicitada e t�-la como guia em busca de Deus.

Cada fam�lia em dificuldades ou para antecipadamente evit�-las, deve elaborar um roteiro para conhecer todo o conte�do, dando primazia ao Novo Testamento e, no Antigo Testamento, privilegiar o conte�do doutrin�rio.

O Dia da B�blia nos convida a assegurar a fidelidade ao Senhor Jesus e ao crescimento na f�, atrav�s da devo��o � Sagrada Escritura. Para isso, n�o a lemos conforme nossa inclina��o, mas sempre fi�is aos ensinamentos do Magist�rio guiado pelo Esp�rito Santo.

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