em
* Sob o Olhar da Esfinge *
Eles estavam voando pela região em um helicóptero fornecido por Saori, pois sua missão era um reconhecimento de território e eles não sabiam onde encontrar o que estavam procurando. Eles decidiram por um helicóptero em vez de um avião mais rápido por que assim eles poderiam mais facilmente perceber algum cosmo se manifestando, além de permitir pousar em qualquer lugar. Mas após algumas horas de busca infrutífera e de exposição a esse calor, os cavaleiros começavam a duvidar de que isso tenha sido a melhor escolha. Eles conversavam sobre onde procurar alguma pista.
- Alguém tem alguma idéia?
- Não sei. Estava pensando sobre isso, mas não cheguei a nenhuma conclusão certa.
- Mas fale alguma coisa. Qualquer cosia serve, não podemos é ficar andando a esmo por este inferno de calor.
- Bem, primeiro eu lembrei do que Saori disse quando Geb morreu. Ela disse que se ele realmente era um deus, certamente haveria outros deuses como ele para lhe provocar tamanho ferimento. Se o que procuramos são deuses, deveríamos ter sido capazes de sentir a energia deles, mas como não sentimos nada, talvez estejamos muito distantes do lugar correto.
- Faz sentido.
- A não ser...
- A não ser o quê?
- A não ser que seus cosmos estejam descansando, como o de Poseidon na ânfora sagrada.
- Mas se eles estivessem hibernando, isso significaria que eles não poderiam ter feito nada contra Geb.
- Tem razão...
- Escutem. E se esses deuses não tiverem cosmos? Ou pelo menos, cosmos como conhecemos?
- Neste caso, estaríamos procurando em vão.
- A menos que encontrássemos vestígios visíveis.
- Como o quê?
- Como... um templo!
- É claro! Todos os deuses que enfrentamos fizeram ressurgir seus templos para lhes servir de fortaleza. Talvez esses deuses egípcios também o façam!
- Excelente. Mas então, nosso trabalho ficou ainda mais difícil, pois só encontraremos esses templos se os virmos, não podemos sentir sua presenças como os cosmos que estávamos procurando.
- Neste caso, sugiro que comecemos pelos locais em que antigamente haviam templos para os deuses.
- Impossível. O povo egípcio tinha muitos templos, não era como na Grécia Antiga, em que havia apenas um templo para cada deus. Além disso, não restaram muitas informações sobre as localizações desses templos, muito menos sinais visíveis.
- Engano seu. Há algumas coisas que ainda permanecem como na antigüidade.
- A região das pirâmides!!!
- Exatamente! E se não temos nenhum indício seguro para seguir, sugiro que comecemos por lá. Afinal, estamos relativamente perto de lá, e o helicóptero vai precisar parar para reabastecer.
- Muito bem. Para as pirâmides, então!
Ao se aproximarem da região das grandes pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, os cavaleiros não podiam acreditar no que seus olhos viam. Em vez de encontrarem alguma cidade para parar após sair do deserto, eles viam apenas pequenas fazendas. As pessoas usavam roupas incomuns, e pareciam muito assustadas quando viam o helicóptero voando.
- Que espécie de lugar é esse?
- Parece que toda a civilização desta região desapareceu...
- Olhem! Vem algo em nossa direção!
Uma criatura voava rapidamente aproximando-se lateralmente do helicóptero. Conforme a distância diminuía, era possível ver que se parecia com um pássaro. Era uma ave muito brilhante. Logo todos perceberam um cosmo bastante conhecido. Shun foi o primeiro a gritar:
- É o Ikky!
Em poucos instantes, Ikky subia a bordo do helicóptero. Em poucas palavras, ele contou que havia sentido algo estranho na noite da festa, e ao retornar, Saori lhe contou o que acontecera. Daí ele apanhou sua nova armadura e resolveu seguí-los.
- Ikky! Há quanto tempo!
- Shun, me desculpe por deixá-lo sempre sozinho.
- Isso não importa, Ikky. Que bom que você está de volta!
Eles prosseguiram na viagem. Uma surpresa maior aconteceu quando eles se aproximaram das pirâmides:
- Não... Não pode... ser...
- Eu não acredito!
- As pirâmides... ESTÃO COMO NOVAS!
As pirâmides não tinham mais a conhecida aparência de ruínas. Pelo contrário, as grandes pedras tinham uma aparência incrivelmente nova, dando um brilho especial às grandes pirâmides. Quando estavam mais próximos, algo explodiu atrás deles.
- Estão nos atacando!
Um poderoso cosmo surgiu, vindo de alguns quilômetros à frente de onde eles estavam. E de repente, saídos do nada, uma grande onda escura apareceu diante deles. Eram pessoas - uma grande quantidade de pessoas usando armaduras.
- Vamos cair! O helicóptero pode explodir a qualquer momento!
- Vamos descer um pouco e pular!
Antes que eles chegassem ao chão, uma enorme pressão seguida de um forte estrondo atingiu os cavaleiros. Graças à sua resistência, ninguém se feriu gravemente. Shun, que havia protegido o piloto, disse-lhe que voltasse imediatamente e procurasse avisar Saori do que havia ocorrido. Após isso, eles decidiram seguir em direção do cosmo que sentiram depois do impacto. Estranho que eles só tenham sentido a energia depois do disparo, mas entre tantas coisas esquisitas, não havia grande preocupação com um detalhe como esse.
Ao subirem uma duna, deram de cara com a grande multidão que eles tinham avistado do helicóptero. Ao verem os cavaleiros, eles repentinamente manifestaram uma energia impressionante. Os cavaleiros nunca tinham visto tanta gente com tanto poder reunida. Todos usavam armaduras com adornos que lembravam o estilo presente na arquitetura, nas pinturas e nos objetos que caracterizavam a civilização do Antigo Egito.
- Incrível!!!
- É como se todos fossem cavaleiros! Mas aqui temos mais de 100 pessoas, então eles não podem ser cavaleiros!
- Não podemos nos preocupar com isso. Eles vão nos atacar!
E realmente começou o ataque. Os cavaleiros decidiram se espalhar, e cada um lutava com 20 ou 30 homens de uma só vez. Os inimigos possuíam uma energia diferente do cosmo, e embora não fosse muito intensa, lhes dava uma velocidade superior à dos cavaleiros de Athena. O nível de poder de cada um era algo entre o de um cavaleiro de prata e um cavaleiro de ouro, mas a desvantagem numérica fazia com que Shiryu, Hyoga, Ikky e Shun fossem atingidos continuamente.
- Amigos, vamos nos unir!
- Trabalhando em equipe talvez possamos reagir!
- Vamos lá!
Rapidamente a situação melhorou um pouco, pois agora um defendia o outro dos ataques. Mas a maioria dos golpes ainda acertava o alvo, era como se bastasse a vontade dos adversários para que o golpe surgisse. Ninguém acompanhava a velocidade de alguns dos golpes. Quando a situação estava se encaminhando para um ponto crítico, os inimigos mais afastados começaram a cair. Algumas pessoas entraram no círculo que havia se fechado em redor dos cavaleiros para ajudar.
- Que bom que vocês vieram!
- Vão em frente vocês! Deixem esses caras por nossa conta!
Eram os cinco cavaleiros de bronze restantes. Quando os rivais se preparavam para voltar a atacar, alguém os fez parar:
- Detenham-se todos!
Do alto de um grande rochedo, o homem que liderava todos aqueles cavaleiros surgiu, impondo imediato silêncio. Com um ar imponente, ele afastou a capa de seu corpo, revelando sua armadura. Era uma belíssima armadura, de traços fortes e retos, com uma bonita combinação de laranja, amarelo e branco, lembrando a armadura que Geb vestia. Seu capacete reproduzia a imagem de uma espécie de pássaro, o íbis, bem como detalhes em forma de penas. Ele começou a falar:
- Bem-vindos, cavaleiros de Athena! Vejo que já conheceram o meu Exército Divino. Deixem-me que eu me apresente: sou Selvnor, o Combatente Divino de Toth.
- Combatente Divino?
- Isso mesmo. Assim como o tolo do Geb, eu também sou um deus. Eu sou a encarnação do deus Toth, a serviço do grandioso Rei Osíris. No entanto, não vim para trair meu senhor, e sim para mostrar que vocês e a Terra não têm a menor esperança. Pelo poder do radiante sol e pela vida que corre no sagrado Nilo, nós somos invencíveis! Meros mortais como vocês não deveriam tentar agredir os deuses do Egito!
- Cale sua boca! Saiba que já enfrentamos inimigos que também afirmavam ser invencíveis, e no final superamos a todos eles.
- Nós não vamos nos render tão facilmente!
- Imbecis! Vocês não compreendem a imensidão do poder que dormiu por milênios! Nada e nem ninguém poderá atrapalhar os planos do grande Rei.
- Que planos são esses?
Selvnor riu como quem zomba de uma criança. Com um dedo apontado em direção ao céu, disse algumas palavras em voz baixa. Momentos depois os cavaleiros sentiram um terrível mal-estar. Subitamente a temperatura aumentou uns dez graus. Era como se o sol tivesse se aproximado do planeta.
- O que é isso?
- Esse calor... É insuportável!
- Eles parecem ignorar totalmente o que está acontecendo!
- Pior do que isso: eles parecem se fortalecer com o calor!
- Calma, amigos! Vou dar um jeito nisso!
Hyoga abaixa-se e põe suas mãos no solo. Em instantes, uma fina camada de gelo se forma em redor dos cavaleiros, trazendo um imenso alívio a todos.
- Como vocês são tolos! Acham mesmo que isso vai servir de alguma coisa?
Sem se mover, Toth faz com que o gelo pareça se incendiar por um instante, evaporando imediatamente.
- Impossível! Como ele fez isso?
- Não adianta lutar. Eu roguei a Osíris que fizesse o sol aquecer um pouco mais a terra, para lhes mostrar o destino que aguarda este planeta. A Terra será dominada por nós!
- Não pode ser! A Terra...
- Se essa onda de calor atingir toda a Terra...
- O gelo dos pólos vai derreter rapidamente, destruindo muitas cidades... Furacões se formaram por toda a parte, causando destruição sem fim... Incêndios vão se espalhar por toda a parte... Seria o fim de tudo!
- Não se preocupem ainda. Antes de tornar a Terra nosso império, pretendemos antes refazer as coisas por aqui como eram antes. Nada além de uma pequena reforma...
- Já chega! Pare com isso! Nós não podemos deixar que isso aconteça!
- Parece que vocês ainda não compreenderam... Vou repetir pela última vez: é impossível para vocês nos impedir. Vocês simplesmente não sabem como lutar conosco. E irei lhes mostrar isso da pior maneira. Atenção, Soldados! Deixem que estes quatro guerreiros mais poderosos me enfrentem! Vocês podem ficar com esses cinco que chegaram há pouco. Mas não lutem para valer com eles, eu quero que eles sobrevivam. Eles serão as testemunhas do fracasso destes homens!
Com sincronia espantosa, os Soldados Divinos separam-se em grupos, deixando os quatro cavaleiros sozinhos com Toth. Ao comando de Selvnor, todos iniciam a batalha, inclusive ele mesmo. O resultado é o mesmo em ambos os cenários de luta: antes que os cavaleiros vejam seus movimentos, eles são atingidos por golpes invisíveis.
- Não! Como eles fazem isso?
- Não conseguimos ver seus ataques!
- É como se o golpe nos atingisse antes mesmo de ser disparado!
- E agora? Como poderemos lutar assim?
- Nós... Vamos morrer?!...