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* Sob o Olhar da Esfinge *
No Santuário, Marin e Shina estão com novos alunos. Um dia eles se tornarão cavaleiros, e suas mestras desejam a todo custo preencher as lacunas ainda existentes. Com a vida voltando ao normal, Shina volta a ser rival de Marin, embora não haja mais a maldade de antes:
- Ei, Marin! Que bando de molengas é esse que você está treinando? Você nunca conseguirá formar um cavaleiro sequer enquanto eu estiver ensinando os melhores guerreiros que este Santuário já viu!
- Não nos perturbe, Shina! Não vê que estamos no meio das aulas? Precisamos de silêncio para nos concentrar! Pessoal, vamos lá! Mais 200 flexões agora!
- Ora, ora! Parece que alguém aqui não suporta críticas! Por que você não... Aaaiii!
Shina sente uma forte pancada na cabeça e vê cair ao seu lado um peso de arremesso. Voltando-se para sua turma ela vê um de seus alunos gritando:
- Perdoe-me, mestra Shina!
- Ora, seu idiota! Você me paga, seu imbecil! Como ousa fazer isso, você pensa mesmo que um dia chegará a algum lugar...
Marin sorri e por um momento fixa seu olhar no horizonte.
- Mestra Marin! Mestra Marin, eu já terminei!
- Hã? Sim, quero dizer, que história é de que já acabou? Se é tão forte assim, porque não completa 500 flexões agora?
- Ah, não, por favor! Perdoe-me! Aaahh...
No orfanato, uma grande movimentação. Algumas crianças serão adotadas, e está sendo preparada uma grande festa. Apesar disso, Mino está trancada no quarto, muito triste. Olhando pela janela a movimentação lá embaixo, com um retrato de Seiya nas mãos, ela chora e olha para o céu do entardecer, pensativa.
- Ela não vem à festa?
- Claro que vem! Mas ela não está em condições de fazer muita coisa, ela hoje está mais triste do que de costume.
- Hoje fazem dois anos que Makoto fugiu, não é? Ele era um dos órfãos mais chegados a ela...
- Não, seu tonto! Ainda falta um mês para isso, hoje fazem dois anos que o Seiya morreu!
- Ah, é mesmo, eu confundo porque são datas próximas.
- Ah, mas você é um cabeça-de-vento mesmo!
- Quer brigar, é? Pois então...
Cinco picos antigos. Observando o pôr-do-sol, Shiryu e Shunrei estão abraçados. Finalmente eles estão podendo curtir seu amor. Não que antes a presença do Mestre Ancião atrapalhasse, pelo contrário, ele era como um pai para os dois e sua ausência foi muito difícil para ambos. Mas com o sentimento de tranqüilidade compartilhado por todos, eles puderam aproximar-se mais e, ao mesmo tempo que se ajudavam a superar a falta de Dohko, eles puderam redescobrir sua paixão colocada de lado por tanto tempo por causa das lutas. Shunrei abraça mais forte Shiryu:
- Fazia tempo que não víamos um pôr-do-sol tão bonito, não é, Shiryu?
- É verdade, Shunrei. Com a paz reinando, a natureza nos gratifica com os mais belos espetáculos.
- É tão romântico...
Os dois se beijam docemente.
- Shunrei... Você quer se casar comigo?
- Shiryu?!
- Algum problema?
- Não... É que você me pegou de surpresa, mas é claro que eu aceito! Shiryu, eu amo você!
- Eu também a amo, Shunrei!
Os dois beijam-se novamente, certos de que nada pode abalar seu amor.
Asgard, no Norte da Europa. Hilda está no templo, orando para Odin, quando percebe uma presença atrás de si.
- Quem é?
- Sou eu, Hilda. Por acaso não me reconhece mais?
- Oh, é você, Hyoga! Veio ver a Fler?
- Sim. Onde ela está, por favor?
- Ela está descansando em seu quarto, há algumas horas.
- Muito obrigado.
O quarto de Fler está com as portas fechadas. Hyoga bate algumas vezes, esperando a resposta, mas o quarto parece vazio.
- Fler, sou eu, Hyoga. Você está aí?
Nenhuma resposta. Hyoga tenta abrir a porta, mas ela está trancada por dentro. Ele pensa se pode haver alguma coisa errada, uma vez que a paz voltou a reinar. Enquanto reflete sobre o que fazer, Hilda se aproxima.
- O que houve?
- Fler não responde. Imagino se teria acontecido alguma coisa.
- Você acha possível?
- Não sei. Talvez fosse melhor forçar a porta, se você não se importar.
- Claro, preciso saber se houve algo.
Hyoga arranca a porta inteira, procurando causar o mínimo de estragos e facilitar o conserto. O quarto está escuro, e na cama, Hyoga percebe um corpo deitado.
- Meu Deus, Fler!
Hyoga chama por ela, mas ela não reage. Toca de leve em seu braço, sacode um pouco, mas ela não acorda. Hyoga fica visivelmente aflito.
- Fler, por favor, acorde, acorde!
- Uh... Hy... Hyoga, é você? O que houve?
- Fler! Eu que lhe pergunto o que houve? Eu lhe chamei várias vezes e você não me respondia!
- Desculpe, Hyoga. Não conseguia dormir, por isso tive que tomar um chá especial, por isso estava com o sono tão pesado.
Fler mostra uma caneca com um pouco do chá para Hyoga, que fica sem jeito e com cara de bobo. Um pouco atrás, Hilda percebe o exagero que Hyoga cometeu, e resolve deixá-los sozinhos, saindo do quarto. Antes de sair, ainda escuta Hyoga dizer:
- Fler, você me assustou bastante...
Na mansão dos Kido, Shun vive tranqüilamente ao lado de Saori. Uma vez que Shiryu e Hyoga retomaram o curso normal de suas vidas, e Ikky passa a maior parte do tempo desaparecido, ele resolveu acompanhar Saori; no início pensando em protegê-la se surgisse alguma ameaça, mas depois eles ficaram muito amigos, e Shun tornou-se o confidente de Saori. Era normal vê-los sempre juntos, mesmo quando Saori estava cuidando dos assuntos da Grande Fundação Galar, porque ela havia nomeado Shun seu assessor particular na empresa. Mesmo quando viajavam a negócios, raramente os dois se afastavam. Graças a essa forte intimidade que surgiu entre os dois, Shun notou algo estranho em Saori desde uma visita ao Santuário.
- Saori, tudo bem?
- Hã? O que você disse?
- Eu lhe perguntei se estava tudo bem com você. Você tem me parecido muito preocupada ultimamente. Isso para não falar de sua aparência um tanto debilitada.
- Não se preocupe, não é nada demais.
- Eu notei que você ficou assim desde que voltamos do Santuário. Passaram-se vários dias sem que eu a visse, e como você me pediu para não fazer perguntas, eu não fiz comentários, mas isso realmente está me deixando muito preocupado.
- É que...
- Já sei. Foram as lembranças da nossa última batalha, não é? Nós ainda não tínhamos voltado ao Santuário desde que aconteceu... Eu sei que isso ainda a comove muito, a todos nós. Procure não se deixar perturbar com isso, Saori. Isso já pertence ao passado.
- É... É isso mesmo, Shun. Você tem toda razão, era exatamente isso que me pesava.
Shun nota que ela ia falar sobre outra coisa, mas resolve não comentar mais sobre o assunto.
Dois meses se passam. Saori dá uma grande festa em sua mansão, como recepção para os recém-casados. Shiryu e Shunrei quiseram uma cerimônia de casamento bastante simples, mas Saori fez questão de oferecer um grande jantar para eles. Todos ali haviam comparecido, com exceção de Ikky, que disse a Shun que não gostava de comemorações. Mino estava lá, mas sem conversar muito. Era a primeira vez que ela via todos reunidos novamente depois da batalha, e aquilo lhe trazia péssimas lembranças. Os convidados procuravam animá-la gentilmente, exceto Marin, que não quis falar com ela em momento algum. Hyoga havia convidado Fler, e os dois pareciam estar se dando muito bem. Saori, sentada em uma ponta da mesa, com Shiryu e Shunrei ao seu lado, pede a atenção de todos.
- Amigos! Vamos dar um brinde ao nosso grande amigo Shiryu, e à sua esposa Shunrei. Desejamos todos que vocês tenham muita felicidade em sua nova vida em união. Muita paz e saúde, pois amor é o que não lhes falta! Um brinde aos noivos!
Todos levantam suas taças.
- Aos noivos!
Nesse momento, eles ouvem uma grande pancada na entrada. Os empregados gritam e correm para a sala onde todos estão. Saori pergunta o que está havendo, mas nenhum consegue responder. O espanto é nítido em suas faces. Todos se levantam e correm para a entrada, e não conseguem conter a surpresa, o terror. A porta está escancarada, e caído em frente a ela, está um homem.
Um homem bastante ferido, coberto de sangue.
Um homem usando uma armadura, bastante danificada.
Ninguém consegue esboçar a mínima reação, até que Saori toma a frente do grupo e corre para o homem. Apoiando sua cabeça, ele parece voltar à consciência.
- A... A... Athena! Finalmente... finalmente eu a encontrei!
- Você disse.. Athena? Quem é você?
O homem fala com bastante dificuldade, de vez em quando vira o rosto para o lado para cuspir um pouco de sangue.
- Meu nome é Arons. Eu sou a encarnação do deus Geb.
- Deus Geb?
- Sim, o deus Geb do Egito Antigo. Venho de muito longe para pedir sua ajuda. Neste momento, você é a única pessoa que pode salvar nosso planeta!
- Por favor, fale o que está havendo.
- Argh... Por favor... Por favor, Athena! Salve a Terra!
O homem vira seu rosto para o lado e fecha os olhos. Antes que alguém possa tentar ajudá-lo, seu corpo emite uma luz muito forte e desaparece. Saori dá um grito quando isso acontece e repentinamente expande seu cosmo.
- O que houve, Saori?
- Eu não sei! Quando ele desapareceu, ele não só emitiu essa luz intensa como também um calor muito grande. Se não tivesse queimado meu cosmo para me proteger no mesmo instante, teria me ferido gravemente.
- Saori, ele estava usando uma armadura! O que isso significa?
- Eu não sei. Vocês ouviram o pouco que ele pôde falar. Uma vez que ele usava uma armadura e se dizia a reencarnação de um deus, ele só pode ter sido ferido daquela forma por outros deuses como ele. Se isso for verdade, e se realmente a Terra estiver em perigo...
- Já sabemos. Nossa única saída será ir até a região do Egito e lutar novamente.
- Shiryu!
- Shunrei, não se preocupe. Eu lhe prometo que vou voltar para você, custe o que custar. Pode confiar nisto, é uma promessa.
- Mas Shiryu, como vocês vão combater, se vocês não têm mais suas armaduras?
- Isso não é verdade, Shunrei.
Todos se espantam muito com o que Saori disse:
- O quê?!
- Por favor, venham todos comigo até o planetário.
Chegando lá, os cavaleiros vêem os cofres de suas armaduras no chão.
- Estes são os cofres das armaduras de bronze, que deixamos no Santuário quando lutamos contra os Spectros de Hades. O que eles fazem aqui, Saori?
- Antes, preciso lhes contar o que houve dois meses atrás.
Todos ouvem atentamente Saori, em especial Shun.
"Há três meses, eu estive no Santuário em uma visita comum, para ver como as coisas andavam por lá. Uma noite eu fui ao templo, e então, duas vozes conhecidas me falaram do outro mundo por telepatia. Eram as vozes de Shaka de Virgem e de Mu de Áries. Fiquei muito surpresa, pois não tínhamos certeza do que ocorrera depois que eles abriram o buraco no Muro das Lamentações. Shaka me disse que não conseguiria manter contato comigo por muito tempo, e que tinha algo urgente para me falar. Ele pediu que naquele momento eu dirigisse todo meu cosmo para o espírito de Mu. Foi extremamente difícil, já que eles estavam no mundo dos mortos. De repente, surgiram à minha frente os restos das armaduras divinas dos cinco cavaleiros, destruídas por Hades. Mu havia transportado o que sobrou das armaduras com suas habilidades paranormais. Shaka disse-me que ajudasse Kiki a repará-las, e que me preparasse para momentos difíceis. E então, suas presenças desapareceram."
"Nosso amigo Kiki era a única pessoa que tinha acompanhado de perto o processo pelo qual Mu consertava as armaduras, pois era seu discípulo. Porém, suas habilidades ainda eram pequenas comparadas às de seu mestre. Levamos vários dias trabalhando, enquanto Mu teria levado apenas uma hora. Felizmente, o sangue de uma deusa possui uma capacidade incrível de reviver as armaduras, das quais restavam apenas poucos pedaços. No final, conseguimos refazê-las, embora não tenha sido possível manter a forma original. As armaduras foram destruídas quando estavam na forma de Kamei que, por sua solidez, dificultou nosso trabalho, mas tornou possível construir as armaduras mais poderosas que já vimos. Acho que finalmente chegou o momento de utilizá-las."
Saori faz com que os cofres se abram, revelando as novas armaduras. Assim como na primeira vez em que elas foram remodeladas, elas se tornaram menores, por haver apenas restos para reconstruir. No entanto, a aparência delas mostrava uma resistência inacreditáveis, além de uma renovada vitalidade. As armaduras agora eram formadas pela tiara, um tipo de colete sem ombreiras, punhos mais simplificados, um estreito cinto, e as pernas que cobriam apenas a parte da frente presas por tiras. O escudo do Dragão estava ligeiramente mais fino, com bordas afiadas; e os elos das correntes de Andrômeda eram formados por curtos anéis, mantendo as pontas triangular e circular. Sem dúvida estavam mudadas, já não eram mais as mesmas armaduras de antes.
- Foi isso então o que aconteceu naqueles dias, Saori?
- Isso mesmo, Shun. Uma vez que Shaka e Mu não puderam me dizer quando a ameaça surgiria, não podia deixá-los com tamanha preocupação por um prazo indeterminado. Eu preferi deixá-los reconstruir suas vidas, apesar de agora...
- Não se preocupe, Saori. Agradecemos sua preocupação, mas isso só nos dá novas razões para lutarmos. Não só pelo planeta inteiro, mas também por quem amamos. Vamos salvar mais uma vez este mundo!
No dia seguinte, os cavaleiros preparam-se para ir ao Egito. Embora o antigo império egípcio tenha abrangido mais do que o atual Egito, eles decidiram começar a procurar por lá, simplesmente por não terem nenhuma informação adicional. Além disso, Saori lhes recomendou que fossem todos em grupo, pois se surgisse algum perigo tão grande quanto o que havia vitimado Geb, eles teriam melhores chances de se proteger. Todos despedem-se de suas pessoas queridas, jurando que não seriam derrotados. Saori aparenta a tristeza de quem sabe a dificuldade de um trabalho que precisa ser feito. Os cavaleiros partem carregando suas armaduras nas costas, acenando para todos.