Sugestões

 

Um pouco de etiqueta

        Não temos mais, como antigamente, tempo, paciência, formalismos em excesso para praticar uma etiqueta rígida. Etiqueta, hoje, é só uma questão de bom senso. Há regras lógicas a seguir. Há regras tradicionais, que podem ou não ser seguidas. Em geral, o conselho que damos é que se pautem pela naturalidade. Uma pessoa natural, à vontade, nunca poderá ser acusada de infringir as regras da etiqueta.

        Há algumas maneiras tradicionais de serviço. Jantares e almoços podem ser servidos:

          1. À Francesa: primeiramente a sopa, depois as entradas e saladas, em seguida o peixe, as carnes ou aves e finalmente a sobremesa. Os empregados devem estar uniformizados, os convidados, sentados, os pratos devem ser oferecidos em travessas pelo lado esquerdo de cada convidado, que retira ele mesmo da travessa a quantidade desejada. Uma variação do serviço francês, já “abrasileirada”, é colocarem-se os pratos à mesa pela ordem. Os convidados se servem, o empregado retira cada iguaria também pela ordem e pela direita, colocando a seguinte.

            2. À Inglesa: num aparador, ou mesa-suporte, ficam todos os pratos do jantar. Os convidados, sentados à mesa em lugares indicados pela dona da casa, levantam-se e servem-se eles próprios.

            3. À Americana: pratos e talheres dispostos na mesa, sobre a qual também devem estar os pratos a serem servidos. Cada convidado se serve e acomoda-se depois onde quiser, comendo com o prato sobre os joelhos ou sobre mesinhas de apoio. (Aconselha-se, em reuniões desse tipo, não servir pratos que demandem esforços dos convidados, como carnes rígidas. São indicados os estrogonofes, as maioneses, os risotos, as bacalhoadas, as peixadas, etc.)

            4. À Brasileira: os convidados sentam-se à mesa e os pratos vêm juntos, em travessas: cada um se serve da maneira que bem lhe aprouver e na seqüência que quiser.

 

A mesa

        Mesa bem posta, alegre, com pratos bonitos, copos de bom gosto, talheres adequados é algo que toda dona-de-casa deveria se impor. A hora das refeições deve ser uma hora importante. É quando a família se reúne. É quando se trocam idéias. É quando os amigos são chamados para uma confraternização. Mesa bonita de ver é fundamental!

        Flores? Por que não? Desde que não estejam em vasos altos, que impeçam um convidado de falar e ver o que está à sua frente. Velas? Só nos jantares, e, ainda assim, em ocasiões especiais.

        Há que dizer também uma palavra sobre o ambiente na hora das refeições. Médicos afirmam que ambientes carregados, discussões ásperas, ironias, vozes alteradas prejudicam a digestão. Somos francamente dessa opinião. A hora das refeições deve ser sagrada e é muito bonito observar que algumas famílias ainda têm o costume de rezar, agradecendo a Deus pela comida e pelo momento.

        A toalha deve ser simples e alegre nas refeições familiares. Mais requintada nas refeições que incluam convidados. Bordadas e luxuosas (ou simples toalhas de linho branco) quando se tratar de comemorações especiais. É preciso ter cuidado de combinar os detalhes: uma toalha requintada, com bordados da ilha da Madeira ou de renda, ou ainda de linho puro, pede pratos de porcelana, bons talheres e copos adequados para as diversas bebidas. Uma toalha alegre, estampada, pede pratos brancos, simples (ou de uma cor só, combinando com a toalha), talheres modernos, copos do gênero mais esportivo. Cuidado para não “carregar” a sua mesa: se a toalha for estampada, não use pratos estampados, não use pratos floridos; se a toalha tiver um tom único, use pratos estampados, ou coloridos, combinando os tons com a toalha da mesa. Seu bom gosto e seu bom senso deverão prevalecer. A utilização de jogos americanos é muito indicada e pode compor mesas bonitas. Além do mais, são muito práticos no dia-a-dia da família.

        Há muita gente que não conhece a disposição certa dos talheres. Uma regra importante e que ninguém erra, por causa do bom senso, é coloca-los na ordem em que serão utilizados. Facas e colher de sopa do lado direito, garfos do lado esquerdo. Os talheres de sobremesa poderão ser colocados no alto do prato. Ou virem da cozinha na hora certa. (Os descansos de talheres não estão mais em moda. O que não impede você de utiliza-los, se tiver e principalmente se forem bonitos, antigos ou originais).

        Outra dúvida de muita gente é sobre os copos. Como devem ser utilizados? Como regra geral, deve haver um copo para água e/ou refrigerante; um copo para vinho branco e outro para vinho tinto e finalmente um cálice para licores. Se durante o almoço ou jantar for servido apenas vinho, deverá haver pelo menos dois copos, um para água e outro para o vinho. Se a bebida escolhida for cerveja, o padrão do copo deverá mudar.

 

O pão

        Em jantares muito formais, o pãozinho de cada convidado poderá ser colocado num pratinho de sobremesa (ou especial para o pão), do lado esquerdo do prato. É necessário que haja espaço suficiente para tanto. Uma outra solução é colocar o pão, em rodelas, em uma “padeirinha” de prata ou de vime, combinando com o seu serviço. Não esqueça da toalhinha, combinando com a toalha ou com os guardanapos.

 

As bebidas

        Os aperitivos devem ser servidos antes das refeições. Sua utilização depende muito do tipo de almoço. Se você for servir uma feijoada, uma caipirinha bem brasileira. Antes de um almoço comum, pode-se servir batidinhas, whisky, vodca, martínis ou até coquetéis inventados por você. Em geral, antes de jantares, é melhor ficar no whisky, na vodca, no gim, nos martínis. Mas lembre-se: não deve haver regras rígidas. Se o seu convidado gosta de uma bebida especial, e você tem conhecimento disso, é essa que deve ser servida. Há uma outra regrinha com relação a bebidas, e esta é importante porque diz respeito ao paladar: aperitivos são servidos antes. Em seguida, com as entradas e os peixes, vinhos brancos, bem gelados. Com as carnes e aves serve-se vinho tinto. Vinhos doces (ou vinho do Porto) são servidos à sobremesa. Os licores, depois do café.

        Não é errado, no entanto, acompanhar todo um jantar com vinho branco. É, digamos, uma “licença” brasileira que muita gente já aceita como boa.

        Uma última regra requintada, de bom-tom: servir champanhe seco durante todo um jantar. E champanhe doce à sobremesa.

 

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