|
A importância da lógica na
filosofia
A importância da lógica em filosofia é visível no instante em que percebemos que a busca dos filósofos deve estar alicerçada por um conjunto de bons argumentos na medida em que apenas eles podem constituir a defesa de determinada orientação de pensamento. Por outro lado, a lógica é especialmente útil para desmascarar argumentos falaciosos. Podemos destacar na lógica o cumprimento de duas funções no terreno da filosofia, nomeadamente a clarificação de ideias e a prevenção dos erros de raciocínio. A filosofia debruça-se sobre um número de questões, às quais os filósofos, desde a antiguidade procuram dar resposta, resposta essa apoiada em teorias e argumentos. A lógica possibilita uma atitude crítica precisamente em relação aos fundamentos dessas temáticas. Efectivamente, para além da lógica assumir de uma forma critica os problemas da filosofia, denunciando os falsos problemas com o auxílio de bons argumentos; ela também se posiciona criticamente no que concerne às teorias filosóficas, averiguando nelas a sua legitimidade, a sua possibilidade de defesa, detectando os seus aspectos mais débeis; assim como considera de um modo crítico os argumentos herdados da filosofia, questionando a sua solidez e propondo-lhes contra-exemplos. A actuação da lógica na filosofia é fundamental na medida em que coloca à prova as suas ideias considerando-as criticamente. Uma postura filosófica implica do homem esta componente crítica que só a lógica permite. A realização da filosofia passa precisamente pela discussão crítica das ideias dos filósofos, atitude essa que apenas se possibilita pela lógica. Este debate de ideias pressupõe a apreciação dos argumentos que vêm fortalecer essas ideias assim como aqueles que as vêm debilitar. Só o conhecimento da lógica nos ajuda a descobrir, a propósito de cada ideia, os argumentos que a coroarão e aqueles que irão no sentido oposto. A disciplina de filosofia marca a sua diferença em relação às outras disciplinas não só porque se revê em atitudes como a criatividade, a abertura, a crítica, mas também porque não há uma filosofia, mas várias, isto é, várias questões filosóficas que não pressupõem uma homogeneidade necessária. A questão fundamental não está numa filosofia estática mas numa actividade dinâmica. E a iniciação deste filosofar não se efectiva na reprodução dos pensamentos dos filósofos, mas sim no debate dos seus argumentos. De forma a lidarmos criativamente com a filosofia, é importante dominar as ferramentas básicas que possibilitarão exprimir com transparência as temáticas filosóficas, e simultaneamente assumir uma atitude crítica. A filosofia radica neste saber defender as nossas ideias apoiando-as em argumentos bons e criativos. A criatividade do pensamento lógico está patente no talento para descobrir outras possibilidades, onde antes só víamos uma. Ele não é, portanto, estático, rígido e fechado, ele é, pelo contrário, flexível, elástico, curioso, insatisfeito e muito ambicioso. O pensador criativo vai à descoberta, não se abandona àquilo que aparentemente só tem uma solução, uma alternativa. A criatividade decorrente da lógica cumpre-se precisamente nesta inventariação de circunstâncias novas, neste esgotamento de todas as possibilidades.
|