NÚCLEO DE ANTIGOS-ALUNOS DO COLÉGIO SANTO INÁCIO
Rua São Clemente 226 / 22260-000 Rio de Janeiro - RJ / BRASIL
tel. (21)2537-8646 / fax (21)2266-5367
"âncora": Prof.Vicente Paim

para aumentar o tamanho das letras
clique em "Exibir" na barra de menu,
depois em "Tamanho do texto"
e fa�a a sua escolha!

história do csi
Santo Inácio
o núcleo
cadastramento
fotos-recordações
infoCSI
serviço
obras sociais
espiritualidade
ex-alunos
você mudou?
pessoas & fatos
opiniões
novos alunos

para procurar um nome ou referência:
aperte juntas as teclas "ctrl" e "f "


    publicadas em 1999
    publicadas em 2000
    publicadas em 2001
    publicadas em 2002
publicadas em 2003
    publicadas em 2004
    publicadas em 2005



volta ao início
fevereiro/2003
A Turma de 1962 reuniu-se
QUARENTA DEPOIS
Jo�o Luiz Coelho da Rocha (62)

Todo mundo parece perceber que o tempo anda bem mais devagar quando somos crian�as, ou jovens, e depois vai acelerando de um modo assustador.
Talvez por isso, no retrospecto feito, os anos de col�gio aparecem t�o fortes, marcados a ferro e fogo na mem�ria.
Confesso que, na minha mem�ria, privilegiada talvez por alguns anos de psican�lise e umas razo�veis p�lulas de Prozac, tudo fala de uma �poca fant�stica, cheia de sonhos, conquistas e perspectivas.
E muito ajuda que o col�gio era o Santo In�cio, onde minha turma se formou em 1962, com essas quatro d�cadas agora festejadas.
�O que voc� estava fazendo no ver�o de 1963?� Uma pergunta destas chamava a aten��o nos cartazes para o filme seminal, po�tico, fin�ssimo, sobre o fim de uma era jovem, �American Grafitti�, que aqui passou sob o t�tulo �Loucuras de Ver�o� (como se �American� fosse loucuras e �Grafitti� uma esp�cie de genitivo de �summer�; ag�ente-se os tradutores).
Pois no ver�o de 1963, minha turma se despedia do Santo In�cio, depois de tantos anos ali, forjados a carteiras escolares, giz, quadro negro, castigos, medalhas, recreios, missas, �lgebra, portugu�s, geometria e o sagrado of�cio de pensar a s�rio sobre a vida.
Um tanto perplexo, um tanto esperan�oso, sa� dali em um calorento dezembro (�parece dezembro� de um ano dourado) como se um v�rtice de poeira do tempo varresse aqueles p�tios enormes a fundo, carregando para longe, racionalidade, a verdade e a aplica��o l�gica, bem gauleza, do Professor Chambriard, ou a gaiatice amiga do �Espinheirol�, ou o p� de boi do Professor Gon�alves, o �Tucano�, que n�o faltava a nenhuma aula, ou a amizade jovem do ent�o Padre Angelim, as confiss�es compreensivas e amigas com o Padre Leme Lopes, ou a chatea��o incr�vel daquelas horas no �estudo�, um bando de garotos em sil�ncio fedendo a suor, alguns ainda a flatos. Ou as provas orais sob nervos armados perante a banca, ou �s incr�veis aulas de canto orfe�nico (?) que sempre acabavam com o �d� no compasso seguinte.
O que houve do bar do vov� e do Adelino, daquele picol� de uva cuja tinta sa�a na primeira mordida e s� restava gelo? E as balas de ameixa que nunca mais na vida achei?
Onde puseram o �nibus 4, que nos pegava em Ipanema, dirigido por um motorista baixinho e alucinado, que, por incr�vel, se chamava �Corn�lio�?
O tempo, doce tempo do col�gio, est� assim desenhado nessas linhas de mem�ria as quais eu posso creditar � qualidade humana e profissional do Santo In�cio.
Caramba, em 1962 acabou meu tempo de Col�gio Santo In�cio, e o Brasil ainda era parlamentarista de fachada, e o Presidente era Jango Goulart. E a Doris Day ainda era virgem. E o Botafogo era bi-campe�o carioca, com a �ltima grande exibi��o de Garrincha, arrasando o Flamengo. E a cidade era um Estado... da Guanabara, e Carlos Lacerda, governador, foi o patrono da formatura, tentando fazer um discurso mais belo que o do Victorino Chermont, nosso eterno homem da palavra.
Pel�, hoje sessent�o, era apenas um fen�meno jovem, e Elvis Presley, que j� morreu, era nosso �dolo. Que ouv�amos, � claro, no �M�sicas na Passarela�, ao fim da tarde, na R�dio Tamoio, estudando f�sica ou qu�mica, alternando com Sinatra, Ray Coniff, Rom�nticos de Cuba, onde foi tudo isso? Cad� o �nibus 264, que peg�vamos na ida at� a Volunt�rios, e peg�vamos na volta, na S�o Clemente? Que tinha o apelido de �visite sua cidade�, porque de Ipanema at� l� ele fazia um trajeto exaustivo.
E a meninas do Jacobina? E o pr�prio Jacobina? E uma moreninha clara, chamada Marilu, que tomava o 264 na esquina da Gomes Carneiro? N�o h� nem mesmo mais meninas chamadas Marilu. E decerto n�o h� mais o Col�gio Jacobina para colocar na rua aquelas gazelas embalando os sonhos dos inacianos.
Sonhos de meninos, certamente hoje n�o iguais aos nossos, n�s personagens de anos dourados, chorando em �Supl�cio de uma Saudade� como lembra meu amigo e colega Hor�cio Falc�o, ardendo de paix�o na dan�a de Kim Novak em �Pic Nic� ao som de �Moonglow�, vibrando com uma ou duas copas do mundo na livre imagina��o das ondas radiof�nicas. O �cheek to cheek� nas festinhas, coca-cola com rum (houvesse f�gado), crush com vodka, Hotel Gl�ria, Monte L�bano, Ed Lincoln.
Aquelas escadas colegiais que em 2003 v�o virar centen�rias com as depress�es nas duas extremidades dos degraus, por onde n�s, e tantos outros antes, e mesmo alguns depois, sub�amos e desc�amos em filas severamente vigiadas. O que n�o impedia uma ou outra sacanagem como pisar no calcanhar de quem ia na frente.
Castigos no corredor, em p�, durante o recreio, por excesso de bagun�a. Retidos depois da 5 horas da tarde, em uma sala vazia. Suspens�es �s vezes, faltas graves, e eu entrei numa dessas por ter um tanto desaforadamente xingado um religioso.
E os t�tulos de Conde, Duque, Pr�ncipe e Imperador, a nobreza das melhores notas, uma corte que era sempre capitaneada pelo S�rgio Gon�alves para complexo de tantos de n�s.
E as medalhas na rococ� �Festas das Dignidade Escolares�, uma esp�cie de olimp�adas do saber. O S�rgio deve ter um arm�rio cheio delas, at� hoje. Nas horas de ins�nia cogito mas n�o consigo entender o que se pretendia com aquela hist�ria de �Pr�ximo ao pr�mio�. Bateu na trave?
Personagens e mat�rias se misturam na lembran�a. O �timo car�ter do Professor Araujinho a redigir �Talento e bondade�, num bin�mio que fica no registro de final de inf�ncia: saber e car�ter. O �Mendes� portugu�s de sobrancelhas � �Geppeto�, ensinando aritm�tica: �O menino errou, � tolo, � desinteligente�. Um cara meio adamado, acho que era Gama, ensinando literatura, e t�nhamos que recitar algo desse teor: �Delineia o Ocidente em agonia, o sol, as aves, em bandos fogem, fecha-se a p�lpebra do dia� (argh!)
O Professor Cortinhas que � sa�da de algumas liba��es teria visto um disco voador, o Professor Sebasti�o Araujo, dizem, inventor do bil�gono (pol�gono de dois lados), o ingl�s macarr�nico de um professor gordo e simp�tico, cujo nome se foi. O Professor Nelson Costa e seu Fiat pulga caqu�tico, o Professor Dutra que, j� havia mais de 40 anos, tinha seus 70 anos.
Em qu�mica inorg�nica �CU� era s�mbolo de cobre e sempre se gargalhava, menos quando o Professor Cyril estava de ressaca. O Professor M�rio Couto, de geografia, teve tifo. O Pontes, de qu�mica, era um mit�mano, fabulista, contava que a curva da entrada era t�o fechada que chegou a ver a placa traseira. Mas a qu�mica inorg�nica era melhor, n�o tinha essa ditadura do carbono presente nas coisas vivas.
O grande Chambriard ensinava matem�tica e racioc�nio l�gico, e gritava para n�o esquecermos o �trasse da fra�on�.
�ramos felizes e, � claro que t�nhamos percep��o disso. Ainda que o percurso da vida traga tantas e tantas experi�ncias que, ao fim das contas, nem sempre conseguimos bem categorizar a import�ncia do col�gio.
� claro, hoje sabemos bem mais. Yeats, c�lebre poeta, dizia: �Body decrepitude is wisdon/ young/ we loved each other/ and knew nothing�.
Mas, ainda assim, gostaria de pegar uma carona na relatividade geral do Einstein, ao ritmo da velocidade da luz, e visitar aquele passado. Ilus�o curta ou serena contempla��o de um tempo bem vivido?
De volta para o futuro.

mar�o/2003

TURMA DE 1967
35 ANOS DE FORMATURA
Sergio Frederico de Miranda Jord�o Clark

Foi com grande alegria que recebi a incumb�ncia do meu caro compadre, Evandro Leal de Souza Lima, de saudar nossa turma, por ocasi�o desses 35 anos de formatura.
Como tudo na vida tem sua primeira vez, essa � a primeira vez que cumpro essa miss�o. Perdoem-me as falhas e ou omiss�es que por ventura venha a incorrer.
N�o me considero velho. Tenho 53 anos, e acho que como todos giramos na mesma faixa, nenhum de n�s se considera velho tamb�m. Mas convenhamos, 35 anos de hist�ria de vida, j� d� para come�ar um livro de mem�rias.
Lembro-me no dia em que n�o fui aceito no col�gio ao fazer um exame para o admiss�o. Fiquei muito triste, mas sabiamente meus pais me colocaram num col�gio preparat�rio, para novo exame no ano seguinte, chamado Nossa Senhora das Vit�rias, dirigido por D.� Laura do Rego Monteiro e pelo Professor Cardoso.
L� fiz o admiss�o e estudei muito para prestar exame no Santo In�cio para o 1.� ano ginasial. Finalmente fui aceito em 1960 para minha grande alegria e, creio eu, orgulho de meus pais. A� come�a minha hist�ria nessa fant�stica institui��o.
Nunca me esquecerei do 1.� time de futebol que joguei, Chamava-se Gr�cia e sua camisa era amarela e preta e tinha por estrela um querido colega que nunca mais vi ou ouvi falar - Sergio Chastinet - que al�m de jogar bem, sentava-se a meu lado no estudo. Foi uma das primeiras amizades que aqui fiz.
De 1960 a 1967 passei por fases e vivi hist�rias fant�sticas de amizades, coleguismo, alegrias, tristezas, preocupa��es, laur�is e castigos.
Lembro-me dos mais marcantes:
da missa colegial com uniforme de gala, no p�tio interno do col�gio; da fila do p�o doce, na qual entr�vamos e sa�amos v�rias vezes para matar a fome; dos campeonatos de futebol; do dia que substitui pela primeira vez o Gesse Teixeira no gol de nosso time contra um time de fora. Creio que o do Col�gio S�o Lu�s; do futebol do Aloisianum aos s�bados com o Avar�; dos primeiros colegas de estudo e de jogo de poker noturnos - Xavier Van Hoogstraten, Jos� Francisco Gouveia Vieira, Jo�o Teodoro Arthou, Jo�o Carlos Souza Gomes; dos professores: Guimar�es � Portugu�s (o da inesquec�vel dan�a com M�rio Lacerda), Dutra � Portugu�s, An�bal Espinheira, Vilas Boas, Jacques Chambriand, Motta e tantos outros; dos padres: do Padre Ormindo que me impressionou por sua habilidade com a bola de futebol, al�m de sua infinita bondade e ternura; do Chaves que me apavorava com o seu olhar penetrante ao passar pela porta da sala de aula fingindo que lia o seu brevi�rio; o Henrique, sempre atento e duro para manter a disciplina; do Angelim, t�o amigo e t�o compreensivo; do Padre que repetia nossos pecados alto durante a confiss�o, fazendo os demais colegas ouvirem e rirem de n�s. Creio que era o Padre Theus; dos inspetores do corredor, Ratinho e outros; da primeira vez que fumei e que quase botei fogo no papel higi�nico; das aulas de Educa��o Sexual com aquele Monge trapista que apelid�vamos de Boitat�, com a hist�ria inesquec�vel tamb�m do nosso Mario Lacerda sendo expulso de sala ap�s uma pergunta imoral e capciosa; da ma�� podre na mesa do Professor Cegalla, que fez a mesa despencar da c�tedra com o soco que deu nela; das noites e noites de aulas do Motta, nos preparando para o vestibular de Engenharia.
E tantas e tantas outras lembran�as que se aqui fosse enumer�-las, creio que passar�amos o resto da noite aqui, e ainda n�o as esgotar�amos.
Desejo hoje, em primeiro lugar, agradecer.
Agradecer a meus pais por terem me colocado no col�gio; agradecer a meus professores e orientadores pela prepara��o t�cnica que tive e que vem sendo de grande valia em minha vida; agradecer a meus queridos colegas, que sempre me dedicaram amizade, compreens�o, camaradagem e companheirismo; agradecer finalmente aos padres e professor religiosos que me deram a f� em Deus Nosso Senhor que hoje tenho e que sempre norteou minha vida e que rogo a Deus que venha a nortear a de meus filhos e netos, porque ela � meu maior poder. Foi com ela que superei grandes problemas que atravessei e � com ela que pretendo morrer quando Deus me chamar.
Em seguida, desejo deixar com todos, uma mensagem de esperan�a e confian�a em nosso pais, tendo em vista o novo governo que se elegeu prometendo criar os empregos que nossa gente tanto precisa, erradicar a fome que muitos brasileiros ainda sentem, alfabetizar os milh�es de analfabetos que ainda temos, e muitas outras coisas.
Independentemente de quaisquer fac��es pol�ticas que creiamos e ou perten�amos, exorto a todos a colaborarem, da melhor maneira que puderem para que consigamos diminuir essas mazelas do nosso Brasil e assim possamos leg�-lo a nossos filhos com um horizonte melhor do que aquele que recebemos.
E por fim, sugiro que nossa turma d� o exemplo, criando uma comiss�o permanente para a cria��o de eventos caritativos de ajuda aos pobres.
N�o poderia terminar essa singela sauda��o sem mencionar um querido colega que perdemos esse ano: - Nelson Goyanna Filho � querido amigo, grande tricolor, alegre, solid�rio, amigo dos amigos.
Lembrei-me muito de voc�, Nelson, nas finais que nosso Fluminense acaba de participar no campeonato Brasileiro de Futebol. Pedi muito a voc� para que intercedesse junto a Nosso Senhor no C�u para nos dar aquele golzinho salvador.
Saiba que aqui estamos reunidos pensando em voc� e rezando pela sua alma e termino minhas breves palavras pedindo a todos que se levantem e que juntos, de m�os dadas, rezemos um Pai Nosso e uma Ave Maria, em sufr�gio de sua alma.

abril/2003
M�rio Pinheiro de Vasconcellos Werneck foi aluno de 1937 a 44. Foi tamb�m Professor de Ingl�s do CSI durante muitos anos.
As tr�s historinhas a seguir foram enviadas por ele.
Agradecemos a aten��o e a gentileza.
Agradecemos ainda mais a partilha de momentos que, para ele, foram especiais.
Agradecemos a possibilidade de tamb�m "saborear" situa��es, pessoas. fatos e comparar isso tudo com situa��es, pessoas e fatos atuais.
Quanta saudade...

"N�?!"

Na d�cada de 40/50 havia um professor de matem�tica chamado Prof. Couto. Era um �timo professor e �tima pessoa. Por�m tinha um cacoete.
No final de cada frase, ele sempre acrescentava um "n�?". Exemplo: "Depois de amanh� ser� feriado,�n�?�"
Um belo dia, os alunos das cinco turmas do curso Cl�ssico resolveram fazer um "bolo", i.e., algu�m em cada sala anotava quantos "n�s?" o Couto dizia durante a aula e, ao final da �ltima aula, na 5.� sala, a turma que acertasse quantos "n�s?" o Couto tinha dito levava toda a quantia que, ent�o, seria rateada pelos alunos da sala vencedora. Ao final da aula na �ltima turma, fazia-se um grande alvoro�o para saber quantos "n�s?" haviam sido ditos naquela �ltima turma para, assim, ao saber-se o total, a turma vencedora levar o "bolo".
Digamos que o resultado total tinha sido 179 "n�s?". A turma que mais se aproximasse do total seria a vencedora.
Mas naquele dia, a gritaria da turma vencedora foi tal que o Prof. Couto censurou o estardalha�o pois n�o estava entendendo nada. A� ele disse: "N�o sei pra que tanto barulho, �n�?�".
A� o resultado pulou para 180, e outra turma ganhou o "bolo", s� por causa desse �ltimo "n�?"!!!
A algazarra foi geral (cerca de 150 alunos) e foi preciso o Padre Prefeito intervir para serenar os �nimos!
Mais tarde o Prof. Couto soube da aposta e n�o gostou nada, nada, nada e foi se queixar ao Pe. Reitor da brincadeira de "mau gosto".
Desta vez, nada aconteceu aos alunos...

UNIFORMEMENTE VARIADO

Na d�cada de 1940, o uniforme do Col�gio Santo In�cio era de brim pardo.
Palet� com quatro bot�es, quatro bolsos e...cinto! Sapatos pretos e meias brancas!
Dependendo da s�rie, a cal�a podia ser curta ou comprida.
Surgiu, ent�o, um problema: em algumas salas havia meninos maiores e outros menores; os maiores, independente da idade, sentiam-se constrangidos em usar cal�a curta.
Um dia houve uma reuni�o solene da reitoria e padres prefeitos com os pais, e o comprimento da cal�a ficou liberado: quem quisesse podia ir de cal�a comprida, quem n�o quisesse iria de cal�a curta.
Foi aquela mistura!
Posteriormente (n�o me lembro quando) a obrigatoriedade do uniforme foi abolida.

OBRIGATORIEDADE

Aos domingos a assist�ncia � missa era obrigat�ria. Obrigat�ria mesmo!
O uniforme era todo branco, com cinto vermelho afivelado e mais quepe branco com pala e uma tarja vermelha.
Quem n�o fosse � missa tinha que levar na segunda-feira seguinte uma justificativa para a aus�ncia, o que era feito na caderneta e visada, posteriormente, pelo padre prefeito.
Aos poucos a obrigatoriedade da missa foi suspensa e o tal uniforme tamb�m.

maio/2003
Dr. Emanuel Sodr� Viveiros de Castro (1934), ainda hoje advogado militante com 55 anos de atua��o profissional, enviou a cr�nica do tamb�m ex-aluno Carlos Saboia, publicada no jornal Correio da Semana, de Sobral-CE, em 17/mar/2000.
Na carta que a acompanhava, faz algumas observa��es: �ao ensejo da pr�xima comemora��o do centen�rio do Col�gio, ocorreu-me rebuscar, nos meus arquivos, algo que pudesse relembrar a passagem minha e de meus quatro irm�os homens pelo Col�gio. Posteriormente, tr�s filhos meus, homens, tamb�m cursaram o Col�gio. (...) esta cr�nica, que se inicia e termina se reportando aos �bons tempos� do Col�gio Santo In�cio, situados no final da d�cada de 20 at� o meado da d�cada de 30, (...) contendo pequenos equ�vocos meramente f�ticos - por exemplo, omitiu que o �Ormindo� (Padre Viveiros) foi Reitor do Santo In�cio e, al�m de Reitor da PUC-Rio, foi Reitor da Universidade Cat�lica de Goi�nia, e n�o do Paran� - bem retrata a vida do Col�gio e das fam�lias da �poca, nos idos das d�cadas 20/30, portanto, refere-se a minha irmandade e n�o aos meus filhos. (...) A refer�ncia �s fam�lias Maia Penido (Frei Bas�lio), Parreiras Horta, Sant�Ana, Gabizo de Faria, Mello Sabugoza e Aciolli de S� enfatiza que o Col�gio Santo In�cio bem educava as fam�lias, como hoje ainda faz, sob orienta��o crist�. E bem retrata a vida no Rio de Janeiro dessa saudosa �poca, da qual, saudosismo � parte, se n�o era melhor do que a de hoje, sem d�vida que era bem mais tranq�ila.�
Terminando a carta, Dr. Emanuel faz um pedido: ele gostaria de contactar outros alunos da Turma de 1934, da qual s� conseguiu localizar o tamb�m advogado Ernani Teixeira Filho.

O QUINTETO
Dr. Carlos Saboia

Lauro, Augusto, Eurico, Ormindo, Emmanuel (Maninho), cinco irm�os separados por diferen�a extrema de idade em cerca de dez anos. Alunos do Col�gio Santo In�cio, no Rio de Janeiro.
Todos bons de bola. Todos botafoguenses, jogaram no glorioso em v�rias categorias, at� como profissionais ou semi.
Sobrinhos do Almirante Benjamin Sodr�, o lend�rio Mimi Sodr� do Botafogo, era de 1910, que celebrizou-se pela per�cia e pelo car�ter. Como almirante foi figura muito respeitada por suas atitudes firmes e democr�ticas. Seu pai, o av� do quinteto, era o general Lauro Sodr�, o principal nome na. agitada pol�tica do Par�, na Rep�blica Velha, militar positivista com saliente atua��o no plano nacional. Por motivos doutrin�rios chegou a chefiar rebeli�o contra a obrigatoriedade da vacina antivari�lica, institu�da por Oswaldo Cruz.
O quinteto era de filhos do Almirante Viveiros de Castro e netos do Ministro do Supremo Tribunal hom�nimo (hoje nome de rua em Copacabana), da �poca em que ocupar o cargo era garantia de dignidade e saber.
Eu era colega de classe e amigo de Augusto. Meu primo (futuro almirante) Jos� Cruz Santos, nascido em Sobral no sobrado que hoje abriga o Museu Diocesano, era colega e amigo do mais velho, Lauro.
Por isso, apesar de ser eu �perna de pau� e flamengo (condi��o que trouxera de Sobral e que s� larguei quando me desinteressei por futebol), fui admitido no restrito grupo de colegas de col�gio que freq�entava as reuni�es de quarta-feira na casa do quinteto. Era uma casa assobradada, com por�o habit�vel, isto �,.com janelas acima do n�vel do terreno.
Nesse por�o aconteciam as reuni�es, constantes principalmente de bate-papos e jogos de ping-pong.
Eu vinha e voltava para essas reuni�es no bonde Jardim-Leblon, da Praia do Russell (pr�ximo ao Hotel Gl�ria) � Rua Sorocaba, em Botafogo. Apesar dos tempos tranq�ilos, essa viagem noturna n�o deixava de ser uma aventura para um adolescente, filho �nico, criado na antiga Pra�a do Mercado, em Sobral.
Para mim, o ponto alto das reuni�es, que s� acontecia de vez em quando, dava-se quando D.a Orminda, a m�e do quinteto, nos convocava � sala principal da casa para oferecer o leg�timo guaran� paraense, que era bebido em ta�as do tipo que se usava para champanhe. Por que n�o mais se produz esse n�ctar?
Lauro Sodr�, j� bem idoso, morava com a filha e o genro, e costumava aparecer para sorver o guaran�. N�o de pijama, mas de terno e gravata. �s vezes, a seu lado, eu imaginava o que passaria na mente daquele velhinho de fisionomia af�vel, cuja estatura regulava com a minha, apenas m�dia, de adolescente. O que recordaria, tranq�ilo ao lado de sua filha e rodeado de netos, ap�s uma vida agitada na pol�tica brasileira? Talvez, sem que eu o soubesse, a cena tocasse tamb�m ao menino que, praticamente, n�o conheceu a m�e.
Do quinteto, todos bons de bola, como disse, alguns tamb�m se salientaram nos estudos. Lauro, o mais velho, era apontado como aluno modelo, inclusive pela conduta impec�vel. Escolheu a carreira de engenheiro, supondo eu ter influenciado a minha pr�pria escolha, sem que, ao que me lembre, tenhamos conversado sobre o assunto. Conclu�do o col�gio, perdi de vista, pelo . resto da exist�ncia, os meus amigos, salvo algumas not�cias da imprensa e refer�ncias eventuais de conhecidos.
Lauro formou-se em engenharia, fez carreira no Minist�rio do Trabalho, como atu�rio renomado. J� idoso, com o lar desfeito, ignoro se por morte ou outro evento, passou a residir na sede n�utica do Botafogo, na enseada do mesmo nome.
Ormindo, sacerdote jesu�ta, dedicou-se � educa��o e distinguiu-se como reitor da Universidade do Paran� e mais tarde da PUC, no Rio de Janeiro. � falecido. Emmanuel, advogado, era pelo menos at� pouco tempo, considerado sumidade em quest�es trabalhistas. De Eurico, s� sei que foi o que mais se destacou no futebol, e de Augusto, que seguiu a carreira m�dica.
Ao lembrar os irm�os Sodr� Viveiros de Castro, reflito que, ao contr�rio de opini�o predominante no resto do Brasil, havia no Rio de Janeiro pelo menos at� tempo n�o muito distante em todas as classes s�cio-econ�micas, muitas fam�lias, geralmente numerosas, educadas sob orienta��o crist�. Al�m da que � objeto desta cr�nica, conheci outras, como Maia Penido (da qual fez parte Frei Basilio), Parreiras Horta, Sant�Anna, Gabizo de Faria, Melo Sabugosa (de origem portuguesa pr�xima), Acioli de S� (de origem cearense), - por exemplo.

in Correio da Semana, Sobral-CE, 17/03/2000

junho/2003
Luiz Fernando de Lyra Novaes, da turma de 1973, relembra �momentos m�gicos� da turma que est� comemorando 30 anos de formatura, junto com os 100 anos do CSI.
Ele, saudoso, motiva os colegas para um recontro no col�gio. Ser� uma forma de �criar, refazer, refor�ar la�os de amizade�, conforme a proposta do N�cleo.
Ao ler as �recorda��es do Lyra� podemos perceber muitas das emo��es sentidas por um adolescente aluno do CSI, agora antigo-aluno.

SELE��O DE 65
Luiz Fernando de Lyra Novaes (73)

Na entrada, a forma��o no p�tio de terra batida era a primeira atividade, todos enfileirados distando um bra�o do colega da frente e outro ao colega do lado.
Sensa��o de amplo espa�o o Col�gio exercia, apequenando nossa condi��o de meros alunos do prim�rio. Em classe, a pesada e negra c�tedra agigantava ainda mais a figura do mestre que ali se colocava.
Fantasias mil nos intervalos entre as aulas, na descompress�o, a chaleira soltava de seu interior efervescente os vapores at� ent�o acumulados. Guerras de bolinhas de papel, foguetinhos, empurr�es, chicletes colantes no teto e outras coisas mais. O Vilobaldo e o Mour�o eram os mais atuantes.
Assim, se passavam os dias!!!!!
Pelosi, Nadaluci e Tarc�sio lideravam a competi��o pelos diplomas de pr�ncipe, duque e conde. Chami� ao viol�o, era o nosso artista. Enquanto isso, o Fog�o, o Paulinho e o Josias faziam sucesso no futebol.
No recreio envoltos por uma nuvem de poeira, corriam todos atr�s da bola. O nosso orientador espiritual, companheiro e t�cnico, Pe. Melchert impunha a disciplina para os mais dotados com a arte futebol�stica, ensaiava um 4-2-4 para os ilustres representantes da 4a s�rie do prim�rio.
Pois bem, eu, o Lyra, tive a sorte de participar deste time. Recordo a equipe formada pelo Melcher, o t�cnico, com o Oswaldo ou o Marco Aur�lio no gol e Penalva, Cardoso, Luiz Augusto, Dias, Lyra, Lage, Ab�lio, Vilar, Coutinho, Josias, Paulinho, Fog�o e Gilberto (Ventania), compondo o restante do time.
Uma das vezes, em Friburgo, em jogo contra o Col�gio Anchieta, fomos recebidos com a maior rivalidade pela torcida aguerrida, tendo assim, a primeira experi�ncia de representar o CSI. Do jogo em si, nem me lembro do resultado, mas da emo��o e do orgulho de ser um Inaciano, estes a gente nunca esquece!
Agora aos 100 anos de exist�ncia do Col�gio e ao celebrarmos nossos 30 anos de formados, poderemos relembrar estes momentos m�gicos em conjunto, no reencontro que o Paim e o Coutinho est�o organizando.
At� breve, com todos l�!!!

julho/2003

COM ESTE ESCUDO VENCER�S
Alvaro Carneiro Bastos (1971)

J� houve um tempo em que a S�o Clemente, endere�o do Santo In�cio, era a rua das embaixadas, mans�es onde moravam na��es inteiras, cada uma mais imponente que a outra, fatias generosas do que havia de melhor no estrangeiro, dispostas em fileiras em nome da harmonia universal. N�o havia nada mais natural ent�o, para um aluno novato, que o ritual di�rio de entregar na entrada do col�gio a caderneta colorida, como se fosse o passaporte para um outro mundo.
Quando cheguei l� pela primeira vez, no ver�o de 1962, as li��es vinham de onde menos se esperava, como a bola que se jogava no recreio. Era um futebol de gladiadores, daquela fase em que tigres e le�es entravam na arena. Dezenas de crian�as se chutavam e se empurravam, em meio a uma gritaria de matin� do apocalipse. Mesmo quem n�o queria jogar, era for�ado a chutar a bola, para n�o ser tragado pelo turbilh�o. N�o crescia grama naquele p�tio e as �rvores s� n�o eram arrancadas porque o piso era duro como concreto, de t�o pisoteado. Eram sempre os mesmos times: de um lado, os g�meos Marcos e Marcel Sader, e do outro, o Z� Maria. Todo gol era de autoria coletiva: marcado pelos 15 ou 20 defensores e atacantes que entravam com a bola e tudo. Tudo era motivo de briga que por pouco n�o acabava em tiros de espoleta. Tudo era levado t�o a s�rio que � estranho a Fifa n�o manter registros daqueles confrontos.
Aqueles que tentavam manter o uniforme limpo, os sapatos engraxados e a lancheira intacta faziam triste figura. A disputa exigia dedica��o integral, mas alguns, como o Henrique, exageravam. Ele simplesmente ignorava a bola, mergulhando de cabe�a no olho do furac�o. O cara era um possesso: parecia querer demolir numa tarde todos os pilares da civiliza��o. Quando o recreio acabava, ele estava pronto para ser exorcizado: arfante, dentes � mostra, os olhos brilhando, cuspindo blasf�mias, duas ou tr�s professoras tentando acalm�-lo. Os demais meninos passavam cuspe nos joelhos ralados, secavam o suor do rosto na barra da camisa branca e iam estudar, como se nada tivesse acontecido. Nas salas, eram esperados pela professora Vera L�cia (3.a s�rie), que parecia ter sa�do de uma capa de revista, ou pela portuguesa Clementina (4.a s�rie), que dava a impress�o de que ficaria deslocada em qualquer lugar que n�o fosse um convento. A diretora, Dona Gilda, percorria as filas para advertir quem n�o estivesse usando as meias do uniforme, uma infra��o pelo jeito muito mais grave que o envolvimento na batalha campal que era o recreio.
O Curso de Admiss�o foi marcado pela presen�a do professor Renato, que fazia quest�o de nos tratar como adultos, embora s� tiv�ssemos 11 anos. A partir da� o futebol teria que ser jogado de forma civilizada, num processo que chegou ao m�ximo de sofistica��o no gin�sio, quando o Padre �nio n�o s� elaborava a tabela como apitava os jogos, muitas vezes de batina. Foi nessa �poca que travamos conhecimento com o Padre Henrique, que tinha sempre uma ambiciosa cota de alunos a p�r diariamente de castigo. Digamos que ele ficava mais � vontade no papel de exercer a ira divina do que Sua miseric�rdia. Seu olhar era capaz de fazer anjos deca�dos se levantarem depressinha. De sua voz, podemos dizer que teria um papel decisivo caso ele fosse escalado para uma partida final entre as for�as do Bem e do Mal. Ele parecia nos vigiar at� na hora em que, passando em fila pelos corredores, toc�vamos os p�s da Virgem Maria para fazer o sinal da cruz.
Padre Henrique era mais temido que o inspetor Bigu, encarregado da portaria. Corpulento, �culos escuros, cabelos pretos e fartos, penteados para tr�s, Bigu era um detector ambulante de malandragens estudantis. Ningu�m folgava com ele. Mesmo assim, alguma coisa de vez em quando escapava � sua vigil�ncia, como a garrafinha de gim que o Pragana (como era conhecido Lulu Santos, hoje artista famoso) levou para o recreio, mais para impressionar os colegas do que para beber, at� porque estava fora de cogita��o preparar um dry martini.
O pior do gin�sio acontecia aos s�bados, dia de gin�stica. A presen�a era obrigat�ria: de manh� bem cedo, vestidos de branco como cordeirinhos a serem sacrificados, a gente se sujeitava aos comandos de um professor tipo sargent�o, a quem cham�vamos de Brucutu, mas s� quando ele estava bem longe. Os que mais sofriam - com as corridas, polichinelos, flex�es e abdominais - eram os mais estudiosos, por coincid�ncia os menos aptos �s atividades atl�ticas. Suas boas notas ali de nada valiam. Ali�s, nada tinha valor ali, s� o sofrimento. Brucutu queria formar em poucas horas uma nova fornada de fuzileiros navais americanos.
No gin�sio, estudamos os 500 verbos irregulares franceses, a quem Victor Hugo teria dedicado seu livro �Os Miser�veis�. Eram tantos os verbos irregulares que se convocassem uma assembl�ia e fizessem uma vota��o poderiam reivindicar para si o status de regulares. Decoramos o discurso de Abrah�o Lincoln em Gettysburg, pensando nas baixas que a Guerra Civil Americana continuava a fazer, s� que agora bem mais ao sul do continente. Mergulhamos na an�lise sint�tica de �Os Lus�adas�, entendendo bem a preocupa��o de Cam�es com os marujos que eram for�ados a se aventurar �por mares nunca dantes navegados�. Diante de tantos desafios, aprender a rezar a Ave-Maria em franc�s nos valeu pontos com a santa, com o professor Rainha e, at� hoje, com nossas namoradas.
Descobrimos a tradi��o do col�gio nas fotos dos antigos alunos, em quadros distribu�dos ao lon go dos corredores, e nas aulas dos professores Dutra e Espinheira, que tinham ensinado Latim e Hist�ria ao meu pai e ao meu tio, 25 anos antes. Dutra era solene como um senador romano. Espinheira ria da pr�pria idade, mas fazia de bobos os alunos que tentavam ca�oar dele.
O pa�s e o mundo estavam uma confus�o s�, mas o col�gio funcionava � perfei��o. Dava para matar uma aula inteira lendo uma hist�ria de Tintin num daqueles banheiros individuais e limp�ssimos que havia nas esquinas do p�tio interno. A piscina, cercada de salas de aula por tr�s lados, como um laborat�rio de atividades aqu�ticas, estava sempre em condi��es de uso, assim como o vesti�rio, com cabines fechadas apenas por uma cortina verde, mas de onde ningu�m tirava nada. A biblioteca devia ser bem fornida pois, num primeiro contato, encontrei l� todas as aventuras do Sherlock Holmes. �s quintas-feiras � noite, na �poca do gin�sio, eram exibidos no teatro grandes filmes. A plat�ia estava lotada no dia em que passaram ��lamo�, com John Wayne e Richard Widmark.
Quando chegamos ao Cl�ssico, bastaram algumas aulas para que nos sent�ssemos intelectuais. A professora Maria Luiza Nogueira, de literatura inglesa, nos mandou ler, no original, �Portrait of a lady�, de Henry James. O professor de literatura francesa, Jos� Luiz Rodrigues, nos falava de existencialismo, de impressionismo e nos levou para ver, em S�o Paulo, a Bienal de Artes Pl�sticas. O professor Ricardo Rossi, de Hist�ria, narrava epis�dios da II Guerra Mundial com a riqueza de detalhes de um bom romance, a ponto de ainda hoje eu procurar ler tudo que posso sobre o assunto, com a mesma paix�o. O professor Cl�vis Dottori, de Geografia, nos deu uma amostra das possibilidades do mundo, nos levando ao frio e � altitude de Itatiaia e nos alertando contra a forma��o de grupinhos que inibiam toda camaradagem.
Logo depois veio o vestibular e cada um foi para a sua faculdade. Acabava a era da confraria e come�ava a vida real. Para muitos, este salto sobre o abismo n�o se completou e fico imaginando quantos n�o trocariam tudo o que veio depois pela perfei��o do mundo fechado que era o Col�gio Santo In�cio. Fomos preparados para o sucesso, mas ele n�o � garantido, autom�tico. Outros fatores interferem, como a falta de sorte ou um temperamento retra�do.
Para estes, a saudade � maior. Para eles, o escudo do Col�gio Santo In�cio � uma caixinha de boas lembran�as. Nela eu reencontro Carlos Guisard Keller, um amigo do gin�sio, companheiro de leituras de J�lio Verne, de quem gost�vamos por motivos opostos, e de viagens a Taubat�. Ele me faz lembrar tamb�m da tentativa de Pragana de me ensinar a tocar no viol�o a can��o �The Poster�, do grupo The Monkees, com certeza o �nico emprendimento musical fracassado, e n�o por culpa dele, do brilhante Lulu Santos. E me traz de volta Marcelo Camolez e Umberto Cinelli, com quem dividi diariamente, durante os tr�s anos do Cl�ssico, cantarolando m�sicas de rock, minha perplexidade diante do mundo.
De tudo o que significou o Col�gio Santo In�cio, do que ser� que mais sinto falta? Para come�ar, de tudo. Se tivesse a oportunidade, passaria tudo a limpo, cadernos, deveres de casa, relacionamentos, atitudes, n�o para ser o primeiro da turma, mas para saborear de olhos fechados cada momento, como a gente fazia com o misto quente ou o cheeseburger da velha cantina. A saudade que sinto hoje me faria, se fosse poss�vel voltar no tempo, tratar com o maior carinho mesmo aqueles que na �poca n�o faziam a menor quest�o de serem meus amigos.

julho/2003
Ivan de la Rocque, antigo-aluno de 1962, �engenheiro de canudo, arquiteto de cora��o, urbanista sem canudo, paisagista por intui��o�, escreveu uma s�rie de cr�nicas, transformadas em �literatura de cordel� por Maria Antonia Braga de Carvalho.
Todos os textos foram reunidos no livro �Prosa versus Verso�, publicado h� algum tempo.
� desse livro a prosa e o verso Coroa��o.
Ivan tamb�m � autor do livro O Rio de Janeiro no Terceiro Mil�nio - ver foto 586 no �site� fotos & recorda��es

COROA��O
Ivan de la Rocque (62)

L� por volta de 1955, no m�s de maio, fui avisado pelos jesu�tas do Col�gio Santo In�cio que, por ter tido as melhores notas da minha turma, seria respons�vel pela coroa��o da imagem de Maria.
Os padres montaram no teatro do Col�gio um enorme altar, muita renda, e muita seda, cores suaves, muito azul e muito branco, luzinhas piscando, coisa de import�ncia...
De quando em quando, havia um pequeno patamar que me facilitaria acesso � Santa, que ficava l� em cima, bem no alto! Uma escalada complicada que, s� de olhar, me deixava arrepiado. Gordo e desajeitado, tinha medo de um desequil�brio que me fizesse desabar l� de cima com Santa e tudo. E ia ter de fazer tudo aquilo na frente de imensa plat�ia...
Quis desistir, entregar a tarefa ao segundo lugar, declarar-me incompetente.
Helena, minha m�e, que estudara tanto quanto eu, me preparando para aquele sucesso, n�o se conformava ao me ver querendo jogar a toalha. Apelou para todos os meus sentimentos de culpa.
� Ivan, os padres v�o ficar sentidos. E a Santa? J� imaginou se ela se zanga? Voc� tem que ir!
Tinha eu, na �poca, onze anos. A grande festa da Santa seria no treze de maio. O altar ficou pronto no in�cio do m�s de Maria.
Naquela primeira quinzena de maio, a cada dia, disfar�adamente, entrava no teatro e avaliava criteriosamente os malef�cios que o altar, agora um inimigo, poderia me causar. Quanto mais ia chegando o dia da coroa��o, mais nervoso ia ficando. Foi esse o pr�mio que tive por ser CDF: minhas primeiras ins�nias.
A Santa, l� do alto, express�o de goza��o, parecia perguntar:
� Ei! Gorducho! Voc� vai dar conta?!
O teatro enorme e escuro. O altar e a Santa. Eu suava frio:
� Ei! Maria! Por que j� n�o veio coroada?
Finalmente chegou o dia 13 de maio! Dia da Virgem!
Teatro repleto, botando gente pelo ladr�o.
Sentei-me l� no canto, mesmo porque, pernas bambas e tr�mulas, de p� n�o ag�entava ficar... E a Santa me olhando... De vez em quando dava-lhe tamb�m uma encarada.
� Ei, Maria! N�o est� acreditando, n�o �? Pois hei de conseguir! Chego at� a� e vou coro�-la!
Os padres anunciaram alguns n�meros da programa��o: uns colegas cantaram, outros declamaram. E eu tremendo no canto... At� que chegou a minha hora! Os padres anunciaram que a melhor nota do Admiss�o iria coroar a Virgem.
Levantei-me sob aplausos, respirei fundo e fui em frente. Na base do altar, um jesu�ta daqueles me passou a coroa. L� fui eu! De patamar em patamar... Equilibrando e suando... O neg�cio era n�o olhar para baixo! S� para cima!
Na metade do caminho, tudo balan�ou. A Santa tamb�m. � agora! Vem tudo abaixo!
� Calma, Ivan!, falei baixinho. Fica parado um pouco!
A Santa e o altar pararam de balan�ar. Acalmei-me um pouco... Respirei fundo e continuei.
De repente, me dei conta que tinha chegado ao �ltimo patamar. Agora era uma quest�o de me equilibrar e alcan�ar a cabe�a da Santa, metendo-lhe a coroa.
A plat�ia vibrou! Ouvi muitas palmas. Senti que todos torciam por mim.
Agora come�aria a opera��o mais complicada: a volta...
Quando iniciei o retorno, fiz um movimento brusco e tudo tremeu. A Santa tamb�m. A coroa desequilibrou-se e foi quicando pelos patamares, altar abaixo...
Foi uma gargalhada geral... Eu l� em cima e a coroa l� no ch�o!
� Jogue aqui para mim, seu padre!
� N�o, vem buscar! Eu me esqueci de colocar o pino que fixa a coroa na cabe�a da Santa.
Fiquei irritad�ssimo com aquele jesu�ta! Odiei todos os daquela ordem. O Marqu�s de Pombal � que estava certo quando botou todos eles pra correr! Contive, a custo, um Viva Pombal!
Como aquele padreco poderia ter esquecido o tal pino? Que sacanagem!
Vim descendo devagar. Vermelho de vergonha, quase roxo de raiva. Minutos do Padre Eterno. Cheguei, finalmente, ao ch�o. Peguei a coroa e o pino. Agora seria mais complicado, porque l� em cima ainda teria que achar o furo da moleira da Virgem.
Patamar por patamar, novamente, Padre desgra�ado! Suava frio, evitava movimentos bruscos. At� que cheguei. Agarrei-me � base da Santa. Com cuidado para n�o olhar para baixo. Estava pingando, o uniforme de gala coladinho em mim. Vagarosamente, consegui ficar de p�. Apalpei a cabe�a da Santa. L� estava o buraquinho! Com exatid�o admir�vel, acertei de primeira. A coroa fincada, presa pelo maldito pino.
Pode balan�ar � vontade, dona Santa!
Desci bem devagar. Entre o rid�culo e o vitorioso. Ao chegar ao ch�o, aplaudido pela plat�ia, constru�, em minha cabe�a de menino, uma firme determina��o que at� hoje me acompanha: nunca mais coroar ningu�m!

Coroa��o
Maria Antonia Braga de Carvalho
Vejam s� o nosso Ivan
Um aluno aplicado
Que por pr�mio recebeu
Trabalho bem complicado

Ali�s n�o foi trabalho
E sim a grande miss�o
Galgar o altar da Virgem
E fazer a coroa��o

Coitado! como sofreu
Gordinho e desajeitado
Foi subindo os patamares
Muito tr�mulo e preocupado

Sua maior preocupa��o
Era enfrentar a plat�ia
E devia estar xingando
Quem tivera aquela id�ia

Escalada complicada
Mal dizia tanto estudo
Temia um desequil�brio
Despencar com Santa e tudo

Passou dias tenebrosos
J� n�o dormia direito
Ficava horas inteiras
Pensando a esse respeito

Finalmente chega o dia
Da grande coroa��o
Teatro todo repleto
Com gente pelo ladr�o

Os padres anunciaram:
� Melhor nota do Admiss�o
Vai agora at� a Virgem
Fazer sua coroa��o!

Sob aplausos l� foi ele
Vencendo os patamares
E chegar at� o topo
Sem ningu�m ir pelos ares

O pobrezinho tremia
E a Santa balan�ava
De repente ele vibrou
Pois no alto j� se encontrava

Mas a opera��o da volta
N�o foi f�cil. Ele tremeu
Por um movimento brusco
A coroa estremeceu

Deslizou altar abaixo
Vindo bater c� no ch�o
E o Ivan muito enfezado
Com tamanha confus�o

Com raiva do jesu�ta
Culpado pelo incidente
Viva o Marqu�s de Pombal
Quase grita de repente

� N�o foi ele quem expulsou
Os jesu�tas do Brasil?
Mas ao Ivan s� restava
Dar uma de varonil

E bisar a escalada
Dessa vez mais devagar
E com toda precis�o
Sua Virgem coroar

Com o retorno tranq�ilo
Patamar por patamar
J� no ch�o foi taxativo
Nunca mais vou coroar.

agosto/2003

SANTO IN�CIO
45 ANOS

um grupo* de antigos-alunos de 1958 visitou o CSI no dia 13/jul; passearam pelo col�gio; recordaram os �velhos tempos�; na mesma sala em que a Turma de 1958 passou o �ltimo ano de Santo In�cio, Oswaldo Barbosa Pereira (1958) leu o seguinte texto:

FUNDADOR, �S IN�CIO E GENERAL
DESTA COMPANHIA REAL
O uniforme novo, de um cinzento estranho, em 1951 foi a primeira vez que o vi...
Que saudade!
Meus primeiros e incertos passos na imensid�o dos corredores, que cheiravam a uma tradi��o que eu n�o podia sequer entender.
Dentro do sil�ncio imposto, march�vamos em longas filas por este ch�o, cujo desenho ficou para sempre marcado na minha mem�ria.
Primeiros dias na vetusta pris�o secular, com o fantasma das sabatinas assombrando meus sonhos de menino; o pavor de ficar retido, e enfrentar os pais que, montados em sua ira paterna, tinham que vir nos buscar depois da hora.
Ent�o, aflorava suprema a figura tem�vel de um homem de insuspeitado cora��o de ouro, cuja voz ecoada ao longe no v�cuo dos corredores, ou a simples men��o do nome, fazia gelar nosso sangue moleque: Arlindo Barreto, que Deus o tenha.
DESTA COMPANHIA REAL
QUE JESUS COM SEU NOME ASSINALOU
Os meses foram-se confundindo nos anos, e depois do primeiro, j� �ramos �veteranos� imberbes, descobrindo aos poucos o tesouro que nos estava sendo entregue pelas serenas m�os daqueles que nos ensinavam, corrigiam, disciplinavam, aturavam e, com abnegada dedica��o, nos moldavam.
As �rvores do recreio foram ficando amigas; o escudo colado no peito do uniforme come�ou a colar-se tamb�m no cora��o.
E, nele, filtrava-se lentamente o amor por este casar�o, ao mesmo tempo que o conhecimento entrava pelos ouvidos e pelos olhos.
De repente, as cal�as ficaram compridas, a voz engrossou e o incipiente bu�o foi triturado pelo primeiro barbeador el�trico.
Acontecia o rubor da primeira paix�o, nas saias do Jacobina ou do Sacr� Coeur.
Como uma ventania inesperada, fomos apanhados pelo reboli�o da adolesc�ncia, de todos os seus mist�rios e revela��es.
Foi aqui, que a vivemos.
A LEGI�O DE LOIOLA, COM FIEL CORA��O,
SEM TEMOR ERGUE A CRUZ IMORTAL
Meu querido col�gio.
Quando, h� 45 anos dissemos adeus, t�nhamos entre 17 e 18 anos � �ramos autoproclamados donos do mundo.
GAUDEAMOS IGITUR JUVENES DUM SUMUS � o d�stico da Universidade de Heidelberg. Alegremo-nos, pois, enquanto somos jovens.
E, cegos pelo ardor do brilho da juventude, fomos embora quase sem perceber o formid�vel esteio moral, c�vico e human�stico que voc�, meu querido SANTO IN�CIO, atrav�s de seus s�bios de infinita paci�ncia, nos inoculou irremediavelmente.
Mas hoje, minha ALMA MATER, como os americanos t�o inspiradamen-te chamam suas escolas secund�rias, minha ALMA M�E, hoje aqui viemos n�s, os que aqui est�o e os que j� se foram, dizer o que n�o foi dito, render nossa homenagem, beijar sua m�o, aconchegarmo-nos no seu seio e regozijar na amizade e na lembran�a que aqui nos trouxeram neste dia 13 de julho de 2003.
AD MAIOREM DEI GLORIAM

Oswaldo Barbosa Pereira (58)

* no grupo: Gustavo Miguez de Mello; Jeronymo Martiniano Lima Rocha Figueira de Mello e esposa; Jo�o Carlos Faveret Porto e esposa; Jo�o Lizardo Rodrigues Hermes de Araujo e esposa; Jos� Bueno Carneiro Novaes; Jos� Carlos Fialho Rodrigues e esposa; Jos� Corr�a da Silva e esposa; Jos� Ribeiro de Castro Neto; Jos� Ricardo de Oliveira e esposa; J�rio Salgado Gama Filho e esposa; Juan Ramon Itiber� Bernadez e esposa; Mauro Jos� Ferraz Lopes e esposa; Ney Garcia da Costa e esposa; Oswaldo Barbosa Pereira e esposa; Paulo Rodolfo Pellicano; Pedro Paulo Soares Souza Carmo; Roberto Jos� Torres Neves Os�rio; Roberto Ribeiro Gomes Lima; Wilson Salazar Filho e esposa.

setembro/2003

UMA NOITE NA NOSSA HIST�RIA
Renan Feghali (1975)

A Missa do Centen�rio do Col�gio Santo In�cio foi uma noite com o sentido do tempo. Maria Cec�lia Fortunatto e eu fomos os bem-aventurados da Gera��o 75 presentes a partilhar na prociss�o da entrada, com outros ex-alunos, a honrosa bandeira dos anos 70. Estandartes dos anos 40 aos 90. O p�tio central, como jamais vira, estava democraticamente liberado e iluminado para a cerim�nia, com centenas de cadeiras sobre os jardins para a plat�ia. O altar elevado ao fundo, de costas para o anfiteatro, ladeado por um coral de crian�as do CSI e por um tel�o, com os corredores laterais at� o terceiro andar lotados de ex-alunos, alunos, familiares e professores, compunha uma Igreja em proje��o para os C�us. Que devem ter ouvido nos sas preces, garantindo um clima aben�oado, quase frio e sem chuva, tempo de encomenda para o dia de In�cio de Loyola. Nossos interlocutores na homenagem, os padres que lideraram a cerim�nia cantada e musicada, foram o Arcebispo do Rio de Janeiro, os padres representantes dos Jesu�tas e dos col�gios �co-irm�os� de S�o Bento, S�o Vicente e Santo Agostinho. As santas autoridades conferiram import�ncia ao evento, a emo��o maior foi rever os ex-reitores, e os Padres Klein, Justo, e Henrique que marcaram nossa turma, do prim�rio � formatura. (saudade do Pe. Paco) O ponto alto foi o inesquec�vel serm�o de Dom Euz�bio. Confessou a sua franca admira��o pelo papel dos jesu�tas na educa��o e forma��o dos crist�os. A partir de um censo r�pido entre os padres co-celebrantes, membros de outras congrega��es, o Arcebispo identificou que quase todos foram ex-alunos dos jesu�tas, � �nica exce��o de si mesmo. Penitenciou-se, afirmando-se estudioso e devoto dos Exerc�cios Espirituais de Santo In�cio, que a todos recomendou como uma apostila e gram�tica de f�. No Semin�rio fora aluno de padres.jesu�tas, especialmente de Filosofia. A esses devia sua forma��o �plat�nica�, n�o aristot�lica, traindo sua vis�o iluminista da religi�o. Apesar de debater no p�lpito contra os enciclo-pedistas franceses, a defender a universalidade e humanidade do sentimento religioso. Dos professores jesu�tas que tive-ra - �todos grandes personalidades, n�o importa se bom didatas ou n�o� -, pode depurar o estilo de educa��o dos inacianos, resumindo em tr�s caracter�sticas principais. A primeira, a preocupa��o em liberar e saber cultivar em cada ser humano o seu dom, a sua voca��o maior, que se n�o bem cuidada e apoiada, n�o ter� chance de germinar e crescer para o bem da sociedade e da gl�ria de Deus; em seguida, a do sentido social e comunit�rio de pensamento dos jesu�tas; e completando, da for�a e pr�tica de sua f�. Uma pedagogia crist� voltada ao mesmo tempo para o indiv�duo, a sociedade e a espiritualidade. Ou, visto pelo nosso lado de alunos e pais, a educa��o sob o compromisso da combina��o de modernidade, humanismo e religiosidade. Sem d�vida esse � o legado e a marca da nossa forma��o no Santo In�cio, que nos guiam pela vida. Foi uma missa bonita e longa, n�o se sentiu o tempo passar. O senso da hist�ria abriu uma pausa no tempo. Fechou a noite a mensagem do Superior da Ordem dos Jesu�tas do Rio. Ap�s rever o papel sempre mission�rio dos Jesu�tas na hist�ria do pa�s, de Manuel da N�brega e Anchieta ao antigo Col�gio do Morro do Castelo, da expuls�o em 1753 ao retorno dos Jesu�tas no S�culo XIX, culminando com a reabertura do Col�gio Santo In�cio e a funda��o da PUC pelo Pe. Leonel Franca, pediu o apoio da sociedade ao trabalho dos religiosos e educadores inacianos, face o n�mero insuficiente de membros da Companhia de Jesus. E expressou os votos de que o trabalho do Col�gio, e de seus alunos e ex-alunos, possam contribuir para uma sociedade brasileira mais inclusiva e constru�da no Amor.
Am�m.

setembro/2003

A sopa acabou em 74
Alexandre Carlos Pinheiro Fernandes(Xandu) -1974

Para um menino de dez anos, sair do sub�rbio para estudar na Zona Sul da cidade j� seria uma aventura e tanto. Certamente eu n�o tinha uma perfeita no��o do que aquilo representava. Ao transpor o port�o do 226 da S�o Clemente pela primeira vez, para a prova de sele��o, tudo era surpreendente. A magn�fica arquitetura, contudo, em breve pareceria menor diante do esp�rito e do legado daquele local. Um entusiasta colega de trabalho do meu pai dizia que eu teria o melhor ensino do Rio de Janeiro e um dos melhores do Brasil. Aos poucos fui entendendo o verdadeiro significado daqueles quadros de fotografias que eu via pelos corredores e fui compreendendo que se iniciava uma nova fase da minha vida.
Nos primeiros dias de aula, fui obrigado, ap�s algumas tentativas frustradas de localiza��o de onde eu morava, � op��o pelo vizinho mais famoso, o M�ier. Ajudou-me o fato da ent�o recente inaugura��o de um dos primeiros Shoppings Centers do Rio e do primeiro tobog� da cidade, moda entre os jovens da �poca. Os novos colegas jamais haviam escutado falar no meu bairro, Del Castilho (lembro do dia em que o Ab�lio Aranha, grande parceiro, emprestou o som para uma festa que eu organizei e fez quest�o de ir at� l�, com a coragem de verdadeiro desbravador do final da d�cada de 60).
O que poderia ser discriminat�rio, especialmente pela famosa e ainda t�o atual diferen�a social, acabou se transformando numa refer�ncia positiva. Contribu� com o meu jeito comunicativo e em breve a comunidade adotava aquele esp�cime raro de al�m t�nel (Penso que �ramos tr�s. O introspectivo Jair de Freitas morava no Jacar�, por coincid�ncia oriundo do Col�gio Brasileiro de S�o Crist�v�o tamb�m, e o s�rio Antonini vinha da Tijuca, reduto de fam�lias tradicionais naqueles tempos).
Um personagem do livro �Alexandre e outros her�is� (Graciliano Ramos) completou o quadro, batizando-me de �Xandu�, apelido conhecido nos quatro cantos da escola e que me acompanha at� hoje, �s vezes mesmo em fam�lia.
In�meras lembran�as dos nove anos que percorri at� o vestibular. Passam pe-la impon�ncia do Cegalla e do Jacques Chambriard; a descontra��o do Pedro Paulo e do Cinelli; o �flanatismo� mais do que sadio das segundas-feiras do Motta; a malha��o exacerbada com o Lincoln Brucutu; a rigidez disfar�ada do Renato Magno de Ara�jo; a vigil�ncia maternal da Blandina; a orienta��o tranq�ila do Padre Glauco, Barbosinha at� hoje; as professoras, algumas objeto de desejo outras de caricatura (a bolsa de apostas de �Olha aquiiiii�); a inspe��o do Wilson (depois do M�ller ele aprendeu que a bexiga n�o � t�o el�stica assim) sempre de �culos de policial, do �Zezinho� com rigor e bastante paci�ncia, al�m do boa pra�a �Quenqu�m�; a t�o esperada e gratificante presen�a das meninas a partir do Segundo Grau; os papos sobre Hist�ria do Brasil e OSPB com a Rachel de Queiroz, tia do Fl�vio Salek; e, especialmente, a camaradagem entre todos, apesar de uma e outra natural diverg�ncia resolvida no recreio ou de forma mais extremada �na Mariana�.
A caminho de casa, tamb�m era na rua Dona Mariana onde eu batia de porta em porta nas Embaixadas para pedir envelopes de correspond�ncia. A expectativa maior ficava por conta da Embaixada da antiga Uni�o Sovi�tica, a �nica cujo acesso era vedado e que dispunha de port�o autom�tico com �olho m�gico�. Em plena ditadura, � prov�vel que eu tenha sido seguido alguma vez como mensageiro dos comunistas. Ainda mais despistando ao pegar dois �nibus e demorando quase duas horas para chegar a um �aparelho� t�o longe. Se n�o fui, fazia de conta. Em casa eu retirava cuidadosamente os selos com a ajuda do vapor da chaleira, guardando-os meticulosamente em um �lbum que me permitia viajar pelo mundo em cada estampa.
O eterno risco das cita��es � a injusti�a. Considerem-se, portanto, todos lembrados. Por�m, julgo interessante citar a permanente disputa no boletim entre o Quintanilha e o Fischer, ambos sem perfil de g�nio e praticantes de bom futebol; as piadas e as m�sicas do Tarabini, sempre homenageando os mestres (Professor Cinelli � um cara legal...); a refinada categoria do futebol do Bruno �Pinel � Milone (e saudades do Pedro Henrique Cabral Rumy, grande craque e colega que partiu t�o cedo...), incompreensivelmente torcedor do Am�rica (ali�s, s� me lembro de um vasca�no dentre quase 250 alunos, o David Pinto Loja Sobrinho, o �Bacalhau�, tripudiado o tempo todo por rubro-negros, tricolores e botafoguenses); os acessos de riso do David Asfour; o inconstante humor do Malcher, sempre armado do seu com-passo; a paci�ncia, ou melhor, a resist�ncia do Chamoun �s espetadas; o in�cio da loteria com o �Bol�o Macaco� do Felizardo; o pavio curto e o giz certeiro do Marcelo Sert�; o piano do Pantoja e do Brand�o; o viol�o do �Albuca� (que surpresa o Pedro Paulo Magalh�es e o Pessanha se apresentando num conjunto no programa do J� outro dia); a voz e as confus�es do Par�; as cuspidas �com efeito� (foi mal, �Calica�); as disputad�ssimas partidas do violento futebol �chapal �, jogado de sapato no p�tio interno; o campeonato �A sopa vai acabar �, brilhantemente vencido pela insuper�vel 4� Turma(que privil�gio ter sido um reserva participante) numa sensacional final contra o time dos professores; tantos outros registros, dentro e fora de sala de aula, em Correias(o hist�rico jogo Brasil x Inglaterra na Copa de 70, que algu�m nos obrigou a escutar no radinho de pilha dentro do �nibus, com toda a interfer�ncia da serra, porque o hor�rio da viagem teve que ser cumprido) ou em Santa B�rbara(o c�lebre caso do vinho), que essas poucas linhas ou o bom senso impedem descrever.
Teremos sempre conosco o mais importante: a forma��o diferenciada que nos distingue. Nossos n�meros n�o s�o not�veis como os do Simonsen, do Malan ou do Arm�nio; nossos poemas e m�sicas jamais ser�o comparados �s obras do Vin�cius, do Cazuza, do Edu Lobo e do Nelson Motta; nossos filmes e textos n�o ter�o a qualidade da assinatura do Jabor; nem estamos todo dia na telinha como o Bial. Interessante que tenhamos todos freq�entado as mesmas salas e corredores. Muita honra para n�s e para eles. O espa�o da notoriedade, reconhecidamente restrito, requer muito talento e bastante sorte. E o anonimato, esse ambiente mais democr�tico e plebeu, al�m de ter suas vantagens, nunca � total para os inacianos.
A cada ano o nosso tempo est� ficando mais curto e precisamos nos ver com mais freq��ncia, pois de dez em dez anos tem sido pouco.
Desde o ano passado, curiosamente, ajudei na articula��o do lan�amento do Selo do Centen�rio do CSI sem perceber que iria guard�-lo junto com os conseguidos nas Embaixadas. A viagem agora � ao passado, quando �ramos muito mais felizes do que parecia.
Quando tenho oportunidade sempre fa�o uma an�nima visita e, em cada passo, cada espa�o transfere a energia de uma lembran�a.
A sopa acabou em 74. Valeu demais rapaziada.
Obrigado por tudo, Santo In�cio.

outubro/2003
aconteceu
e Ivo Pontes Torres Filho (75) registrou,
fez uma reflex�o
e, sutilmente,
um hino de amor

NO OLHO DO FURAC�O
DE FRENTE PARA A VIDA
Ivo Pontes Torres Filho (75)*

Excetuando os temporais de ver�o e uma ou outra ressaca mais forte, poucas vezes tive a oportunidade de presenciar algum evento clim�tico importante. Entretanto, desde minha vinda para a cidade de Richmond, estado da Virg�nia, Estados Unidos, venho acumulando novas experi�ncias. Ap�s sucessivas nevascas, a mais recente foi a passagem do furac�o Isabel. O centro do furac�o passou precisamente sobre Richmond, na noite da �ltima quinta-feira, culminando uma semana de intensa expectativa. Por toda a cidade e nos estados vizinhos, todos acompanh�vamos as previs�es de rota do furac�o, a evolu��o da velocidade dos ventos, o deslocamento for�ado de centenas de milhares de pessoas.
Apesar de a for�a dos ventos ter diminu�do em compara��o �quela pr�xima ao litoral, vivemos uma noite tensa na quinta-feira, com rajadas de at� 120 km/h. O fornecimento de �gua foi interrompido. Uma explos�o n�o muito distante � nossa casa assinalou a perda de energia el�trica para tamb�m todas as casas ao redor. Minha mulher e eu ouv�amos (e, �s vezes, v�amos) grandes ramos de �rvores estalando e caindo. Sirenes tocavam � dist�ncia. Era uma tempestade diferente, com muita chuva mas sem trovoadas, rel�mpagos ou raios.
A manh� seguinte (como por vezes apresentada em filmes ou romances) foi de um lindo c�u azul, sol brilhando, como se nada houvesse acontecido horas atr�s. As pessoas (como os animais e os p�ssaros) sa�am pouco a pouco, desconfiados, para verificar como estava o mundo...
Embora nossa casa n�o tenha sofrido nenhum dano importante, infelizmente, os estragos pela cidade foram maiores do que suspeit�vamos. Em todas as ruas que passamos (e foram muitas) era poss�vel encontrar pelo menos uma �rvore ca�da: quebrada ou arrancada do solo. Muitas tombaram sobre fios de alta tens�o e algumas sobre carros e casas. A maior parte da cidade ficou (e grande parte ainda permanece) sem �gua e sem energia el�trica. Um inc�ndio em um grande restaurante pr�ximo consumiu o estabelecimento at� o fim porque os bombeiros n�o puderam ter acesso a nenhuma fonte de �gua funcionante. Hoje, cinco dias ap�s a passagem do furac�o, continuamos sem energia el�trica em nossa casa (apenas a �gua foi restabelecida, dois dias atr�s).
Impressionante ver como, em pleno s�culo XXI, continuamos relativamente impotentes diante das chamadas �for�as da Natureza�. Importante sentir a solidariedade que une as pessoas na reconstru��o do seu derredor e de sua cidade. Inesquec�vel saber que o amor � sempre a maior for�a - como o amor que minha mulher e eu confirmamos um ao outro, � luz de velas, naquela noite. E nem era sonho de uma noite de ver�o.

* Ivo Pontes Torres Filho � antigo-aluno de 1975 e reside com sua esposa em Richmond, EUA, trabalhando como �Associate Professor of Physiology and Anesthesiology� na �Virginia Common-wealth University�.

dezembro/2003

VINICIUS, MEU IRM�O
Laetitia Cruz de Moraes
in Coutinho, Afr�nio (org.) Vin�cius de Moraes - Obra Po�tica. Rio de Janeiro. Jos� Aguilar Editora, 1968.

Terminada a escola prim�ria, Vinicius, apesar de n�o ter ainda a idade regulamentar, entrou para o Col�gio Santo In�cio, em Botafogo. (...)
A primeira coisa que fez ao ingressar no Col�gio e assistir � primeira missa foi oferecer-se para cantar no coro da igreja.
N�o contou nada em casa. Soubemos do epis�dio mais tarde, ao distinguir minha av�, durante a missa, sua voz entre os solistas do coro e indagar do Reitor como Vinicius ali chegara. - �Ele se apresentou ao padre�, contou o Reitor, �e disse que tinha muito boa voz e queria cantar tamb�m.� (...)
Al�m de membro do coro da igreja, jogava na linha do time de futebol do col�gio, competia em todos os jogos esportivos das festas colegiais e participava, primeiro como coadjuvante e mais tarde como ator principal, das pe�as, quadros religiosos e sketches representados - enfim de todas as atividades das festas de fim de ano do Santo In�cio. (...) Vejo, particularmente, Vinicius ganhando corridas de tr�s p�s, salto em altura e corrida rasa. (...)
A parte noturna das festividades compreendia a distribui��o de pr�mios e men��es honrosos aos alunos de todas as mat�rias de todos os anos do gin�sio. H� de se ver que a lista era intermin�vel e a voz do padre que lia o rol dos nomes, t�o mon�tona, que vov� Nen�m, sempre nossa acompanhante �s festas, cochilava escandalosamente, murmurando a cada vez que acordava: - �Que xaropada!� E era mesmo.
(...) Vinicius tamb�m era citado. Ganhou muita medalha e men��o honrosa em Portugu�s, Hist�ria, Ci�ncias, L�nguas. Nunca em Matem�tica.
O melhor, para mim, eram, no entanto, as representa��es, pois Vinicius aparecia virtualmente em todas. Exatamente como hoje. Nas primeiras festividades de que participou fez, por exemplo, doze n�meros diferentes, em que se inclu�am v�rias can�onetas, uma das quais �O Mafu�. Ai, o Mafu� foi um fracasso, pois o ator estreante, tantos os n�meros a decorar, sofreu moment�neo lapso de mem�ria e foi preciso que a orquestra lhe desse tr�s �entradas�, e o �ponto� soprasse forte, para que ele engrenasse na can�oneta sensaborona, que come�ava assim: Ah. o mafu�. coisa melhor n�o h�... (...)
Rememorando, vejo essas festas como as mais cacetes do mundo, com seus �quadros� de mart�rios de santos, pe�as religiosas com nomes impressionantes, como O Mart�rio de S�o Louren�o. Achei-as lindas, na �poca, e ainda hoje, apesar do que me dizem os padr�es m�nimos de bom gosto que vim a adotar, enternecem-me profundamente.
H� que mencionar aqui a Grande Revolta de um grupo de alunos do quinto ano, encabe�ados por Vinicius, Renato Pomp�ia da Fonseca Guimar�es e Moacyr Velloso Cardoso de Oliveira, na festa de encerramento do curso. N�o sei por que artes, haviam conseguido arrancar do Padre Reitor, meio receoso, a autoriza��o de encenarem a pe�a que haviam escrito e seria surpresa. Posteriormente, e temendo que a surpresa fosse maior do que convinha � presen�a ilustre do Cardeal � festa, foi-lhes retirada a permiss�o, sendo-lhes entregue para ensaio um dos dramalh�es habituais. Passaram os rapazes a realizar abertamente os ensaios da pe�a oficial e, �s escondidas, os da outra que se chamava: O Bilhete de Loteria.
Na noite da festa, quando se anunciou do palco que a pe�a seria O Bilhete de Loteria, os padres quase desmaiaram e, n�o fosse a presen�a do Cardeal, teriam certamente tomado alguma provid�ncia dr�stica.
A princ�pio, assistiram inquietos � pe�a in�cua, por�m engra�ada, acabando por se divertirem a valer com as �piadas� e a atualidade da com�dia, totalmente escrita e encenada por Vinicius, Renato e Moacyr, que tamb�m nela representaram, juntamente com outros estudantes em pap�is secund�rios.
O que sei � que foi aquela a primeira vez que a assist�ncia aplaudiu com calor uma representa��o no Col�gio. (...) Nesse tempo fez Vinicius o primeiro desenho animado que vi na minha vida. Se foi arte dele ou aprendida de algu�m, n�o sei. Para mim, antecipou-se a Walt Disney em muitos anos. (...) fazia uma s�rie de desenhos em tiras iguais de papel, em que um homem, por exemplo, aparecia primeiro em p� numa ponte, depois inclinado para a frente, a seguir no ar, a cabe�a apontando para baixo, e finalmente mergulhando na �gua. (...) Vinicius fazia-os se desenrolarem rapidamente, de modo que a seq��ncia de gestos era vista como um movimento s�. (...)
Vinicius estaria, talvez, no seu segundo ano ginasial quando se lan�ou a duas grandes empreitadas. A primeira, a organiza��o de uma �quadrilha� com sede no por�o da casa. (...) Na primeira reuni�o da quadrilha sentamo-nos, em c�rculo, sobre paralelep�pedos arranjados sabe Deus onde e fumamos uma esp�cie de cigarro da paz, feito de papel de embrulho e folhas secas de goiabeira. Os estatutos, como de praxe em casos id�nticos, foram assinados com sangue e a pena m�nima para quem quebrasse o segredo era A MORTE.
Vinicius, como sempre, era o Chefe e respondia pela alcunha de �Bra�o de A�o�. (...) O fim da quadrilha era, evidentemente, o roubo. E este o pratic�vamos com o benepl�cito da fam�lia, que achava gra�a em ver-nos. esgueirar pelos corredores �sem sermos vistos� e apanhar as moedas que, de prop�sito, largavam sobre os m�veis. Com o produto do �crime� �amos ao cinema, �s quintas-feiras, e, del�cia das del�cias, tom�vamos sorvete de casquinha. (...)
A segunda empreitada foi a feitura de um romance de mist�rio. (...) O que dele houve foi bem aceito pelo p�blico, resumido mas seleto: o Helius. (...)
Tenho a impress�o que, dos doze aos quatorze anos, Vinicius brigou na esquina, todos os dias �teis, como se assinasse um ponto. Deve ter sa�do sempre vencedor, pois n�o me recordo de t�-lo visto entrar de nariz sangrando ou roupa rasgada. O cabelo, sim, voltava arrepiado, mas como fosse esta sua condi��o permanente, ningu�m reparava.
Ao atingir 14 anos, Vinicius ficou semi-interno no Santo In�cio, o que garantia suas horas de estudo e a prepara��o das li��es do dia seguinte. Ficava assim com as noites livres e era praticamente imposs�vel ret�-lo em casa. (...) Creio que, na �poca, ensaiava namoricos com as meninas da rua. Como sempre foi �moita� nestas quest�es, n�o soube nunca quem eram, a n�o ser talvez uma mulatinha sapeca por quem ele se ensarilhou particularmente e que lhe fazia �figa� passeando com outro garoto defronte da casa, toda vez que brigavam.
(...) Vinicius, j� no �ltimo ano ginasial, vestido de branco e componente do pequeno conjunto musical de Paulo e Haroldo Tapajoz. Comp�s, nessa �poca, letras - que iam desde o desespero m�ximo daquela em que declarava: �Eu sou um incompreendido, n�o tenho amor nem ideal no mundo�, at� a deslavada declara��o de amor a todas as mulheres, de �Loura ou morena�, m�sica que fez sucesso na �poca e teve um breve per�odo de ressurrei��o h� uns dez anos atr�s.
(...)
FACULDADE DE DIREITO
OS GRANDES AMIGOS
Terminado o gin�sio, e para que fic�ssemos todos juntos, em princ�pio de 1929 mudaram-se meus pais da Ilha do Governador para a G�vea, desta vez para o antigo 110 da Rua Lopes Quintas, ao lado da casa onde nasceu Vinicius, e tamb�m de propriedade de nosso av� paterno.
Nesse mesmo ano, ingressou Vinicius na Faculdade de Direito, do Catete, n�o tanto por voca��o � causa da lei e da justi�a quanto para acompanhar os seus amigos queridos do gin�sio - Renato Pomp�ia da Fonseca Guimar�es e Moacyr Velloso Cardoso de Oliveira - que haviam escolhido a carreira.

Hosted by www.Geocities.ws

1