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março/2002
Roberto Rodrigues de Vasconcellos
ex-aluno de 1977 *

Esta est�ria (que pra mim f�z hist�ria) aconteceu l� pelos idos de 1973, quando ent�o curs�vamos a 3� S�rie Ginasial (hoje 7� s�rie).
Em nossa turma havia um grande amigo, S�rgio Luiz (n�o me lembro agora o sobrenome), muito querido por todos, igualmente falante e comunicativo, que ocupava a posi��o de goleiro do time da turma, fun��o, ali�s, que exercia de modo e forma espetaculares, posto que se consubstanciava em verdadeiro "aranha negra", n�o se intimidando com chutes fortes ou mesmo com as "sa�das" que tivesse que realizar aos p�s dos atacantes advers�rios (n�o sei o porque dos cronistas esportivos de hoje chamarem advers�rios de "inimigos"), sendo de sua autoria um dos maiores "v�os" que j� presenciei serem dados por um goleiro, salvador de uma bola certeira e chutada "na veia", cujo destino seria o �ngulo exato da baliza, n�o fosse ela interceptada pelo "nosso" S�rgio Luiz.
Pois bem, havia ainda um detalhe: o referido guarda metas somente se comparava em "goleirice" � sua tamb�m protuberante e avantajada magreza, tendo por isso recebido o apelido carinhoso de "tripinha". (Confesso que fui um dos signat�rios de tal inspira��o)
Mas o "tripa" n�o ligava n�o. Ao contr�rio, recebia o codinome com simpatia, at� porque, se por um lado era menino de baixa estatura e muito magrinho, por outro se tornava um verdadeiro gigante sob o gol, gozando, pois, de todo prest�gio que os bons jogadores angariam, sejam eles do jeito que forem. Assim, longe de se tornar pejorativo, "tripinha" era sin�nimo de amizade e camaradagem.
Devidamente apresentado o protagonista, vamos aos fatos:
final de campeonato da 7.a S�rie; sab�amos que nosso time era pior, mas tinha "tripinha" sob as traves. Isso era meio caminho andado.
Do outro lado havia o "Chic�o" (Francisco Oiticica), forte e espada�do, segundo melhor goleiro do Col�gio (o primeiro era o Renha, uma ou duas s�ries mais adiantado que n�s, goal-keeper da sele��o do Santo In�cio na �poca, de quem "Chic�o" era reserva parelho).
Come�a o jogo, bola pra c�, bola pra l�, corre, cai, falta, chuta, defende aqui, lan�a, mata no peito, bate, defende ali, zero a zero no tempo regulamentar. Disputa de penaltis, 4 x 4, batemos o 5� pr���� foooora!! (coitado do Henrique, lembro-me dele at� hoje chorando copiosamente pelo erro cometido).
Seq�enciam-se os fatos:
CENA 1: "Tripinha" no gol, levemente agachado, bra�os abertos como que querendo tocar as traves, express�o sisuda, sobrancelhas em "V", meneando o corpo levemente de um lado para o outro. (Goleir�o aquele!!)
CENA 2: "Chic�o" a uns 20 metros da bola colocada "na marca" (este penalti era dele, o 5.o e �ltimo do jogo, o decisivo, o mais importante, f�z ganhou, perdeu bye bye, ent�o p�e o Chic�o" pr� bater ).
CENA 3: Sil�ncio sepulcral. "Chic�o" esfrega o p� direito no ch�o de terra (chuteira 41 j� naquela �poca) e corre pr� bola cheio de um "touro" de meter medo. O chute sai um petardo, um cometa, bola cuspindo fogo na dire��o do meio do gol. Naquela fra��o de segundos pode-se ouvir um "Ahhh" de exclama��o geral, misturada ao contentamento de nosso time face � trajet�ria da redonda diretamente em dire��o ao "tripa", que estava l� embaixo, esperando por elazinha. "Chic�o" bateu mal, muito mal... �amos empatar, depois ganhar, enfim... ser�amos os campe�es!!
CENA 4: "Tripinha" d� um salto pr� frente e encaixa o petardo, agarrando o "objeto do desejo" de todos n�s junto ao peito... instante de felicidade... de gl�ria... mas PERA�!!!, a "paulada" foi centrada, bem no meio do gol, mas muito, muito forte, forte "pra burro", e o "tripa" � s� goleiro, � s� menino, e foi pr� dentro do gol abra�ado � "traidora", l� caindo sentado.
CENA 5: COMO��O GERAL !!
Passado o momento de frustra��o pela derrota, nos dirigimos, um a um, em dire��o ao "tripa", o qual, acuado e triste, recebeu de n�s um longo abra�o de reconhecimento por sua valentia.
Perdemos o jogo. Ganhamos tudo. Choramos juntos. Nos sentimos amigos. Nos sentimos grandes como agora, passados mais de 25 anos, ainda posso sentir o quanto.
O Santo In�cio me deu este momento e muitos outros mais. Influenciou direta e fundamentalmente a minha vida, direcionando valores que conservo e conservarei bem vivos, dure eu o tempo que durar.
Hoje, ao levar minha filha Mariana (1.� S�rie) ao "nosso" Col�gio, vou com ela e atrav�s dela de volta �s salas de aula, aos lugares de "minha �poca" e principalmente a rever pessoas que l� ainda est�o at� hoje, quer sejam padres, diretores, professores ou inspetores, que de mim tamb�m se lembram e cumprimentam com id�ntico carinho.
* Roberto Rodrigues de Vasconcellos � ex-aluno da Turma de 1977 e ex-lateral direito do time

maio/2002

LEMBRAN�AS
Max Alvim (1940/1944)

Fui aluno deste importante educand�rio a partir de agosto de 1940, oriundo da antiga �Escola Alem�, hoje Col�gio Cruzeiro, onde realizei o prim�rio.
O fato daquela escola, na �poca, n�o ser oficializada, implicou na minha transfer�ncia para cumprir o que cham�vamos de Exame de Admiss�o ao Gin�sio.
A minha base era t�o boa que passei logo para o gin�sio em dezembro daquele ano.
Conclu� a nova etapa em dezembro de 1944, quando me decidi pela carreira militar, especificamente na Aeron�utica, tendo sido declarado Aspirante a Oficial Aviador em 14 de outubro de 1949, no lend�rio �Campo dos Afonsos�.
Tive outros colegas de turma que seguiram o mesmo caminho: Martins Costa, D�ria Leuzinger, Gilberto Teixeira e Carlos Arcoverde de Freitas Almeida, este no Ex�rcito.
No meu tempo, no CSI, era Reitor o Pade Alonso e o Prefeito, o not�vel Padre Coelho.
Entre os Professores, destacaria o Padre Ach�tegui e o Padre Chabassus.
Lembro-me com saudade daqueles tempos de disciplina r�gida mas grande esp�rito de camaradagem.
Terminei minha atividade quarenta e um anos ap�s, em 1987, no posto de Major Brigadeiro, com muita honra e a plena satisfa��o do dever cumprido.

junho/2002

PADRE GIL MACHADO
Mozar Costa de Oliveira (1940)

O Padre Gil Correia Machado S.J. foi meu diretor espiritual no internato �Aloisianum�, na Rua Bambina 115, Botafogo. Foram cerca de dois anos, no final dos anos 40, in�cio da era 50. �ramos cerca de 40 internos, com idades entre 11 e 17 anos. Ele era o padre espiritual de todos n�s, vivendo sob o mesmo teto. O diretor era o fundador mesmo da institui��o: Pe. Murillo Moutinho sj. que reside atualmente no Col�gio S�o Lu�s (S�o Paulo), com 98 anos completados no �ltimo dia 26 de abril. Havia um jesu�ta no est�gio de magist�rio (a estada ali variava de um a dois anos) e uns tr�s irm�os leigos, ent�o chamados de �coadjutores�. Sei os nomes de todos eles, sempre com recorda��es de saudades, felizes que foram aqueles anos.
Nas f�rias de julho e de ver�o, P.Gil nos acompanhava � fazenda �Santa B�rbara�, perto de Vassouras. A esta��o de trem era o lugarejo conhecido como �Sacra Fam�lia do Tingu�. Por toda a parte o P.Gil era o nosso amigo e conselheiro.
P.Gil era campineiro. Participou da Revolu��o Paulista de 1932, de cuja campanha contava muitas hist�rias, algumas divertidas como a de furto de galinhas que a soldadesca era incentivada a fazer com o nome de �desapertar uma galinha�, ali pelos arredores da tropa. Ele procurava mostrar-se sempre alegre e alegrando a vida dos outros, indiferentemente se meninos, jovens, adultos, homens ou mulheres. Para isso contava casos engra�ados ou historietas.
Para estas inventou dois personagens, um casal: Nh� Totico e Nh� Chica. E toda gente se ria das gra�as, e ele tamb�m. Muita vez, se chegava visita, e calhava, ele repetia o que j� sab�amos. Lembro de uma �passagem� do dito casal, como ele contava - l� iam eles a p� para a cidade, veio uma �tempestividade�, o rio subiu encobrindo a ponte e a corredeira era forte; tinham que atravessar e tentaram, mas Nh� Chica caiu n��gua e afundou; na gritaria muita gente foi corredeira abaixo para achar a mulher, e viram que Nh� Totico foi em sentido contr�rio, rio acima; chamaram-lhe para ajudar corredeira abaixo, mas ele gritou �n�o, conhe�o minha mulher, ela � muito teimosa�. Eram muitos e pitorescos os �causos�, com Nh� Chica ou sem ela, com Nh� Totico ou sem ele.
P.Gil gostava de m�sica. Tocava um pouco de violino e tinha uma cole��o enorme de m�sicas brasileiras de tend�ncia regional ou folcl�rica, a maioria de cunho religioso. �s vezes tinha tamb�m a partitura com a melodia, outras s� a letra. Era sobretudo nas f�rias (cerca de tr�s meses ao ano - em casa pass�vamos apenas uns vinte dias ao fim de ano e mais uns dez em julho), que ele e o �padre prefeito� (o jesu�ta no est�gio de magist�rio) organizavam os saraus noturnos, que tamb�m tinham o nome de �academia�, se n�o me engano. A� se cantava, declamava-se poesia e o P.Gil n�o s� fazia m�gicas como fazia teatrinho de bonecos de m�o (com habilidade de ventr�loquo) e cantava conosco, sobretudo ensinando-nos c�nticos que n�o sab�amos.
Tudo era simples e corria num ambiente de muita amizade entre os 40 internos, de respeito uns com os outros e de venera��o quase sagrada pelo P. Gil. Ele era bondoso, paciente, manso de cora��o, amante da simplicidade no modo de ser, estimulador das alegrias singelas.
Desde jovem parece ter sido �congregado mariano�, estilo de vida de leigo, muito antigo na forma��o dos jovens (cria��o jesu�tica j� de muitos s�culos). Ele bem conhecia e cuidava de cultivar o esp�rito mariano entre os que j� �ramos adolescentes, com reuni�es semanais da �Congrega��o Mariana�. Os menores eram da �Cruzada Eucar�stica�, tamb�m aos cuidados dele, padre espiritual de todos n�s.
Era especialmente devoto de �Nossa Senhora do Bom Conselho�, t�tulo mariano que sobremodo lhe fazia o gosto interior. Nossa Senhora era para ele �a nossa boa m�e�, qualidade carinhosa que repetia com muita freq��ncia, influenciando a piedade de muitos de n�s daquele tempo. Tinha tamb�m inclina��o especial pela personalidade de S�o Jo�o Bosco (salesiano e n�o jesu�ta), de quem contava passagens de vida com sabor todo seu.
Recordo-me de que gostava de contar as hist�rias de um jesu�ta mexicano, que parece ter sido morto numa revolu��o pelo fato de ser padre. Era o �Padre Pr�, sobre o qual h� escritos, que nunca li por�m. Seria um sacerdote divertido pelas perip�cias que tinha de inventar para n�o ser preso, e talvez por isso fazia bem o g�nero das alegrias simples do Padre Gil.
A sa�de do P. Gil era fraca, com uma asma persistente, que lhe causava por vezes dores de cabe�a bastante fortes, e nunca foi homem dotado de superiores dotes intelectuais. Humilde, contava hist�rias engra�adas de si pr�prio, na dificuldade (maior que a de outros colegas) encontrada nos estudos da Companhia de Jesus. Mais para pitorescamente divertir os outros, rindo de si pr�prio, do que por terem fundo inteiro de verdade hist�rica. Mostram a sua humildade, a sua verdade interna, a sua dedica��o aos outros, a sua alegria de viver a voca��o de sacerdote jesu�ta.
Termino contando dois epis�dios relativos � minha entrada na Companhia de Jesus e � minha sa�da. Entrei aos 17 e sa� aos 27 anos, ainda distante da ordena��o sacerdotal.
Eu terminara o 4.� ano ginasial e j� se discutia a mudan�a (logo ocorrida) sobre quando os jovens deviam entrar na vida religiosa. Ele defendia a id�ia de se entrar, como sempre ocorrera, logo depois do �gin�sio�. E dizia �primeiro garantir a entrada na Companhia, depois os outros estudos�. Note-se ali�s que, salvo engano, ele entrara um pouco mais maduro, advindo de uma �congrega��o mariana� dirigida em S�o Paulo por um jesu�ta no qual ele falava muito tamb�m - o Padre Cursino (n�o o conheci). Talvez porque estivera nas fileiras da revolu��o de 32. Isso mostra, a meu ver, o quanto interna e externamente estimava a vida de jesu�ta.
O outro epis�dio diz respeito � minha sa�da. Eu terminara os estudos de filosofia na Espanha e n�o estava nem espiritual nem emocionalmente adaptado.
Bem, pois eu encontrei o P. Gil no Col�gio Santo In�cio (fui a� professor de Latim e Espanhol entre agosto de 1959 e junho de 1960). N�o me recordo bem se ele estava trabalhando l� ou n�o. Disse-lhe, triste, que n�o sabia se ia poder continuar na vida religiosa. Trocamos algumas id�ias sobre o assunto, dei-lhe conta do que sentia, e logo pedi para ser mandado a tratamento psicoterap�utico em S�o Paulo. Quando fui despedir-me do P. Gil (que f�ra militar em 32), ele me disse textualmente o que segue. �Voc� vem fazendo tudo o que pode por sua voca��o; se tiver de sair, meu caro, passe antes na capela, bata contin�ncia e diga a Ele: �Chefe, miss�o cumprida!�.

julho/2002

Luiz Tarc�sio Ara�jo

Nasceu em 25/08/1937 em S�o Vicente de Minas-MG; filho de Luiz Ara�jo e Carmen Thimotti Ara�jo.
Batizado em 29/08/1937 na Par�quia de S�o Vicente Ferrer, em S�o Vicente de Minas-MG; crismado em 21/07/1940.
Ingressou na Companhia de Jesus em 23/02/1958 e fez noviciado na Vila Kostka - Itaici, em Indaiatuba-SP, com primeiros votos em 24/02/1960.
Cursou Filosofia na Faculdade Nossa Senhora Medianeira, em Nova Friburgo-RJ e trabalhou como Mestre (estudante jesu�ta) no Col�gio dos Jesu�tas (ent�o Col�gio Imaculada), em Juiz de Fora-MG.
Foi ordenado Di�cono em 7/09/1968, no Col�gio Cristo Rei, em S�o Leopoldo-RS.
Fez Teologia no Col�gio Cristo Rei, em S�o Leopoldo-RS.
Sagrado Presb�tero em 21/12/1968, em Andrel�ndia-MG, por D. Jos� Eug�nio Corr�a, Bispo da Diocese de Caratinga-MG.
Fez votos solenes em 15/08/1975 na Igreja do Col�gio S�o Lu�s, em S�o Paulo-SP.
Resumo da sua caminhada:
1970 a 1973: Col�gio dos Jesu�tas, Juiz de Fora-MG
1974 a 1976: Col�gio S�o Lu�s, S�o Paulo-SP
1977 a 1984: Col�gio Santo In�cio, Rio de Janeiro-RJ
1985 e 1986: Col�gio Loyola, Belo Horizonte-MG
1987 a 1983: Col�gio Anchieta, Nova Friburgo-RJ
1994 a 2002: Col�gio Santo In�cio, Rio de Janeiro-RJ
Faleceu em 9/06/2002 � Dia de Anchieta, no Rio de Janeiro-RJ.

veja foto 458 no site �fotos & recorda��es�

Mensagem a um amigo

�ramos jovens quando nos conhecemos.
A vida nos sorria descontra�da
quando faz�amos de nosso tempo brincadeiras
e dos sonhos realidades...
Ao cair da noite pens�vamos no alvorecer do amanh�,
em novas aventuras, sensa��es e fantasias...

A magia l�dica nos envolvia a todo instante
com o fasc�nio do velho casar�o do Anchieta:
seus corredores imensos, seus campos de esportes,
a silhueta verde das montanhas...

Houve um tempo em que a vida nos distanciou.
Seguimos por caminhos diversos...
No reencontro, os sorrisos j� n�o eram os mesmos:
as brincadeiras tornaram-se mais s�rias
e muitos sonhos se desvaneceram dispersos...

Foi a dureza das confid�ncias de tantas vidas;
o desgaste dos sentimentos embrutecidos,
as rugas que marcaram rostos de tantos amigos
e tiraram o brilho inocente dos olhos de quem foi crian�a!

Guardamos conosco os sonhos do velho casar�o
no abrigo seguro da saudade...
Outros fatos povoavam nossos amadurecidos anos:
a alegria dos amores que aben�oamos
os la�os que conseguimos reatar
Como tamb�m l�grimas quentes que enxugamos,
Cirineus de tantas consci�ncias aliviadas...

T�nhamos em comum do passado, a nostalgia.
No presente, em nossas m�os ungidas,
o misterioso e sagrado toque da divindade
quando nada mais pod�amos esperar da humanidade!

Juntos fizemos do Santo In�cio lugar de paz, aconchego:
abrigo das amizades, dos amores que sobreviver�o ao tempo
E at� mesmo � pr�pria eternidade!
Pe. Paulo D�Elboux
DEPOIMENTOS
LEMBRAN�AS
SAUDADE

Ele, que sempre nos incentivou e colaborou, com sua alegria e celebra��es animadas, far� falta. Mas temos certeza de que hoje se encontra na gl�ria do Pai, intercedendo por n�s.
Como ele dizia, procuraremos ser sempre jovens, fogo vivo e abrasador e n�o apenas fogo de palha, que queima, faz fuma�a e morre r�pido.
Pedro Carpenter Genesc� (1997)

Sempre admirei no Ara�jo a sua total entrega � voca��o religiosa e sacerdotal. N�o sabia recusar servi�o e por isso morreu em completa doa��o de sua vida. Um exemplo admir�vel.
Ant�nio Savioli (Col�gio Anchieta)

Recebi a triste not�cia da morte do P.Ara�jo durante a missa na Capela da PUC-Rio. Ele era t�o caridoso que escolheu a sua casa, a casa de Deus, para que soub�ssemos que havia morrido e onde est�vamos consolados e em conforto na ora��o.
Era meu paciente, amigo e meu confessor. Acompanhou meus filhos desde as primeiras letras no Santo In�cio, ajudando, como todos voc�s jesu�tas, a moldar o car�ter, a sabedoria, a habilidade e a destreza para o bom combate.
Jos� Goulart Furtado
m�dico - pai de ex-alunos

Para n�s, que n�o temos fam�lia perto e s� contamos com amigos neste pa�s que adotamos e que nos adotou, P.Ara�jo foi uma pe�a fundamental na constru��o de nossa fam�lia de f�.
Foi ele que nos recebeu e ensinou a caminhar dentro desta comunidade; quem celebrou nossa missa de bodas de prata de casados; quem nos orientou na coordena��o do nosso grupo de aprofundamento, estendendo a eles, os novos, o seu abra�o amplo; quem nos alegrou com suas visitas a nossa casa sempre que o chamamos.
Nossa filha Carolina teve muito contato com ele e sentiu pela primeira vez, depois de tr�s anos de viver numa cidade nova para n�s, que �ramos conhecidos e importantes para algu�m. Ela me disse domingo, com tristeza, que sentia a sua perda com a mesma intensidade que sentiu a dos av�s.
Todas as coisas fazem sentido quando sabemos v�-las com os olhos da f�; mas esta tristeza est� especialmente dif�cil de superar. Sentiremos muito a falta dele.
Jorge e Maria Elena Alfaro (UNAPE)

Acho que todos n�s recordamos do nosso querido Padre Ara�jo com muito carinho. Eu costumava dizer que ele era o Padre dos jovens. Estava sempre no meio dos jovens e era disso que gostava. Jamais se recusou a rezar uma missa para a galera dos �churrascos� das Semanas Santas. Mas ele tinha uma caracter�stica muito peculiar da qual, certamente todos se lembram. Era muito apressado. N�o me lembro de nenhuma vez t�-lo encontrado pelos corredores do Col�gio sem pressa, tranq�ilo. Estava sempre atrasado para alguma coisa. Isso reflete bem o quanto ele era ativo. Organizava os EPC�s com muita dedica��o e carinho e deixou nos cora��es de todos que o conheceram uma sementinha que dever� florescer cada vez mais. �s vezes rezava uma missa em Corr�as �s 17h e outra no Santo In�cio �s 19h. Gostaria que fosse sempre lembrado por sua dedica��o a toda a comunidade inaciana. Ele era apressado, por isso, foi embora cedo... encontrar o nosso Criador que com certeza o acolheu com uma grande festa. Resta-nos a saudade, o afeto e a lembran�a de suas palavras: �N�o podemos deixar a brasinha virar carv�o.�
Renata Muniz (1996)

Convivi muito com ele pois durante alguns anos eu trabalhei no Encontro de Pais com Cristo do CSI. Eu tocava viol�o enquanto o Pe. Ara�jo cantarolava (o que fazia muito bem). Ele tamb�m celebrou, em 2000, a Missa de 50 anos de casados dos meus pais, a mais bonita e alegre que eu j� tive a chance de participar. Ele emocionou a todos e cantou lindas melodias que falavam de amor e uni�o.
Luciana Ragoni (1983)

Padre Ara�jo foi uma figura muito importante para mim no Col�gio Anchieta em Nova Friburgo e tornou-se uma refer�ncia quando me transferi para o Santo In�cio em 95.
Bruno Lopes Holfinger (1995)

(...) al�m da rela��o fraterna na Companhia e no Sacerd�cio, tinha com ele uma amizade muito especial, antiga e sincera. Admirava nele a alegria permanente, a serenidade interior que denotava um religioso e sacerdote de vida interior intensa e aut�ntica.
Jos� Carlos de Lima Vaz (1943)
Bispo de Petr�polis

Sinto muito pela perda, para o col�gio e os alunos. Perdemos um grande amigo.
Leslie Figueiredo (1977)

Que tristeza... que triste perder essa pessoa t�o querida que era o Padre Ara�jo. Desde crian�a no Santo In�cio, convivi com esta pessoa t�o am�vel e alegre... eu ia com a minha turma e professores sempre rezar na capela do �ltimo andar do pr�dio antigo, e quem sempre estava l� para nos recepcionar? Padre Ara�jo!
Vanessa Kochem (1998)

Triste noticia. Mas nossa f� faz com que acreditemos na vida eterna!
Tereza Maria Ribeiro Gomes (1980)

Padre Ara�jo celebrou meu casamento com Claudia h� 15 anos de uma forma t�o carinhosa e alegre que por certo contribuiu para que minha fam�lia se mantenha unida no amor desde aquela data. Ele ainda celebrou as bodas de prata dos meus pais e as bodas de ouro dos meus av�s. Ao colocar minhas duas filhas no Col�gio (Camilla e Giovana) tivemos a sorte de, pelo seu retorno ao Col�gio, t�-lo novamente alegrando a todos com sua musicalidade e acima de tudo com seu otimismo e alegria. � uma grande perda de um homem t�o bom.
Rogerio Vivaldi Coelho (1981)

sem d�vida uma perda enorme para todos n�s...
Jo�o Cesar Kubitschek Lopes (1982)

(...) encontrei com ele nos corredores do col�gio em meados de fevereiro deste ano e mais uma vez agradeci por tudo o que ele tinha feito por mim, por meu marido, por meu pai antes dele falecer e depois que ele se foi, todo o carinho e aten��o dispensadas a minha fam�lia...
(...) que pena... que perda para o col�gio, ex-alunos e fam�lias que ele tanto atendia t�o bem e com tanto carinho e considera��o, dando seu verdadeiro e profundo e valioso testemunho inaciano... (...) Enviamos daqui [USA] nossa eterna gratid�o a ele e uma profunda tristeza de n�o ter tido tempo para dizer �muito obrigado� mais uma vez pessoalmente... (...) desde a �poca de col�gio nos corredores do col�gio como �padre espiritual de uma certa s�rie�, nos encontros de jovens, nas col�nias de f�rias at� agora nos ex-alunos j� adultos formados e fam�lias constitu�das... toda sua est�ria de vida estar� para sempre interligada com muitas outras vidas que ele �tocou� ao longo de seu caminho... que Deus o aben�oe e o conserve a Seu lado l� no C�u... e que ele possa estar como se fosse �um anjo que continue nos inspirando� ao longo de nossos caminhos por aqui...
Izabela Fischer-Vialle (1977)

Era um grande amigo, foi muito especial para minha fam�lia, em especial minha irm� Isabela, mas principalmente para meu pai. Sua alegria edisposi��o para atender a todos sempre me marcaram. Tive a felicidade de conviver com ele em muitos Encontros de Jovens que tivemos em Correas. Certamente ele est� muito bem acompanhado, junto a nosso Deus e Pai, mas a aus�ncia do amigo tricolor ser� muito sentida.
Ricardo G. Fischer (1974)

setembro/2002

SAUDADES DO GOYANNA (1967)
S�rgio Xavier Fortes

Fazia um calor infernal naquele domingo do ver�o de 1964. Da praia h� pouco abandonada ainda guard�vamos uma sensa��o de inc�modo. O sal mal tirado do corpo pelo banho apressado, a pele ressecada pelo sol escaldante. Mal estar potencializado por pesadas camisas tricolores compradas na Superball da Xavier da Silveira, muito diferentes dos sofisticados equipamentos esportivos de hoje.
O rel�gio ainda n�o marcava uma da tarde. O �Fla-Flu� profissional s� come�aria �s 16 horas mas a preliminar dos aspirantes tamb�m se afigurava espet�culo imperd�vel. Impunha-se prestigiar a nova gera��o de craques de �lvaro Chaves. Futuros players que iriam, dentro de poucos anos, fazer explodir de orgulho nossos cora��es tricolores.
Estamos no ponto de �nibus em frente � loja das Persianas Col�mbia, entre Paula Freitas e Rep�blica do Peru. Nessa loja trabalhava o �Ceguinho�, durante muitos anos goleiro do Dumans, time de futebol de praia da Paula Freitas treinado pelo c�lebre Nenen Prancha. A reduzida acuidade visual do �Ceguinho� abreviou sua carreira de goleiro. Optou pela fun��o de �rbitro, tamb�m no futebol de praia. Nesse mister suas emo��es se multiplicaram.
Desponta no horizonte o Bar�o de Drummond-Leblon. De longe percebe-se que est� lotado, circunst�ncia previs�vel num dia de Fla-Flu. Ao nosso sinal, e de outros tricolores e rubro-negros ali postados, o �nibus p�ra. Minha tens�o chega ao limite m�ximo. Como � que o Goyanna vai entrar nesse diabo de �nibus com essa bandeira tricolor gigantesca? Que jeito dar� ele para acomodar no coletivo os quase seis metros de mastro do artefato?
Tenso, acompanho suas manobras. Enfia a bandeira atrav�s da terceira janela � frente do trocador. Empurra o apetrecho com for�a. N�o toma conhecimento dos protestos e palavr�es que se multiplicam entre os incomodados. Quando � suposto que a tal bandeira j� est� toda dentro do 438, adentramos o ve�culo.
Pela recep��o, especialmente dos flamenguistas, pressinto que vamos ser linchados. Nada disso acontece. Nelson Goyanna de Carvalho, com o sorriso moleque que foi sua marca registrada por toda a vida, come�a a distribuir uma s�rie de �Meu querido, muito obrigado!...� �Desculpe qualquer coisa!...� �Vai ser um jog�o, n�o � mesmo?...� E por a� ele foi.
Esse epis�dio retrata a personalidade do querido amigo que recentemente nos deixou. Uma personalidade singular. Algu�m que nunca vi zangado. Que soube viver a vida intensamente, dividido entre in�meras paix�es, entre elas o Fluminense.
Sua missa no Santo In�cio reuniu as in�meras tribos de que participou. Os diversos grupos de pelada. Colegas de Santo In�cio. Colegas de S�o Fernando, onde se refugiou depois que seu n�vel de agita��o alcan�ou patamares incompat�veis com as normas r�gidas dos jesu�tas.
Registre-se, aqui, mais um aspecto da personalidade especial do nosso amigo. Goyanna n�o se �formou� no Santo In�cio. Mas nem por isso deixou de ser, sempre, a figura mais animada do nosso jantar de confraterniza��o de final de ano. Saiu do Santo In�cio mas guardou com carinho o tradicional palet� cinza do uniforme. Palet� cuidadosamente exposto na sua missa e que eu e Marinho Pereira examinamos com choro contido. Quando reencontr�-lo, vou querer esclarecer uma d�vida que naquela oportunidade n�o consegui aferir. Trata-se de um palet� da �Colegial� ou da �Torre Eiffel�?
Dif�cil me concentrar na missa. Minha cabe�a tomada por variadas lembran�as envolvendo aquela maravilhosa figura. Memor�veis arg�i��es de latim com o Irm�o Batista. Agita��o na fila do p�o doce, nas missas da primeira sexta-feira do m�s. Embates com o Pe. Chaves, de quem viria a se tornar amigo nos �ltimos tempos, algo t�o inimagin�vel quanto um estreitamento de rela��es entre Tom e Jerry, entre o Capit�o Marvel e o Dr. Silvana. Campeonatos de mini-pelada na casa do tamb�m saudoso S�rgio Carrera... e por a� vai.
Recobrei minha aten��o quando Theobaldo Vianna Junior discorreu emocionado sobre os m�ritos do amigo sempre risonho. Do globe-trotther. Do tricolor fan�tico, capaz de enaltecer as excelsas qualidades de Ubiraci, Victor Gonzalez ou Jair Francisco. De qualquer ente que tenha um dia, com maior ou menor compet�ncia, envergado a jaqueta tricolor. Do t�cnico de futebol feminino nos Estados Unidos. Do Procurador do Paulo C�sar Caju. Do grande amigo de uma infinidade de amigos.
Em sua nova dimens�o, Goyanna j� deve estar organizando suas peladas. Reclama e bronqueia de entradas faltosas de anjos e querubins. Quem o conhece sabe que � puro fingimento.

HOMENAGEM A ROBERTO VENTURA (1974)
Marta Rita Baptista

� espera de um v�o num aeroporto de uma capital brasileira, leio numa revista que comprei para passar o tempo a not�cia da morte de um dos melhores amigos que tive durante meus tr�s anos de CSI: Roberto Ventura. Publicada na revista ��poca�, na se��o �Dia-a-dia�, a not�cia fala da morte do professor de teoria liter�ria da USP, de 45 anos, em acidente numa estrada do interior paulista.
�Intelectual not�vel, original e atencioso, era estudioso de Euclides da Cunha e h� dez anos se dedicava a escrever uma biografia do autor�, diz a nota.
Eu sabia que o Ventura tinha se formado em Letras e que se destacava numa universidade paulista. Li isso em algum jornal ou revista nacional. A sua morte inesperada num acidente de autom�vel me entristeceu e chocou.
A simples exist�ncia de um amigo, mesmo que a gente n�o o veja h� mais de 20 anos, � um fator tranq�ilizador. A morte de uma pessoa de nossa idade, que a gente conheceu, por outro lado, � sempre perturbadora porque nos remete � extrema fragilidade de nossas vidas e �quelas eternas perguntas, que para mim permanecem sem resposta: de onde viemos? quem somos? para onde vamos?
Minha amizade com Ventura foi de curta dura��o, mas intensa. Compartilhamos ang�stias existenciais, expectativas e emo��es. Fico imaginando como ele era hoje, tentando construir uma biografia a partir de poucas linhas lidas na revista: ser� que se casou? Teve filhos? Era feliz? Amou e foi amado? Penso tamb�m nos v�rios amigos que deixei no Santo In�cio e com quem dividi o dia-a-dia naqueles tempos de incertezas e inseguran�as t�picas de adolescentes.
N�o sei se mudei tanto apesar de todos esses anos de estrada. Mas, sei que o tempo urge e que cada dia deveria ser vivido como o �ltimo. Fico feliz que um cara inteligente como o Ventura tenha se dedicado �s Letras e imagino que ele tenha deixado uma obra consistente. Imagino tamb�m que como professor tenha deixado suas marcas em centenas de alunos. Tor�o para que tudo isso frutifique e que permane�a como uma lembran�a de sua passagem entre n�s.

dezembro/2002

NAQUELE TEMPO...
Fernando Antonio Genschow (47)

Fui do tempo em que s� havia meninos no Santo In�cio. Ginasial (hoje 5.� a 8.� s�rie) com aulas � tarde (1941-1944), inclusive aos s�bados. A folga semanal era �s quartas-feiras. Missa obrigat�ria nos domingos. De uniforme branco e quepe...
Professores, a maioria padres. Al�m do Reitor havia o Prefeito de Disciplina!
O uniforme comum era de cor c�qui, com palet�! S� se podia tirar o palet� durante as aulas nos dias de muito calor, com ordem superior.
Havia diversas atividades extra-escolares al�m dos jogos esportivos. Os mais religiosos tinham a Congrega��o Mariana para freq�entar. Os �intelectuais� podiam escrever no jornalzinho �A Vit�ria�. Quem quisesse educar a voz, podia inscrever-se no coro... Tudo muito bem dosado e dirigido.
Al�m das aulas, havia a hora do estudo, com muito sil�ncio. Proibido conversar.
Se voc� n�o se comportasse bem no col�gio, �ficava preso�. Essa era a express�o usada. Seu castigo: sair das aulas uma hora depois dos colegas...
As notas saiam mensalmente em uma caderneta de uso pessoal, na qual o pai/m�e tinha de assinar o �visto� em casa. Havia classifica��o por boas notas recebidas e trimestralmente a concess�o de belos diplomas aos mais aplicados: t�tulos de conde, marqu�s, pr�ncipe... E no fim do ano, a famosa �festa das dignidades escolares�, com a concess�o de medalhas aos melhores do ano!
Um detalhe curioso da vida colegial: no fim do dia, ap�s as aulas, as turmas iam saindo por bairros de resid�ncia, pois os bondes especiais na hora exata iam chegando para nos apanhar. Cada bonde seguia com um padre como vigia...
� dif�cil acreditar como os tempos mudaram. As gera��es de hoje consideram tudo isso um absurdo. Pois para mim foram os melhores dias de minha vida.
Que saudades desses velhos tempos!
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