Soneto da sombra

Claudio Rabello

 

 

    Não sei até onde se deve ir para que os sonhos não voltem
     Não sei o que devo pedir nem o que posso atender
     Não sei nem mesmo a que mão me estender ou que corresponder
     pois que dada as circunstâncias, parei de lamber minhas feridas
 

      Não sei o que recolher do que foi derramado
      Não sei o que ocultar ou a que mostrar desencanto
     Não sei por onde caminhar sem tropeçar novamente
     já que as pedras parece que caminham comigo onde eu vou
 

     Os tambores de guerra tocam a noite inteira provocativos
     O sangue corre carregando grandes icebergs de desapontamento
     Os olhos começam a se ocultar querendo fugir da ameaça da sombra
 

     No entanto, comovido, abro pacotes e porta-retratos da minha
     memória e mesmo sem tempo, sem graça, sem me saber inteiro
     procuro sem esperança no espaço sem som um sopro que me leve a ti.
 

 

 

                

 

 

 

Site melhor visualizado no Internet Explorer

 

 

 

Hosted by www.Geocities.ws

1