Acho que foi assim...
Por Claudio Rabello
 

  Acho que era como uma folha caindo, caindo,
caindo sempre em busca de um chão que
não vinha, a procura da água que o
poço não continha, ali, no espaço
de minha queda a me
oferecer aos poucos
o infinito.

Desesperadamente possuído.

Acho que foi assim que  eu me apaixonei por você.

Acho que foi assim como uma única nota a repetir,
tentando se libertar da prisão de ser sempre o
mesmo som e tão diferente, ecoando pelos
labirintos da minha alma, batendo pelas
paredes do meu corpo, contando e
recontando o mistério que é
carregar alguém
dentro de si.

Acho que foi assim...

Tão de repente como foi esperado, tão novo
quanto gasto, tão leve como pesado o  jeito
que meu coração começou  a bater
esquisito como se quisesse afastar
de seu interior algo estranho
mas com medo de que sem
ele nunca mais pudesse
voltar a funcionar
novamente.

Acho que fui me perdendo nesses pensamentos,
falando e falando seu nome, convencido que
tinha achado a palavra mágica que abriria
a porta lacrada, que me transformasse
num super-herói, que abrisse o mar ou
fizesse cair alimentos do céu, ou
melhor, ou mais ainda, a
palavra pela qual Deus
se chama.

Acho que foi assim e às vezes não acho,
pois essa é a essência desse amor,
deixar dúvidas como quem
duvida da vida.

Acho que foi  isso que senti quando deixei
você ir naquela tarde que nunca mais
anoiteceu em mim. Mas também
acho que foi por isso que mais
do que continuar apaixonado
eu fiquei encantado para
sempre...por você.

 

 

                

 

 

 

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