Por quem meus joelhos dobram...
Claudio Rabello
Desse eterno
medo meu
Um dia
partiu minha primeira esperança
De que
tudo que fiz, disse, sonhei, aprendi,
Faria
de mim uma pessoa melhor
Bastou
um segundo de uma emoção descontrolada
Para que
tudo que restasse desse faz de conta
Fosse
apenas esses dedos pulando de tecla em tecla
Convidando
palavras para aliviarem a lembrança
Daquela que meu pensamento se fez escravo
E por
quem meus joelhos dobram
Submissos, enfraquecidos, dominados, penitentes,
Como se
nada mais houvesse nessa vida
Senão
o instante de dizer que dela não me aparto
Visto
que dela parte me fiz e disso me dei conta
embora
tardiamente, embora doente desse amor
incurável
e assustado que me dividiu ao meio e
as minhas
verdades que hoje nada mais são
que minhas
lágrimas correndo pelos
caminhos
onde vou... só.
As vezes penso que tudo não passa de apenas um capricho
Seguir pensando que posso resistir a esse sentimento
E que tudo mais que por acaso me ocorra
Serei forte e estarei de pé mesmo que nada mais me reste
Mesmo que tenha a minha frente a paisagem que não vejo
E me encolha com minha pequenez diante do infinito
Os acordes dos sons que em meus ouvidos permaneceram
desde quando a porta se fechou para sempre aos meus desejos
Me colocarão nas nuvens do meu delírio
Onde sou rei, senhor e dono da minha vontade
E onde você, alheia, sempre passeia em minha sombra
Não importa mais aquela dúvida e aquele alento
Não importa mais morrer um pouco
E permanecer encolhido em minha previsível jornada
Não importa me socorrer em versos que roubo
Aqui onde me deito e sonho
Minha realidade é você, sua falta é meu destino
Que persigo mesmo quando só me resta a aventura
E assim, embaraçado em braços fantasmas
Durmo, embalado no silêncio da minha alma
Que em vão persegue outros amores que perdi
E que jurei nunca mais amar!
Site melhor visualizado no Internet Explorer